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Publicado por Sombra Posthuman

– que publicou 23 textos no ONE.

Um homunculus misantropo que vive na penumbra do Rio de Janeiro.

O autor tem licenciatura em Letras Português/Inglês pela Universidade Federal Fluminense e Pós-Graduação em Tradução pela Gama Filho, com um artigo sobre traduções de Alice no País das Maravilhas como trabalho de conclusão de curso.Em 2005 começou a fazer traduções de livros para a editora Reader’s Digest, e em 2007 passou a trabalhar exclusivamente como tradutor de textos técnicos. Hoje em dia é tradutor juramentado.

Quando não está trabalhando, treina krav maga e publica contos e poemas de sua autoria no site O Nerd Escritor. Adora literatura fantástica e coleciona quadrinhos do Homem-Aranha. Sombra é fã de Augusto dos Anjos, Neil Gaiman, George R. R. Martin e Guimarães Rosa. Além de escrever, o autor também dedica seu tempo livre a cantar e compor, estudou canto lírico e foi vocalista da banda Heartagram Him Cover. Adora tatuagens, RPG e música, principalmente metal industrial.

>> Confira outros textos de Sombra Posthuman

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Apr
01
2013

Carne II – Ossos do Ofício – Final

Escritor: Sombra Posthuman

Ukobach

Ukobach

 

Esta publicação é continuação de Carne I – Esqueletos no Armário e Carne II – Ossos do Ofício – Parte 1 e é recomendada para maiores de 18 anos.

Blood on her skin
Dripping with sin
Do it again
Living Dead Girl
Blood on her skin
Dripping with sin
Do it again
Living Dead Girl

Bem longe dali, Elisa algema os pulsos de Leandro à cabeceira e os pés aos pés da cama.

– Então você gosta de bancar a dominatrix.

– Eu vou comer ocê! – E lambe seu peito.

– Só desta vez, eu vou deixar.

Ela tira a blusa e o sutiã e começa a esfregar os seios no peito de Leandro. Depois pressiona os seios contra seu rosto, enquanto ele os chupa.

Elisa abre o sinto de Leandro e tira sua calça. Ela o acaricia, tira a cueca e joga atrás da cama, e lambe os lábios. Neste momento, sua barriga ronca alto. Ela simula espanto e diz:

– Estou ficano com água na boca!

Eles exploram o corpo um do outro, ela geme voluptuosamente e para:

– Eu quero ocê todinho dentro de mim.

Elisa sobe em Leandro.

– Grita à vontade, meu amor! Aqui ninguém vai ouvir a gente! – Diz Leandro. Ela morde o lábio inferior e sorri.

-Ah! Ah! Ah! – Ela grita bem alto e, finalmente agarra a cabeça de Leandro e lhe da um beijo violento. Leandro penetra a boca de Elisa com sua língua esticada e ela a morde com raiva. Os olhos de Leandro se arregalam. Elisa puxa a língua para fora como um cachorro. Arranca a língua com os dentes e o sangue respinga em seus seios firmes. Ela mastiga a carne crua com muito prazer, cabelos alvoroçados, enquanto Leandro se debate e tenta gritar, engasgando em seu próprio sangue.

– Pode gritar à vontade, ninguém vai ouvir.

Morde o peito de Leandro e arranca um bife.

– Você é gostoso! É verdade! Adoro carne fresca, mas vamo logo para a melhor parte!

Ela pega debaixo da cama a katana que estava na sala de estar, tira-a da bainha e crava no peito de Leandro, fazendo um rasgo para baixo e quebrando duas costelas. Em seguida, joga a katana no chão e enfia a mão no rasgo que abriu. De dentro da caixa torácica ela tira o coração ainda batendo, enquanto Leandro observa meio grogue. Ela segura o coração pulsando em sua mão como uma maçã.

– Você não esperava que em uma noite de sexo eu fosse roubar seu coração, num é? – e morde o coração.

No dia seguinte, Ângelo está sozinho em um bar, sentado à mesa com uma garrafa de vodca perto do fim. Ele termina de beber a garrafa e olha em volta, procurando pelo barman. Levanta-se e anda cambaleando até o balcão, onde não encontra ninguém. Ele resolve ir buscar sua bebida, mas ao pegar a garrafa, se desequilibra devido à embriaguez e cai sobre o armário, derrubando todas as garrafas, que se espatifam no chão. Com a visão turva e tremula, Ângelo vê Ukobach entrando no bar.

– Tire essa batina, seu pecador!

– Saia daqui! Não precisamos de padres aqui!

– É mesmo? Eu achei que você estivesse me procurando. – Ele se aproxima de Ângelo e tira os óculos escuros, exibindo seu olhar satânico, ao que Ângelo empalidece. Coloca a maleta sobre o balcão e a abre.

Ângelo se levanta com muita dificuldade.

– Uma lembrança do seu amigo. – Diz Ukobach, jogando a cabeça de Cabuçu no colo de Ângelo, que a larga aterrorizado.

O demônio gargalha e pega um gancho na maleta.

– Você é tão patético que quase chego a sentir pena.

Ângelo pega um livro e começa a lê-lo em latim.

– Que bafo horrível de álcool! Você mal consegue pronunciar as palavras! – Se aproxima bem de Ângelo e sussurra: – Faça uma boa viagem ao inferno.

Nesse instante, todo o local é coberto por trevas, e Ângelo é obrigado a interromper a leitura.

– Droga, droga, droga, droga! – Ele levanta a batina à procura de um isqueiro, até que finalmente o acha e acende. Balança-o desesperadamente no ar, a procura do demônio, sem sucesso. Abre o livro novamente e volta a ler, mas gagueja e tropeça nas palavras. A voz onipresente de Ukobach o interrompe:

– Sua fé é insignificante. Seu deus não está aqui.

Dezenas de formigas descem pelo livro, aparentemente surgidas de lugar nenhum. Ângelo continua concentrado na leitura. As formigas sobem em suas mãos e entram pela batina. Ele olha para elas de vez em quando e suas mãos não param de tremer, até que o isqueiro cai.  Imediatamente, todo o lugar é tomado por chamas. Ele se joga no chão, gritando e seu corpo é coberto pelo fogo. Caminhando pelas chamas, Ukobach se aproxima e o observa, estende sua mão e a penetra no peito de Ângelo.

-Ângelo!

Ângelo acorda apavorado e vê Cabuçu, que está lhe chamando.

– Ocê tava teno um pesadelo.

O velho se senta em uma cadeira, enquanto o recém-acordado se recupera do pesadelo.

– Eu consultei os espíritos e eles me responderam. Ocê está pronto pra enfrentar o demônio?

Ângelo apenas olha para o índio, sem responder. Cabuçu continua:

– Eu já enfrentei esse demônio antes e sei como me proteger dele, mas não posso mandá-lo embora deste mundo. É aí que ocê entra, Ângelo.

– Eu sei, senhor Cabuçu, mas eu nunca fiz ou presenciei um exorcismo antes.

– Os espíritos ancestrais disseram que ocê tem o poder! Ocê tem que confiar na fé que tem dentro d’ocê. Tome, este é o cordão de Jururá-Açú, ele não vai deixar nada que seja do outro mundo tocar n’ocê. – Cabuçu mostra um colar com pingente de tartaruga.

– Obrigado, Seu Cabuçu, mas eu não posso aceitar. Como o senhor mesmo disse, eu tenho que confiar na minha fé. E minha fé é em Deus e só nele.

– Tomara que ele te proteja.

– O Senhor disse que o corpo desse demônio pertencia ao irmão dessa Lilian.

– Sim, o nome dele era Adriano, um home muito bom. Como já falei pr’ocê, o feiticeiro Ashur trouxe Lilian de vorta à vida, uma vampira que chamou de Lilith. Mas ela fugiu e ele criou uma nova criatura parecida co`ela com o coração puro de seu irmão Adriano e a ajuda do demônio Anamane. Como sua parte no trato, o demônio ficou com o corpo do Adriano, sem o coração puro. Agora precisamos encontrar Anamane. Ainda há pouco os espíritos me disseram que quando a noite cair, guiados por um pirata, vamos encontrar o demônio. O que será que isso quer dizer?

– Pirata. Eu conheço um Pirata. O Senhor lembra que eu vim aqui investigar uma organização envolvida com pornografia infantil? Esse se tornou meu objetivo de vida, desde que fui excomungado por acusar vários crimes da igreja católica. Pirata é o apelido de um dos membros da organização. E eu consegui uma foto dele semana passada, além de algumas informações a seu respeito.

– É o destino, Ângelo! Precisamos ir atrás desse Pirata!

À noite, Cabuçu e Ângelo chegam a um bar. Cabuçu está usando o colar de tartaruga.

– É aqui, ouvi dizer que ele vem aqui sempre.

– E se ele não vier?

– Nós podemos perguntar por ele, mas isso fica como última alternativa.

Enquanto isso, Elisa chega a Gomorra. Ela entra na boate e vai até o local do palco e espera em um canto. Meia hora depois, as integrantes da banda estão reunidas na frente da boate. Uma delas, de cabelos ondulados e lábios carnudos diz:

– É, acho que ela não vem mesm, tentei ligar pra ela o dia inteiro! Alguma coisa grave deve ter acontecido.

– Ela não atende! – Diz a outra, de cabelo curto e olhos azuis, segurando o celular.

– Não dá mais pra esperar, vamos ter que cancelar o show! – Conclui a mulher de cabelos ondulados. Mas Luana interrompe:

– Não! Esta é a nossa grande oportunidade! Tocar no Gomorra, a única boate underground da cidade! O que a gente sonhou durante tanto tempo! Nosso passaporte para a fama!

– Mas o que podemos fazer? Tocar sem vocal? – Pergunta a mulher. E a de cabelos curtos responde:

– Lá está ela!

Dalila se aproxima de óculos escuros e com o corpo cheio de ferimentos.

Dalila! O que aconteceu com você?!!! – Exclama a mulher de lábios carnudos.

– Isso não é hora para perguntas, vamos logo, estamos atrasadas. – responde Dalila com uma voz estranhamente cavernosa.

Elas entram e começam a preparar o equipamento, passam o som, enquanto Elisa observa atentamente, e finalmente são anunciadas.

– Com vocês: Devil`s Touch!

Dalila canta e suas amigas estranham muito a sua voz, que está mais encorpada e com um efeito distorcido.

 

She comes like walking on clouds

White skin, pale like snow

And smiles like an angel

 

Her shadow mocks you

While you follow her steps

Her heart is as black as her dress

 

O show é um sucesso, todos adoram. Algumas pessoas vão cumprimenta-las e Elisa vai até Luana.

– Lilith. – Ela diz, como que encantada por Luana. Luana fica surpresa, mas é interrompida por Dalila.

– Luana, preciso falar algo muito importante com você, é urgente.

Ela olha para Elisa e sai com Dalila. As duas saem da boate pelos fundos e se afastam alguns quarteirões.

– Eu reconheci você pelos óculos escuros. O que fez com Dalila?

– Dalila está morta, só restou a carcaça. O mesmo vai acontecer com você se não cooperar. – Ela responde com a voz de Ukobach.

– Você não me levou da última vez, não vai me levar agora.

– Chega de conversa! – quatro correntes com pontas de ferro saem das costas de Dalila e se apoiam no chão, erguendo-a no ar como uma aranha. – Mostre-me o que você aprendeu nesses anos.

Dalila investe contra Luana com suas correntes, ela se esquiva, mas as correntes mudam sua trajetória seguindo seus movimentos. Os movimentos de Luana, no entanto, são incrivelmente rápidos e ela continua se esquivando, quicando nas paredes e dando saltos mortais. Ela pega uma das correntes e a puxa com força para trazer o corpo de Dalila para perto, mas a corrente cresce e ela se desequilibra, dando a chance para que Dalila a capture com uma das correntes. Dalila a ergue no ar e sorri, mas ela se transforma em sangue e escorre pelo chão para trás do inimigo, volta ao normal e crava suas garras no pescoço de Dalila. Um sangue negro escorre pelo seu braço, mas uma das correntes entra por suas costas e sai pela frente.

– Não pode escapar de mim, Lilith. Por que não se entrega de uma vez? Logo haverá uma guerra, de que lado você vai ficar? Do vencedor… ou do perdedor?

Nesse instante, Elisa salta sobre o corpo de Dalila e rasga sua garganta com uma faca. Luana arranca a cabeça de Dalila com suas próprias mãos, e a criatura cai. Ela tira a corrente de seu corpo e seu ferimento se cura imediatamente.

– Ocês sempre faz isso?

– Melhor darmos o fora daqui, acho que ele não vai desistir tão fácil.

Elas estão em um carro, Elisa está dirigindo.

– Quem é você? Por que me chama de Lilith? Foi Ashur que mandou você?

– Não, ele não me mandou, eu fugi. Eu andei sem rumo durante tanto tempo! Mas agora que eu te encontrei, sinto como se estivesse te procurano.

-Você é uma criatura enviada por Ashur.

– Não! Ele está morto! Eu matei ele… Ele me criou para substituir ocê. As parte mais perfeita combinada de várias muier para substituir um amor que se foi. Com o coração de Adão, eu fui criada a sua imagem e semelhança: Eva.

– Então, você é uma morta-viva como eu.

Elisa rouba um beijo de Luana e a fita com um desejo avassalador. Luana avança sobre Elisa e elas se beijam apaixonadamente. Elisa abre os olhos e desvia violentamente de um carro.

Enquanto isso, Cabuçu e Ângelo esperam no bar. Ângelo está bebendo vodca.

– Chega de beber, Ângelo! Ocê já bebeu demais.

– Eu sou padre! O que eu posso fazer além de beber? Acho melhor a gente perguntar sobre ele.

– Fica calmo, Ângelo. Os espíritos disseram que ele vai aparecer.

– Eu não confio nesses espíritos. – E levanta, mas se espanta ao ver o Pirata entrando no bar e se senta novamente. – É ele, acabou de entrar.

– Os espíritos ancestrais não mentem.

Elisa e Luana chegam à mansão.

– Nossa, que casa legal!

– E é muito bem escondida.

Elas entram e são seguidas por uma mosca. Elisa pega um vinho e duas taças e elas vão para um quarto.

– Eu não bebo este tipo de cois.

– Hmm… e o que ocê bebe?

– Sangue.

– Hmm… Acho que o Leandro tinha umas coisa que pode servir.

Ela sai correndo e volta com uma embalagem de seringa. Ela abre e espeta em sua própria veia, suga o sangue e coloca em uma das taças.

– Fresquinho! – ela sorri.

– Muito obrigada!

Elisa pula na cama e pega a outra taça.

– Posso pegar um pouco do seu?

Luana estende o braço e Elisa retira o sangue e o coloca na outra taça.

– Um brinde ao encontro de duas alma gêmea, – Diz Elisa segurando uma taça com o sangue de Luana. Elas brindam e bebem o sangue uma da outra. Depois se beijam. Elisa coloca o chapéu de Luana em cima da cabeceira. Beija-a loucamente, enquanto tira as roupas da vampira. Luana derrama um pouco do sangue sobre seus seios e fita Elisa sensualmente. Elisa começa a chupar o sangue.

– Ele já tentou ligar para alguém várias vezes, está inquieto.

– Logo ele vai se levantar e vai sair.

– Espero que esteja certo… Ele está saindo. Vamos! O Pirata entra no carro e Ângelus e Cabuçu entram em outro carro para segui-lo.

Elisa e Luana nuas, lambuzadas de sangue, fazem sexo sob o lençol branco da cama. A mosca observa.

– Tô me sentino tão viva! – Diz Elisa.

Mas Luana não parece tão feliz. Elisa a observa preocupada e ela desabafa:

– Dalila era minha única amiga. Há muitos anos… Esse demônio sempre destrói tudo o que é importante pra mim, onde quer que eu vá. Talvez Cabuçu tenha razão, eu nunca terei paz enquanto não acabar com ele.

Uma lágrima de sangue escorre pelo rosto da vampira. Do lado de fora, o porta-malas do carro se abre, de dentro sai Ukobach com novos óculos. Ele observa a casa e dá a volta pela lateral. Neste instante, chega o carro do Pirata. Ele para e sai do carro. Lá em cima, as mulheres ouvem o barulho, Elisa diz para Luana:

– Espera aqui, eu vou ver quem é.

O Pirata entra na casa e grita por Leandro. Ele sobe a escada e vai até um quarto. Abre a porta e se depara com o corpo parcialmente devorado de Leandro sobre a cama.

– Ah, meu Deus! – E ouve uma voz vinda de trás:

– Esses home bisbilhoteiro,,,

O pirata saca sua pistola e se vira para trás rapidamente, mas tem a mão decepada pela katana nas mãos de Elisa. Ele grita, enquanto ela pega a arma do chão. De repente, eles ouvem o barulho de outro carro.

– Quem foi que andou espalhano notícias da festa? Estanca esse corte com a camisa, não queremo que ocê desperdice todo esse sangue! – Ele obedece. – Muito bem, agora espera aqui, não vai embora! – Ela crava com força uma faca de churrasco na outra mão do Pirata, atravessando o chão de madeira, e ele grita novamente.

– Aaaaaaaaaaaahhhh!!!! Você é louca! Doente!

Elisa desce as escadas com a katana e a pistola. A porta da frente está aberta e ela ouve barulho na sala de estar. Ela vai até lá. O Pirata tenta tirar a faca com a boca, mas não consegue, enquanto uma mosca pousa no ferimento. Elisa entra na sala de estar.

– Você é a mulher de Turmalina? – Ângelo pergunta.

– E quem é ocê, que ousa invadir a minha casa?

– Nós estamos do seu lado, viemos expulsar o demônio,

– O único demônio aqui sou eu.

– Anamane. Ele está nesta casa.

– Ocês vão se arrepender de ter entrado aqui. – Ela aponta a arma com a mão esquerda para a cabeça de Ângelo e atira.

O Pirata puxa a mão da faca e a rasga no meio, soltando mais um grito. Sai correndo, descendo as escadas, corre até a cozinha e tenta abrir a porta dos fundos, mas ela está trancada. Ele senta no chão cheio de dor e desespero.

Cabuçu grita:

– Não! O que ocê fez! Nós tá do seu lado! – Mas Ângelo escapou do tiro e está rastejando para trás do sofá.

– Para de fugir! Eu não quero ter que cortar ocê com esta espada e derramar todo o seu sangue no chão. – Ela dá a volta e aponta a arma para ele novamente. Cabuçu implora:

– Eu também vim de Turmalina, conheci o feiticeiro Ashur, teu coração pertencia a um home chamado Adriano. O corpo desse home foi tomado por um demônio, Anamane. E ele está aqui nesta casa.

Na cozinha, Pirata vê as chaves em cima da mesa, ele já está ficando tonto. Levanta-se com dificuldade e as pega, coloca a chave na fechadura e gira com dificuldade. A porta se abre, “que sorte!”, ele pensa, e corre para a liberdade. Mas é brutalmente atingido por um gancho que perfura sua boca por baixo da mandíbula.

– Obrigado por abrir a porta. – Diz Ukobach, segurando uma estaca recém improvisada e na outra mão, sua maleta, que não estava antes com ele. Sangue escorre pela boca do Pirata e ele é puxado de volta para dentro como um peixe fisgado.

Na sala, Elisa grita:

– Lilith!

Luana está vestida novamente e indo para a cozinha, mas muda sua rota para a sala de estar ao ouvir seu nome. Uma corrente a agarra pelos pés e a puxa.

– Você de novo! – Num instante, se transforma em um morcego, deixando só suas roupas para a corrente. Ela segue voando para a sala de estar, mas para sua surpresa, é perseguida pela mosca que estava no quarto, que gira em torno dela, deixando-a desorientada. O morcego volta a ser Luana, que cai no chão.

– O que diabos é iss?! – E abana a mosca, mas é atingida no ombro pelo gancho de Ukobach, caindo deitada no chão. Elisa chega ao hall de entrada e vê Ukobach cravando uma estaca de madeira no coração de Luana.

– Não! – Ela atira e acerta uma bala na testa de Ukobach, que cai no chão. E corre na direção de Luana. Ukobach estica o braço e abre sua mala. Rapidamente, uma corrente se enrosca no corpo de Elisa, afastando-a de Luana. Ela deixa cair a espada.

– Lilith!

– Sinto o mau cheiro de fé nesta casa, mas não importa, não há nada que possam fazer para me impedir. – Elisa descarrega o pente em Ukobach.

– Haaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!

Mas é inútil. Então, Cabuçu entra no hall.

– Finalmente se encontramo de novo, demônio!

– Hmmm… Eu me lembro de você! Não é aquele índio curandeiro de Turmalina? Veio fazer um acordo?

– Não faço acordos com demônios! – Vira-se para Ângelo, que entra no hall com um livro e uma cruz e vê o demônio que assombrou seu sono. Ele afasta o medo e se concentra no livro, lendo-o em latim. Ao ouvir as palavras do livro, Ukobach se contorce e suas orelhas e nariz começam a crescer. A corrente que envolvia Elisa se afrouxa. Com uma agilidade sobre-humana, Elisa pega a espada e investe contra Ukobach, cortando-lhe a cabeça. Um sangue negro jorra sobre ela. Ângelo continua lendo o livro, até que ouve-se um grito demoníaco e um vento fortíssimo varre a sala. Ângelo para de ler.

Elisa se abaixa para tirar a estaca de Luana, mas é atingida pela corrente e arremessada contra a parede. Ângelo começa a ler novamente, mas o livro e suas roupas se incendeiam espontaneamente.

– Não! Está acontecendo! Como no sonho! Aaahhh!! – Ele solta o livro e grita de dor.

Cabuçu se joga em cima dele, deita com seu manto sobre seu corpo, mas o fogo não diminui, ele continua ardendo alto sobre os dois. Eles gritam por alguns instantes, até que seus gritos vão morrendo. Enquanto isso, o corpo de Adriano pega sua cabeça do chão e a coloca no lugar, sem os óculos, ele abre os olhos novamente e suas íris brilham em um vermelho sangue.

– Já está quase na hora. Daqui a dez minutos a membrana entre este mundo e o meu ficará mais fraca e o ritual de evocação terá início.

– O que ocê quer com a gente?

– Com você eu não quero nada. Eu vim aqui para encontrar minha adorável irmã. – Ele acaricia o rosto de Luana. – Meus superiores me deram uma missão muito especial. Eu vou trazer a este mundo a criatura que acabará de vez com toda a humanidade. Fruto de uma necrofilia incestuosa, uma criança será gerada em nove minutos. E você assistirá a tudo de camarote. Nós formaremos uma linda família.

– Eu tô pouco me fodeno pra raça humana, seu duende! Mas ocê matou a única pessoa que importa!

– Eu matei? Não seja ridícula! Lilith já está morta desde que nasceu. Eu só não queria ter que fazer sexo com um morcego.

Ukobach beija Luana e lambe seus seios com sua língua de serpente. Ele levanta a batina e introduz seu membro ereto entre as pernas da vampira. Ele o empurra violentamente sem cessar, enquanto Luana o encara imóvel com sua pele pálida e suas coxas abertas.

– Hahahahaha! Apenas aproveite, minha querida irmã. Não há nada que você possa fazer. Lágrimas de sangue escorrem dos olhos de Luana, enquanto os movimentos se repetem, até que finalmente terminam.

– Está feito. Agora basta esperar. Por que tanto ódio nesses olhos? Eu não gosto disso! – Diz a Elisa.

– Já disse que não me importo com seus assunto, por que não me solta logo?

– Não. Nada nesta sala se move até a criança nascer. Não vai demorar muito. Aí, eu posso soltar você. Até lá, vamos brincar um pouco.

Ele pega o indicador da mão esquerda de Elisa. E quebra. Ela grita.

– Você foi muito indelicada comigo, sua ladra de corações! Logo, logo, vou pegar o meu de volta. – Quebra outro dedo, outro grito. – Mas pra que pressa? Eu quero ver você levantar alguma arma depois que eu quebrar todos os ossos dos seus braços.

Um a um, ele vai quebrando os ossos do braço esquerdo.

– Grita pra mim, minha bonequinha! – Alguns minutos se passaram, até que Elisa percebeu Cabuçu levantando um pouco seu manto sob as chamas enquanto Ângelo observava o corpo de Luana.

-Eu sei como acabar c’ocê! Quando eu descer daqui, vou chutar o seu rabo de volta pro inferno!

Ukobach chega bem perto do rosto de Elisa e responde:

– Não vai sobrar muito de você quando eu terminar.

Neste momento, Ângelo salta de baixo do manto e pega a espada no chão. Ukobach se vira para ataca-lo, mas é surpreendido por Cabuçu, que se joga desajeitado sobre ele. Ukobach ergue Cabuçu pelo pescoço, enquanto Ângelo crava a katana no ventre de Luana.

– Nããããããããããããoo!!!! – Grita o demônio, enquanto envia uma corrente que atravessa o corpo de Ângelo e o arrasta para perto. – Vai pagar caro por isso, velho! – E continua estrangulando Cabuçu.

Ângelo está muito ferido no chão, cospe sangue e percebe que o amuleto de Cabuçu pode protege-lo do fogo infernal e das correntes, mas não do corpo humano habitado pelo demônio. Ele olha para Elisa e ela faz gestos com a cabeça apontando para baixo, mas ele não entende. Então ela move os lábios lentamente: “coração”. Ângelo fica de joelhos e crava a espada no peito de Elisa. Ela solta um gemido e Ukobach larga Cabuçu no chão.

– Puta maldita.

Ele cai de joelhos e tomba para frente. As correntes se desintegram e o corpo de Elisa cai no chão. Ângelo ouve a sirene da polícia e desmaia.

Dois carros da polícia param na porta e saem quatro policiais. Eles entram na mansão. Depois de algum tempo, ouvem-se gritos de dor e terror. Logo os gritos se silenciam. De dentro da casa, sai apenas uma policial. Ela vai embora, enquanto a mansão arde em chamas, olha para o bebê sorridente que carrega nos braços e some na estrada.

13 Comments»

  • A música no início é “Living Dead Girl”, do Rob Zombie.

  • Livia says:

    já está aqui! vou ler

  • Livia says:

    Interessante que vc desenvolveu a história de modo q eu nunca imaginaria lendo a primeira parte!
    Aguardo a continuação

  • J.Nóbrega says:

    Quando lançou o Carne I eu já pirei no conto e não tinha visto a continuação. Acabei de ler esse e gostei bastante.
    .
    Como seu nickname diz você é um escritor sombrio cara. Canibalismo, demônios, prostituição, sexo e torturas, tudo bem explorado.
    .
    Vou para a parte II
    .
    Parabéns!

    • J.Nóbrega says:

      Opa comentei que iria para a outra parte, mas essa é a final!
      .
      Po escreva mais desses!

      • Que bom que gostou! Você leu o Carne II-Parte 1? Tá meio confuso porque não tem os links, mas é assim: Esqueletos no armário, Ossos do Ofício – Parte 1, Ossos do Ofício – Final.
        Eu já tenho o Carne III bem adiantado e é mais longo que o II, mas dei uma parada porque estava meio desmotivado com esta série. Vou ver se volto a escrever Carne…

  • Claudeir da Silva Martins says:

    – Eu não confio nesses espíritos. – E levanta, mas se espanta ao ver o Pirata entrando no bar e se senta novamente. – É ele, acabou de entrar.

    Parei nesse trecho acima por hoje, irei terminar de ler outra hora, mas rapaz, que fascinante isso, curto muito esse estilo de suspense misturado com ação e terror, com lutas e tudo mais, como no caso da Dalila que lutou com a Luana, muito bem feita essa cena. Parece um misto de teledramartugia com uma pitada de filme, e outra, gostei muito do uso da linguagem coloquial ai nos diálogos, ficou bom. Irei ler a primeira parte outro dia e tenho que continuar lendo essa, mas realmente, ocê caprichou, hein! 🙂

  • Claudeir da Silva Martins says:

    Outra coisa que gostei nessa parte foi ter colocado alguns trechos em inglês, foi o primeiro conto que li no ONE que tem trechos em inglês, hehehe… Gostei das letras da música, pressumo que vc deva curtir rock, certo?

    Devil`s Touch! Gostei do nome dessa banda, toque do demônio, sinistro! E bem escolhido o nome da boate, GOMORRA, poh! O nome faz imaginar um lugar ruim, cheio de coisa que não presta e que nenhum religioso gostaria de estar, muito bem escolhido o nome.

    Gostei do começo, essa Elisa é mesmo uma vampira, gosta de tortura e tudo mais, com certeza virá muita crueldade, muito drama, terror e horror mais adiante, nos próximos capitulos. Lillith também, gosto desse nome e dessa personagem na mitologia suméria e hebraica, a Lua Negra, vc com toda certeza deve conhecer bem essas lendas e mitos. Em fim, irei ler essa parte de novo, porque gostei muito e depois deixo mais uns comentários aqui, só mesmo pra tirar duvidas ou algo a respeito do conto, porque estou sem criticas para fazer. Parabéns!

  • Ok, li a parte 1 e agora a parte 2, e resolvi comentar só aqui na 2.

    Ficou do caramba! Sombra, vc tem uma imaginação assombrosa (literal e metaforicamente falando). O ritmo frenético da história não faz muito meu estilo, mas, já que não me perdi nas transições de cenas, acho que o resultado ficou bem legal. O ritmo combina com todo o resto, afinal.

    Ah, e o sexo entre Elisa/Eva e Leandro me lembrou de uma passagem do Deuses Americanos do Neil Gaiman. Provocativo e divertidíssimo.
    A luta entre Lilith e Dalila também ficou sensacional.

    Parabéns!

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