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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Nov
23
2013

El Paso de la Muerte

– Eu não gosto daqui, Bruce. – ela estava apavorada. Entraram na mata fechada que não dava sinais de que iria acabar tão cedo.

– Está tudo bem, querida. – ele guiava com cuidado, considerando que não conhecia o caminho muito bem. – Em breve estaremos em casa. – seu semblante tranquilo na verdade disfarçava o nervosismo de ter se perdido. Aquilo nunca acontecera antes, e isto o apavorava ainda mais. Ele acelerou o carro, que deslizava na estrada de terra, mas só entrava ainda mais na mata. Logo, aquele ronco alto, que se destacava em meio ao silêncio absoluto da noite, abrandaria, o motor engasgaria, e eles ficariam ali, parados, no meio da noite. A única iluminação sendo a do farol do carro, que apesar de tudo, insistira em ficar aceso.

– O que aconteceu? – ela perguntou desesperada. – Por que o carro parou?

– O motor morreu. – ele respondeu, ainda demonstrando serenidade. – Calma. Não deve ser nada. Vou checar. – ele abriu a porta do carro, mas ela segurou o braço dele. Os olhos cor de avelã, cheios de lágrimas, o tocaram profundamente. – Tudo bem, meu amor. – ele sorriu. – Eu estou bem aqui. – ela o soltou e ele saiu.

Abriu o capô do carro, e olhou para o motor. “Droga!”, pensou. Não entendia nada de mecânica.

– O que foi, meu amor? – ela perguntou de dentro do carro.

– Acho que foi o cano do radiador. – ele não fazia ideia do que estava falando.

– Dá pra consertar?

– Sim. Me dê alguns minutos.

Ela ficou em silencio, encolhida no banco de passageiros. Não conseguia enxergá-lo direito, já que o capô do carro atrapalhava sua visão. Ela pegou o celular.

– Humpf! – resmungou. – Sem sinal! – de repente virou o pescoço em direção ao seu lado direito. Olhou direto para a mata. Era impressão sua ou algo passara correndo por ali. – Pronto, agora estou imaginando coisas!

– O que disse, querida? – ele perguntou lá de fora.

– Nada. Por favor, termine isso logo pra que possamos sair daqui. – ela focou os olhos nos joelhos. Não queria olhar pra fora. Não queria ter mais alucinações. Mas algo novamente se mexeu lá fora, e desta vez ela pôde ver os galhos balançando. Tentou forçar a vista, mas não conseguiu ver nada. Agora, estava apavorada. Lá fora, ele não dava sinais de que havia terminado. Ela resolveu encarar seu medo e fitar, mais uma vez, a mata ao seu lado. Quando olhou desta vez, porém, um par de olhos bem amarelos a encaravam de volta. Deu um grito horrível, o que fez ele parar o que estava fazendo para ir ver o que estava acontecendo.

– O que foi? – ele estava assustado.

– Lá, lá. – ela apontava a mata com o braço esticado, mas não tinha coragem de olhar. – Tem alguém lá. – ele virou-se em direção ao local para onde ela apontava, mas não viu nada.

– Não tem nada lá, meu amor.

– Tem sim, tem sim. Eu vi. Pelo amor de Deus, Bruce, vamos embora daqui.

– Não podemos. Ainda não consertei o carro. – ela olhava pra ele com aqueles olhos de novo. Ele suspirou. – Se eu desse uma olhada lá, você ficaria mais tranquila? – ela balançou a cabeça em sinal afirmativo. – Ótimo. – ele abriu o porta-luvas e tirou uma lanterna de lá. Ligou-a e se dirigiu em direção ao matagal.

– Tome cuidado. – ela gritou.

Lentamente ele foi se aproximando do local indicado. A luz da lanterna imprecisa, já que suas mãos tremiam. “Fique calmo, droga”, praguejava em silêncio. Mas algo naquele lugar o atormentava. Quando estava prestes a entrar na mata algo saiu correndo. Ele deu um passo pra trás e pôde ver, claramente, duas pernas, longas e magras de um jeito que nunca viu antes, caminhando desajeitadamente. Ele voltou correndo para o carro. Fechou o capô, entrou, travou as portas e deu partida. O carro, no entanto, se recusava a ligar.

– O que foi que aconteceu? – ela perguntou.

– Tinha alguém ali. Saiu correndo quando eu me aproximei. Pude ver suas pernas.

– Eu não disse? Deve ser um louco, um assassino. Precisamos fugir.

– Estou tentando. – continuava a tentar dar partida. – Droga! Por que essa droga não liga! – deu um soco no painel. E pro seu desespero o farol do carro se apagou. Tudo ficou escuro. A única iluminação agora era fonte da pouca luz da Lua que conseguia transpor a mata sobre suas cabeças. Não o suficiente para iluminar a estrada, no entanto.

Apesar de tudo, puderam ver quando algo saiu da mata lá na frente e entrou na estrada. Era a coisa que ela viu na mata há pouco. Sabiam por causa dos olhos. Ele baixou o rosto, pois não queria fitar aqueles olhos terríveis. Ela não conseguiu, ficou lá, como que hipnotizada por aqueles dois clarões em meio à escuridão. Pouco a pouco a coisa foi se aproximando. Ele fechou os olhos. Ela ficou lá, em estado de choque. Podiam ouvir os passos, cada vez mais próximos, cada vez mais altos.

E de repente o carro ligou. Ele ouviu o barulho do motor e lentamente abriu os olhos, vendo as luzes do painel acesas. Sorriu, mas por pouco tempo. Olhou por rosto dela e viu sua expressão de desespero. Por mais que o terror o tivesse tomado também, resolveu olhar para frente.

Pouco acima de suas cabeças pairava a imagem de um jovem, no auge de seus vinte e poucos anos, enforcado. Não era um corpo como puderam notar, mas sim seu espirito, que insistia em estar ali, desafiando a morte. De repente o morto abriu os olhos, e apontou direto para eles. Ela gritou e ele, por instinto, acelerou o carro e saiu cantando pneus, deixando aquela coisa pra trás.

Ao lado dele ela começou a rezar. Ele continuava a guiar, prestando atenção na estrada, mas o terror não havia acabado. Sobre suas cabeças continuavam a aparecer imagens de criaturas que não pertenciam ao mundo dos vivos.

Uma mulher lamentava o marido, segurando seu corpo deformado por um acidente de carro, mesmo ambos estando mortos. Um boiadeiro continuava a guiar seu gado até lugar nenhum. Duas menininhas, gêmeas, brincavam alegremente, exibindo os rostos completamente descarnados. Um homem, que parecia ser do inicio do século passado, caminhava lentamente como que enfeitiçado. Todos lá, condenados pela eternidade, e buscando por mais uma companhia. Ou melhor, duas.

Ele dobrou uma curva muito depressa, e quase capotou o carro. Por pouco, não se juntaram aos espíritos que ali vagavam. Finalmente, depois de muito sufoco, conseguiram sair da mata.

Ficaram anos sem falar sobre o assunto, e, em certo momento, chegaram mesmo a esquecer daquilo. Até o dia em que Bruce, conversando com um amigo sobre qual o melhor caminho para o interior, passou a mão sobre o mapa, exatamente na linha que marcava aquela estrada.

– El Paso de la Muerte.

– O que disse? – perguntou Bruce.

– É como chamam essa estrada. Muitos morreram por lá.

– Sério?

– Sim. O índice de acidentes é altíssimo. Há de casos de suicídio, homicídio e, mesmo, genocídio. Tudo começou por volta de 1790. Houve uma briga de famílias. Duas garotinhas sumiram. Gêmeas. – Bruce lembrou-se. – Apareceram algum tempo depois, mortas. Uma família acusou a outra, e começou a matança. Como se fosse uma espécie de Hatfield’s vs. McCoy’s.

– E nunca descobriram o assassino?

– Nunca. – ele hesitou. – Bem, houve uma testemunha. Um vizinho. Mas ninguém o ouviu, já estava bem velho e falava umas coisas bem estranhas.

– Que tipo de coisas?

– Algo sobre um homem de pernas compridas e olhos amarelos. Ridículo, não?

– É mesmo. – ele vacilou.

– Não acredita nessas coisas não é? Nessas superstições?

– É claro que não. – mentiu. – São só lendas.


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8 Comments»

  • Claudeir da Silva Martins says:

    Primeira vez que leio um conto de tua autoria aqui no ONE. Digo que achei a narrativa leve, mas empolgante, palavras organizadas e diálogos bem compostos. Na minha opinião, você transmitiu com clareza o suspense nesse conto. Toda a construção do cenário e dos personagens me fizeram visualizar os trechos em minha mente.

    Eu acho interessante construir histórias e contos usando estatísticas como numero de acidentes, assassinatos em determinados lugares. Tudo isso me atrai. Ainda mais envolvendo um mal hereditário que atormenta o lugar há muito tempo. Gostei do conto, não tenho do que reclamar.

    Olha, eu não costumo escrever coisas do gênero suspense e terror, mas estou desenvolvendo uma história desse tipo. Pelo menos já tem o começo, uma introdução. Tenho estado atarefado até o pescoço, mas preciso dar um tempo para continuar essa história que venho escrevendo. Chama-se: Na sombra da morte. Convido-o a ler, eis o link: http://www.onerdescritor.com.br/2013/12/na-sombra-da-morte/

    No mais, vejo que tu tens muitos contos para ler. O que é bom, pois eu amo a leitura. Não se preocupe, com o tempo lerei mais contos de sua autoria. Não são todos os textos meus que são bons, afinal, sou escritor amador, mas tem alguns que valem a pena ler. Abraço!

    • Evandro Furtado says:

      Pois é amigo, todos nós aqui somos um pouco amadores, mas dando um apoio uns aos outros, creio que chegaremos longe.

      Pode deixar que irei ler seu texto, e não deixarei de comentar.

      Abraços.

  • gilcar carvalho says:

    Muito bom e intenso. leitura que flui rápido, sem mais delongas e vai direto ao ponto nu e cru do medo absoluto do desconhecido. Imaginei acena e realmente, quem nunca ficou na estrada á noite em locais distantes, mesmo no meio de uma viagem? Eu já. Parabéns.

    • Evandro Furtado says:

      Obrigado pelo elogio. O conto partiu de um sonho, ou melhor, pesadelo que tive.

  • J.Nóbrega says:

    Olá Evandro,
    .
    Cara gostei do conto, senti a tensão e consegui visualizar bem isso. Um dia desses meu carro quebrou em uma estrada rural, passei a madrugada toda, cheguei até a ver Ovni’s kkkkk, ainda bem que eu não tinha lido isso.

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