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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Nov
17
2013

Ghost Riders in the Sky

Adam cruzava o deserto do Arizona no seu carro. Era um jovem americano, de classe média alta, fazia faculdade, frequentava as melhores festas, pegava as melhores garotas. Apesar de folgado e falastrão, era muito popular entre seus amigos. Muito disso se devia também ao fato de ser um dos caras mais bonitos de todo o estado. E Adam usava dessa beleza pra se tornar o maior pegador de que se haveria de falar. Participava de grandes farras nos famosos dorms da faculdade, atormentava terrivelmente a vida dos nerds, decidia quem fazia parte do time de futebol. Não era a toa que, apesar da imensa popularidade, era uma das pessoas mais odiadas da universidade, tendo mais de uma vez ido parar na enfermaria depois de ter sido “acidentalmente” envenenado por uma substância a qual apenas o zelador tinha acesso. Curiosamente este zelador quase perdera o emprego depois de ter se envolvido em uma discussão com o pai de Adam, um dos advogados mais influentes do Arizona, por ter advertido seu filho quando este agredia um calouro que não queria lavar as roupas do time de futebol.

Adam resolveu ligar o rádio. Naquela parte do deserto apenas uma rádio apresentava sinal. Era uma rádio country, ele odiava musica country. “Merda de rádio” disse, e desligou. Atormentado, no entanto, pelo silêncio atormentador do deserto, voltou a ligar o rádio. Os potentes autofalantes estrondaram com a voz de Johnny Cash, que cantava Ghost Riders in the Sky. Durante toda a música Adam acelerou o veiculo, de forma a manter o barulho da aceleração mais alto que o do rádio. Mal a música acabara, o motor simplesmente parou de funcionar. Lentamente, o carro foi desacelerando, até que parou por completo, no meio do deserto. Adam ficou furioso com aquilo, saltando do carro praguejando como um velho pirata bêbado. As nuvens, espessas e abundantes no céu, deixavam o dia escuro. Era uma hora e um lugar horrível pra ficar perdido no meio do deserto. E estava começando a ventar.

Como não entendia nada de carros, Adam resolveu ligar pro seu pai. O celular, entretanto, não apresentava nenhum sinal naquele lugar. Depois de muito tentar, ele desistiu. Encostou em uma pedra que havia por perto e resolveu esperar. Pouco depois estava dormindo.

Ao acordar, horas depois, sentiu o rosto queimando. Adam se surpreendeu com aquilo, já que as nuvens cobriam completamente o Sol, de forma que seria impossível que sua luz e, principalmente, seu calor, chegarem a ele. E Adam se assustou quando percebeu a origem de sua agonia. Um grande touro vermelho cruzava os céus e descia, simplesmente para lançar nele seu hálito terrivelmente quente. No lado direito de seu corpo uma marca ardia em chamas, causando terrível dor na criatura. E para o terror de Adam ele não estava só. Quando olhou novamente para o horizonte percebeu que uma horda se aproximava. Todas as criaturas possuíam os olhos vermelhos como sangue e possuíam a mesma marca de fogo em seu couro. Ainda mais espantado ficou o jovem quando percebeu que, guiando o rebanho, seguiam um grupo de cavaleiros. Seus rostos marcados pela dor e suas camisas ensopadas de suor, montados em cavalo que sopravam fogo e gritando como loucos pelo gado demoníaco.

Quando Adam percebeu que aquela terrível debandada vinha em sua direção, correu para o carro e lá se trancou. O gado passou, por cima de sua cabeça, e perseguindo-os, um a um, foram-se os cavaleiros. Adam não precisou de muito para perceber que não eram deste mundo mais, e que estavam condenados àquele ato pela eternidade. Quando finalmente achou que estava livre, percebeu que algo parara na frente de seu veículo: era um dos cavaleiros. O jovem olhou em seu rosto e uma onda de terror o atravessou por completo. O homem pulou do cavalo e se dirigiu em direção ao veículo, desaparecendo de repente e surgindo de novo, sentado no banco de carona ao lado de Adam. Sua silhueta era magra, seus olhos frios e sem a luz da esperança que percorre os vivos. Suas mãos eram esqueléticas, e sua barba não demonstrava nem um pouco do esplendor que era quando ainda estava vivo. Enquanto o jovem ficou ali completamente calado e tremendo de pavor, o cavaleiro disse em sua voz de trovão.

– Mude enquanto é tempo meu jovem. – ele virou e encarou Adam nos olhos. – Sim, eu sei o que tem feito, e não tem sido nada digno. Não o culpo. Em minha juventude muitos erros eu cometi, mas não os consertei enquanto tive tempo. O que a vida não nos faz pagar, a morte vem cobrar. Olhe para mim e para aqueles homens. Temidos em vida, amaldiçoados na morte. Condenados pela eternidade a perseguir o rebanho do próprio Diabo nesse céu sem fim, sem nunca poder alcança-los. É melhor mudar enquanto pode, meu jovem. Ou, um dia, terá de se juntar a nós. – e o cavaleiro partiu deixando Adam ali, só, com seus pensamentos.

Algumas horas depois ele acordou no seu carro, sem saber se o que presenciara fora um simples sonho ou real. Deu partida no motor do carro, que rapidamente ligou, e seguiu para casa. Nunca perguntaram a ele o que aconteceu naquela viagem, e ele nunca fez questão de falar. Mas o que Adam viu naquele dia, real ou imaginário, o fez um homem diferente, um homem melhor. Passou a ser justo e honesto, e altruísta como nenhum outro. E passou a olhar para o céu toda noite, pensando nos cavaleiros condenados pela eternidade, e naqueles que tem suas próprias sentenças a cumprir, mesmo estando vivos.


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5 Comments»

  • maria santino says:

    Cara! Eu tenho um amigo que fez um conto com a mesma ideia de vaqueiros do diabo. 😀 Bem… Eu gostei do conto, embora não curta lições de moral (algo meu, que não deve ser visto como crítica e sim gosto pessoal), apreciei as imagens que se formam na mente e tua narrativa também. Espero que possamos fazer mais trocas como essa. Abraços.

    • Evandro Furtado says:

      Valeu Maria. Eu e meus velhos juízos de valor, kkk. Desculpa por isso, mas eu não resisto, sempre acabo imprimindo algumas ideologias nos meus textos;

      • maria santino says:

        Mas, é isso mesmo amigo. Se cabe, insira… Eu faço isso também (às vezes) e além do mais… Há a questão de realização pessoal, se você ficou feliz com o que escreveu, se te deu prazer fazê-lo, basta. 😉 Volto a ressaltar que tua narrativa é muito boa Evandro. Um forte abraço.

  • J.Nóbrega says:

    Gostei muito das imagens, mas esperava um final melhor, não que esteja ruim, mas acabou tendo um “quê” de fábula.
    .
    É que é cavaleiros do inferno atrás do rebanho do diabo dá para fazer uma ótima história de terror. Mas, compreendo o estilo adotado.
    .
    Parabéns e abraço.

    • Evandro Furtado says:

      É Nóbrega, como eu disse pra Maria aí acima, é meu senso de moralidade se mostrando, kkk. E a música tem esse tom de moralismo mesmo, no final das contas.

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