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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Nov
02
2013

O Lobisomem

É comum, quando se está numa roda de conversa com homens do campo, ouvir-se histórias e causos que nos apavoram. A que vou contar eu ouvi numa dessas rodas, há uns dez anos.

O homem que me contou é um típico caipira. Morava numa cidade do interior de Minas. Dizia ele que a coisa toda aconteceu com seu pai.

– Isso fais mais o meno uns trinta ano. – dizia o matuto com seu típico sotaque caipira. – Eu inda nem era nascido. Naquele tempo meu pai era capataz duma fazenda. Era assim um bruto dum fazendão. Só que ficava isolado de tudo. E era cercado por uma mata fechadona. Dizia inté que tinha onça praquelas banda.

”Toda manhã meu pai levantava cedinho e ia capina a roça. Minha mãe ficava em casa fazendo o armoço pra mor dele comê quando vortasse. E ia assim. Todo dia aquela mema penúria. Meu pai chegava, armoçava e já arriava o burro pra ir pruma vila que ficava uns vinte quilômetro pra frente. Ele saia depois do armoço e só vortava depois das dez da noite. Na vorta ele custumava travessá a mata, pra pudê cortá caminho. O povo custumava pedi pra ele num fazê isso. Dizia que a mata era assombrada. Mas meu pai sempre foi um homem muito corajoso, era filho dum cearense arretado, e num tinha medo de nada.”

“Foi numa sexta-feira, noite de lua cheia, que aconteceu o caso. Meu pai foi pra vila como de custume. Chegô lá e encontro cos amigo. Prosearo tanto que esquecero da vida. Quando meu pai oiô pro relógio já passava de meia noite. O dono do bar ofereceu pouso por meu pai, mas ele num aceitô não. Aí o Tião Alfredo, um véio safado que vivia praquelas banda, disse pra ele: ‘Vai não cumpádi, tá tarde. E essa mata é assombrada’. E meu pai respondeu rapidinho: ‘Que assombrada o que home? Isso é história que o povo conta sô!’. E ele foi. Naquela pressa que só Deus veno.”

“Assim que ele saiu da vila já encontrô a trilha que travessava a mata pra chega em casa. Naquela hora até parô e pensô um pouco, mas depois resolveu ir assim memo. Ele dizia que mal entrô na mata já escutô uns barulho estranho, uns bicho correno, uns trem meio esquisito lá. Mas num vortô pra trais. Encarô e foi com tudo.”

“Conforme ele foi andano, os baruio aumentava, mas ele num diminuía o passo. Foi até que ele ouviu um trem soprano bem no pé da oreia. Ele viro e viu o bicho. Era um bruto dum lobão que divia de tê um dois metro ô mais. Ai o bichão deu aquele uivo. Meu pai num deu outra, deu meio vorta e saiu disparado pro meio do mato. Saiu rasgano camisa, carça e uma das bota tamém fico pro meio do caminho”.

“Mal chegô em casa, meteu o pé na porta. Minha mãe levantô, no susto, ainda de camisola. ‘Que foi isso home?’ Meu pai encostô na berada da porta e respirano arto pediu: ‘ A espingarda muié, rápido’. Minha mãe num intendeu e perguntô: ‘Espingarda pra que home?’. ‘Vai logo muié’ gritô com força ‘Depois ocê pergunta pra que’. Minha mãe foi correno e trouxe a espingarda. Meu pai mal pegô ela e saiu correno pro meio do mato.’

“Ele se embrenhô mata adentro com a espingarda na mão. Quarquer barulhinho ele já armava a bicha pra atirá. Foi até que ele viu um trem mexeno no mato. Ele esperô um poco pra vê se era o bicho memo. De repente aquele trem feio saiu do meio do mato pra cima do pai. Ele fechô os oio e atiro. Foi no meio no peito do bichão. Ele deu um urro e saiu correno pro meio do mato. Meu pai vortô pra casa, trancô as porta e foi deitá. Na otra manhã ele contô pra minha mãe. ‘E você é doido home? De enfrentá um trem desse?’ E meu pai deu um risinho maldoso. ‘Esse num atormenta mais, he he’.

“Memo assim no otro dia tá lá meu pai indo pra vila. Foi lá e contô pra todo mundo o que aconteceu. Os home lá tudo dero os parabéns e meu pai ficô todo feliz. Só que dessa vez deu sete horas e ele já tava indo embora. Foi se despedino do povo até que chegô no Tião Alfredo. ‘Inté cumpadi’ disse meu pai. ‘Inté’ respondeu o Tião. Meu pai ia saino até que oiô pro peito do Tião Alfredo. Dava pra vê no meio da camisa aberta uma baita duma marca de bala, bem onde ele tinha atirado no bicho na noite de trás. Meu pai nem viu mais nada, virô as costa e foi embora. E o Tião? Esse sumiu uns tempo depois, ninguém viu mais. Se bem que teve um cumpadi que disse que encontrô com o tar do lobisome também, disse que atirô no bicho com bala de prata e enterrô no meio da mata. Às veis eu tenho vontade de ir  lá e abri o buraco, mas tenho um baita dum medo de dá de cara com o corpo do Tião Alfredo, rino numa careta horríver.”


Categorias: Agenda | Tags: ,

2 Comments»

  • O seu é bem folclórico, um autêntico lobisomem brasileiro! Quando eu li desconfiei que fosse a própria esposa dele, mas ela estava em casa…

    • Evandro Furtado says:

      Pois é, sempre gostei desses mitos. Ainda tenho vontade de escrever uma saga sobre um detetive paranormal brasileiro que sai pelo interior do Brasil atrás desses mitos e lendas. Enfrentando o saci, o curupira, o caipora…

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