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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Nov
16
2013

Vultos e Assombrações

Miguel terminou cedo o serviço na roça. Mal passara do meio do dia e já havia terminado o almoço, arriou o burro velho que tinha e seguiu pra vila. Por lá ficou o dia inteiro, conversando com os amigos de sempre, que via todo dia, mas que sempre tinha algo pra conversar.

– É pessoar. – disse quando a lua já ia alta. – A prosa tá boa, mas já na hora de caçá meu rumo. Boa noite cumpádi. – e partiu. Montou no burro, amarrou as duas sacolas de compra que tinha feito e foi embora pelo seu caminho.

A trilha pela qual seguiria passava por dentro da mata, chegava em um descampado onde havia uma bifurcação. A trilha da esquerda levaria a sua casa, num caminho longo, porém limpo, passando por alguns mata-burros no caminho. Já a trilha da esquerda ia por uma decida pedregosa, cheia de cascalho, na qual era comum aos homens que voltavam bêbados das festanças no meio da madrugada, escorregarem e cair já dormindo, somente para acordar na manhã seguinte cheios de arranhões e com o canto dos olhos todo roído pelas formigas que por ali costumavam ficar. O fim desta trilha levava a uma pequena capela, erguida ali algumas décadas antes, em homenagem aos que faleciam naquele caminho em tempos antigos. Por isto, era conhecida, simplesmente, por “Capela dos Mortos”. Era comum, aos moradores daquela região, acreditarem que aquelas terras eram assombradas pelos espíritos dos que morreram por ali. Naquele local tal crença era ainda mais forte, já que aquele lugar fora palco para terríveis massacres de escravos fugitivos pelos terríveis capitães-do-mato.

Ao entrar na mata, Miguel percebeu que o burro diminuiu o passo. Pouco a pouco ia indo cada vez mais devagar, até que parou de vez.

– Ô danado. – esbravejou. – Empacou! – bateu com as esporas nas ancas do bicho que nem se movia. – Vai trem! Anda. – mas o burro se recusava a sair do lugar. De repente, um vento lateral que eriçou os cabelos da nuca do matuto. O burro levantou as pernas da frente e Miguel quase caiu. Seu chapéu saiu voando e foi parar no galho de uma árvore próxima. E o burro continuava bufando e pulando sem parar. Depois de tanto se equilibrar, o cavaleiro não resistiu e caiu no chão. O burro deu meia volta e deu um baita pinote no caminho que levava a vila. – Ô desgraça! – gritou Miguel ali, sozinho, no escuro, no meio da mata. Levantou-se do chão, bateu a poeira da roupa e foi buscar o chapéu, ainda preso na árvore. Como estava num galho relativamente alto, Miguel precisou escalar a árvore. Quando sua mão direita estava quase alcançando o chapéu, sentiu algo puxando a barra de sua calça. Logo achou que era o burro, que, arrependido, voltara para o seu dono. Ao olhar para baixo não viu nada. – Ô diabo, deve ser o vento. – mas nem a menor brisa soprava naquele momento. Mais uma vez esticou e braço, e, mais uma vez, sua calça foi puxada. – Eita. Sai fora trem!

Finalmente, Miguel conseguiu recuperar seu chapéu, o caminho para casa, no entanto, ainda era longo. Foi caminhando, tranquilamente. – Pelo menos tá fresco. – Seguia seu caminho quando ouviu passos atrás de si. Virou e fitou a escuridão. Não havia ninguém. Apressou o passo e mais uma vez sentiu alguém atrás dele. Olhou e novamente nada. Começou a correr e o que quer que fosse que o seguia, acelerou também.

Miguel conseguiu sair da mata, chegando na bifurcação que poderia leva-lo pra casa. Percebendo, entretanto, que o caminho para casa seria muito mais longo, tomou uma difícil decisão: seguiria para a Capela dos Mortos. Durante a corrida, olhou por cima do ombro e percebeu um vulto que o seguiu. Por causa do medo não ousou virar-se para encarar a coisa. Preferiu seguir em frente.

Ao chegar na capela, caiu ofegante, diante de uma estátua de Nossa Senhora de Fátima que havia por ali. A coisa que o seguiu parou, não ousaria entrar na capela. Miguel não sabia o que fazer, já que o que o seguira estava logo ali, do lado de fora da capela, bufando e andando em volta, esperando por ele. Resolveu recostar-se na santa. Não poderia ir embora. De repente ouviu um barulho ao longe, de cascos amassando o cascalho. – O burro! – pensou. E deu um grande assovio, chamando o animal. Pra sua surpresa ouve uma resposta. – Opa! – alguém disse ao longe. Definitivamente não era o burro. Poucos segundos depois percebeu uma forma que se aproximava, era um cavaleiro. E, pra sua sorte, estava vivo.

Antes que Miguel pudesse alertar o visitante, a coisa que antes o perseguia, agora se virava contra o forasteiro. Assim como acontecera com Miguel, o cavaleiro foi derrubado e veio rolando em direção à capela. Em uma cena que seria hilária em outra situação, seu cavalo disparou na outra direção, deixando sozinhos os dois desafortunados à mercê do ser do outro mundo que, agora, perseguia ambos.

– É! – disse Miguel. – Parece que agora ocê tá preso tamém.

– Mas que diacho que é isso? – perguntou o cavaleiro.

– Assim, direito, eu num sei. Mas tá pareceno coisa dotro mundo. Mas, afinar de conta, o que que ocê veio fazê pra essas banda?

– É que eu sô devoto de Nossa Senhora de Fátima, e fiquei sabeno dessa capelinha que tinha pra cá. Resorvi fazê umas oração.

– É, só que agora nóis dois tá preso aqui com esse trem!

– Mas por que que ele num entra aqui?

– Acho que é por causa da capela mesmo. Essas coisa num gosta das coisa sagrada.

– Então eu acho que tive uma ideia.

– E qual é?

– Nóis bota a santa no lombo e sai andano. Conforme a gente se aproximá do bicho, ele vai se afastano por causa dela.

– Uai, inté que é uma boa ideia. Num custa nada tentá. – e foram. Ergueram a pesada santa diante do peito, cada um segurando de um lado, e seguiram em direção da trilha de onde vieram. Conforme iam se aproximando, percebiam que a coisa se afastava, como que espantada pela imagem.

– E pra onde que a gente vai? – perguntou o cavaleiro.

– Eu moro aqui perto. Se ocê quis é nóis pode ir pra lá e eu te ofereço pouso. Assim que o dia amanhecê, ocê pode caçá seu rumo. Só toma cuidado pra num iscorregá nos cascaio, aí a gente cai de costa, com a santa por cima, e o trem ainda pega a gente. – não puderam deixar de rir naquele momento.

Avançaram lentamente pela trilha de cascalho. Segurando a santa e pisando com suavidade e um cuidado absurdo, logo chegaram na bifurcação. Viraram em direção a casa de Miguel, sempre com a coisa junto deles.

Finalmente chegaram no último mata-burro do caminho, depois dele já se chegava à fazenda de Miguel. Uma coisa estranha, no entanto, aconteceu. A assombração, que até então ia andando de costas, conforme ambos se aproximavam, parou. Ficou ali entre eles e o mata-burro e, apesar de não poder ver aquilo até então, sabiam que estava imóvel. De repente algo surgiu diante deles, uma imagem um tanto conhecida para Miguel. Vestida com uma bata franciscana tradicional, se apresentava diante deles o espirito de um padre.

– Padre Gregório? – encarou-o Miguel. – O senhor num morreu? – em resposta a alma simplesmente ajoelhou diante deles. Fitaram-no e perceberam o olhar de aflição. Estava contemplando a santa. O espirito do padre chorava, como que ainda vivo. Suas lágrimas invisíveis umedeceram o solo, que dali então se tornaria o mais fértil daquela região. O padre levantou-se, olhou para eles e sorriu. Uma luz branca surgiu no céu, e por um instante, Miguel achou que viu um buraco no firmamento, e no meio dele, uma mulher toda de branco segurando uma criança no colo. O espirito do padre Gregório acendeu aos céus, como uma pomba branca que alça voo pela última vez. Ele estava em paz. Havia se libertado.


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2 Comments»

  • [email protected] says:

    Bem interessante. Fazia um tempo que eu não lia algo assim.

    Abraços

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