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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Dec
11
2013

Os Mortos Não Sabem Falar

Chris batia ininterruptamente com os dedos na madeira. O café, amargo e fumegante, em cima da mesa. Lá fora, o Sol quente iluminava a paisagem desérta.

Havia se passado seis meses desde “O Grande Acidente”. A bomba nuclear que explodira, causando uma série de incidentes internacionais, dando inicio a Terceira Guerra Mundial, veio da Rússia. Apesar de todas as recusas por parte do governo americano de aceitar que um velho inimigo havia ressurgido, a declaração de guerra foi inevitável. Tantos anos depois da Guerra Fria, o maior medo da humanidade se tornou real. Curioso que esta guerra, a maior de todas, não durara mais de um mês. Grande parte da humanidade morrera neste período. Os poucos que restaram tiveram de lidar com os níveis alarmantes de radiação. Entre eles Christopher Andrews. Antes do acidente, Chris fora um corretor de imóveis. Agora era um sobrevivente.

Tranquilamente levantou-se. Dirigiu-se ao traje especial que estava pendurado na parede. Os índices de radiação naquele ambiente eram gigantescos. Sem aquela roupa, Chris provavelmente sucumbiria rapidamente. Pegou-a e vestiu. Sentia-se estranho, mesmo havendo passado metade de um ano vestido com aquela coisa.

Preparava-se para sair da casa quando sentiu algo faltando. Deu meia volta e se dirigiu ao calendário preso à velha geladeira. Não havia virado a folha naquele dia. Ficou refletindo sobre o porquê de continuar a fazer aquilo. Naquele tempo os dias, meses e anos já não faziam diferença. Vivia-se a eternidade de um tempo que não passava. Arrancou a folha do calendário. Era o primeiro dia de Julho de 1996.

 

+

Chris caminhava só. Dentro daquela roupa, o calor, que já era extremamente desagradável, ficava ainda pior. Em seu campo de visão podia ver os prédios completamente destruídos. As ruas, por onde carros passavam outrora, eram, agora, apenas estradas de terra que levavam a lugar nenhum.

Não havia ali, naquele mundo, qualquer sinal de vida. Nenhuma árvore para sombrear seu caminho. Nenhum pássaro cantando. Por isso Chris surpreendeu-se quando perto de seus pés houve um movimento. Era uma barata. “Animal nojento!” disse ele pisoteando a pequena criatura “O mundo acaba e estas coisas malditas continuam por aí.”. Um som soou perto de seu ouvido esquerdo, fazendo Chris virar-se instintivamente. “Uma vespa?” pensou. “Pensei que estavam extintas”. E continuou caminhando.

Outro som soou forte, desta vez ao longe. “O alarme da velha fábrica!”. Chris saiu correndo em direção ao barulho, sua roupa chacoalhando com o movimento.

Ao chegar à fábrica Chris estava exausto. No entanto, isto não o impediu de sair em procura de quem produzira aquele som. “Deve haver alguém por aqui. Tem de haver”. Mas logo ele se desapontaria. O alarme da fábrica era automático, não precisava de ninguém para tocá-lo. “Mas então por que não tocou durante todos esses meses?” ele pensou.

Por horas, continuou caminhando pelo pátio que era rodeado pelas cercas de arame já enferrujadas pelo tempo. A velha fábrica ainda cheirava a óleo, mesmo depois de tanto tempo, dando a impressão de que ainda funcionava.

Pouco antes do Sol se por, Chris sentou-se em um velho banco de madeira para descansar. Ficou pensando nos russos e nos atentados que deram inicio à guerra. Refletiu se aquilo fora obra deles mesmo. “Se ao menos os mortos pudessem falar… tudo seria dito” pensou. Acabou deitando-se por ali mesmo, e adormeceu. E sonhou com o mundo antes da guerra, e com tudo que havia de bom. Foi a sua melhor noite em muito tempo.

 

+

Acordou na manhã seguinte queimando de calor. Aquela roupa, apesar de proteger da radiação, não parecia proteger muito bem dos raios do Sol. Chris levantou-se depressa e saiu caminhando. Queria voltar pra casa. Parou, no entanto, quando algo passou correndo ao seu lado.

– O que foi aquilo? – disse em voz alta. Era grande, devia ser algum animal. Acontece que desde a explosão da grande bomba, Chris não vira nada maior que um rato de esgoto, e isso fora há muito tempo. Desde então, a barata e a vespa foram os únicos seres vivos que vira naquele mundo abandonado por Deus. Foi por isso que ele se assustou. Agachou-se atrás de uma pedra e esperou, tentando ver algo. Mas nada voltou a aparecer. Chris levantou-se, pensando em delírios, e continuou caminhando.

A manhã estava bela naquele dia. Era quase como se o ar estivesse limpo novamente, como se a radiação houvesse desaparecido.

– É um belo dia, não? – disse alguém ao seu lado. Chris virou-se e deu de cara com uma jovem. Era extremamente pálida e vestia um longo vestido branco. Não precisou de muito para perceber que não era deste mundo.

– Quem é você? – perguntou recuando um passo.

– Sou Rosanna. – disse o fantasma. – Sou filha do dono da fábrica. Vim visitá-lo hoje.

– A fábrica não funciona mais. – respondeu Chris atordoado.

– Como não. Não pode ouvir os homens conversando? As máquinas funcionando? Logo soará o sinal para o almoço.

– Não há ninguém aqui. – disse Chris olhando ao redor.

– O senhor está cego? – a moça sorriu. – Não vê os homens chegando, carregando suas ferramentas e marmitas, prontos para começar o dia? – mas Chris não via nada. E já estava vendo mais do que deveria.

– Acho que a senhorita está enganada.

– Não. O senhor está enganado. Andando por aí com estas roupas engraçadas. Pensa que não o vi. Observo-o há dias. Hoje mesmo dormiu naquele banco ali. Por sorte meu pai não o viu, ou o acordaria a safanões. Vamos, vou lhe apresentar aos outros. – agarrou-lhe a mão, gelada como neve, e partiram.

Conforme caminhava, Chris podia ver formas que se constituíam diante dele. Vultos e silhuetas, no inicio nublados, iam tomando a forma de pessoas. Trabalhadores com suas ferramentas, sempre sorridentes, exatamente como a garota lhe descrevera. Logo, todo um novo mundo se apresentava diante dele. As ferrugens foram desaparecendo, os sons das conversas e das máquinas funcionando foram ficando cada vez mais altos, o pátio foi se enchendo de gente e o cheiro de óleo ficou mais forte do que nunca. A velha fábrica estava viva novamente.

 

+

Chris tirou a roupa antirradiação pela primeira vez fora de casa. O ar estava limpo. Todas aquelas pessoas, trabalhando fizeram-no pensar que estivera em um grande pesadelo. Que absurdo, uma bomba que destruiu o planeta! Tudo não passara de uma grande ilusão. Logo, começou a trabalhar na fábrica, fez grandes amigos entre os funcionários, ia ao mercado e à igreja todo Domingo e começou a namorar Rosanna. E a vida nunca fora tão boa. Houve um tempo em que ele até esqueceu o que havia acontecido. Às vezes sonhava com um mundo estranho, onde só ele estava vivo e andava numa roupa engraçada. Mas mesmo os sonhos desapareceram depois de certo tempo. Ele estava feliz, e não queria pensar em bobagens.

Meses passaram e Chris e Rosanna resolveram casar-se. O pai dela resolveu dar uma grande festança, e todos os funcionários da fábrica foram convidados. De inicio, Chris até ficou nervoso. Era como se aquilo fosse proibido, algo estranho considerando que conhecia Rosanna há tanto tempo. Mas como a conhecera mesmo? Foi na fábrica, recordava-se, mas não lembrava o que estava fazendo lá aquele dia. Não importava. Logo iriam casar-se e seriam felizes para sempre, como em um conto de fadas.

O grande dia chegou. A igreja estava lotada de convidados. As figuras mais importantes da cidade estavam lá. Chris estava muito elegante, em um terno especialmente desenhado para ele que ganhara do sogro. E Rosanna! Rosanna estava linda, de uma forma que não seria possível descrever. O noivo não conseguia segurar o riso, que se destacava de orelha a orelha. Era o homem mais feliz do mundo. A cerimônia foi rápida, o padre deu os parabéns e autorizou-o a beijar a noiva. E foi o que Chris fez. Mas algo estranho ocorreu. O que eram de inicio, macios e fartos lábios sabor cereja, se tornaram algo seco e áspero que cheirava podridão. Ao abrir os olhos, Chris viu que sua bela e querida Rosanna havia se tornado uma terrível caveira descarnada. Os belos cabelos castanhos haviam se tornado tão secos e horríveis como em uma boneca de milho. Os olhos, cor de avelã, que antes o conquistaram, agora eram duas orbitas vazias que nada expressavam a não ser terror. Chris se afastou. A expressão de repulsa clara em seu rosto. Ao olhar ao redor, notou que todos os convidados haviam se transformado em mortos vivos, com suas vestes rasgadas e carne em decomposição. Uma mão esquelética tocou seu ombro. Era o padre que também se tornara um monstro. Chris a afastou com nojo.

– O que aconteceu, meu amor? – perguntou Rosanna, mas a voz que outrora fora tão bela, que mesmo os pássaros a invejavam, agora não passava de um sussurro indecifrável provocado por cordas vocais completamente podres.

Chris saiu correndo, abrindo caminho entre os mortos, fugindo da igreja. Ao olhar para trás, notou que a multidão o seguia. Não diminuindo o passo, finalmente, chegou a sua casa. Trancou a porta e escondeu-se sob a mesa. Dentro de instantes, a procissão de zumbis chegou até a casa. Batiam nas portas e gritavam (ou sussurravam, era impossível saber) por seu nome.

– Abra a porta, meu amor, só queremos ajudar. – dizia Rosanna, mas Chris recusava-se a escutar. Logo, os barulhos cessaram. Isto fez com que Chris saísse debaixo da mesa. Aproximou-se lentamente da porta, e, quando se preparava para abri-la, algo arrebentou a madeira. Chris recuou, tendo o pedaço de madeira quase lhe arrancado o braço. Estavam tentando entrar. Ele olhou ao redor, procurando por algo que pudesse lhe servir de arma. Viu a faca de cozinha em cima da mesa e a pegou. Segurou-a junto ao corpo com tanta força, que os nós dos dedos começaram a roxear. “São muitos”, ele pensou. “Será impossível derrubá-los”. Vendo que a porta logo cederia, ele tomou a única medida possível naquela situação de desespero. Cravou a faca no próprio coração.

Seu corpo cedeu, arqueando sob os joelhos. Pouco a pouco sua vista ia ficando escura e ele ia perdendo as forças. Levantou a cabeça uma última vez, só pra vez a porta cedendo. O exército de mortos vivos entrou e Chris caiu sobre o chão. Esticado, sentiu mãos macias levantarem-no. Logo a dor desapareceu, e já não se sentia molhado pelo sangue. Levantou a cabeça e percebeu que as pessoas haviam voltado ao normal. No meio delas, divisou Rosanna, em seu vestido de noiva, linda novamente.


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15 Comments»

  • thiago cypryanu says:

    muito bom!

  • maria santino says:

    Cara! Que coisa que você criou. Gostei. Eu gosto principalmente quando me conduzem bem na narrativa. Abração.

  • Maria Oliveira says:

    Tipo… meses depois resolveram casar? Como assim, acho q vc quis dizer anos, né? kkkkkkkk Essa frase deu mais medo que os mortos vivos.
    Sobre a fala dos mortos, concordo com vc, apenas quem partiu pode narrar como foi e não temos como saber a menos que a gte se junte a eles o q eu desejo que ñ aconteça por muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito tempo!

  • J.Nóbrega says:

    Muito bom Evandro,
    .
    Primeiro fugiu do clichê de zumbis comendo pessoas, a narração está boa e a história em si também. Gostei e também buguei com a Maria kkkkk

    • Evandro Furtado says:

      Valeu Nóbrega. Às vezes é legal fugir dos clichês.

      • Maria Oliveira says:

        Interessante, vcs levantaram uma excelente questão técnica: e quando não queremos fugir do clichê, pelo contrário, intrumentalizá-lo dentro de nosso estilo sem perder muito das características tradicionais, qual é a medida?

  • Lucas Valadares says:

    Ótimo mesmo. Uma narrativa interessante. Uma boa analogia, e me lembrou um pouco ‘a noiva cadáver’ só que mais massa! hhehe. As descrições estão muito boas também.

    Por último, me pergunto se ele enlouqueceu pela radiação e viu tudo isso na loucura. Se comeu um cogumelo, ou se tudo aconteceu mesmo hehehe.

    • Evandro Furtado says:

      Pois é Lucas. Deixei o final em aberto (aliás, o texto inteiro) para dar essa interpretação.

  • Fabiano Lobo says:

    Eu achei muito bom!
    Surreal. É muita viagem pra um conto só!
    Hehehehehe

    Por vezes eu achei que ele olharia no espelho e veria o mesmo que via nos outros, mas no final entendi perfeitamente porque isso não aconteceu durante a história. Era parte crucial revelar (ou não!) o porque de tudo isso no final!

    Psicodélico! Acho que é a palavra ideal pra descrever esse mundo que você criou aqui. Gostei muito!
    Meus parabéns!

    • Evandro Furtado says:

      Valeu mesmo. Escrevi originalmente pra um concurso, mas não rolou. Gosto bastante deste.

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