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Publicado por Claudeir da Silva Martins

– que publicou 34 textos no ONE.

Claudeir da Silva Martins nasceu em 1987, na cidade de Cachoeira Paulista – SP.
Sou defensor do meio-ambiente e gosto de escrever contos de reflexão sobre a importância de proteger as matas e florestas.

Nota: Aqui é minha base de operação e meu espaço de experimentação literária, ou seja, aqui você pode encontrar histórias com começo, mas sem fim, com técnicas diferentes de narrativa. No mais, agradeço aos comentários desde já.

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Jan
05
2014

A fúria de um corno

Desde já digo que me chamo Roberto. No bairro onde moro sou muito respeitado, um homem de caráter. Não sou desses que vivem na academia e que passam gel no cabelo. Sou mais a moda antiga: Mãos calejadas, pelo no peito, cabelos ajeitados com a mão e uma cicatriz de faca próxima ao umbigo. Tenho a barba preta e sempre me visto com calça jeans, sapatos de couro e camisa branca. Segundo os rumores da vizinhança, muitos dizem que sou severo e alguns julgam que sou frio como gelo. Mas quem vê por fora não vê por dentro, apenas não gosto de demonstrar os sentimentos.

 Tenho uma filha que se chama Maria, tão bela é quanto a esmeralda, papai que o diga. E tão linda quanto minha filha se chama Marisa, fiel companheira e uma grande esposa. Na cozinha é uma deusa e na cama é uma fera. Embora eu seja duas décadas mais velho, no sexo realizo seus desejos. Papai-e-mamãe, pernas pra cima, borboletas voando, gaivotas ao vento e tantas outras posições que desconhecia, mas que ela me ensinou. Quem não queria ter uma esposa assim? Sou do mato, cresci sem saber o que era internet, e para mim o sexo só se resumia a uma coisa: Penetração de frente.

 Mas um dia, nossa relação veio a esfriar, as chamas da paixão a se apagar e os rios de amor a secar. O que houve com Marisa? Quando a procurava, sempre inventava desculpas: Hora estava cansada, hora TPM, hora cólica, hora dor de cabeça, mas que raios! Tantas mentiras e como fica a relação? Parecia que aquela jovem que eu havia conquistado com olhar magnético e um toque de mistério agora só vivia para as redes sociais. Maldita hora que dei um desses computadores para ela, sim, daqueles mesmo que se fecha e carrega na mão.   

 Decidido a acender as chamas de nossa relação adormecida. Procuro conselhos com amigos e eles me dizem para ir à procura de um sexólogo. Sexólogo que nada, essas terapias de casais só servem para ocupar o tempo. Já trabalho no ofício de pedreiro, das cinco da manhã até a boca da noite. Vivo estressado com o servente, chego em casa exausto e tudo que desejo é uma relação amorosa com minha esposa. E ainda querem que eu gaste as poucas horas de descanso com um guru de sexo? Não, muito obrigado, mas prefiro encontrar conselho no bar da esquina.

 

No bar… Pode haver muita fofoca, mas também há muita cortesia. Penso assim ao sentar-me para tomar algumas cervejas. Quando o atendente, velho amigo me pergunta:

 – Heineken?

 – Bah! Heineken o caralho, eu quero mais uma Brahma. – Respondo com semblante fechado.

 – Tu ta estranho hoje, Roberto. Que houve? – Pergunta Clemente, ao ver minha preocupação.

 – Estranho que nada, homem! Tu sabes muito bem que detesto cerveja de rico. – Replico, com a mão no queixo.

 – Então está certo. – Diz sorrindo enquanto me dá a cerveja.

Conforme vou tomando, os ânimos de um dia de estresse: Servente demitido, patrão enfurecido e esposa mal-agradecida, vão dando lugares aos efeitos da cerveja. Logo, desabafo:

 – Já faz dois meses que não transo com minha esposa.

 – Oxi, toma viagra homem. – Diz Clemente, levando pro outro lado.

 – Tenho ânimo para ferrar minha esposa na cama, contudo, ela não me deseja. – Lamento com a cabeça baixa.

 – Em todo o caso, para esse tipo de coisa existem as terapias e os…

 – Fique quieto Clemente! Cale a boca! – Interrompo ao encará-lo nos olhos. – Mal tenho dinheiro para pagar minhas contas e tempo para descansar, e lá vem você falar de sexólogo.

 

Clemente dá uma risada sem graça, está vermelho de vergonha como um tomate, pois sou mesmo desbocado. Então me aconselha:

 

– Roberto, já pensou em um dia fazer a barba, cortar os cabelos e passar um perfume da Fator 5?

 – Mas que porra é essa! Lá vem outro implicar com a aparência. – Replico, com os dedos trêmulos na mesa de nervoso.

 – Não é isso meu camarada. Mas é que alguns homens conseguem o que almejam ao mudarem a aparência. – Pela primeira vez, Clemente diz algo que me toca na alma, como gota que cai no balde.

 O natural seria constrangê-lo com uma resposta dura. Pois alfa sou, macho ao extremo com H maiúsculo. Contudo, ele tem toda razão. Certas mulheres preferem homens sem pelo no peito, sovaco raspado, cabelo cortado e de barba feita. Assim me levanto daquela mesa, com dois goles bebo a cerveja e lhe agradeço:

 – Muito obrigado meu bom amigo. A partir de hoje em diante… Eu, Roberto Armando Guerra da Silva me declaro um novo homem. – Coloco chapéu na cabeça e saio do bar a procura de um barbeiro.

 Eram cinco daquela tarde quando pedalava pelas ruas de Brasília Teimosa, bairro da zona sul do Recife, onde moro há quatro anos. Deve ter algum salão aberto nessas bandas. Penso enquanto pedalo com a magrela pela Avenida Brasília Formosa. Veículos vinham e veículos iam. Com os olhos vejo alguns caminhoneiros mal-encarados me encarando no retrovisor. Bando de sem-vergonha. Xingo-lhes na mente ao lembrar-me da minha irmã, Jurema.

 – Jurema, Jurema, tu se casou com um caminhoneiro e só levou chifre na cabeça. – Lamento no momento em que avisto um salão de barbeiro.

 O local pertencia a um jovem, macho novinho, devia ter a idade da minha esposa: Seus olhos eram azuis como os de uma boneca. Lábios vermelhos como se tivesse passado batom. Pele lisa como de uma rã, de cor branca meio rosada. Sujeito magro, porém não exagerado. Tinha um rostinho em forma de maça, com alguns traços femininos. Os cabelos eram compridos até os ombros. Era um bicho estranho para os homens, mas bonito para as mulheres. E se eu jogasse no outro time, com certeza iria querer um desses na cama.

 Ele vestia uma roupa casual, calça jeans agarradinha, gel no cabelo, tênis de marca e camisa avermelhada. Era o oposto de tudo o que não desejava, mas que teria de ser para conquistar a esposa mal-amada. O sujeito era bom de papo, muito conversado. Ele puxava conversa de vários assuntos só para agradar a clientela. Admirável! Fico espantado, pois sou o contrário disso. Diferente do barbeiro, confesso que sou reservado, um pouco tímido e detesto a opinião de terceiros no meu território, salvo a de alguns amigos, como Clemente.

 Sentado em um dos bancos de espera, pois havia dois clientes na minha frente, pego um jornal para ler enquanto fico atento à conversa do momento…

 – Semana passada, eu disse para uma loira: Vamos transar. – Disse o Barbeiro enquanto cortava os cabelos de um roqueiro.

 – E ai, no que deu? – Pergunta o roqueiro ao olhar no espelho.

 – Ai que a peguei de quatro, de cinco, de seis e todo o jeito na banheira. – Gaba-se o jovem, caindo na gargalhada com o cliente.

 Além de barbeiro, o homem tinha um negócio de Petshop de lado com o salão, com uma porta que interligava os dois comércios. Pelo visto era um rapaz bem-sucedido e esforçado, mas muito mulherengo.

Ele finaliza o corte com suas mãos de donzela, as quais nunca tocaram numa enxada na vida. E em seguida chama o próximo, um sujeito forte e robusto, um policial com cara de pedra. E inicia o corte, terminando às cinco e vinte.

 

Quando o policial sai do salão, eu me ergo para sentar na poltrona.

 – Ultimo corte do dia, o que vai querer? – Pergunta com a tesoura em mãos.

 Explico como o corte deve ser feito e também para que raspe minha juba. E com suas mãos de Barbie ele começa a tesourar os cabelos, cortando e penteando, tesourando e ajeitando. Para amenizar o clima, ele liga o ventilador no máximo e coloca um axé para tocar. Estou relaxado e numa posição de conforto, desejo ficar tranqüilo, mas logo sou incomodado com aquela voz de timbre suave e fino em meus ouvidos:

 – As meninas de hoje em dia estão tudo endiabrada.

 – Sempre teve meninas assim. – Digo ao vê-lo cortar algumas mexa. – Vai mais do caráter de cada um, pois também tem muito homem sem vergonha. – Digo com a voz grossa, deixando-o sem graça.

 – É, mas nesses dias atrás passou uma de minissaia curta só para provocar. – E o que eu tenho a ver com isso? Penso comigo sem responder-lhe.

 – Para mim, pode parecer mulher de calcinha, mulher de maiô, mulher de saia que eu não ligo. – Fecho os punhos com firmeza. – Sou homem casado e sou fiel a minha esposa.

 – Tu és casado? – Pergunta com espanto ao borrifar água no meu cabelo. – Sempre quis ser casado. Tenho esperanças de encontrar uma mulher amada. – Diz enquanto penso comigo: Coitado de quem se casar contigo.

 – Gosto muito de loirinhas, mas prefiro as moreninhas. – Vejo um sorriso de alegria no seu rosto. – Conheci uma gostosa na rede social, com idade de dezoito.

 – Será que ela tem dezoito mesmo? Essas redes sociais escondem muito a idade verdadeira. – Digo com ares de mistério.

 – Ah, tem sim. E por sorte ela é daqui. – Diz com o sorriso estampando as maças nas bochechas. – Sua pele é morena, têm as pernas lisas, peitos salientes, e ela diz ter os olhos azuis.

 Minha esposa tem essas características, mas seus olhos são verdes. Penso com desconfiança.

 – Ela se chama Júlia, usa óculos e trabalha na escola pública. – Diz ele ao dar umas tesouradas nos cabelos.

 Para minha sorte, fico aliviado, pois minha esposa não trabalha e fica em casa quase o dia inteiro. Homem que é homem não deixa esposa trabalhar.

 – Agora vamos à barba. – Diz ao finalizar o corte, passando gel para raspá-la.

 – Raspe bem, pois pretendo fazer uma surpresa para minha esposa.

 – É para já. As leoas caem matando em cima de leão sem juba. – Brinca ao tirar um sorriso do meu rosto.

 Nisso a conversa ia, com assunto de mulher para cá, assunto de mulher para lá e assim sucessivamente… O homem é amigável. Ele até queria pagar-me uma gelada no boteco.

 – Fiquei de marcar um dia para transar com ela. – Diz todo animado.

 – E ai, marcou?

 – Na verdade não, ela é casada – Cochicha em meus ouvidos. – Não pego esse tipo de mulher, não quero ficar sem saco.

 – É, se alguém um dia se meter com minha esposa, arranco-lhe as bolas com a mão. – Digo em tom de voz alto, impondo-lhe medo.

 Ele me olha com espanto e diz:

 – Pronto! Terminado. Foi um prazer conversar contigo.

 Saio do barbeiro todo animado para chegar em casa mais cedo. No caminho compro um buquê de rosas e uma caixa de bombons. Posso ser severo, mas também sou romântico e conquisto tudo que almejo. Pois como homem, só desejo amar minha esposa como outrora. Quando ela se vestia com aquela fantasia erótica de fazer qualquer um cair de joelho. Suspiro fundo e chego em casa às sete. Mas quando estou prestes a abrir o portão, recebo uma ligação… Era do meu cunhado, avisando que um cliente queria comprar a casa que eu tinha em Campina do Barreto. Boas novas, me comprometo a dormir na casa do cunhado hoje mesmo.

 Entro em casa para tomar um banho e logo de cara vejo que Marisa não se encontra. Provavelmente deve ter ido à casa da mãe com a filha. Tomo um banho frio, preparo a janta e ligo para avisá-la de que estou saindo a negócios.

 – Amanhã quando voltar, você terá uma grande surpresa. – Digo no celular enquanto deixo a caixa de bombons em cima do sofá, junto com o buquê de flores.

 – Tudo bem, amor! Tome cuidado. – Aconselha ela, me mandando um beijo no outro lado.

 Desligo e saio para apanhar o ônibus no ponto. Entro com a bicicleta e sigo para Campina do Barreto. Alguns passageiros me olham feio com minha magrela de lado. Demonstram vontade de reclamar, mas lhes imponho medo mediante meu olhar de carrasco. Estão pensando o quê?

 São horas de viagem. Desço de um ponto e já subo em outro e assim prossigo. Contudo, sempre quando tudo parece bom demais para ser verdade, o pior acontece… Pois quando o ônibus está rodando a Av. Professor José dos Anjos; eis que um acidente de caminhão faz todo o trânsito parar, causando um longo engarrafamento para atrapalhar meus negócios. O que fiz para merecer isso? Pergunto, estressado, quando recebo uma chamada da casa do cunhado. Atendo o celular e uma triste notícia abala meus ânimos.

 O homem que desejava comprar minha casa em Campina do Barreto havia morrido ao tentar reagir a um assalto quando este retornava para a casa em seu Gol quatro portas. Lamentavelmente desço do ônibus revoltado. E de bicicleta mesmo volto para a casa pedalando. Já fui um grande ciclista em minha juventude. E embora eu tenha quarenta anos na costa, meu preparo físico é de causar inveja em muitos jovens de academia: Braços fortes e pernas trabalhadas. Ligo para falar com Marisa, mas ela não atende a chamada nem na casa do caralho. O que está fazendo afinal? Pergunto no percurso, chegando à rua de casa por volta das três da manhã, todo cansado, camisa molhada e pernas doloridas.     

 Pego a chave para abrir o portão, mas noto que o cadeado está destrancado. E de imediato o desespero toma conta do meu ser. Diante de tantas tragédias que ocorrem nos dias de hoje e com tantos homicidas que saem da cadeia nos dias de feriados e não voltam. Deveras estou muito preocupado. Sigo para abrir a porta e me deparo com a janela da sala aberta. Entro por ela e no interior da sala sigo para o sofá, onde vejo a caixa de bombons arreganhada, com os papéis espalhados pela superfície. O buquê de flores está no chão e há algumas coisas reviradas, livros fora do lugar e um par de tênis que não me é estranho, contudo não consigo me lembrar de quem possa ser. Sigo para o armário da cozinha e pego uma faca e com muito cuidado para evitar barulho, retiro os sapatos e subo as escadas aos passos de gato.

 Conforme subo os degraus, vou escutando grunhidos, sussurros e bulícios…

 – Vai Erevardo! Vai Erevardo!

 – Agora vamos para a posição papai-e-mamãe. – Diz a voz masculina que me afronta a honra.

 Meus olhos ficam cobertos de cólera, a mão direita está trêmula de raiva. Suspiro fundo ao me aproximar da maçaneta da porta. Vou pega-los no flagra. Vou arrancar meu chifre e enfia-lo no meio do rabo da minha esposa. Penso diante do ódio que se ascende na minha alma, como incêndio que consome a floresta em densas chamas. Aos poucos vou deixando de ser homem para me tornar uma fera. E foi com uma explosão de cólera que com forte chute derrubei aquela porta. Aos gritos e berros entrei com a faca em punho, assombrando minha esposa ao acender a luz.

 – Ladrão! Ladrão! Socorro, socorro! – Grita Marisa tomada pelo desespero, como uma galinha quando é pega no galinheiro.

 Olho para o lado esquerdo do leito e para minha grande surpresa me deparo com o filho da puta do Barbeiro, urinando na cama de desespero.

 – FORA DAQUI!! – Grito com minha esposa, que sai correndo pelada na rua, acordando a vizinhança aos gritos de socorro.

 – Por favor, não me mate! Não sabia que era tua esposa. – Suplica o Barbeiro.

 – NEM SE SOUBESSE! – Grito ao meter a faca contra seu peito, mas o infeliz se defende com o travesseiro.

 A faca perfura o travesseiro e o barbeiro a joga no chão, ao lado do guarda-roupa. Ele tenta se levantar para fugir, mas com um empurrão o jogo de volta na cama. Enfurecido como um louco e com uma força de touro, abro os dedos da mão direita em posição de garra, e com toda minha fúria vou buscar o saco do ordinário, a fim de arrancar-lhe os testículos.

 Uma medição de força começa naquele quarto, com a mão direita do barbeiro se esforçando para deter o avanço da minha contra seu saco. Ao mesmo tempo em que ele tentava a todo custo retirar minha outra mão do seu pescoço…

 E foi com uma incrível força que alcancei seu escroto. E como martelo que amassa lata de alumínio, assim esmago sem nenhuma misericórdia as bolas do saco. O grito foi estridente, toda a vizinhança ouviu, saindo às ruas para ver o que havia ocorrido, enquanto algumas viaturas chegavam com as sirenes ligadas.

 Para completar o trabalho, puxo com toda minha força aquele escroto suado. Nesse instante, o barbeiro desmaia como Branca de Neve em meio à cama. Fiquei apavorado ao me dar conta do que havia feito. E com aqueles testículos sangrando em mãos, penso comigo: Vou fugir enquanto posso.

 Jogo os testículos no chão, desço as escadas correndo e saio para pular o muro do vizinho. Contudo, dois homens fortes me seguram, e um deles me derruba com uma chave de braço. Sou algemado e levado para a delegacia no camburão da viatura.

 No outro dia, as notícias se espalham pelas manchetes dos jornais:

 

“MARIDO BRAVO ARRANCA SACO DE AMANTE NA MÃO.”

 

O homem não morreu para meu alívio, e por fim das contas virou frei em uma catedral católica. Marisa pediu divórcio e foi morar com o dono de um mercado. E quanto a mim, estou preso nessa cadeia há um ano. Aqui estou para contar-lhes essa dura história, antes que eu seja solto no sábado. E digo-lhes com orgulho no peito, que…

 

“Não aceito traição e não me arrependo do que fiz. Meu nome é Roberto Armando Guerra da Silva. Sou corno bravo com muita honra e assim termino esse drama.”

 

Diante dos homicidas mais sanguinários e dos assaltantes mais ordinários, sou aplaudido com uma salva de palmas.


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