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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Jan
17
2014

Duas e Meia

Ele acordou. A visão ainda turva pelo sono. Não que isso importasse, estava escuro e não poderia ver nada de qualquer forma. Sentiu uma dor desconfortável na barriga. Droga! Precisava ir ao banheiro.

Levantou-se devagar, as pernas ligeiramente bambas, e olhou no relógio. Duas e meia da manhã. “Estranho”, pensou. Vinha acordando neste mesmo horário nos últimos dias. Nem um minuto a mais ou a menos. Sempre às duas e meia. Não havia se levantado nos outros dias, no entanto. Não precisava. Parou de divagar. Era melhor ir ao banheiro logo ou faria o que tivesse que fazer ali mesmo. Não acendeu a luz e, no meio do caminho, acertou em cheio a quina da cama com a canela. A dor foi tão forte que quase sujou as calças. Resolveu correr agora.

Mal entrou no banheiro, arriou as calças e sentou-se no vaso. A dor era excruciante. Será que foi algo que comeu? Pensou no que havia tido para o jantar. Hambúrguer com fritas, além de um belo copo de refrigerante. Ahhhh, e não podia se esquecer dos dois potes de sorvete, devorados em menos de cinco minutos. Sim. Sem dúvida fora aquilo que o derrubara. Agora ficaria ali durante uns vinte minutos, a dor terrível no estômago e nada saindo. E àquela hora da manhã. Era um pouco entediante. Nada acontecia àquela hora da manhã.

Ouviu um barulho. Era impressão sua ou alguém bateu na porta? Impossível. Morava sozinho. Além disso, lembrava muito bem, trancou todas as portas e janelas, e sua casa tinha um belo sistema de segurança. Ladrão algum poderia entrar ali. O que quer que fosse teria que já estar lá dentro. Este pensamento lhe deu arrepios.

– Pare de pensar em bobagens – disse em voz alta e isso lhe assustou mais ainda. O som se repetiu. Duas batidas ocas contra a madeira. “Quem está aí?”, tentou perguntar, mas a voz não saiu. Parecia um daqueles pesadelos. Um daqueles no qual você tenta correr mas as pernas não saem do lugar, você tenta gritar e a voz não sai. Talvez, a qualquer instante, um monstro terrível, de olhos esbugalhados e boca torta, entraria por aquela porta e o devoraria inteiro.

Estava ficando apavorado. Olhou pela janela. Um vulto passara por ela. Sempre detestara aquelas janelas de banheiro. O formato ondular do vidro não permitia ver nada mais que silhuetas. De que adiantava aquilo? Já era suficientemente embaraçoso ter sua silhueta observada enquanto estava ali sentado no vaso. Outro pensamento veio à mente. “Será que os mortos sentem vergonha?”. Não pôde deixar de sorrir. O vulto passou de novo. Era branco, ele pôde perceber.

– Um pássaro. – disse. – Só pode ser isto. – a dor no estomago voltou e ele arquejou, gemendo de agonia. O que quer que estivesse dentro dele, estava começando a sair. Outra batida, desta vez mais forte, soou pela porta. Ele travou e aquilo voltou para dentro. – Desgraça! – praguejou. – Quem está aí? – desta vez a voz saiu. Mas a resposta veio em um silêncio aterrador. Não o silêncio comum, causado pela simples ausência de som. Aquele silêncio era cheio de significados. Era o silêncio dos mortos que gritam no escuro, das coisas que caminham nos confins mais terríveis dos quatro cantos do planeta, dos medos que povoam os pesadelos das crianças mimadas e de suas mães ricas. Era um silêncio muito mais amedrontador que o mais alto dos barulhos. Mesmo o som do tornado que se aproxima, trazendo morte e destruição, não poderia causar tanto terror.

Aterrorizado, ele resolveu fechar os olhos. Talvez se desviasse o pensamento, poderia se esquecer de toda aquela bobagem. Mas não conseguiu se acalmar. Quando abriu os olhos estava olhando diretamente para o vão embaixo da porta. Saía luz de lá. Não se lembrava, no entanto, de ter deixado a luz acesa, ou mesmo de ter ligado. Ficou desesperado, achando que estava louco. Isso piorou quando uma sombra passou por aquele vão. Achou que foi uma ilusão, que havia piscado. Mas aquilo acontecera de verdade. Havia luz, depois uma sombra passou, e veio a luz de novo.

Ele resolveu se levantar. Limpou-se rapidamente praguejando. Odiava fazer qualquer coisa com pressa, ainda mais aquilo. Subiu as calças e saiu em direção a porta. Parou com a mão na maçaneta. O que fosse que estivesse do outro lado, teria que estar pronto. Tomado de uma coragem repentina, destrancou a fechadura e abriu a porta. Então ele viu o corredor. Escuro. Vazio.


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2 Comments»

  • gilcar carvalho says:

    Porra cara muito bom. A descrição do silêncio aterrador está bem profunda. E o final…Acho que esses finais sem explicações são realmente a alma – penada – de histórias desse tipo, que sempre foi o forte de Lovecraft. O fim de seu conto está eternamente “suspenso” na imaginação do leitor.”Escuro.Vazio” Parabéns.

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