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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Feb
24
2014

A Lua no Céu de Paris

lua-paris

Diego caminhava pela calçada. O capuz protegia-o da chuva que insistia em cair naquele final de Novembro. Nos fones de ouvido a voz de Axl Rose, rasgada, cantava com suavidade “Everybody needs sometime on their own”. E era isso o que ele de fato sentia.

Nos últimos dias, sua vida tinha virado de ponta cabeça. A visita aos psicólogos, os jornalistas que insistiam em persegui-lo. Tudo por que ele simplesmente havia conseguido prever um pequeno incêndio no estádio local e salvo pouco mais de uma centena de pessoas a tempo. Não que tivesse sido fácil convencê-las. Nunca fora sua intenção, no entanto, chamar a atenção da mídia. Mas fora exatamente o que aconteceu. Agora era conhecido como o profeta local e todos o queriam para si. Todos menos quem ele mais desejava.

Em suas visões anteriores ao incêndio, Diego normalmente previa apenas detalhes de seu futuro. Nas visões, era comum aparecer um rosto em especial, que até então nunca havia visto. Passou-se um tempo e ele a conheceu. Seu nome era Rebeca.

Diego não soube explicar o que sentiu no primeiro momento em que a viu fora de seus sonhos. Foi surreal, como se tudo viesse de uma só vez em sua mente. Todas as visões, até então incompletas, passaram a fazer sentido. Aquela era, literalmente, a garota de seus sonhos. Ele nunca tentou, entretanto, conquistá-la, já que sentia que era seu destino ficarem juntos. Afinal, ele não previra isto? E como todas as suas visões, aquela iria se realizar. Foi um erro do qual Diego se arrependeria.

Começou quando ele a viu com outro cara. No inicio achou que eram apenas amigos ou primos distantes. Desistiu da ideia. Primos não se agarram com tanta intensidade. Naquela noite ele chorou como uma criança. Seu travesseiro, encharcado pelas lágrimas ficou completamente desgastado e teve de ser jogado fora. A partir de então foi que Diego começou a usar capuz para esconder o rosto. Os fones de ouvido vieram para abafar os ruídos cruéis que o mundo emitia e o som de seu próprio coração que insistia em chorar por Rebeca.

Foi naquele dia chuvoso que ele a encontrou, só, embaixo de uma tenda, para proteger-se da chuva. Ele passou por ela sem dizer nada, mas seu coração pediu que voltasse. Ele parou diante dela e a olhou nos olhos.

Diego arrancou com ferocidade os fones e o capuz, assustando-a. Ela o conhecia, mas nunca o vira naquele estado. Percebeu as enormes olheiras que tomavas seus olhos e, por um instante, achou que pôde ver o coração dele batendo sob a pele. Ele simplesmente não podia acreditar. Como ela não via o que ele podia ver? Seu futuro juntos? Tudo aquilo que previra?

– Algum problema? – foi ela quem falou primeiro.

– Eu é que pergunto. – ele respondeu com raiva.

– Desculpe. Eu não estou entendendo.

– Nunca entende não é Rebeca? – ele a olhou novamente, seu rosto expressando claramente que não fazia ideia do que ele estava falando. – Me diz que pode ver o que eu vejo. – a voz começou a vacilar. – Por favor, é tudo o que eu peço.

– Eu não estou te entendendo Diego. – a voz dela pronunciando seu nome, mesmo naquele momento, era de tirar o ar.

– Nós dois. Juntos.

– Você está me assustando.

– É tudo o que eu não queria.

– É uma das suas visões? – perguntou ela com inocência. Ele assentiu. – Você previu algo sobre nós? – mais uma vez ele concordou. Ela suspirou. – Diego, você deve ter sonhado.

– Como sonhei sobre o incêndio?

– Aquilo foi diferente.

– Você não acredita, não é? – ela balançou a cabeça, em sinal de negativa. Ele pensou um pouco e falou. – Talvez esteja certa. Talvez tenham sido apenas sonhos. Ou talvez tenham sido previsões, mas não minhas.

– Como assim? – ela pareceu não entender.

– Em todas as visões, eu sempre vi você. E acreditei que eram previsões do meu futuro porque aquilo fora muito real; porque, de um jeito ou de outro, eu vivi. Mas nunca me vi de fato. Talvez eu só vejo o seu futuro, não o nosso.

– Não sei se entendi isto. – ela levantou levemente a sobrancelha e deu um leve sorriso, o que a deixou com uma cara engraçada.

– Veja bem. Nos sonhos, ou nas visões, eu sempre a enxergava. Mas tudo sempre ocorreu em uma perspectiva de primeira pessoa, de forma que, eu acreditava de fato que a pessoa para quem você olhava ou com quem você falava, era eu.

– Acho que agora estou entendendo. – ela olhou para o chão e, em seguida franziu a testa. Olhou pra ele novamente e disse. – E o que você via nesses sonh…, quero dizer visões.

– Eu nos via, ou melhor, a via caminhando por uma longa estrada cercada por campos verdejantes em ambos os lados. O Sol se punha no horizonte (ou nascia, era impossível saber), e refletia em seus olhos.

– Nossa. É bonito. Foi só esse?

– Não. Houve vários. Em outro há neve e, frio. É difícil dizer porque só lembro de flashes.

– Mas há algum do qual se lembra especificamente?

– Não, eu… – ele parou para pensar. – Espere. Há sim. Eu vejo você sentada em um café em algum lugar. É noite, e a lua brilha no céu. Eu nunca a vi tão bela.

– Eu ou a lua?

– Ambas. – ele sorriu e ela lhe retribuiu o sorriso. – Mas na lua há algo de diferente. Está maior do que de costume. – ele parou por instante. – Espere. Tem uma torre. Eu já a vi em algum lugar. Sim. É a Torre Eiffel. Estamos, ou melhor, você está em Paris.

– Paris? – ela sorriu. Sempre quis estar em Paris.

– Uma música toca ao fundo. Não sei muito bem do que se fala. Acho que é um cara lamentando por ter sido deixado por uma mulher. Bem apropriado? – ela ficou sem graça, o que o fez se arrepender do que disse. – Bom, você parece feliz. Muito feliz.

– Acha que pode ser… – ela esperou por um momento, pensando se devia continuar. – Acha que pode ser Júlio?

– O seu namorado? – ela assentiu. – Pode ser. – ele concordou. Ela esboçou um sorriso mas o interrompeu quando se lembrou como aquela conversa iniciou. E ele percebeu isso. – Mas eu estive pensando. – ela o olhava nos olhos apesar dele próprio estar fitando o horizonte. – De certa forma isso aconteceu conosco. Eu vivi aquilo, apesar de não ter ocorrido de fato comigo. E um dia, independentemente de com quem for, você vai viver também. E se for outro cara, quando olhar nos olhos dele, saberá que eu estarei lá dentro. Cada gesto ou sorriso dele, serão meus. Cada palavra, será minha. E quando beijá-lo, serão os meus lábios que tocará. De certa forma eu estarei lá, com você. De certa forma, estaremos juntos. – ele sorriu. Colocou o capuz de volta e partiu satisfeito. Ela tentou chamá-lo, mas ele já havia posto os fones de ouvido de novo.

Havia parado de chover, e as nuvens se abriam exibindo uma lua bela e radiante, exatamente como naquele dia, em Paris, há muito tempo, no futuro.


Categorias: Contos | Tags: , ,

12 Comments»

  • Shado Mador says:

    Belo, muito belo. Parabéns. Não são palavras mortas agrupadas em frases que traduzem uma idéia, seu texto é… vivo. É até complicado explicar isso. Seu texto é poesia pura. As palavras fluem como um rio, como uma cascata de água, como diria João Cabral de Melo Neto.

    Não sei muito bem explicar, mas gostei muito.

    • Evandro Furtado says:

      Fico feliz que tenha gostado. Quando escrevi, fiquei com medo de que a história ficasse sem sentido, mas se você falou que é vivo… bem então o objetivo foi cumprido.

  • Sim, realmente muito bonito.

    Genial o argumento do Diego: não importa com quem Rebeca estiver, ele sempre estará junto dela, por causa do dom (ou maldição) de previsão do futuro.

    E curti porque vc fugiu do clichê do profeta que se torna uma figura pública e começa a prever acontecimentos de suma importância para o destino do mundo. O foco do Diego é mais particular, voltado para o próprio desejo e para a vida de quem ele gosta. Gostei.

    E de quebra o diálogo entre ele e a Rebeca ficou bem original. Um passante aleatório poderia pensar que se tratava de papo de maluco, mas, para mim, enquanto leitor, as conversas mais divertidas são assim, meio viajantes, hehe!

    Só acho que cabe uma revisão para corrigir uns erros de digitação.

    Parabéns e abraço! o/

    • Evandro Furtado says:

      Valeu, que bom que gostou.

      Realmente eu não revisei este texto. Escrevi e publiquei, mas já vou dar uma olhada.

  • Evandro Furtado says:

    Primeira revisão feita. Por favor, se alguém encontrar algum erro, apontem. Às vezes estou tão cansado de ler o texto tantas vezes que as coisas simplesmente passam desapercebidas.

  • Diego é meu nome masculino preferido, Diego Rivera, Diego Velázquez, são homens beeeeem passionais e hábeis na expressão dos sentimentos, e se der na telha de mostrar q possuem um lado calculista o resultado é algo como a decisão do seu Diego mesmo. Um dom desse pode levar à loucura curti como o rapaz decidiu administrar a coisa toda, não falo palavrões mas achei o f – se do Diego o mais poético q eu já vi…… peraí! Acho q esse foi o único f – se poético q já vi.
    O Woody Allen tb reuniu esse charme parisiense com um elemento fantástico em Meia Noite em Paris, assistiu?

    • Evandro Furtado says:

      Paris é de fato fantástica. Acho a cidade mais enigmática, há algo nela que nos atrai.

      Infelizmente não vi, mas Allen está na lista de cineasta que planejo assistir toda a filmografia. Acho que está está atrás de Burton, de Hitchcock e de Del Toro. É acho que é isso.

      Se tiver um tempinho recomendo pra ler meu poema Anjo de Gelo, que considero minha primeira grande obra lírica (pequena pretensão).

      • Eu li no final de semana! É gostoso de ler em voz alta e olha que os meus preferidos p ler em voz alta são Uma Coca Cola com Vc e O Inconstante!

        E tb quero fechar a filmografia do Hitchcock! Mas por enquanto o plano é fechar aquela listinha dos 1001 filmes!

        • Evandro Furtado says:

          Pois eu gostaria de ter mais tempo para assistir filmes.
          #PROFISSÃODOSSONHOS

  • thiago cypryanu says:

    voçe tem um DOM RAPAZ ( como o profeta da historia rsrs) suas historias são bem escritas e tem fundamento diferente de MUITAS por aqui. acho incrivel como voçê SEMPRE leva as coisas pro lado do romance. NÂO importa se é sobre ZUMBIS ou PROFETAS, o amor parece ser a sua preferencia. parabens

    • Evandro Furtado says:

      Eu nem reparei que levo pra esse lado, mas é meio que verdade. Acho que não importa o que aconteça com o mundo, o amor no final das contas nos mantem a salvo.

  • thiago cypryanu says:

    A e vc tem bom gosto pra filmes DEL TORO é demais mesmo

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