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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Feb
04
2014

Pogo

Eu sou um sobrevivente. Simples assim. Contar esta história é mais difícil do que possam imaginar. Mas eu preciso, sabe? Preciso. Nunca fui um bom escritor. Por isso pedi que alguém escrevesse pra mim. E se isso chegou até você, de alguma maneira…bem, posso dizer que fico contente.

Isso aconteceu há um bom tempo, em uma pequena cidade chamada **** (parte omitida em razão da privacidade da vitima). Se você procurar o nome da cidade na internet, provavelmente já saberá do que estarei falando. Isso se ninguém ocultá-la dos registros, o que provavelmente farão já que essa é uma questão complicada, muito complicada. E nesta parte eu vou ser breve nesta parte, já que isso não é tão importante (ou talvez seja). E, além disso, eu ainda não estou preparado pra falar disso. Pelo menos, não perfeitamente. Vamos dizer apenas que fui uma vitima, de um louco desvairado. Fui uma vitima que sobreviveu, que conseguiu fugir, e, por isso, não estou nos registros. Afinal, parece que os jornais vendem muito mais quando dizem que “Dez morrem nas mãos de palhaço louco” que quando falam sobre o único sobrevivente de um serial killer. Se você já fez algumas pesquisas e sabe do que estou falando, verá que aquele monstro foi condenado a cadeira elétrica. E aquilo era para ser o fim. Era.

Quando cresci, a primeira decisão que tomei foi sair daquele lugar. Talvez eu teria saído de lá de qualquer modo, sem nada ter acontecido. Mas aquilo contribuiu sabe? Não poderia ter passado em branco, não dava.

Apesar de ter saído da cidade, a cidade nunca saiu de mim. O terror continuava em meu coração, corroendo-me por dentro. E ano após ano eu sentia que, em algum momento, teria de voltar àquela cidade. Ou então continuaria tendo pesadelos pelo resto de minha existência. Por fim, resolvi voltar. Mas quando voltei, parecia outro lugar completamente diferente.

Se você é uma dentre as milhares de pessoas que cresceu em um lugar e mudou para outro, ficando anos sem voltar ao primeiro, provavelmente sabe do que estou falando. As pessoas não eram as mesmas. Mesmo aquelas com que passei a infância estavam, de alguma forma, diferentes. Como se a vida e o prazer de vivê-la tivessem as deixado secas, que nem aquela fruta que você esquece no sol e encontra, semanas depois, já sendo devorada pelos vermes. De qualquer forma, eu não havia voltado pelas pessoas. A pessoa pela qual havia voltado já estava morta, e duvido que alguém, a não ser eu próprio, voltaria por ela.

Passei algum tempo na cidade antes de partir em direção do meu objetivo final. “A casa do palhaço”, era como as crianças da época costumavam chamar. Os adultos chamavam-na pelo nome verdadeiro do assassino. Nome que eu, até hoje, não ouso pronunciar. Pra mim é Pogo. Era como nós o conhecíamos. Pogo, o palhaço, simples assim. Ótimo, agora dei a última peça do quebra-cabeça. Basta você montá-lo e saberá do que estou falando. Ou talvez você não monte. Talvez seja daquele tipo preguiçoso, que mal tem paciência pra terminar de ler esta história. Não o culpo. Em parte eu sou assim também.

Pogo não era de minha cidade. Era de Chicago. Mas visitava aquele lugar frequentemente “a negócios”. Tinha uma casa lá. E era lá onde as coisas aconteciam. E era aquele o lugar que eu precisava visitar.

A casa estava abandonada. Fiquei parado diante dela por um longo tempo, imaginando se deveria ou não entrar. Por fim, prossegui. A porta da frente estava trancada, assim resolvi tentar a porta dos fundos. Fechada também. Resolvi arrombar a porta. Dei alguns passos para trás e lancei-me contra a entrada. Bati o ombro contra a madeira e a fechadura cedeu. Eu estava dentro.

Se alguém que não conhecesse a história entrasse naquela casa, jamais imaginaria o que ocorrera lá. Era um lugar comum. Estava empoeirada e cheia de teias de aranha. Os móveis estavam cobertos por lençóis brancos, que foram colocados lá há muito tempo. Passei pelos móveis, segui em direção ao porão. Abri a porta e o som da madeira rangendo foi assustador. Desci os degraus, um a um, contando os passos. Finalmente, toquei o solo, e a sensação foi horrível. Por um instante pude ouvir todos os gritos, todo o choro, toda a dor, de novo. Era como se houvesse sido jogado de volta ao passado. Continuei caminhando, ignorando os pensamentos ruins que minha mente insistia em trazer.

O chão do porão era de terra batida. Nunca foi cimentado. Pogo enterrava pessoas lá. Ou pelo menos o que sobrava delas. Havia buracos em vários lugares. Eram da época em que desenterraram os corpos. Nunca taparam as valas de volta. Aquilo, de alguma forma, parecia errado. Aquelas valas não deveriam ficar abertas. Traziam más lembranças. Mas acho que nunca pensaram na possibilidade de alguém querer voltar àquele lugar. Mas eu voltei, e agora enfrentaria meus próprios demônios.

Andava suavemente, como se o som de meus passos fossem despertar algo, há muito adormecido. Tocava cada parede. Em um momento, cheguei mesmo a tocar o solo. Havia uma pequena ondulação naquele lugar. Passei a mão, limpando a terra, e uma superfície lisa surgiu. Para meu terror era pele humana. Um braço continuava naquele lugar.

Levantei assustado, já disposto a deixar aquele lugar. Como alguém poderia ter deixado aquilo lá? Como poderiam ter esquecido? Não procuraram direito? Pensei no dono daquele braço. Será que eu conhecera? Seria de meu tempo? Ou seria antes de mim? Pensei nos inúmeros garotos com quem convivi, trancafiado naquele porão, esperando simplesmente pela morte. E eu o odiei ainda mais. Odiei Pogo como nunca antes. Odiei-o pelo que me fez. Odiei-o pelo que fez aos outros. Odiei-o por existir. Por que ele fazia aquilo? Por quê? A resposta veio de uma maneira inesperada. Em minha mente, versos de uma canção maldita se formavam.

 –

“Ele só gosta de brincar

Ele só quer se divertir

O que fazer se Pogo te encontrar?”

Comecei a andar de costas, afastando-me daquele lugar, seguindo em direção à porta. A música continuava a ecoar em minha cabeça.

 –

“Se o seu sangue congelar

Se um barulho estranho ouvir

É o sinal que Pogo vai chegar…aqui!”

Eu me virei e deparei-me com algo que não esperava. Ele estava lá, na minha frente. Pogo, diante de mim. Tentei gritar mas minha voz não saiu. Tentei correr mas minhas pernas não se moveram.

– Olá criança. – ele disse. A face maquiada em uma careta que não mostrava alegria ou tristeza, ódio ou felicidade. Aquela era uma imparcialidade infernal, de um demônio cruel. O palhaço louco me fitava, com aqueles olhos de pura crueldade.

Consegui, enfim, recuar alguns passos. A distância entre eu e ele não diminuiu, no entanto, já que ele caminhava em direção a mim.

– Já vai, meu querido. Mas chegou tão cedo. – ele disse com aquela voz, e deu uma gargalhada que parecia vir de outro mundo, onde se respirava dor e se exalava sofrimento.

Ele arrancou uma faca e veio em direção a mim. Afastei-me e algo me agarrou. Era o braço que vira antes. Saíra da terra e tentava me prender. A dúvida desapareceu de minha mente. Não importa quem fosse o dono daquele braço. Ele agora pertencia a Pogo e a ninguém mais.

Pisei no membro enterrado e corri. Desvie-me do palhaço e corri em direção à porta. Antes de alcançar a escada cai umas três vezes, e nestes momentos, tive certeza que ele me alcançaria. Me pegaria e levaria para o lugar onde vivia agora. Mas consegui escapar. Subi as escadas e saí do porão. Bati a porta e segui para a saída. O monstro me seguia e eu pensei que não seria o suficiente. Ele continuaria a me seguir, não importa onde eu fosse. Eu voltara e o acordara de seu sono, e agora ele viria por mim, seria esta sua sina.

Saí da casa, com a certeza de que ele estava atrás de mim. Atravessei a rua, contanto os segundos em que iria me pegar. Mas ele não me alcançou. Olhei em direção a casa e ele estava lá. O rosto colado à janela, demonstrando fúria por não ter cumprido seu objetivo. Ele estava preso à casa, e de lá não podia sair. Finalmente eu estava livre de John Wayne Gacy, que para mim sempre será Pogo, o palhaço.


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