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Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Mar
18
2014

Metrô 2033 – Resenha

Um mundo dentro de um metrô

click para comprar Metro 2033

Em Metrô 2033 (Editora Planeta; 2010; 416 páginas; R$ 39,90) o autor e jornalista russo Dmitry Glukhovsky apresenta para o leitor uma Rússia devastada por uma guerra nuclear. Com a superfície tomada por radiação e criaturas mutantes que surgiram para preencher o vazio no ecossistema, a única forma que os moscovitas encontraram para sobreviver ao ambiente hostil foi refugiando-se na vasta rede de túneis que descansa abaixo da capital russa.

O livro, de ficção-científica e tema pós-apocalíptico, foi lançado pela primeira vez em 2002, pela internet, sendo apresentado na íntegra no site do autor. Mais tarde, conforme o sucesso e as visualizações aumentavam, foi transformado em uma experiência imersiva e em 2009 já havia sido traduzido para mais de 20 países. Com o crescente sucesso, logo foi transportado para o mundo dos jogos pela 4A Games, que conseguiu tirar da história do livro um jogo de tiro em primeira pessoa bem competente.

O cenário da obra é bem trabalhado e coeso, apresentando um ambiente sujo, onde a humanidade decaiu ao ponto da quase extinção e vive confinada ao subsolo, dividindo seu espaço com criações de porcos, galinhas, cogumelos e também com outras criaturas bizarras. O metrô já não funciona neste mundo pós apocalíptico, seus trilhos são utilizados como estradas e as estações servem de morada para o homem, sendo na maioria das vezes, o único local seguro em meio ao caos e aos bizarros segredos do lugar. Nos resquícios da nação russa, reinam a escuridão e o medo, um lugar onde o ser humano luta para sub-existir, resistindo com pedaços da tecnologia passada e constantemente tendo que patrulhar as linhas de trem, um lugar de sons estranhos e perigo constante, apenas para defender sombras pálidas de sua civilização.


De “dia” (período onde as luzes são ligadas), pessoas de uma estação se reunindo para uma música.

Tanto o jogo quanto o livro mostram a história de Artyon, um jovem morador da estação de VDNKh, que se vê diante de uma ameaça quase alienígena, onde criaturas demoníacas, diferentes dos mutantes por sua inteligência superior e capacidade de incutir pesadelos, assolam os túneis próximos à prospera estação, entrando no complexo lacrado do metrô à partir de velhas passagens que levariam até o jardim botânico. Recrutado por Hunter, um dos caçadores do metrô – pessoas de grande coragem e competência militar – Artyon acaba embarcando em uma viagem até o complexo de Polis, lugar em que ainda se preserva algo da cultura e dos velhos conhecimentos, onde ele deveria avisar os outros caçadores do novo inimigo que ameaça o que restou dos moscovitas.

No entanto, as semelhanças entre as duas mídias acabam por aí.

Um leitor que tenha primeiro encarado os sombrios labirintos digitalizados de Metrô 2033 talvez comece a leitura procurando pela ação, terror e adrenalina que são passados durante o jogo. No entanto, não os encontrará em grande quantidade na versão original do título.

Apesar da história ser essencialmente a mesma, o livro não se foca em tiros, lutas e perseguições. A viagem de Artyon através do complexo do metrô é quase uma jornada espiritual, como se cada encontro e dificuldade o fossem preparando para um destino que lhe estaria reservado. Em suas andanças, o jovem de VDNKh encontra diversos personagens, cada um com suas visões e filosofias acerca tanto do passado quanto do futuro. No centro de todas os debates que existem no livro, que mesmo em pedaços parece ser uma única grande discussão filosófica, está o destino do ser humano, seu papel no mundo e próprio metrô.

A maioria das estações possui barricadas. O perigo sempre espreita os túneis.

A ambientação e a cultura são coisas muito trabalhadas na obra. Em cada estação visitada por Artyon, em cada pessoa que cruza seu caminho, é possível encontrar uma crença completamente diferente. Por mais que a distância de viagem seja pouca e o tamanho seja diminuto, cada estação parece ter encontrado uma maneira própria de sobreviver, adaptando costumes antigos para a nova realidade brutal, fazendo o mesmo com a religião e com a filosofia. Apesar da constante escuridão, aquela região do metrô de Moscou é colorida com a diversidade de valores e ideias, formando algo como um ecossistema que aos poucos vai se equilibrando. Muitas vezes a impressão que se tem é que o Metrô é um imenso monstro, mutável e vivo, que engloba todo o resquício da civilização humana e que, de forma consciente, interage com os habitantes à partir de sons, ideias e acontecimentos estranhos. O sobrenatural parece habitar os túneis estranhos, alguns deles inclusive sendo presenciados por Artyon, mas a dúvida sobre se seriam realmente ocorrências sem explicação científica, ou simplesmente rumores e fenômenos plausíveis, persiste até o fim.

Os diálogos presentes no livro são muito bem construídos, trazendo sempre uma nova informação ou alguma discussão sobre os diversos valores que povoam o metrô. Contudo, salvo Khan, os personagens que figuram a obra não têm muita personalidade. Não que eles sejam todos iguais ou irreconhecíveis, é possível criar certa imagem de cada um deles, no entanto, não existe nada marcante, são apenas plausíveis para suas funções e crenças, sem apresentar nada que os torne cativantes. No fim das contas, o próprio Metrô é o personagem mais bem construído, vivo e com identidade própria.

A trama do livro segue bem estruturada, sempre se mantendo na premissa original, mas sempre trazendo conflitos que fazem com que Artyon se desvie de seu caminho e conheça mais alguma particularidade ou perigo da sua casa. É possível identificar na história toda a estrutura da “Jornada do Herói” de Campbell, tanto a personalidade do jovem protagonista quanto o desenrolar de seus passos montam um desenrolar quase grego, com as roupagens de um cenário russo pós-apocalíptico; é possível ver em Artyon a imagem de Perseu. Essa abordagem atrapalha e ao mesmo tempo acrescenta à história – fez com que as partes posteriores à Polis soassem um pouco perdidas, por exemplo –, mas certamente contribui para o ar de “jornada filosófica” que o personagem principal parece seguir.

O mundo de Metrô 2033 trará ao leitor uma verdadeira salada cultural. É possível encontrar sociedades e personagens de diversas crenças e religiões. Dentro do complexo de túneis se encontram comunistas, neo-nazistas, socialistas, capitalistas, cristãos, satanistas, pagãos e uma gama de outros “istas”, além de diversas outras ideias e pensamentos. No entanto, essa grande diversidade não é simplesmente jogada no livro. A maior parte das culturas e filosofias do metrô parece encontrar o seu papel e seu sentido, casando com a história de uma civilização que tenta se reconstruir a partir de fragmentos do passado. Passagens como a da criatura mutante abaixo do Kremlin trazem metáforas para com o mundo presente e indícios de uma crítica social que pode permear a fundação dos túneis escuros. Talvez, no fim das contas, o Metrô seja um monstro que parodia os tempos atuais.

Um vislumbre dos túneis, sob a visão de Artyon.

Por fim, nas palavras do próprio Artyon sobre o Grande Verme que escavou o mundo:

“– Sabe, já vi muitas coisas no metrô. Em uma estação acreditam que se cavar bem fundo, é possível chegar até o inferno. Em outra, que já estamos vivendo no limiar do paraíso, porque acabou a batalha entre o bem e o mal e os que sobreviveram foram escolhidos para entrar no Reino Celestial. Depois disso tudo, essa sua história sobre o Grande Verme de alguma forma, não soa convincente. Você, pelo menos, acredita no que diz?”

Então, ao ler o livro, prepare-se para encontrar de tudo nos túneis moscovitas.

Escrito por Renan Barcellos

Publicado por
– que publicou 16 posts no O Nerd Escritor.


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