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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui...
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Mar
08
2014

Nuvens de Algodão Doce

Daniel acordou em uma choupana. A primeira coisa que sentiu foi o cheiro forte de café que vinha através da porta. Era uma manhã linda lá fora. Pássaros cantavam e as árvores estavam repletas de flores. Era primavera.

Ele levantou-se da cama e calçou um par de chinelos que se encontravam ali. Alguém escutava uma música. Era uma melodia simples e cativante que agradou Daniel a primeira vista. Ele reconheceu a voz de Paula Toller. Era o Kid Abelha no rádio:

 

“Jogue suas mãos para o céu

E agradeça se acaso tiver

Alguém que você gostaria que

Estivesse sempre com você

Na rua, na chuva, na fazenda

Ou numa casinha de sapê”

Logo ele se pegou cantando junto. Não podia conter a alegria que irradiava daquele lugar. Sentou-se a mesa e pegou uma torrada. Passou manteiga (de verdade) e comeu lentamente. Estava delicioso. Depois serviu café e bebeu, enquanto continuava a cantarolar. Aquele era o melhor café da manhã de sua vida.

– Espero que esteja gostando. – disse uma voz. – Fiz especialmente para você. – quando Daniel levantou os olhos pôde ver, enfim, quem se dirigia a ele. Um judeu, de uns trinta e poucos anos, estava sentado diante dele. Apesar das feições claramente hebraicas, o homem possuía longos cabelos lisos e olhos tão azuis, que nem o mais belo dos céus no mais belo dos dias poderia comparar-se àquilo.

– Eu sabia que era você!  – sorriu Daniel.

– Ah, que pena! – lamentou o homem. – Acabou com minha surpresa.

Daniel levantou-se e deu a volta na mesa. O outro homem se levantou. Daniel o abraçou. Era um abraço carinhoso, como o que um filho dá a um pai, mas em proporções muito maiores. Quando se desvencilharam, o rosto de Daniel estava coberto de lágrimas.

– São de emoção. – ele disse, enxugando a face. – Mas você sabe não é?

O homem assentiu com um grande sorriso, que logo se tornaria uma grande gargalhada. Ambos começaram a rir incessantemente. Daniel se sentia muito feliz. Era assim que todos se sentiam na presença de Jesus.

 

+

– Está um belo dia para um passeio, não acha? – disse o filho de Deus. Estavam do lado de fora da choupana agora. Havia um belo jardim cercando a pequena casa de madeira. – Sabe – Ele prosseguiu – eu gosto muito deste tipo de casas. Choupanas, cabanas. Simplesmente me encantam.

– Eu ouvi algo sobre isso. – respondeu Daniel. – Então vamos? – ele estava ansioso pela caminhada.

– Claro. – respondeu Jesus. Ele andava com longas vestes brancas e com chinelos simples. Para qualquer um, caminhar com aquilo seria insuportável. Mas Ele não era qualquer um.

– Quando eu vejo isso – Daniel apontou para os chinelos Dele – eu sempre digo que são chinelos de Jesus.

– Há, há, há! – Ele gargalhou. – Sim. Gosto especialmente destes. São simples, mas muito confortáveis.

Continuaram caminhando, sem, no entanto, ficar cansados. Tampouco suavam. Aliás, o clima daquele lugar era bem diferente. Apesar de o Sol brilhar incessantemente em um céu praticamente sem nuvens, não se sentia calor. Uma brisa fresca e revigorante corria por ali, dando uma ótima sensação.

Eles andavam por uma trilha, que partia da choupana e ia dar em um bosque. Lá, frutas de todos os tipos cresciam em árvores ao longo da trilha. Estavam todas perfeitamente maduras. Eles colheram algumas durante a caminhada. Não se arranharam em nenhum espinho ao colher, e não havia uma única fruta bichada. Esquilos subiam livremente nas árvores. Outros animais também brincavam ali nos bosques. Um coelho aproximou-se de Jesus. Ele abaixou-se e pegou o animal no colo. Fez carinho nele e, por um instante, Daniel achou que viu o coelho sorrir. Jesus pôs ele no chão novamente e ele correu alegremente de volta para o bosque.

Logo estavam de volta à choupana. A trilha, que dava a volta no bosque, os levou de volta até lá. Daniel sentou na sacada. Não estava cansado, só queria sentir o clima dali. Jesus sentou a seu lado.

– Há tanto para perguntas. – disse Daniel.

– Sempre há. – Jesus respondeu.

– Então por onde começo?

– Por onde seu coração mandar.

Daniel parou e pensou. Em seguida disse:

– Por que há morte?

– Para que possa haver vida!

– Mas por que sofrimento?

– Porque o homem não pode saber quão doce é a alegria se não conhecer a dor.

– Mas precisamos mesmo conhecer ambas?

– E não foram vocês mesmos que escolheram isto. – Daniel fitou Jesus. Pensou em Adão e Eva e no fruto proibido. O fruto que permitiria conhecer ao bem e ao mal.

– Talvez seja esse o nosso problema. Somos curiosos demais.

– E esta também é sua maior qualidade. Veja quantas coisas belas já fizeram. O homem aprendeu a voar, a chegar ao fundo do oceano. Aprendeu a curar doenças, e a ajudar o próximo.

– Mas tudo isso virou um negócio.

– Infelizmente. Mas não podemos fechar a feira porque alguns peixes estão podres.

– Então ainda há esperança para nós?

– Daniel! – Jesus sorria. – Sempre há esperança! Agora vamos. Há outras coisas que quero te mostrar.

Eles deram a volta na casa e, para a surpresa de Daniel, foram parar no meio de um campo de copos-de-leite.

– É lindo! – disse Daniel.

– Sim! – Ele virou-se para o outro lado e disse. – Veja! Tem alguém vindo. – quando Daniel virou-se, um belo cão São Bernardo vinha em direção. Era seu primeiro cachorro, que morrera quando ele ainda era apenas uma criança.

– Apolo! – disse ele todo contente quando o cachorro saltou sobre ele. Ambos caíram, mas ninguém se machucou. Apolo lambia incessantemente o rosto de seu eterno dono. Ao lado, Jesus dava mais uma de suas gargalhadas.

– Parece que alguém sentiu saudades. – Ele disse. – É isso o que verdadeiros amigos fazem. Nunca se esquecem.

No chão Daniel chorava de alegria. Sentira tanta saudade daquele amigo.

– Ele vai nos acompanhar? – perguntou. Jesus assentiu. – Hei amigão! Eu também senti sua falta! – abraçou o animal com força. Apolo latia de alegria. Em seguida ele levantou, e eles continuaram a caminhar pelo campo.

Logo, deixaram os copos-de-leite para trás e começaram a descer uma pequena colina. No fim da descida, um rio de águas cristalinas os esperava.

– Poderia te pedir uma coisa? – Daniel perguntou.

– Nem precisa dizer. – Jesus respondeu, sempre com um sorriso. Caminhou até o rio. Chegando lá, caminhou sobre as águas, como na história. Deu a volta e retornou. – Aqui nem tem tanta graça. – ele disse. – É raso. Não passa de um pequeno ribeirão. Tem que ver quando fiz isso no oceano. – ele sorriu. – Foi uma cena.

Daniel o fitou por um instante. Depois sentou na praia. Apolo logo se uniu a ele. Acariciava o cachorro quando notou que a areia dali era a mais branca e limpa que já havia visto. Em seguida olhou para a outra margem. Do outro lado do rio havia uma cadeia de montanhas, cujos picos estavam cheios de neve. Notou quando Jesus chegou perto dele outra vez.

– Parece preocupado. – Ele disse.

– É que, daqui a pouco, tudo isso vai acabar.

– Não, Daniel. Nunca vai acabar!

– Eu quero dizer: logo eu vou acordar em algum lugar e, tudo volta ao normal. Sem mais caminhadas no bosque, sem cafés da manhã perfeitos, sem meu amigão aqui. – Apolo pareceu sentir a tristeza do amigo e recostou mais a ele.

– Bem, ainda podemos caminhar.

– Sim, mas não será a mesma coisa.

– Pode ser. Bem aqui! – Jesus apontou o coração de Daniel.

– É tão difícil. Acreditar, sabe?

– Sim. Mas tente. E eu saberei que está tentando.

– Prometo que irei. – Daniel começou a chorar. Esticou um braço e abraçou Jesus. Com o outro, continuava a afagar Apolo. Olharam para as nuvens no céu.

– Sabe do que me deu vontade? – Jesus perguntou.

– Do que?

– Comer algodão doce.

Eles levantaram, e correram em direção à choupana. Todos os três. Comeram algodão doce e olharam o por do Sol. Cantaram a luz da Lua (Apolo uivou com muita afinação) e contaram as estrelas no céu. E ali, naquele lugar, onde os olhos não podem alcançar, Daniel teve o melhor dia de sua vida.


Categorias: Agenda |

4 Comments»

  • Isso com as ilustrações corretas dá um belo livrinho infanto juvenil, pense nisso.
    Ficou muito bom.

    • Evandro Furtado says:

      Obrigado! Vou pensar assim.

      A propósito, acho que não viu algo. Como teve mais comentários na semana, você tem direito a escolher um conto seu da agenta pra ficar como conto da semana no fim de semana. Pode escolher até hoje a noite. Na página principal do ONE, lá do lado da agenda de contos, no lado esquerdo, tem uma seção de Últimas Noticias. Lá dentro tem o resumo da semana. Nesse post você comenta o nome do conto que quer que seja promovido.

      • Nem dá, sou mto tagarela e carrego o tablet comigo o tempo todo! E no tablet as páginas que eu me interesso ficam abertas, inclusive a do ONE, acabo comentando direto, já que eu leio a agenda todinha… Vou acabar monopolizando, desta vez vou lá matar a curiosidade, mas tem que dar uma olhada nessa regra!

        • Evandro Furtado says:

          Ha, ha, mas é boa a regra. E sempre tem aquela semana em que alguém está inspirado!

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