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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Mar
13
2014

O Cocôsão

Júlio e Elizabeth chegaram encontraram a casa em poucos minutos. Aquele era um bom lugar para se esconder da chuva.

– Parece abandonada. – ela disse. – Pode haver animais aí dentro.

– Prefere ficar na chuva? – ele perguntou.

– Não.

– Então vamos.

Pra sua surpresa, a porta estava destrancada.

– Talvez alguém more aqui ainda. – ela sugeriu.

– Duvido muito. Veja. – ele apontou as paredes. – Está caindo aos pedaços. – ele girou a maçaneta e entrou. Elizabeth o seguiu.

Aquela era uma casa muito velha. E não havia dúvidas de que ninguém morava por ali. Os móveis estavam completamente empoeirados, as cortinas rasgadas, as vidraças quebradas. O chão rangia a cada passo.

– Talvez seja melhor procurarmos outro lugar. – Elizabeth parecia assustada.

– Está com medo querida? – Júlio zombou. – Não se preocupe, é apenas uma casa velha, mas vai aguentar. Aliás, está caindo o mundo lá fora. Seria arriscado sair. – ele se sentou em um sofá que havia. Era de um verde abacate que irritaria as vistas se não estivesse desbotado. Júlio achou a peça de péssimo gosto.

– Que azar o carro ter quebrado justo durante a tempestade. – ela sentou-se ao lado dele. – Parece coisa do destino.

– Não acredito nessas bobagens. Não passam de superstições tolas.

– Isso não é verdade. Eu acredito nessas coisas. Tia Clotilde tinha muito disso.

– Aquela que dizia que ia chover toda vez que doía o dedão direito? – ele ironizou.

– E ela sempre estava certa.

– Qual é? A mulher tinha osteoporose. Qualquer mudança mínima no tempo e ela sentia dor nos ossos. Aliás, era basicamente do que ela era feita. Quantos anos ela tinha quando morreu? Duzentos?

– Pare de zombar, Júlio. – ela lhe deu um tapa no ombro. – Ela morreu relativamente jovem.

– Sim. – ele assentiu. – Para o padrão das múmias.

Ela dirigiu-lhe um olhar reprovador. Preparava-se para dizer algo quando um barulho chamou sua atenção.

– Ouviu isto? – ela perguntou.

– Devem ser apenas ratos.

– Não. Veio do andar de cima. Parecia grande.

– Uma capivara então.

– Não acho. Deve ser… – a dúvida parou em sua cabeça. – O que disse? Uma capivara? Esses bichos entram nas casas?

– Não, eu estava brincando. Se sentiria mais tranquila se eu fosse dar uma olhada?

– Sim.

– Certo. Já volto.

Ela viu quando ele começou a subir as escadas. Uma sensação de tranquilidade tomou conta dela. Então percebeu que estava sozinha naquela sala. Tranquilamente Elizabeth levantou-se do sofá e subiu as escadas, em busca de Júlio.

 

+

            Ele caminhava lentamente, um passo de cada vez. Percebera, há poucos instantes, que aquele lugar lhe dava arrepios. O chão, que rangia a cada passo, parecia frágil, prestes a desabar a qualquer momento. Mas não era só isso. A casa era feita inteiramente de madeira, e havia frestas entre as tábuas, que permitiam a passagem de ar, e faziam aquele barulho horrível que parece o assovio de alguém que não pertence mais a esse mundo.

Júlio olhava em cada porta, pronto para se defender se algum bicho saísse daquele lugar. Ao longe um coiote uivou. “Existem coiotes aqui?” pensou. Um arrepio percorreu seu corpo. Talvez tenha sido aquela atmosfera de suspense que tenha feito com que o susto que levou fosse tão horrível.

– Jesus, Maria, José e todos os santos juntos! – ele gritou enquanto saltava dois metros do chão. Uma mão fria havia tocado seu ombro. Ele caiu de joelhos, rezando. – Pelo amor de Deus, me deixa! Não me leva pro outro mundo não! – ele parou. Percebeu a idiotice que estava fazendo. Abriu os olhos e encarou Elizabeth, às gargalhadas.

– Não disse que não tinha medo? – ele zombou.

– Você me assustou, droga! – praguejou enquanto se levantava. Durante o movimento, sem querer, olhou para uma das paredes. Havia desenhos ali, provavelmente feitos por crianças há muito tempo. – Veja isto. – ele apontou.

– Desenhos de giz de cera. Você nunca desenhou nas paredes quando era criança?

– Nunca fiz nada como isto. – Júlio olhava para os riscos. Muitos deles apresentavam um monte de crianças, a maioria de mãos dadas em roda. No centro uma figura estranha se destacava. – Parece… – ele disse – Parece um cocô! Que tipo de criança desenha um cocô? – continuou a seguir a parede, Elizabeth ao lado dele. Os desenhos iam se modificando, como que contanto uma história. Mais a frente um deles chamou a atenção de Júlio. A coisa que ele julgou ser um cocô atacava outras figuras. Aquelas, no entanto, não eram pequenas como as das outras imagens. Pareciam adultas.

– Júlio! – Elizabeth o chamou. – Isso é muito estranho.

– Não se preocupe, querida. Como você disse: são só desenhos. – mas ele não tinha tanta certeza assim.

Andaram mais um pouco. Mais a frente os desenhos simplesmente sumiam. Não havia mais pinturas nas paredes, que se apresentavam limpas. Júlio percebeu como o andar de cima parecia muito maior que o de baixo. Mas ignorou isto.

Logo, outro fato estranho aconteceu. Começaram a sentir um cheiro ruim, que se aproximava pouco a pouco. Logo, o fedor foi se tornando mais e mais forte, até se tornar praticamente insuportável.

– Vem do banheiro. – Elizabeth disse. – Será que tem algum cadáver por aqui Júlio?

– Duvido. Isso não é cheiro de cadáver, é cheiro de merda mesmo. – e ele não estava errado, o fedor, inconfundível às narinas humanas, era de fezes humanas. “Alguém deve ter se cagado demais por aqui”, Júlio pensou.

Continuaram a caminhar pelo corredor até chegarem à porta do banheiro, e a surpresa surgiu. Ao contrário do que esperavam, aquele lugar não estava nem um pouco deteriorado. Era como um lindo oásis perdido no meio do deserto. Limpo e de azulejos tão brancos que pareciam feitos do mais puro marfim, o banheiro os impressionou. Era um sanitário simples. Uma pia e um vaso sanitário, ambos incrivelmente brancos e limpos. Apesar de toda essa beleza, o fedor insistia em atacar-lhes as narinas.

– Isso está muito estranho! – Júlio notou.

– É melhor a gente ir embora. – Elizabeth puxava seu braço.

– Espere, preciso ver algo!

– Não, Júlio. – ela insistia. – Vamos! – mas ele se desvencilhou dela, e Elizabeth não ousou segura-lo de novo. Júlio avançou em direção ao vaso sanitário. O fedor todo parecia partir dali. Foi então que aconteceu.

Quando olhou para dentro do vaso ele notou que alguém tinha deixado um presentinho. “Um torote” ele pensou “Só um maldito torote. Mas fedido pra caramba”. Foi então que aquele negócio começou a crescer. Crescer e inchar. Em pouco tempo já não cabia mais na privada. Júlio recuou em direção a porta, mas já era tarde demais. O cocô já alcançava quase sua altura e, ele pôde perceber, já possuía um par de olhos e uma bocarra imensa que, literalmente, tinha um hálito de bosta.

– Hmmmmmmmmm! – disse o monstrengo. – Visitantes! Faz tempo que não recebo alguém.

– Quem é você? – Júlio perguntou.

– Eu? Eu sou o Cocôsão, o rei de todos os cocôs!

– Tá. Mas o que é você?

– Um cocô, ora.

– Mas cocôs não têm vida. – Júlio rebatou.

– E você já perguntou pra eles?

– Eu não converso com cocôs. – então percebeu o que estava fazendo. – Escuta aqui sua coisa esquisita, o que você quer?

– Comer vocês.

– O que?

– Sim. Meu prato favorito são os adultos. Crianças eu não como porque elas respeitam os cocôs. Mas vocês adultos, nos tratam como se fossemos pedaços de merda.

– Oxe! – Júlio estava inconformado. – Mas é o que são.

– Mas não merecemos ser tratados assim.

– Mas é assim que é.

– E é por isso que vai morrer! – Júlio tentou andar para trás mas não conseguiu. O cocôsão avançou sobre ele e começou a encobri-lo. Atrás de si ele pôde ouvir a voz de Elizabeth:

– Meu amor! – ela gritava. – Meu amor, acorde!

Júlio abriu os olhos e percebeu que tudo não passara de um sonho. Um sonho pra lá de esquisito.

– O que aconteceu? – ele perguntou assustado.

– Você estava tendo um pesadelo. Fui atender a porta e quando voltei você estava gritando. – ela já ia se tranquilizando. – A propósito, o encanador já consertou o vazamento que estava lhe dando nos nervos. Ele disse que não precisa se preocupar, não vai haver mais vazamentos.

– Quer dizer que tudo foi um sonho? – ele passava as mãos sobre os cabelos. Estava suado. – Acho que vou tomar um banho.

– Certo. – Elizabeth concordou. – Vou preparar um café. – ela lhe deu um beijo e seguiu para a cozinha.

Júlio seguiu para o banheiro. Tirou a roupa e já ia entrar no box quando percebeu que precisava fazer outra coisa. Sentou-se no vaso e fez o que tinha que fazer. Durante aquele instante crucial da vida, pensou nos segredos no universo. Não há melhor momento para o homem filosofar do que aquele. Pegou o papel higiênico, se limpou e preparava para dar descarga quando se lembrou do sonho.

– OK então. – ele encarou o toroço. – Tchau, seu cocô filho da puta. – deu descarga e foi tomar banho.


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