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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Mar
17
2014

O Coveiro

Quem enterra o coveiro? Aquela pergunta lhe surgiu durante aquela tarde ensolarada de Abril. Exumava um corpo quando a questão simplesmente ecoou em sua mente. “Outro coveiro, é claro” ele respondeu a si próprio, e continuou o seu ofício.

A mulher que ele tirava da tumba se chamava Fátima. Morrera fazia cinco anos, e conta a história, precisaram de cinco homens fortes de cada lado do caixão para carrega-la, com revezamentos a cada cinco minutos. Quando morreu, ela não pesava mais de 40 quilos. Mas dizem que não queria morrer. Por isso o caixão pesou tanto.

Ele parou de pensar naquilo, devia prestar atenção no que fazia. Apesar de trabalhar com aquilo há mais de trinta anos, ainda tinha medo de cometer erros. Colocar uma ossada em um lugar errado, acabar deixando uma parte para trás, tudo isso era uma possibilidade. Para os outros, talvez, aquilo eram erros insignificantes. Não para ele. Quando se trabalha trinta anos nessa profissão, coisas pequenas parecem se tornar importantes. E se alguma vez cometesse um erro e o morto voltasse para assombrá-lo? Não que acreditasse nisso, mas era melhor não se arriscar.

Lembrou-se de uma vez em que foi exumar um corpo de um homem. Fora o pior dia de sua vida. Quando abriu o caixão, viu que o corpo estava virado, deitado de bruços. Tentou tranquilizar-se, dizendo a si mesmo que havia virado no caminho do velório até a tumba. Nunca se convencera totalmente. Sabiam que tinham enterrado aquele homem vivo. E esse era seu pior medo. Ser enterrado vivo. Por isso que gostaria de ser cremado.

Foi interrompido de seus afazeres por uma mulher que passava por aqui. Perguntava por uma tumba, provavelmente do filho ou do marido. A mulher, ele pôde perceber, tinha olheiras enormes. Havia chorado muito ultimamente. Talvez fosse uma morte recente. Ele respondeu a pergunta rapidamente e com secura. Não estava acostumado com os vivos. Seus melhores amigos eram os mortos. Não falavam muito, não reclamavam como a vida era dura ou como estava calor e eram ótimos ouvintes. Uma companhia em tanto.

Finalmente ele terminou seu afazer. Era como uma missão cumprida. Um peso saiu de seus ombros. Sentiu-se feliz. Mais uma alma descansava em paz.

Sentou-se na beirada de uma tumba e olhou para o céu. As nuvens escuras, somadas a uma brisa gelada que soprava, anunciavam chuva. “É bom para as plantas”. ele pensou. “E os agricultores agradecem”. No final das contas, talvez era o que ele fosse. Um agricultor. Mas não plantava para que crescessem, para que brotassem. Seu trabalho era marcar o fim de um ciclo. E talvez o inicio de outro. Talvez alguém pudesse colher algo daquilo, no futuro.

Ele levantou-se, pensando mais uma vez. Quem enterra o coveiro?


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