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Mar
14
2014

O jogo dos poderes-II

Augusto não conseguira dormir bem durante a noite. Pesava sobre seus ombros a responsabilidade dos próximos seis meses. Seria o primeiro da família Jano a governar as terras romanas. Todos os seus ancestrais eram militares, e de ótima qualidade. Seu avô, por exemplo, com apenas 20 anos, dois a mais que Augusto, havia matado Asdrúbal Barca no ano de 207 a.C, durante a segunda Guerra Punica.
Tudo apenas piorou quando seu pai lhe entregou a espada que pertencia ao avô, o mesmo que ceifara, anos antes, o “terror de Roma”. Os irmãos Barca quase destruíram Roma anos antes e receberam as alcunhas de terrores de Roma. Flávio sempre contou as histórias militares da família para seu filho, as batalhas vencidas, perdidas e a morte honrada de todos os seus antepassados. A espada também era um peso para Augusto.
Olhava para o pai dormindo, sua expressão era feliz e serena. O pai fora forjado em batalha, conquistara o título de herói há cinco anos, quando lutava na Península Ibérica contra Púnico, um cacique lusitano que instaurara novamente uma revolta na região da Hispânia. Flávio estava sob o comando do pretor provincial Lúcio Múmio. No começo, os legionários romanos perdiam a guerra, até que Flávio subiu em um cavalo que havia caído perto dele, pegou um pilo, espécie de lança romana, e arremessou, de uma distância considerável, em Púnico. Diz a lenda que a lança transpassou o corpo do comandante, deixando o exército inimigo perplexo e levantando o moral dos romanos. Foi considerado herói, pois, após a morte do cacique, o pretor conseguiu mudar o caminho da guerra.
Pela janela, Augusto conseguia ver que o dia amanhecia, o sol nascia entre os montes do leste. Seria um grande dia. Pegou sua toga cândida lembrando-se do dia em que seu pai lhe dera. Logo após ter virado um herói, ele ganhara algum dinheiro a mais pelos feitos em batalha. A primeira coisa que fizera ao receber esse dinheiro fora comprar a toga para seu filho. Ela era branca e era usada pelos candidatos a cargos públicos. Flávio se orgulhava do filho mesmo ele não atendendo a toda história familiar. Seu pai sempre brincava com ele sobre ele ser o melhor diplomata da família Jano. Falava também que um dia ele se tornaria cônsul, ambos apenas não imaginavam que o cargo público que Augusto ocuparia seria o de ditador, muito menos em um momento tão delicado.
_Deveria ter comprado uma para mim também, quem imaginaria que eu ocuparia um cargo público? Pensava que já havia chegado ao auge ao virar um centurião.
_Deveria mesmo, pai, mas não combinaria com você. Além do mais, não se sentiria bem usando uma toga dessas num lugar tão hostil.
_É verdade. O senado hoje poderá ser palco de um banho de sangue. Me sentiria nu sem meu equipamento de trabalho. Já pegou seu presente?
Augusto olhava para a espada de seu avô. Nunca soubera usar uma arma, mas sabia que poderia ser útil mesmo que para uma possível defesa pessoal. Não se sentia confortável com a ideia de que poderiam tentar matá-lo hoje, muito menos com a ideia de que poderia ter de matar alguém.
Seu pai sempre lhe dissera que “matar só é difícil quando não se está no calor da batalha ou quando a vítima está desarmada”. Por isso, se recusava a executar pessoas. Dizia ele que “a execução pesa sobre a cabeça, pois você está vendo a pessoa ali, indefesa, olhando para você muitas vezes com expressão de súplica”.
_Estou pegando, pai.
_Não se preocupe filho, fique perto de mim. Caso uma batalha comece, te escoltarei até a saída mais próxima. Tenho certeza que Mânio deixou vários legionários de prontidão.
_Pai, não quero matar ninguém.
_Filho, provavelmente não precisará matar ninguém, mas já é um homem e deve se proteger se tentarem lhe ferir. Se alguém te matar, estará morto também. Nem que eu morra logo em seguida. Então por que não me poupar do sofrimento e se poupar da privação à vida?
Augusto sabia que seu pai estava certo, e que não mediria esforços para que aquele que o matasse tivesse um fim trágico, mesmo que isso significasse a morte para ele. O homem assinaria sua própria sentença ao matá-lo.
_Tudo bem, pai, vamos andando.
_Ótimo.
O senado romano era lindo, tinha um jardim grande e muito belo, de grama baixa e várias flores de várias cores. De tempos em tempos, apareciam estátuas como de Lupa amamentando Remo e Rômulo, o mito dos fundadores de Roma. Bustos de várias personalidades importantes, os sete reis romanos da antiguidade, várias estátuas comemorativas sobre as guerras e ali, no final da escadaria, estavam as doze tábuas, as primeiras leis romanas. Augusto estudara cada uma delas há anos e sempre ficou encantado. Adorava leis.
Não era a primeira vez que Augusto estava no senado, mas agora era diferente. Estava entrando como apenas Augusto e poderia sair como ditador, começar a carreira pública no topo. Entretanto, ao mesmo tempo que havia felicidade, havia insegurança e medo. Começaria de fato no topo, mas seus problemas também seriam grandes.
Estão confiando em mim, todos estão dizendo que sou capaz, então deve ter alguma verdade por trás disso. Meu avô com apenas 20 anos matou Aníbal, minha tarefa não deve ser tão mais difícil do que isso.
_Filho, está preparado?
_Sim, vamos logo, o povo precisa de nós.
Entraram no senado. Passando por um corredor, via-se que por dentro havia arquibancadas em forma ogival, para acomodar os senadores que, no momento, se encontravam sentados. Logo na entrada, quando a sala se expandia para os lados, havia cadeiras para espectadores. Flávio se sentou na primeira cadeira do lado esquerdo e Augusto, do seu lado. Os senadores até entendiam a presença do jovem Augusto, pois sempre que havia uma reunião do senado ele assistia aos trabalhos feitos na casa. Mas aquele centurião?
_Pai, está vendo aquelas duas cadeiras no centro do salão? É lá que ficam os cônsules do ano, e aquelas letras ali na parede da frente, S.P.Q.R, significam Senatvs Popvlvsqve Romanv…
_Sei o que significa, garoto. Essas mesmas letras ficam nos estandartes das nossas legiões. O Senado e o Povo Romano.
No exato momento em que Flávio terminava de sussurrar essas palavras ao filho, os cônsules entravam no salão olhando para a parede com as inscrições. Suas expressões eram decididas e, pelo caminhar, impunham respeito. Usavam uma toga feita de lã e totalmente branca, a toga virilis, que era comumente utilizada por homens romanos que já fossem adultos. Eram seguidos pelos lictores, que pararam na porta e se entreolharam enquanto ambos os cônsules se sentavam.
Todos se cumprimentaram e Mânio pediu a palavra perante o senado.
_Bem sabem, senadores, que são dias trevosos para a história eterna de Roma. Sabemos que por culpa de Galba, vivemos uma possível instabilidade nas terras da hispânia. O povo há de querer vingar-se de uma desonra como aquela, pode não tardar um ano para surgir outra revolta. Roma tem muitos inimigos, pois tem muito poder. Há também o usurpador do trono da Macedônia que provavelmente já está fazendo alianças com nossos inimigos para iniciar uma investida militar contra nós. Como se tudo isso não bastasse, nosso pretor Juventus foi morto pelo pseudo-Felipe e novo rei, que não reconhecemos, macedônico. E ainda temos, antes que eu me esqueça, a revolta popular que clama pela destruição de Cartago e, se não fizermos nada, viveremos uma guerra civil. Por isso, meus compatriotas, eu e Lucio resolvemos indicar Augusto Jano, filho de Flávio Jano Heron, algoz de Púnico nas rebeliões na hispânia, descendentes dos primeiros soldados romanos, já na época de Rômulo e Remo. Eu mesmo supervisionei a educação de Augusto e lhes garanto, senhores, que ele está preparado para o cargo.
Um dos senadores mais velhos, criador da frase “Delenda est Carthago”, estava apreensivo, pensando se o governo estaria mais protegido ou menos protegido com aquele moleque no poder.
_Respeito muito suas palavras, Mânio, mas penso que ainda não é hora de colocarmos um ditador em Roma, não estamos vivendo momentos tão conturbados assim.
Flávio levantou-se. Augusto temia que seu pai fosse rude com os senadores e acabasse com as chances de chegarem aos cargos, como o plano dos cônsules. Ou pior, iniciar uma batalha dentro do senado, o que poderia matar os dois ou obrigá-lo a usar o presente do pai.
_Senhores senadores, lembrem-se que Cartago foi nossa maior inimiga. As duas guerras púnicas foram arrasadoras para Roma, e a família Barca prova-se um flagelo para nossas terras a cada geração. Não duvido que existam outros Barca comandando o exército cartaginense. A família Barca é como a família Jano em Roma, uma grande tradição militar desde o começo da história púnica. Devemos atacá-los agora enquanto estão desorganizados e com poderio militar baixo.
Os senadores olhavam fixamente para Flávio, estavam todos tensos no senado. Mais uma vez o velho pediu a palavra para rebater o homem.
_Mas não sabemos se há outro Barca no comando do exército púnico. Não seria melhor mandarmos uma força expedicionária antes de proclamarmos um ditador?
_Senhor senador, devemos acabar com Cartago o mais depressa possível, possivelmente iremos enfrentar as falanges Macedônicas do usurpador que, neste momento, deve estar firmando alianças com os inimigos de Roma. Não podemos deixar que Cartago e o usurpador unam forças. Possivelmente, também enfrentaremos revolta na hispânia, causada pelo digníssimo, hoje senador, Sérvio Sulpiciu Galba.
Galba enrubesceu de raiva, com sua mão direita procurava o gládio, que usava desde a guerra contra os lusitanos, a mesma a que Flávio se referiu. Queria sentir o poder que o artefato lhe proporcionava, mas, para sua infelicidade, o objeto não estava com ele. Isso só serviu para deixá-lo com mais raiva. Flávio olhava fixamente para ele, a expressão de desgosto e ódio era evidente e a atmosfera no salão ficou extremamente pesada com a menção do triste episódio.
Augusto se levantou para pedir a palavra, mas já era tarde. Galba pulou no lictor que estava a sua frente, passando por cima de duas fileiras de senadores apenas para roubar o gládio daquele homem, pois ansiava por cravar a arma no peito de Flávio, que não perdia a oportunidade de ultrajá-lo pelo episódio na península Ibérica. Flávio também era louco pelo acerto de contas, mas não fora apenas por isso que provocara Galba.
Os lictores fizeram uma barreira em volta de Galba, Flávio, que já se posicionava junto aos lictores, gritava pedindo justiça, não contra os crimes que Galba cometera na hispânia, mas sim contra a tentativa de homicídio de um romano em pleno senado, e o pior, de um aspirante a cargo público.
_Senhores senadores e cônsules, vejo essa reação de Galba como uma tentativa de assassinato de aspirantes a governantes de Roma. Isso é, no mínimo, traição. Vejam, senhores, como até mesmo combatentes estão nervosos com a proximidade da guerra.
Augusto agora via o que o pai fizera, algo muito esperto, aliás. Fazendo um de seus membros perder a razão, encurralou o senado, jogando-o contra si próprio, e colocando apenas uma solução: a ditadura.


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