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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Mar
16
2014

Ratos

ratos

A história que vou contar aconteceu quando eu tinha pouco mais de cinco anos. Eu havia acabado de passar por uma fase difícil. Vinha sofrendo de um mal que assola a grande maioria das crianças: pesadelos. Tudo começou quando havíamos nos mudado – eu, meu pai e minha mãe – de Los Angeles para uma pequena cidade no interior do Kansas. Meu pai havia conseguido um bom emprego numa companhia elétrica – como supervisor sênior ou algo parecido. Toda tarde ele partia na camionete velha para verificar se não havia nenhum problema. Voltava por volta de nove horas da noite, me contava uma história e ia dormir. Mas o que realmente quero contar aconteceu certo tempo depois.

Havia pelo menos dois meses que eu não sofria de nenhum pesadelo – devido principalmente às sessões com psicólogos que minha mão me obrigara a fazer. Tudo ia muito bem. Meu pai estava ganhando um bom salário e minha mãe estava bem feliz. Era uma noite normal. Meu pai havia chegado umas oito horas e havia me contado mais uma de suas histórias – e o velho Josh Carter contava histórias como ninguém. Havia ido se deitar pouco depois das nove e me deixara sozinho em meu quarto.

Vivíamos numa casa pequena – porém confortável – feita de madeira. Quando vinha o frio minha mãe costumava vir me cobrir com não sei quantos cobertores, e, mesmo assim, não era o suficiente. Apesar de frio, meu quarto era bem aconchegante. O único problema eram as paredes, que eram compostas de tábuas antiquadas – a grande maioria quase soltas – que tinham quase cinco centímetros de espaço entre elas. Isso seria o bastante para assustar qualquer criança na minha idade, mas eu nunca tive medo. Pelo menos até aquela noite.

Era uma noite chuvosa e fazia muito frio. A janela de meu quarto batia e fazia um barulho terrível que não me deixava dormir. Mas não foi o barulho da janela que me assustou.

Na primeira vez que ouvi aquele som não pude identificá-lo direito. Não sabia o que podia ser. Só sabia que vinha do meio daquelas tábuas soltas da parede.

Quando ouvi o barulho tratei logo de cobrir a cabeça – é curioso que, quando criança, o cobertor parece nossa maior proteção, se fosse hoje, preferia ter uma arma. Mas o barulho não parou. Continuou aumentando lentamente. Como já disse no começo não pude identificar, mas com o passar do tempo comecei a ouvir pequenos guinchos. Depois comecei a ouvir passos. Não passos de pessoas, mas pequenos passinhos, como se fossem de alguma criatura bem pequena. Resolvi juntar toda minha coragem e olhar para a parede, o lugar de onde vinha o barulho. Antes não tivesse olhado.

Quando olhei por entre as tábuas dois pontos vermelhos me encaravam: eram dois olhos. Eu não consegui me conter e gritei o mais alto que pude.

Logo meus pais vieram correndo para saber o que tinha acontecido.

– O que foi meu filho? – era meu pai quem perguntava.

– A parede papai. – eu não parava de tremer. – A parede.

– Não há nada lá Scott – dizia minha mãe. E não havia nada mesmo. Os dois pontos vermelhos haviam desaparecido. – Devem ser os pesadelos que voltaram. Não é melhor ligarmos para a psicóloga querido?

– Não é preciso Sandra . Já é tarde e não creio que tenham sido pesadelos. Essa casa é velha e têm ratos por aqui. Deve ser isto o que Scott viu. – meu pai aproximou-se da parede lentamente. Quando estava perto o bastante para tocá-la, um rato pulou de dentro dela direto no pescoço de meu pai. Ele gritou e começou a bater nele fortemente, mas o rato não soltava. Mordia e mordia o pescoço do velho Josh e eu já podia ver o sangue que jorrava de sua jugular. Minha mãe tentou ajuda-lo, mas ao aproximar-se outro rato saiu da parede – este um pouco maior – e saltou sobre seu rosto. Este também mordia. Pouco a pouco foram saindo ratos da parede, uns maiores que os outros, e foram saltando sobre meus pais. Até que uma das tábuas se arrebentou e saiu de lá um rato do tamanho de um cachorro São Bernardo, que logo se uniu aos seus companheiros. Josh e Sandra Carter já estavam no chão quando da parede saiu algo que nunca serei capaz de esquecer. Eu não sei se era um homem ou um rato – não, não é um trocadilho. Sua cabeça era de rato. Tinha rabo. E pelos por todo o corpo. Mas andava sobre duas pernas e pude jurar que estava usando um chapéu velho. Ele se aproximou do corpo já inerte de meus pais e quando fez isto os outros ratos – inclusive o São Bernardo – se afastaram. Ele segurou uma perna de cada um com suas mãos meio humanas, meio de rato, e puxou-os para dentro do buraco. E todos os ratos foram atrás dele. Não me deram a mínima atenção e eu fiquei lá, sozinho, congelado de medo.

No dia seguinte nossa vizinha – uma velha viúva muito gentil chamada Sra. Jones – veio ver se estávamos bem. Quando percebeu que a porta estava trancada e ninguém atendia por seus chamados, resolveu ligar pra policia. Eles chegaram vinte minutos depois, arrombaram a porta e me encontraram ainda na cama, paralisado pelo medo, e um grande buraco na parede. Fizeram-me uma série de perguntas e eu contei tudo pra eles, tudo. Não sei se acreditaram em mim, mas saíram em busca dos meus pais. Nunca os encontraram e não viram nem sinais dos ratos.

Hoje eu tenho 38 anos. Moro em Las Vegas e trabalho num dos vários hotéis cassino da cidade. Sou casado e pai de três filhos. Há pouco tempo visitei minha velha amiga Sra. Jones – ela me adotou quando meus pais morreram e me criou até eu atingir a maioridade – no Kansas. Ela está com 98 anos, mas muito lúcida. Contou-me que nossa velha casa havia sido demolida havia dois anos. Disse que o pessoal da construtora ficou impressionado com a quantidade de ratos que havia na casa e que, quando conseguiram remover os destroços, acharam no terreno um grande buraco que dava para o esgoto. Alguns homens disseram que ouviram barulhos horríveis vindos lá de dentro, mas ninguém nunca teve coragem de olhar. A construtora tapou o buraco e ninguém nunca mais ouviu nada.

Eu ainda sonho com aquela noite. Quando vejo algum rato não vou pra cima dele. Vou até a minha escrivaninha, abro a gaveta e pego meu revólver. Atiro no desgraçado e só me aproximo quando tenho certeza de que está morto. Sei que não é o bastante. Nunca vou conseguir matar todos. E há aqueles que não posso matar. Sei que existem aqueles ratos gigantes, do tamanho de cães São Bernardo – quem sabe maiores – nos esgotos de cidades como Nova Iorque e Los Angeles. Quem sabe aqui em Vegas. E tem o homem-rato, usando seu chapéu velho e comendo carne humana. Talvez um dia eu visite o desgraçado. Talvez eu volte para aquela cidade e abra aquele buraco. Entre nos esgotos e saia numa procura cega. Quem sabe eu ache o maldito e tenha a minha tão sonhada vingança.


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