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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Mar
07
2014

X-Bacon – Projeto Conto em Conjunto, Capítulo Dois

xbacon

Capítulo Um

 

O prédio em que Bernardo morava era um dos edifícios mais altos da Avenida Júlio de Castilhos, no Centro da cidade de Caxias do Sul. O imóvel, construído na década de 80 por um grande empresário porto alegrense, tinha por objetivo, inicialmente, ser um edifício comercial. Entretanto, devido à falta de procura, o prédio acabou se tornando também residencial, o que continuava até os dias de hoje.

Bernardo estacionara o Opala em frente ao prédio. Lembrou-se que não tinha o controle da garagem. O pai havia levado. Pensou duas vezes se deveria pedir ao porteiro que a abrisse. Então percebeu que teria de responder a uma série de perguntas. Resolveu parar o carro por ali mesmo. Fechou os vidros, pegou a chave e saiu. Lembrou-se então que havia esquecido algo. Voltou ao carro e pegou os lanches.

Entrou no prédio questionando-se se devia subir ou não. Alguém poderia estar esperando-o lá em cima. Alguém que queria mata-lo. Isso despertou certo sentimento de terror nele. Por que queriam mata-lo afinal de contas? O que foi que ele fizera? Uma mão tocou seu ombro, o que fez com saltasse quase um metro do chão.

Quando se virou, notou que era Carol, a garota do elevador que estava ali.

– Você demorou! – disse ela em tom irritado.

– Bem… – respondeu ele sem entender muito bem. – eu havia saído com meu pai para comprar uns lanches e… – ele parou. – Espere! Você era a garota no telefone.

– Nossa! – ela ironizou. – Como você é esperto! Trouxe os lanches.

– Sim. Estão aq… – ela arrancou o saco de suas mãos.

– Não dá tempo pra comer agora. Vamos.

– Pra onde?

– Pra cima é óbvio. Precisamos pegar algumas coisas antes de partir. – ela ia caminhando em direção ao elevador.

– Partir? – disse ele a seguindo. – Mas pra onde?

– Qualquer lugar fora daqui. Acha realmente que aqueles caras não sabem onde você mora?

– Eu nem sei quem são aqueles caras.

– Pois não sabe a sorte que tem. – ela disse cabisbaixa. Entrou no elevador e Bernardo a seguiu. Ela apertou o botão correspondente ao andar deles e o elevador começou a subir. Durante a subida ela pareceu incomodada. Não estava nem um pouco a vontade ali. Bernardo questionou-se se ela não sofria de claustrofobia. Por fim o elevador parou, e eles saíram. – Primeiro vamos no seu apartamento. Precisamos pegar algumas coisas de lá.

– OK. Aproveito e aviso minha mãe. – quando ele disse isto ela virou-se.

– Sua mãe?

– Sim.

– Não tenho certeza se ela vai estar aí.

– Como você pode saber?

– Simplesmente sei, OK?

– E afinal de contas quem eram aqueles caras?

– Não há tempo pra discutirmos isso agora. Teremos tempo mais tarde.

– E como você sabe de tudo isso?

Carol parou. A mão na maçaneta. Olhou para ele, com ar de reprovação.

– Garoto, você faz perguntas demais. – ela girou a maçaneta e a porta se abriu. Não estava trancada. – Alguém passou por aqui antes de nós. – aquilo fez Bernardo estremecer. – Como é o nome de sua mãe?

– Rosângela.

– Dona Rosângela? – ela chamou pela fresta que abrira da porta. – Está aí? Tudo bem, aqui é a Carolina, a nova vizinha. Estou com seu filho. Vamos entrar, OK? – ela olhou pra ele e fez um sinal positivo. Colocou a mão na parte de trás da blusa, o que fez Bernardo pensar: “O que diabos ela está fazendo?”. Surpreendeu-se quando ela tirou um revólver.

– V-vo-você… – ele gaguejou. – Você tem uma arma?

– E acha que eu entraria aqui desarmada? Não seja estúpido, garoto. – ela o ignorou e entrou no apartamento. Tudo parecia tranquilo. Não havia cadeiras reviradas, nem quadros quebrados, como ela imaginava. Tudo estava quieto. Quieto até demais. Carol vasculhou todo o apartamento. Olhou os quartos, o banheiro, enfim, tudo o que poderia ser revistado. Não encontrou ninguém. Voltou até a sala, onde Bernardo a aguardava. – Está limpo. – disse ela, guardando a arma. – Não tem ninguém no apartamento.

– Pelo jeito nem minha mãe, né? – disse ele, desolado.

– Rápido. Precisa pegar suas coisas.

– O que devo pegar? – ele questionou.

– Roupas, escova de dentes, essas coisas. Alguma coisa a qual seja muito apegado. Não creio que vá voltar ao apartamento tão cedo.

– Tudo bem. – disse ele se dirigindo ao quarto. – Não demoro.

Enquanto Bernardo arrumava as malas, Carol continuou vasculhando a sala. Havia alguns troféus de seu pai, da época da faculdade. Um certificado da mãe, ganho em um concurso de tortas, realizado na tradicional feira das uvas. Havia alguns retratos também. Em um deles Olavo e Rosângela pareciam sorridentes, enquanto uma Bruna com cerca de três anos, parecia não muito a favor de tirar fotografias. Mas onde estava Bernardo? Provavelmente tirando a foto, é claro. Mas e nas outras fotos. Carol percorreu a sala, olhando os outros retratos. Não havia nada de Bernardo por lá. Nem mesmo uma foto de formatura do Ensino Médio, daquelas que saem horríveis, mas que as mães insistem em exibir no lugar mais evidente da sala, graças a um ingênuo sentimento de satisfação, o qual, elas acreditam, os filhos compartilham.

Bernardo, enfim, voltara à sala. Carregava uma pequena mala.

– Tem certeza de que isso vai dar? – Carol perguntou.

– A mulher aqui é você. – ele brincou. E ela correspondeu com um sorriso. Resolveu não falar nada sobre as fotografias. Não queria deixa-lo mais preocupado. Saíram do apartamento. Ele com a mala, ela com o saco de lanches.

Cruzaram o corredor, até chegar ao apartamento dela. Ela destrancou a porta e eles entraram.

– Pode ficar a vontade. – ela disse, pendurando o molho de chaves em um chaveiro. Bernardo sentou-se em uma poltrona, aproveitando o convite. Carol seguiu até uma estante, repleta de CDs. Tirou um em especifico. Bernardo pode ver qual era. “The Cranberries! Quem ainda escuta isso?”. Carol pôs o CD para tocar e sentou-se em uma poltrona em frente a Bernardo. A única coisa entre eles era uma mesa de centro, cheia de revistas. No som, uma música começou a tocar. Bernardo conhecia bem aquela. “Ode to my Family”. Bem propicio.

– Acho que podemos conversar agora. – ele disse.

– Sim. O que quer saber?

– Inicialmente, por que estão atrás de mim?

– Porque você é perigoso.

– Perigoso? Meu Deus! Eu não ofereço perigo nem a uma mosca.

– Você oferece mais perigo do que pode imaginar. Assim como Olavo oferecia. Assim como seu pai oferecia.

– Ora! Meu pai é um simples programador! Que mal ele pode oferecer?

– Olavo tem feito coisas que você não pode nem imaginar, Bernardo. E quanto ao seu outro pai…

– Que outro pai?

– Ora, seu pai biológ… – ela parou, ciente do erro que estava prestes a cometer. – Droga! Você não sabe.

– Não sei do que?

– Bernardo… – ela se ajeitou na poltrona, de forma a aproximar seu rosto do dele. Já tinha feito besteira, iria até o final agora – Isso não será nada fácil de te contar…

– Diga! Diga logo!

– Você é adotado! – foi como um choque pra ele. Se não estivesse sentado, naquele momento provavelmente cairia. Toda sua vida, toda sua história, uma mentira? Ele não podia acreditar. No rádio, a voz da vocalista do Cranberries cantava:

 

“My mother, my mother she holds me,

Did she hold me when I was out there

My father, my father, he liked me

Oh he liked me, does anyone care”

            “Propício” Bernardo pensava, “propício até demais”! Ele ficou pensando em tudo o que havia vivido. Por que nunca contaram a ele? Por que esconderam dele?

Na outra poltrona, Carol abria o saco de lanches. Em silêncio tirou o X-Bacon.

– Tem mais uma coisa que eu queria te perguntar. – ele disse a garota.

– O que? – ela perguntou enquanto desembrulhava o lanche do papel alumínio.

– Por que você disse: “é melhor que não derrube o meu xis-bacon”?

– Não é óbvio – ela deu uma mordida no lanche. – Porque eu estava com fome!

 

+

            Um grande sedã preto se aproximava das instalações da Prisão Estadual da Califórnia na cidade de Corcoran. Dentro dele um homem alto, loiro, de olhos azuis, conhecido simplesmente como O Diretor, seguia para o grande momento de sua vida.

Aquele homem seria o responsável por uma das maiores revoluções na história do sistema penitenciário mundial. Há cerca de um mês, assumira o controle da recém-fundada prisão de segurança máxima do Rio Grande do Sul, situada em Porto Alegre. Agora, nesta posição, ele tinha o poder de realizar os grandes feitos exigidos pela sua outra posição.

O dia começara bem. Um de seus homens havia ligado. Haviam capturado o homem e sua esposa. Mas o filho fugiu. Não importa, o pegaria mais cedo ou mais tarde. Neste momento, uma missão maior se aproximava.

Já dentro das instalações ele desceu. Era esperado pelo diretor da prisão local pessoalmente. Dalton “Belly Button” Michaels, era um homem gordo e com uma grande cara de deboche, marcada unicamente por um grande bigode que a cortava ao meio. Ele se aproximou, estendendo as mãos para o Diretor.

– É um prazer tê-lo aqui, senhor. – disse o homem, e o Diretor notou como sua voz assemelhava-se a um grunhido de um porco. – Mal pude acreditar que vinha, quando recebi a ligação do governador. Quero dizer, é uma grande honra receber um homem como o senhor por aqui. – agora, já podia fazer um perfil daquele homem. Era um baita puxa-saco. Provavelmente tentaria eleger-se para delegado local no próximo ano, mas perderia. Tentaria de novo nos próximos anos, mas não iria conseguir. Finalmente, desistiria da ideia e se consolaria com o cargo de diretor pelo resto da vida. Até que morresse com quarenta e oito anos de ataque cardíaco, enquanto comia um X-Bacon.

– Creio, então – disse o diretor – que esteja ciente de meu objetivo aqui.

– Claro, claro! O governador me deu todos os detalhes. O senhor quer transferir um prisioneiro, certo? Quer testar a segurança de sua prisão com um prisioneiro de alta periculosidade. Pois, fique tranquilo. Aqui nós temos as melhores escolhas. – Michaels tratava os prisioneiros como se fossem peças de carne, penduradas em um açougue.- Se me permite, eu poderia sugerir…

– Não será necessário. – interrompeu o Diretor. – Na verdade, eu já tenho um nome.

– Pois pode falar, senhor. – Michaels sorria.

– Manson. Charles Manson!


Categorias: Conto em Conjunto,Contos |

14 Comments»

  • Lucas Valadares says:

    Bah! Muito bom mesmo. A garota manteve um tom sarcástico, e algumas respostas foram dadas enquanto outras foram feitas. Muito bom mesmo, o diálogo é bem natural, os personagens mantêm a voz.
    *
    – Inicialmente, por que estão atrás de mim?

    – Porque você é perigoso.
    Sensacional.
    *
    A parte do Cramberries ta bem legal também, embora não conheça essa música. Vou ouvir.

    Nem preciso comentar que a parte nos States foi f0d@! Sem contar que foi escrito em velocidade recorde, hahaha! Quero ver onde isso vai dar!

    • Evandro Furtado says:

      Que bom que gostou. Como pôde ver, tentei trabalhar o máximos das coisas que você passou, do meu jeito. Infelizmente, faltou uma coisinha ou outra, mas aí a gente passa por próximo voluntário.

      • Lucas Valadares says:

        Sim, isso é o de menos. As principais informações que precisavam ser mantidas foram, então está ótimo. O legal mesmo é essa liberdade que a história permite. Acho que cada escritor que fizer uma parte da história precisa dar umas dicas sobre a trama para o próximo, mas não precisam ser todas seguidas a risca. Somente aquilo que o próximo escritor quiser usar ou tiver alguma dúvida para seguir em frente. O legal é quando surge algo totalmente inesperado, como o final dessa parte.

        • Evandro Furtado says:

          Era uma coisa que eu tava querendo usar já faz um tempo. Achei que essa era a hora.

  • Beleza! dei uma ajeitada nas categorias.
    As sinopses aparecem no menu lá de cima.. e só elas.
    Nisso, quem acessar o menu, verá só os projetos ddos contos, para poderem ler ou participar.
    Os contos ficam linkados.
    🙂

  • Em homenagem a este conto em conjunto… pedi um X-Bacon aqui.

    Capricharam no bacon.

    Meu coração esta quase parando… 😮

  • Po, ficou muito bom.
    Vc utilizou uns detalhes bem legais durante as descrições, como a (ausência de uma) foto de formatura do Ensino Médio, “que as mães insistem em exibir no lugar mais evidente da sala, graças a um ingênuo sentimento de satisfação, o qual, elas acreditam, os filhos compartilham”. Curti essa análise. Ah, e a imagem que vc passou do puxa-saco d’O Diretor também foi bem pensada.

    Gostei do suspense antes de eles checarem o apartamento, dos diálogos e da música escolhida. Achei interessante que uma das revelações bombásticas – a adoção – foi feita por acidente. Mas senti falta de uma descrição mais aprofundada da reação do Bernardo ao descobrir que era adotado. E uma sugestão: no momento em que a Carol fala “Você é adotado!”, talvez valesse a pena tirar o ponto de exclamação, porque dá a impressão de que ela está gritando e, pelo que percebi até agora, ela tem autocontrole demais para ceder ao drama; talvez ela pudesse fazer essa revelação com um jeito entediado ou impaciente, sei lá.

    E, bem, transferir Charles Manson pro RS é o principal elemento que caracteriza esta parte como sendo de sua autoria, Evandro! 😀 Ficou bem apropriado e superlegal, hehehe! Parabéns aí!

    • Evandro Furtado says:

      Valeu mesmo pelo elogio.

      Na parte que coloquei a exclamação foi pra dar o tom de ênfase sabe, pensei em colocar em letras maiusculas mas aí que ia parecer que estava gritando mesmo, mas valeu pela dica, foi pensar sempre que for escrever.

      Em relação ao Manson, ele é um grande FDP, mas convenhamos, o cara era um gênio. Agora, eu tenho que tomar cuidado, pois ter meu nome ligado aos de serial-killers…isso é perigoso, cara.

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