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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Apr
12
2014

As Luzes de Santa Luzia

lz-escuridao

Ninguém acreditou, em Santa Luzia, quando disseram que o fantasma de Don Afonso aparecera na noite de natal. Não que aquilo fosse raro na cidade, pelo contrário, de tempos em tempos os fantasmas daqueles que se foram costumavam fazer visitas às novas gerações. Não acreditaram por ter sido Don Afonso.

Durante a vida, fora um velho louco, que certa vez ficou um ano trancado em casa. Diziam que havia se apaixonado por si mesmo. Fora um ano estranho na cidade já que ele era uma das figuras públicas mais importantes de lá. Até se meteu a candidatar-se a prefeitura, mas perdeu as eleições. Homem ligado às ciências, se dizia esclarecido, e não acreditava em nada que não pudesse ser explicado pela razão, nem mesmo nos fantasmas, que teimavam em aparecer de vez em quando. Por isso era difícil de acreditar que alguém tão cético em vida pudesse, desta forma, voltar do mundo dos mortos.

Mas se o retorno de Don Afonso fora tão questionado, o mesmo não acontecia com os outros. Era comum aos moradores de lá, presarem pela tradição. Não deixavam comidas expostas por medo do Saci, não assoviavam de noite, não diziam palavrões ou caminhavam depois que o sol se punha em período de quaresma. E conversavam com os mortos. Houve casos realmente assombrosos como o de dona Marilia, que dizia ter passado o dia inteiro conversando com Dona Gertrudes, morta havia cinco anos, simplesmente para morrer em seu leito, na noite seguinte, sem causa aparente.

Mas mesmo tanto mistério não tirava a beleza de Santa Luzia. Suas luzes eram incomparáveis, as mais belas do mundo, onde durante a noite, vivos e mortos caminhavam, lado a lado, conversando sobre os segredos do universo. Costumava-se dizer que lá não havia medo, e tampouco maldade. Santa Luzia era isolada do mundo, e o mundo dela.

Foi então um choque quando Satur, um comerciante turco, trouxe a primeira televisão. Os habitantes ficaram entusiasmados com tamanha novidade. Logo, um a um, foram comprando seus próprios aparelhos, e a cidade ia, pouco a pouco, deixando de ser a mesma. Os homens já não trabalhavam com a mesma intensidade, e as mulheres já não conversavam nos finais de tarde. As crianças já não brincavam nas ruas, e os velhos já não jogavam dominó nas praças. Só queriam saber da tal televisão. Quanto aos fantasmas? Foram deixando de visitar Santa Luzia, visto que os vivos já não se interessavam por eles. Logo, a cidade seria um lugar para os vivos. Se bem que estes, estavam muito mais mortos do que os espíritos. Pouco a pouco, as luzes de Santa Luzia foram se apagando, e com elas a beleza da cidade.

Cinco anos depois de Satur ter trazido a primeira televisão, um grupo de comerciantes, desta vez, árabes, chegaram em Santa Luzia. Naquele tempo, as pessoas só viviam trancadas em suas casas, e todas as luzes já haviam se queimado. E mesmo os fantasmas não caminhavam mais por lá. O grupo atravessou a avenida principal, passou pela frente da antiga casa de Don Afonso, pela praça, pelo parque onde Dona Marilia disse ter conversado com Gertrudes. E por todo o seu trajeto não viram ninguém. Finalmente, um dos comerciantes, o mais jovem, vendo as ruas desertas virou-se aos outros e disse: “Vamos embora. Não há duvidas de que esta cidade é mal assombrada”.


Categorias: Contos | Tags: ,

10 Comments»

  • [email protected] says:

    Olá, meu caro. Finalmente encontro algo diferente! Parabéns, belo texto! A cidade de Santa Luzia é um lugar utópico e sonhado por quem ainda gosta de coisas obsoletas.

    • Evandro Furtado says:

      Pois é. Escrevi isso depois de ler Cem Anos de Solidão. Santa Luzia é minha Macondo pessoal.

  • Lucas Valadares says:

    Muito bom, diferente. E você tem um estilo de escrita muito interessante. Gostei mesmo.

  • Árabes… uma das palavras que fazem metade do caminho p uma história me agradar!

  • Po, ficou muito legal. Não sei especificar exatamente o que é, mas há algo no tom da narrativa que me agradou bastante.

    O enredo me lembrou de uma parte do “Cem anos de solidão”, do Gabriel García Marquez, o que também curti.

    Parabéns aí!

  • J.Nóbrega says:

    Gostei.
    .
    É curto, bem escrito, a história é boa e ainda contém uma crítica.
    .
    Parabéns Evandro!

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