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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Apr
30
2014

A Volta dos que não Foram

Quando fui convocado para atender aquele casal, eu já esperava, mais uma vez, pais traumatizados pela morte de um filho, procurando por respostas que eu seria incapaz de dar. Meu Deus, como eu estava errado.

A coisa toda começou quanto eles abriram a porta e eu dei o primeiro passo dentro da casa. Fui tomado por uma sensação de tristeza e desolamento que nunca havia tido em minha vida. Seria aquele o meu primeiro caso real?

De cara, eles me levaram ao antigo quarto das crianças. As paredes eram pintadas de rosa e azul e, apesar de não haver uma barreira física no cômodo, parecia, de fato, dois quartos em um. O lado esquerdo era tomado por bonecas, casinhas, jogos de chá. A cama que pertencia à menina era coberta com lençóis de princesas da Disney, e pôsteres de artistas teens adornavam seu lado da parede. Na parte oposta, a parte do garoto, carrinhos e bonecos de ação dividiam espaço com apetrechos dos mais diferentes esportes. O lençol que cobria a cama era de um desenho que eu não conhecia, os pais me disseram que se chamava “A Hora da Aventura”, que eu achei um título horrível.

Ofereci-me para passar aquela noite no quarto. Como as camas eram pequenas demais, as uni no centro de modo a formar um só leito, no qual me deitei cedo.

Às dez horas ouvi um barulho no corredor, que de inicio me assustou. Para meu alivio, e minha decepção por outro lado, era somente a dona da casa que viera checar se eu queria algo para comer. Agradeci a oferta mas a recusei. Meu estômago não aceita muita comida após as sete.

Ela partiu, de forma que voltei, absorto, a meus pensamentos. Pensei em meus pais, do outro lado país, vivendo a vida difícil e provavelmente reclamando da sina do único filho, que a despeito de todos os seus esforços, optara por uma carreira que seguia contra todos os desígnios planejados por eles. Eu seria consultor paranormal. “E se estuda pra isso?” perguntara meu pai. “Muito mais do que possa imaginar” eu respondi. “Mas de que adianta estudar se não se tem diploma?” ele retrucava. E ficávamos nessa balela até que eu me cansava e deixava-o falando sozinho. Ao menos uma vez na vida gostaria que ele acreditasse em mim. No que eu fazia. Mas o velho era duro, ele não cederia tão facilmente.

Um ruído no corredor me arrancou de meus devaneios. Chamei pela mulher, do quarto, acreditando ser ela a autora de tal som, mas para a minha surpresa não obtive resposta. Acendi então o interruptor para poder enxergar melhor o meu redor. Surpreendi-me, então, ao deparar com a porta semiaberta. A mulher não a havia fechado ao deixar o quarto? Eu jurava que sim. Mas pela qualidade do material que era feito, eu pude logo supor, a maçaneta não garantia que ela ficasse fechada. Levantei-me da cama, me dirigi até a porta e olhei o corredor. Chamei mais uma vez e na ausência de resposta, fechei a porta, apaguei a luz e voltei a me deitar.

Revirei-me entre os cobertores mas o sono não veio. Não importa quão seguro eu seja em minhas escolhas, basta encostar minha cabeça em meu travesseiro para que elas venham me assombrar. A voz de meu pai ecoava em minha cabeça, sua desaprovação imprimia desconfiança em mim. Ele gritava, berrava, gemia. Gemia? Não. Aquele último som não fora a voz de meu pai. Era uma voz infantil, de menina.

Acendi o abajur que se encontrava no criado-mudo ao lado da cama. A luz rosada iluminou debilmente o quarto, dando uma atmosfera psicodélica ao dormitório. Preparei os ouvidos, tentando escutar o som, mas ele não se repetiu. Pensei, em apagar o abajur e voltar a deitar-me, mas o sono já se fora há muito e resolvi ficar da forma que estava. Sentei na cama, recostei-me ao travesseiro e procurei por algo que pudesse ler.

Abri a gaveta do criado mudo e achei um livro de fábulas infantis. Era o bastante para passar o tempo. Fiquei lendo as historinhas, tentando atrair o sono, e acabei sonhando de olhos abertos. Ou aquilo fora um pesadelo?

A luz do corredor se acendera. Os feixes que passavam pela fresta da porta denunciavam que alguém caminhava de um lado para o outro, já que, de vez em quando, uma sombra passava cortando a luminosidade. A isso se somava o fato de que eu não ouvira qualquer som de passadas pelo corredor. Curioso, me levantei e segui até a porta.

Ao abrir a porta, me deparei com o corredor vazio. Olhei para os dois lados e não notei sinal de alma viva por aquele local. Mas algo chamou minha atenção. Junto ao carpete, que se estendia de um lado a outro, uma pequena boneca de cera se encontrava jogada. Achei estranho aquele fato, pois, eu jurava, acabara de ver uma exatamente como aquela no quarto no qual me encontrava como hóspede. Voltei o olhar para trás e notei que a cadeira onde a boneca se encontrara instantes atrás estava vazia. Como aquilo era possível? Ninguém entrara no quarto e eu, tampouco havia tocado no brinquedo. Encaminhei-me até o lugar, colhi o objeto e inspecionei-o.

Um líquido viscoso se encontrava no vestidinho de seda. Era sangue. Aquilo me preocupara extremamente. Significava que existia algo errado naquela casa. Eu estava, ao mesmo tempo, assustado e excitado. Um caso real poderia ser extremamente gratificante, mas, por outro lado, era intimidante.

Voltei ao quarto e tranquei a porta atrás de mim. Precisava de um plano, depressa. Fitava a boneca em minhas mãos. O objeto de minha agonia parecia me contemplar com olhos vivos, parecia me dirigir um alerta, um sinal. “Saia daqui! Corra o mais rápido que puder. Vá embora” ela me dizia. Mas quando se está há tanto tempo na profissão, vasculhando fundos de cemitério e hotéis abandonados, a perspectiva de uma casa verdadeiramente assombrada era animadora.

Algo soou dentro do armário. Eu não estava só no quarto. Caminhei em direção à origem do ruído. Cada passo ecoava no quarto como um trovão ribombando em meio a uma tempestade. Coloquei a mão na maçaneta e que susto eu tomei quando um rato saiu em meio às bugigangas, subindo em meus sapatos e desaparecendo, em seguida, sob o vão da porta.

Vistoriei a armário em busca de algo útil. Encontrei um porta-retratos no qual se encontravam as crianças. Pelas informações que possuía, supus que aquela foto fora tirada a cerca de um ano. Alguns dias antes dos gêmeos morrerem. O menino e a menina me observavam com seus olhos azuis, cheios de vida e esperança, a antítese absoluta do que de fato acontecera. Os cabelos loiros de ambos, muito reluzentes, brilhavam sob o céu azul. Eles sorriam, estavam felizes. Mas além de tudo isso, algo me chamou atenção na foto. Dentro do carro, que aparecia atrás das crianças, havia uma velha sentada. Ela olhava para frente, em direção ao banco do motorista, ou seja, estava de perfil para mim. Curioso, peguei a foto e me dirigi ao quarto dos pais das crianças, para fazer algumas perguntas.

Bati na porta levemente, ciente de que aquela era uma hora delicada para acordar alguém. A porta logo se abriu, revelando o pai, que parecia muito pálido e abatido sob a luz tênue que passava pela janela, vindo dos postes da rua.

Mostrei a ele a foto e ele pareceu surpreso. Ele reconhecia a figura na foto. Era sua sogra. O problema é que a mulher havia morrido meses antes da foto ser tirada. Aquilo me deixou desconfortável. Como seria possível que ninguém houvesse notado aquilo antes. Quem colocara a foto no guarda-roupa, havia sido a mulher? Ou as próprias crianças? Ou teria sido a obra de outra pessoa? Desculpei-me pelo incômodo e voltei para o quarto.

Sentei-me à cama, ponderando sobre os fatos. Mil pensamentos passavam por minha cabeça. Dedicara minha vida àquela profissão, mas eu de fato acreditava naquilo? Eu fitava a foto. Via a mulher morta ao fundo e um arrepio brotou em minha espinha e percorreu todo o meu corpo. E no auge de meu espanto, algo soprou em meu ouvido. Fora algo rápido, porem firme. Como se alguém houvesse se aproximado e sussurrado. “Saia” dizia a voz. Mas quem dissera aquilo? Quem? Eu estava só naquele quarto, não havia mais ninguém.

Levantei-me e segui em direção à porta mais uma vez quando algo chamou minha atenção. Eu olhava para o espelho na parede e via, atrás de mim, a cama na qual estava deitado. Surgia debaixo dela uma mão, negra, podre, em avançado estado de decomposição. Não esperei para ver o resto aparecer e corri até a saída.

Agarrei a maçaneta com força e puxei. Pra meu desespero, ela saíra em minha mão. Assustado, tentei coloca-la de volta de qualquer forma, mas minhas mãos trêmulas eram incapazes de achar o encaixe perfeito. Pude sentir quando a mão gélida tocou meu tornozelo. Sem coragem para encarar a coisa medonha, pisei o que me agarrava com o pé livre. A coisa soltou. Ao mesmo tempo eu conseguia encaixar a maçaneta de volta e escapar daquele lugar medonho.

Corri pelo corredor em direção às escadas, e pude ver, sobre o ombro, as duas crianças mortas, que vinham em minha direção. Suas faces eram apenas a sombra daquelas que eu vira na foto, instantes antes. Aquelas não eram mais crianças, eram demônios.

Quando passei diante do quarto dos pais, meus instintos diziam para chama-los. Abri a porta e me deparei com outra cena horrenda. A mulher se encontrava pendurada pelo lençol, enforcada, enquanto seu marido jazia na cama, em uma possa de sangue, com o lado direito do crânio despedaçado e um revólver na mão.

Corri ainda mais depois de tal visão e, ao chegar ao pé da escada, fui assombrado por outro espírito. A velha surgia diante de mim, com seus dentes podres e olhos negros. Assustei-me de tal forma que perdi o equilíbrio, rolei pela escada e caí inconsciente no andar inferior.

Fui acordar dias depois no hospital, com uma perna quebrada e um ombro deslocado. Ao saberem de meu despertar, os policiais logo vieram me fazer perguntas. Eu lhes contei o motivo de minha visita e vi seu semblante mudar a cada palavra que eu dizia. Não era surpresa para mim. As pessoas costumavam ser céticas acerca de meus afazeres. O que me surpreendeu foi a história que os policiais me contaram.

A casa em que eu fui encontrado estava deserta. A família que se encontrava ali, um casal de velhinhos, havia se mudado anos atrás.

Não pude acreditar no que me disseram. Aquilo era impossível. Eu havia falado com o casal, eles haviam me contratado. Falei-lhes da foto, dos móveis, descrevi a casa. Mas segundo eles o imóvel estava completamente vazio. Os objetos dos antigos donos haviam sido vendidos e leiloados.

Depois disso, fui submetido a uma serie de sessões de terapia, e após algum tempo esqueci completamente do que me acontecera naquela casa. Isso até algumas semanas atrás quando passei diante do imóvel. Um caminhão de mudanças se encontrava na rua. Móveis eram levados para dentro. Um homem com um rosto familiar levava uma velhinha para dentro de casa. Atrás dele vinha sua esposa. Com ela, um lindo casal de gêmeos.


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4 Comments»

  • Nós que aqui estamos por vós esperamos, aparecia no portão do cemitério, gostei do enredo. Só achei que não precisava datar com detalhes o quarto dos gêmeos, podia eer mais atemporal. Li o poema tb, dois textos num dia, surto criativo?

    • Evandro Furtado says:

      eu já cheguei a publicar mais, acho q to passando por uma fase é de bloqueio.

      • Melhor nem dizer isso, muitos teriam invejabdo seu bloqueio!
        Sem brincadeiras, o nome disso é vontade, capacidade e disciplina.

        • Evandro Furtado says:

          pode ser vontade e capacidade, eu não chamaria de disciplina porque eu simplesmente faço as coisas sem planejamento prévio. mas é isso aí, vamos trabalhando.

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