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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Apr
01
2014

Wish You Were Here

wish-you-where-here

O apartamento 203 estava vazio. Mas não estava desocupado. Em meio ao silêncio sepulcral e da desolação, um velho caminhava de um lado para o outro, procurando por nada.

Os retratos dela marcavam as paredes, como o ferro quente marca o gado, com dor. Ele sentia saudades. Mas se não fossem os quadros na parede, talvez não soubesse o que era o real do imaginário. O Alzheimer vinha causando estragos. Já não distinguia mais as coisas direito.

Ele se se sentou à mesa central, a única no apartamento. Sempre esteve lá. Era lá que tomavam o chá da tarde, quando ela ainda respirava.

– Queria que estivesse aqui! – ele pensava. Mas não podia mudar o passado.

Abriu o jornal, vendo noticias de um mundo do qual não fazia parte. Aqueles eram tempos diferentes dos seus. Ele era um estranho naquele mundo.

Quantas coisas não aconteceram desde que havia chorado pela primeira vez. O mundo havia sucumbido ao maior dos medos. Grandes homens maus haviam assumido e controle, e o planeta passou a um fio de ser destruído. Mas ele nunca se importou. Ela sempre estava lá para lhe fazer se sentir importante. Para fazê-lo esquecer das coisas ruins. Não era mais assim.

– Queria que estivesse aqui.

Ele levantou-se. Foi até o piano. Tocou uma canção. “Unchained Melody”. Era sua canção favorita. A dela também. Uma lágrima salgado escorreu sobre sua pele, fazendo cocegas e causando dor.

Foi até a parede. Encarou os quadros. Já não enxergava tão bem. A catarata também havia causado estrago. Voltou para o sofá. Ligou a televisão. Não conseguiu assistir nada. Não havia nada que lhe despertava interesse. A doce lembrança dela sempre insistia em tomar seu tempo. Era assim que vinha vivendo.

– Queria que estivesse aqui.

Olhou pela janela. Nuvens negras se aproximavam. Lembrou-se do primeiro beijo entre eles. Estava chovendo. Lembrou-se de fita-la nos olhos, dos rostos se aproximando inconscientemente, dos lábios de tocando, de seu coração parando.

Ela foi tudo para ele. Ainda era. E não podia esquecê-la.

Pela janela, uma brisa fria soprou. Por um instante achou que ouviu uma voz. Alguém chamando seu nome. Ele se aproximou da janela, deixando-se tocar pelo vento. E era como se mãos invisíveis o afagassem, tirassem seu sofrimento, lhe fizessem parar de chorar.

– Queria que estivesse aqui!

De certo modo, ela estava.


Categorias: Contos |

14 Comments»

  • Vitor says:

    Desculpe mas, put* que pariu! Muito bom cara.

  • Nuss… o título já chama atenção, é uma música boa, aí no meio do texto vc puxa, basicamente, o Rei! Elvis é outro nível! Adorei! Linda história…

  • maria santino says:

    Ohw! Melancolia pura! Emergi na leitura. De certo está muito bom. Gosto de finais abertos e o seu dá margem a incrementações que cabe a cada leitor, portanto, Parabéns. Um abraço. 😉

  • É… a definhação da pessoa. Já dizia Bernard Cornwell: “Wyrd bið ful arcæd” .. o tempo é inexorável.

    Curti, bem melancólico, como a Maria disse acima. 🙂

  • Po, muito bom! E me fez sentir de verdade! A cena do vento ficaria muito bonita num filme ou numa animação, colocando o ar ligeiramente metamorfoseado como o rosto de uma pessoa.

    E o foda é que a gnt pensa: a única coisa que supera uma perda assim é o tempo… e o cara não tem muito tempo sobrando. Dá uma sensação de sem saída, mas o final reconforta.

    Parabéns!

    • Evandro Furtado says:

      Valeu Cittadino!!!

      Normalmente quando eu escrevo, tento visualizar a cena, como em uma animação. Tento passar a imagem quando escrevo, e fico feliz quando consigo!

  • Lucas Valadares says:

    Curti demais. Gosto bastante da música, e queria ver qual era a do conto. Tem um quê melancólico sim, mas é algo mais como a nostalgia, a saudade, sei lá. Muito bom. Também curti pra caralho a cena da janela. Recomendo uma animação chamada ‘paperman’ que é excelente.

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