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Publicado por Sombra Posthuman

– que publicou 23 textos no ONE.

Um homunculus misantropo que vive na penumbra do Rio de Janeiro.

O autor tem licenciatura em Letras Português/Inglês pela Universidade Federal Fluminense e Pós-Graduação em Tradução pela Gama Filho, com um artigo sobre traduções de Alice no País das Maravilhas como trabalho de conclusão de curso.Em 2005 começou a fazer traduções de livros para a editora Reader’s Digest, e em 2007 passou a trabalhar exclusivamente como tradutor de textos técnicos. Hoje em dia é tradutor juramentado.

Quando não está trabalhando, treina krav maga e publica contos e poemas de sua autoria no site O Nerd Escritor. Adora literatura fantástica e coleciona quadrinhos do Homem-Aranha. Sombra é fã de Augusto dos Anjos, Neil Gaiman, George R. R. Martin e Guimarães Rosa. Além de escrever, o autor também dedica seu tempo livre a cantar e compor, estudou canto lírico e foi vocalista da banda Heartagram Him Cover. Adora tatuagens, RPG e música, principalmente metal industrial.

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May
15
2014

A casa dos espelhos – Parte 1.2

http://www.trinitycranford.org/?attachment_id=1215

http://www.trinitycranford.org/?attachment_id=1215

Autor: Sombra Posthuman

 

Sentei-me no sofá e fiquei um bom tempo refletindo sobre tudo o que aconteceu. Depois peguei um livro de poemas e comecei a ler. Havia um poema estranho que era assim:

Jahbulony

 

Era angeloras, e as beateiras

Corriçavam em frota do igrejado

Cabisbavam as criancelhas

E empeçolhavam o apagoado

 

“Tema o Jabulony!

Ele tudo vê e tudo sabe

E também o Chifrolany

Que surrocelha com a labe”

 

Ela ergueu a espada ciente

As beateiras boqueabaram

O Jahbulony sargiu potente

e ambos de desafitaram

 

Sermimidavam-na como heabrete

Mas a espada afastunou

O Jahbulony rasgou-se em sete

E um proféu exivirou

 

“Jahbulony está morto” – disse a heabrete

Porém, nada mudou naquele multo

Todos ainda obedelavam o livrete

Temendo aquele cadáver insepulto”

 

Oneiros providenciou para que eu passasse a noite com eles e agradeci a hospitalidade, já que não via outra solução para a minha situação.

– Se importa de dormir na cama com a Dália?

– Não.

– Ótimo, a Xaninha dorme com a Helena e eu durmo na sala.

– Não precisa, eu durmo na sala.

– De jeito nenhum! Já está decidido.

– Boa noite, Victor.

– Victor?

– Quer dizer, Oneiros!

– Boa noite.

Por que eu o chamei de Victor? Que estranho! Devo estar ficando louca mesmo – pensei.

Cheguei ao quarto, Dália estava deitada de olhos abertos.

– Olá, Dália! – Ela se levantou da cama imediatamente e saiu correndo. Pus-me em roupas de baixo e deitei sob o lençol. Oneiros chegou com aquela jovem de 17 anos.

– Dália quis dormir com a mãe, Xaninha vai dormir com você, ok? Ela também é minha filha. Xaninha, esta é Alice.

– Oi! – disse sorrindo e acenando.

– Olá, Xaninha!

– Boa noite. –disse ela.

– Boa noite. – respondi.

Rezei muito antes de dormir, prestei minha adoração, agradeci pelas graças que recebi, depois pedi perdão por todas as minhas fraquezas desde que cheguei neste mundo. Rezei todo o terço para me redimir de minhas falhas e, por fim, pedi a Deus para que me desse forças para sobreviver na terra da luxúria e que me mantivesse pura para melhor servi-lo.

dia seguinte, acordei sentindo o cheiro de jasmim. Abri a janela, mas não vi nenhum jasmim por perto. Xaninha ainda estava dormindo e havia uma roupa sobre o criado mudo para eu vestir. Era um uniforme de colégio, muito familiar, aliás. Fui até a cozinha e encontrei Helena comendo um pão.

– Bom dia, Helena!

– Bom dia, Alice. Dormiu bem?

– Sim, muito obrigada pela hospitalidade.

– Não há de quê.

– Oneiros me disse que vocês não tinham escola.

– Não, não temos escola. Minha mãe estudou em uma, mas não temos escolas por aqui.

-Hmm, entendo, este uniforme era da sua mãe?

– Não, nunca vi essa roupa.

Sentei-me à mesa e me servi com pão e manteiga e bebi um pouco de café.

– Onde estão os jasmins?

– Jasmins?

– Sim, senti o cheiro quando acordei.

– Não sei, nunca vi.

“Estranho”, pensei, “acho que essa Helena não está a fim de conversa.”

– Onde posso pegar um ônibus por aqui?

– Eu levo você quando terminar o café.

– Está bem.

Terminamos o café e saímos em direção a um terminal de ônibus. No caminho vi dois ônibus passando, e também alguns cavalos, bois, vacas… Os ônibus iam a lugares dos quais nunca ouvi falar. Eu observava os arredores e não fazia a menor ideia de onde podia estar, até que chegamos a um lugar que me pareceu familiar. Uma rua que passava por uma ladeira de paralelepípedos que eu certamente já havia visto muitas vezes no passado. Olhei para cima de frente para a ladeira e senti novamente aquele horrível déjà vu, dessa vez pior. Senti uma estranha sensação de que já estive ali naquela exata posição com aquelas mesmas roupas e de que alguém parecia estar zombando de mim.

– Alice, tudo bem? – perguntou Helena ao notar minha surpresa.

Enquanto eu olhava a ladeira paralisada por uma sensação que eu mesma não compreendia, percebi que um rio de sangue começava e descer por ela. Enquanto ele se aproximava, segurei o braço de Helena e corremos para longe. Entramos em uma rua próxima e paramos para descansar.

– O que aconteceu? – Perguntou Helena confusa.

– Você não viu todo aquele sangue?

– Sangue? Que sangue? Do que você está falando?

– Eu… eu… Acho que não estou bem.

– Venha, vou leva-la para casa.

Voltamos para casa e Helena me fez um chá. Ela se sentou ao meu lado enquanto eu tomava o chá e me acalmava um pouco. Contei a ela sobre os acontecimentos recentes e sobre as confusões que eu sentia naquele lugar. Oneiros voltou para casa e nós almoçamos. Depois do almoço ele me mostrou um mapa do mundo conhecido e não se parecia em nada com o mundo que eu conhecia. Eu realmente estava em um lugar desconhecido e isolado da minha realidade. “E se eu pegasse um navio e navegasse em linha reta a vida toda? Será que chegaria a algum lugar conhecido? Mas quem me levaria num navio sem rumo?”, pensava eu. Não havia saída, se eu nunca ouvira falar daquele lugar e eles nunca haviam ouvido falar do meu mundo, ninguém aceitaria ir comigo rumo ao nada. À noite, tentei ligar para o convento de novo, mas não consegui. Pedi a Oneiros um caderno e uma caneta e comecei a escrever um diário.

dia seguinte, resolvi pedir a Oneiros que me levasse até o rio, para que eu decidisse se tomaria banho lá ou não. Péssima idéia. Chegando lá, havia algumas pessoas nuas se banhando e um casal fornicando na frente de todos. Virei-me de costas.

– Não vou tomar banho, prefiro ficar suja!

– Veja, aqueles dois são os irmãos Corinto, vou apresentá-la a eles.

– Você disse irmãos? Copulando?

– Sim. Algum problema? – Olhei novamente o casal e percebi algo assustador. O rosto do rapaz, eu me lembrava dele! O rapaz assustado na pick-up, foi a última coisa que eu vi antes de acordar aqui! Preciso falar com ele! Enquanto o observava, um outro homem que se banhava se uniu ao casal naquela prática profana.

-Não! Me tire daqui, por favor! É demais pra mim! Não tem outra hora em que o lago fique mais vazio?

– Talvez à noite. – Fomos embora e eu fiquei pensando, talvez aquele rapaz pudesse me explicar o que aconteceu comigo.

Chegando à casa de Oneiros, fomos comer e, depois, entramos na internet por um laptop que ele trouxe da rua. Ele me mostrou muita coisa sobre sua cultura e uma das primeiras coisas que reparei foi que a internet não era cheia de incontáveis e insuportáveis anúncios. Até tinha alguns, mas eles eram poucos, mais organizados e menos invasivos. Pedi que Oneiros me mostrasse mais comerciais e fui percebendo que eram bastante objetivos e honestos. Oneiros me explicou que não havia concorrência nem tentativas exaustivas de convencer os consumidores de que deveriam adquirir algo do que não precisavam, como nós fazemos em nosso mundo até mesmo com as crianças, que ainda nem têm capacidade de discernimento. Pelo contrário, havia uma constante conscientização para que as pessoas não acumulassem coisas das quais não precisavam. As fotos dos alimentos eram fotos reais, e não desenhos ilustrativos sem nenhuma semelhança com a realidade. E que alimentos! Sempre saudáveis e saborosos. Conforme comparávamos minha cultura capitalista à dele, aprendi que lá os produtos eram feitos para durar e denunciavam seus próprios pontos negativos nos manuais, e também eram compatíveis uns com os outros, para facilitar a interação entre objetos, mesmo que de fabricantes diferentes. Esse mundo é mesmo muito estranho! Após passar três dias com aquela família, notei que nunca havia carne na mesa, não que eu me importasse, mas eu estava observando os hábitos daquelas pessoas.

– Vocês não comem carne?

– Aqui em casa não. – Respondeu Oneiros

– Por quê? – Oneiros e Helena se entreolharam…

– Você gosta de frango?

– Não se incomode comigo, não costumo comer carne.

– Semana que vem trarei um frango para comermos. – Todos à mesa acharam estranho. Foi quando percebi que a pequena Dália tocava suas partes íntimas.

– Menina, tire a mão daí! – A garota ficou assustada. Oneiros respondeu:

– O que há de errado com você? Não precisa falar assim com a menina!

– Me desculpe, eu estou confusa, este mundo é estranho demais pra mim! – Deixei a cozinha e fui para a sala. Comecei a chorar, Fiquei ali rezando por algumas horas, até que Oneiros veio e disse que ia me levar ao lago.

Chegando ao lago, disse a ele:

– Vou tirar minhas roupas atrás daquela árvore e passar pra você, mas você fica o tempo todo de costas, entendeu?

– Entendi.

Tirei minhas roupas e as passei pra ele.

– Agora continue de costas e vigie minha roupa até eu acabar de tomar banho.

A água estava gelada, o que explicava a ausência de pessoas no lago. Certamente fui levada pela luxúria quando aceitei tomar banho em um lago. Mantive minhas mãos cobrindo minhas vergonhas dos olhos de eventuais bisbilhoteiros. Estava refletindo sobre tudo o que aconteceu, quando Oneiros pulou nu na água e veio nadando submerso em minha direção. Escondi ainda mais meu corpo, apavorada. Ele emergiu na minha frente e disse:

– Desculpe, mas não acho que suas roupas irão fugir.

– Eu não disse pra você me esperar lá fora?

– Mas eu precisava tomar banho também.

– Fique longe e não ouse tocar em mim!

– Não se preocupe, já percebi que não gosta de ser tocada.

A água do lago era tão limpa e cristalina como nunca havia visto antes e eu, na minha inocência, olhei instintivamente o corpo nu de Oneiros através da água. Dei um grito e tapei os olhos com a mão e, com isso, acabei expondo os meus seios. Gritei de novo e recobri meus seios com a mão. Ele riu da situação patética na qual me encontrava.

– Hahahahahaha! Você esconde o seu corpo, mas não consegue esconder a curiosidade pelo corpo alheio!

– Vire-se de costas, senão não posso ficar à vontade!

– Sim senhora.

Continuei o meu banho e, depois de um breve silêncio:

– Não devia ter vergonha, Alice, você tem seios muito bonitos!

Ah, o que me faltava mais acontecer?! Com certeza Deus estava me testando, testava minha fidelidade a ele, testava minha castidade – pensava eu.

Ele saiu primeiro e ficou de costas enquanto eu me vestia, depois fomos embora.

Àquela noite, rezei em dobro, por conta do episódio do banho, quando pensamentos pecaminosos habitaram minha mente.

Passaram-se os dias e eu já estava há uma semana na casa de Oneiros. Por mais que eles me tratassem bem, não conseguia me sentir à vontade naquela casa, eles ficavam constantemente nus e às vezes falavam coisas que me deixavam muito constrangida. Eu tomava banho dia sim, dia não, e Oneiros parou de me assediar enquanto eu estava no lago, mas não foram poucas as vezes em que o vi nu ou trocando carícias com a Helena. Eu evitava ao máximo pensar naquelas coisas, mas a minha curiosidade aumentava a cada dia.

Resolvi verificar uma estação de trem que vi no mapa que Oneiros me mostrou. Fui até lá e peguei um trem para o sul. Cerca de duas horas depois, adormeci. Acordei com um homem-lobo me chamando. Ele disse que era a estação terminal. Eu desci do trem e fui andando pelas ruas, para ver se encontrava alguém normal. Vi apenas um cão andando pela rua. Fui andando a esmo, perdida, e comecei a ficar preocupada, pois o lugar parecia abandonado.

Cheguei a uma rua sem saída e ouvi um som de metal sendo arrastado pelo asfalto. Quando olhei para trás, havia um ser bizarro perecido com um espantalho andando em minha direção. Ele usava roupas esfarrapadas e um chapéu de palha, seu rosto era coberto por algo que lembrava um saco de batatas, e ele arrastava uma foice pelo chão.

– Olá. Eu, err… me perdi… Então,… já estou indo embora… Por favor não me machuque.

Ele se aproximou de mim, tocou o meu queixo e o levantou um pouco. Sua mão era só esqueleto, não tinha músculos, tendões, pele, nada além de ossos. Segurou a foice com as duas mãos e a projetou em minha direção. Eu me abaixei por reflexo, por um triz ele não cortou minha cabeça. Engatinhei para longe, ele tentou me segurar, mas pegou apenas meu véu preto. Eu me levantei e corri desajeitada com meu hábito. Quando já estava na esquina, olhei para trás e vi que ele não saiu do lugar. Estava parado apenas me observando.

Voltei a correr, mas dessa vez mais calma. De repente, começou a tocar uma sirene, que vinha de alto-falantes nos postes. Aquilo parecia sério e eu estava sozinha e sem saber o que fazer. Foi quando dezenas de pessoas cruzaram a esquina correndo em minha direção. Elas pareciam estar fugindo de alguma coisa, eu perguntei o que era e eles me mandaram correr, enquanto passavam por mim. Eu os segui de volta até o trem. Lá pegamos o trem de volta para o norte e, enquanto se acalmavam um pouco, eu perguntei a uma mulher o que havia acontecido.

– Você não sabe? Alguém violou as leis federais. Eles mandam os Grilhões para as ruas!

– Grilhões? O que é isso?

– São soldados que mantêm a ordem.

Curioso, Oneiros nunca havia me falado sobre isso. Falando nele, eis que ele entra no trem, exatamente no vagão em que eu estava.

– Alice! O que está fazendo aqui?

– Eu estava tentando ir pra casa.

– Você não deve sair por aí sozinha, pode se perder!

Contei a ele tudo o que aconteceu e perguntei sobre os Grilhões. Ele disse que eles eram criaturas malignas e que eu devia ficar longe deles, mas não quis dar muito detalhes sobre o que faziam ou sobre as tais leis federais. Ele disse não saber nada sobre o estranho espantalho.

À noite, depois de escrever e rezar, fui dormir, mas Xaninha não tinha ido ainda para o quarto. Levantei-me para beber água e a vi copulando com Oneiros, seu pai. Voltei para o quarto e decidi: Deus tem um plano para todos nós, se eu estou aqui, foi porque este é o plano de Deus, se ele me deu esta cruz, é porque sabe que posso carregá-la! Este povo está perdido, mas eu vou levar a eles a palavra de Deus! Deus me trouxe aqui porque quer que eu seja sua missionária. A partir de amanhã, essa será a minha missão!

4 Comments»

  • Livia says:

    Muita maldade ficar divulgando em pedaços!! Muito curiosa pra saber como isso vai se desenrolar!

    • Não se preocupe, Livia, a história já está pronta, eu vou publicando aos poucos porque é um pouco grande, mas pode ficar tranquila que ela não será abandonada. 🙂
      E não perca os próximos capítulos, porque a história vai ficando cada vez mais intrigante. 😉

  • Gabriel Carlito says:

    Legal,intrigante mesmo, principalmente na hora que apareceu esse espantalho!

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