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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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May
23
2014

A Dama Siberiana

Artur saíra para buscar lenha. O inverno havia chegado e era impossível manter-se aquecido sem uma fogueira. Vestia um casaco de pele de carneiro que era capaz de aquecê-lo mesmo na temperatura extrema que fazia na Sibéria.

Ele se dirigia em direção ao bosque mais próximo, munido apenas de um machado. Seria difícil dar os primeiros golpes já que os músculos ainda estariam atrofiados pelo frio, mas quando isso passasse o exercício, inclusive, o ajudaria a se aquecer.

Uma tempestade se aproximava. A cada instante, a quantidade de neve que caia do céu aumentava consideravelmente, diminuindo ainda mais a visão do homem, que naquele momento já não era muito boa. Ele precisava prestar atenção em seu caminho, já que era extremamente fácil se perder naquele lugar e, caso isso acontecesse, é possível que Artur nunca mais fosse encontrado.

Ele continuou caminhando, tentando demarcar, com a mente, uma linha reta que o ajudaria a chegar até o bosque e, mais importante, voltar para casa. Seu rosto demonstrava cansaço e, sobretudo, tristeza. Artur era o tipo de homem com quem a vida brincou até seu limite. Ele se isolara naquele lugar, longe da civilização e das pessoas. Não suportava mais sentir dor. Sofrera demais em sua vida. E a dor molda o homem como o fogo molda a lâmina, afiando e deixando com sede de sangue.

A razão maior de seu isolamento se encontrara em um par de olhos. Aquelas pequenas gemas cor de avelã foram capazes de mudar para sempre sua vida. Artur fitara-as muitas vezes, procurando naquela bifurcação confusa o caminho correto para a felicidade. Mas as estradas podem ser singradas por muitos viajantes, e outro achara a passagem correta naquele labirinto que se chamava amor. E então ele não podia mais suportar olhar para aqueles olhos, que nunca o enxergariam da forma como ele gostaria. Um homem pode suportar muitas coisas na vida, mas ser substituído não.

Artur se perdia em seus devaneios na paisagem branca e gélida que era aquele lugar. Não deixava pegadas na neve e tampouco o som de seus passos ecoavam ali. Era como se ele levitasse. Como um fantasma na tundra gelada. Apesar de sentir o ar quente saindo de seus pulmões, Artur não mais sentia o coração bater com a firmeza de outrora. A diferença entre viver e estar respirando é muito grande.

Em algum momento ele perdeu a passada. Uma leve guinada para a direita o tirou de seu rumo, e agora ele não conseguiria voltar. Não com aquela tempestade. Ele poderia procurar um abrigo, mas não havia nenhum naquele lugar.

Foi quando ele viu uma silhueta se formando ao longe. Havia uma pessoa ali?

Artur caminhou em sua direção. O vento implacável tentando o impedir de chegar ao seu destino. Quando finalmente chegou perto o suficiente da figura para divisar suas feições, ele se espantou. Uma bela moça, vestida com nada mais do que um vestido de seda, se apresentava diante dele.

Artur tentou dizer algo, mas som algum saiu de sua boca. Aliás, ele estava enfeitiçado pela beleza do ser que ali estava. Os cabelos negros caíam sobre os ombros brancos. Sua pele, que não parecia sentir os efeitos do frio daquele lugar, era lisa e macia, de uma textura perfeita. Sua palidez era atrativa, sensual. Os olhos puxados, orientais, pareciam ter a distância perfeita entre si. O nariz pequeno, quase infantil, parecia ser a antítese perfeita para os lábios vermelhos e carnudos, que se abriam timidamente para mostrar os dentes muitos brancos que eram capazes de formar o mais belo dos sorrisos.

Ele se encantou com a moça, e de repente esqueceu que estava perdido. Esqueceu o porquê estava ali. Esqueceu seu nome, sua origem. Naquele instante só existia ela. A doce e bela dama siberiana que se encontrava ali.

Em seu coração, a tempestade parou para dar lugar ao céu mais azul que já vira. A vegetação, antes coberta pela neve, fora substituída por campos verdejantes repletos de belas flores em todos os lugares.

A dama se aproximou, ficando a centímetros de Artur. Ela exalava um cheiro encantador, que ele nunca sentira na vida. Seu sorriso o fazia querer flutuar. Sair voando com ela dali, pra outro planeta, outra dimensão, onde só existissem os dois.

Sem abrir a boca, ela sussurrou belas palavras em seus ouvidos, que soavam a ele como uma doce canção. Em seguida se afastou. Ela começou a rir enquanto corria dele. Era o chamado para uma brincadeira. Ele começou a persegui-la, também rindo. E se perdeu na imensidão gelada, para nunca mais ser encontrado.


Categorias: Agenda |

18 Comments»

  • Curti. Os parágrafos sobre a solidão do Artur têm bastante sensibilidade.

    Curioso que a dama tivesse olhos puxados. Na lenda original, a descrição é essa mesma? Achei que ela teria traços mais russos/eslavos, cabelo loiro e tal.

  • Maria Oliveira says:

    Eu lembro q ao ler esse texto tive a impressão q a dama fosse a própria morte ou uma personificação de uma forma de morrer, como as sereias servem aos afogados.

  • Lucas Valadares says:

    Curti demais. Entendi a semelhança com a mulher gelada.

    “E a dor molda o homem como o fogo molda a lâmina, afiando e deixando com sede de sangue.” Muito bom, aliás, esse texto é cheio de frases marcantes e transmite sentimentos fortes para o leitor.

    Qual o nome da lenda original? É esse mesmo?

    Eu não estranhei ela ser um tanto oriental, estranhei na verdade o Artur não se chamar algo como “Vladimir”, “Sergei”, “Vodka”, “Viktor” ou algo do genêro russo, mas também não sei de onde vem o nome Artur, nem o personagem.

    • Evandro Furtado says:

      Vodka? kkk.

      Eu lembro que li a lenda em um site chamado “Ah Duvido”, aliás, uma ótima fonte de inspiração.

      Eu estava olhando e Artur é um nome russo também. Só que lá fica ?????, ou algo assim, kkk.

      • Lucas Valadares says:

        Eu pensei em “Raiska” também! asuhaa

        Sempre que Artur fosse algo mais inglês mesmo, talvez pelas próprias histórias do primeiro rei da inglaterra e tals…

        • Evandro Furtado says:

          Aí acho q nesse caso é Arthur. Parece irrelevante mas até a pronúncia é diferente.

      • Evandro Furtado says:

        Putz, minhas letras russas foram substituidas por pontos de interrogação!!!

      • Maria Oliveira says:

        Eu amei a parte da vodka! Adoro…. ai ai… s2

        Eu conheço o Ah Duvido tb, algumas coisas p meus dragões eu pesquiso lá. Se vc topar com alguma coisa sobre quimeras eu quero porque na prática meus maesel ñ passam de quimeras.

  • J.Nóbrega says:

    Gostei, curto muito esses cenários gelados e as lendas eslavo/russas, assim como as mulheres de lá também kkkk.
    .
    Eu já vejo com a personificação da morte, porque a morte precisa ser uma caveira segurando uma foice? É menos traumatizante assim. kkk

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