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Publicado por Lucas Valadares

– que publicou 15 textos no ONE.

Sou estudante de engenharia, leitor voraz, e aspirante a escritor.Vejo minha escrita como a tentativa de materializar as idéias e histórias que contam-se em minha cabeça. Tenho muitas idéias sobre coisas para escrever, e aos poucos passo as coisas para o papel. Não se algum dia chegarei a escrever um livro inteiro, mas a leitura e a escrita me fascinam.

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May
24
2014

Na Escuridão da Floresta – Parte 7, A trilha

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“Aquilo é uma estrada?” Willem perguntou, incrédulo, enquanto os amigos olhavam para a trilha de pedras que se esgueirava entre as árvores no outro lado do rio.

“Uma trilha, uma estrada. Não sei. Mas com certeza não é natural. As pedras não foram parar lá por livre e espontânea vontade.” Respondeu Mazzo, ressaltando o óbvio.

“Mas quem poderia ter pavimentado um caminho bem no meio do Coração Verde, e qual seria o propósito?” Perguntou Willem, pensando nas lendas sobre os povos que atravessavam floresta. “Poderia ser dos Guanches?”

“Não, não é Guanche.” Dessa vez foi Vazs quem respondeu. “Os povos livres do sul não gostam de estradas pavimentadas. Preferem a terra seca e batida ou grandes gramados verdes onde seus cavalos podem trotar livremente sem machucar os cascos.”

“Mas talvez fosse uma forma de demarcar caminho nesta floresta imensa. Todos sabem que eles viajam através do Coração Verde e são os únicos homens que ainda o fazem.”

“Pode até ser, Willem. Mas não acho que seja o caso. Creio que essa trilha é bem mais antiga que os povos livres do sul.”

“Você se refere aos Filhos-da-Lua?

“Não seja idiota, estas são apenas lendas. Estou falando de homens, Willem, pessoas como eu e você. Mas não estou me referindo aos Guanches, nem aos antigos nandorianos.”

“Explique-se.”

“Vocês sabem que nem sempre o Coração Verde foi uma floresta una e massiva como nós vemos hoje. Antigamente esta região abrigava alguns reinos dos homens, aqui havia cidades, lavouras e florestas menores e desconexas de onde pessoas tiravam lenha e madeira.”

“E o que aconteceu a eles?”

“Foram embora. Depois da primeira investida fracassada dos Filhos-do-Sol aos humanos, algo na floresta mudou. Uns dizem que foi algo na água ou na terra, enquanto outros dizem que foram os deuses homenageando os muitos mortos da guerra ou até um feitiço das crianças lunares. Mas a verdade é que a floresta mudou, e as árvores aqui começaram a crescer de maneira desenfreada. Dizem que em menos de duas gerações as cidades que aqui existiam começaram a ficar isoladas, as árvores cresciam mais rápido do que eles eram capazes de cortar. Não havia mais estradas abertas ou lavouras. Tudo passou a ser essa grande massa verde e una. Comerciantes não vinham mais para cá pois os animais selvagens, como gatos-do-mato e ursos passaram a atacar viajantes com mais frequência. Até que eles desistiram de viver e aqui. Muitos desses povos se transformaram nos Guanches que conhecemos hoje, enquanto outros se incorporaram ao império.”

“Então aquela pode ser uma trilha de dois mil anos atrás?” Willem recusava-se a acreditar.

“Ou até mais antiga, como vamos saber?”

Aquilo foi pior que um soco no estômago. Willem tinha esperança de aquele fosse o caminho de volta à civilização. Mas pelo jeito a floresta guardava mais segredos do que ele era capaz de imaginar.

“Mas a pergunta que não quer calar.” Ressaltou Gunther. “É se devemos ou não seguir por essa trilha. Não importa quem a fez, e sim para onde leva.”

“Eu concordo.” Respondeu Vazs. “A trilha segue para o sul, não vejo motivo para não a usarmos. O que dizem?”

Ninguém respondeu de imediato, Willem observou. Todos pensando nas possíveis consequências de tomar uma trilha errada e ir para um lugar ainda mais remoto no interminável Coração Verde. Willem matutava essas mesmas preocupações quando uma voz doce e familiar o tirou de seus desvaneios. Sabes onde deve ir, Willem. Mas tens medo de dar o primeiro passo. Disse ela, e um calafrio eriçou os pelos de seus braços.

Sai da minha cabeça.” Ele reclamou baixinho, mas não baixo o suficiente para não ser ouvido por seus companheiros.

“O quê disse, Willem?”

“Acho que devemos tomá-la.” Tentou disfarçar. “Já estamos perdidos e fudidos de qualquer jeito. Na minha opinião é melhor pegarmos essa trilha que pode nos levar a algum lugar do que vagar a esmo para não chegar a lugar nenhum.”

Todos concordaram. Gunther, porém, voltou a falar antes deles se prepararem para seguir caminho.

“Acho que devemos esperar, acampar perto do rio. Não somos os únicos que precisam tomar água, é um bom lugar para caçar. Podemos montar nossas tendas a uns duzentos metros do rio, em algum lugar propício. E ver o Willem todo molhado me fez lembrar que nem eu aguento mais meu cheiro.”

E então também tirou suas botas, mochila e armas e se jogou na água de roupa e tudo. Mazzo acompanhou, mas demorava-se amarrando o cavalo e sofrendo para tirar a bota da perna machucada. Vazs foi o único a não entrar.

“Entre na água, teu cheiro também não está dos mais agradáveis.” Disse Willem, e os outros amigos também fizeram coro para o colega entrar, mas ele não o fez.

“Enquanto as moças vão ficando molhadinhas, eu vou dar uma olhada na trilha para ver onde leva e procurar um bom lugar para montar acampamento. Divirtam-se garotas.”

Vazs atravessou o rio saltando por rochas de diferentes tamanhos que criavam obstáculos para a água desviar, e então desapareceu na trilha de pedra.

“Willem!” Veio o chamado distante, despertando-o de seu cochilo ao sol. Era Gunther, e sua voz ecoava em meio as árvores ribeiras.

“O quê?” Gritou ele em resposta, tentando localizar o companheiro.

“Tenho um trabalho para você. Atravesse o rio com meu cavalo, uma capa, e duas de suas melhores facas. Há um trecho raso para travessia uma centena de metros rio acima, estarei lá.”

Willem vestiu a camisa que estava estendida ao sol, desamarrou o cavalo de Gunther, e foi de encontro ao companheiro enquanto Mazzo dormia. Vazs ainda não havia retornado, e uma ponta de preocupação cutucou os pensamentos de Willem.

“Por aqui.” Disse Gunther quando Willem terminou a travessia. “Me siga.”

Willem acompanhou o amigo mata a dentro e após um quarto de hora perambulando entre árvores diversas, Gunther parou.

“Ali!” Ele apontava para um carvalho de dez metros de altura onde jazia um cervo de cor marron-avermelhada quase da altura de Willem pendurado sobre um galho baixo. Sua galhada balançava a dois metros do chão, e o peso do animal produzia um ranger na corda. Do pescoço do animal ainda pingavam gotas vermelho-sangue que desaguavam numa grande poça vermelha ao chão.

“Atirei da outra margem.” Falou Gunther. “A idéia era tentar um tiro certeiro no coração ou na garganta mas ele se moveu. Acabei acertando o pulmão dele”, seu dedo apontava para o ferimento entre as costelas, “e ele fugiu pra mata antes de eu acertar outra flecha nele. Demorou mas a primeira fez o trabalho, só temos de carnear para levá-lo daqui. E você vai me ajudar, pois ele pesa uns cento e vinte quilos, trouxe as facas?”

Willem assentiu e entregou uma ao companheiro.

“Ótimo, vamos fazer isso antes que fique muito tarde.”

Os dois abaixaram o cervo até a galhada ficar a apenas meio metro de distância do chão para poder iniciar a tarefa. Do alto de um galho forte descia uma corda que terminava numa haste redonda com um metro de comprimento, e próximo de cada ponta haviam cavidades talhadas para encaixar as cordas que prendiam as patas do animal e as mantinham afastadas. Começaram por um pequeno corte ao redor das pernas traseiras e logo abaixo das amarras, para depois puxar um novo corte perpendicular ao primeiro que ia até a bacia do animal. Tirar o couro era a parte mais lenta, cortar suavemente as camadas de gordura e membranas que prendiam músculos e pele, enquanto o aroma de sangue fresco ia aos poucos incrustando-se em suas mãos e tomando conta de seu olfato. A carne vermelha e lustrosa já aparecia junto aos ossos, nervos e gordura.

Por fim abriram a barriga do cervo, tendo o maior cuidado para não furar nenhum órgão do animal que pudesse liberar bile ou qualquer outro líquido interno na carne e contaminá-la. As entranhas cinzentas caíram no chão e um gosto ácido tomou conta de sua garganta. Willem sempre sentia vontade de vomitar nessas horas, mas jamais o fizera.

“Traga o cavalo.”

Willem de pronto obedeceu e desamarrou o cavalo do companheiro de uma árvore próxima e trouxe até o matadouro improvisado. O cavalo hesitou, sentido o cheiro de sangue e vendo a carcaça ali, mas Gunther o acalmou chamando-o pelo nome e afagando a cabeça do animal. Willem e Gunther cortaram as patas do cervo na altura do couro que ainda restava, e colocaram a carcaça vermelha e decapitada sobre o cavalo de Gunther, onde Willem havia estendido sua capa. Vou ter de lavar de novo essa porcaria.

“Você acha que o Vazs vai demorar?” Perguntou tentando distrair os pensamentos.

“Não.” Disse Gunther num tom despreocupado, enquanto revirava as entranhas em busca do coração do animal – um velho costume de caçadores. “Logo ele retorna, sempre soube se virar.”

Uma dúvida formou-se na mente de Willem.

“Ele contou-me sobre os seus tempos de exército.”

Gunther parou.

“Sério?! O quê deu nele?”

“Ah, incomodei um pouco, – um bom pouco, diga-se de passagem – e ele me contou. Confesso que não esperava ouvir tal relato dele. Mas ainda tenho uma dúvida sobre a história toda.”

“E qual seria a dúvida?”

“Por que você veio também?”

Aquilo pegou o companheiro de surpresa.

“Então ele não contou?” Willem negou com a cabeça. “Bem a cara dele omitir as partes onde se fode. Mas a verdade é que você me fez uma ótima pergunta. Nem sei porquê o acompanhei. Foi uma decisão de momento, vi meu amigo de armas que muitas vezes salvara minha vida em perigo e não pensei duas vezes antes de defendê-lo e matar os homens que queriam seu sangue. Achei que ele tinha se metido em mais uma briga bêbado com algum sargento qualquer e os humores exaltados fizeram as lâminas surgirem. Mas ele estava em desvantagem, havia três homens tentando pegá-lo. Pus-me a seu lado e matei um dos adversários enquanto ele se livrava dos outros. Porém logo vieram mais e mais, chamavam-nos de traidores, e então percebi que algo mais grave havia acontecido. Travamos nossa fuga em meio a aço e sangue, e depois de matarmos mais dez companheiros antigos de exército conseguimos escapar. Somente perguntei o motivo de toda aquela escaramuça que havia botado minha cabeça à prêmio quando ele dividiu o ouro que roubara comigo, e ele falou sobre como matara o sacerdote e o major e porquê. Naquela hora eu pensei que ele tinha uma razão válida e, na falta de um melhor lugar para ir, o acompanhei desde então.”

“E não te arrependes de ter deixado o soldo?”

“Não, sem chance. Eu estava no exército para poder ter boas lutas, ouro e poder dormir com quantas mulheres estivessem ao meu dispor. Acontece que a vida de bandido e de soldado é muito parecida nesse sentido: vivemos das pilhagens daqueles que matamos. Mas nós proscritos não temos de enfrentar exércitos de homens treinados, nem acatar ordens de nenhum oficial de bosta que pensa ter sangue azul. Nenhum deles têm sangue azul Willem, acredite em mim, não importa o quanto sejam poderosos ou nobres. A verdade é que seja rei ou escravo, todos sangram igual a nós quando uma lâmina encontra suas gargantas.”

“Mas reis e soldados não precisam fugir para o Coração Verde.” Disse Willem. “Nem serão perseguidos por todo o reino se conseguirem sair vivos de lá.”

“Não seja tão pessimista, Willem. Sobreviveremos a este lugar, e quando sairmos ninguém nos reconhecerá. Pense em tudo que já fizemos até agora para permanecermos vivos. Não deixaremos tudo isso ser em vão, amigo, prometo-te. Quando sairmos daqui seremos ricos e ninguém jamais se atreverá a soltar os cães em nós novamente.”

Willem aquiesceu e não voltaram a conversar no trajeto até o rio. Estavam prestes a começar a travessia quando um assovio agudo ressoou no ar – era Vazs, que havia finalmente chegado. O arqueiro sorriu surpreso ao ver a carcaça que eles traziam no cavalo.

“Uns bons sessenta quilos de carne aí. Fizeram um bom trabalho, vai dar para estocarmos.”

“Só se você souber um jeito de cristalizar mijo e transformá-lo em sal.” Disse Gunther antes de cair na gargalhada, acompanhado de Willem. Vazs mantinha uma expressão indiferente quando os dois pararam de rir.

“Boa sorte com isso. Mas eu tenho algo diferente em mente.”

“O quê é?”

“Vocês verão. Tudo o quê posso adiantar é que achei o local do nosso acampamento para hoje. Arrumem tudo que tiverem e venham, é só seguir a trilha.”

“Preciso lavar minha capa.” Willem lembrou. Não sabia quando teriam acesso a um rio novamente e não queria usar uma capa fedendo a sangue – um verdadeiro chamariz de predadores – em plena floresta.

“Não se preocupe. Aonde estamos indo tem água o suficiente para se lavarem, venham.”

Em poucos minutos estavam em companhia de Mazzo, que reclamou ao ser acordado, mas acabou vindo. Como o cavalo levava em si a carcaça do cervo, o companheiro ferido teve de andar, o que rendeu mais algumas rodadas de reclamações.

Willem estava a um passo da trilha de pedra. Estava ligeiramente na frente dos companheiros, que ajudavam Mazzo a atravessar pelas pedras que cortavam o rio. A trilha em sua frente tinha um pouco mais de dois metros de largura – o suficiente para uma carroça – e era feita de pedras escuras. Estavam bastante desgastadas, não se via arestas, todas tinham os cantos bem arredondados e o espaço entre as pedras já era muito maior do que o planejado. Aquela estrada não era usada a anos, Willem notou. Um limo grosso e verde se fazia presente em cima de quase todas as pedras e não havia o menor rastro de rodas, nem patas de cavalo ou bois. Já não estava tão certo de que deveriam tomar a trilha.

“É longe?” Mazzo perguntou, quando estavam todos em frente a trilha.

“Levei quarenta minutos antes, embora pense que agora levaremos quase o dobro do tempo.” Disse Vazs enquanto olhava para a perna de Mazzo. “Mas valerá a pena, garanto.”

O silêncio manteve-se por um momento, até ser finalmente quebrado por Willem.

“Vamos então.” Disse ele, surpreso consigo mesmo. “Estão esperando o quê?” E entrou na trilha, dessa vez sem o menor receio em dar o primeiro passo.

O caminho de pedra, ao contrário do que Willem esperava, não tinha nada de especial. Era uma simples estrada pavimentada, com trechos que eram retos como uma lança, enquanto outros eram mais tortuosos e iam serpenteando seu caminho pela mata – que era absolutamente igual a tudo que tinham visto naquelas semanas na floresta. A única diferença que ele foi capaz de notar na paisagem durante todo o percurso foi um pequeno trecho bem ensolarado onde as árvores se afastavam alguns metros dos dois lados da trilha, dando espaço para crisântemos, copos-de-leite, margaridas, e outro diversos tipos de flores e folhagens rasteiras que pintavam a paisagem de vermelho, branco, amarelo, alaranjado e muitas outras cores vivas que agradavam não somente aos olhos, como também ao olfato com seu perfume exuberante de primavera.

Mas como nada dura pra sempre, o próprio jardim natural foi se minguando conforme prosseguiram na trilha. A grande variedade de flores sendo substituída aos poucos por arbustos selvagens e ervas daninhas, até que não se via mais flores exceto por algumas aqui e ali.

O silêncio no grupo era quase total, sendo quebrado apenas por alguns eventuais ‘Falta muito?’ e ‘Já chegamos?’ que vinham de Mazzo ou de quem quer que estivesse mais entediado naquele dia. Já os insetos cantavam, zuniam e criqueteavam a vontade, não dando menor importância ao grupo. A sinfonia desarmonizada trazia para Willem lembranças de Elkor no festival da colheita ou nas comemorações na virada dos anos – quando toda a cidade saia para as ruas fazer oferendas aos deuses, e também se divertir, beber e berrar até perder a voz.

Willem pensava ter odiado Elkor a vida toda. A cidade maldita tinha tirado dele toda a sua família, a sua esperança, e por fim a sua dignidade nos anos que passou mendigando e quando entrou para o crime. Mas agora a cidade lhe fazia falta. As casas mal feitas, as ruas lamacentas, o fedor e os mendigos, todas essas coisas lhe davam saudades. Lembrou-se das garotas, geralmente camponesas e serviçais que Willem seduzia com um pouco de vinho barato e mentiras sobre lugares que nunca visitou e pessoas que nunca conheceu. Mas também tinha boas lembranças das putas do bordel onde Garrow trabalhava, onde costumava ir quanto tinha a bolsa cheia de ouro e prata de algum roubo bem-sucedido, pois com elas não precisava gastar tempo com conversa fiada que as vezes levavam a nada, não lhe perguntavam sobre sua vida e, principalmente, jamais lhe faziam perguntas pertinentes sobre de onde vinha o ouro.

Até teve um romance ou dois, e conheceu garotas que lhe fizeram pensar em levar uma vida honesta e cheia de amor numa pequena fazenda onde poderiam criar alguns animais e manter uma pequena lavoura de cevada e legumes. Grandes desilusões, ele pensou. A primeira delas, Luci, era bonita e delicada como uma manhã de sol em pleno inverno. Tinha um cabelo preto e sedoso que descia até os ombros, um rosto triangular e olhos castanhos que combinavam com as poucas sardas que cobriam suas bochechas e contrastavam com o branco de sua pele. Era quase da altura de Willem, e apesar dos quilinhos a mais na cintura vindos do seu trabalho na cozinha de um dos nobres menores, ele a considerava perfeita. Luci foi a primeira pessoa com quem Willem foi verdadeiro. Quando ela sorria, todo aquele vazio que lhe apertava por dentro desaparecia, sendo preenchido por juras de amor eterno e promessas que envolviam muitas crianças e uma vida calma onde a solidão não tivesse espaço para crescer.

Tudo corria muito bem, pelo menos por uns seis meses. E se não fosse por Adrian – o maldito irmão enxerido de Luci – talvez tudo estivesse bem até agora e Willem teria se tornado um camponês e abandonado a vida na margem da lei. Mas por um capricho do destino ou dos Deuses, Adrian – que estava particularmente interessado na fonte de renda do cunhado – resolveu um dia seguir Willem até o local onde se reuniria com seus companheiros para se preparem para o próximo roubo. O esforço de Adrian foi recompensado com uma bela surra e uma lâmina entre as costelas, presente do próprio Willem. E na hora dar um jeito no corpo, Willem quis ter a certeza que a alma do cunhado chegasse ao pior dos infernos. E por isso, ao invés de queimá-lo para que suas cinzas se elevassem ao próximo mundo ou jogá-lo no rio para que fosse levado ao grande mar, ele o enterrou, garantido que sua alma jamais deixaria este mundo, ficando assim preso e amaldiçoado para sempre no Grande Escuro. Depois disso o amor eterno foi por água à baixo e as únicas juras que Willem conseguiu de Luci foram de ódio e vingança e a promessa de que ele iria pagar por todos os seus crimes, o que rendeu a família dela uma visita dos irmãos Parrel e Mazzo onde eles cuidadosamente foram lembrados de que qualquer menção de vingança ou tentativa de delatá-los para a Justiça do Rei seria paga com a morte de cada um deles. Luci e sua família fugiram, sabe-se lá para onde, e Willem nunca mais a viu. As vezes ele pensava em seu sorriso sardento ou sobre como ela o acordava sussurrando em seu ouvido palavras doces. Houve uma época em que essas memórias doíam, embora hoje elas trouxessem apenas um leve desconforto, como uma pontada no estômago que lhe faziam pensar sobre como a vida poderia ter sido se…

“Chegamos.” Disse Vazs, abruptamente, interrompendo os desvaneios de Willem.

“Não vejo nada.” Disse Gunther.

“É por que não estão olhando para o lugar certo.” Vazs apontava para uma abertura entre o alto das árvores. “Lá!”

Willem precisou de um tempo para identificar aquilo que Vazs apontava, em parte pelo fato de praticamente toda estrutura estar coberta por trepadeiras, mas principalmente porquê ele jamais esperaria ver uma torre ascendendo mais de quarenta metros acima do solo nas entranhas profundas do Coração Verde.

“Que raio de lugar é esse?” Perguntou Willem quando chegaram ao local onde situava-se a torre: parecia uma pequena cidade ou um vilarejo agrupado em um formato circular, caindo aos pedaços, onde a maioria das casas estavam quase totalmente destruídas.

As casas eram feitas com paredes de gesso e estuque, cobertas com telhados de palha trançada. Todas tapadas por trepadeiras, sem pedaços das paredes e com apenas vestígios do telhado. As únicas construções que ainda estavam de pé eram a torre quadrada de pedra que ficava próxima ao centro da vila, também estava cobertas por trepadeira em todos os seus quarenta metros de altura; um grande salão retângular, com paredes de pedra e telhas de barro cozido, que ficava ao lado da torre; um estábulo, parte de pedra e parte de madeira, com lugar para cinco cavalos; e uma fonte circular com dez metros de diâmetro e um metro de profundidade que ficava no centro exato do vilarejo e devia ter sido usada por quem quer que tivesse um dia habitado o lugar.

“Ao que parece é uma antiga cidade que foi abandonada. Ninguém mais mora aqui há séculos.” Respondeu Vazs.

“Estas casas podem, muito bem, estar abandonadas há séculos”, notou Willem enquanto passava os olhos pela paisagem desolada, “mas aquele estábulo não pode ter mais do que alguns anos, toda a madeira está em bom estado e não podre como o resto. Parece que alguém usa esse lugar. E sabe-se lá o quê pode ter no salão e na torre.”

Vazs sorriu maliciosamente.

“Bem notado, e é aí que se encontra a surpresa. Venham!”

Todos acompanharam Vazs até o grande salão. A porta abriu com um rangido irritante, onde havia um tranca agora via-se um cadeado estourado, e todos entraram atrás do arqueiro. As primeiras coisas que Willem notou foram a poeira e o cheio de mofo que havia no salão, mas fora isso estava em melhores condições do que ele esperava. Poucas teias de aranha, nenhum rato, paredes bem fechadas com janelas pequenas e longe do chão, uma lareira com um caldeirão, e o melhor de tudo: um teto sem buracos para fugir da chuva. O salão, além de tudo, era bem amplo. Espaço o suficiente para todos poderem dormir sem se ter de se espremerem uns aos outros. Também havia uma mesa com tijelas e colheres de madeira empoeiradas, dois bancos sem encosto onde podiam se sentar três homens de cada vez estavam dispostos um em cada lado da mesa.

“E aquela porta?” Perguntou Willem, apontando para a única porta que havia dentro do salão e parecia uma despensa.

“É o motivo de termos vindo para cá. Por que você não abre?”

Willem caminhou até a porta enquanto todos o olhavam. Nela também havia um cadeado estourado, ainda estava na tranca para manter a porta fechada mas já não era nenhum obstáculo. Ele o removeu e a porta rangeu em resposta, abrindo-se.

A despensa nada mais era do que um cubículo de nove metros quadrados com uma série de barris diferentes dispostos contra uma das paredes. O estômago de Willem remexeu-se, empolgado com a ideia de um bom vinho ou aguardente ou que quer que fosse – desde que tivesse álcool. Mas quando abriu o primeiro barril, se decepcionou: havia somente sal. Abriu mais um, novamente sal.

“Mas que merda! Nesses barris só tem sal.” Exclamou frustrado, enquanto abria um terceiro.

“Sim, mas nem todos. E mesmo que for somente sal, nos ajuda muito.” Respondeu Vazs.

“Eu sei. Mas tenho que admitir que estava bem contente com a idéia de tomar uns tragos quando vi os barris, agora já não estou mais.”

“Não se fruste tão cedo.” Disse Vazs, indo até um dos cantos da despensa escura. Lá abaixou-se, rolou um barril para o lado, e levantou um alçapão que estava escondido no chão. De dentro do buraco vieram dois barris pequenos, que Vazs alcançou a Willem, e depois o arqueiro começou a tirar uma série de cilindros de bambu com cerca de trinta centímetros de altura e uns doze centímetros de diâmetro e tinham um lado tapado com rolhas de cortiça.

Willem balançou os barris, e o som inconfundível de líquido o deixou com água na boca sem sequer saber o que havia dentro dele. Mas ele também estava particularmente interessado nos cilindros de bambu. Lembrava-se de já ter visto alguns, mas sua memória não conseguiu associar o objeto à função.

“O que é isso?”

“Abra e verá. Depois vocês podem me agradecer.”

Com ajuda de uma faca, Willem removeu a rolha de cortiça. Sabia que dentro não havia nada líquido, por isso não se preocupou em derramar. O cilindro de bambu soltou um suspiro quando Willem o abriu, como se estivesse desesperado por ar, e um aroma suave e silvestre tomou conta do seu nariz. O cheiro lembrava uma mistura de arruda e funcho, mas nada desagradável: o inconfundível cheiro de erva-de-fumo.

“Não pode ser!”, a animação tomava conta de Willem, “Por favor me digam que eu não estou em outro sonho estranho.”

“Do quê você tá falando?” Perguntou Vazs, que não estava no acampamento durante a manhã.

“Nada, só um sonho idiota.” Willem falou. “Mas ao contrário do meu sonho, essas aqui são bem reais! Estranho a erva estar prensada, nunca vi nada assim. Mas é impossível não reconhecer o cheiro, parece ser das boas ainda por cima.”

“Sim, e nos barris que estavam escondidos tem aguardente de cana de verdade.”

Cachaça?” Perguntou Mazzo, animado.

“Cachaça! E não aquela porcaria de álcool de batata misturado com mel que os mercantes tentam empurrar pra nós em Elkor. Mas antes que vocês fiquem todos bêbados como porcos,” Vazs passou a usar um tom sério, “vamos comer como reis!”.

Aproveitaram as últimas horas de luz para cortar e salgar toda a carne do cervo que Gunther abateu. Depois disso separaram alguns pedaços para o jantar, e guardaram os outros envoltos na capa de Willem. No dia seguinte haveriam de construir palanques para deixar a carne secar no sol. Gunther ocupou-se indo atrás de temperos e preparando a janta, enquanto Willem acendia a lareira e limpava o caldeirão de ferro. Vazs foi vasculhar as casas do vilarejo, poderia haver algo de útil. E Mazzo, cujo ferimento na perna ainda não sarara, sentou e observou.

Naquela noite comeram a carne de cervo assada e também num ensopado que Gunther fez usando algumas cebolas silvestres, sálvia, e outras ervas aromáticas que acharam nas redondezas. Willem comeu até a barriga inchar, e depois continuou comendo. Depois de dias se alimentando de raízes, era difícil se controlar. Mesmo depois de cheio era complicado sentir o aroma da comida e ficar sem comer. Beliscou mais alguns pedaços de carne assada, mas seu estomago começou a doer, por isso Willem resolveu – a contragosto – parar.

Fiel aos seus costumes antigos, Willem preparou um cachimbo com erva de fumo, não usava o artefato a tanto tempo que precisou de um bom tempo para encontra-lo na mochila. O dele era o único que tinha resistido ao ataque do urso, por isso ele se considerava com sorte. Nem tanta sorte assim, Willem pensou quando se deu conta de que teria que dividir o cachimbo com os companheiros a noite inteira.

Quando todos terminaram de comer, o cachimbo foi rodando de mão em mão, numa roda silenciosa ao redor da mesa onde os quatro estavam sentados. Pouco depois Vazs levantou-se e foi buscar um dos barris de aguardente e eles começaram a bebericar.

“Essa cachaça é ótima!” Exclamou Mazzo, que tinha passado por uma mudança de humores tremenda nas últimas horas. “Devemos agradecer a quem quer que mantenha esse lugar se tivermos a chance.”

“Eu não estou tão ansioso por conhecer estranhos em plena floresta.” Disse Willem. “Ainda mais depois de termos invadido seu…”, ficou procurando pela palavra, “depósito… Ou seja lá o que for esse lugar. Aliás, quem vocês acham que mantém esse lugar?”

“Não importa.” Disse Vazs. “Quem mantém esse lugar, ou quem deixou esse sal e erva-de-fumo aqui – não importa. A única coisa que devemos nos preocupar é: quanto tempo levará para voltarem?”

“Talvez seja algum refúgio para caçadores.” Arriscou Willem. “E talvez eles venham só no verão.”

“Pode ser. Assim como eles já podem estar vindo pra cá nesse exato momento. Seja como for, se os encontrarmos, pode ser nossa saída dessa floresta. Mas como você mesmo disse, Willem, também não estou muito ansioso em encontrar estranhos nesse lugar.”

Passaram o resto da noite falando de assuntos mais amenos, bebendo, fumando, lembrando histórias de roubos bem-sucedidos e outros nem tanto, e até rindo. Willem se lembraria daquela noite para o resto de sua vida. Inerente a lembrança havia uma lição que Willem não pôde deixar de notar, apesar da dor que ela lhe causaria no futuro, e ele a guardou. Aquela foi a última vez que riu genuinamente e na companhia dos quatro amigos. Mas ele aprendeu que, mesmo estando fudido e preso numa floresta de incertezas, ainda haviam motivos para sorrir.

 

Mapa um pouco mais completo


Categorias: Agenda |

19 Comments»

  • Lucas Valadares says:

    Finalmente a parte 7. As coisas estão meio paradas na história, mas é que estou me guardando para o próximo capítulo. Essa história foge do meu controle, e os capítulos sempre ficam maiores do que a intenção, mas tem bastante coisa para acontecer no próximo. Aliás, só vou prometer mais um capítulo de ‘Na escuridão da floresta’ aqui no One, pois depois disso vou me dedicar a um conto de capítulo único que eu estou querendo muito escrever e que se passa no mesmo mundo. Mesmo assim, no próximo capítulo vocês ouvirão os ruídos no escuro. ahusahush

    Como podem ver, finalmente está aí o tão pedido mapa. Está um lixo, verdade, mas eu sou péssimo em desenho.

    Me digam o que acharam. Abraço.

  • Evandro Furtado says:

    Finalmente hein Lucas? Fazia um bom tempo desde a última parte.

    Parece que a sorte dos nossos heróis está mudando, vamos ver o que faz no próximo capítulo (vê se não demora tanto hein?, kkk).

    E gostei do mapa. Como é que fez? Tô pensando em fazer um pra uma história minha. Conhece algum programa que faça isso?

    • Lucas Valadares says:

      É verdade, mas eu sou um escritor lento. E as vezes fico semanas preso em dois parágrafos.

      Espero trazer ela meio logo, mas nem tããão logo assim uahshuas. E a intenção é mostrar o porquê de essa história se chamar ‘Na escuridão da Floresta’.

      Bom e velho paint uhashuauh. O mapa é baseado na américa do sul, mas existe uma conexão com a ‘africa’. A américa do norte é uma terra desolada, e a europa é um mistério aishahuah.

      • Evandro Furtado says:

        Pô, tu fez essa baita mapa no paint e tá falando que tá um lixo. Cê tá de brinqueition uiti me, cara?

      • Evandro Furtado says:

        Ah, e eu também tô nessa onda de tentar alguma coisa com fantasia medieval agora. Se puder dar uma olhada lá em “Nirvana” e dar uma dicas. Valeu.

        • Lucas Valadares says:

          Eu achei o mapa bem fraco…

          Fantasia medieval é massa. Na verdade nem só a medieval, qualquer fantasia que englobe as civilizações do passado é interessante. Mais pra frente eu pretendo escrever uma história que se passaria na ‘africa’ do meu mundo, e tava pensando em escrever sobre uma civilização de caráter mais muçulmano/árabe com elementos de fantasia.

          • Evandro Furtado says:

            Maneiro. Que tal se incluir alguns necromantes e exércitos montados em elefantes?

        • Lucas Valadares says:

          Já pensei em necromantes. Mas confesso que não pensei em exércitos de elefantes, bem Aníbal.

          Cara, eu penso que dá pra você inserir vários elementos no mesmo universo, tipo magia branca, magia negra, necromancia, xamanismo e whatever na tua história, desde que não apareçam todos ao mesmo tempo ou todos no mesmo lugar. Tipo, uma civilização é boa em magias de cura, outra em necromancia, outra em magia elemental. Depende do que for forte daquele povo.

  • Hummm essa rodinha tá dando água na boca! Faltou só um melzinho! Já estava com sdds do
    Willem, q é meu favorito!

    • Lucas Valadares says:

      Hehe. Valeu por ler e comentar Maria! Pois é, estava sentido falta de postar uns capítulos aqui. O foda é que esse capítulo demorou décadas para ser terminado. Vamos ver como vai ser o próximo, que vai ser uma espécie de final momentâneo da história.

      • É… eu cheguei a pensar que vc tivesse desistido!
        Gostei desse momento de paz para os meninos, e de poder supor pelo final do texto que o Willem pelo menos sobreviveu!
        E tem capítulo 21 do X-Bacon na agenda!

        • Lucas Valadares says:

          Eu dou uma parada só. Desistir jamais! uhhuahushua

          Era necessária essa paz, eles tão se fodendo a um bom tempo coitados. E com o que vem pela frente eu achei uma boa fazer isso.

          Existe uma razão bem específica para Willem ser o protagonista, isso vai ser explicado bem mais além. Mas nada de síndrome do escolhido.

          Vou ler!

  • Muito bom, Lucas! Curti esse momento de sossego dos personagens. A tranquilidade geralmente precede a irrupção de algum desastre horrendo, como o último parágrafo sugere.

    Sim, as informações que o Gunther adicionou deram mais credibilidade ao relato do Vazs. Então ambos se conheciam do tempo em que serviram ao exército, hã? Legal, legal. O passado do Willem é que ainda um tanto quanto misterioso, salvo determinados episódios, como o rolo dele com a Luci.

    Ah, e adoro ver a dinâmica que existe no grupo; mostra que os personagens são amigos de longa data. (Aliás, talvez pelo fato de serem ladrões, ou talvez pelo fato de eu ter lido este livro recentemente, digo que o trio me lembra da trupe de “As mentiras de Locke Lamora”, do Scott Lynch; não sei se vc já leu; se não, recomendo.)

    De novo, curti as referências a elementos brasileiros, como a cachaça. O Coração Verde foge completamente ao estereótipo de floresta que costuma aparecer na fantasia medieval. Parece uma vegetação típica de climas mais quentes, mas ainda assim não tão quentes. Está bem interessante.

    O mapa ficou ótimo. Já antecipa que outras culturas e outros povos entrarão em cena, em histórias futuras.

    Ah, e gostei também da descrição mais profunda sobre a preparação do cervo pra servir de refeição. Na literatura fantástica é comum se mencionar na narrativa que “caçaram o animal tal pro almoço” e fica só nisso. Esmiuçar todo o processo ficou diferente e permitiu mostrar conhecimento. (No meu “Além do Sol e da Lua”, em dado momento arranjo um pretexto pra descrever a operação de uma forja, para produzir aço e forjar espadas; demandou um pouco de pesquisa, mas o efeito final não ficou ruim, acho.)

    Parabéns pelo trabalho! Aguardo a parte seguinte.

    • Lucas Valadares says:

      Esqueci de responder esse comentário aushuashas.

      Eu estou com a sensação e o Willem não tem um passado bem claro ao leitor, eu vou dando uma informaçãozinha aqui e outra ali, mas é diferente de fazer um longo relato bem fechado, como fiz com o Vazs. E sim, eles eram companheiros de exército, embora no começo eu não tivesse tanta certeza disso, ahshuashusa.

      Pois é, as vezes é fácil tu simplesmente dizer, ‘ ó, eles caçaram um bixo e tão comendo carne e foda-se’ mas eu achei que seria legal mostrar esse lado da sobrevivencia.

      Bah, eu sou muito interessado na parte dos ferreiros, até um dos motivos de eu não descrever tanto as espadas deles é isso, eu ainda tenho que dar uma estudada melhor no resto.

      E obrigado por acompanhar velho, abraço!

  • J.Nóbrega says:

    Cara curti muito. É mais parado, mas é aquele silêncio que prece o esporro. kk
    .
    Agora vendo o mapa fico pensando, há alguma relação não-histórica, com os povos que habitaram as américas antes da chegada dos colonizadores? Pergunto isso porque é meu sonho escrever algo relacionado a isso,no futuro quero escrever sobre um Brasil pré-indios, onde algo sobrenatural tornou a terra um lugar desabitado de árvores e povos pouco desenvolvidos.
    .
    Vou para a continuação depois.
    .
    Abraço.

  • Lucas Valadares says:

    Valeu por ler velho.

    Cara, não sei. Rola uns papo de que os Indios da América do Norte lutaram contra os Vikings. Eu também me interesso bastante pelo tema. Sobre as civilizações pré colombianas também, muito massa.

    • Pois é! Acho que tem um filme sobre essa batalha entre os vikings e os índios da América da Norte; não lembro o nome; também não é um filmaço, mas é legalzinho.

      • Lucas Valadares says:

        Têm sim, se eu não me engano é ‘Pathfinder’ em inglês, ou a ‘A lenda do cavaleiro fantasma’ aqui no brasil. A primeira vez que vi achei o máximo, mas na segunda vez (anos depois) também fiquei no legalzinho ahshuauhas.

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