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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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May
23
2014

Perspectiva – Parte 1

Manuela

 

Quando Jussara chegou, toda afobada, do açougue, eu já percebi que algo acontecera. Os arranhões nos joelhos dela só confirmaram minhas suspeitas.

– Um garoto trombou comigo na rua. – ela disse com aquele sotaque baiano. – Acabei caindo e derrubando as sacolas. Por sorte, a carne ficou intacta. – eu ficava imaginado duas coisas: que tipo de empregada usava um vocabulário que incluía palavras como “intacta” e quem fora capaz de derrubá-la. Digo isso porque Jussara era uma negra forte, do tipo que não cai de qualquer forma. O garoto devia ser muito forte. – Acho melhor ir preparar o almoço. – continuou. – Já deve estar com fome.

Na verdade eu nem estava com muito apetite àquela manhã. Estava chateada com Renato. Tivemos uma discussão no dia anterior. Ele discutira comigo porque eu disse que ele havia virado o rosto pra olhar pra bunda de uma morena que passara perto da gente. Ele jurara de pés juntos que não. Mas eu conheço os homens, não podem ver um par de peitos e uma bunda grande que já ficavam assanhadinhos.

O problema é que ele não retornava minhas mensagens, nem atendia o telefone. Será que ainda estava bravo comigo? Mas Renato não era disso. Ele sempre dava risada enquanto a gente brigava, mesmo sabendo que eu ficava puta. Mas será que daquela vez foi diferente?

Continuei tentando contato durante o almoço. Dava uma colherada e escrevia uma palavra no celular.

– Manu, pelo amor de Deus, larga esse celular pelo menos pra comer. – falava minha mãe.

– Eu tô tentando falar com o Renato, mãe. – respondi impaciente.

– Não deixa o moleque em paz. – reprendia meu pai por detrás do jornal.

– Você também Jairo. – minha mãe o alertava. – Mesa não é lugar de ler.

– Tá bom. – ele respondeu deixando o jornal de lado. – Você também menina. Guarda esse celular.

– Não. – bati o pé. – Preciso falar com o Renato.

– Você não falou com ele ontem?

– Pai, ontem é ontem. Hoje é hoje.

– Pra mim uma vez por semana é mais que o suficiente. Quando casar vai ter que aturar o outro todo dia.

– Como assim? – perguntou minha mãe largando os talheres. – Quer dizer que você me atura, Jairo?

– Eu não disse isso, Roberta.

– Falou que quando casa tem que aturar. A gente é casado Jairo.

– Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Para de delirar, Roberta.

– Agora eu sou louca? – disse minha mãe enquanto batia na mesa. – Quer saber? – ela se levantou.  – Perdi o apetite. – ela se levantou e foi em direção às escadas.

– Roberta! – meu pai tentou chama-la em vão. – Não adianta. – disse ele voltando para o almoço. – Quando está naqueles dias. E você menina? Ainda não largou esse celular.

– Tô preocupada, pai. – respondi. – O Renato tá off no Face. Ele nunca fica off.

– Às vezes ele não tá afim de conversar hoje, Manu. Nós homens somos assim. Às vezes precisamos do nosso próprio espaço.

– Ainda assim fico preocupada.

– Eu estou é preocupado com o sabor dessa carne. Não tá um pouco diferente?

– Eu não notei diferença.

– Também, com esse paladar de rato. Se te derem um queijo e um sabão em pedra não vai notar a diferença.

Nesse meio tempo a campainha tocou. Jussara foi atender. Voltou, instantes depois, com um belo ramo de flores e um embrulho. Eu sabia que era coisa do Renato.

– Encomenda pra Manu! – ela disse, toda sorridente. Naquela casa, Jussara parecia ser a única que compartilhava de minhas alegrias. – E olha, tem um cartão.

Corri em direção a ela e peguei o cartão de suas mãos. Abri com pressa e li. Não entendi muito bem a mensagem que dizia: “Espero que tenha apreciado o almoço. Mas o restante do prato principal está aqui. Daquele que te ama muito.”

Como Renato adorava charadas eu esperei abrir o embrulho para entender o que fora escrito. Instantes depois de abrir o embrulho, no entanto, toda a minha emoção mudaria. Senti minhas vistas escurecerem e, se não fosse pelos braços de meu pai eu teria caído ao chão, já que dentro do embrulho se encontrava a cabeça decepada de meu namorado.


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7 Comments»

  • Evandro Furtado says:

    Pois é pessoal, começando uma nova série. Arrisquei aqui escrevendo sob um ponto de vista feminino. Espero não ter parecido banal e machista. Só tentei representar aqui uma das inúmeras personalidades possíveis no universo feminino, não é meu intuito contribuir para estereótipos preconceituosos. Enfim, espero que gostem.

  • Lucas Valadares says:

    Caraaaaaaaaaaaaaaaaaalho! Apavoro velho. Esse conto é uma obra prima.

    A parte da discussão na mesa foi sensacional, muito engraçada e fluida. Imaginei todo o ambiente, até a decoração da casa de tão natural que foi essa parte, muito bom.

    A personagem também está bem representada, é possivel notar características marcantes desde o começo.

    O final, bom, não vou falar muito pra não estragar a surpresa de ninguém. Mas está sensacional!

    • Evandro Furtado says:

      He he, valeu Lucas. A parte dois já está por aí. Estou esperando pra escrever a parte três porque não quero que a história perca o ritmo, então vou tentar caprichar. Vlws.

    • J.Nóbrega says:

      “O final, bom, não vou falar muito pra não estragar a surpresa de ninguém”.
      .
      Tipo eu que tenho a mania de ler comentários antes de ler o conto? kkkk

  • Wow, final irado! “Era um dia típico na casa da família de Manuela, até que…” Curti como o clima pacato foi rompido subitamente. Pelo título e pela narração em primeira pessoa, acho que cada capítulo será contado por uma voz diferente. Lerei as continuações para descobrir. 🙂

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