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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui...
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May
12
2014

Rituais

ritual

As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar. Boniface e Céline corriam um atrás do outro, jogavam limões estragados e escondiam-se atrás dos galhos das árvores. Estavam experimentando o soro mais perigoso já inventado, que pode transformar duas pessoas extremamente racionais em dois completos bobalhões: o amor.

Quando o turno acabava ela saia correndo em direção a um monte e ele a seguia. Quando chegavam ao topo, sentavam um ao lado do outro e contemplavam o pôr-do-sol.

– Se você pudesse fazer um pedido – Céline perguntava – qual seria?

– Queria que esse instante durasse para sempre. – ele respondia.

– Mas seria sem graça. Uma coisa sempre se repetindo. Você não se cansaria?

– Eu nunca me canso de estar com você. – ele dizia e ela dava aquele sorriso bobo enquanto os olhos brilhavam. – E felicidade repetida pode ser interessante.

– Há muitas maneiras de ser feliz.

– No meu caso, todas elas envolvem você. – ele respondia. Então eram atraídos por uma força invisível que ciência nenhuma é capaz de explicar. Os lábios se tocavam e, naquele instante, era eterno.

Isso durou muito tempo e o amor dos dois só aumentava. Todo mundo, em Little Haiti conhecia o amor de Boniface e Céline. E os dois insistiam em viver aquela peça shakespeariana da vida real. Mas as grandes obras de Shakespeare, em sua maioria, eram tragédias. Não foi diferente com aquele casal.

Céline se sentiu culpada pelo que aconteceu, apesar de, ela saber, que não poderia ser evitado. Boniface morreu em busca de seu amor, ou da prova dele por aquela mulher. Fora naquele mesmo monte, onde viveram tantas alegrias e se amaram tanto. Ele brincou com ela, dizendo que pegaria o Sol e a Lua com as mãos e os entregaria, junto com seu coração, para o grande amor de sua vida. Mas um simples passo em falso fez com que o jovem apaixonado caísse de uma distância enorme e, infelizmente, mortal.

Inconsolada, a jovem ficou de luto por muito tempo. A dor fora tão forte que ela sequer pudera ir ao enterro de seu amado. Cada vez que pensava em Boniface, com sua face morena e seus olhos verdes, Céline caía aos prantos. Amargou a solidão por muito tempo, já que não era uma mulher que se deixasse consolar.

Muitos pretendentes surgiram em sua porta nas semanas seguintes ao acidente, mas ela rechaçou a todos. Só Boniface era merecedor de seu amor. Mas poderia ficar ela só? Ela que era tão bela, cujo perfume lembrava as azaleias que surgiam belas na primavera, ela cuja face inocente fazia homens caírem em febre e morrerem de amor, ela cujos olhos eram capazes de hipnotizar o mais controlado dos homens e cuja voz era capaz de acalmar a mais feroz das feras. Ah Céline, doce Céline, seria injusto para o mundo perder uma beleza tão especial como a sua, seria cruel. Mas assim se seguia, dia a dia, com a pobre moça se desfazendo em lágrimas pelo falecido. A mais bela das flores ia, pouco a pouco, atrofiando-se e escondendo sua beleza dentro de si própria.

Então foi natural que ela aceitasse o pedido do homem misterioso que surgira em sua porta. Não, ele não a pedira em namoro ou em casamento. Fizera outro pedido, diferente de qualquer outro que ela tivesse recebido.

Apresentara-se em uma tarde chuvosa, vestindo capa e cartola, dizendo chamar-se Nicéphore e sofrer de um mal muito semelhante ao dela. Céline havia visto aquele homem pouquíssimas vezes na comunidade, mas sabia de seu dilema. Diziam as más línguas que ele era apaixonado por Rachel, uma jovem que, pra sua dor, estava comprometida. O sortudo homem era Albert, um fazendeiro muito rico na região, dono da maioria dos limoeiros. Mas Nicéphore não se conformava com o fato de sua amada estar nos braços de outro e sua proposta envolvia vantagens para ambos.

– Veja bem minha cara – dizia com a voz grossa e estridente – o destino foi cruel conosco. A morte levou o alvo de seu amor, enquanto o meu foi tirado dos meus braços por um ser vil e cruel que não merece tê-la nem em seus melhores dias. O que eu proponho é que façamos uma troca. Eu posso ter dar seu amor de volta, trazer o velho Boniface. E tudo o que quero em troca é a chance de viver ao lado de minha amada.

– Acho que não entendeu senhor. – Céline vacilava, o choro preso na garganta poderia arrebentar a qualquer momento. – Boniface está morto, não pode voltar. Ao contrário de você, que pode contemplar seu amor com os próprios olhos, eu fui privada de tal sensação. A esperança não mais me acompanha. O que me resta é esperar a morte.

– Está equivocada pequena. Nem mesmo a morte é absoluta. Existem meios de que, mesmo aqueles que se foram, possam voltar a caminhar no mundo dos vivos. Não se lembra de Corneille?

Céline se lembrava muito bem dele. Corneille Girard, morto a tiros por um guarda inglês. Seu corpo ficou apodrecendo por dias na praça antes de finalmente ser levado dali. Três dias após o ocorrido, Girard era visto novamente, caminhando nas ruas como se nada houvesse acontecido. Aquilo acendeu uma chama em seu peito. Não seria essa a prova de que Boniface pudesse voltar à vida?

– Então existe uma forma, um segredo. Diga-me senhor, diga-me qual é. Farei qualquer coisa para trazer aquele que amo de volta. Não há regra que não quebre, não há moral que me impeça. Se há um meio de trazer Boniface de volta não existem barreiras que irão me impedir.

– Pois bem, assim seja. Deixe-me explicar o que deve fazer. O equilíbrio do universo não pode ser quebrado. Para que alguém volte, alguém deve partir.

– E quem seria meu senhor?

– Albert, é claro. Mas não é qualquer um que deve mata-lo. Apenas o coração que deseja alguém do outro mundo possui a chave para abrir as portas do mundo dos mortos. Você deve mata-lo Céline. Só você pode fazê-lo. Não será difícil, veja. O homem não é famoso por sua lealdade ao leito da esposa. Dizem que ele tem andando em muitos outros aposentos ultimamente, e sendo tu uma mulher tão bela, não creio ser difícil sua tarefa. Agora vá, cumpra sua missão e eu farei minha parte.

E assim foi feito. No dia seguinte Céline saiu de casa pela primeira vez em muito tempo. A nova perspectiva de poder ver Boniface uma vez mais parecia ter ligado aquela luz há tanto apagada nos olhos da jovem. Ela começou a seguir Albert. Aparecia nos lugares que ele frequentava e começou a se insinuar sutilmente para o homem. Dentro de uma semana, ele estava em seu leito. Céline proporcionou a Albert a melhor noite de amor de sua vida, mas também a última. Quando o homem adormeceu após o ato, arrancou das vestes uma adaga envenenada e cravou-a no coração dele. Antes de morrer, o fazendeiro chegou a abrir os olhos uma última vez e Céline contemplou uma luz estranha que brilhou por um instante neles. Então ela voltou para casa e esperou por seu amado.

Três dias se passaram para que Boniface aparecesse. Céline estava bela como nunca. Vestia seu melhor vestido, feito de uma seda branca vinda da China. Usava um laço nos cabelos que os deixava ainda mais belos. E então ela atendeu a porta. Quão grande não foi seu sorriso quando ouviu seu amado à porta dizer:

– Olá meu amor! – e Céline estava disposta a responder e a abraça-lo e a beija-lo quando notou que aquele não era Boniface. Tinha suas feições, vestia suas roupas, mas não era Boniface. E não eram as partes já decompostas de seu corpo que a fizeram recuar, não, ela o amava tanto que seria capaz de aguentar aquelas terríveis deformações. Era algo em seus olhos, um brilho intenso muito parecido com o que ela viu nos olhos de Albert em seus instantes finais. Desesperada, Céline bateu a porta na cara do morto-vivo Boniface e correu para dentro da casa. Com o próprio vestido, fez uma corda com a qual se enforcou em seu quarto.

Enquanto isso, no outro lado da vila, Rachel se encontrava só, ou seja, à mercê de Nicéphore. Ainda chorando a morte de Albert a mulher estava sentada em um banco da praça quando o necromante a encontrou.

– Oh, o que será de mim Nicéphore? – lamentava a moça. – Viúva e sozinha neste mundo cruel.

– Pode estar viúva – o homem se aproximou. – mas nunca estará só. Eu estou aqui pra você, minha querida, sempre estive, sempre estarei.

– Oh, Nicéphore! – ela gemeu e recostou-se ao ombro dele. O homem a abraçou forte, a barriga dela encostada na sua e ele percebeu, naquele momento, que Rachel carregava uma nova vida em seu útero. Um sorriso negro surgiu nos lábios do homem.


Categorias: Contos |

31 Comments»

  • maria santino says:


    Olá! A ideia central é muito boa, e sua escrita é fluida, gostosa de ser lida.

    Acho que há cenas muito rápidas, acontecimentos rápidos como o que Celine fez diante do recém chegado Boniface (estou evitando spoiler. rs) e também como ela fez para que este retornasse.

    Mas, fora isso, é muito bom. As passagens de romance e melancolia, as descrições são grandiosas eu diria que você manda muito. Parabéns, MESMO! Abraço

    • Evandro Furtado says:

      Valeu Maria, que bom que gostou.

      Eu realmente tenho um problema de ansiedade, então algumas partes simplesmente passam rápido demais, vou trabalhar pra melhorar isso.

  • Qual se enforcou? O que aconteceu com o outro amante? É série nova?

  • [email protected] says:

    Um pouco sinistro, mas muito bom mesmo.

  • [email protected] says:

    Por acaso o Boniface foi enterrado num cemitério com a plaquinha “Pet Sematary”? Brincadeira, ótimo texto, escrita fluida, vocabulário pomposo e simples ao mesmo tempo, um bom conto. Meus sinceros parabéns.

  • thiago cypryanu says:

    Um romance, com toques de terror. voçe ta perto de chegar no texto cem hen rsrs é muita imaginação

  • Paulo says:

    Cara você escreve muito bem. Quem dera meus contos falassem tanto em tão poucas linhas.

    • Evandro Furtado says:

      Que isso, kkkk. Acho que tudo é questão de estilo, o importante é a gente estar feliz com o que escreve. Logo, logo dou uma lida em alguns de seus textos. Valeu.

  • Sjunior says:

    Historia envolvente, muito bem escrito parabéns!

  • Phagner says:

    Uou a última parte deu um toque sombrio e massa…
    Parabéns pelo conto!

  • Isaac Nunes says:

    Curti a humildade do cara em responder aos leitores.
    Texto bem bacana!

  • diogo says:

    excelente historia prende agente do começo ao fim espero que continue escrevendo historias assim e obrigado

  • vvini0702 says:

    Gostei da história, amo ler contos sinistros, e estou começando a escrever a escrever um conto falando sobre “Coven”

    http://www.onerdescritor.com.br/2016/02/protect-the-coven/

  • edgoulart says:

    Uau! Que história sinistra! 🙂
    Muito criativo; parabéns!

  • Adorei!A sua ansiedade é transmitida através da escrita,rs, mas isso não é problema algum!
    Não consegui entender bem a relação do brilho no olhar dos mortos contemplados por ela…

  • Regina_Nogueira99 says:

    Gostei muito desta história curta mas emocionante. Percebi que tudo se passava de um joguinho que Nicéphore criou só para conseguir o seu amor predileto,neste caso Rachel.Uma história bem estruturada sem confusões ou dúvidas que me deu vontade de ler mais e mais histórias suas.

  • Ghost says:

    Cara que conto legal, muito interessante e muito bom, Parabéns. Eu tenho alguns que gostaria de publicar aqui, faz pouco tempo que me cadastrei, mas pelo que estou vendo os textos geralmente são curtos, os meus são longos demais não consigo ser sucinto e objetivo, eu enrolo demais hahahaha, mas acho que logo logo publico um.

  • Victor L. says:

    Trágico. Gostei.

  • Midian Araújo says:

    Você escreve bem, me prendeu e atiçou a curiosidade.Tem a medida certa de sangue, morte e destruição.

  • [email protected] says:

    Muito bom o conto. Ótima escrita. Para quem está começando, como você mesmo falou, o ideal são textos não muito longos. Se o Stephen King publicar um conto de 20 páginas certamente todos o leriam até o fim, mas se um desconhecido escreve um texto muito longo dificilmente as pessoas vão ter paciência para o ler até o fim. Acho que a melhor estratégia é primeiro fazer o seu nome, ganhar fãs para depois publicar textos mais longos e detalhados. Portanto acho que você está certo. Meus Parabéns.

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