O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Prompt de Escritor

Prompt de Escritor

Textos e idéias para sua criatividade.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Fórum

Fórum

Ta bom, isso não é bem um fórum. :P

Projeto Conto em Conjunto

Projeto Conto em Conjunto

Contos em Conjunto em desenvolvimento!

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

(8) Uno [agenda]
(0) Olga [agenda]
(0) ERROR [agenda]
(0) Ela [agenda]
(3) Pogo [agenda]

Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

>> Confira outros textos de Evandro Furtado

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui...
>> Fale com ONE <<

Jun
17
2014

Olga

Nunca me esqueceria da primeira vez em que vi aqueles olhos.

Quando Thomas me convidou para acompanha-lo em sua viagem a Moscou, não tive dúvidas. Sempre quis conhecer a Rússia, e aquela era uma chance na vida.

Saímos de Londres no dia 3 de Fevereiro, em uma viagem tribulada que acabaria nos fazendo perder uma semana inteira para alcançar a capital russa. Uma inesperada tempestade e um assassinato no trem no qual estávamos foram alguns dos empecilhos a nos atrasarem. Praguejei por muitos dias e creio que meu amigo tenha ficado com as orelhas a arder diante de minhas lamentações.

Mas devo dizer que cada segundo de atraso valeu a pena quando lá chegamos.

Moscou é uma bela cidade. Com uma arquitetura que mescla o ocidente e o oriente de forma brilhante, eu e Thomas concordamos em chama-la de capital do mundo, já que a cidade divide tão bem esses dois extremos.

Ficamos hospedados na pensão de uma certa Ludmila. Ao que parece, era uma prima distante de Thomas e, contava, uma aparentada do czar Nicolau. Não discutimos essas questões de parentesco, já que não nos interessava.

Durante nossa estadia, compartilhamos algumas refeições com um curioso senhor que por lá estava de passagem. Dizia que partia para Munique, vindo da Sibéria. Thomas me falou certa noite, escondido, que aquele senhor chamava-se Vladimir Lenin. Um vagabundo com ideias revolucionárias que fora exilado pelo governo russo. Estas, no entanto, não foram minhas impressões.

Nas poucas oportunidades que tive em conversar com o senhor Lenin, este se mostrou um homem muito inteligente. Diria, inclusive, um visionário. Falava de uma sociedade igualitária e de um governo no qual os trabalhadores estariam no comando. Não fosse minha incrível devoção à coroa, eu teria partido com aquele senhor para seguir seus ensinamentos.

Pouco tempo depois de Lenin partir, nós nos tornamos os únicos hospedeiros de Ludmila. Thomas passava o dia fazendo contato na cidade enquanto eu ficava em meu quarto, lendo e fumando. Meu amigo insistia que eu o acompanhasse em suas perambulações, mas os negócios de Thomas eram, para mim, por demais entediantes. Assim, preferia ficar trancado em meu quarto com coisas mais interessantes a fazer.

Certa noite, no entanto, meu colega aparecera com um par de ingressos para o balé. Hesitei inicialmente ao convite. Sempre acreditei que aqueles atos eram passatempo para damas. Mas Thomas disse-me que aquilo era algo muito popular na cidade, o que acabou por me convencer a acompanha-lo. Quisera eu nunca ter aceitado.

Naquela noite, vesti minha melhor roupa e parti junto a meu colega para o teatro local, onde o ato aconteceria. Demoramos um pouco a chegar ao nosso destino, considerando que os poucos dias que estávamos na cidade parecem terem sido suficientes para que Thomas fizesse amizade com metade da população. Não havia uma esquina na qual caminhávamos sem que um cavalheiro retirasse o chapéu para cumprimenta-lo ou sem que uma dama sorri-se para ele. Tive de suportar os terríveis gracejos de Thomas para com as moças. Não duvidava que ele já tivesse passado por muitos leitos desde que chegamos, já que tinha hábitos horríveis e era um terrível cafajeste. Não devo culpa-lo, no entanto. As senhoritas russas pareciam terrivelmente assanhadas para meu gosto. Uma chegou a roçar de leve a minha perna com o vestido. Cheguei a ficar excitado por um instante, mas depois recuei ao notar o incrível nariz que possuía a moça que o fazia. Terminei por apressar Thomas, afirmando que chegaríamos atrasados ao ato de balé que acompanharíamos.

Devo dizer que o teatro estava incrivelmente cheio. Nunca pensei que tantas pessoas poderiam se juntar por algo que parece ser tão banal como balé. Achamos nossos lugares e, a despeito de nossa demora, ainda tivemos de esperar cerca de vinte minutos para o inicio do espetáculo.

E então se deu inicio a minha maldição.

Um grupo de sete moças se apresentava. Mas apenas uma delas chamou minha atenção. Era uma garota pequena que eu julgava ter cerca de catorze anos. E meu Deus, como ela era bela. Sua tez límpida me lembrava dos campos floridos de Yorkshire. Os movimentos da dança imitavam o voo dos anjos, ou seriam os anjos que imitavam aquela bela criatura em sua magnificência. Eu já não sabia o que pensar. Estava tomado por uma paixão indescritível.

Eu que tive tantas belas moças deitadas em meu leito. Eu que podia decidir em qualquer moça da Inglaterra. Eu que era disputado por princesas e plebeias em minha terra natal, tomado por aquele pequeno ser, de beleza indescritível e formosura inigualável.

Não sei se Thomas percebeu o rubor que tomou minha face quando vi a moça pela primeira vez, mas desde então ele mudou sua forma de agir comigo. Meu caro amigo me conhecia tão bem que logo descobriu que eu estava apaixonado.

Quando o espetáculo acabou, íamos voltando à pensão. Eu estava cabisbaixo e quieto. Foi Thomas quem rompeu o silêncio.

– O nome dela é Olga.

– O que disse? – perguntei a ele.

– Que o nome dela é Olga. Olga Petrova. A maior bailarina da Rússia. Provavelmente de todo o mundo.

– De quem está falando?

– Da moça de quem não tirou os olhos durante todo o espetáculo. Mesmo quando ela não estava em cena, seus olhos procuravam por ela. Eu pude notar.

– Afinal, veio prestar atenção no espetáculo ou fitar meu rosto procurando por minhas reações? – praguejei.

– Eu tentei não olhar para você. Mas, diabos, não parava de tremer por nem um instante. – disse ele enquanto acendia um charuto.

– Já que tocou no assunto. Quantos anos ela tem? Parece muito jovem.

– Vinte e seis anos.

– Comprometida?

– Não. Completamente solteira.

– Com essa idade? As pessoas não se casam nesse país?

– Sim, casam-se. Mas Olga é protegida do próprio czar. E não quer casar agora. Diz estar centrada na profissão.

– Ora, onde vamos parar? Agora as mulheres pensam por si próprias? Onde terminaremos assim? Daqui a pouco vão querer sair de casa para trabalhar.

– Você não a conhece. Aquela garota tem um tremendo gênio.

– Não há gênio que Brandom Eckhardt não possa dominar! – bradei.

– Talvez na Inglaterra, meu caro amigo. Estamos na Rússia, e não creio que queira arranjar problemas com o czar. Acho que as conversas que teve com aquele vagabundo não lhe fizeram bem. – gargalhou a meu lado. – Além disso, partiremos depois de amanhã.

Aquilo tirou minhas últimas esperanças. De fato, não esperava encontrar de novo aquela dama. Não sei o que faria caso voltasse a ver aqueles olhos.

 

+

 

Acordei na manhã seguinte decidido a deixar a pensão pela primeira vez. Precisava comprar mais charutos, já que os meus estavam acabando. Acabei indo parar na loja de um judeuzinho mal educado. Diabos. Ouvi dizer que haviam sido extirpados pelo Nicolau. Sem dúvida que aqueles malditos teriam sua sina tão logo os novos tempos chegassem.

Comprei meus charutos e paguei com a moeda local. O maldito não tinha troco. Irritado, deixei que ficasse com o dinheiro e dei as costas a ele. E então eu vi o paraíso.

Diante de mim, a bela dama com quem sonhei a noite passada inteira estava. Sorria e eu senti minhas pernas perderem toda a firmeza. O rubor voltou a tomar minha face e algo parecia agitar em meu intimo. A doce criatura disse algo em russo, e eu quis, naquele momento, conhecer todas as línguas para poder falar com ela.

– Desculpe. – falei por fim. – Mas eu não entendo russo.

– Tudo bem. – ela me respondeu. – Eu falo um pouco de inglês. Dizia que posso trocar o dinheiro para você se quiser.

– Não, tudo bem. – a voz vacilava ao falar com ela. – Deixe que o homem fique com o dinheiro.

– Um legítimo cavalheiro inglês. – ela abriu ainda mais o sorriso e, dentro de meu peito, meu coração explodia de alegria. Eu poderia saltar até a Lua, correr de Moscou até Londres, singrando as águas, em uma perna só, por aquela moça. Oh Deus, porque me condenaste a tal maldição. Como pode ser um homem capaz de sentir algo tão forte por um único ser que sequer lhe é aparentado. – Talvez possa me ajudar.

– Claro. – tudo o que quiser, disse em meu intimo.

– Ótimo. Comprei um grande tapete persa e preciso de braços fortes que possam carrega-los para mim.

– Basta dizer onde está, senhorita.

Ela me guiou até o objeto. Durante o pequeno trajeto eu me senti como se estivesse completamente embriagado. As pernas estavam bambas e o mundo girava ao meu redor. Mas não era vinho o meu mal. Era o amor. Olga, oh doce Olga, quão grande não era minha vontade de abraça-la naquele instante, de beija-la loucamente e leva-la ao meu leito onde amaria a, pelo resto de meus dias.

Agarrei o tapete com ambas as mãos e segui a dama a seu carro.

– Obrigada. – ela disse e em seguida me deu um beijo na face. Naquele momento o mundo ao meu redor se incendiou e congelou ao mesmo tempo. O chão desapareceu e o céu parecia desabar sobre minha cabeça. Eu não sabia onde estava, e perdi completamente a noção do tempo. O quanto eu lamento isso, pois, naquele dia, não pude ver Olga partir.

 

+

 

Não tirava ela de minha cabeça, enquanto arrumava as malas. Se olhava para o céu as nuvens pareciam formar seu nome, se olhava para o chão o vento parecia trazer o som de sua voz, e meu coração pululava de emoções que eu não podia explicar.

Eu chorei muito antes de partir, jurando que um dia voltaria para Moscou e que cortejaria Olga até o limite de minhas forças. Mas esses pensamentos já desapareciam de minha mente quando eu deixava a pensão.

Senti-me horrível quanto entrei no vagão do trem e me acomodei. Thomas sentiu meu incomodo.

– Não fique assim, meu amigo. Há milhares de mulheres pelo mundo. Como você mesmo diz, muitas aos seus pés.

– Mas nenhuma como Olga. Eu nunca me senti assim, meu caro Thomas. Nos poucos instantes que passei ao lado dela, o céu pareceu mais claro, o som da cidade pareceu se transformar em uma linda canção infinita. Por um instante eu morri, e voltei a viver por ela. Não creio que possa esquecê-la. Fui amaldiçoado. Sei que quando fechar os olhos, à noite, sua imagem me virá à mente. Sonharei com ela, de mil maneiras diferentes, e em todas elas, não poderei estar com ela. Ai de mim meu amigo. Não importa quão grande seja um homem, ele não é nada quando está sob os encantos de uma mulher.

Calei-me e virei meu rosto à janela do trem. Creio que Thomas tenha entendido minha vontade, e não voltou a falar.

Pude ouvir quando o trem começou a andar. Senti os olhos ardendo e as lágrimas brotando. Não tive força nem mesmo para virar-me e deparar com o companheiro de viagem que tinha acabado de entrar no vagão.

Arranquei um livro da mala e comecei a lê-lo. Fitei a face de Thomas por um instante e notei que esboçava um sorriso sutil. Questionei-me o motivo de sua alegria, voltando a minha leitura.

Notei com o canto dos olhos que nosso companheiro usava um longo vestido de rendas. Era uma mulher que nos acompanhava? Levantei levemente os olhos e qual não foi minha alegria ao ver Olga diante de mim.

Ela me reconheceu, dirigindo-me um singelo sorriso. Em seguida voltou a seus afazeres.


Categorias: Agenda |

No Comments»

RSS feed for comments on this post.


Leave a Reply

Powered by WordPress. © 2009-2014 J. G. Valério