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Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Jul
24
2014

Perspectiva – Parte 5

Parte 1          Parte 2          Parte 3          Parte 4

 

Mais um dia, mais uma morte. O mundo desmoronava ao meu redor, e eu não podia encontrar as palavras necessárias para explicar o porquê.

Desta vez, enfim, a polícia parecia estar tomando consciência da gravidade da situação. Colocaram policiais ao redor de toda a casa. Acho que fizeram isso porque o caso começou a aparecer na televisão. Qual é? Foi preciso que a Sonia Abrão falasse alguma coisa pra que eles tomassem providências?

Eu saía cada vez menos de casa. Ia apenas pra escola, e normalmente acompanhado por André e Lara, e cercada por um monte de policiais. A mesma coisa acontecia com meu pai. Na verdade, todos aqueles próximos a mim eram monitorados vinte e quatro horas por dia.

Houve um dia, no entanto, em que resolvi arriscar. Fui ao shopping com Lara, deixando André e meu pai em casa, assistindo ao jogo. Naquele dia, mais do que nunca, senti saudades de minha mãe. Apesar de tudo, ela sempre tinha um tempo pra ir fazer compras comigo. Adorávamos entrar nas lojas, experimentar várias roupas e sapatos e sair sem comprar nada. Lara e eu fizemos a mesma coisa, e de certo modo funcionou para aliviar a cabeça e relaxar um pouquinho.

Fizemos algumas compras também. Comprei um vestido vermelho maravilhoso e bem em conta, naquela época todo mundo estava usando aquele estilo. Me certifiquei, no entanto, que fosse único, não queria aparecer em nenhuma festa com vestido igual. Descobri que aquele modelo só era vendido naquela loja e só havia dois exemplares. Pra não arriscar, comprei logo os dois. Lara também comprou uma blusinha e uma sandália, que estava de olho faz tempo. Depois fomos tomar um sorvete e tinha um grupo de garotos, que não paravam de rir, perto da gente. Lara ficou toda assanhada, mas eu fiquei na minha. Se o André soubesse… Finalmente, à tardinha, voltamos pra casa.

Nosso motorista deixou Lara na casa dela e depois partiu pra me levar. Os policiais que cercavam a casa fizeram uma pequena revista no carro. Certificando-se de que estava tudo bem, liberaram nossa passagem.

Até hoje eu me pergunto por que não havia um único policial dentro de casa? Talvez tenha sido pedido do meu pai, mas isso eu nunca vou saber. Só sei que nunca vou me esquecer da cena que presenciei no momento em que abri a porta.

O rosto de André roxo, sufocando. Meu pai em cima dele, as mãos envoltas sobre o pescoço. Eu gritando. Os policiais entrando na casa. O mundo parecendo ter entrado em câmera lenta. Eles levando meu pai embora, enquanto eu socorria André. As lágrimas descendo no meu rosto. A ambulância chegando. Os paramédicos o atendendo. Ele dizendo, com a voz fraca, que tudo ia ficar bem.

 

+

 

Fora meu pai. Havia sido ele, o tempo todo. Droga, eu devia ter suspeitado.

Ele nunca gostou de Renato. Devia ter sido fácil pra ele tê-lo enganado. Fingido que tudo estava bem. Mas como ele pôde fazer aquilo comigo? Me mandar a cabeça decepada?

Eu ainda não entendo muito bem o porquê de ter feito aquilo com Jussara ou como ele envenenou ela. Se bem que ela poderia ter descoberto. Sim, foi isso. Eu me lembro das últimas palavras dela. “Você precisa falar com seu pai”. E pra ele, como médico, deve ter sido fácil envenená-la sem que ninguém notasse.

E depois veio a minha mãe. Apesar das brigas o relacionamento deles sempre foi bom. Mas eu posso imaginar como ele a matou. Quem prova do sangue fica mais suscetível a matar. Uma simples discussão que poderia não ter dado em nada em outros tempos, acabou terminando em assassinato. E no final ele usou o jogo como desculpa pra escapar. A mesma desculpa que ele usou pra ficar sozinho com André. Meu Deus, como eu fui tola.

Pelo menos agora eu ainda tenho André. Eu fico imaginando o que teria acontecido se eu não tivesse chegado naquele momento. Como ele teria se safado dessa? E quem seria a próxima vítima? Lara, provavelmente. E depois? Depois talvez eu fosse a vítima.

Agora minha vida se resume às únicas duas pessoas que sobraram. Mas nessas, eu sei, posso confiar. Não sei se um dia serei capaz de ser feliz, no sentido literal da palavra. Mas talvez eu possa sorrir. E depois de tudo, aprendi a dar valor à vida. Só lamento que tantas pessoas tenham tido que morrer pra que eu percebesse isso.


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