O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Prompt de Escritor

Prompt de Escritor

Textos e idéias para sua criatividade.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Fórum

Fórum

Ta bom, isso não é bem um fórum. :P

Projeto Conto em Conjunto

Projeto Conto em Conjunto

Contos em Conjunto em desenvolvimento!

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

(8) Uno [agenda]
(0) Olga [agenda]
(0) ERROR [agenda]
(0) Ela [agenda]
(3) Pogo [agenda]

Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

>> Confira outros textos de Evandro Furtado

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui...
>> Fale com ONE <<

Jul
23
2014

Velhas Canções, Novos Caminhos

O cavaleiro branco entrava sem alarde na Cidade Eterna. Arrancava resmungos dos homens e suspiros das moças. Aquele senhor era famoso por aquelas bandas, assim como o era em todo o mundo.

O trote de seu cavalo ecoava pelo caminho estreito, belamente ladrilhado, que cruzava a capital do reino. Dos portões da grande muralha às portas do palácio real, a passagem era mesma, sem aclives ou declives, sem curvas ou obstáculos.

A cidade se calava para ouvir a chegada do grande cavaleiro, exceto por um único individuo. Um velho bardo, sentado à beira do caminho, proferindo suas belas canções.

Em outro momento qualquer, o cavaleiro branco teria sacado sua espada e decepado a cabeça do pobre homem. Naquele dia, no entanto, seu humor era dos melhores. Ele puxou as rédeas e o cavalo diminuiu o passo. De repente parou diante do bardo, que nem por um instante deixou de cantar.

– É preciso muita coragem, meu jovem, para que alguém ouse deixar de se calar diante de mim.

Enfim, o bardo silenciou-se, fitou os olhos do cavaleiro branco, única coisa visível sob o elmo, e falou:

– Curioso que o mundo deva se calar para um único homem. Em primeiro lugar, insistes em chamar-me de jovem, sendo que sou muito mais velho que tu. Mas teu ego talvez não o veja como tal. Gostaria de saber o que pensas que és? Um rei? Um deus? Pois te pergunto agora, senhor, os pássaros não deixam de cantar para que o Sol se ponha no horizonte, por que deveria eu deixar de entoar meus versos diante de ti?

– Porque deves mostrar respeito diante de um homem superior.

– Superior? Vejo que tens dois olhos, assim como eu, e suponho que sob este elmo, as mesmas características conferidas a um homem comum. Pois, como, julgas-te como superior?

– Muitas batalhas, venci. Muitos inimigos, derrotei. Muitos reis caíram sob minha lâmina.

– E eles, como tu, deveriam acreditar que eram eternos. Mas te digo, homem tolo, nada é eterno neste mundo, por exceção dele próprio e das canções que deixamos. Pela manhã, ambos podemos estar de olhos cerrados. O sopro da vida poderá ter deixado nosso peito. E a única coisa que sobrará a ti são as canções, que contarão teus feitos. Quanto a mim? Nem isto terei. Serei apenas uma sombra no passado, poeira ao vento, vozes ao léu. Mas talvez minhas canções tomem forma em outras vozes, e outros bardos. Mas te digo, senhor, enquanto essa boca for capaz de proferir sons, e enquanto estes dedos forem capazes de dedilhar o instrumento que vês, continuarei a cantar e tocar. Pois quando a vida acabar, cabe à música continuar seu legado.

Furioso, o cavaleiro branco preparou-se para dar fim àquele ultraje. No último instante, entretanto, uma nota proferida pelo bardo, tocou-lhe o coração. Era uma velha canção que conhecia bem. Seu pai cantava, toda noite, antes de dormir, e aquilo trouxe-lhe boas recordações. Recuou a lâmina de volta à bainha. E continuou seu caminho, em direção ao castelo.

Agora, todos voltavam sua atenção ao bravo bardo e à sua canção.

O vento soprava forte, indicando a chuva que se aproximava, apesar do céu azul. O cheiro dos pães, feitos em casa pelas famílias, já tomavam o ar, assim como sorrisos tomavam as faces dos pequenos. E o vento levava a canção do bardo, que falava de sonhos de beleza indescritível. E ao toque da canção, o coração de bravos guerreiros amolecia. E o mundo ganhava outras tonalidades de cor, belas como nunca. Conforme a canção soava, as pessoas fechavam os olhos. E todo o temor que um dia passou por seus corações, ia embora.


Categorias: Agenda |

16 Comments»

  • Clairton says:

    Não tenho certeza, mas acho que é o primeiro conto seu que leio aqui no ONE, apesar de você ter vários. E posso te dizer que gostei bastante do seu jeito de escrever.
    Parafraseando o título do conto: desde que o mundo é mundo é preciso que pessoas como o bardo entoem a velha canção de que ninguém é melhor ou pior do que os outros. E este caminho não é novo, apenas mal utilizado pelas pessoas, que teimam em não escutar a música.
    Parabéns!

  • Muito bom! É o primeiro conto seu que leio e é realmente muito bem escrito!

    Meus parabéns.

  • Lucas Valadares says:

    Muito bom Evandro, muito bom mesmo. Impressionante esse poder da música de tocar o coração das pessoas. Qual música você se baseou mesmo ?

    • Evandro Furtado says:

      The Bard’s Song do Blind Guardian. Devo dizer que foi bem dificil, he he.

  • Maria Oliveira says:

    Gostei! Se morassemos perto te mandaria uma fornada dos meus pães coloridos p seu conto ter som e cheiro, bjins!

  • Carlos Fellipe says:

    Muito legal mesmo. Gostei da forma como conduziu os diálogos. Tenho dificuldades em “emular” o estilo de locução de personagens que viveram no passado. Verborrágicos e extremamente cultos.

    • Evandro Furtado says:

      Valeu. Acho que a questão dos diálogos realmente é dificil, principalmente em Português. A gente tem q considerar que essas histórias medievais normalmente são contadas em inglês arcaico, então pra passar isso a gente precisa treinar a escrita. Mas depois de um pouco de esforço a gente consegue.

  • J.Nóbrega says:

    Você conseguiu, captou perfeitamente o espírito da música, que particularmente adoro.
    .
    Talvez seu bardo seja o meu bardo Asmin El-roy décadas mais tarde. kkk
    .
    Aproveito para fazer um comercial para o pessoal que está comentando aqui, esse conto é fruto de um exercício que estamos fazendo em um grupo no facebook, quem quiser participar nos avisem.

    • Evandro Furtado says:

      Pois é Nóbrega, esqueci de falar do exercicio.

      Pô, poderia ser o Asmin mesmo, kkk, muito legal velho.

  • Hehehe, muito legal. Vc conseguiu imprimir um tom de fábula na narrativa, mas que em nada diminuiu a seriedade da história. O último parágrafo foi particularmente bem escrito.
    A moral (se é que se pode chamar assim) me lembrou daquele filme, adaptação de livro que nunca li e que talvez nunca chegue a ler, “Cloud Atlas”, intitulado “A viagem” no Brasil. Uma das ideias-chaves do enredo é justamente como, embora sejamos mortais, aquilo que produzimos e obramos ao longo da vida, como músicas, por exemplo, repercutem nas futuras gerações e, desse modo, conferem certa imortalidade à vida humana.

    • Evandro Furtado says:

      Valeu Cittadino. Realmente, eu acredito nisso do que deixamos pra trás. Acho q os grandes nomes da história são justamente lembrados por isso. Fico pensando quantas pessoas foram simplesmente esquecidas por que nunca produziram nada.

  • maria santino says:

    Gostei sim. Visualizei bastantes cenas. Gosto desse clima (cavaleiros, cidade antiga…). Parabéns! Abraço.

RSS feed for comments on this post.


Leave a Reply

Powered by WordPress. © 2009-2014 J. G. Valério