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Feb
08
2015

CONTATO IMEDIATO DE 4° GRAU

“Baseado em fatos reais…”

Passava da meia-noite. A casa de Leda ficava na outra rua. Karla deveria estar dormindo, ela sabia. Mas as amiguinhas insistiram para ir até a casa de Leda.

– Pare de bobagem amiga – disse Pri – está será a primeira noite que vamos passar acordadas.
– Tá com medo Karla? – indagou Marie.
– Não, não é isso – Karla sentia o estomago embrulhar – eu não estou bem, só isso.
– Eu sei o que é – disse Leda. Ela era três anos mais velha que as outras – Medo! Vamos logo meninas, ou vamos perder a melhor parte da noite.

Karla deveria ter avisado seus pais. Ela os deixou dormindo e saiu pela janela para encontrar as amiguinhas na rua. Já tinha mostrado que era corajosa. Karla era a mais nova das quatro. Mas agora elas diziam que era medrosa. “Não sou”.
Deu um passo a frente.

– Vamos meninas. Eu trouxe comigo bolinhos de limão e biscoitinhos de aveia.

As meninas reviraram suas bolsinhas.

– Eu trouxe cervejas – disse Marie.
– Cervejas? Legal. Eu estou levando as fitas vídeo cassetes – disse Pri com duas fitas de filme de comédia nas mãos.

Leda fez uma careta.

– Porra, vamos passar a noite vendo filme de comédia?
– O que você queria?
– Sei lá. Terror?!

Karla levantou a sobrancelha.

– Terror era legal. Gosto de desafiar meus medos.
– Não era só para passar a noite em claro – disse Marie – Poxa, ficar conversando, trocando segredos e tal?
– Sim – respondeu Leda – Mas parece que da Pri quer passar a noite dando gargalhadas.
– Ah, deixa pra lá – disse Pri – sem fitas.

Havia duas formas de chegar à outra rua. Uma era ter que rodear o morro, coisa de 5 minutos. A outra era passar pelo caminhozinho que interligava as duas ruas, cruzando um terreno baldio. Era pouco usado, mas era melhor que dar a volta. Elas escolheram a segunda opção.

– Então – disse Pri animada – seus pais não estão em casa né?
– Poxa, eu já disse que não. Acha que eu ia dar esta mancada.

Estavam na metade do caminho. O vento soprava frio, assobiando por cima do mato colonião.

– Bem, não sabia que faria frio – disse Karla abraçando o próprio corpo.
– A noite sempre faz frio – disse Pri.
– Estamos perto da praia, dam! – Marie tocou a testa com uma sugestão de chacota.

Leda moveu um dedo até os lábios e chiou baixinho.

– Calem a boca suas idiotias. Ou vão acordar a todos. Não quero que os vizinhos contem para o papai que estou aprontando uma hora dessas.

Faltava pouco. A casa de Leda era de dois andares cercada por um muro ainda no chapisco. Ao lado, duas mansões se erguiam. A casa de Leda ficava comprimida e sem brilho diante das dos vizinhos, mas estava destinada a ficar bela, não fosse o orçamento do pai de Leda, que depois de dez anos não conseguia terminar o terraço.
Karla estava olhando justamente para o terraço. Era lá que iam virar a noite. Parou do nada. O coração gelou. As pernas tremeram de repente quando olhou novamente para o terraço e seus olhos filmaram “aquilo”.

– Viram? – disse. As amigas deram com as cabeças nas costas dela.
– Que diabo! – gritou Leda que vinha atrás – Por que parou?!
– Vocês não viram?! – Karla insistia apontando o dedo trêmulo para o telhado do terraço de Leda.
– Não há nada, a não ser aquela lua amarela lá no alto – disse Leda já ficando sem paciência.
– Não espere – disse Pri – eu estou vendo. Moveu de novo. Olhem!

Os cabelos da nuca de Karla se arrepiaram. “Aquilo” era real. As canelas tremiam. Os olhos ardiam.

– Meu deus o que é aquilo! – apontou Marie, os cantos dos olhos escorrendo lágrimas.

– Pare com essa best…

Leda também viu. Todas estavam olhando fixamente para o telhado da casa de Leda. Marie se agarrou a Karla que se agarrou a Pri. Leda se aproximou e abraçou as três juntas.

– Eu nunca tinha visto uma coisa tão esquisita – disse Karla gaguejando.

De cima do telhado, a figura disforme moveu-se tão rápida quanto seus olhos podiam ver. Parecia humanoide, a pele grossa, marrom escura. Espinhos nas costas. Mas era grande, cabeça pequena e corpo esguio. A criatura rastejava pelo telhado da casa de Leda como uma salamandra. Parou. Seus olhos vermelhos viraram na direção das quatro garotas. Não tinha boca. Então a criatura moveu-se na direção da grande janela do terraço e pulou para a escuridão. Sumiu…

– O que foi aquilo?
– Não sei – disse Pri – mas não vou pagar pra ver.

Então, os grandes olhos vermelhos espreitaram da murada do terraço. Estavam olhando para elas, como dois faróis milha, brilhando na escuridão, como um predador a espera de sua presa. A cabeça tinha a forma de um ferro de passar roupas.

Karla olhou para ela. Estava com medo. O coração acelerado. Estava paralisada, não podia mover um centímetro dali.

– Droga, meninas – disse Leda – vamos cancelar nossa virada de noite. Marie, podemos ficar na sua casa?
– Ah… Han?!…Acho que sim.
– Eu não quero nunca mais voltar para minha casa…

Leda saiu correndo, voltando para o ponto de onde tinham vindo.

Karla continuou olhando a figura, e a figura ainda olhava para elas. As meninas correram. Karla ficou um instante a mais. Paralisada. “Não posso ficar aqui”. Escutou um ruído vindo do terraço de Leda. “Mas meus pés não se movem!”. Era fino, como o sintonizar de uma estação de rádio. O ruído vinha baixo, começava em um ouvido, depois passava para o outro. Então se acentuava, agora como uma estação fora do ar. Era entranho.

“Que droga que eu estou fazendo. Não devia estar aqui, uma hora destas com estas malucas”.

Karla moveu uma perna para trás. Dura como concreto. A outra não movia. Os olhos vermelhos estavam nela. Sentiu a vista escurecer.

– Karla! Venha!

Escutava seu nome, longe, muito longe. “Se eu ficar ele vai me pegar”. As órbitas estavam fixas nela. A mente acelerada. Um filme rodava em sua mente, de tudo oque ela tinha feito naquela semana. Não parava, rodava cada vez mais rápido e mais rápido. Então diminuía. Agora lento, lento. E então quando ela pensava que ia parar. O filme rodava mais rápido do que antes. Sua cabeça girava.
Vomitou.

Agachada, segurava o estomago.

– Karla! Venha! Ande!

“Não posso…”

As órbitas estavam nela, pareciam mais perto, mais vivas. Agora podia ver toda a extensão da cabeça daquela criatura. Não tinha boca ou mesmo nariz. A testa franzida como se estivesse descontente com ela.

Karla levantou-se de repente, reunindo suas ultimas forças, as mãos suando geladas, quase sem vida. Correu o máximo que pode. Olhou para trás. Os olhos vermelhos em suas costas. Correu, o chão era um borrão. Não enxergava direito o caminho.

– Karla! Venha! Corra! Ele vai te pegar!

Ela tropeçou numa pedra e caiu com o queixo no chão. Dor. Sangue. O queixo se abriu em um corte profundo. Sangue. Muito sangue. Lágrimas escorriam pela face. Olhou para trás. Para o terraço. Os olhos vermelhos não estavam lá.

“Ele vai me pegar. Corra! Droga!”

Levantou-se e correu para os braços das amigas. Então o poste de iluminação mais perto piscou três vezes e a lâmpada explodiu violentamente. As meninas gritaram. Correram para a casa de Marie. As lâmpadas explodindo atrás delas. Desceram por um beco escuro, pularam as escadas. Enfim chegaram à casa de Marie, esbaforidas. O pai de Marie estava na varanda, sem camisa com um radinho de pilha nas mãos.

– O que houve? – disse Seu Floriano – até parece que virão um fantasma?!
– Talvez – disse Marie com os olhos do tamanho de uma cebola, abrindo as portas e correndo para o quarto. As amigas atrás dela.

A música do radinho de Seu Floriano foi interrompida para um plantão de última hora:

– “…Foi avistado cinco O.V.I.N.I’s cruzando os céus da cidade na tarde de hoje. Um morador conseguiu gravar em vídeo o momento. O governo descarta qualquer possibilidade…”
– Droga. Eu quero música – o pai de Marie trocou de estação.

“…acredite se quiser…”


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