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Feb
17
2015

A SEMENTE SANTA

A SEMENTE SANTA
Carlos Alexandre do Nascimento
Copyright by © 2012
Alexandre Nascimento
Projeto editorial:
Wilbett Oliveira
Capa:
1ª edição
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial,
de qualquer forma ou qualquer meio eletrônico ou mecânico, sem
permissão expressa do autor (Lei 9.610, de 19.02.98).
Vila Velha, ES
Tel.: 27.3063.4453 – 3042.6444
Home page: www.opcaoeditora.com
Email: [email protected]
Catalogação na Publicação
Nascimento, Carlos Alexandre do
A semente santa. 1ª edição – Vila Velha, ES: Opção Editora, 2012. 96 p.
ISBN: 978-85-61513-XX-X
1. Religião. 2. Cristianismo 3. História
I Carlos Alexandre do Nascimento II. Andrade. III. Título
CDD 100
A todos os amantes da palavra de Deus, e em especial à minha família; Miriam esposa amada, e filhos; Paulo Henrique, Carlos Gustavo e Júlia Mídiã aos quais verdadeiramente amo.

Prefácio……………………………………………………………………………………9
Capítulo 1 – Tombados pela desobediência………………………..11
Capítulo 2 – Sobre as águas da obediência………………………….13
Capítulo 3 – Herdeiros da Promessa……………………………………15
Capítulo 4 – Por um prato de lentilhas………………………………..17
Capítulo 5 – Vindo de Juda………………………………………………….19Capítulo 6 – Contado com os transgressores……………………….21Capítulo 7 – A tenda dos justos florescerá…………………………..23
Capítulo 8 – Participantes da linhagem real………………………..25
Capítulo 9 – Tirado das ovelhas…………………………………………..27
Capítulo 10 – A semente entre os Reis I……………………………..30
Capítulo 11 – A semente entre os Reis II……………………………33Capítulo 12 – O golpe para o exílio……………………………………..37
Capítulo 13 – Rompendo gerações……………………………………..39
Capítulo 14 – O silêncio de Deus………………………………………..41
Capítulo 15 – O romper do silêncio pela semente………………43
Capítulo 16 – O conflito………………………………………………………47
Capítulo 17 – Expulso pelos seus………………………………………..51
Capítulo 18 – Tentações ocultas………………………………………….55Capítulo 19 – E por fim um amargo beijo……………………………59
Capítulo 20 – Fator Pilatos…………………………………………………..65
Capítulo 21 – O vicário no Gólgota…………………………………….69
Capítulo 22 – Eli, Eli, Lamá Sabactâni………………………………..73
Capítulo 23 – Ressureto dentre os mortos………………………….77Capítulo 24 – Considerações finais……………………………………..81A Genealogia de Jesus……………………………………………………………85 Referências…………………………………………………………………………..91
SUMÁRIO

9
PREFÁCIO
Uma queda, uma promessa e uma perseguição. A saga maligna pelos séculos dos seculos contra a semente santa a cruzar genealogias e gerações em fúrias cegas e frustrações do inimigo, onde escapes miraculosos se dão, rompendo barreiras em toda dificuldade e culturas diversas, deixando claro aos corações os desígnios e pensamentos de um agricultor amoroso, disposto a enviar sua semente fazendo-a germinar em terra seca, aplacando assim toda ofensa cometida desde os primórdios dos dias de nossa existência.
Neste livro você descobrirá o porquê de toda fúria do inimigo em impedir a vinda do messias, o escolhido das nações. E se envolverá nesta trama ao ver o triunfo da semente santa contra a semente maligna, descobrindo que todo pensamento e desejo do agricultor em ver sua semente germinar, tem seu ponto culminante como objetivo e alvo apenas… o seu coração.

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CAPÍTULO 1
TOMBADOS PELA DESOBEDIÊNCIA
E lá estávamos nós, plantados da banda do oriente do Éden Todas as nossas raízes, naquele belo e espesso tronco genealógico carregavamos toda nossa essência. Por quanto tempo gozamos de total plenitude e harmonia com o agricultor, não podemos imaginar, certo é que nossa semente foi sufocada pelo veneno do pecado e fomos enxertados de toda sorte de abrolhos, e desabrochamos de forma bizarra, cheios de espinhos e cardos, enraizados por toda terra, que daquele solo fértil esvaiu-se, tornando-se então em sequidão de estio, expondo grandes sulcos por toda a extensão do terreno.
Seria esse o fim de toda opulência desse cedro do Líbano cujo machado jaz à raiz, prestes a ouvir o estalar de sua queda? Ò agricultor! Quão duro foi o corte, estamos agora tombados, separados dos nossos mais íntimos laços da virada do dia. Dissolvidos fomos, esvaiu-se toda a sabedoria em nossa queda, que nos trouxe dor pelas feridas abertas, chagas profundas que aos nossos olhos impossíveis são de serem fechadas.
Incansavelmente o agricultor como um árduo trabalhador, ainda que molestado pelo sol da nossa desobediência e com suor de lágrimas, levanta-se ao encontro desse tronco caído, erguendo-o e plantando-o fora desse jardim de delicias. E nos vimos então expulsos de nosso lar, açoitados pelo ímpeto dos ventos e da fúria das tempestades, vestido com casacas por ele preparadas, mostrando-nos futuro sacrifício inocente. E sobre nossos lombos a seiva da cura, guardada para o tempo determinado carregávamos, ainda que nos seus sonhos germinada mesmo antes de serem abertos os sulcos pelo chão.
Enraizamos e geramos árvores frondosas de toda sorte de saborosos frutos, cujos pássaros nos galhos mais altos aguardavam ardentemente pelo fruto excelente e que fora logo colhido pela sua exuberância, por ofertar ao agricultor as primícias da sua gordura. E a primeira semente foi pisada e massacrada pela inve12
ja e pelo ciúme doentio da maldade e vimos o terror aos nossos olhos, todos os sonhos e projetos resumidos em um quadro de frustração jamais contemplado e visto no primeiro homicídio.
Como entender a mente de nossos primeiros pais diante daquele quadro tão irreversível e assustador? A semente maligna de Caim vence a semente piedosa de Abel e foge ganhando forças, construindo cidades da banda do oriente do jardim, colocando na cidade o nome de sua semente: chamada Enoque, que gerou e gerou, fortificando-se na área agrícola; trazendo estética e ordenha através de Jabal, cujo irmão Jubal fora também grande dominador da música, trazendo assim a cultura, e das raízes de Caim veio também Tubal Caim mestre em armas, poderoso dominador e conquistador pela força do aço e foram eles fortificados por terra como gigantes invencíveis.
Onde estás ó semente piedosa, como surgirás em meio gigantescas árvores, onde vingarias piedosa semente e resistirias a toda essa opulente floresta?
De nossas raízes então veio Sete e Enos e passou-se a invocar o nome do Senhor pelos sofrimentos inerentes. E foi aplacada a fúria dos grandes pássaros contra os deliciosos frutos excelentes, frutos estes que não nasceram para administrar grandes empreendimentos, mas acomodados sim a coisas humildes. Não dados a gados e estéticas, mas colhendo seus frutos do calor do dia, não como grandes sábios criadores de harmonias e melodias, pois não são muitos os sábios que foram chamados. Nem muitos os poderosos e grandes conquistadores do aço pelo aço, mas escravos deles sim, sofridos e oprimidos pelos seus algozes e verdugos. Não dando nomes as cidades, mas nomes a gerações de piedosos que não se corromperam pela semente maligna e foram imortalizados nas genealogias, cujo lugar nesta não se achou mais para a semente maligna, esquecida no rol genealógico. Mas nomes como o de Noé, que veio para consolação das obras de suas mãos calejadas de cento e vinte anos pela maldição de uma terra contaminada pelo pecado, homens piedosos carregando em seus lombos a bendita promessa de um que esmagaria a semente maligna trazendo cura para nossas feridas.
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CAPÍTULO 2:
SOBRE AS ÁGUAS DA OBEDIÊNCIA
E Noé achou graça aos olhos do viticultor por não se corromper em uma sociedade de Nefilins; povo pervertido, onde a semente maligna misturou-se com a semente piedosa enfraquecendo-a, tornando-a vulnerável, fazendo circular em suas veias o veneno de toda maldade. Bombardeando as mentes com pensamentos malignos continuamente e assim foram contaminados, tornando-se incapazes de frutificar para trazerem a promessa, derrotados nas águas do dilúvio, submergidos em toda sorte de maldades e violência, corrompendo os corações até serem dizimados. Porém o agricultor guardou, protegeu, circundou e regou a Noé que era tamim, ou seja, sem mancha, livrando-o porquê foi justo não se contaminando com maligno. E por manter-se firme como que vendo o invisível, pairou com sua família sobre as águas do dilúvio e viu sua semente piedosa ser protegida pelo porteiro das comportas celestiais, que estava sobre as muitas águas reinando com voz de trovão, assentado sobre o dilúvio como rei perpetuamente sob a abóboda da terra, dando força ao seu povo e contemplando o escape da semente santa carregar a promessa de triunfo sobre o maligno.
E por quarenta dias Noé cortou as águas da fé, confiança e experiências com aquele que verdadeiramente honra sua palavra e vela para a cumpri-la, pois ainda que não houvesse chuva ela veio, e em meio à tanta zombaria, envergonhando e constrangendo o velho Noé, tendo-o como um louco ao construir uma arca em terra seca, eles sim é que foram enlouquecidos, envergonhados e confundidos. Sendo submergidos ao esmurrarem a porta da arca, sucumbindo e vendo o bailar do grande navio de obras de fé triunfar na tormenta. Por mais de cento e vinte anos de anuncio sem ver frutos, mesmo que a esperança que tarda desfaleça o coração e quem não se desfaleceria diante de tantos anos de espera vendo apenas desertos? Mas o desejo chegado é árvore de vida, o caminho da obedi14
ência é sempre recheado de frutos saborosos de proteção familiar e providencia divina e sempre de um porto seguro, pois ele será nosso guia até a morte, um farol que ilumina em lugar escuro e que nos leva sempre a um porto desejado.
E as águas do dilúvio prevaleceram cento e cinqüenta dias sobre a terra, águas silenciosas no coração de Noé por não se ouvir mais a voz do Senhor das muitas águas, contemplando apenas o horizonte do esquecimento, até ver brilhar a lembrança do senhor das comportas que fez passar um vento sobre a terra e as águas se aquietaram por àquele que faz cessar a tormenta quando nos diz “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”.
Exalou-se então da semente piedosa ao agricultor o perfume da paciência, longaminidade, domínio proprio, e temperança, ao aguardarem por um ano inteiro para saírem da arca, até receberem a ordem para pisarem em terra seca. Quanta confiança demonstrada por Noé e longaminidade, vendo as águas baixarem e aguardar o tempo determinado do agricultor para lavrar a terra e plantar sua semente para que não fosse misturada com os cadáveres pelo chão. Contempleis ó semente o arco como sinal de um novo pacto e aliança, e regozijai-vos em uma nova dispensação.
Porém Noé plantou uma vinha embebedando-se dela e foi visto sua vergonha, como a de nossos primeiros pais. Sem dúvida a semente maligna já rondava suas tendas e Cão fora amaldiçoado por ver sua nudez e usar de desrespeito para com seu pai, tornando-se uma semente maligna e corrompida, gerando assim os cananeus inimigos terríveis do nosso povo. Sendo, pois, todos um só povo e projetando em seus corações uma edificação que engrandeceriam apenas a carne, em Babel fomos dispersos pela confusão de línguas porque os corações tornaram-se cheios de veneno maligno e intentos sem restrições. Em meio tamanha confusão Sem fora separado por honrar Noé, cobrindo sua nudez, e foi por isso abençoado, vindo então de seus lombos e raízes a Abrão, fazendo com que a semente santa mais uma vez escapasse dos ardis do maligno, tornando-se uma fugitiva e peregrina em terra estranha.
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CAPÍTULO 3
HERDEIROS DA PROMESSA
A ordem então era para Abrão sair do meio de seu povo idólatra para não se corromper após outros deuses. Ele recebeu a promessa de que de seus lombos nasceria um em que todas às famílias da terra seriam benditas nele, ou seja, em sua semente.
Mas como viria essa semente a germinar sendo Abrão um velho de setenta e cinco anos e sua mulher de ventre já amortecido e estéril? Como poderiam carregar tamanha promessa em suas fraquezas? Quanta esterilidade em meio familiar que nos traz dissabores para a alma e nos faz envolver em conflitos e temores.
Até que Abrão em meio tamanha guerra pelos seus, ao retornar de uma batalha se depara com um ser místico, sem princípio de dias e nem fim, o qual recebe daquele que detinha a promessa os dízimos dos despojos, fazendo com que Abrão delicie-se com pão e vinho, contemplando a graça divina e recebendo depois disto a ratificação de suas promessas; de que dele viria um, segundo a ordem de Melquisedeque a esmagar a cabeça da serpente.
Assim por conseguinte disse o Senhor a Abrão: “Não temas, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo Galardão. Contempla agora as estrelas e as contes se a podes contar, pois assim será tua descendência”, e creu Abrão no Senhor firmando com ele um pacto de que Abrão herdaria toda a terra e toda a benção.
Mas as aves desciam sobre o holocausto, impedindo com que o pacto fosse firmado, e Abrão às enxotava de sobre o holocausto e por não bastar pondo-se o sol, densas trevas caíram sobre ele e foi tomado então de um profundo sono, fazendo com que Abrão aos poucos se desfaleça ao se ver falhando diante daquela aliança.
Como superar tamanhas trevas e pássaros de rapinas à intentar ofuscar nossos projetos? Até quando ficaremos atordoados
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por tamanhas trevas que nos deixam no sono da indolência?
Pois já é hora de despertarmos do sono e levantarmos mãos cansadas e joelhos desconjuntados, até que possamos fazer veredas direitas para não manquejarmos mais. E mesmo com tanta perseverança vemos que em nós não há forças senão pela misericórdia e compaixão do fiel agricultor que como uma tocha de fogo incandescente passa por meio daquelas metades, enxotando de vez as aves inimigas, cumprindo sua parte no acordo, ratificando suas promessas, mudando a sorte de Abrão, trocando seu nome para Abraão, fazendo dele Pai de uma multidão, visitando também a Sara como tinha falado, fazendo-a conceber e dar a Abraão um filho na sua velhice, no tempo determinado que Deus lhe tinha dito.
E Abraão lhe chamou Isaque, porque riram desacreditando da veracidade de suas promessas por incredulidade, mas no tempo determinado lá estava Isaque, filho da promessa, prova real de toda fidelidade sobre aquele que vela pela sua palavra para a cumprir, ainda que somos infiéis e geramos ismaéis em nossas precipitações e impaciências, ele todavia permanece fiel pois não pode negar a si mesmo.
Sorria, ó minha alma pois o Senhor te tem feito muito bem, alegre-se ó estéril pois floresces-te tua tenda e fostes tirada tua vergonha ao contemplar misericórdia sobre misericórdia. Pois se tu senhor atentares para a iniquidade quem subsistirá ou quem parará diante de ti? mas contigo está o perdão para que sejas temido. E por assim ser, tomou Abraão em seus braços a promessa, contemplando-a e confessando ser um peregrino e estrangeiro em terra alheia vendo sua semente frutificar em sua tenda, sorrindo com seu Isaque do qual viria a bendita promessa, tão aguardada pelos seus futuros patrícios e também por todo o restante dos confins da terra, pois no seu nome os gentios esperarão. E não foi por isso que crestes e esperastes ó Pai Abraão e Pai da fé? receba agora seu galardão Porque crestes dando glórias a Deus, sendo-lhe isto imputado como justiça vindo a ser conhecido pelos séculos seguintes como o grande amigo de Deus.
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CAPÍTULO 4
POR UM PRATO DE LENTILHAS
Passados quarenta anos, nos deparamos com o mesmo quadro familiar: Isaque orando insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era estéril. Rebeca filha de Betuel, mulher Laboriosa que impressionou ao retirar águas para camelos em jornada, fazendo Eliezer revelar suas joias ocultas preparadas para uma noiva pronta a ser adornada para tamanha cerimônia, ataviada de boas obras ao dizer “eu irei” àquele que tinha a incumbência da jornada, de preparar uma noiva para o filho de seu senhor.
Mas o que havia de errado nessa família que fazia com que estas mulheres não gerassem, sendo tão infrutíferas? O que estaria por detraz de tanta falta de frutos, impedindo que a semente santa viesse a se vingar? Seria porventura o sagaz podão do perseguidor ceifando todo caule até esvair-se de vez toda seiva de esperança, a frustrar todos os sonhos e projetos da bendita promessa?
Porém, a oração abre as portas de toda terra estéril fazendo-a produzir. E orou Isaque até que o Senhor ouviu suas orações e Rebeca concebeu, e os filhos já lutavam desde o ventre pela benção da primogenitura. E disse o Senhor à esta pela sua inquietude: “Duas nações há no teu ventre e dois povos se dividirão das tuas entranhas, um povo será mais forte do que o outro povo e o maior servirá ao menor”.
Como é notável ver duas sementes em conflitos desde o ventre, travando tamanha batalha; uma para trazer a promessa e outra para impedi-la de se vingar, mesmo ainda informes no ventre já travando tamanho conflito.
E cumprindo-se os dias vem Esaú, ruivo e cabeludo, com seu irmão Jacó agarrado a seu pés. Jacó, aquele que nasce com os pés colados, e imaginamos Esaú ser o detentor da promessa visto ser ele o primogênito, pois antes do estabelecimento do
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sacerdócio arônico todo aquele que abria a madre era o que tinha direito de primogenitura, ou seja, a promessa de esmagar a cabeça da serpente, por ser ele o que estava na linha de frente. E como Jacó já se dizia tudo pelo nome: de suplantador, usurpador, àquele que nasce com os pés colados, nossos olhos se voltam sem dúvidas para Esaú que por sua vez ao retornar de uma caça fora surpreendido por um prato de lentilhas em sua fome e cansaço, e assaltado por seus questionamentos vende sua benção por um guisado dizendo: “estou prestes a morrer, para que me serviria logo essa benção da primogenitura?” e desprezou Esaú tamanho privilégio concedido.
Ó mundo de lentilhas até quando venderemos por tão pouco preço um Quinhão conquistado com sacrifício de sangue? Ó agricultor; até quando há de se ver tua semente sendo pisada, desprezada e massacrada, se ela só pode morrer apenas uma só vez? E mesmo que com lágrimas mais tarde de remorso Esaú a buscasse, não achou mais lugar para si, fazendo com que a benção do maior passasse ao menor.
Isaque pois, assim estendeu sua mão e abençoou àquele que lutara pela primogenitura desde o ventre e saiu perdendo e por fim retoma para suas mãos o que todo o desejo da carne havia conquistado, e que fora vencido por prazeres efêmeros, conquistando somente o prêmio de se tornar o progenitor dos amalequitas, grandes inimigos do povo de Deus. Encolerizado agora pelo engano Esaú se lança contra seu irmão Jacó, tornando-o um fugitivo e peregrino em terra estranha, carregando nos lombos a promessa e sendo espoliado pelo vingador, que mais uma vez não atinge seus objetivos ao ver a semente escapar como águas derramadas pelo chão que não se podem mais ajuntar.
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CAPÍTULO 5
VINDO DE JUDÁ
Partindo Jacó em sua missão, se depara em sonhos com os anjos do senhor, que lhes fazem promessas dizendo que o senhor estaria com ele por onde quer que fosse e que não o abandonaria, fazendo sua semente prospera e poderosa ao ser ela multiplicada como o pó da terra, determinando com que nesta semente todas as famílias da terra seriam benditas nela.
Confirmada pois a promessa, parte a semente para o oriente em Harã e se enamora com Raquel, mulher formosa de semblante à vista, e por este tão grande amor serve Jacó por ela durante sete longos anos, que ao cabo desse dias se vê enganado por seu tio e recebe Lia como esposa por tradição. Mas o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, e mais sete são os anos de trabalho sol a sol, servidos pela amada Raquel. Trabalho este que ao coração apaixonado de Jacó, faz parecer aos seus olhos como poucos dias pelo muito com que a amava.
Porém Raquel trazia infertilidade marcando mais uma vez a história da semente que na sua trajetória vem caindo em solo não produtivo, obrigando ao agricultor intervir e obrar como nos tempos antigos trazendo fertilidade aos campos que não produzem.
Jacó então frutificou, trazendo Léia seus filhos junto com a escrava que gerara também, e por derradeiro de todos o Senhor se lembra de Raquel. E ouviu Deus sua voz abrindo-lhe sua madre, fazendo-a conceber a José, dizendo: “Tirou Deus minha vergonha”, e disse mais: “ O Senhor acrescentou-me outro filho”. Imensurável intervenção divina que nos traça caminhos de delícias abrindo-nos portas e mudando toda nossa trajetória, dando-nos vida, trazendo alegria e sentido à vida quando tudo parece ser dissolvido. Sorria Raquel, pois a
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alegria chegaste à tua tenda.
Com os olhos voltados para José, esperávamos vir dele a promessa por ter-lhe seu pai feito uma túnica de cores, ou porque seu pai o amava mais por ser filho de sua velhice, ou talvez por ser filho de Raquel a quem tanto amava e por quem serviu por quatorze longos anos. Mas a promessa veio de Judá, filho de Léia, que tinha os olhos tenros e pela qual não dávamos nada. E entendemos então que a semente santa não veio da vontade da carne, nem da vontade do sangue, nem da vontade do varão, mas sim da vontade de Deus e não pela preferência humana pois olhando nós para Ele nenhuma beleza víamos para que o desejássemos, mas Ele veio sim pelo poder do Altíssimo e não pelos olhos da carne pois para com Ele não há acepção de pessoas. E vimos então que das doze tribos de Israel Ele procedeu da tribo de Judá, sendo para um povo futuro conhecido como o leão da tribo de Judá, pois de Judá viria o legislador.
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CAPÍTULO 6
CONTADO COM OS TRANSGRESSORES
E nisto vemos então Tamar aguardando perpetuar nome à sua família, pois seu marido morrera por ser mal diante dos olhos do senhor. Sendo pois o irmão do falecido pelas leis antigas, determinar que gerasse filhos à viúva para que esta viesse a ter descendentes, e fazendo-se este então negligente aos mandamentos e ordenanças, por ter que trazer um filho, perpetuando descendência em nome de seu irmão, expelia este sua semente por terra, para que assim Tamar não viesse a fecundar. E isto pareceu mal diante dos olhos do senhor que tambem o matou.
Diante de tamanha situação Tamar agora se vê à espera por Selá até que este viesse a crescer para lhe gerar filhos e se envolve com seu sogro Judá, que a teve por prostituta e entrando a ela lhe faz conceber à Perez o qual carregou a semente santa multiplicando sua prole.
E mais uma vez nos surpreendemos com o agricultor escolhendo Tamar cujo marido deu lugar à semente maligna, sendo ceifado pelo Senhor, junto com seu irmão derramando sua semente por terra, e em tudo vemos uma luta travada para não vingar a semente. Até que Judá, seu sogro lhe faz gerar a Perez, e então entendemos que Ele se fez pecado por nós, contado com os transgressores, fazendo-se semelhante aos homens em forma de homem aniquilando a si mesmo, humilhando a si mesmo o justo pelos injustos, tornando-se maldito por nós.
Sendo pois, Tamar ameaçada por suposto adultério a ponto de ser queimada viva, escapa ao mostrar provas contundentes de suas justificativas, mostrando então o penhor pedido: selo, lenço e cajado, que ao ser entregue a seu dono foi por ele reconhecido os seus pertences ao dizê-la: “mais justa é ela do que eu porquanto não a tenho dado a Selá meu filho.”
Jacó, pois antes de morrer abençoou Judá dizendo: “O cetro não se arredará de Judá nem o legislador dentre seu pés até que venha Siló e a ele se congregarão todos os povos”. Ó
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bendito nome profético chamado Siló, aguardado e querido por longos quatrocentos e trinta anos de nossa semente em escravidão nos desertos do Egito. Pois o maligno observando que não obteve êxitos corrompendo a semente piedosa em toda depravação e promiscuidade, ao ver o agricultor que mesmo em tamanho pântano era poderoso para trazer o lírio dos vales, numa tentativa terrível obtém seu êxito parcial ao sufocar a semente em escravidão, definhando-a em longos quatrocentos e trinta anos de amargas dores ao pisar o barro para fazerem tijólos.
Tudo porque multiplicamos e fortalecemos em terra estranha e o Egito não era terra para a semente procriar, pois não era lá que manava leite e mel, mas era terra de demônios, terra de prostituições e idolatrias e certamente nos perderíamos após outros deuses. E foi levantado um rei que não conhecia a José que fizera tanto pelo Egito. E fomos então escravizados com cadeias de ferro, braceletes nos punhos e bolas de ferro nos tornozelos, vendo nossos algozes ceifar nossas crianças que nos dariam descendentes, e em tudo vemos os desígnios do altíssimo, pois corríamos o risco de contaminarmos com toda sorte de feitiçarias dos Egípcios e por isso fomos por eles escravizados por não ser ali nosso lugar de repouso e vimos a intervenção do senhor nos fazendo enxergar que resta ainda um repouso para o povo de Deus. Ainda que nossos espinhos na carne nos faça sangrar, contudo confessamos sermos peregrinos em terra estranha, ainda que muitos não contemplaram as promessas, tombando ao pisarem o barro para fazerem tijólos, contudo ficaram firmes como que vendo o invisível, clamando pelos seus exatores que os oprimiam.
Até que o senhor levantou um libertador do meio de uma carnificina e genocídio de crianças onde tudo indicava o êxito e triunfo do maligno; naquelas águas turvas do Nilo surge o menino Moisés, sendo guiado pelas mãos do régio dominador, o Timoneiro amado, trazendo brandura sobre as águas, tirando cerca de três milhões de pessoas das garras do inimigo, fazendo-os ouvir sua profecia ao dizer que nos finais dos tempos o senhor levantaria um homem semelhante a ele, ou seja, um grande libertador e toda alma que não o ouvisse seria extirpada dentre os povos.
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CAPÍTULO 7
A TENDA DOS JUSTOS FLORESCERÁ
Erguei-vos paredões de águas para que nossos pés passem a seco em tuas areias ainda umidecidas e seje atraído o perseguidor para submergir-se em seu orgulho com seus carros e cavalheiros. Onde estás agora ó destemido doutrinador com seus chicotes de escravidão? Tu que governavas com mão forte e implacável, sim grande ditador dominante, aprendestes por fim que aquele que por muitas vezes endurece sua cervis será quebrantado de repente sem que haja cura. Ouça agora se puderes o som do tamboril e a melodia inspirada pelo espírito, ouça o brado de vitória abalando os alicerceres celestiais. Escute o som festivo povo que saí do jugo para a liberdade, pois logo teus alaúdes se transformarão em ruídos de queixumes e murmúrios ao seres provados na jornada escaldante do deserto, onde o maligno vos espreita aguardando seu momento.
Mui cedo então nos rebelamos uns contra os outros movidos pela inveja, onde muitos não deixaram a porfia e foram por ela envolvidos como o abrir das comportas, onde Coré Datã e Abirão arrastaram a muitos em seus conflitos maliciosos, convocando os cabeças de família contra o legislador Moisés, até que este convoca toda congregação a saber em qual família o agricultor frutificaria então. E vimos por fim a vara de Arão florescer amendoeiras sendo este escolhido para fazer a diferença entre o santo e o profano, entre o que serve e o que não serve, para que jamais viéssemos a trazer fogo estranho diante do altar, para não morrer! Disse o agricultor e vimos a semente piedosa surgir então do meio sacerdotal, confirmando pela lei agora em vigor sua linhagem desde os tempos antigos segundo a ordem de um Melquisedeque já existente.
Porém ceifados foram em rebeldia semeando suas sementes no deserto onde a própria terra se abriu para receber seus corpos ainda vivos. E durante quarenta longos anos colhemos conhecimentos e experiências de desabores para a alma, ao ver toda aquela geração submergir nas areias do deserto da desobediência, fazendo suas marcas de montões pelo caminho onde em um só
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dia caiu vinte e dois mil.
Em meio a grandes conflitos com tantos amaleques no meio do caminho e com as taboas de pedra, entramos na tão sonhada terra prometida e plantamos nossos grãos comendo ainda pão do céu, que um dia foi chamado de vil mas que cumpriu seu papel sustentando uma multidão, deixando gosto de azeite nos lábios, fazendo-os sorrir ao provar do alimento da terra. E que não se achando lugar mais para tal, cessou pelos frutos colhidos o saboroso pão do céu.
Bendito seja o nome do Senhor ora diga Israel, pois se não fora o Senhor em nosso favor já há muitos nossos inimigos nos teriam engolidos vivos. Pois o santo de Israel com suas mãos nos acalentam e nos fazem frutificar excelentes frutos dignos de desejos, trazendo aos olhos de quem vê anseios por almejá-los. E ao serem colhidos entendemos que a jornada nos ensina a não errarmos de novo e nos faz compreender que quando ocupamos o lugar determinado julgamos retamente, ao dizermos também que foi bom ter sido afligido pois agora guardamos suas leis em corações dispostos a obedecer e saber que ele é quem faz como lhe apraz, trazendo sua semente não da sombra e do grande vulto chamado Moisés homem que trouxe as tábuas da lei a serem gravadas em corações de pedras, mas sim de seu irmão Arão, ministro sacerdotal, a nos ensinar que não adentraremos pelas obras da lei naquela tão sonhada terra, mas sim pela infinita graça já derramada nos corações.
Pois se o ministério da morte gravado com letras em pedras veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés por causa da gloria do seu rosto o qual era transitória; muito mais o é em glória o que permanece. E nisto vemos em Arão ao compreendermos que de seus lombos viria também a promessa apontando para um sumo sacerdote eterno, pois em breve assim com foi chamado Arão, sendo digno de tamanha honra, assim também mui cedo ouvir-se-ia o testemunho; “Tu és meu filho, hoje te gerei”. E tu és sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque. Sim, venha supremo sumo sacerdote, estabeleça seu sacerdócio perpétuo, até que venhamos a adentrar na Canaã celestial.
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CAPITULO 8
PARTICIPANTES DA LINHAGEM REAL
Mas na terra havia ainda gigantes para serem dominados e o maior deles chamava-se Jericó, opulente e robusto; uma invencível muralha cujas armas mortais sequer abalariam suas estruturas, era o terror aos nossos olhos. Ó muralhas desafiadoras exaurindo e extaguinando seus opulentes, como olhar para ti e não se abalar? Como contemplar-te e não temer pensando em voltar atrás?
Ó agricultor amado, em nós não há forças contra tamanha situação que nos envolve o coração, chegamos a ficar atônitos, sentindo picadas em nossos rins, vendo apenas fantasmas a deixar-nos apáticos e com vertigens até faltar-nos o chão. Espessas muralhas de conflitos e adversidades cuja força motriz torna-se inerte ante Pétros maciços. E como o ferro com o ferro se aguça, vimos a verdadeira pétra se chocar nas rochas espessas a ruir todos os seus fundamentos ante o brado da fé, sendo prostrado o gigante amedrontador, destacando-se apenas a escarlata estendida sobre a janela daquela casa erguida sob o muro que sobressaia-se em meio aos escombros.
Bendito pacto que resguarda toda família, pois mil cairão ao teu lado, dez mil a tua direita, mas não seremos atingidos. Raabe, mulher de má fama e reputação, que conseguiu enxergar ao longe e foi honrada, fazendo aliança com os escolhidos ao protegê-los em estratégias de guerra, sem sequer imaginar que não somente sua casa se sobressairia em meio ruínas, mas que também seu nome romperia as barreiras do tempo ao se casar com Salmon e gerar Boaz avô do grande rei Davi.
Raabe, cujo nome fora arrolado nos anais das escrituras genealógicas, ficando assim conhecida na galeria dos heróis da fé, chamada de meretriz, mas cuja fé sobressaiu-se chamando a atenção do agricultor que a escolheu, mesmo sendo uma gen26
tia dando-lhe a honra de carregar a promessa da semente santa da qual veio Boaz, que em sua generosidade contemplou uma Moabita, permitindo a ela respigar os grãos que ele deixava propositalmente de suas espigas caídas pelo chão para o seu sustento.
Rute moabita, fiel e companheira, que ante dificuldades da vida ao ver seu marido partir sem lhe deixar descendentes não se deixou levar pelas situações, mas uniu sua alma com Noemi, sua sogra dizendo: “Não me instes para que te deixes e me afaste de ti, porque onde quer que fores irei eu e onde quer que pousares à noite ali pousarei eu, o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meus Deus, onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei sepultada; me faça assim o Senhor e outro tanto se outra coisa que não seja a morte me separe de ti.”
Como tens faltado, ó corações amigos, que se fundem em um só sentimento, entrelaçando-se inseparavelmente, trazendo-nos tamanhas revelações de pureza e virtudes, tão preciosas que talvez nem procuradas se acham mais, em meio sentimentos tão egoístas. Rute assim nos demonstra tamanho companheirismo ao traçar em sua decisão o sacrifício de toda sua vida, para ser uma ajudadora, sem sequer imaginar que sua atitude mudaria toda trajetória de sua vida. Ouvimos até os anjos dizerem amém diante de tamanha resolução, de unir-se ao povo de Deus, recebendo honra ao casar-se com Boaz e poder ser uma ancestral da semente ao trazer em sua prole Obede e de Obede Jessé que gerou o grande rei Davi, ficando assim uma simples Moabita imortalizada pelo seu ato de benevolência.
Sim, vemos então que nós os gentios sempre fomos alvos do grande plano do agricultor, de produzirmos à Ele lindos frutos de toda aceitação sem restrições e préconceitos e indiferentismos, mesmos por sermos apenas uns rabiscos de colheitas, pois Raabe e Rute nos mostram tamanha honra a nós que não éramos povo, sermos participantes da linhagem real tendo nossa parte nessa ligação tão santa, escolhida a dedo pelo agricultor, de trazer sua semente prestes a ser introduzida no mundo.
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CAPÍTULO 9
TIRADO DAS OVELHAS
O que estava por detrás daquele balido de ovelhas? Realmente não era ninguém pelo qual devêssemos nos importar, era apenas um menino ruivo pequeno e franzino, rejeitado pelos seus que do banquete no seio familiar não participava, desprezado já desde tão novo, impedido de se alegrar com os seus. Por que não te convidaram pastorzinho de ovelhas? Não sabes tu que na casa de teu pai há um homem honrado, enviado pelo senhor a tratar de negócios teocráticos, concernentes ao reino? Prepara-te tenro pastor, pois prestes estás a ser tirado de detrás de tuas ovelhas para exerceres teu chamado.
Então Jessé convidou seus filhos e os fez passar diante de Samuel: A Eliabe homem de boa aparência, grande em estatura, com seus irmãos Abinadabe, Samá e todos os seus sete filhos. E nisso vemos que Jessé havia feito sua escolha.
E como os homens tem escolhido mal em suas decisões, em seus caminhos, escolhendo antes a Jope do que Nínive e as campinas verdejantes, que levam a Sodoma, onde os caminhos que ao homem parecem perfeitos, no final se revelam como caminhos de morte. Tudo porque nossos olhos atraídos e engodados são pelos frutos exuberantes das concupiscências dos olhos, da carne e da soberba da vida. Em suma, a verdade é que os homens preferiram mais os caminhos tenebrosos que os caminhos de delicias, abandonando os preceitos teocráticos e pedindo os democráticos de Saul e nisso vemos a intervenção de Samuel ao dizer: “O Senhor não escolheu a estes acabaram-se os seus filhos?”
Ficamos por imaginar o silêncio e os olhares; Jessé sem entender nada, afinal ele apresentara o melhor que tinha, mas por fim quase esquecendo, lembra-se do menor, o apassentador de ovelhas. Envia! Disse Samuel, manda chamar. Pois não
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nos assentaremos em roda da mesa até que venha.
Imensurável e bendita intervenção divina, quanta rejeição sofrida no seio familiar, quanto desprezo e olhares de dura cerviz. Quantos como você pastorzinho entre quatro paredes ainda comem do lado de fora? Muitos são os corações hostilizados pela antipatia familiar, desprezados pelos seus patrícios que exalam sentimentos frios, desdenhando àqueles que desejam o calor dos corações como filhos amados ao redor da mesa.
Na labuta da lida, rompe-se o elo do pastor e suas ovelhas ao ouvir a voz do mensageiro: “vinde ao banquete”. De sandálias sujas e com seu bordão, olhar de preocupação e temeroso, pela cena presenciada ao ver todos o receberem de pé, atônitos e sem terem o que dizer, esperava o pastorzinho receber apenas mais uma missão. E no silêncio daquele ambiente ouvi-se o ruído dos pés de Samuel ao seu encontro por ter ouvido a suprema voz dizer: “Eis aí o homem, ungi-o”.
Óleo precioso, que desce sobre a cabeça e sobre a barba até a orla de seus vestidos para fazer a diferença. E desde aquele dia em diante o espírito do Senhor se apoderou de Davi; espírito de santidade que sonda as profundidades de Deus que não olha como o homem que só vê o exterior e somente a aparência, mas que contempla o coração e que vê corações dispostos a obedecer, ainda que sejamos desprezados e tratados como escória do mundo, porém o Senhor é quem nos assiste. E nos exalta, pois os humildes sempre serão alvos do cuidado e do grande amor de Deus.
Alegre-se ó Davi, por matar o urso, regozija-te por vencer o leão, cantai sim mulheres com seus adufes e dançai pelo gigante Golias tombado em campo de batalha. Tocai a harpa jovem Davi e alegre-se o teu coração, pois eis que em breve se aproxima os verdadeiros gigantes sobre ti, os quais Golias perto destes é quem sairia amedrontado como os teus familiares ante a peleja.
Gigantes, como o ciúme doentio de Saul que fora ven29
cido por Amaleque em grande desobediência e perdeu seu reinado arremessando sua lança sobre ti, espoliando-te como uma perdiz no deserto da perseguição. Solitário e sedento, longe do lar, lá estava a semente peregrina rumo ao seu reinado, recebendo os seus súditos em cavernas e vencendo batalhas rumo a coroa.
Batalhas que deixaram marcas, gigantes como Bate-seba e a espada que jamais se apartou dos seus. Filhos que se foram, os quais viu enterrar, filhos que trouxeram angústias, escândalos e intentos malignos. Espoliado por Absalão que intentou tirar-lhe a vida e o reinado, levantando traições e expulsando-o, fazendo-lhe errante pelo deserto. Sim, na verdade nossos verdadeiros gigantes os quais tememos são nossos próprios familiares, pois a semente veio trazer espada, onde nossos progenitores seriam os maiores inimigos, pela decisão tomada, e na casa agora haveria divisão, pai contra filho e filho contra seu pai, nora contra sogra e sogra contra nora, e por baixo desse alicerce familiar na vida de Davi achava-se o inimigo a tentar, roubar-lhe sua descendência, impedindo-a de frutificar-se.
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CAPÍTULO 10
A SEMENTE ENTRE OS REIS I
E nas horas de angústias e de dores, em meio desertos escaldantes de incertezas da vida, é que surgem os verdadeiros amigos como Jonatas, cujo os pés de ambos caminharam pelos campos juntos, compactuando pelas gerações seguintes, pelo amor sentido um pelo outro, porquanto Jonatas amava a Davi com todo o amor de sua alma, e o mesmo sentimento Davi confessou quando soube que seu amigo tombara em campo de batalha, cantando o cântico do arco dizendo: “Como caíram os valentes no meio da peleja. Jonatas nos teus altos foi ferido, angustiado estou por ti meu irmão Jonatas, quão amabilíssimo me eras, mais maravilhoso me eras o teu amor do que o amor das mulheres”.
Entrelaçados corações de amizades, como tens faltado em meio escassez de solidão, como tens faltando ó coração amigo. Tudo o que temos muitas vezes no lugar de Jonatas são os Símeis da vida para amaldiçoar-nos e apedrejar-nos, lançando-nos em rosto todas as mágoas e ressentimentos e palavras persuasivas de dissabores para a alma, para nos fazer parar na jornada em meio a ermos. E nisso vemos a palavra do rei Davi dizendo: deixai-o, porventura o senhor olhará para minha aflição e miséria e o Senhor me pagara com bem à sua maldição deste dia.
Amaldiçoai agora Símei, pois em breve se inflamará a ira do filho do Rei contra ti quando ouvir conselhos de seu pai no leito de enfermidade dizendo: “eu vou pelo caminho de toda gente, esforça-te pois e sê homem”, e disse mais o rei Davi a seu filho Salomão: “Eis aí Símei a quem jurei não matar pelas maldições lançadas sobre mim, mas agora não o tenhas por inocente e inculpável. Tu és sábio, saberás o que fazer para que suas cãs desçam à sepultura com sangue”.
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Sim, grande rei, mostrastes que és homem de guerra, por isso não edificastes casa para o Senhor, pois fostes derramador de sangue em teu reino de lutas e conquistas e amargas cicatrizes, mas fostes também homem segundo o coração de Deus e recebestes promessa de jamais apagar-se a lâmpada em Israel, tendo sempre um herdeiro ao reino: Salomão de Bate-seba grande em sabedoria jamais visto, entre os nascidos de mulher ninguém jamais superou tamanha virtude concedida.
Reine Salomão com toda sabedoria e traga descendência à bendita semente. Regozijai-vos sim nação eleita, aquietai-vos povos, pois o reinado é de paz e prosperidade. Exultai sim pois estais prestes a mergulhar em reinos de escuridão e maldade, onde reis como Roboão, filho de Salomão, que por conselhos insensatos, dividiu o reino, misturando sua semente com mulheres estrangeiras, estabelecendo idolatrias, recebendo o castigo devido pelo seu erro. Sisaque com seus carros e cavalheiros, tomou os tesouros da casa do rei e os escudos que Salomão fizera. E no lugar deles, dos escudos de ouro que Salomão fizera, fez Roboão escudos de cobre, mostrando assim o grande declínio de seu reinado. Seguindo seus próprios designos, corrompendo a semente, exterminando-a através de alianças fora da direção do altíssimo.
Terríveis alianças como as de Josafá e Acabe, embora Josafá como uma luz no fim do túnel, expelindo os altos e os bosques de Judá, desterrando da terra o resto dos rapazes escandalosos que ficara nos dias de Asa seu pai, uniu seu filho com Atália, filha do cruel Acabe, rei de Israel, com quem fez alianças militares e sofreu dura penalidade, sendo abandonado em campo de batalha, vestindo trajes reais, enquanto Acabe se disfarçava na peleja. Grande preço pagou também Josafá, ao unir-se com Acazias, rei de Israel, ao ver seus navios se despedaçarem e vendo Atália reinar após a morte se seu neto.
Maligna Atália, que projetou exterminar a semente santa, ao ver seu filho morto. Intentando destruir a descendência real buscando matar o menino Joás, herdeiro do trono, sangue
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de seu sangue, escondido por Joseba e Jeoiada por longos seis anos de espera. Guardado para tempo oportuno, escondido sob as asas do altíssimo no templo, até que a coroa lhe veio a cabeça. E Atália com suas vestes rasgadas, derrotada foi pela espada triunfante da longaminidade.
Bendita graça derramada nos corações, que nos capacita a entender que em tudo há um tempo determinado que nos ensina a aguardar a boa e rebenta semente frutificar e trazer valorosos frutos de longaminidade em nossas peregrinações, ao aguardar as estações que passam com os ventos, pois ainda que as noites traiçoeiras de inverno nos castiguem elas sempre passam, trazendo sempre a esperança de uma primavera prestes a surgir nos corações daqueles que jamais desistem ao aguardarem pelos frutos desejados.
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CAPITULO 11
A SEMENTE ENTRE OS REIS II
Em meio a tantas coroas ameaçadas por estratégias bélicas que foram sustentadas pelos bravos da época, vemos também o valoroso rei Usias em seu reinado de prosperidade, trazendo edificações de grandes torres no deserto, cavando poços, fazendo também o que era reto aos olhos do Senhor. Ganhando nome e ramificando-se até o Egito por fortificar-se altamente, fazendo máquinas de invenções com toda engenharia para atirar pedras e flechas, fazendo seu nome voar para longe em fama pelos materiais bélicos dominadores e pelo seu grande e invencível exército de trezentos e sete mil e quinhentos homens, com seus escudos e lanças. Até que pela sua grandeza foi assaltado, abatido e traído pelo seu grande orgulho, exaltando seu coração até se corromper e transgredir contra o senhor, queimando incenso no templo o que não lhe convinha fazer, ficando com isso leproso até o dia de sua morte, isolado em casa e separado dos seus.
Na verdade o coração torna-se nosso maior inimigo quando alimentado de poder. Fazendo-nos sentir invencíveis, inabaláveis e auto confiantes, desencadeando em nós toda opulência e presunção, nos fazendo sentir os melhores ao contemplar todas as riquezas adquiridas pelos próprios méritos, elevando nosso ego às alturas e de onde somos muitas vezes precipitados pelo inimigo de nossas almas. Pelo que passamos então a entender que o perseguidor da semente ainda usa seus artifícios antigos, corrompendo a semente pelos seus ardis maquiavélicos, vendendo sempre suas ilusões aos sonhadores iludidos pelos seus desejos que sempre superabundam as imaginações dos seus corações.
E dormiu Usias com seus pais, deixando ao trono seu filho Jotão o qual gerou a Acazias, pai do então famoso rei
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Ezequias, que restabeleceu o culto ao Senhor, abandonado por seus pais que queimaram seus filhos no vale de Hinom. E fez Ezequias o que era reto aos olhos do Senhor, reparando as portas da casa do Senhor, o qual também destruiu a grande Neustã, instrumento de cura para o povo em épocas remotas e que lhes tornara em objeto de tropeço por desejarem mais as bênçãos do que o abençoador. Pois foi a serpente adorada e trocaram o abençoador pela aberrante criatura. E então nos lembramos de Moisés dizendo ao Senhor: “Se tua presença não for conosco, não nos faça subir desse lugar.” E vemos que sua presença é que faz a diferença, pois ele é a verdadeira benção e riqueza.
De maneira que Ezequias sobressaiu-se em grandeza e poder, de tal forma que em Judá não houve rei semelhante pelas grandes batalhas travadas, como as de Senaqueribe do qual veio a adoecer para a morte. Até que visitado foi pelo profeta Isaias e ouviu a mensagem do alto para por sua casa em ordem, pois por que morreria e não viveria mais? E muitas vezes somos surpreendidos pelas situações que desencaminham toda trajetória do curso de nossas vidas, até que resolvemos por então as coisas nos devidos lugares, a começar de onde caímos e voltamos os corações ao amado de nossas almas, do qual extraímos a cura para todas as nossas feridas.
E como na oração tudo é transformado, onde os solos infrutíferos trazem vida para que os tempos de seca fluam águas torrenciais, onde nuvens da palma da mão de um homem trazem a esperança de longos anos de seguidão em chuvas que fazem brotar renovo, assim orou Ezequias muitíssimo, não porque morreria apenas, mas porque partiria sem deixar descendência. E voltando-se para a parede orou rogando lembranças passadas ao dizer: “Lembra-te senhor que andei em tua presença com um coração sincero e fiz o que era reto aos teus olhos”. E isto nos traz à memória as palavras do salmista ao dizer: “Lembra-te da palavra dada a teu servo pela qual nos deste esperança”. E Deus lhe acrescentou mais quinze anos de
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vida.
Tempo este necessário para engrandecer-se ao receber presentes do rei de Babilônia e lhes mostrar toda casa de seus tesouros. A prata, como também todo ouro e as especiarias, como os melhores unguentos, até mesmo sua opulente casa de armas, e não houve nada que lhes não mostrasse.
Equivocados caminhos traçados pelo coração, quando abrimos nossos sentimentos às pessoas que não estão no mesmo espírito e que nunca vão compreender por não estarem preparadas e por não serem as mais capacitadas a ouvir, deixando-nos sempre descepcionados com tudo e com todos.
Assim ficou Ezequias frustrado, recebendo seu veredito, onde tudo o que ele mostrou fora levado para o cativeiro pelo rei de Babilônia. Até mesmo os filhos que ele gerasse, seriam levados em escravidão, filhos estes pelo qual orou com rosto voltado à parede até receber em seus braços a Manassés.
Maligno Manassés, rei de grandes trevas, que mudou toda história e tragetória de seu povo, fazendo o que era mal aos olhos do Senhor, levantando altares a Baal, enclinando-se ao exército dos céus a astrologia e exterminando seus filhos ao sacrificar-lhes no fogo aos deuses. Sendo também agougueiro, instituindo a feitiçaria e provocando a ira do Senhor, por ter feito pior que os Amorreus que foram antes dele, fazendo Judá pecar e com isso recebendo o juízo que a longo tempo não tarda, trazendo sobre o povo a escravidão, na deportação para Babilônia.
Terrível final que nos induz a meditar: a ficarmos por entender até onde lutaremos como Ezequias, orando por um Manassés e saciando apenas nossos sentimentos e vontades. Não seria então melhor ficar com a primeira mensagem de Isaias? não seria então melhor ficar com a vontade do Senhor ao ouvi-lo dizer para por sua casa em ordem por que certamente morreria?
Embora Manassés ter derramado muitíssimo sangue inocente e ter feito grandes abominações, assassinando seus fi36
lhos e fazendo introduzir imagens na casa do senhor, contudo em sua angustia suplicou e humilhou-se perante o senhor com ganchos no nariz e algemas de bronze em cativeiro, clamando e lhe fazendo oração, ouvindo Deus sua súplica, se aplacou para com ele e tornou a trazê-lo a Jerusalém ao seu reino, e conheceu Manassés que o Senhor era Deus. E dormiu Manassés no senhor, e seu filho Amon seguiu seu mau exemplo, deixando ao senhor, sofrendo conspiração de seus servos, sendo morto em sua própria casa e colocaram como rei a Josias, seu filho, em seu lugar.
Bom rei Josias, que reparou as fendas da casa do Senhor, dando ouvidos ao livro da Lei achado e esquecido na casa do Senhor, onde ao ler suas palavras rasgou seus vestidos e prontificou-se a consultar acerca daquelas palavras, pois grande era o furor, e ouviu a mensagem de que o mal jazia às portas contra Judá, mas como o seu coração havia se enternecido e se humilhado ao ouvir tamanha desolação, dormiu em paz e seus olhos não viram todo o mal que sobreviria sobre aquele lugar. Mas quantos reis mais ainda dirão pelo caminho as palavras de lamentações do profeta que diz: “Ai de nós porque pecamos, caiu a coroa de nossas cabeças”.
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CAPITULO 12
O GOLPE PARA O EXILIO
Quanto declínio em escuridão vimos de reis em vanglórias. Como o envolvimento e o poder corrompem a mente humana trazendo conspirações e mortes. E entre palácios e coroas, vemos nossa semente romper campos de batalhas em meio trevas densas de maldade, onde gerações que vem e que se vão deixam sua história plantada em sangue e terror, envolvendo nações e povos, mistificando suas culturas, enfraquecendo nossa semente em vaidades e orgulhos, fazendo-nos caminhar como cegos, trilhando nossos caminhos errôneos rumo à deportação para a Babilônia por Nabucodonosor. Onde foram levados todos os tesouros do rei e também da casa do Senhor. E foram fendidos os vasos de ouro que Salomão fizera, e foram transportados para Babilônia a Joaquim, Rei de Judá, com toda sua família, suas mulheres e seus eunucos e todos os poderosos foram levados cativos: sete mil homens valentes, carpinteiros, ferreiros até mil, homens destros na guerra, todos levados presos em grilhões para Babilônia.
E fora estabelecido como Rei a Zedequias, que rebelou-se contra Nabucodonosor e no seu nono ano de reinado Jerusalém foi sitiada com tranqueiras em todo redor, até o undécimo ano do rei Zedequias, trazendo fome a todos os seus moradores, obrigando-os a fugir, e foram alcançados nas campinas de Jericó, onde todo exército se dispersou. E degolaram os filhos de Zedequias diante de Zedequias e lhe vazaram os olhos, atando-o com cadeias de bronze, levando-o para Babilônia.
Dias de trevas onde o capitão Nebuzaradão da guarda do rei da Babilônia veio a Jerusalém e queimou a casa do Senhor, e a casa do Rei, incendiando todas as casas de Jerusalém. E derrubou nossos muros que havia em volta de Jerusalém, a grande cidade. Levando cativos nossos guerreiros, como tam38
bém todos os vasos da casa do Senhor, quebrando suas colunas e bases, levando todo o bronze. E mataram nossos sacerdotes Seraías, como também a Sofonías, e dos que ficaram, os mais velhos foram escravizados em suas próprias terras, os demais porém, todos levados cativos e deportados para Babilônia.
Onde estás agora ó Rei Zedequias, zombador dos mensageiros do Deus Altíssimo e mofador de seus profetas que madrugaram levando sua mensagem? Mas não destes ouvidos, como não podes ver com teus olhos vazados nossas lágrimas junto aos rios de Babilônia? Ouça então nossos algozes pedir-nos canções para sua alegria ao dizer: “Cantai-nos um dos cânticos de Sião”, mas como entoaremos o cântico do Senhor em terra estranha, Como não prantear por ver nossos filhos ainda tenros serem estraçalhados em pedras?
Então caiu o golpe, mais uma vez o tronco tombou e fomos expulsos do lar e cumpriu-se a palavra do Senhor por seu servo, o profeta Jeremias: “até que a terra se agradasse dos seus sábados, todos os dias de desolação repousou até que os setenta anos se cumprisse”.
E afundamos naufragando nossos sonhos e projetos em terra estranha, onde muitos dos que foram levados mesmo tenros ainda mantinham suas posições no palácio real, não se contaminando com as iguarias do rei, como o jovem Daniel e seus companheiros.
Seria esse o fim de toda uma história de perseguição onde pelejas infinitas parecem por fim terminar em braceletes de ferro? Torna-te a levantar-nos agricultor bendito, pois novamente fomos cortados mandados para o exílio, e envelhecemos tombando nas pedras de moinhos das escravidões e morrendo estamos na fé sem receber as promessas, mas vendo-as de longe e crendo-as, abraçando-as confessamos que éramos estrangeiros e peregrinos em terra alheia.
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CAPÍTULO 13
ROMPENDO GERAÇOES
Até que Deus levantou a Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o reino e ajuntou a todo o povo, àqueles cujo espírito Deus levantou a edificar a casa do Senhor que está em Jerusalém. Trazendo os vasos de prata e ouro como também a todos os desterrados à edificar a casa do Senhor que jazia em ruínas. E entre eles a semente piedosa de Zorobabel que ajudou na construção do templo, enfrentando oposições de Tatenai, governador de além do rio e demais inimigos. E não desanimou recebendo promessas do Senhor ao ouvir que era escolhido pelo Senhor como um anel de selar: “E quem eras tu ó monte grande? Diante de Zorobabel serás uma campina, pois ele trará a primeira pedra com aclamações: Graça, Graça a ela! E muitos verão a obra se concretizar com o prumo na mão de Zorobabel”.
Poderosa és ó semente desterrada rompendo em campos de batalhas queimados e assolados pelas noites sombrias de incertezas e de grandes tormentas, por tão longo período de quatorze gerações, desde Abraão até Davi, e mais quatorze gerações desde Davi até a deportação para a Babilônia, e por fim, mais quatorze gerações futuras desde a deportação para a Babilônia até a bendita promessa messiânica, onde tu ó semente piedosa rompestes muralhas outrora feitas em montões de ruínas, onde desbravadoramente movestes das cinzas frustrados sonhos enterrados, reconstruindo do pó impossíveis projetos. Superando os mais ardis intentos das oposições, fazendo tombar desígnios malignos a expor o triunfo da batalha vencida.
Tu és ó semente, o rebento de toda essência do criador que nos incutil a vitória ao regar-nos com águas de esperança e fé, fazendo-nos frutificar em campos cicatrizados pelas ba40
talhas travadas. Mostrando-nos que a primavera se aproxima, onde podemos olhar novamente ao horizonte e contemplar, que agora sim estamos preparados, para a longa distância a ser caminhada de longos quatrocentos anos perdidos, submergidos no vácuo, aguardando o mover dos céus, ao resplandecer a luz da face do Altíssimo sobre a semente, até que rompa a terra e germine em tempo oportuno e determinado, até que venha siló; bendito nome profético aguardado e oculto para ser revelado às gerações futuras. O mistério que esteve oculto desde a fundação do mundo prestes a ser revelado nestes últimos dias, pois se o grão de trigo caindo na terra não morrer fica ele só, mas se morrer dá muito fruto.
Portanto, venhas deserto silencioso, traga suas incertezas e questionamentos, ofusque nossa visão e apresente teus caminhos de indecisões, seus labirintos infinitos com destino ao esvário dos pensamentos que se perdem no vazio, e surre nossos lombos por longos anos de espera e sequidão, pois o que está prestes a germinar trará novas todas as coisas, onde naquele dia o renovo será cheio de beleza e de glória e o fruto da terra será excelente e formoso aos olhos dos que escaparem deste deserto espiritual. E não haverá mais obscuridade para os aflitos, pois aos olhos em trevas resplandecerá luz, e vida aos que jazem à sombra da morte, pois do tronco de Jessé brotará um rebento e das suas raízes um renovo frutificará e repousará sobre ele; o espírito do Senhor, espírito de sabedoria e inteligência, espírito de conselho e fortaleza, espírito de conhecimento e temor do Senhor. Para que àqueles que se firmarem sobre ele jamais venham a ser abalados e confundidos, pois olharão para ele e não ficarão confundidos ao serem iluminados, por ser ele um farol que ilumina em lugar escuro e que nos leva sempre ao porto desejado.
Quem és Tu então, ó desejado das nações? E por que perguntas pelo meu nome, visto que és maravilhoso? Pois o cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló…
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CAPITULO 14
O SILÊNCIO DE DEUS

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CAPITULO 15
O ROMPER DO SILÊNCIO PELA SEMENTE
A esperança que tarda desfalece o coração, mas o desejo chegado é árvore de vida, pois para tudo há um tempo e um propósito determinado debaixo dos céus, e o tempo de cantar chegou, pois a alegria veio ao amanhecer. E lá estava ela, adentrando pelos portões do templo: irreconhecível semente e por que não dizer a videira verdadeira, pois ele foi subindo como renovo e como raiz de uma terra seca e olhando nós para ele nenhuma beleza víamos para que o desejássemos, não tinha parecer nem formosura, reputado por indigno entre os homens, rompendo o silêncio de longos quatrocentos anos e trazendo consigo para sua oferta dois pombinhos, ele vem.
Ó ministros seus, que executais o seu beneplácito, por que não enxergais? Seria pela oferta tão simples que não chamaste vossa atenção, se pois na verdade ele mesmo era a oferta? Contemplai-vos, prostrai-vos diante dele, adorai-o na beleza de sua santidade e dai-lhe a glória devida. Porém os anos de silêncio vos cegastes e não percebestes em vossas sensibilidade o que só pelo espírito se compreende por tamanha revelação.
Erguei mãos trêmulas e cansadas movidas pelo espírito ó justo e temente Simeão, tomai-o em seus braços e louvai dizendo: “Agora Senhor, despede em paz teu servo segundo a Tua palavra, pois meus olhos já viram a Tua salvação, à qual preparastes perante a face de todos os povos, luz para iluminar os gentios e para glória do teu povo Israel”. Alegre-se velho Simeão e rendei graças a Deus, ó profetiza Ana, pois o silêncio de tantos anos fostes rompido a vossos ouvidos. E não somente a vós, mas também à Zacarias, pois suas orações secretas foram ouvidas e Isabel, mulher estéril, trouxe luz à voz do que clama no deserto, a preparar como um arauto os caminhos desta criança que agora chora em teus braços assustada.
Sim, o silêncio fora realmente quebrado, pois que o
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anjo Gabriel, mensageiro de Deus, apareceu a Maria, serva do Senhor dizendo: “ Salve agraciada, pois és bendita entre às mulheres! Tu conceberás e darás a luz um filho, e pôr-lhe-as o nome Jesus, pois ele será grande e chamado filho do Altíssimo. E o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. Ele reinará eternamente sobre a casa de Jacó e seu reinado não terá fim.” “Mas como?”, ela disse, “visto que não tenho relação com homem algum?”. E o anjo lhe disse: “Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra, por isso o ente santo que de Ti há de nascer será chamado filho de Deus, pois para Deus nada é impossível.”
Sim verdadeiramente o silêncio fora de fato quebrado, pois pastores do campo também viram o anjo a lhes dizerem: “Não temas, trago novas de grande alegria que será para todo o povo, pois na cidade de Davi vos nasceu hoje o Salvador que é Cristo o Senhor”. E agora já não havia somente um anjo apenas, mas um exército, uma multidão dos exércitos celestiais dizendo: “Glória a Deus nas maiores alturas, paz na terra entre os homens a quem ele quer bem”, porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros e o seu nome será: maravilhoso, conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, príncipe da paz”.
Ó inefáveis entranhas de misericórdia, pois havendo Deus outrora falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo filho, a quem constituiu herdeiro de tudo por quem também fez o mundo. O filho é o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua pessoa, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder. Pois disse o Altíssimo: “Tu és meu filho, hoje te gerei”. E ao introduzi-lo no mundo a respeito do filho se ouviu: “Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos e cetro de equidade é o cetro do teu reino, por isso Deus, o teu Deus te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.” E vimos a sua glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade, pois nele estava a vida e a vida era a luz dos ho45
mens, luz verdadeira que ilumina em densas trevas.
Em suma, o que depreendemos de toda história é que Ele nasceu debaixo de um jugo de ordenanças para cumprir toda a lei e os profetas, vindo de um tronco genealógico apenas para saciar o cumprimento de ritos e tradições num contexto contemporâneo, onde a Lei predominava como aio e tutor apontando para uma nova aliança, um novo caminho onde o jugo prestes estava a cair. E nisto vemos o intuito pelo qual toda lei fora designada; a demonstrar suas credenciais de domínio e prosperidade aos que por ela a executam. Estruturando a história e moldando o caráter em três fases distintas de quatorze gerações, onde o povo encontra seu ápice na semente bendita, ora agora em eminência.
E que podemos dizer de Ti ó semente, tão tenra e já perseguida, vendo a espada maligna ser mergulhada em sangue inocente, derramando com ela lágrimas no seio familiar, em grandes gritos de terror e agonia?
Então vimos cumprir o dito do profeta Jeremias; “Em Ramá se ouviu uma voz: lamentação, choro e grande pranto. Era Raquel chorando os seus filhos e não querendo ser consolada porque já não existem”.
Sim ó grande o Rei Herodes, não fora apenas o Teu medo de ser destronado ao ouvir dos magos que o rei dos Judeus estava em eminência, que o fez tramar tremenda carnificina, onde naquela tão pequena cidade ouvia-se vozes de terror. Mas sim toda fúria do vil tentador por detrás das cortinas, instigando-o à loucura e crueldade, a caçar o salvador como uma preza vulnerável, inocente e de olhinhos indefesos, ao ver toda tua fúria frustrar-se. Contemplando a tão pequenina criança escapar da lâmina brilhante do terror nos braços de José, que avisado fora em sonhos pelo Altíssimo a fugir para o Egito, onde tu, ó semente bendita, começastes a aprender desde tão cedo e sem tréguas nem descanso a esquivar-se de teus inimigos desejosos de lhe ceifarem tenramente a vida.
E que poderemos dizer mais de ti, ó semente, ainda nos
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teus doze anos disputando acerca dos negócios de Teu Pai? Crescendo cheio de sabedoria e poder, aguardando em toda longaminidade o tempo de sujeição findar-se para a grande revelação. O que dizer então se verdadeiramente tu és o desejado das nações! Apontai sim arauto para ele, pois eis ai o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ouvi povos a voz de muitas águas testificar dele dizendo: “Eis aí meu filho amando em quem minha alma sente prazer.”
Cinge-te de forças ó pastor e bispo de nossas almas, pois preste estás a ser impelido ao deserto para enfrentar o que nos tem destronado, expondo nossas vergonhas e pelo qual fomos acorrentados em cadeias espirituais, deixando-nos seqüelas de pecados expostos: Mas agora, ó guerreiro de justiça e verdade, como os olhos dos servos esperam nas mãos de seus senhores e os olhos das servas nas mãos de suas senhoras, assim estão nossos olhos postos em Ti, empunhe tua espada aguda de dois gumes e triunfe pela causa da justiça e verdade, ó Leão da tribo de Judá, e conquiste por nós a coroa de glória tão almejada pelas nossas vidas pois tão somente em ti esperamos.
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CAPÍTULO 16
O CONFLITO
Não temas, ó minha alma, pois ele já venceste pela obediência ao aguardar durante todo esse tempo em sujeição e total submissão aos pais, sendo experimentado em trabalhos e cuidando dos seus, como um esteio do lar. Subindo sempre ao templo a adorar como era de seu costume, que desde os doze anos já instruía a muitos e embora não o contemplarmos desempenhar seu ministério em milagres prodígios e maravilhas pelo tempo de sua submissão, vivendo como um simples filho de carpinteiro, nos surpreendemos ao ouvir a voz dos céus como de trovão ao dizer-lhe: “Tu és meu filho amado, em ti me tenho comprazido”. E vemos então que o caminho da obediência é sempre o melhor caminho, pelo qual galgamos em agradar ao amado de nossas almas. E nisto iniciaste bem Teu ministério como servo fiel em sua própria casa, digno de honra nos dando tamanho exemplo para que seguíssemos suas pisadas.
Sendo então Jesus revestido de poder e autoridade pelo Espírito Santo, foi impelido ao deserto a ser tentado pelo acusador de nossas almas. E assim como o céu descortinou-se em glória pela excelente voz ouvida, assim o inferno se lhe abriu como um tapete aos pés e travada foi a peleja na batalha pelas nossas vidas, onde todos os nossos sonhos, esperanças e projetos lançados estão naquele deserto de grandes provações. E porque não dizer o mais terrível de todos os conflitos em toda existência humana já travados em um cenário de tamanho robustecimento, onde o calor escaldante do sol traz o árduo e sedento desejo pelas águas cristalinas, e com ele toda frustração por não telas. Como também o frio noturno do vácuo silêncio quebrado pelo assobiar dos ventos gelados, trazendo com ele suas tempestades de areia. Colocando todo ânimo a sucumbir em dunas pelos vendavais a movimentar todos os pensamentos em questionamentos: “Serias Tu mesmo a semente então escolhida, o Todo poderoso filho do Altíssimo?” Longos e de48
morados quarenta dias e noites entre feras e estaguináveis tentações ofuscando-se em profundos questionamentos vindo como bombardeios na mente: “Como um pai poderia deixar seu filho em tamanhas circunstâncias e preste a abandoná-lo por meros mortais? Por que não te curvar então logo de uma vez diante dos reinos agora te mostrado do alto deste grande monte, do que se prostrar ante tamanhos sofrimentos, a aguardar ainda pela libertação futura? Como podes resistir ante tamanhas amarguras, ó coração cheio de amor, e não se entregar logo de uma vez? E agora tu estás com fome, ordene que estas pedras se transformem em pães e farta-te a silenciar o som de teu ventre agora inquieto a perturbar-me”.
Grande e imensurável espada a bloquear golpes mortíferos deixando-nos ofegantes ao ouvir de teus lábios; “está escrito, nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. Trazendo à nossa compreensão que o homem não se porta nesta vida apenas como que um irracional objetivando somente o físico, mas sim como seres intelectuais a cuidar do espírito em comunhão com Deus. E nessa prova saiste vencedor bendita semente agora elevada ao pináculo do templo, sendo convidada ao glamour, a ganhar os aplausos da multidão por ser impulsionada a se precipitar abaixo, por estar escrito que aos teus anjos dará ordens a teu respeito para te guardarem e eles sustentar-te-ão nas tuas mãos para não tropeçares com teu pé em pedra.
Como não ceder a tamanha tentação da soberba da vida e receber os elogios, os abraços de reconhecimentos trazendo com eles todo envolvimento político, a contemplar todos os olhos brilharem para ele ao vê-lo como uma estrela? Mas mostraste firmeza ao esvaziar-te de si mesmo não tendo por usurpação de ser igual a Deus teu pai, coisa que o maligno não aprendeu ao usar tamanho artifício, ficando certamente decepcionado ao ver tua postura em toda determinação a manter tua posição de firmeza ao dizer: “Está escrito, não tentarás ao Senhor Teu Deus”.
E como que num momento de fúria em uma derradeira tentativa final de sucesso, transporta o tentador a Jesus como
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uma ave que leva em suas garras a semente para um alto monte, e diante de seus olhos descortina os reinos em toda sua exuberância e esplendor, com toda sua luxúria e prazeres que superabundam as imaginações do coração e negocia adoração em toda sua arrogância e prepotência. Expondo o que o seu interior esconde, sendo com toda sua vanglória e petulância, expulso novamente da presença do Deus todo poderoso recebendo o desprezo ao ouvir: “Vai-te satanás, porque está escrito, ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele prestarás culto.”
Desnudado em vergonha e opróbrio foi-se o caluniador derrotado, voltando aos seus súditos em total vitupério. Àquele que outrora destronou nossos primeiros pais circundado de delicias e de toda sorte de bênçãos em um jardim repleto de sabores, expondo o primeiro Adão em nudez e despojo de sua inocência, agora se vê frustrado, sucumbido em humilhação e massacre total pelo segundo Adão faminto no deserto exaurindo em exaustão e fraqueza física, debilitado e surrado pelo deserto escaldante como que também em toda investida de ataques tentadores. E agora subindo deles em triunfo como um vulto no horizonte ao longe, a se contemplar feito a alva do dia, brilhante como o sol em toda sua formosura, resplandecente e semelhante a lua na beleza da noite, como um que sobe do deserto tão formidável como um exército de bandeiras a se hastear de um lado ao outro o sucesso de vitória, e o princípiar de sua missão pelos longos passos ainda a percorrer. Pois falta-te um reino a conquistar e com ele teus súditos a serem justificados em teu senhorio, mas por hora guerreiro amado deleita-te com teus anjos a lhe servirem, regozija-te com tuas miríades celestiais e marchai rumo a tua conquista, desempenhando teu ministério tão aguardado, pois a terra de Zebulom e a terra de Nafitali, a Galileia das nações, há um povo em trevas e em sombras da morte preste a ver tua luz como o raiar do sol em todo seu curso, até seu ocaso em totalidade. Cavalga guerreiro de justiça pela causa da justiça e da verdade e abale toda esfera do mundo espiritual fazendo novas todas as coisas.

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CAPÍTULO 17
EXPULSO PELOS SEUS
Há se víssemos em nossa pátria o que fizestes em Cafarnaum. Onde o povo pobre recebeu boas novas e cura para suas chagas mortais, quando os corações quebrantados dos oprimidos foram por ti libertos ao ver-te anunciar o ano aceitável a se cumprir diante de nossos olhos. Mas agora estamos maravilhados pela tua volta, não eras tu apenas o filho do carpinteiro José e não estão conosco todos os teus irmãos? E com que autoridade fazes estas coisas? Obre para conosco como fizeste em Cafarnaum, grandioso médico, pois somos teus patrícios.
Quanta rejeição e hostilidade bombardeada no coração santo do cordeiro de Deus vindo para toda família que se chama pelo seu nome, e agora sendo desprezado pelos seus a ser expulso de sua cidade, impelido ao cume do monte para ser dali precipitado. E por detrás de tanto ódio e trama vemos os ardis de satanas a instigar corações, no intuito de frustrar os desígnios do Senhor e Salvador Jesus para não atingir seus objetivos.
No seio familiar descobrimos então a face dos nossos verdadeiros inimigos por causa da semente santa, pois ele veio à terra a trazer espada e divisão, pois estarão cinco dividido na casa, três contra dois e dois contra três, o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a sua mãe, sogra contra nora e nora contra sogra, e os inimigos serão então os próprios familiares.
Como compreender que onde repousa a luz, as trevas tem que partir em retirada, até mesmo nos laços mais íntimos do seio familiar. Por isso, não te aceitaram sol da justiça intentando precipitar-te, mas ainda não chegaste tua hora. E como que por um relance rompe o Senhor no meio deles abrindo caminho e ao nosso entendimento passamos a compreender
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que ele veio para os seus, mas os seus não o receberam. Pois eles amaram mais as trevas que a luz, mas todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus aos que crêem no seu nome, tornando-nos enriquecidos pelo favor imerecido, nós que não éramos povo, estando distantes dos concertos e chamados gentios na carne, separados da comunidade de Israel e chamados de filhos da ira, não tendo esperança e sem Deus no mundo, outrora longe como um que é banido para Lo-Debar e incapaz de caminhar por ser coxo como Mefibosete, mas enriquecido ao ser convidado a se achegar. Tendo nos pés descalços agora alparcas, a nos mostrar que não somos mais escravos do abandono, sendo convidados a se assentar à mesa e comer pão por todos os dias na presença do rei. Tendo os olhos rasos d’água por saber que nele seriam benditas todas as famílias da terra.
Passando por entre seus algozes, retira-se o Senhor para a Galileia dos gentios, onde ali operou grandes sinais e quando expulsava demônios os ouvia dizer: “Que temos contigo santo de Deus, viestes a destruir-nos antes do tempo?”. E era por ele repreendidos, pois ele bem sabia que rebeliões poderiam surgir daquele maligno testemunho de lisonja, intentando eles lhes armar um laço aos pés, por estar a multidão atônita por tanto tempo a guardar a vinda do messias. Mas não seria o Senhor introduzido ao conhecimento do mundo como o messias vindo de Deus pelo testemunho do maligno, e sim pelos do Altíssimo Deus e pai, usando os lábios de Pedro ao dizer: “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo”. Pois Jesus lhes antecipou a perguntar: “O que dizes os homens ser o filho do homem?”. E muitos então diziam ser ele João Batista, ou até mesmo Elias, ou um dos profetas. “E vós, que dizeis que eu sou?” perguntou ele. E Pedro tomando a palavra por revelação divina em toda inspiração do Espírito Santo diz: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o filho do Deus vivo.” Pois muitos o estavam abandonando e Jesus tomando a palavra diz: “Não
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to revelou a carne e o sangue Simão Barjonas, mas meu pai que estás nos céus. E não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo.”
Sim, o maligno já estava no meio do colégio apostólico e o mestre amado os instruía, dizendo que convinha que o messias padecesse nas mãos dos pecadores ao ir a Jerusalém, para ser entregue pelos homens e ser morto pelos sacerdotes e escribas. Então é interrompido por Pedro que o repreende dizendo: “Senhor tem compaixão de ti, de modo nenhum te acontecerá isso.” O que replica Jesus a dizer-lhe: “Para traz de mim Satanás, que me serves de escândalo porque não compreender as coisas que são de Deus, mas só as coisa que são dos homens.”
Todos os desígnios satânicos ficam completamente desnudados e patentes aos nossos olhos nesta revelação, a mostrar-nos que como um caçador implacável que caça sua presa, assim o perseguidor se tem mostrado desde os primórdios dias de nossos pais caçando a semente como uma perdiz no deserto, a impedir que a rebenta semente rompa seus desígnios. Pois seria em Jerusalém onde estava todo o centro da adoração que dar-se-ia o cumprimento de toda profecia lançada em toda história das gerações passadas e onde todos os propósitos e pensamentos do agricultor amado se concretizariam. E o inimigo ciente que sua derrota se aproximava surta em palavras pela boca de Pedro tentando-o impedir de chegar a Jerusalém, pois seria naquelas terras que se o grão de trigo não caísse, ficaria somente ele, mas caindo e morrendo daria muitos frutos. E aos olhos do agricultor o fruto de seu trabalho o veria e ficaria satisfeito.
O entesar do arco a soltar seu dardo nos faz contemplar toda trajetória da flecha então lançada desde a eternidade pelas mãos do flecheiro a cruzar gerações e gerações, rompendo tempos e épocas de histórias, tradições e culturas, já prestes a atingir seu alvo e objetivo onde o cordeiro que fora imolado desde a fundação do mundo na mente do arqueiro, saciaria então toda sua sede de justiça ao ver a ponta da flecha cravar-se no madeiro de carvalho ao alto do monte Golgota.

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CAPITULO 18
TENTAÇÕES OCULTAS
Resolutamente o Senhor manifestou-se o firme propósito de ir a Jerusalém, não sendo então bem recebido pelos samaritanos ao passar em uma de suas aldeias, por contemplarem que seu semblante era como um que ia a Jerusalém.
Hostilidade sobre hostilidade, era o que o Senhor encontrava no meio do caminho, pois eles bem sabiam de seu propósito, sendo assim usados pelo inimigo ao endurecer suas cerviz contemplando o mestre passar. E quantos por assim dizer não o expulsaram por fazer o bem, como em Gadara quando tivestes seu barquinho prestes a submergir, colocando até mesmo pescadores profissionais acostumados com a labuta do dia, em temores ao ver tamanha tempestade açoitar a embarcação a ponto de pô-los a pique. Estando cônscio, o inimigo que se ceifasse sua vida ali já naquelas águas ele triunfaria e manteria toda humanidade como o Gadareno, mas repreendido foi por estar por detrás dos vendavais, tendo que soltar das amarras aquele pobre homem, fazendo precipitar grande quantidade de porcos nas águas, cerca de dois mil causando espanto na cidade a qual o expulsaram de seus termos.
E quantos sinais mais lhes seriam necessário obrares para reconhecerem teu ministério ao vê-lo expulsar tantos demônios, deixando todo povo a perguntar se não seria ele mesmo o filho de Deus? Mas tudo o que muitos fizeram foram blasfemarem de ti dizendo que expulsava os demônios por belzebu príncipe dos demônios, escarnecendo em tua face entristecendo-te por tamanhas palavras aberradoras de escândalos. Por isso, foste ungido com óleo de alegria mais que a teus companheiros, para suportares tamanha afronta e tudo por obrares virtuosamente em benevolência.
Mas de tão grande valia temos essa consolação como
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ancora da alma segura e firme, o tão maravilhoso testemunho na sua transfiguração quando se ouviu do pai das luzes em que não há mudança nem sombra de variação tamanhas palavras em seu testemunho ao dizer-te: “Tu és meu filho amado em quem me comprazo.” Que diremos pois, qual outro testemunho mais precisamos ouvir?
E por quantas maiores tentações não se foram reveladas aos nossos olhos, sendo que de tudo o que se diz é que ele em tudo foi tentado participando em sua carne de toda condição humana por ser semelhante a nós na carne e em todos os aspectos não cometendo pecado algum e não se encontrando engano em sua boca, quando insultado não revidava, quando sofria não fazia ameaças, mas entregava àquele que julga retamente com justiça.
Mesmo sendo ele menosprezado em injurias e blasfêmias, ainda o vemos dar tamanha instrução sobre o reino do maligno, onde se diz que o reino de belzebu é organizado em toda hierarquia sem estarem eles divididos. Pois de outra forma como então subsistiria seu reino? O que depreendemos então é que toda organização e competência planejada trás satanás debalde em tentações, ao orientar toda sorte de ataques sobre o mestre, enviando suas legiões de demônios classificados em prostituições como em Maria de Madala, onde naquele encontro caiu por terra o maligno daquela prostituta e tombaram sete demônios dela; demônios da promiscuidade com seu desejos mais impuros, superabundando as imaginações do coração, trazendo consigo demônios de lascívia onde o coração humano racional devaneia-se em orgias fora da razão em toda imundícia, tornando-o em um animal irracional, ao relacionar-se com um quadrúpede, engodando os olhos em toda permissividade com seus demônios de impurezas em suas algemas e prisões de desejos solitários, causando toda frustração de sentimentos carregando consigo suas dúvidas e incertezas. Deparando-se com demônios do homossexualismo e lesbianismo e suas prisões abomináveis em toda vil concupiscência.
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Fortes anseios a deixar-nos pensativos fazendo-nos deduzir ser ele tentado ao expressar que angustiava-se por receber um certo batismo, trazendo à nossa compreensão seu desejo de liquidar logo de uma vez por todas com todo sofrimento da humanidade, tendo que suportar a dor da espera ao contemplar todo o massacre do inimigo a dizimar-nos em toda dor. Certamente a mente do amado salvador se angustiava em desejos de redenção desesperador por remir-nos em um só momento de toda maldade e instaurar seu reino de amor aos corações amargurados e sofridos, deixando-o desejoso, tendo que suportar na carne tantos dardos na mente, pensamentos conflitantes e anseios transformados em toda longaminidade ao contemplar o horizonte ao longe com toda dor da espera.
Olhos rasos d’água, prestes a rolar pela face amada do mestre querido, vendo todo desprezo dos seus patrícios ao matarem seus profetas enviados, madrugando em todo tempo recebendo todo escárnio em suas mensagens. E agora lá estava o verdadeiro filho do vinhateiro, chorando sobre a cidade santa proferindo-lhes palavras como que de um enlaçado em amores, desejoso por ajuntar os seus como a galinha faz com seus pintinhos, mas eles preferiram as aves de rapina. E quantos massacres e sangue derramado contemplou nosso Senhor além do horizonte da desobediência de seus patrícios vendo toda negligência dos seus conterrâneos optarem pelo trágico destino da carnificina? Sim grandes foram as tentações sofridas pelo Senhor que em tudo triunfou sobre o maligno a deixá-lo completamente desarmado, mostrando-nos que somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou.

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CAPITULO 19
E POR FIM UM AMARGO BEIJO
O teu rei vem ó filha de Sião, alegra-te e exulta-te ó filha de Jerusalém e vê! O teu rei vem, justo e salvador, humilde e montado em um jumentinho de carga filho de uma jumenta. E pelas portas da cidade adentra então o meigo Salvador, aclamado com hosanas ao filho de Davi pela multidão a estender vestes pelo chão e a espalhar pelo caminho ramos de árvores e palmeiras, dando brados em uma só voz: “Bendito o que vem em nome do Senhor, bendito o reino do nosso Pai Davi, Hosana nas alturas!” Muitos então perplexos, ficaram a perguntar: “quem é este?” e ouvia-os dizer: “É Jesus o profeta!” E muitos dentre eles rogaram a Jesus que os repreendessem , mandando-os calar, porém o mestre replica-lhes dizendo: “Digo-vos que se estes se calarem as próprias pedras clamarão”. Sim, grandes foram suas decepções, pois o aguardavam montado e aparelhado em um cavalo de guerra e não em um jumentinho.
Ao aproximar-se da cidade o terno salvador contemplando-a lamentou sobre ela vendo seus dias de ruínas prestes a submergir, onde seus inimigos trincheiras sobre eles levantariam e a sitiariam, não deixando pedra sobre pedra. E suas lágrimas misturava-se com rios de sangue jorrando pelas calçadas em sua visão, ao contemplar general Tito e sua espada sendo mergulhada nos filhos de Jerusalém.
Em toda sua onisciência vemos então o Senhor em sua angústia e pranto ao ver suas lágrimas caírem pelo chão, lembrar-se de que se o grão de trigo não cair na terra e morrer fica ele só, mas se cair e morrer dá muito fruto, e em toda dor de seu coração inicia uma oração a transparecer seu coração dizendo: “Meu coração está angustiado e que direi? Pai, salva-me desta hora? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim, glorifica teu nome”. Novamente então os céus se abrem pela terceira vez
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a ouvir-se o testemunho do pai ao dizer: “Já glorifiquei e outra vez o glorificarei.”
Mas prestes estava a se aproximar o tempo e o juízo deste mundo, e seria expulso o príncipe deste mundo e desde aquele momento buscavam os principais dos sacerdotes e escribas ocasião para o matarem, pois convinha já de antemão dizia Caifaz, sumo sacerdote daquele ano que era necessário que um só homem morresse pelo povo e não perecesse toda uma nação e isto, disse ele, sendo usado em profecia sem o saber.
Era esta palavra então tudo o que satanás não queria ouvir, estando ciente que a páscoa se aproximava onde tamanho evento envolveria todo o povo. E ele não queria a Jesus como um cordeiro pascoal sendo oferecido em um sacrifício em plena páscoa como de um por todo o povo. Estando cônscio que tamanho sacrifício traria sua total derrota. E por assim dizer, quantas e tantas investidas sem sucesso, o vil tentador usurpou de desviar os projetos e propósitos dos santos caminhos do Senhor, vendo apenas seu iminente fracasso?
Naquele grande cenáculo mobiliado estava então sobre aquela mesa prestes a findar-se uma dispensação, dando início a uma nova aliança pelo bendito dono do testamento que diante de seus herdeiros da promessa contemplava o astuto usurpador trazendo seu fermento em memorial asmo, buscando a quem possa tragar em traição ao dispenseiro da promessa.
Súbitos e surpreendentes acontecimentos em tão pouco espaço de tempo, que nos faz imaginar os pensamentos do cordeiro pascoal, ao dizer em perturbação de espírito que seria traído por um dos seus que com ele à mesa estava, deixando-os perplexos de pavor a perguntar: “porventura sou eu Senhor”? E em toda tensão de olhares em expectativas, contemplava o mestre agora silencioso e pensativo os seus inimigos intentando matá-lo à traição e secretamente, tramando uma maneira como mesmo diziam, mas não durante a festa para não promover tumulto entre o povo. E lá estava o dedo do inimigo no
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coração de Judas com os principais dos sacerdotes, em toda intriga e trama de trinta moedas, tendo o coração fermentado pelo diabo em todo engano e pecado, toma Judas agora o bocado molhado das mãos que prestes estava a serem furadas pelos cravos.
Tensos olhares que se cruzam em um pequeno relance de momento, deixando a Judas sua última oportunidade de arrependimento agora desperdiçada que ao tomar o bocado, parte em uma fuga alucinante de aparente triunfo rumo aos inimigos. Onde toda trama para matá-lo cuminar-se-ia nos calabouços secretos do sumo sacerdote às ocultas, e seria esse o triunfo do inimigo matando-o ocultamente longe dos olhos da multidão, fazendo-o sucumbir, mas não pelo povo. Por assim ser então compreendemos toda angústia do Salvador em tão poucos momentos de acontecimentos, tendo ainda que defender suas demais ovelhas do lobo devorador dizendo a Pedro: “Eis que satanás pediu para vos peneirar como trigo, mas eu roguei por ti para que tua fé não desfaleça”.
Forte coração terno, onde todos os olhos agora se voltam para Ti, pois teu momento chegaste e o que fazer em horas tão amargas como estas, onde certamente ficamos vulneráveis sentindo-nos abandonados e jogados ao Léu sem saber para onde ir e que direção tomar? Pois densas trevas começam a ofuscar nossos corações.
Mas em tudo lhe vemos dando-nos grande exemplo de fé, persistência e desejo de comunhão com o pai ao ires para o lugar de prença de azeite chamado Getsêmani, onde eras teu costume de sempre estares, a ficar a sós com o pai amado. E onde seria também travada grande batalha de teu coração, a seres prensado até extrair de ti todo azeite para a cura de nossas chagas mortíferas.
Em um cenário inspirador de gramas verdejantes e folhagens esplendorosas em toda harmonia que um jardim possa trazer aos corações apaixonados, em meio a tal ambiente lá
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estava a rosa de Sarom em contraste com todo aquele cenário, em um climax de total expectativa orando juntamente com os seus, sabendo que se aproximava àquele que o havia de trair juntamente com a turba de seus algozes. E sabendo que pouco tempo lhe restava, adianta-se de seus amigos a estar a sós com o agricultor amado.
Com seu rosto em terra, sentindo todo peso espiritual sobre seus ombros, mergulhados em densa pressão espiritual, exprime o bondoso Salvador todo sentimento em amor inefável ao dizer que sua alma estava cheia de tristezas até a morte. Sim, o momento era único onde toda a eternidade se encontrava naquele jardim. E a nós meros mortais fora dado tamanho privilégio diante de nossos olhos de sermos agraciados a contemplar todo aquele momento, ouvindo-o rogar ao pai a inserção de tamanho cálice a tomar, ou por assim dizer; sendo possível uma outra forma de redenção não sendo necessário ser daquela forma prevista pela justiça divina, onde toda eternidade em harmonia triuna seria rompida por um momento e o elo jamais imaginado em nossas mentes seria então dissolvido por alguns instantes pelos nossos pecados.
Em um climax de total angustia, onde sua alma se consumia em anseios pela dor da separação causando-lhe total tensão, tendo seus vasos capilares rompidos diante de tamanha dor e pressão, expõe suas glândulas sudoríparas a suar densas gotas de sangue a germinar-se pelo chão. Iniciando-se ali o plantio para o resgate e remissão do homem distante e perdido. Estando o amado salvador em grandes clamores e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido. E vieram os anjos e o serviram e ali embora sendo filho aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu ao dizer: “Seja feito a tua e não a minha vontade.” E todo o cálice então bebeu, sorvendo-o sozinho ao pisar o lagar da ira de Deus, onde nos lembramos do profeta messiânico, setecentos anos antes de sua vinda, dizer: “ Por que estão vermelhas as tuas vestes como os trajes daqueles que pisam o lagar?”. E en63
tão começamos a contemplar que ali, naquele jardim de dores, inicia-se o real cumprimento de toda profecia ao tomar ele a posição de enfrentar seus algozes sozinho, como um que diz: “eu sozinho pisei no lagar e dos povos ninguém houve comigo, olhei e espantei-me por não ter quem me sustivesse e minhas vestes foram salpicadas de sangue.
Bendito guerreiro de justiça que pleiteia nossas causas, onde muitos tentaram e falharam, desde Adão e Abrãao e o grande legislador Moises, como Davi e tantos outros que não atingiram em obediência e santidade, mas tu como um que dizes: quem de vós me convence de pecado, por ti sim aguarda toda a humanidade.
Estando o bom pastor a mirar seus discípulos com os olhos carregados de sono espiritual, aproximam-se seus opressores com Judas os liderando e como um guerreiro que nunca retrocede em campo de batalha, adianta-se caminhando em direção à multidão vindo com varapaus e suas armas, tendo tochas nas mãos como quem procura um salteador. E lhes antecede à perguntar: “a quem procurais ou buscais?”, e disseram-lhe: “a Jesus Nazareno.”; disse-lhes Jesus: “Sou eu”. Então todos recuaram e caíram prostrando-se por terra. Era o impacto do eu sou, exprimindo sua entrega voluntária e espontânea como um que tem o poder de dar a sua vida e tornar a tomá-la de volta.
Doce beijo de lábios impuros a tocar em face santa, fazendo alusão ao amor de uma entrega individual, surpreendendo ao Senhor a lhe dizer: “Judas, com um beijo trais o filho do homem amigo?” Sim, não havia maior demonstração de entrega a se expressar do que tamanha atitude de um beijo a se contrastar em traição e total maldade em uma trama arquitetada pelo inimigo, onde suas duas peças principais daquele cenário agora seguem seus trajetos e destinos. Um sendo levado como ovelha muda aos seus tosquiadores, sendo retirado daquele jardim, arrancado como raiz de uma terra seca e colhido como o lírio dos vales. E o outro pelas suas próprias pernas,
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caminhando a enforcar-se, recebendo seu pleno pagamento devido, por negociar com o inimigo.
Feri ao pastor e suas ovelhas se dispersão, fugindo pelas ruas nu e envolto em lençóis, aquentando-se ao lume do fogo sussurrando entre os dentes: “eu não o conheço, não sou um deles e não sei o que dizes!” Até ver o galo cantar de longe. E ninguém se identificou com ele, realmente a carne não estava preparada para tal momento, pois o espírito está pronto, mas a carne é sempre fraca e grande seria a madrugada que se adentrava pelos calabouços secretos do sumo sacerdote, onde blasfêmias e escárnios seguidos de grande violência, o deixaria moribundo nas mãos do inimigo prestes a ceifá-lo ali mesmo no subterrâneo. Porém o dia raiava, obrigando-os a entrar em conselhos, deliberando sobre o que fariam, e então com suas mordaças e amarras fora Jesus enviado a Pilatos.
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CAPITULO 20
FATOR PILATOS
Como um criminoso e malfeitor, lá estava o cordeiro santo de Deus diante do governador em intenso interrogatório. Em uma trama política de interesses, onde Pilatos agora se vê acuado e indeciso diante de sua árdua posição: agradar ao povo e não expor sua cabeça tendo que se opor aos políticos governamentais, onde os próprios Judeus gritavam dizendo: “Se soltas a este não és amigo de César!” E assim manter-se como governador, ou dar ouvidos à voz de sua esposa que muito sofrera em seus sonhos por causa daquele justo como ela mesmo dissera?
E em sua mente o que se passa então é uma série de bombardeios em questionamentos diante dos olhos compenetrantes de Jesus causando-lhe temor a perguntar se realmente ele era o rei dos Judeus, surpreendendo-se com seu silêncio a dizer-lhe: Não respondes as acusações feitas contra Ti?
Sim, naquele conflito sua mente dividida começa a ser manipulada pelas forças malignas da maldade, em toda influência e artimanha de seus ardis como em tempos passados a retirar de seu velho baú suas setas antigas que tombaram a muitos desde o Édem com seus questionamentos. E como um alvo a receber os impactos de seus dardos, Pilatos torna-se como um instrumento do inimigo usando suas armas em estratégias para libertar a Jesus de sua morte de cruz, tendo um malfeitor nas mãos chamado Barrabás pronto a oferecer ao povo.
“Qual quereis que vos solte?” Pergunta ele, e vendo a preferência do povo pelo homicida Barrabás pergunta novamente: “A qual quereis que vos solte?” E se dirigindo ao povo a ver se eles voltavam em suas decisões indaga-lhes: “Que quereis, pois, que vos faça daquele a quem chamais rei dos Judeus?” E como a voz unanime era de: “Crucifica-o!” e como
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insistiam muito, sabendo Pilatos que Jesus era da jurisdição de Herodes, por ser Galileu, remeteu-o a Herodes.
E nisto também vemos em Pilatos; o desejo de preferir quebrar suas barreiras de inimizade com Herodes, para intentar libertar a Jesus das garras do povo, o qual depois de examiná-lo e escarnecer-se dele, Herodes o devolve. E naquele mesmo dia Herodes e Pilatos tornaram-se amigos novamente, por causa daquela transição.
Convocando Pilatos aos principais dos sacerdotes e magistrados e o povo disse-lhes: “Haveis me apresentado este homem como pervertedor do povo, e eis que examinando-o na vossa presença nenhuma culpa das que o acusais acho neste homem”. Nem mesmo Herodes o achou digno de morte. “Castigá-lo-ei pois e soltá-lo-ei”. Porém, o clamor era de morte, perturbando sua mente a argui-los: “Que mal fez ele?” Sendo já a terceira vez que lhes questionava e agora intervindo como um advogado replica novamente: “Castigá-lo-ei e o soltarei”. E como prevaleciam unanimes em gritos de morte de cruz movidos pela inveja, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia e como que em um apelo final, tomando água lavou as mãos diante da multidão dizendo estar inocente diante do sangue daquele justo e dizia também: “Isto considerai”. Sim Pilatos, se ao menos entendesses quando perguntas-te que é a verdade? Mas agora destes teu veredito à tua loucura e perda de seu governo para Calígula.
Entesado e aparelhado fora o arco após aquela palavra, onde convinha que um homem morresse pelo povo e não perecesse uma nação inteira. Colocando o inimigo diante de sua futura derrota vendo que por mais uma vez seus intentos fracassam por não conhecer as coisas e projetos de Deus e sim somente as dos homens. E por não contar também com a inveja dos sacerdotes e escribas a pedir por morte de cruz e expressar tamanhas palavras de culpa ao dizerem: “E seu sangue caia sobre nossas cabeças.” Tomando assim o inimigo do seu próprio veneno malicioso, colocado no coração humano a ser susten67
tado pela carne, deixando-os preferirem o conhecido Barrabás homicida e amotinador do que a Jesus que entregue foi por inveja.
Em toda fúria então é levado o cordeiro a ser experimentado como se faz com o holocausto, abrindo-lhe a carne a observar o redenho, onde sulcos abertos em suas costas foram pelos algozes feitos, com suas chibatas pontiagudas de osso nos seus azarroques, a estalar suas trinta e nove vezes e mais trinta e nove e por fim mais trinta e nove vezes por não poder dar quarenta, até tombá-lo pelo chão sem fôlego e forças, a mostrar naquela cena uma fúria desesperadora do inimigo prestes a ceifá-lo naquele momento, para que não fosse ele erguido no madeiro. E por tanta fúria empregada sobre suas costas e tendo árdua coroa de espinhos sobre sua cabeça entendemos então o porquê ele não conseguiu carregar sozinho nossa cruz, até que constrangeram a um Cirineu, obrigando-o a ajudá-lo carregar a cruz rumo ao gólgota, onde toda justiça seria então saciada por ser ele ferido pelas nossas iniquidades e moído pelas nossas transgressões, trazendo sobre si todo castigo que nos traz a paz e que pelas suas pisaduras fomos então sarados.

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CAPITULO 21
O VICÁRIO NO GÓLGOTA
Todo antídoto prestes estava a ser liberado, pronto a imunizar o veneno mortífero causado pela fisgada da serpente maligna, que fez circular em nossas veias todo amargo fél do pecado, onde muitos guerreiros tombaram em campos de batalhas e sucumbiram, a tentar vencê-la, tendo apenas as armas da fé a mirar ao horizonte da esperança aguardando pelo estandarte de Deus sendo agora erguido no madeiro.
Pois assim como Moisés levantou a serpente no deserto, onde muitos que olharam para ela ficaram curados estando ainda o veneno no meio do arraial, assim importava que o filho do homem fosse levantado para que todo aquele que nele crer tenha vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
E lá estava a vida, tendo os músculos tensionados ao som de martelos a retinir nos cravos, fazendo-o sentir câimbras por toda extensão de seu corpo esticado no madeiro por não ser dele aquela cruz, e exaurindo em dor do alto do lenho ele contemplava toda cena, tendo lugar de destaque no meio dos malfeitores como um dos piores, sendo contado com os transgressores a ganhar nome de maldito por ser pendurado na cruz, a expor-se ao vitupério, o justo pelos injustos sendo entregue por nós.
Ofegante em exaustão, onde pouco a pouco suas forças esvaiam-se pela dor da cruz, a retirar todo vigor de seus opulentes, deixando-os em seu limite máximo, não havia então melhor momento e oportunidade para que o arque inimigo do Senhor agisse, em um de seus derradeiros momentos de tentativas frustradas de séculos passados a usar agora de suas artimanhas, oferecendo-lhe vinho misturado com fel, um an70
tídoto anódino a amenizar sua dor e sofrimento, retirando de seus ombros toda responsabilidade da salvação por estar anestesiado se assim o fizesse, mas ele recusou beber depois de prová-lo, preferindo sorver todo o cálice da ira de Deus por nós, expelindo para fora todo aquele amargo veneno oferecido pela víbora maligna. E por não estar sob os efeitos daquela bebida forte, pôde orar ao Pai rogando-lhe que os perdoassem por não saberem o que faziam ao ver lançarem sorte sobre sua capa toda tecida a mão.
Naquele ambiente dominado pelo inimigo, sedento por tirá-lo da cruz, em toda tentativa de calunias ele usa seus instrumentos que ao passarem por Jesus meneando a cabeça diziam: “Tu que destrói o templo e o reedifica em três dias, salva-te e desça da cruz se és o filho de Deus.” E muitos chefes dos sacerdotes e líderes religiosos, com os mestres da lei zombavam dizendo: “Salvou os outros mas não é capaz de salvar-se a si mesmo e é o rei de Israel, desça da cruz agora e creremos nele”. E da mesma maneira os ladrões que com ele fora crucificado também zombavam dele, sendo usados pelo diabo.
Pendurado no madeiro sentindo angustias cruéis em sequidão de estio, sedento e desejoso pelas águas do Jordão, a não desistir seu amor o dava forças a continuar, pois ele bem sabia que Israel atravessou o Jordão rumo a Canaã, embora tudo dissesse o contrario. Assim seu desejo era pelas águas do Jordão que nos conduziria à Canaã celestial e isso o capacitava a suportar toda dor e afronta sem desistir, pois seu amor o dava forças a continuar e não dar ouvidos as perspicácias do caluniador, para receber a glória momentânea vinda dos expectadores a esperar por uma extraordinária apresentação.
Grande era o exemplo a ser seguido, a mostrar-nos que mesmo em noites tenebrosas de densas trevas não devemos desistir, suportando a dor da espera para sermos honrados pela batalha já vencida em tempo oportuno, do que ter que se curvar ante os convites glamorosos de aplausos das plateias usados pelas lisonjas do inimigo. E nisso o vemos em grande
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honra ao delegar ao discípulo amado a incumbência do cuidado familiar como um bom chefe do lar, mostrando valores a um desonrado ladrão pecador que enxergou ao longe princípios valorosos, tendo em Jesus toda esperança ao dizer ao seu comparsa: “Nós estamos nessa condenação por merecimento, mas este nenhum mal fez”, e voltando-se ao Senhor suplica: “Lembra-te de mim Senhor quando entrares no teu reino”. E ouviu este então palavras inefáveis: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”, a mostrar que resta ainda um descanso para o cansado.
O que dizer então daquele tão grande momento de um pecador, sentindo-se como um cão morto nas palavras de um Mefibosete, sendo tão enriquecido em graça pelo Salvador atencioso em tão grande momento de beleza, em uma reconciliação de um desterrado a retornar ao seio caloroso do lar? Tudo o que entendemos então é que a luz nasce nas trevas e o fruto de seu trabalho ele o verá e ficará satisfeito, pois vale mais uma alma que o mundo inteiro e certamente isso já lhe causava um grande gozo na alma, por ver o fruto do início de seu trabalho em uma humanidade caída, onde o mais vil pecador encontra-se casa, assim como o pardal ninho para si e para sua prole, junto dos altares do Senhor dos exércitos junto aos braços do Pai.
Mas tu, ó sagaz usurpador, jamais compreenderas tamanha virtude por ficares sem entendimento diante de tão grande fonte inesgotável de amor, a deixar-te inerte e desarmado sem ação, a ver tua derrota em intentos de longos anos, de séculos passados vendo a flecha do arqueiro atravessar toda eternidade como que de um que fora morto desde a fundação do mundo, cuja flecha agora com sua ponta certeira atinge o seu alvo na cruz do madeiro, onde ele fora erguido desde a hora terceira e três longas horas já haviam passado. Horas de escárnios e vitupério e chegada era a hora sexta onde densas trevas se aproximavam, sombria escuridão poupáveis de terror, pois o momento havia chegado por fim.

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CAPITULO 22
ELI, ELI, LAMÁ SABACTÂNI?
Onde estás ó sol, em sua totalidade com toda sua opulência radiante? Por que fugiste ante tamanha cena, a esconder-te em tua tenda antes do tempo? Sim, teus olhos se fecharam para não veres o momento tão singular de teu criador junto ao pai Santo.
Não havia então mais lugar para os impropérios dos algozes e verdugos ante tamanhas trevas a ofuscar todo o acontecimento. Os olhos não eram dignos de verem tamanho evento onde Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo. Terríveis horas derradeiras em trevas poupáveis acompanhada de silêncio estarrecedor em expectativas de súbitos acontecimentos finais, até ouvir-se o quebrar do silêncio por uma oração: “Eli, Eli, Lamá Sabactâni?”, ou seja, Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? E toda uma eternidade de entrelacéis de harmonia e comunhão em plena unidade desde a eternidade se vê agora dissolvida a romper elos eternos, onde a mente jamais compreenderá tamanha profundidade de sentimentos ao vê-lo sorver todo o cálice de justiça agora sendo saciado pelo dono da ofensa sofrida, vendo-o ser ele feito pecado por nós a ter que deixá-lo só por um pouco de tempo e silenciar-se ao ouvi-lo dizer: “Tenho sede”.
Desertos de solos ressecados, transformados em oásis paradisíacos, onde solos infrutíferos agora dão sua vide pelas correntes de águas a regar teus campos verdejantes, florindo sua relva de espetaculares cores em tons de alegria, a fazer-nos correr pelos seus gramados saciados pelas águas que de ti brotam, tudo por ter o servo fiel sorvido vinagre em sua sede através de uma esponja embebedada e estirada em um caniço.
Seu zelo pela palavra era inquestionável, mesmo em circunstância tão estarrecedoras a procurar fazê-la cumprir como
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um exemplo em obediência acabando a carreira como um filho fiel e obediente até a morte e morte de cruz ao dizer: “está consumado”.
Na espreita do momento ela o aguardava, fria e tenebrosa morte, como o último inimigo a ser derrotado a aguardar pelo aval do Senhor em total obediência até ouvir sua última oração como um brado a dizer: “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito”. E expirando rendeu o espírito como um que se deixou levar à permitir o toque do cruel inimigo: o derradeiro abadom, e onde está agora ó morte o teu aguilhão?
Ao vermos tamanha veemência em expressar sua última palavra na cruz em grande brado, entendemos que ele deu a sua vida em total espontaneidade sem ninguém a tirar dele mesmo, pois a cruz aos poucos retirava todas as forças de seus opulentes, fazendo-os expirar em sussurros.
E o véu do templo, rasgou-se de alto a baixo a mostrar toda a aceitação do sacrifício vicário como cheiro suave e agradável a Deus, subindo aos céus, rompendo barreiras de divisões e separações, abrindo caminho a deixar-nos livre o acesso junto ao Abba pai.
Em estrondos de ruídos de catadupas ele adentra ao abismo, a abalar toda esfera terrestre em terremotos. Era o ensurdecedor mover da terra a receber a semente sendo plantada, era o descanso do jornaleiro a encerrar sua jornada entrando em seu repouso, adentrando por toda extensão do terreno, com suas raízes a curar toda maldição daquela que geme com dores de parto, a aguardar a expectação do aparecimento dos filhos de Deus. Obedecendo agora de imediato, expondo os corpos dos santos, abrindo-lhes os sepulcros a aguardar pelas suas ressurreições através da germinação da semente plantada.
E ao alto do monte Gólgota sua silhueta se via ao longe por não tombar ante tamanho estrondo de tremores. E transpassado foi a cumprir as escrituras onde nenhum de seus ossos foram quebrados por já estar morto, contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, fazendo-o jorrar sangue
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e água, a mostrar evidências de um que morreu de ruptura do coração, onde seu coração na cruz por amor ao pecador não resistiu ante tamanho sentimento que sem se conter explode na cruz a bombear seu sangue por todos nós.
Bendito sangue a jorrar por nós pobres pecadores indignos, sangue carmezim a tirar toda mácula e nódoa, tornando-nos justificados todos os delitos e agravos, a permitir-nos sermos apresentados ante a face do santo dos santos, fazendo-nos reconciliar consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus. E bendita lavagem da regeneração a sair de sua lateral pela água doada aos sedentos fazendo-nos submergir em uma nova vida, transformando-nos em uma nova criatura, mudando comportamentos e caminhos tortuosos e trazendo uma viva esperança para nós desesperançados pecadores, fazendo lábios como os do centurião confessar: “Na verdade este homem era justo, este era o filho de Deus”e dizendo isso deu glorias a Deus, e toda a multidão a ver o espetáculo, vendo o acontecimento voltavam batendo nos peitos.
E então Ele desceu as regiões mais baixas, a pregar aos espíritos em prisões honrando a esperança e fé daqueles que sucumbiram a aguardar a bendita promessa, e a viram, e se alegraram, regozijando-se ao serem transladados, sendo eles mesmos testemunhas oculares do cumprimento da palavra que diz: “Tu subistes ao alto, levas-te cativo o cativeiro, dando dons aos homens”, e foram eles introduzidos em lugares de delicias.
Da opressão e do juízo foi tirado: e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes e pela transgressão do povo foi ele atingido. E puseram a sua sepultura com os ímpios e com o rico na sua morte, porquanto nunca fez injustiça nem houve engano na sua boca.
Guardado com segurança naquela rocha fria envolto em fino lençol seu corpo ficou, a cumprir seu tempo determinado. Despertando pensamentos de muitos durante três dia e três noites, estando ele no seio da terra retido a aguardar pela palavra que diz: “Portanto está alegre o meu coração e se regozija
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a minha glória. Também a minha carne repousará segura, pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu santo veja corrupção”.
E por fim a antiga serpente chamada satanás contemplou sua derrota em intentos satânicos, com todos seus ardis ao ver ser tirada a cédula do meio de nós que nos era contrária em suas ordenanças, sendo exterminada ao ser cravada na cruz. E despojando o diabo com seus principados e potestades expondo-os publicamente a semente santa triunfou em si mesma sobre todos eles, concedendo-nos então tamanho favor imerecido ao dar sua vida por nós pobres e meros pecadores.
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CAPITULO 23
RESSURETO DENTRE OS MORTOS
Desça Espírito Santo de vida e paire como chuva serôdia sobre a semente bendita e a faça romper neste solto arenoso, pois o choro pode durar a noite inteira, mas a alegria vem ao amanhecer, e o terceiro dia rompeu em raios luminosos de um amanhecer radiante, iluminando o fundo daquela caverna fria e escura por estar já a pedra revolvida, pois Deus assim o ressuscitou pela sua glória soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retida por ela, pois reviveu Ele pelo seu próprio poder a cumprir seu dito no qual dizia que tinha poder para dar a sua vida e poder para tornar a tomá-la.
Descabíveis lágrimas de Madala naquela madrugada, a deixar os mensageiros das boas novas que tinham vestes resplandecentes à perguntar: “Por que choras?”, e elas perplexas e atemorizadas receberam o fundamento da fé ao ouvirem os dois varões dizer: “Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou estando na Galileia, dizendo: Convém que o filho do homem seje entregue nas mãos dos homens pecadores e seje crucificado, e ao terceiro dia ressuscite”.
Carregados olhos de tristezas a ofuscar toda visão para não veres e acreditar, assim estava Maria Madalena, até ouvir a doce voz do bom pastor a dizer: “Por que choras?”, mas ela o confundia com o ambiente a pensar ser ele o hortelão e lhe disse em sua tristeza e insistência: “Senhor, se tu o levaste diz-me onde o puseste e eu o levarei”. Até que ela o ouviu chamar-lhe pelo nome: “Maria”, e caídas foram suas vendas a dizer: “Raboni” que é mestre! e recebeu Maria tamanha responsabilidade ao ouvir o imperativo: “Ide a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para o meu pai, e vosso pai, meu Deus e vosso Deus. Portanto, não me detenhas.”
Gloriosa manhã de domingo a trazer esperança pelo triunfo da morte vencida, onde sua ressurreição trouxe toda
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justificação aos corações dos aflitos filhos de Deus, pois se a sepultura o tivesse retido como teríamos então os pecados perdoados? Mas agora ressurreto compreendemos então que ele morreu pelos nossos pecados sim mas que ressuscitou para nossa justificação, tornando-nos justos e inculpáveis diante de Deus o pai e de uma geração corrompida, na qual resplandecemos como astros neste mundo. E no demais, sua ressurreição outorgou sua morte expiatória em toda aceitação, fundamentando toda nossa fé nessa pedra angular do cristianismo, a trazer luz aos corações pela palavra que diz: “que agora Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem”, pois assim como ele ressuscitou dos mortos, assim seremos nós ressuscitados naquele grande dia.
Bendita ressurreição, a dar-nos então a oportunidade sermos chamados filhos de Deus, mediante tamanha caridade que nos concede o pai e de podermos um dia adentrar nos portões celestiais, a participar do grande banquete, tendo o privilégio de cultuar ao Senhor contemplando-o face a face e provar o sabor do fruto da árvore da vida que está no meio da praça da nova Jerusalém, a qual dá seu fruto de mês a mês, e cujas raízes tocam as águas da vida que é claro como cristal procedente do trono de Deus e do cordeiro à trazer saúde para todas nações ali a cultuar.
Onde encontrar então palavras a expressar tamanho dom inefável em graça e benevolência concedia pela ressurreição? fazendo-nos mirar ao longe e ter corações cheios de alegria por saber que ele foi para o pai, deixando-nos grandíssimas promessas, gerando em nós uma viva esperança pela sua ressurreição, uma herança incorruptível e incontaminável que não se pode murchar, guardada nos céus para nós onde ele mesmo disse antes de ser assunto aos céus, afirmando que na casa do Pai há muitas morada a ser preparada para nós.
E a vida permaneceu conosco por um espaço de quarenta dias e os olhos o viram e contemplaram-no, e as mãos o tocaram e foi ele apresentado com muitas provas infalíveis sendo visto por eles, falando a respeito do reino de Deus, outorgando sobre os seus o espírito, deixando-lhes instruções e
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instituindo ordenaças à sua futura eclésia, através do ide a ensinar as nações, batizando-as em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo, e a guardar todas as coisas. E erguendo as mãos os abençoou sendo elevado até as alturas e uma nuvem o encobriu ocultando-o aos olhos de todos. E dois varões se apresentaram diante deles a dizer: “Por que estais olhando para o alto? Esse Jesus que dentre vós foi recebido em cima nos céus, há de vir assim como para o céu o vistes ir”.
Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na Guerra. Aquele que um dia saiu sozinho para a guerra onde somente ele pisou o lagar da ira de Deus e salpicou suas vestes e ninguém foi com ele, sofrendo todo vitupério a triunfar sobre seus opressores e sobre a morte, agora retorna ao lar triunfante onde é recebido pelas miríades e miríades de anjos do seu exército celestial a abrir-lhe os portões celestiais. Contemplando a entrada do rei dos reis e senhor dos senhores, a voltar da lida como um que conquistou o reino por nós. Assentando à destra do trono da majestade como Rei da Glória, forte e poderoso na guerra.
Levantai ó portas as vossas cabeças; levantai-vos, ó entrada eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos exércitos, ele é o Rei da Glória.
Sim, ó amado de nossas almas, como aguardamos por esta tua segunda saída, a vir buscar um povo zeloso, especial e de boas obras, a tirar-nos deste deserto rumo as mansões celestiais, onde o que o olho não viu, o ouvido não ouviu e não subiu ao coração do homem é o que tu preparastes por nós para estarmos com o Senhor nos céus para sempre. Tendo-o como o Senhor dos exércitos à frente de um grande povo, numeroso como a areia do mar e incontável como as estrelas do céu, povo comprado com preço caríssimo de sangue. Pois se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só, mas se morrer dá muitos frutos, e o fruto do seu trabalho o verá e ficará satisfeito, e ele o viu e se alegrou, e bendito seja o nome do Senhor.

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CAPÍTULO 24
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sabendo que tem pouco tempo, a antiga serpente chamada o diabo e satanás, com toda sua fúria pela derrota exposta ante o império do mal, ao ser-lhe tomado as chaves da morte e do inferno pelo rei dos reis e senhor dos senhores, arremessa com todo ímpeto suas armas contra a Igreja de Cristo, à qual foi comprada com preço de sangue. E com toda sorte de perseguições sobre os cristãos contemporâneos do Senhor Jesus, dispersa a muitos através de torturas, onde sua Igreja sofreu prisões e escárnios, outros foram apedrejados, tentados, açoitados, mortos ao fio de espada e que pelo amor à palavra foram serrados ao meio, decapitados, crucificados de cabeça para baixo por não querer receber tamanha honra de padeceres como o mestre amado, entregues em arenas a leões para serem estraçalhados, homens errantes pelo deserto dos quais o mundo não era digno.
Grandes servos do Senhor a deixarem suas pegadas na história do cristianismo, como os anônimos de Deus, sendo como colunas na obra missionária, enfrentando o inimigo face a face pelo poder do nome de Jesus. Soldados de Cristo prontos a lutar incansavelmente pela defesa das santas escrituras, zelando pela bendita palavra. Mesmo ao ver muitos servos sendo queimados ao fogo com suas escrituras nas mãos, onde montões de Bíblias no decorrer da história da Igreja foram tiradas das mãos de cristãos a serem queimados em praça pública.
E assim partiu a Igreja do Senhor em tempos difíceis e trabalhosos, tempos de angústias e perseguições pelo inimigo de nossas almas, a tentar perturbar os santos caminhos do Senhor em nossas vidas. Desviando a muitos, ceifando e dizimando mártires da Igreja primitiva. Assim surgiu a Igreja, em meio a lutas e tempestades sem tréguas pelo adversário seden82
to a ceifar todos os filhos de Deus, àqueles que ele escolheu para sua herança, pois se ao madeiro verde crucificaram, que se fará ao seco?
Sofrido povo judeu a ser motivo de espetáculos em arenas, sendo vencidos pelas cruzadas, obrigados a se dispersarem da terra Santa, onde muitos terminaram seus dias em fornalhas de holocaustos e campos de concentrações, em genocídios e carnificinas. Pobre povo escolhido, sofrido e perseguido pelo sagaz inimigo a usar métodos e artifícios a exterminar toda semente restante, em escândalos e tragédias. Sendo desejo de cobiça de muitos povos por serem a menina dos olhos do Senhor Deus Jeová, fazendo de suas terras campos minados, em bombardeios de tribos a lutar em guerras santas pela política dos homens gananciosos, e tudo por serem a esposa de Jeová.
E tu, ó noiva do cordeiro, enxertada nesta oliveira verdadeira, em breve sairás deste deserto de dissabores e tentações, onde agora podes triunfar pelo nome do cordeiro, a subir deste deserto triunfante, como um arsenal de bandeiras a acenar de um lado ao outro pela vitória conquistada na alvorada do dia, como colunas de fumaça perfumada de mirra e de incenso a falar de tuas orações ao amado Senhor, pelas perseguições feitas através do inimigo e adversário.
Enfim, toda pré-ciência de Deus desde a eternidade, revela-nos suas obras nestes últimos dias de dispensação, através do cordeiro de Deus, morto desde a fundação do mundo, manifestado a nós ao conquistar lugar para sua Igreja, nas regiões celestiais em Cristo. Demonstrando-nos em toda sua essência, o tamanho, profundidade, largura e altura do seu imensurável amor em Cristo que excede todo nosso entendimento, expresso em caridade. Transparecendo-nos seus desígnios e pensamentos de paz, a mostrar todo o trajeto como que de uma flecha, atirada no principio de toda eternidade, a cruzar gerações em campos de batalhas sendo guiada e direcionada com mãos fortes em sabedoria aos corações dos homens, para que assim eles viessem por meio da fé a tomar suas decisões pela causa
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da justiça e da verdade, convertendo seus corações, unindo-os em um só amor, uns para com os outros e voltando suas vidas para o pastor e bispo de nossas almas, o qual congregara todas as nações e povos para serdes Dele para glória e louvor de seu nome.
Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são teus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos! Sublimes entranhas de misericórdia derramadas em graça e favor imerecido, pela dádiva concedida nos nossos corações agora enriquecidos, graciosa graça a tornar-nos dignos em toda aceitação ao vermos o cetro de equidade estendido em nosso favor a receber-nos. Benditos são, ó Deus e pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, os teus desígnios e preceitos, e bendito o nome da sua glória, e para sempre seja exaltado a destra da tua justiça em graça e em verdade para todo sempre. Pois muito em breve o Senhor esmagará a semente maligna chamada satanás debaixo de nossos pés, portanto o que nos resta é que não desfaleçamos em nossos ânimos a aguardar a bendita promessa, até que todos os reinos venham a ser de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo a bendita semente Santa. Para todo sempre. AMÉM.

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A GENEALOGIA DE JESUS
Registro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão:
Abraão gerou a Isaque;
Isaque gerou a Jacó;
Jacó gerou a Judá e a seus irmãos;
Judá gerou, de Tamar, a Perez e a Zerá;
Perez gerou a Esrom;
Esrom gerou a Arão;
Arão gerou a Aminadabe;
Aminadabe gerou a Naassom;
Naassom gerou a Salmom;
Salmom gerou, de Raabe, a Boaz;
Boaz gerou de Rute a Obede;
Obede gerou a Jessé;
Jessé gerou ao rei Davi;
rei Davi gerou a Salomão da que foi mulher de Urias.
Salomão gerou a Roboão;
Roboão gerou a Abias;
Abias gerou a Asa;
Asa gerou a Josafá;
Josafá gerou a Jorão;
Jorão gerou a Uzias;
Uzias gerou a Jotão;
Jotão gerou a Acaz;
Acaz gerou a Ezequias;
Ezequias gerou a Manassés;
Manassés gerou a Amom;
Amom gerou a Josias;
Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos na deportação para Ba86
bilônia.
E, depois da deportação para a Babilônia, Jeconias gerou a Salatiel;
Salatiel gerou a Zorobabel;
Zorobabel gerou a Abiúde;
Abiúde gerou a Eliaquim;
Eliaquim gerou a Azor;
Azor gerou a Sadoque;
Sadoque gerou a Aquim;
Aquim gerou a Eliúde;
Eliúde gerou a Eleázar;
Eleázar gerou a Matã;
Matã gerou a Jacó;
Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo.
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A GENEALOGIA DE JESUS
Jesus tinha cerca de trinta anos de idade quando começou seu ministério. Ele era, como se pensava, filho de José,
e José de Heli,
e Heli de Matã,
e Matã de Levi,
e Levi de Melqui,
e Melqui de Janai,
e Janai de José,
e José de Matatias,
e Matatias de Amós,
e Amós de Naum,
e Naum de Esli,
e Esli de Nagaí,
e Nagaí de Máate,
e Máate de Matatias,
e Matatias de Semei,
e Semei de José,
e José de Jodá,
e Jodá de Joanã,
e Joanã de Resá,
e Resá de Zorobabel,
e Zorobabel de Salatiel,
e Salatiel de Neri,
e Neri de Melqui,
e Melqui de Adi,
e Adi de Cosã,
e Cosã de Elmadã,
e Elmadã de Er,
88
e Er de Josué,
e Josué de Eliézer,
e Eliézer de Jorim,
e Jorim de Matã,
e Matã de Levi,
e Levi de Simeão,
e Simeão de Judá,
e Judá de José,
e José de Jonã,
e Jonã de Eliaquim,
e Eliaquim de Meleá,
e Meleá de Mená,
e Mená de Matatá,
e Matatá de Natã,
e Natã de Davi,
e Davi de Jessé,
e Jessé de Obede,
e Obede de Boaz,
e Boaz de Salá,
e Salá de Naassom,
e Naassom de Aminadabe,
e Aminadabe de Arão,
e Arão de Esrom,
e Esrom de Parez,
e Perez de Judá,
e Judá de Jacó,
e Jacó de Isaque,
e Isaque de Abraão,
e Abraão de Terá,
e Terá de Nacor,
e Nacor de Serugue,
e Serugue de Ragaú,
89
e Ragaú de Fáleque,
e Fáleque de Éber,
e Éber de Salá,
e Salá de Cainã,
e Cainã de Arfaxade,
e Arfaxade de Sem,
e Sem de Noé,
e Noé de Lameque,
e Lameque de Metusalém,
e Metusalém de Enoque,
e Enoque de Jarete,
e Jarete de Maleleel,
e Maleleel de Cainã,
e Cainã de Enos,
e Enos de Sete,
e Sete de Adão,
e Adão de Deus.

91
REFERÊNCIAS
Capítulo 1 Gn 4,17-22
Capítulo 2 Sl 10,7.29.30; 46,10
Gn 6; 8; 9,20-23
Capítulo 3 Gn 14,17-19; 15,5; 15,12-13
R
m 13,11; Hb 12,12; 2Tm 2,13; Sl 130,3; Mt 12,21
Capítulo 4 Gn 24; 25,19-25.29.30
2S
m 14:14
Capítulo 5 Gn 28; 29; 30,22-23
J
ó 1,12-13
Capítulo 6 Gn 38; 49,8-12
Dt 18,15
Capítulo 7 Pv 29,1; Sl 124,1; 2Co 3; Sl 2
Capítulo 8 Js 2; 6; Rt 2
Capítulo 9 1Sm 16,5-12
S
l 133
Capítulo 10 2Sm 1,19-20; 16,5.6.11.12
1R
s 2,2.8.9
Capítulo 11 2Cr 26
Ê
x 33,15-16
92
2R
s 20,3
S
l 119,49
Capítulo 12 2Rs 24; 25
S
l 137
Capítulo 13 Zc 4,7.10
E
d 1,2-6
S
l 107,30
Capítulo 15 Pv 13,12
I
s 53,2
L
c 2,29; 1,28-37; 2,10-13
I
s 9,6
H
b 1,1-3.8
S
l 2,7; 45,6-7; 123,2
J
o 1,4.14
M
t 2,17-18; 3,17; 17,5
J
o 1:29
Capítulo 16 Mt 17,5; Lc 4; Fp 2,56
Capítulo 17 Ef 2
M
t 8,29; 16,13-16.22-23
J
o 6,70
L
c 24,46
Capítulo 18 1Pe 2,23
M
t 23,37
Capítulo 19 Zc 9,9; 13,7
M
t 21,5-6; 21,9
93
M
c 11,9-10
L
c 19,39-41; 22,39-46.54-61
J
o 12,26-28; 11,49-52
H
b 5,7
I
s 63,2-5
J
o 8,46; 18,4-8; 10,17-18
Capítulo 20 Mt 27
L
c 23,11-15
I
s 53,4-5
J
o 3,14-16
Capítulo 21 Lc 23,40-43
S
l 84,3
Capítulo 22 2Co 5,19
J
o 19,30
L
c 23,47
T
t 3,5
S
l 68,18; 16,9-10; 30,5
I
s 53,8
C
l 2,14-15
A
t 2,24
J
o 20,11-14
F
p 2,15
1C
o 15,20
A
p 22,1-5
1P
e 1,4
A
t 1,11
S
l 24,7-10
1C
o 2,9
94
Capítulo 24 Hb 11,33-38
L
c 23,31
C
t 6,10
Ef 3,18-19
Biblia sagrada. Trad. João Ferreira de Almeida. Ed. rev. e corrigida, Rio de Janeiro: cpad, 1995.


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