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Jun
21
2015

A Morte Não Pede Carona (Ela Entra, Senta e se Aconchega)

space

 

Desculpe-me pela história resumida, mas os baixos níveis de oxigênio não me permitem extravagâncias. Afinal de contas, o ser humano tem dessas coisas. A morte iminente nos assola, cercando como um muro encimado de arame farpado transpassado por uma cerca elétrica (ufa), mas ainda assim os resquícios de esperança que se alojam lá no fundo de nossa existência incompreensível, como uma gripe intermitente sem hora para passar, insistem em nos dizer que vai ficar tudo bem.

O caralho que vai.

Contemplar o oceano estelar de infinidades galácticas, é uma opção (única) não tão confortadora quanto aparenta ser. A escuridão que envolve, inundando as estruturas metálicas dessa cápsula à deriva e se infiltrando em cada parte do meu corpo, cada cubículo dos meus poros, é uma sensação de sufoco. É como se afogar sem água ter, aguardando por uma mão se estendendo da superfície, ou um sinaleiro rasgando o véu em vermelho. Sinal de que a ajuda vem.

Mas sei que não.

Aqui não é assim.

O que cruza em minha frente são caminhos celestes. Poeira cósmica e meteoritos perdidos de seus bandos. Passeando como abelhas confusas, esbarrando nos transeuntes e ziguezagueando sem rumo. O que cruza em minha frente é um sol distante, orbitando um sistema solar que 99,9999999% da população desconhece. Inclusive você. O que cruza, cruzou e se estagnou em minha frente, é a morte derradeira, sentada ao meu lado, apertada e pedindo espaço, apenas esperando. Jogou a mão em volta dos meus ombros e me tratou como um amigo de longa data. Recusou o oxigênio que eu tinha a oferecer. Um presente para você, aproveite enquanto pode. Parecia ter dito. Fitei seus olhos de escuridão e vi o tempo passar.

O mundo muda e a roda gira.

Eu estaria mentindo se dissesse que não tenho medo.  Tenho um pavor crescente se alastrando como raiz forte, ficando seus tentáculos na carne mole, estremecendo os músculos e tendões. Ou talvez seja apenas frio. O vácuo não é um lugar muito convidativo.

Minha mente fraqueja.

Argon era, e talvez ainda possa ser chamada assim, a nave mais segura da Frota Estelar das Nações Unidas. Capaz de viajar em velocidade de dobra, desmembrando o espaço e criando e destruindo túneis temporais. Era a própria segurança envolta em metal e chapas de aço. Eu, ridiculamente ignorante como sempre fora, não tive qualquer traço que pudesse significar medo ou receio. Não até um buraco no casco sugar metade da tripulação para o espaço.

Vi cabeças estourando com a pressão da velocidade. A gravidade que dilacerava corpos e o calor pulverizador de essências. O vermelho que manchava a mácula da negritude sideral era tão ínfimo, que só o contraste com o branco das instalações era capaz de fazê-lo ser notado. Os gritos ecoavam no nada e desapareciam junto a seus autores. Criadores de obras tão passageiras e cheias de emoção que chegavam a tocar, emocionando e fazendo chorar. Senti-me em uma ópera espacial, onde a cacofonia se fazia canção. O som do vento rasgando ferro, distorcendo aquele conceito de proteção em questão de segundos. Eu corri, ao tom melódico de um Mozart impiedoso, vendo a realidade desacelerar. Cheguei às cápsulas salva-vidas apenas pela sorte. Ou destino. No fundo eu ainda acreditava que alguém olhava por mim.

Ejetei no último momento, impulsionado pela explosão de meu “Titanic”, como um sol e eclosão. Ninguém me seguiu. A pressão me lançou como um foguete, através de milhares de quilômetros. Vaguei pelo nada e parei em lugar nenhum, ainda se movimentando.

Quantos dias se passaram, eu não sei dizer.

Agora, divido esse momento íntimo com uma amiga que se tornou a melhor. Afinal, quem mais te visitaria você estando tão longe? Ela veio, e disse que iria ficar. Se eu estivesse em casa, ofereceria uma cerveja, ligaríamos a TV e assistiríamos alguma reprise de futebol. Mas em minha posição, não posso oferecer muita coisa. Nossa diversão é uma pequena janela redonda, mostrando a imagem 3D do infinito.

E assim vivo eu, um náufrago em um mar de estrelas. Tomando doses de O² enquanto aprecio a vista. O frio está de matar, mas minha ilustre amiga quer aproveitar a brisa. Talvez eu possa abrir a janela e dar um jeito nisso…


Categorias: Agenda |

1 Comment»

  • Silver Frog says:

    Como já coloquei em outros comentários, gosto de textos em que a leitura flui, e quando você percebe a história acaba deixando você na vontade de ler mais. Certamente esse é um traço que preso muito em escritores.
    Ótimo conto.
    Parabéns.

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