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Publicado por Rogerio Paiva

– que publicou 1 textos no ONE.

Vivido, experimentado, leitor, escritos guardados – contos, crônicas – para satisfação pessoal!

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Jul
04
2015

MARCELLA

Era linda, vistosa, simpática, sorridente, todo mundo comentava as qualidades e a figura marcante de Marcella.
Vinte e cinco anos, formada em engenharia da computação – com muita luta e muita dificuldade de sua família – entendida de software, programações, links, e todo esse universo de tecnologia que garantiam seu ótimo emprego e a posição de auxiliar de coordenação do departamento de informática de um grande Banco, com sede na importante Avenida Paulista.
Morava na zona norte com a família – o pai, motorista de taxi e a mãe, ajudante geral, dedicavam a vida para formar os filhos – avó materna e mais dois irmãos, uma mais moça com dezoito anos, preparando-se para prestar vestibular e um terminando o segundo grau com dezesseis anos – de classe média – toda a família muito se orgulhava da sua linda e competente filha Marcella.
Marcella, como fazia diariamente, pegou o metrô na estação Santana e conseguiu um lugar para sentar. Isso aliviava o grande movimento do horário e amenizava a confusão na estação Paraíso para trocar para a linha Paulista que a levaria até o Banco.
Naquele dia, na Estação Brigadeiro no metrô da linha Paulista, entrou Ricardo, que sem ter conseguido um lugar para sentar, viajava de pé. Marcella sentiu como sendo cravado um olhar mais que intenso que lhe atingia, vindo mais da ponta do vagão, olho no olho, era Ricardo, alto, forte, moreno de olhos claros – diziam todos que o conheciam que era um bonito homem – ficaram olhando-se por alguns minutos que pareceram horas intermináveis.
Ricardo tinha que descer na estação Trianon-Masp. Mesmo sendo paulistano, pela segunda vez na vida andava de metrô, afinal era da alta classe e desde que nasceu nunca conheceu muito de transportes coletivos, com raríssimas exceções, nas suas viagens ao exterior, quando achava chique conhecer o que o “povo” fazia naquele país por onde estava viajando. Morava nos Jardins e naquele dia seu carro havia apresentado um problema e ele não tinha tempo a perder. Uma reunião mais que importante o aguardava. Era Diretor de uma multinacional e as responsabilidades muito grandes, de acordo com o cargo que ocupava.
Desceu, mas ficou com a figura de Marcella em sua mente, em sua retina, não pensou em outra coisa desde o momento em que saiu da estação e assim ficou durante todo o dia.
A reunião foi complicada, algumas vezes ficou tão atraído pela linda figura que vira no metrô que quase se perdia no assunto e nos objetivos da reunião. Assim foi o dia inteiro na empresa.
Na hora do almoço não pode conter-se ao comentar com os amigos de restaurante – todos da diretoria – o que lhe havia acontecido pela manhã daquele dia. Nunca havia tido uma visão de uma mulher tão atraente, tão bonita. Precisava de alguma forma tentar rever aquela mulher. Os amigos, impressionados, disseram: amor à primeira vista? Vai sair dessa vida de mulherengo, namorador e pegador? Olha lá, hem cara, está só com 28 anos e é herdeiro de muita grana, tem que aproveitar muito da vida ainda antes de se amarrar, ainda mais com menina de transporte coletivo, tá querendo baixar o nível?
Ricardo disse: Que é isso, não tenho preconceitos de nenhuma ordem, sou um cara moderno e até pertenço a essas ONGs que são pela preservação da natureza e contra as discriminações! Sou um cara politicamente correto! E tem mais, com uma mulher como aquela, nem sei!
Ainda aumentou o discurso e fez observações aos companheiros – como vocês podem discriminar pessoas? Um olhou para o outro, deixaram quieto, começaram a falar da reunião, outros assuntos. Ricardo só pensava naquela mulher.
Marcella desceu na estação Consolação foi para o Banco e ficou pensando também naquela bonita figura de homem. Como será que se chama? Onde será que trabalha? Será casado? Comprometido? Tantos pensamentos, tantas perguntas. Pensou… tenho que voltar à realidade, não vou alimentar ilusões. Conteve-se. Ficou na sua.
Quando chegou em casa naquele dia, tinha um olhar e uma ausência que a mãe e a avó logo perceberam, mas não quis saber de comentar o assunto. Foi para o quarto, tomou banho, só desceu mais tarde – morava num sobrado geminado em uma vila – tomou um lanche e foi de volta para o quarto. Aquele homem no pensamento.
Duas semanas se passaram. Nunca mais aquele homem no metrô. Não era pra ser, pensava, mas não se livrava de pensar.
Ricardo, em Nova York – tinha viajado no dia seguinte a negócios para a reunião do “board” da empresa e já estava lá há duas semanas – não conseguia tirar da cabeça a imagem daquela linda mulher que vira no metrô. Estava virando uma obsessão.
Chegando ao Brasil vou encontrar essa mulher de qualquer maneira. Ricardo estava decidido.
Na terceira semana passada, desde a primeira vez que a viu, Ricardo de volta ao Brasil, obcecado por aquela mulher do metrô – é como ele a ela se referia “a mulher do metrô” – nem pensou em pegar o carro, para completa admiração de sua mãe que perguntou: não vai de carro? Não vá me dizer que vai tentar ir de metrô para ver novamente essa tal mulher da qual você não para de falar? Veja bem, não deve ser moça para suas relações, mesmo de amizade, nessas questões sociais, nível é nível, disse a mãe – dessas madames ricaças convictas e preconceituosas, como se dizia antigamente em São Paulo – quatrocentonas!
Ricardo, novamente, como fizera com os amigos no restaurante, iniciou para a mãe um discurso contra a discriminação, seja ela de que ordem for. E discursou à vontade contra os discriminadores.
Foi para o metrô, ainda que sem estar acostumado a esse tipo de transporte, mas nada importava para ele nessa obsessão. No mesmo horário daquele dia, torcendo para ver aquela mulher novamente. Deslumbrou-se!
Lá estava aquela mulher, sentada no mesmo lugar de três semanas antes, linda, maravilhosa. Ricardo foi pedindo licença, foi chegando, estava quase na outra ponta do vagão, foi chegando, não tinha nenhuma estação para descer, afinal estava ali unicamente para encontrar a maravilhosa “mulher do metrô”, o que afinal conseguira. Chegou ao lado de Marcella, olhavam-se, sorriam, pareciam felizes de verdade, uma sorte maior ainda, o passageiro que estava ao lado de Marcella levantou-se para descer e Ricardo mais que rapidamente tomou o lugar.
Lado a lado, os dois, sorrindo, falar o que? Êxtase!
Ricardo toma coragem e diz: não parei de pensar em você desde aquele dia, preciso estar com você, eu sou Ricardo e você, como chama?
Marcella pensava, devo estar mais que vermelha, devo estar roxa, meu Deus!
Ricardo insistiu, como você chama?
Marcella esforçando-se mostrou com a mão, o ouvido e a boca e fez – como no alfabeto de Libras – que não escutava e nem falava.
Surda e muda! Ricardo se disse intimamente no relance do pensamento.
Um turbilhão em sua cabeça!
Como?
O que é isso?
Que faço eu?
Não conseguia dizer nenhuma palavra, somente olhava para Marcella, que por sua vez o olhava também, mudos, os dois, apenas olhavam-se. Marcella sorria timidamente, Ricardo estava perplexo!
Marcella ficou olhando para ele, pensava: meu Deus como é bonito, que faço eu? Como devo agir, já estive em situações difíceis, mas nada parecido e em outras circunstâncias, mas isso?
O metrô parou na estação Trianon-Masp, Ricardo levantou e desceu.
Marcella olhava para Ricardo, sua estação era a próxima, não conseguia entender o que estava acontecendo, olhava fixamente para Ricardo.
Pode ler Ricardo falando sozinho – leitura labial, além do alfabeto de libras era o que sabia, afinal nascera surda e muda – ainda pode ler os lábios de Ricardo: “porra, surda e muda! ”

Rogério Paiva


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