O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Prompt de Escritor

Prompt de Escritor

Textos e idéias para sua criatividade.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Fórum

Fórum

Ta bom, isso não é bem um fórum. :P

Projeto Conto em Conjunto

Projeto Conto em Conjunto

Contos em Conjunto em desenvolvimento!

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

Publicado por Bruno Cavalcante

– que publicou 2 textos no ONE.

Gosto de escrever as vezes… bem… acho que é só…

>> Confira outros textos de Bruno Cavalcante

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui...
>> Fale com ONE <<

Oct
09
2015

A Canção de Alice

Prólogo
Jimmy era um rapaz magro com cabelos finos da cor de palha. Devia ter um metro e oitenta e gabava-se de sua altura. Arrogante, calculista e maquiavélico, ele sempre estava atento a tudo e a todos a seu redor. Sempre desconfiando, sempre vigiando.
Ele andava calmamente com os pés descalços na beira do lago. Ele parou e se sentou ao lado de uma moça que ali estava. Os seus pés, também descalços, estavam a tocar as águas.
—A noite está bonita, não está? Ela perguntou, fitando os próprios pés.
—Você está mais. Jimmy tinha o costume de fazer elogios a ela mas eles eram apenas amigos.
—Vamos dar um mergulho? Ele perguntou segurando as mãos finas e brancas. Ela assentiu e ambos foram ao fundo das águas num mergulho. Eles gostavam de mergulhar. A água era fria e refrescante e ambos permaneceram lá embaixo, nadando ou deitados de olhos fechados. Poderiam ficar por ali o tempo que quisessem, pois ele não respiravam. Não tinham necessidade de respirar.
Estavam mortos.
Jimmy e a garota eram fantasmas.
Como haviam morrido eles não sabiam. Talvez fosse por isso que eles estavam ali. E o porque deles estarem ali eles também não tinham conhecimento.
Tudo que sabiam era que estavam mortos. Podiam fazer o que quisessem, ir para onde quisessem e não ser vistos. A não ser em alguns casos, é claro.
Ao contrario do que se pensam, fantasmas não são criaturas das trevas, e a morte em si não é o fim de tudo. Nem da dor. Depois da morte Jimmy ainda sentia a dor do ferimento que lhe tinha tirado a vida. Um tiro no coração. Sua amiga, por outro lado, tinha um corte no pescoço de orelha a orelha, mas parecia fechado -feridas também se cicatrizam, porém não param de doer- corte esse que Jimmy roçava com a ponta dos dedos embaixo d’água. A causa mortis de sua amiga mórbida lhe causava estranha fascinação, aquilo o cativava de um modo estranho e nem mesmo ele sabia porque.
Sua estranha fascinação pelo corte era tão estranho como seu interesse pela menina. Para ele tudo era desinteressante, enfadonho, mas ela não. Ela o interessava de um modo que o fazia questionar a si mesmo se eles não tivessem talvez se conhecido quando vivos.
Outra coisa que ele não lembrava muito bem era de sua vida passada. Lembrava que tinha uma casa, uma família, ia a escola e tudo era desinteressante para ele, quase tudo na verdade. Suas lembranças eram fragmentadas assim como as de sua amiga morta, todos os fantasmas são assim. Os que estão “vivos” pelo menos, se é que se pode dizer que um fantasma é um ser vivo. Jimmy gostaria de ter suas lembranças de volta, de saber quem era e porque tudo aos seus olhos era débil e incolor. Tudo era sem graça…
Teria sido um jovem amargo?
Ou havia ficado daquele jeito depois de morrer?
Era provável que fosse a primeira opção. Pois ele se lembrava vagamente de não ser feliz. Por vezes ele até gostava de não ter lembranças da vida passada. Ser vivo deveria ser chato, ser fantasma era muito melhor. Fantasmas não precisavam comer, mas podiam. Não precisavam beber mas bebiam. Não precisavam respirar, nem ir a escola ou coisas do gênero. Podiam sentir coisas como o toque da água, a brisa do vento e o arder do fogo, ainda que com menos intensidade que os vivos sentiam. A unica coisa que realmente incomodava Jimmy era a dor que levava consigo no peito. Aquilo era horrível, ardia, queimava e doía por demais. Ele invejava as pessoas que morriam dormindo, em paz, com seus pensamentos ilustres e bons sonhos, enquanto eram embalados pela sensação de conforto e paz que caiam sobre eles como o mais leve dos mantos de seda. Ele ia acabar por se acostumar com a dor mas ela nunca iria sumir, só deixaria de ser muito incomoda. Mas para ele não fazia muita diferença. Quando estava vivo, não se importava de morrer, embora isso não queira dizer que ele não quisesse ter vivido um pouco mais. Agora porém ele não se sentia triste, mas por outro lado, mesmo depois de morto ele também não se sentia contente.
Mas como eu dizia, a dor era uma das coisas que o incomodava, e incomodaria cada vez menos a cada dia, até que ele passaria a ignora-la. Outra coisa que o incomodava era o fascínio pela bela garota, e o fato dele não saber o porque. Isso o deixava inquieto. Ele logo se acostumaria com a dor, tornando-a adaptável como se fosse parte do próprio corpo, mas o fascínio e a cativo que sentia por ela só crescia cada vez mais, a medida que a dor se tornava tolerável.
Mas não estava afim de pensar nisso agora. Queria apenas olha-la embaixo das águas, sua figura pálida e imóvel embaixo d’água enquanto pequenos redemoinhos e bolhas se estendiam ao seu redor.
—O que foi? perguntou ela abrindo os olhos. Eles tinham cor de mel. Ele apenas sacudiu a cabeça em negação e ambos tornaram a se calar, ficando na água por um tempo e depois voltando a superfície.
—Alice, tenho que ir a um lugar.
—Vai demorar?
—Bem, isso você vai saber.
Enquanto saia do lago Alice o observava. Seus olhos não representavam nada, eram insondáveis. Mesmo sendo belos era muito difícil saber o que eles refletiam, Jimmy por vezes tinha medo dela. Será que… não… é bobagem… e essas foram as palavras que ecoaram na mente de Jimmy antes dele deixar o lago e Alice, que nadava de costas com um sorriso quase imperceptível.


Categorias: Agenda |

No Comments»

RSS feed for comments on this post.


Leave a Reply

Powered by WordPress. © 2009-2014 J. G. Valério