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Oct
10
2015

Ela e o passado

Ela passava por mim todos os dias, mais especificamente pelo lugar onde eu trabalhava construindo aquela casa gigante. Foram quatrocentos dias e todos os dias ela passava lá e eu apenas observava a perfeição de seu corpo, seu jeito humilde de caminhar, com a cabeça rente, não muito alta. Não esbanjava inferioridade, nem narcisismo. Ela nunca olhou para mim, mas tive uma leve percepção de que ela me reparava. Ela via que eu olhava para ela.
Sempre no mesmo horário parava com meu serviço com os tijolos para olha-la. Procrastinei até o ultimo dia daquela construção, e neste criei coragem e a abordei.
– Oi, como vai? – praguejei, com uma voz tremula. Ela olhou para mim esperando que dissesse mais alguma coisa mas a ansiedade era muita, foram trezentos e noventa e nove dias imaginado aquele momento.
– Vou bem e você? – anunciou dando o ar da graça.
Foram tantas frases interessantes que imaginei dizendo a minha amada mas não conseguia dizer nada naquele momento, nem tudo bem, muito menos eu te amo. Minha paixão continuou seu trajeto e fiquei sentindo o vento que rosnava sobre meus ouvidos, eram minha única companhia. Não há vi no dia seguinte pois neste a casa já estava pronta.
Um ano depois fui chamado para fazer um reparo naquela casa. Duraria uma semana e todos os dias desta avistei a garota. Passava com o mesmo andar de antes. Eu havia passado todo o último ano pensando nela e tendo fantasias com a mesma. Naquela época eu já tinha começado a entender meu problema com as mulheres: Eu tinha pouca confiança, e precisava de uma coisa para sanar isso, o recurso que eu imaginava ser a solução era adquirir estabilidade financeira. Como disse apenas avistei a garota e nunca falei com ela, naquela semana.
Dois anos depois fui chamado para fazer outro conserto, durou apenas um dia e aquela garota passou por lá no mesmo horário de sempre, olhou para mim e sorriu. Gritei perguntando quantas horas e ela respondeu que não tinha relógio. Agradeci. Ela olhou para mim por instante como se esperasse por algo, uma fala que virasse uma longa conversa talvez. Quando fiquei apenas a vislumbrando sem pronunciar sequer mais uma palavra a moça decidiu seguir sua caminhada. Não me dei ao trabalho de ver sua alma se distanciando de mim pois em minha mente já havia decorado seu modo de andar ladeira abaixo.
Três anos depois já tinha juntado uma enorme grana, decidi sair da casa de meus pais, e foi ai que encontrei uma casa boa a um preço justo, uma casa que me deixaria confiante. A casa que eu construirá a sete anos atrás, a mesma de onde eu avistava a garota que sonhava todas as noites desde o primeiro dia que a vi.
Comprei a residência e fui morar lá na semana seguinte. Lá estava eu, na casa em que construí. Rico e confiante. Quando deu a hora sentei em um banco da varanda, a garota passou por mim e eu a chamei, batemos um papo e a convidei para sair. Tudo assim tão natural, um fato de se estranhar, acho que meus hormônios agiram por mim naquele dia.
– Eu adoraria ter um encontro com você – Ela respondeu com um sorriso largo.
Em uma noite de sábado fomos a um restaurante especializado em peixes. A conversa fluiu bem e ela gostou do prato que pedi. Elogiou meu modo de vestir e meus gostos de música – ela tinha o mesmo que eu. Combinavamos como um peixe na água.
Conseguinte fomos a uma praça que ficava perto dali, sentamos em um banco e admiramos as estrelas, ela sabia distinguir cada constelação, enquanto eu nem sabia da existência dessa palavra. Passei meu braço em volta de seu ombro e ela colocou sua cabeça perto de meu peito e em seguida nossos olhos se encontraram. No crepúsculo da noite nos beijamos.
Em um ano estávamos noivos, fiz o pedido na varanda de minha casa, no lugar de onde a avistei várias vezes. Ela aceitou, estávamos completamente apaixonados.
No ano seguinte nos casamos em uma igreja do bairro. De sua família apenas o casal de irmãos apareceu, sendo que eram os únicos que eu conhecia de seu parentesco. Era uma garota misteriosa mesmo depois de todo aquele tempo ainda poderia afirmar isso. Tivemos nossa lua de mel em uma pousada da cidade, acho “criamos” nosso primeiro filho ali, pois nos meses seguintes os sintomas da gravides apareceram. Eram gêmeos, dois meninos.
Mais tarde quando nossos filhos nasceram, foram uma sequencia de noites mal dormidas. Mas era legal. Estávamos felizes e por incrível que pareça nunca brigamos. Assim que uma criança chorava a outra chorava também. Se minha esposa levantava, eu levantava junto, fazíamos aquilo juntos. Sempre juntos.
Dois anos depois ela estava gravida novamente. Era um menino, apenas um. Os anos seguintes tinham tudo para serem os melhores, porem por algum motivo ela não parecia mais a mesma. Alguma coisa a incomodava e isso era posto em cheque nas horas desperdiçadas que brigamos.
Em uma noite de natal decidimos passar o dia juntos. Minha esposa, meus filhos e eu. Me lembro quando acordei e minha primeira visão foi a de vê-la chorando. Lhe perguntei o motivo de tal ato. “Eu estou tão feliz”, ela respondeu, “Queria ter te conhecido antes, queria passar o resto da humanidade com você. Sei que pode parecer loucura, mas te amo de uma forma sobrenatural”.
Aquelas palavras doeram. Doeram muito. Doeram bem no fundo do meu coração batente. Inclusive nossos filhos poderiam estar mais velhos.
Fomos ao parque de diversões, na sorveteria, no cinema e no museu, nesta ordem. E por ultimo todos nos deitamos na grama de um parque e olhamos para o céu de fim de tarde. Todos juntos.
No dia seguinte saímos normalmente para trabalhar. Eu apenas administrava meus subordinados na construção de uma futura escola de natação. Na manha daquele dia meu telefone tocou. Era do hospital. Ela teve um acidente. Ela estava morta.
No seu enterro saltitaram lagrimas de meus olhos em uma tarde de dezembro. O céus ameaçaram a chorar junto de mim. Chorar por ela. Eu e meus três filhos nos abraçamos enquanto a terra era atiçada contra o caixão. Os céus só foram chorar mais tarde.
Neste dia conheci seu pai e sua mãe, mais especificamente meu genro e minha sogra, no futuro ficamos amigos.
Não desisti e levei a vida em frente. Meus filhos entraram na escola, e no meu quinquagésimo sétimo ano me aposentei. Me dedicara a cuidar deles, sei que era isso que ela queria.
Os dias eram pesados e por um momento desejei que ela tivesse morrido antes. Antes de me dizer aquelas palavras.
Em um dia como outro qualquer fui almoçar na casa de meu genro e minha sogra. A campainha estava estragada de modo que ao apertar não acontecia nada, era como um apagador, só que não acendia luzes. Entramos em silencio. Na cozinha os velhos discutiam alguma coisa. A coisa que desejei nunca ter ouvido. O fato é que não lembro por inteiro aquela conversa. Me lembro apenas da mensagem principal que estava inclusa na ideia de que minha falecida mulher, passara todos os dias na porta da casa em que a conheci apenas para me ver. Desde o primeiro dia que a vi.
Foi ai que entendi porque ela chorava e estava estranha naqueles dias… era porque queria ter se declaro para mim antes, queria ter vivido aquela felicidade por mais tempo. Se eu tivesse declarado meu amor naquela época… se eu tivesse.


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