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Publicado por Gustavo Rebello

– que publicou 9 textos no ONE.

Ocupações: Empreendedor, Escritor e Pesquisador.

Base de operações: Chicago, IL – EUA.

Interesses: Biologia Molecular, Genética, Literatura, Ópera, Storytelling, Teatro, Tiro com Arco, Churrasco e Cerveja.

Autores Influentes: Edward Albee, Daniel Silva, John Grisham, Ian Fleming, Tom Clancy, Michael Crichton, Bernard Cornwell, JRR Tolkien, GRR Martin, Agatha Christie.

Blog: http://doutrinadornerd.com/

Objetivos: Praticar minha escrita.

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Oct
27
2015

O Frentista do Posto 4

O Frentista do Posto 4

As espaçonaves ovais de sempre traziam consigo os ricaços da Terra de volta de mais um cruzeiro de oito anos até Calisto. Claro que nenhuma viagem desta estaria completa sem uma parada no planeta vermelho na volta e o local ideal era parar no Posto 4. Mas o Major Frederico Schneider já estava de saco cheio daquilo.

Da janela reforçada contra raios ultravioletas o Major, também conhecido como Fredão do Posto 4, observava toda a aproximação dos veículos, e os ajudava a manobrar e estacionar.  Recebia os turistas que aproveitavam a lojinha de conveniências pra comprar pedaços de rocha vulcânica ou gelo solidificado em cristais. Alguns até provavam o questionável “sanduíche de ovo dos astronautas”.

Após se livrar o mais rápido possível de suas visitas, Fredão seguia o ritual de sempre: apertava os mesmos botões do computador na mesma sequência, esperava o chuveiro de ar sugar toda poeira da aeronave, e observava os turistas fazendo selfies com a espaçonave atrás. O trabalho maçante o forçava a pensar nas suas escolhas do passado. O segundo astronauta brasileiro nunca entendeu essa vaidade toda das pessoas. Na verdade, ele discordava de tudo isso.

Filho de trabalhadores rurais do interior de Santa Catarina, Frederico sempre gostou das conversas a noite em volta das fogueiras. Ele era um garoto alto e magro, que comia o milho que ele mesmo tinha plantado e ouvia histórias sobre como o mundo era manipulado, que o homem jamais tinha ido a Lua, que toda aquela “pseudo-ciência” era uma bobagem dos governos para arrecadar mais impostos. Mas Fredão não acreditava em nada disso e queria se livrar daquele trabalho árduo e ir pra bem longe…

Aos 14 anos Frederico começou a estudar e muito na escola pública. Certo dia conseguiu um trabalho como auxiliar de TI. O técnico precisava de ajuda pra carregar o equipamento, acabou gostando do garoto e passou a lhe ensinar tudo o que sabia. Não era muito, pois o equipamento da escola era muito defasado. Mas foi o suficiente para lhe despertar uma nova paixão. Foi assim que, encorajado pelo chefe e amigo, Fredão passou num concurso e ganhou uma bolsa de estudos na Alemanha.

O esforçado garoto sofreu um pouco com a língua, mas por outro lado descobriu todo um mundo novo. As pessoas ao seu redor comentavam sobre como a civilização estava avançando, sobre como a nova corrida espacial estava impulsionando os mercados e novas profissões estavam surgindo. Mas não era só no campo acadêmico que Fredão estava maravilhado. O adolescente também se encantou com as garotas. Resolveu seguir uma em particular, Eva Schultz, e quando ele percebeu já estava indo trabalhar na ESA.

Após obter excelentes notas no colégio, Fredão foi prontamente admitido na faculdade de engenharia elétrica. Seguindo Eva, conseguiu entrar para o exército alemão. Retribuiu o feito usando sua reputação que começava a crescer escrevendo longos emails de recomendação para que a moça conseguisse uma boa oportunidade de trabalho. Após uns anos de treinamento veio o casamento. Logo depois obteve a cidadania Européia. Eva tinha acabado de conseguir um estágio em Frascati na Itália quando ele recebeu o convite para se apresentar no Centro de Treinamento de Astronautas em Colônia. Mas nem os 1,400 quilômetros de distância pode diminuir o amor que sentiam um pelo outro. Diga-se de passagem, naqueles dias isso era até normal e muitos casais moravam em países diferentes.

Conforme o dia de sua missão se aproximava fatos estranhos começaram a surgir. Primeiro foi a propaganda. Um blogueiro entusiasta descobriu através de uma rede social quem era aquele alemão que iria embarcar para uma missão de tanto tempo em Marte. Alguns podcasts e vlogs depois e o Brasil inteiro estava unido e torcendo pelo segundo astronauta Brasileiro. Mais do que isso, o novo herói nacional seria o primeiro sul-americano a ir para Marte, e ficar um longo período de tempo no espaço! O que por algum motivo tornava o tetracampeonato de futebol da Argentina insignificante.

Logo depois Frederico notou que Eva estava meio distante dele. Pensou que ela estaria empolgada com a missão. Mas a esposa por algum motivo não fazia nada além de se dedicar ao terceiro doutorado com o mesmo professor Italiano do segundo…

Restava então para Fredão focar na missão e provar para todos que não existiam  essa coisa de “pseudo-ciência” e outras teorias de conspiração. O futuro enfim estava diante dele! Finalmente iria colher os frutos de tantas noites mal dormidas. Marte o aguardava!

Mas protegido dos raios ultravioleta diante daquela janela, ligando e desligando os chuveiros de ar foi que Fredão descobriu que também era um instrumento da ESA. A agência passava por maus bocados e devia alguns favores a iniciativa privada americana. Descobriu que não havia tanto heroísmo naquilo e que as teorias de conspiração eram muito mais empolgantes. Lutava contra ele mesmo a fim de evitar a depressão e afastar o pensamento de que na verdade era melhor ter ficado na Terra plantando milho do que ser um frentista no espaço.


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