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Publicado por Danillo Camargo

– que publicou 2 textos no ONE.

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Oct
25
2015

Poeira na estrada

A extensão de terra seguia para além de si. Postava-se em frente a porteira envelhecida, observando o adiante da natureza. Enquanto, o João-de-Barro, arquiteto aviário, reformava sua casa; Ela ali, inerte-ativa, olhava o céu de imensidão azul-tranquilidade. Sentia o vento tocar seus cabelos encaracolados, levando-os e os trazendo… Bailando.

De longe, a menina via, os vultos. Dois. Atravessavam a estrada, mas de longe ninguém vê face, intenção ou emoção. Menina, desconfiada como era, chamou o pai. Senhor de olhos miúdos, séria face, mas feito de carne e sentimentos. A porteira os dois ficaram, pai e filha, individualidades que compartilhavam um legado.

O coração da pequena, repleto de anciosidade – ansiedade no ócio – batia como um cavalgar. O pai, firme feito moinho, aguardava os vultos ganharem rostos e palavras. Segurou a mão da filha e deixou escapar um sorriso sincero, para assim acalmá-la.

Com o caminhar, foi-se enxergando o caráter. Os vultos ganharam vida, eram gente feita de carne e histórias. Pai e filho com roupas surradas, face pálida foram se chegando. Deviam estar na estrada há muito tempo. Quando não se têm lugar para ir, o caminho vira encruzilhada e é nele que se encontram os próprios demônios.

Pai e Pai se cumprimentaram, filho e filha não. Laércio Rudimão, apresentou-se o pai, ex-vulto. João Mário Mexerica, apresentou-se também o filho. Pai e filha não deram nomes.

Laércio explicou do motivo de tanto andar. A seca pelas regiões mais interioranas os expulsou de sua casa. O Pai, discretamente, sentiu-se aliviado por lembrar que sua terra havia sido abençoada com o clima certeiro, mas ao mesmo tempo descontente por pensar somente em si. A filha olhava timidamente o Mexerica, que não levantava os olhos desde que todos se encontraram.

O Pai ofereceu café, leite, farinha e pão. Ambos agradeceram ao Pai e a Deus. Entraram, comeram feito mulas gordas, embora tivessem corpos magros–magérrimos.

A filha sentia dúvida no coração, no recebiam muitas visitas. Seu pai sempre dizia que a vida é casinha feita em meio a lugar nenhum, qualquer visita deve ser cativada como única. Talvez, a filha tenha sentido vontade de conversar com o menino. Mas, era mais fácil arrear cavalo bravo que iniciar conversa com sinceridade d’alma.

Laércio pediu estadia por um dia, para aos pés e corpo descanso dar. O Pai concordou. A filha concordou. O Mexerica gesticulou. Pai e filho deitar foram. Passaram tanto tempo na estrada que haviam se esquecido do mundano da vida. Estrada é selva de pedra, riacho doce…Oscilação.

A filha permaneceu em silêncio o resto do dia, a verdadeira conversa estava era para dentro de si. Sentia sentimento lívido, polido, fermentação no estômago. Queria ver o menino, mas este ao sono entregue estava.

O pai a pequena capelinha foi. Homem de fé que era, não perdia um dia de agradecer ao santo. A filha o mesmo não fazia, não entendia. O Pai a dizia que a fé a gente sente no peito, mas ela sentir não sentia. Tudo é determicerto, tem seu tempo para acontecer. A Gente se (re)constrói a partir da gente mesmo, a partir daquilo que se vive em miúdos.

A filha foi dormir mais cedo, na esperança do amanhã chegar adiantado. O pai se distraiu com os afazeres, e, como estava cansado, também se foi deitar. Dia longo a alma pede sossego.

Na manhã seguinte, a menina acordou bem cedo. Correu para o quarto das visitas, no entanto, arrumado e limpo estava. Era como se ninguém por ali houvesse passado. Procurou o Pai, que se encontrava do lado de fora da casa.

Ao encontra-lo, indagou sobre os visitantes. O pai, novamente com seu sorriso, disse que haviam partido. Seu coração úmido ficou. Perguntou porque não haviam esperado. E o pai a disse que quem muito caminha ao mundo pertence. Eles iriam procurar algum lugar para chamar de casa.

A filha olhou para o céu, estava igual ao de outrora, mas sentiu um aperto fino-fininho no peito. Perguntou ao pai que sensação era aquela. Nostalgia – respondeu. A filha deixou escapar um sorriso e correu novamente à porteira. Ficou dia após dia, vendo a estrada passar por si e além de si, na esperança de receber mais visitas.


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