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Publicado por Danillo Camargo

– que publicou 2 textos no ONE.

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Oct
24
2015

Um dilema no banheiro

 

Estava tomando uma das decisões mais difíceis que tivera. A gilete postada ao pescoço. Relutava consigo mesmo para atravessar a encruzilhada em sua mente. Os demônios comem, bebem, transam, pagam tributos, e, às vezes, escondem-se nos pensamentos e brincam com as ações e reações. Mas, no seu caso, a fina voz ao pé do ouvido dizia, sussurrando ‘’ Siga em frente, a mudança é necessária.’’ . Enquanto, uma outra voz, um enigma Freudiano, dizia-lhe com maior perseverança ‘’Pare aí, deixe como está. Uma larva jamais se tornaria uma borboleta, se não se deixasse ao véu da preguiça em seu casco. Da inércia se faz a sabedoria’’.

Toda aquela situação o causava frio na barriga. Sua mão não conseguia mover a gilete. Não conseguia, simplesmente, retirar aquela parte. Ela nem sempre esteve junto de si, mas fez parte de sua vida nos melhores momentos. Havia ganhando diversos elogios, principalmente de antigas namoradas. Como se livrar de algo que está tão preso a si que, por derradeiro do tempo, torna o que era acessório em principal?

No entanto, a vida o cobrava, sua família cobrava, o seu chefe cobrava. Tudo e todos o cobravam. O problema dá aceitação é que todo mundo só aceita a si mesmo, e se esquece que ela é uma via de mão dupla. Fazia tanto tempo que não enxergava a si mesmo, nu de rosto, nu de alma. Se desacostumou à própria face, assumiu uma nova e, no fundo, apegou-se a ela.

Encontrar-se entre mudar e se manter, é como estar entre um cabo de guerra. De um lado quem se é, de outro, quem se reluta para não se tornar. Mas ele sabia que a escolha seria somente sua, poderia seguir em frente e acabar com tudo de uma só vez. Poderia, também, interromper tudo aquilo, jogar a gilete no chão, mandar tudo ao inferno e seguir a sua vida toda turbulenta. Sabia, no fundo, que futuramente iria enfrentar novos dilemas, a vida é cheia disso, quando acaba de se levantar ela dá uma rasteira.

De repente, batem na porta do banheiro de maneira tão violenta que seus pensamentos fogem da mente. Uma voz ogrosa, despida de qualquer delicadeza, grita: ‘’ Caralho, você vai fazer essa porcaria de barba ou não? Eu quero mijar entendeu?  Você está aí desde às 9horas e já são 11horas. Puta merda, saí daí.’’ Ele fica aterrorizado, sabe que seu tempo foi reduzido, não pode se dar ao desejo de meditar por mais tempo. Pegou a gilete com determinação hercúlea e raspou a barba das bochechas, pescoço e depois do queixo. Deixou apenas o bigode.

No entanto, se cortou todo. Sabia que suas decisões iriam machucá-lo no caminho, mas era necessário tomá-las.

Saiu do banheiro andando com maestria no passo e compasso. Seu irmão que estava do lado de fora se segurando para mijar, deu uma risada homérica quando viu o bigode. ‘’Caralho, você ficou esse tempo todo aí, só pra fazer isso? Até os pombos se assustariam com o tamanho dessa merda. ‘’ . Ele optou por ignorar o irmão.

Havia percebido que, se cruzasse a encruzilhada que havia criado, acabaria deixando de ser o que tanto demorou para solidificar, no entanto, por outra via, sabia que a correria quotidiana exigia movimento, transformação…metamorfose. Entre um ou outro, criou uma nova alternativa. Criou uma nova face para si, agora só faltava se acostumar a ela.

 


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