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Dec
06
2015

A PORTA TRANCADA

 

Enola podia perceber a agitação entre as amigas, os cochichos, os risos contidos, mas os olhares eram na direção do casarão.
– Então meninas, por que estão tão animadas?
– Oh Enola, que bom vê-la esta manhã – Sorri Ingrid. – Não sabe ainda que o casarão foi vendido?
– Sim, todo mundo sabe. Algum ricaço misterioso o comprou a mais de um mês.
– Pois estão, o ricaço misterioso chegou esta manhã, ainda estão trazendo seus pertences em carroções.
– E o que tem de mais?
– O que tem de mais minha querida é que o ricaço é jovem e… bonito, muito bonito.
– Logo a dona ricaça deve chegar também.
– Acho que não Enola, papai disse que ele é viúvo e que veio de Ohio. Um jovem e rico viúvo e… sem filhos.
– Então quem sabe alguma de vocês desencalha.
– Isso seria um sonho, nunca vi a mansão por dentro e há anos não aparecia um comprador. Papai disse que ele nem pechinchou. Apenas pagou e disse que logo se mudaria. A propósito, seu nome é Liam.
– Isso vai render uma ótima comissão a seu pai, eu espero.
– É verdade, talvez ele me compre o vestido para o baile da senhora Hilton.
As demais moças ainda fitavam a mansão na esperança de rever o distinto cavaleiro. Enola retornou para seus afazeres, levando as compras para casa.
Duas semanas passaram-se sem que Enola conhecesse o cobiçado jovem mas, os comentários na cidade eram sempre sobre ele. Como seus olhos claros pareciam com o céu ou, sobre como seus cabelos castanho-claros eram como o de um anjo ou ainda sobre como sua face bela e alva era como a de um príncipe saído dos contos de fadas.
Na noite do baile em que toda a elite da cidade estava reunida sob o mesmo luxuoso teto, Enola servia os convidados de sua senhora. Ingrid e as amigas mais abastadas da cidade pareciam procurar por alguém entre os demais convidados, recusavam-se a dançar com os costumeiros rapazes. Elas estavam cansadas de serem cortejadas por filhos de barbeiros, padeiros ou pequenos comerciantes. No entanto, quando o jovem de olhos azul anil adentrou o salão da senhora Hilton, seus olhos pousaram primeiramente em Enola, que servia chá ao doutor Swenson, o velho médico quase cego que pigarreava sem parar.
– Boa noite senhorita.
– Boa noite meu senhor. Chá?
– Somente se me chamar de Liam.
Os olhos de Enola se erguem para vislumbrar o príncipe encantado descrito pela moças repetidamente.
– Está bem meu se… quer dizer, Liam.
Enola o serve e os olhos das demais damas solteiras e até das casadas estão sobre eles.
– Então o senhor é o novo proprietário da antiga mansão dos Costello?
– Sim, sim. Me mudei a cerca de duas semanas. E… a senhorita mora aqui?
– Não, quem me dera. Moro com minha mãe a alguns quarteirões ao norte daqui.
– E o que sua mãe faz?
– Ela também era serviçal da senhora Hilton mas ela adoeceu e sente muitas dores nas juntas então eu tomei seu lugar.
– E o seu pai?
– Bem, papai faleceu quando eu ainda era pequena.
– Lamento.
– Mais chá?
– Não, não, obrigado.
– Desculpe o atrevimento mas, alguém já lhe disse que você tem um rosto angelical?
Enola apenas ri, meio sem jeito.
– Gostaria de conhecer a mansão? É um lugar muito grande e eu mesmo ainda não a conheço direito, talvez pudesse me ajudar, ainda tenho muitas coisas para desembrulhar.
– Seria uma honra meu se… quer dizer, Liam.
– Então lhe espero amanhã para o almoço e depois você me ajuda com minhas bugigangas. Eu pagarei um bom preço.
– Está certo, estarei lá para ajudá-lo, mas o almoço é desnecessário Liam.
– Deixe disso, eu faço questão. Afinal, onde estão os modos dos cavaleiros de hoje? Você é minha convidada.
– Sendo assim, está bem.
Enola serviu os demais convidados mas, seus pensamentos estavam em Liam. Que rapaz adorável!
As invejosas viraram a cara para Enola pelo resto da noite, pois Liam não falou com ninguém mais a não ser Enola e a anfitriã da festa. Outras sorriram para Enola, como Ingrid, Berta e Lilian que embora fossem de famílias tradicionais da região tinham em Enola uma amiga e confidente.
Enola visitou Liam no dia seguinte, uma refeição finamente preparada os aguardava e o cheiro era apetitoso. A casa tinha apenas uma governanta com sotaque alemão e cara de general, dois cachorros que ficavam correndo pelo quintal mas, jamais adentravam as portas do casarão. Enola e Liam desembrulharam alguns objetos de decoração aparentemente antigos, conversaram e riram bastante. No fim do dia, Liam pagou generosamente a encantada jovem mais que o dobro do que um dia de serviço árduo valeria.
– Enola, queria agradecer sua companhia, você é uma jovem fascinante.
– Obrigada. Você é um cavaleiro Liam. Se precisar de alguém para limpar os cômodos, de vez em quando, pode me chamar.
– Na verdade o que preciso não é de apenas mais uma serviçal, embora precise de algumas, é verdade. Henriet não dará conta de tudo sozinha. Mas… estava pensando em algo como uma companheira.
Enola não sabia o que responder mas era nítida sua emoção com o comentário.
– Então, será que eu teria a permissão de sua mãe para cortejá-la e… claro se for de sua vontade também.
– Claro Liam, mamãe não poria empecilhos para um homem tão distinto e educado.
– Está certo! Você não sabe como me deixou feliz, Enola.
Três meses se passam até que o casamento de Liam e Enola leve toda a cidade a igreja matriz. Até o prefeito estava presente, dos mais nobres aos mais simples, todos participaram do banquete ofertado em comemoração. Enola e Liam estavam felizes e apaixonados.
Durante semanas a festa de casamento era assunto na cidade. Enola não precisava mais trabalhar, ainda assim assumia as tarefas de manter o casarão arrumado e limpo. A governanta Henriet às vezes parecia ser a dona da casa, usando de seu tom autoritário e Enola a empregada . A moça não se importava, fôra submissa a vida toda e além do mais, ela não conseguia ficar parada.
– Henriet, percebi que esta porta sempre está trancada, o que há aqui?
– Nada. O patrão trancou-a com ordens de que não seja aberta. Apenas ele tem a chave. Achei que ele já lhe tivesse dito.
– Não, ele não disse nada.
– Deve ter se esquecido. Ele é um homem muito ocupado. O que você queria neste cômodo?
– Nada. Apenas estava tirando o pó dos móveis e esta sala está trancada. Apenas isso.
Henriet apenas olha Enola, com seu tom de superioridade e retira-se sem dizer mais nada. Enola permanece cabisbaixa no meio da sala e decide que vai visitar sua mãe. Precisa tomar um ar. Enquanto está se arrumando para sair, Liam chega em casa:
– Onde pensa que vai?
– Vou visitar minha mãe. Estou com saudades. Quer vir comigo?
– Não posso, estou muito atarefado e… você não deve andar por aí sozinha.
– Não seja bobo querido, conheço todos na cidade, eu ficarei b…
– Eu disse que você não deve andar sozinha. Em outras palavras, você fica!
– Mas eu precis…
– Quem decide o que você precisa ou não fazer, sou eu!
– Henriet! Henriet!
– Sim?
– Enola está proibida de sair de casa sem minha expressa permissão. Está claro?
– Sim senhor.
Alguns dias se passam e Liam quase não para em casa. Enola se vê solitária e começa a questionar sua decisão de ter-se casado com seu príncipe encantado. Henriet vigiava todas as ações da moça.
– Estas chaves não abrem essa porta, já lhe disse que apenas o patrão tem a chave.
– Se não há nada de errado com esta sala, qual o problema de eu vê-la?
– A curiosidade matou o gato, já diz o ditado. Fique longe desta porta!
A noite quando Liam chegou em casa, Enola questionou-o sobre a misteriosa sala:
– Meu bem, por que uma das salas está sempre trancada?
– Apenas alguns pertences meus, coisas pessoais.
– Mas, são pessoais até para mim?
– Sim. Para qualquer um.
– Eu não entendo o que pode haver de tão…
Um tapa rápido e certeiro queima o rosto de Enola que é atirada contra a cama pela violência do golpe.
– Eu já disse. Não gosto de ter que repetir as coisas nem de ser contrariado.
O cheiro da bebida misturado ao perfume barato pode ser percebido, assim como as manchas de batom na camisa branca.
As lágrimas correm pelo rosto de Enola enquanto ela continua pasma com o que acabou de acontecer. Liam deixa o quarto e não retorna pelo resto da noite. Enola fica sozinha com seus lamentos.
No dia seguinte Liam retorna mais cedo com um buquê de flores coloridas.
– Ontem… bem ontem, gostaria que esquecesse isso. Não vai se repetir.
– Desculpas aceitas, se é isso que você está tentando dizer. – Enola responde cheirando suas flores de perfume adocicado.
– Sendo assim, poderíamos nos recolher mais cedo esta noite. O que acha?
– Gostaria muito de poder visitar minha mãe, ela já não estava nada bem no dia do nosso casamento, depois disso nunca mais a vi.
– Ah, é verdade, esqueci de lhe contar. Sua mãe faleceu há dois dias. O enterro foi ontem. Que cabeça a minha!
– O que?
– Pois é, como são as coisas, não é?
As lágrimas descem pelo rosto de Enola mais uma vez com o sabor amargo da perda de sua amada mãe aliada a raiva pela displicência ultrajante do marido.
Liam agarra-a pelos cabelos e arrasta-a para o quarto. Henriet ouve de longe os pedidos de socorro e choro de Enola enquanto seu patrão consegue o que quer a força.
Ainda bem cedo, de madrugada, Enola levanta-se da cama, o marido tem os olhos fechados, sorrateiramente ela intenta fugir da mansão que tornou-se sua prisão. Assim que deixa o quarto ela corre até a grande porta que está trancada. Ela procura e encontra o molho de chaves em cima da mesa de centro da sala-de-estar. Enquanto procura a chave certa que lhe dará a liberdade, um ranger de dobradiças lentamente permeia o ambiente. A porta que sempre estivera trancada é a única aberta em toda a casa. Enola hesita por apenas um instante, então ela segue até a porta semi-aberta, adentra a sala, fecha novamente a porta e acende a luz. O que ela vê a deixa aterrorizada. Sobre uma mesa colonial, esmeradamente trabalhada estão seis recipientes de um vidro muito grosso e pesado, várias cabeças de mulheres, mergulhadas em um líquido transparente.
– Mas o que é isso? – Ela diz para si mesma horrorizada e amedrontada.
– São minhas ex-mulheres! Se é o que quer saber! – Liam fecha a porta atrás de si. – Era um bom motivo para não querer você bisbilhotando aqui não acha?
– O que e… por que?
– Na verdade, não sei dizer, apenas faço o que gosto e eu… gosto disso. A propósito, o próximo vidro é seu, já coloquei até seu nome nele. Vai ficar muito bonita na minha coleção.
– Você é um monstro! Seis esposas que você matou!
– Não, não. Não me julgue mal, apenas quatro são minhas, Samantha, Verônica, Julliet, Cloe e agora você, Enola. Sinta-se honrada! As outras duas são do meu pai.
Henriet abre a porta e entra.
– Henriet, Henriet, por favor me ajude! Sei que você não gosta de mim, mas não pode me deixar morrer assim.
– Na verdade meu nome é Klauss. – Henriet retira a peruca loira para revelar uma cabeça calva. – E essas duas são minhas. Está é Leonnore, minha ex-esposa e esta é a verdadeira Henriet, minha governanta e amante. Quando Leonnore descobriu nosso caso, acabei logo com as duas. Eu não sabia mas Liam, quer dizer, Aldric, assistiu a tudo. Não o culpo por ter tomado gosto pela coisa, afinal ele tinha apenas sete anos.
– Está bem papai, apresentações feitas, vamos para o que interessa. Minha querida Enola, foi bom… na verdade não foi não, enjoei muito rápido de você.
Liam, ou melhor Aldric, abre uma caixa de madeira e retira um enorme machado.

 

É uma manhã fria e cinzenta. Em frente a mansão uma comitiva de carroças carrega a mudança do ilustre jovem que parte da cidade com sua esposa e a governanta, seus dois cães e várias caixas que são colocadas cuidadosamente na charrete junto com Liam e Henriet. Ingrid vai até a charrete para se despedir de Enola.
– Bom dia senhor Liam, vocês estão de partida?
– Sim minha jovem, negócios no Iowa, precisamos nos mudar, seu pai pode arranjar um novo comprador, estou colocando a venda.
– Certamente papai pode cuidar disso. Posso me despedir da minha amiga?
– Sinto muito, mas ela não quer falar com ninguém. Ainda está muito abalada com a perda da mãe.
– Estranho ela não ter ido nem mesmo ao velório da mãe.
– Ela não tem se sentido bem nestes últimos dias, queira nos desculpar, estamos de partida.
– Claro, queira me perdoar.
A comitiva começa a andar, Ingrid dá apenas um adeus, esperando que a amiga esteja vendo-a.
– Adeus Enola.

 

Um jovem distinto adentra a farmácia.
– Bom dia.
– Bom dia senhor.
– Charles. Meu nome é Charles.
– O que o senhor precisa senhor Charles.
– Senhor não, por favor, apenas Charles.
– Tudo bem Charles, do que você precisa?
– Na verdade, preciso de formol e… preciso conversar, acabei de me mudar para cá vindo do Wisconsin. É sempre tão quente aqui na California?
– Boa parte do ano é sim.
A moça estende a mão.
– Muito prazer, meu nome é Abigail.
– Abigail, o prazer é todo meu.
– Você mudou para cá com sua família?
– Não, apenas eu e meu assessor particular, o senhor George.
– E um cavaleiro tão distinto quanto o senhor não tem uma esposa?
– Infelizmente fiquei viúvo ainda muito cedo. A tuberculose é cruel.
– Oh, sinto muito.
– Eu estava pensando Abigail, se depois que terminar tudo por aqui hoje, se você não gostaria de fazer um passeio comigo, me mostrar a região?
– Está bem, eu saio às cinco.
– Te pego aqui às cinco então.
O galante senhor Charles vai deixando a loja, mas antes de sair:
– Me desculpe o atrevimento mas, alguém já lhe disse que você tem um rosto angelical?


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