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(0) Lorac [agenda]

Publicado por kolodmitri

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Dec
11
2015

Lorac

– O que você está vendo?

 

– Um teto branco… meio encardido, na verdade, com uma rachadura imensa, que me faz sentir medo em estar abaixo dele. Um ventilador girando devagar, que provavelmente precisa de conserto e uma limpeza. Uma lâmpada, que a julgar pelo restante do ambiente, pode estar queimada. Mas creio estar desligada, apenas.

 

– Vejo que sua visão está boa, mas e sua psiquê?

 

– Me diz você. Para isso que estou aqui.

 

– Então feche os olhos e vamos ao início do que o trouxe aqui. Conte até 10 e me fale algo sobre você. Não precisa estender. Conte-me apenas o básico.

 

– ………. Era preferível perguntar isso aos meus inimigos. Pelo menos vindo da boca deles, eu poderia classificar como devaneios. Falar mal de si próprio é imensamente doloroso. Mas como minha realidade não permite ir além disso, posso dizer que sou um homem comum. Sou comum nos meus relacionamentos, nas minhas experiências de vida, no meu trabalho. Percebe o quão terrível é isso? Não se destacar em nada e por nada? Vivo meus dramas familiares para mim mesmo, julgando e percebendo, cada dia mais e mais, que não tenho nenhuma semelhança com meus semelhantes. Olho para trás, buscando algo nas coisas que eu fiz da minha vida, e não vejo nada que me destaque, nada que valha contar aos outros, não no sentido de me gabar, mas sim na felicidade de compartilhar algo que possa fazer alguém se entusiasmar com sua experiência e cogitar passar pelo mesmo. E todo dia vou ao meu trabalho, faço o que tenho que fazer e regresso ao meu lar, assim, sem nenhum destaque, sem nada além do comum.

 

– Bem, então me volte até o momento em que a conheceu e descreva-me essa relação até o presente momento.

 

– Certo. Como todas as estórias da vida que valem a pena serem contadas, começou em um bar modesto, na Zona Norte, acompanhado de mim mesmo, como de costume. Meu interesse, naquele momento, era a cerveja e um jogo de futebol que passava na TV. Mas fui interrompido por uma voz feminina.

“Com licença, mas você estudou na Universidade Federal? Creio conhecê-lo de algum lugar.”, disse ela.

Ao olhar em meu rosto, pode-se facilmente confundir-me com um homem inteligente. Mas essa impressão logo se vai.

“Bem que gostaria, mas seria ruim para a universidade ter um aluno tão brilhante e dedicado como eu.”. Dei uma risada, para evidenciar a piada. Vai que ela não entendia? Mas ela entendeu. Tanto entendeu como riu. Pensei: “ótimo, virei palhaço para mais uma pessoa”, mas não era bem isso. O riso não contido me chamou a atenção e eu tirei meus olhos do jogo de futebol entediante, dirigindo-o para a moça. Talvez tenha sido a coisa mais correta que tenha feito na minha vida.

Penso todos nós vivemos num mundo em comum, mas cada um de nós temos nossos próprios mundos. Com aquele sorriso, acabara de nascer uma flor no meu mundo.

Passamos a noite a conversar, a nos descobrir e perceber tantas coisas em comum que tínhamos. Ali nascia uma amizade.

Nos encontramos outras vezes, quase sempre no mesmo lugar onde nascemos um para o outro: um bar. Seja onde fosse, um bar. E é, deveras, nosso ambiente predileto, onde nos sentimos mais à vontade.

 

– Descreva-a para mim.

 

– Sabe quando disse que cada um de nós tem seu próprio mundo? Ela é a pessoa mais bonita do meu mundo. Seus cabelos castanhos claros voavam à menor brisa, seus pequenos olhos marrons cerravam-se ao ponto de fecharem quando ela exibia seu belo sorriso. Eu poderia ficar observando-a por horas, que meu dia seria sempre melhor. E ela não é apenas linda, é também a pessoa mais inteligente que eu conheço.

Enxergamos o mundo de forma semelhante, mas ela sempre enxerga detalhes que a mim passam desapercebidos. Mas eu não me sinto inferior a ela por isso. Me sinto aprendendo.  E sou muito feliz com isso.

 

– Compreendo. Abra os olhos.

Então você está apaixonado por ela?

 

– Desde o primeiro sorriso.

 

– Me fale sobre isso.

 

– Fiz de tudo para que ela percebesse. Ela deve ter percebido. Era extremamente perspicaz. Mas já havíamos atingido um estágio da nossa amizade, e eu temia muito perder o que construímos.

 

– E então guardou isso para si?
– Não. Houve um momento em que contei a ela, mas preferimos manter a nossa relação do jeito que estava. E é uma relação ótima. Eu adoro estar com ela e sei que ela gosta da minha companhia também. Não nos encontramos com a frequência que eu gostaria. Cada um de nós tem sua rotina, mas procuro ao máximo estar com ela. Ela tem um efeito positivo sobre mim. Ela inverte meus sentimentos. Se quando a vejo estou triste, logo me alegro. Se estou cabisbaixo, logo perco o controle sobre meus sorrisos. Muitas coisas passaram a fazer sentido. Sabe aquela célebre frase da raposa do Pequeno Príncipe, a que diz “Se você diz que chegará às 17h, desde às 16h eu começo a ficar feliz”? Passou a fazer o completo sentido. Com ela, eu sou o contrário do que sou no meu dia-a-dia. Mas não é algo que eu force. Ela faz com que isso sejam comportamentos naturais em mim. Ela sempre tira o melhor de mim. Com ela, me sinto mais feliz, mais capaz.

 

– Compreendo. Vê-se pureza no que você diz e no que sente por ela. Mas apesar da amizade, você nutre desejo sexual por ela, correto?

 

– De fato! E luto diariamente contra isso. Tenho que mudar minha vida todos os dias para escapar da rotina dos meus desejos pelos beijos dela.

 

– Mas isso é auto-destrutivo. Como faz para lidar com isso?

– Penso no que temos e como isso me faz tão feliz.

 

– Creio que se você estivesse confortável com isso, não estaria olhando para meu teto… como você havia dito? Encardido, não é?

Você, certamente, tem dentro de si inúmeros conflitos sobre seus sentimentos no que se refere à ela.

Quero que você torne a fechar os olhos, conte até 10, pense em seus momentos com ela e descrava o que vê.

 

– ………. Neste momento eu estou deitado de olhos fechados. Mas logo sinto uma carícia no rosto, um pouco acima do contorno da barba. Abro os meus olhos e a vejo, deitada ao meu lado, velando meu sono e me acordando suavemente. Ela prepara nosso café e nos serve à cama. Levantamos, finalmente, e enquanto eu preparo o nosso almoço, conversamos sobre o cotidiano, sobre aleatoriedades. Tomamos banho e partimos para nossos respectivos trabalhos.

 

– E quando você retorna?

 

– Ela não está.

 

– E para onde ela foi?

 

– Lugar algum. Tudo tratou-se apenas de um sonho. Nada era além do que eu idealizava para a minha vida. Era apenas o que eu queria que fosse.

 

– Mas não era. E nem poderia ser, considerando-se que você nunca lutou para tal, correto?

 

– Correto.

 

– Bem, e agora, você está aonde?

 

– Em um bar, na Zona Norte da cidade, vendo um jogo de futebol ruim e tomando uma cerveja.

 

– No mesmo bar do início?

 

– Sim.

 

– Qual o objetivo?

 

– Vou me encontrar com um amigo.

 

– Descreva-me.

 

– Conversamos antes e combinamos de nos encontrar para conversar e beber um pouco.

Ele chega, com certo atraso, e começamos a conversar. Ele falando da vida dele, e eu contando minha saga com a garota dos meus sonhos. Ao perceber que eu não estava conseguindo lidar bem, me deu um cartão.

 

– E então?

 

– Sua campainha tocou.

 

– Entendo.
Bem, seu tempo, por hoje, acabou. Podemos marcar para duas semanas, no mesmo horário?

 

– Podemos sim.

Até lá.

 

– A propósito, qual é o nome dela?

 

– Hum…

Sabe que eu não me recordo?

Lembra quando eu disse que ela vira minha mente ao avesso? Pois bem, não consigo me recordar do nome dela. Mas sempre que penso, a palavra Lorac vem à minha cabeça. Deve ter alguma relação…


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