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Publicado por ricardo santos david

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Ricardo David é graduado em Letras.
Escreve crônicas, poesia e artigos. Tem seus escritos publicados em sites culturais e jornalísticos. Atualmente é docente na educação básica.

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Jan
22
2016

CRÔNICA E SEU ESTILO HUMORISTICO NA OBRA DE LUÍS FERNANDO VERISSÍMO

 

Este artigo é baseado na pesquisa sobre a crônica na obra de Luis Veríssimo, compreendendo as diferenças e semelhanças produzidas, através da linguagem verbal e visual, que trabalham com referências do cotidiano. Adequar-se de um gênero envolve várias questões, onde a função comunicativa é uma das mais importantes. Segundo Bakhtin (2003) a existência de diversos gêneros se dá por existir maneiras diferentes de se comunicar.

Ultimamente observa-se um interesse pelo humor rápido, pelo reconhecimento de si mesmo, pela agilidade na informação. Tendências modernas de ri de si mesma, consistindo o humor no sentimento contrário, gerado pela reflexão, não ocultando ou convertendo em forma de sentimento, mas acompanhando o sentimento. Sendo o humor a reflexão antes ou depois do fato cômico, conservando o contrário, porém eliminando o distanciamento e a superioridade.

O humor faz parte da transmissão de informações, relacionando-o no universo visual gráfico e linguístico, através da crônica, levando a informação através de personagens que representem os indivíduos sociais e que estes reflitam de forma crítica a realidade. (BARTHES, 1990, p. 21).

Através, dessas constatações, destacamos o gênero crônica, nos textos de Luis Fernando Veríssimo. A leitura revela-se muito próximas de seus contextos, permitindo identificar tanto a linguagem quanto assuntos explorados onde as atividades fluem de forma muito positiva.

Esta pesquisa evidencia a leitura devido a sua importância na vida das pessoas, e os elementos que contribuem para a leitura. Assim, a leitura a ser desenvolvida, auxilia-nos em nossa capacidade crítica e de leituras, como em nossa visão crítica de mundo podendo ser ampliada.

A maturidade do leitor é construída através das leituras armazenadas em sua mente e presentes ao iniciar uma nova leitura. Inserindo a importância da leitura da crônica para a formação dos leitores, pois esse gênero é fundamental na formação crítica e competente do leitor.

 

A CRÔNICA

 

Surgida no século XVI, os cronistas escreviam fatos que amedrontavam as pessoas. Já no séc. XVI cronistas começaram a misturar a realidade com o fantástico natural dos medos e superstições das terras exóticas. Evoluindo para artigos periódicos sobre fatos atuais. Tornando-se um dos principais gêneros do rádio e do jornal, televisão e internet. Diferenciando, da história por esta comparar, estudar e interpretar; e a crônica não. (SANT’ANNA 2007, p. 16).

No Brasil teve início, com os folhetins que não passavam de uma sessão informativa, onde eram publicados pequenos contos, artigos, ensaios breves, poemas em prosa, tudo, que informasse aos leitores sobre acontecimentos diários. O cronista utilizava esse espaço para registrar fatos cotidianos. (Sá (1999, p.8)

Essas crônicas era o tom usado justamente para conquistar a empatia do leitor. O folhetim nasceu do jornal, o folhetinista, por consequência do jornalista. Esta relação é que desenha as relevâncias fisionômicas atuais. (BENDER & LAURITO,1993, P. 16)

O folhetinista é a fusão do útil e o fútil, o parto curioso e singular do sério, consociado com o desnecessário. A crônica no Brasil é um gênero híbrido, também chamada bi genérica, podendo ser gênero jornalístico ou literário. (COUTINHO, 1926, p. 121)

Segundo Moisés (2001 p. 247), A crônica oscila, pois, entre a reportagem e a literatura, entre o relato impessoal, frio e descolorido, de um acontecimento comum, e a recriação do cotidiano.

Segundo Sant’Anna (2007, p. 16)

 

A crônica está entre o jornalismo e a literatura, limitando-se com o conto, poesia encontrando nessas margens os elementos que a faz especial e própria, a ponto de escapar à classificação dos manuais de literatura.

 

A crônica publicada em periódicos apresenta fatos comuns dos diários das pessoas, relatando o cotidiano, sendo classificada como um texto jornalístico, pelas semelhanças com um texto informativo. O cronista é suprido por acontecimentos corriqueiros das pessoas e do mundo, existindo elementos característicos, na crônica esses acontecimentos são captados pelo autor, que expõe sua opinião e os publica num tom humorístico, o que não ocorre num texto informativo.

Para Sá (1999, p. 09) na crônica, existe a liberdade do cronista que pode transmitir a superficialidade para desenvolver o seu tema, o que acontece como se fosse por acaso.

A crônica como crítica social surgiu junto com a imprensa periódica no século XIX. Iniciando com pequenos textos de abertura que expunham de maneira geral os acontecimentos diários. Com o tempo ganhou espaço nas colunas dos jornais, e logo adentrou de vez ao Jornalismo e à Literatura. A característica de uma crônica é o objetivo com que ela é escrita tendo o tema focado na realidade social, política ou cultural, abordando sempre uma maneira de perceber a realidade, com humor e até mesmo ironia.

Realidade avaliada pelo autor, que dará sua opinião quase sempre com um tom de protesto ou argumentação. Atualmente essa realidade é captada de forma mais verdadeira pelo cronista, evidenciando ainda mais as fraquezas humanas.

Essa pressa de viver desenvolve no cronista uma sensibilidade especial, para captar com maior intensidade os sinais da vida que deixamos escapar, como afirma Sá. (1999, p. 12). A crônica é marcada por pequenos acontecimentos que fazem parte da nossa condição de homem, segundo o cronista Rubem Braga (apud SÁ, 1999 p. 12).

O HUMOR NAS OBRAS DE VERISSIMO

As obras de Veríssimo são baseadas na realidade comum das pessoas, e sempre apresentando uma condição cômica. Definindo o riso nas obras do autor, com base nas teorias da Antiguidade, como Aristóteles, que define o riso como punição de determinados comportamentos sociais. Os textos de Veríssimo seguem dois caminhos, o uso do riso como forma de reflexão, e o riso como armam para a denúncia de comportamentos sociais.

Veríssimo, assim como Aristóteles e Bérgson (2001), citam o riso como punição de costumes, utiliza esse recurso para criticar uma realidade social.

Nos textos de Veríssimo, percebemos que o riso se dá em diversas situações sociais, adotando como forma de denúncia dos comportamentos humanos, sendo uma manifestação própria e exclusiva do homem. (VERISSIMO, 2008, p. 11).

Para Konzen (2002, p. 96):

 

A comicidade está entre as características constantes em suas narrativas nas mais inusitadas formas. A descontração em falar de qualquer tema, e uma visão sólida sobre os fatos, revela análises inteligentes e precisas da vida cotidiana: a arte de Luís Fernando Veríssimo reside, fundamentalmente, na capacidade de captar cenas, muitas vezes insignificantes à primeira vista, e torná-las visíveis e risíveis, pelo emprego de recursos diversificados.

 

O riso é uma necessidade do ser humano por isso, o humor está presente em textos. A crônica, também utiliza o riso como recurso literário é o que faz Luís Fernando Veríssimo em suas crônicas com uma literatura crítica reflexiva, e bem-humorada.

 

CONCLUSÃO

 

Nas crônicas de Luis Fernando Veríssimo existe toda uma estrutura social demarcada. Seus personagens e temas são comuns, com figuras criadas a partir de estereótipos estabelecidos pela sociedade em que vivemos. Os temas expostos são os mais comuns possíveis, vivenciadas por todo e qualquer mortal em seu cotidiano. Veríssimo inventa seres sociais e escreve suas crônicas para outros capazes de compreender o que existe por trás da metáfora, pois nós, seres sociais, exercemos uma capacidade de identificação com os temas e personagens com que ele nos presenteia.

A maneira como Luis Fernando Veríssimo escreve parece revelar sua competência em abstrair a essência da sociedade em que ele, escritor, está inserido, e transferi-la para o leitor. Seu poder de representação da realidade de maneira ficcional traduz o valor estético de suas obras. Portanto, não restam dúvidas de que podemos enxergar a sociedade refletida nas obras de Luis Fernando Veríssimo, com seus vícios e virtudes, expondo suas mazelas com muito bom humor e ironia.

O que Move a Humanidade nos mostrou que a tecnologia é boa do ponto de vista do avanço humano em relação aos demais animais, por outro lado, assim como foi desenvolvida pela preguiça do homem, ao ponto que a tecnologia avança, cresce também a preguiça.

Na crônica Estamos Prontos, a tecnologia apareceu mascarada, ao mesmo tempo em que é boa para o Brasil, trazendo desenvolvimento, é ruim porque, nesse caso traz prejuízos, do ponto de vista social, humano, destrói a terra, emprega mão-de-obra semiescrava.

A teoria crítica defende a ideia de que a tecnologia deve ser democrática, e no caso dessa crônica, os avanços tecnológicos somente favorecem a um grupo social, prejudicando os demais. A Tirania do Qualquer Um apresentou uma tecnologia instrumentalista, já 38 que é usada como um instrumento que leva benefícios ao homem, mas também, como uma perigosa arma de destruição, porque pode ser usada de maneira incorreta. A tecnologia se mostrou de maneira determinista na crônica Pense na China, já que foi que o avanço tecnológico que levou a China, ao topo do mundo.

Na crônica Os Meios e os Fins, a tecnologia apareceu de maneira cômica, sendo usada como um comparativo a política brasileira. Essa pequena pesquisa explorou o rico conteúdo contido nessas crônicas e a forma que o autor explora as questões sociais e políticas, podendo conduzir o leitor ao despertar da consciência crítica, tanto em relação ao amadorismo de nossos dirigentes políticos, quanto à fragilidade que a democracia fica exposta frente aos processos tecnocráticos, também as mazelas administrativas da política nacional, que Luis Fernando Veríssimo explora de maneira inteligente e crítica em suas crônicas.

Analisando essas crônicas percebemos também que partindo do riso chegasse ao poético, ao sagrado, à angústia, ao êxtase, a tudo o que não pode ser capturado pela estrutura biopolítica do controle. O riso é o que permite falar seriamente do não saber.

REFERÊNCIAS

 

ARISTÓTELES. Arte Retórica e Arte Poética. Tradução e comentários de Antônio Pinto de Carvalho. Rio de Janeiro: Ediouro, 1996.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da Criação Verbal. Trad. Paulo Bezerra. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

BARTHES, R. O óbvio e o obtuso. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990

BENDER, F. LAURITO, L. A Crônica: História, Teoria e Prática. São Paulo: Scipione, 1993

BERGSON, H. O Riso. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

COUTINHO, A. A Literatura no Brasil: Relações e Perspectivas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986.

KONZEN, P. C. Ensaios Sobre a Arte da Palavra. Cascavel: Edunioeste, 2002.

MOISÉS, M. A Criação Literária – Prosa II. São Paulo: Cultrix, 2001

SÁ, J. A Crônica. São Paulo: Ática, 1999

SANT’ANNA, A.R. A Sedução da Palavra. Brasília: Letraviva, 2007

VERISSIMO, L.F. O Mundo é Bárbaro, e o que nós temos a ver com isso. Objetiva. Rio de Janeiro, 2008


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