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Publicado por Filipe de Campos

– que publicou 1 textos no ONE.

Meu nome é Filipe, tenho 17 anos e sou de Palhoça/SC. Sou um jovem escritor que sonha sobreviver da ”arte de transformar palavras em histórias marcantes”. Meu gênero preferido é o da fantasia, sendo mais apegado a uma de suas vertentes: Fantasia Medieval. Além disso, contos e histórias curtas me fascinam mais do que leituras extensas e intermináveis.

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Feb
13
2016

A EXPEDIÇÃO

…A EXPEDIÇÃO

 

Bem vindo, viajante! Meu nome é Ullie, e eu sou um velho bardo contador de histórias.

Vejo que algumas moedas desejam escorregar de seus dedos cansados; podemos facilitar as coisas para que isso se concretize. Posso lhe contar a respeito de um tempo muito muito antigo, no qual os deuses ainda eram respeitados, e os homens vestiam grandes e exuberantes capas bordadas com brasões de reinos distantes.

A escolha é sua…

Basta deixar um pouco de prata sobre a mesa, sentar-se, e aproveitar seu hidromel.

 

Agora que colocaste as moedas sobre a mesa…, terei de cumprir com a minha promessa…

As brasas da fogueira ainda ardiam quando o alvorecer chegou em meio as montanhas à leste. O aroma intocável da relva molhada era revigorante; a brisa restante da noite fria que passara, fugia lentamente por sob as folhas dos pinheiros que erguiam-se estrondosos e exuberantes ao olhar de quem os pudesse contemplar.

No instante em que no horizonte nasceu ofuscada a silhueta de uma águia, a tropa de batedores arrumou-se para a caminhada matinal.
A primeira manhã sobre as terras do arquipélago, tinha de ser proveitosa em seu todo. O quão antes fosse iniciada a exploração, mais rapidamente os expedicionários teriam em mãos as informações necessárias para dar continuidade a sua jornada.
Conhecer as possíveis ameaças, ou até, os benefícios em potencial a serem adquiridos, era primordial para a durabilidade da expedição e a vitalidade de seus integrantes. Assim, os expedicionários estariam sempre um passo a frente, podendo prever melhor os perigos futuros e resguardando-se deles adequadamente.

A tarefa árdua de levantar-se logo cedo pela manhã, ficava sob a responsabilidade dos batedores. O grupo composto por homens e mulheres afortunados na arte da espionagem, exercia a função da exploração inicial, a qual consistia em distanciar-se do grupo e explorar o trajeto futuramente percorrido. Os gatunos mais hábeis compunham os exploradores, quase sempre em trios ou quartetos; em pequeno número, visando a organização e a eficiência.
O líder dos batedores era Bahamud, um jovem rapaz de corpo franzino, astuto e misterioso. “Gatuno Mestre” era como lhe chamavam (nome de batismo dado aquele que por ventura viesse a se tornar o líder dos batedores). E, apesar de sua idade fugir a regra de que todo o líder deve mostrar a experiência e competência através de uma feição desgastada e pouco agradável, não haveria naquele acampamento e, nem mesmo, em qualquer outra localidade, alguém que ousasse questionar “Bahamud, O Invisível”, espião mais famoso do reino. – Quem sabe um ou outro o questionaria. Porém, acredite viajante, pelo menos não naquele acampamento.

Bahamud estava sentado no alto de uma campina, atrás de um tronco morto e coberto por fungos. O cotovelo apoiado ao joelho, dava a firmeza necessária aos movimentos repetitivos que o Gatuno Mestre produzia, amolando pacientemente sua adaga. A lâmina delgada e brilhosa, carregava um fio delicado propício para movimentos rápidos e eficazes, efetuados de forma silenciosa. – Punhais como este, constituíam uma parte vital da vida de um batedor.

Sob a sombra de um rochedo caminhavam cautelosamente três figuras diferentes. À frente do pequeno grupo, vinha um soldado de estatura baixa e de curvas femininas; seu rosto estava parcialmente coberto por uma mascara negra feita de pano, no entanto, era possível ver os fios ruivos de seus cabelos escorrerem levemente sobre o sobretudo de couro que descia até os calcanhares. Logo atrás, escondido sob uma túnica de cor preta, um homem de corpo delgado e expressão fechada seguia os passos da mulher. Por fim, na retaguarda, um soldado parrudo e pouco amigável encerrava o trio, respirando rigidamente o ar sereno que esvoaçava as gramíneas calmamente.

Bahamud permanecia vidrado diante da lâmina, que agora, já mostrava-se afiada por completo, ainda que o Gatuno Mestre continuasse insistindo no mesmo movimento. Passos eram captados por seus ouvidos conforme sua mão repetia o deslize suave sobre o punhal; a aproximação sorrateira, como a de um pedrador que esgueira-se próximo a sua presa, de nada funcionava contra do Invisível. – Um mágico não pode ser surpreendido por seus truques.
Um suspiro se fez no momento em que uma mulher de cabelos alaranjados surgiu. Em seguida, dois homens igualmente trajados ganharam cor.

– O alvorecer foi há muito, vocês estão atrasados. – O silêncio foi quebrado por Bahamud. As palavras foram proferidas calmamente, em um tom único, que só alguém como O Invisível teria a capacidade de fazer.

– Uma falha característica de uma trupi de novatos, temos noção disso. – Quem se deu ao trabalho de responder foi Lara, a ruiva, reconhecendo a falha cometida pelo trio. – Peço o seu consentimento. – Seus lábios finos se fecharam após o pedido, delineando a volta de um rosto livre de qualquer traço de alegria.

– O clima da ilha é o culpado pela nossa demora. Nossos corpos não se adaptaram a tempo. – Dessa vez, quem tomou a palavra foi Ozak, o mais alto entre os três. Seu dizer era minucioso em cada letra que usava, sempre buscando uma resposta concreta para os acontecimentos. Inclusive, ser coerente naquilo que expressava era uma de suas virtudes.

Bahamud fez um movimento rápido, deslizando a mão sobre o cabo do punhal e acabando por guarda-lo na manga esquerda de sua cota de couro negro. Seus olhos passaram sobre o tronco e, em seguida, analisaram a figura dos três que ali estavam. O quarteto ficou em silêncio, até outra vez alguém tomar a fala:

– Devíamos partir, já perdemos tempo o suficiente. – Induziu Hian, um homem forte e pouco amigável. – É bom alcançarmos um ponto longínquo ainda cedo. Ou, pelo menos, no curto período que nos restou. – Ele falava com a firmeza de um rei. – Todos sabemos que logo mais o capitão estará no aguardo… – O brutamontes arrumou os braços do sobretudo, deixando à mostra por um momento a lâmina que ocultava. – Temos que estar preparados, essa paz toda que vivenciamos desde nossa chegada… não me cheira bem.

O Gatuno Meste escutou seriamente, ainda que nada tivesse ouvido.

Hian está correto – suspirou a mulher -, a experiência está sussurrando, isso não condiz com a realidade de uma missão como esta.
Um interminável minuto de quietude se sucedeu, sendo apaziguado somente, diante de um sorriso.
Bahamud mostrou os dentes expressando uma alegria sarcástica. Como se saísse de um transe, O Invisível levantou e ajeitou a pequena balestra que envolvia seu outro pulso; dirigiu a ruiva um olhar de canto em seguida, envolvendo todo seu mistério sobre a face da mulher.
Lara ensaiou um rizo discreto ao passo que o Gatuno Mestre aproximou-se. Bahamud calmamente deslizou sua mão sobre o seu rosto, fitando os olhos azuis que davam cor a sua pele pálida. Quando o afago encerrou-se, o horizonte ganhou a atenção daquele que ninguém ousava desrespeitar; e Lara, voltou a ficar séria.

– Que manhã bonita… – Disse o Invisível, conforme descia a campina calmamente.

Os três se entre-olharam. E nada disseram. – Na verdade, todos eles já sabiam o que tinha de ser feito…

O calor tornava-se cada vez mais incômodo conforme a manhã avançava. O pequeno bosque que abrigara o acampamento dos expedicionários na noite anterior, guardava agora, os últimos resquícios da passagem humana por sob sua proteção. As cinzas da fogueira já apagada, liberavam o ultimo sopro de fuligem aos ventos conforme no horizonte a luz do Sol era refletida de forma ordenada em superfícies metálicas.
Caminhando em uma marcha discreta, os soldados seguiam os passos do comandante que liderava imponente a vanguarda. As armaduras pesadas dos subalternos, arquitetavam um brilho de beleza exuberante e atípica, provenientes dos ornamentos de ouro e prata que se entrelaçavam artisticamente, realçando o brasão que estampava o peitoral direito das cotas. Formado por um escudo e uma cabeça de leão, marcas de um reino poderoso e distante, o símbolo talhado mostrava-se mais belo sobre o torso do capitão, que levava em sua pose uma malha simples e extremamente leve.
Não se ouvia murmúrios e nem som de passos, somente o cantar ansioso do silêncio. A técnica da marcha fantasma era um dos principais trunfos dos expedicionários. – Usada em ocasiões de exploração e guerra, tinha a função de manter a tropa sempre em posse do elemento surpresa, buscando antecipar um possível perigo futuro. – Como a ilha permanecera inexplorada até sua chegada, os expedicionários sabiam da importância de usufruir dessa técnica.
A frente dos soldados, e guiando-os através do cânion, caminhava solitário o comandante. Solon, espadachin renomado e guarda real, tinha em mãos a liderança da expedição. Era um guerreiro conhecido por seus feitos e igualmente respeitado. – Naquela manhã, na ocasião em que se encontrava, nada além de um posição séria e um rosto impiedoso lhe faziam presentes.

A apreensão corria fria pela pele dos expedicionários. A imprevisibilidade daquela terra tão distante inquietava os sentidos e atiçava a atenção de todos. – Tensão, a palavra que resume o estado de espírito carregado por aqueles homens na ocasião em questão. Ali não existiam heróis e recrutas, nomes renomados e desconhecidos, haviam homens, iguais e detentores de um mesmo sentimento; ali, todos eram apenas homens.

Sólon inalou o ar de peito cheio, de forma que algum receio pudesse ser contido; ao mesmo tempo, em meio ao mar de nuvens brancas, uma águia soltou seu grito gracioso.

O verde morria a cada passo dado no pequeno vale. Muito já havia sido andado no momento em que a sensação térmica começou a subir consideravelmente. O calor desgastante castigava os soldados, fazendo-os quase fritar dentro do metal prateado de suas armaduras. O sinal de que tinham alcançado uma região árida se concretizou logo na sequência, ao fim do canion, quando a água que corria por um pequeno córrego próximo aos expedicionários, e as poucas gramíneas que permaneciam vivas, foram engolidas por um mar de areia.

Solon parou próximo a um morro de terra vermelha que delimitava o começo do deserto. Sem demora, seus subalternos seguiram o exemplo, parando a poucos metros, colocando fim a marcha fantasma.

– Bahamud já deveria ter retornado.- Falou o capitão, com o braço protegendo-lhe os olhos dos raios solares. Ele fitava o horizonte, preocupado.

Após ouvir o murmurio do capitão, Joha, um antigo membro da guarda real, aproximou-se . O subordinado, marcado pela idade avançada para um cavaleiro, era o conselheiro de Solon, ajudando-o em todas as decisões através de seu conhecimento e sabedoria adquiridos em todos os seus anos vividos em meio as batalhas.

– Talvez essa mudança repentina que presenciamos nesse momento, surtiu algum efeito negativo na missão dos batedores, atrasando-os. Sabe-se lá o que podemos encontrar alguns passos além. – Falou, repetindo o gesto de seu superior.

– Você tem razão… – respirou fundo -, é a primeira vez que vejo essa situação, e creio que você também… – disse, olhando para o conselheiro, o qual concordou com a cabeça. – Essa alternância climática sem explicação lógica me deixa intrigado, o atraso do Gatuno e a sua trupi pode ser um reflexo disso, mesmo assim, ele deveria ter achado um meio de chegar a tempo. – Mostrou-se impaciente.

A partir do momento em que um reino instaurava a ideia de uma expedição para terras distantes, normalmente um congresso acabava por ser criado no ato, e esse tinha a função de organizar de forma infalível as peças de um grande quebra-cabeças. Em outras palavras, os líderes daquele povo exerciam a função crucial de discutir a melhor maneira de preparar a missão expedicionária para o sucesso, visando o recrutamento daqueles mais capacitados para ocupar as posições dentro do grupo. Bahamud, O invísivel, incontestavelmente era um desses. – Digo mais, ele teria lugar em qualquer grupo expedicionário que fosse criado, não importando o reino. – No entanto, sua falha em atrasar o retorno até Sólon, trazendo as informações e o mapeamento da região, poderia colocar fim ao sucesso almejado por todos.

– Sabe-se lá o que ocorreu – ajeitou a bainha -, existem coisas que homem nenhum gostaria de descobrir. Espero que o Invisível não tenha tamanha falta de sorte… – O conselheiro prendeu a atenção no capitão, aguardando um comando.

– Não é com o bem-estar de Bahamud que estou preocupado – pegou um punhado de areia com uma das mãos -, nem se a sorte é sua amiga ou não. A responsabilidade de tornar essa missão um sucesso foi delegada à mim, e é com isso que me importo. – Levantou-se calmamente. – “Ele é uma parte fundamental da ponte que nos levará ao triunfo.” – Sussurrou para si. – Sabe de uma coisa? – Indagou retoricamente. – Há quem diga que toda a peça de um quebra-cabeças é essencial e não pode ser substituída . – Sólon abria o punho devagar, deixando o pó amarelado escorrer. – Já eu, afirmo que algumas delas podem ser descartadas.

– O invisível sempre fora vital em nossas expedições até aqui. – Joha observava os ultimo grãos de areia caírem. – Como você mesmo falou, esse clima não é compatível com o que conhecemos, e creio eu que de alguma forma ele tenha atrapalhado os batedores. Talvez essa não seja a manhã de sorte deles, e nem a nossa. – O cavaleiro ancião tentava apaziguar Sólon, buscando uma explicação cabível para o incidente.

– Atrasos são consequências da falta de competência, não de sorte. – A voz saiu impaciente o bastante para Joha entender o recado. – Tomei minha decisão.

– Ainda assim, não seria melhor considerar alguns minutos de espera? – Falou em uma última tentativa.

– Iremos continuar, com ou sem Bahamud. – O capitão foi claro em seu dizer. – Esta é a missão mais importante de toda a história de nosso reino – bateu as palmas das mãos, limpando-as – e esse ladrão incompetente já fez o suficiente para embrulhar-me o estômago.

O cavaleiro de cabelos e barbas brancas inclinou a cabeça levemente em uma reverência, em seguida, voltou-se aos soldados.

– Dê o comando para a formação. – Ordenou Sólon, convicto da decisão.

O conselheiro ficou reto, com as pernas juntas e os braços alinhados a cintura; a tropa repetiu o comando, fazendo a mesma postura. Bastou Joha dar dois toques com a manopla da mão direita sobre o peito, para que aqueles poucos, mais renomados que os demais, formassem a linha de frente outra vez.

Sólon sabia o quão ariscado seria a jornada a partir daquele ponto. Naquela situação, deixar a importância de Bahamud e seus batedores de lado, acabaria por dar a jornada um divisor de águas. Mas, perspicaz ou não, até o mais novato entre os soldados tinha noção de que quando algo assim acontecia, na maior parte das vezes, o futuro não sorria para os homens. Entretanto, o capitão deveria ter o pulso firme e tomar as decisões.

  Sólon não precisava de um sorriso, e sim, do triunfo. E ele iria alcança-lo, com ou sem a ajuda de quem quer que fosse.

– Deveríamos ter retornado há muito… – Salientou Ozak, em um cochicho. – Ele sabe disso, e isso me deixa furioso. – A língua afiada do gatuno fazia jus a seu corpo esguio. Às vezes sua feição equiparava-se a de uma serpente.

  (Suspiro ameno, como o de uma moça)

  – Você quer que eu o chame para ele ouvir sua observação? – Perguntou Lara, sarcástica. Os dois caminhavam juntos, separados de Bahamud e Hian, o brutamontes, os quais constituíam a linha de frente. – Todos nós sabemos que a essa hora tínhamos de encontrar Sólon… O Invisível quem o diga… Aposto que isso não lhe saí da mente. – Bebeu um pouco de água do cantil. – Ganhaste a alcunha de inteligente, e eu o admiro por isso, mas existem momentos em que tenho minhas dúvidas a respeito. – Olhou para Ozak. O batedor mostrava uma leve irritação. – Nem o mais tolo ousaria desafiar o Gatuno Mestre. – A ruiva piscou, soltando um sorriso. – Fica a dica.

Não era raro ver alguém invejar Bahamud, tanto por seu talento, quanto por sua posição de líder. Entretanto, apesar de Ozak mostrar-se incomodado com seu superior, isso não relacionava-se a inveja. Era na verdade um reflexo, uma consequência por saber que tais atitudes eram errôneas e que poderiam prejudica-los.

Ambos ficaram em silêncio, apertando o passo após se depararem com o que lhes aguardava.

– Lindo, não é? – Questionou Bahamud, abrindo os braços em frente a um lago formado por uma cascata. O invisível armou um sorriso um tanto esquisito, diante do grupo que vinha logo atrás. – Eu mereço um banho nessas águas, não acham? – A pergunta não era para ser respondida, e foi por isso que Hian, Lara e Ozak, nada disseram.

Fazia pouco tempo desde que os batedores atravessaram um deserto, e agora, encontravam-se em uma outra região, com clima e vegetação opostas a aridez e a pacacidade do mar de areia. Existia uma pequena floresta na região – se assim pode ser classificada -, composta por arbustos e pequenas arvores frutíferas, cercada por um vasto espaço de terra plana coberta por gramíneas. Delimitando o fim do mar de grama, erguia-se um imenso paredão de pedras, o qual se estendia além do horizonte em ambas as direções, tendo em torno de trinta metros de altura. Do colosso de rochas corria uma grande cachoeira de águas cristalinas, dando vida a um belíssimo lago.

– É…, acho que Solon ficará furioso. – Cochichou a ruiva para si, tirando de suas vestes algumas lâminas e artefatos propícios para o trabalho de um batedor.

Bahamud estava despido, usando apenas um pano que cobria-lhe as partes intimas. O Gatuno Mestre boiava sobre as águas cristalinas, com os olhos fechados e o corpo esticado, livre de qualquer preocupação. As margens do lago, Ozak descansava entediado, tendo em mente de que o tempo perdido ali, era uma afronta as ordens do capitão.

– Ei, Lara… Até você? – Questionou o homem esguio, levemente surpreso. A voz dava a entender de que a surpresa não era nada se comparada a indignação.

– O que você acha? – Perguntou a mulher, fazendo cara de deboche.

– Compreendi, Lara. Não basta aceitar tudo quieta, você ainda colabora com a insanidade dele… – A ruiva abriu os braços, olhando-o com uma expressão engraçada, adentrando o lago sem pressa.

Ao fundo, longe de todos, a figura de um brutamontes vagava cautelosa próxima a cascata imensa. Hian não costumava falar muito e, por este motivo, consequentemente também não ficava muito tempo perto das pessoas. – Só estava próximo de alguém quando obrigado. – A caminhada que fazia, ou melhor, a inspeção, constituía uma parte de seu espírito de gatuno, sempre à procura de qualquer informação relevante. Apesar do local ocupado pelo quarteto não apresentar riscos, qualquer um que se disponibilizasse a conduzir uma análise mais à fundo, provavelmente diria que esse pensamento estava errado. – Lugares onde a água e o alimento são abundantes, sempre atraem a presença de diferentes seres. E, caso naquela terra distante houvesse algum ser desconhecido pelo homem, era quase certo de que ali seria um lugar em potencial para encontra-lo. Hian apoiou a mão sobre uma rocha e armou-se em um pulo, adentrando uma pequena área antes inacessível. Seus passos tornavam-se mais cuidadosos conforme se aproximava da encosta. As pedras ali, mais escorregadias que as demais, eram banhadas constantemente pelo vapor da cascata, ocasionando a formação de um limo escorregadiço que apresentava riscos aqueles que fossem descuidados.

Ozak, distraído demais em sua reflexão a respeito das consequências que teriam de ser suportadas pelo grupo quando a hora chegasse, e indiganado o suficiente para não se refrescar nas águas cristalinas, apertou o olhar, intrigado, ao perceber o sumiço do companheiro de missão, que naquele instante já atuava encoberto pelas rochas da cachoeira. – O ponto aqui, é que Ozak não tinha preocupação pelo bem-estar de Hian. – O homem alto e de feição pálida, parou a atividade de jogar pedras na água momentaneamente, procurando alguma silhueta que não fosse a de Lara e Bahamud. Entretanto, encontrou somente duas figuras boiando desfalecidas.

O som era ensurdecedor nas proximidades da queda d’água. O gatuno brigava para prender a atenção em seus movimentos, seus sentidos confundiam-se diante do barulho incessante da cascata, dificultando a continuidade da exploração. Ao passar dos minutos – Alguns poucos -, conforme o paredão de rochas ficava ainda mais assustador, Hian vislumbrou uma imagem que deixou-lhe perplexo, fazendo-o ficar estático por um período breve. Após tomar folego novamente, analisou cauteloso o que se construía diante de seus olhos, podendo mensurar o tamanho da beleza que envolvia aquele local. Sem dar oportunidade para uma outra surpresa, desceu por entre as últimas pedras que constituíam o mar de rocha e parou em frente a entrada de uma caverna gigantesca, encoberta pela água que jorrava. – Hian sabia o risco que corria caso adentrasse a gruta, ninguém o ouviria dali, mesmo se gritasse por socorro. O barulho era ainda mais ensurdecedor do que antes. – Seu corpo robusto parou de receber o toque da água gelada quando seus pés seguiram em direção ao breu.

Guerreiro ou não, ninguém que se preze gostaria de caminhar por um deserto trajado com armadura pesada. O calor, a aridez e a pouca água restante, faziam na cabeça daqueles pobres soldados uma dança da morte. A areia parecia não ter fim, nem sequer haviam boas expectativas na cabeça daqueles que carregavam no peito um brasão imponente.
Entretanto, há os sabichões, que dizem qualquer coisa para mostrar aos outros que possuem conhecimento. E são esses também, os quais pregam a ideia da reviravolta inesperada, afirmando que a vida nos surpreende quando menos esperamos. E eu e você podemos ignora-los quase sempre, sem remorso disso. Mas, afirmo, as vezes a razão os abraça, dando-lhes mérito ao menos por um momento.

Sólon marchava condizente com sua postura de capitão forte e inabalável. Sua armadura refletia a luz graciosa do astro de fogo, dando aos que o seguiam, a visão de que um ser dourado e ardente os conduzia.
A vanguarda alinhava-se sob o comando de Joha. O conselheiro mostrava-se cansado, cobrado pela idade por tanto esforço exercido naquela caminhada infindável. Sua face ressecada, marcada pelos traços da velhice e as feridas ganhas na mocidade, escondiam bem, ainda que de forma custosa, as dores e a fadiga de seus músculos e ossos.
Após passar a viagem inteira sem dirigir-se a Sólon, o veterano aproximou-se.
– Falta pouco. Sinto o cheiro. – Quem falou foi o capitão, escutando a aproximação do conselheiro.
– Sim, e foi por este motivo que me submeti a estar ao seu lado novamente. – A voz firme fraquejava. -Espero que encontremos um local oportuno, os soldados se arrastam a cada passada. – Respirou, ofegante. – Eles estão a ponto de derreter dentro desses trajes.
– Nunca antes tivemos de passar por situação semelhante. – Virou-se para a tropa, e Joha parou. – Por bem ou por mal, eles tem de resistir… – Enxugou o suor das vistas – A culpa não é da armadura que vestem, ela é minha. – A vanguarda parou, restando ao longe duas fileiras de guerreiros, os quais marchavam lentamente na direção de Sólon.   – Sou eu o responsável pelo sofrimento de todos. – Cerrou os punhos. – Não nos restam mais opções a não ser continuar.
– A culpa não é sua, capitão. – tentou explicar. – Um soldado sabe que tem de obedecer ordens, mas ninguém o obriga a empunhar uma espada. É ele que escolhe a vida de soldado. – O líder escutou, soltando um deboche em seguida.
– A culpa é minha. Fui eu que depositei a missão nas costas de uma trupe de incompetentes. – Esbravejou. – Se tivéssemos o mapeamento da região em mãos, eu teria tomado uma decisão mais oportuna do que esta. Em todo caso, fiz minha escolha, e não me arrependo de tê-la feito. – Em um giro, Sólon tornou a olhar para o mar de areia a sua frente, fazendo com que a capa que guardava suas costas esvoaçasse com a força do movimento.

Antes que a tropa que vinha ao longe pudesse se aproximar, ou o conselheiro tivesse tempo para reagir perante o ato do capitão, algo silenciou a todos.
– O que foi isso? – bradou Joha, assustado.
Um som estrondoso ecoou, levando o medo a face de todos. O barulho amedrontador vinha de longe, trazido pelos ventos secos do deserto até ali. E, quando o ruído continuou a ressoar, aqueles guerreiros trajados com armaduras de metal agradeceram por estarem num deserto.
– Seja lá o que for isto, ou o que o fez, só sei que vem da mesma direção do odor que senti a pouco. – Disse Sólon, mas receoso do que bravo.

Os minutos correram rapidamente sob a apreensão dos expedicionários, que assustados, ignoravam o calor incessante. A cada novo estrondo um sentimento distinto surgia nas mentes e nos corações daqueles soldados.
– E então? – Questionou o veterano, perplexo, ao passo que a última linha de soldados expedicionários parava sua marcha. –
– E então… E então que isso significa duas coisas… Primeiro: falta pouco para chegarmos a outra ponta deste inferno. Segundo: Agora estamos cientes de que o deserto não é a pior coisa que essas terras tem a nos oferecer. – Suspirou – Mas desejo que não tenhamos de enfrentar nada pior do que o calor.
– Dê-me o comando e eu acatarei! – Afirmou com convicção, engolindo o medo junto à saliva.
O capitão encarou seu exército, pondo a mão direita sobre o brasão que descansava junto ao peito.
– Soldados, escutem à mim! Fomos fortes até aqui, e não será agora que iremos fraquejar! Se estão comigo…         Marchem! – A tropa de forasteiros ouviu seu líder. E todos eles, sem pensarem em outro meio, puseram a mão sobre o brasão que tanto respeitavam. – Talvez por coragem, ou quem sabe, por apenas desejarem fugir daquele lugar infernal.

  E o barulho tenebroso virou canto de guerra aos seus ouvidos…

Houve crepúsculo. Surgiu o desespero como resposta.
Lara assustou-se, afundando nas águas cristalinas do lago. O medo a consumiu a ponto de fazê-la perder a capacidade de nadar por um período breve. O som era ensurdecedor mesmo debaixo da água, e isso aumentava seu pânico, pois sabia que algo estava errado; e não demorou a querer estar errada a respeito de sua conclusão.
A ruiva ascendeu a superfície a tempo de assistir algo que fugia-lhe a compreensão. – Pensou estar enclausurada em um daqueles sonhos que assemelham-se ao real. Lamentou estar errada porém. – Um rocha enorme, tão grande quanto um exército de mil homens, atravessou o céu azul daquele paraíso perdido, ofuscando o brilho do Sol e fazendo-o invisível. – Aderiu a idéia de estar delirando; mas viu que sua sanidade poderia ser sugada por completo. Não era loucura. Era real.

Gatunos ou batedores – ou como queira chama-los – são especialistas na arte da espionagem, treinados para missões que exijam o máximo da capacidade humana. É costumeiro um reino possuir escolas de batedores e espiões, visto que essas figuras são importantíssimas em diversas questões que envolvem sua longevidade. Quando um rei quer informações sobre a vida política de um reino vizinho, por exemplo, é delegado ao gatuno o dever se obtê-las.
Como bardo contador de histórias, caro viajante, digo-lhe: Um gatuno é impecável naquilo que faz. No entanto, quando está defronte com o perigo, onde não há sombras nas quais possa se ocultar, um gatuno torna-se inútil, pois é apenas um assassino observador e sorrateiro, não um guerreiro trajado e preparado para o campo de batalha.

– Bahamud! – Gritou, tendo o seu berro abafado por um urro, tão forte e amedrontador quanto o ódio de um trovão. Sem que pudesse ter a dádiva de conciliar o que lhe fizera tremer o copo inteiro, ficou sob a escuridão novamente.
Uma nova rocha cortou as nuvens, passando as águas e caindo sobre a borda do lago. Lara a observou, paralisada pelo pânico; forçou os olhos involuntariamente e seu coração quis escapar pela boca. Horrorizada e incapaz de qualquer ato, a gatuna clamou pelo socorro em sua alma. Não viu a esperança porém. Apenas uma visão lhe foi concebida… A da morte de Ozak. – Esmagado pela pedra gigante enquanto tentava uma corrida por misericórdia.
Sentiu-se pequena. Temeu perder a vida e toda a reputação que ganhara, perecendo miseravelmente em uma ilha desconhecida. Relembrou as palavras do falecido, e se tivesse uma única chance, voltaria no passado e nunca entraria naquele lago, nem zombaria daquele que levava a alcunha de inteligente. O sarcasmo de suas palavras para com aquele lhe alertara, voltava a sua garganta em uma dança repugnante e impiedosa.
Por paixão, ou por medo, não relutou em nenhum momento diante das decisões daquele que era o maior dos gatunos. E arrependia-se amargamente, pois preferia enfrentar cem vezes a fúria de um homem, a ver-se como um grão inútil de areia diante de uma situação como aquela.
O desespero mais puro a dominava. A paz do canto sublime que ecoava pela cascata esvaiu-se como o vôo de uma flecha. A ruiva, experiente e reconhecida, peça importante do grupo de batedores mais famoso do reino, cometeu por sua incompetência o erro que lhe custaria tudo. Permitiu, seguindo a alguém ao invés de si mesma, que o destino que espreita o ignorantes a emboscasse. Achou-se no direito, mesmo que em uma terra distante, de baixar a guarda e desobedecer ordens. Creu naquele que admirava, achando-o intangível, cega o bastante para depositar seu destino em suas mãos. Nas mãos de um homem qualquer.
Uma falha
A falha de um novato

Lara voltou a si, revivida por um suspiro ofegante de sua sanidade, que segurava-se oprimida em sua mente decrépita. E outro urro a fez tremer. Virou-se então, para ver o que o acaso lhe reservava.

A cascata, antes serena, derramava suas águas como os tambores de guerra que ressoam a marcha para a morte. Nada mais trazia paz. O céu azul ficara cinza; as nuvens negras lamentavam em um choro conjunto.
A ruiva sentiu a água subir a sua volta. O temor a deixara imóvel, e nenhum sinal de mudança surgia. Lara prendeu a atenção na queda-d’água, donde o terceiro urro ganhou os ares como um tufão; e junto a berro também um objeto ascedeu aos céus, cortando as águas da cascata em um velocidade surpreendente. A garota vislumbrou o objeto sumir, perdendo-se na mesma direção do pedregulho que matara Ozak. Mexendo o pescoço bruscamente, fitou o rochedo outra vez, mais aterrorizada que outrora.

  Hian estava morto.

Uma sombra começou a crescer na proteção da cascata; Uma silhueta negra de forma estranha, com seus traços deformados pela ação da água. O tamanho porém, era em seu todo compreensível. – Não por expressar algo significativo, mas por ser grande o bastante para sugerir muito.

  Lara afundou.
  Ozak estava certo.

Aturdido, engoliu seco. Suas mãos quiseram ceder ao nervosismo palpitante que envolvia seu peito; a espada e o escudo pareciam pesar toneladas, escorregando involuntariamente pelos dedos suados e imóveis.
– O que diabos é isso? – Balbuciou o velho conselheiro, tremendo os lábios em um sussurro profundo. Seu corpo decrépito e castigado fraquejava sem esperanças, como sinal ao esforço exercido no deserto.
– Que eu esteja tendo alucinações. – Rogou o capitão à sua própria compreensão, espantado e sem fôlego. – Como eu queria estar errado. – Falou, vislumbrando a escuridão que se formava entre as tantas nuvens acinzentadas.
Uma gota de chuva caiu solitária sobre a face de Sólon, fria como a lâmina de um punhal; escorreu por uma das bochechas do guerreiro, formando um rastro como o de uma lágrima perdida. O céu chorava, ardiloso, como um pai que vê a angústia de um filho e lamenta junto a ele o seu sofrimento. E cada vez mais choroso ele ficava.     Desesperadas, as nuvens esgueiravam-se umas nas outras, lutando em prantos que refletiam o terror ofegante daqueles homens.

Sólon segurou firme ambas as espadas, seus pés cambaleavam sobre a grama verde. A vanguarda e o restante dos soldados tremiam horrorizados, vislumbrando atônitos a cena fantástica e aterrorizante.

Um urro estremeceu o chão. O berro grave e rouco rompeu o vapor branco da cascata, viajando entre a brisa fria da chuva que caía em meio a escuridão do céu. O medo então virou pânico. Nem Sólon, ou Joha, ou qualquer um daqueles, nenhum deles tivera a chance no passado de presenciar algo como aquilo. Seus corpos e mentes lutavam pela sanidade que escapava lentamente junto as gotas geladas; estavam diante de algo assustador, ao qual nunca se prepararam, nunca sequer imaginaram que poderia ser real. Temiam que a missão à ilha guardasse perigos que nem o maior grupo de expedicionários pudesse enfrentar. Só não imaginavam que estariam vivos para presenciar a irrealidade ganhar forma sob os seus olhares. Todos partilhavam de um pensamento mútuo: O deserto não era um mal lugar para se estar.

Sólon não podia fraquejar. Sabia que não fora treinado para tal situação e, possivelmente, nunca estaria preparado, nem se cem vidas lhe fossem concedidas. No entanto, mesmo o medo roendo-lhe a alma, o corpo e o orgulho não o deixariam desistir. Era o capitão; o espelho para os seus guerreiros; a encarnação da bravura. Se seus pés cambaleassem uma vez mais, e um mínimo sinal de fraquejo fosse exposto, tudo estaria acabado. O choro faria couro junto aos trovões, e o terror completo faria os expedicionários correram em soluços ofegantes clamando por suas vidas.
Um passo a frente. Um estalo estranho e um novo amargor no coração. Sólon fitou o pé direito. -Pisara em um braço recém amputado. – O capitão forçou os dentes, observou em volta e não tardou a ver à frente um pedregulho enorme. Perplexo, compreendeu o fato. E ainda que não o tivesse compreendido, próximo a rocha jazia um corpo em pedaços, com o torso coberto por um resquício do que um dia fora uma túnica, a vestimenta típica de um gatuno vindo de um reino distante.

O chão estremeceu. Um sopro quente emanou pulsante da cascata que formava-se ao longe e correu, beijando a pele daquela centena armada com espadas e escudos, como se o próprio vapor da queda-d’água fugisse em desespero. Um estalo estridente foi ouvido na sequência, perdendo-se confuso em meio a barulho imponente de um raio.
– Pelo amor do criador, o que diabos é isso? – gaguejou o conselheiro para Sólon.
O capitão o fitou com espanto, com a face pálida coberta por olheiras negras e profundas. Não queria demonstrar medo algum, mas nem sequer possuía o poder de comandar a si mesmo.
Não houve tempo de uma resposta. E mesmo que o tempo necessário fosse concedido, era certo de que nada seria dito.
Por um instante a respiração de Sólon cessou. Quando inspirou novamente, um pedregulho enorme caía impiedoso sobre seus subordinados. A relva verde pintou-se em tons vermelhos, e os ouvidos do capitão ensurdeceram com os gritos tenebrosos dos vitimados. Seu exército estava morto. Restara alguns apenas, os quais acovardados, fugiram em direção ao deserto.

Sólon sempre fora hábil para lidar com situações de morte e perigo. Contudo, era a primeira vez que isso vinha a seu encontro de forma imensurável e, até então, irreal. Aquilo fugia-lhe a compreensão, sentia-se impotente e minúsculo.

Como alguém que reage ao desespero involuntariamente, Sólon correu num impulso, largando a sanidade. Logo atrás observava Joha, atônito e imóvel. O capitão largou o escudo e segurou firme a espada, alcançado a margem do lago e partindo em direção ao mar de pedra. Um novo berro o fez estremecer, ainda assim, louco e tomado pela raiva, continuou.

No céu, a chuva caía cada vez mais forte. O conselheiro permanecia sem reação, fitando a desgraça de seus soldados e a loucura de seu capitão. Amedrontado, pensou em tudo o que vivera e como somente aquela situação o acovardava. Enfrentara mil homens, mas nunca imaginou que estaria frente a frente com aquilo. A última missão de sua vida estava acabada. Sua mente gritava dentro de seu crânio.
Um trovão rugiu. Joha correu, fugindo da morte iminente.

No enorme paredão de rochas negras uma silhueta quase imperceptível espreitava. Observando astutamente a cena horrenda e surreal, a forma enegrecida permanecia imóvel – Talvez pela surpresa de presenciar um ser como aquele proporcionar um espetáculo sangrento, ou quem sabe, por não se permitir perder um minuto sequer do show de horrores.
Viu então, o último guerreiro sucumbir, esmagado em uma tentativa inútil de revidar o ataque do assassino que matara seus semelhantes.

Por um momento mais vislumbrou…, e aguardou o suficiente para que seus olhos fossem saciados perante a visão recompensadora da criatura fantástica. Logo depois…, desapareceu.

Como se fosse invisível…

  A expedição…

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A EXPEDIÇÃO: www.wattpad.com/story/54452670Capa ''A EXPEDIÇÃO''

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