O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Prompt de Escritor

Prompt de Escritor

Textos e idéias para sua criatividade.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Fórum

Fórum

Ta bom, isso não é bem um fórum. :P

Projeto Conto em Conjunto

Projeto Conto em Conjunto

Contos em Conjunto em desenvolvimento!

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

conto da noiteO Conto da Noite
Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

>> Confira outros textos de Evandro Furtado

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui...
>> Fale com ONE <<

0

TIO PAULO

Todo sábado era aquilo, pegar o carro e descer. Essa rotina já durava pelo menos seis meses. Saía pela manhã, quase junto com o sol. Uma única parada, rápida, na Imigrantes, primeiro posto. O suco de tangerina, um pão de queijo. Ah, e as gominhas fini, não podia esquecer. Era a primeira coisa que ela perguntava, antes mesmo do abraço rápido.

Não subia mais, fora proibido. Tudo bem. Quando azulava lá embaixo, era hora de procurar o contato no celular e avisar que estava chegando. A pequena esperava com a babá no saguão do prédio. As recomendações antes de partirem, o passeio de quatro horas, tudo cronometrado. Às vezes um lanche no McDonald´s, raramente um almoço em algum lugar à beira mar. Muitas vezes apenas o passeio mesmo, sem qualquer programação. Silencioso como agora, sem muitas palavras.

O retorno era mais dolorido. A entrega da menina, depois subir a serra, o mar ficando para trás. E o vazio que lhe acompanhava de volta. A mudança para o litoral tinha sido de propósito, sim. Talvez com o tempo ele desistisse de procurá-las, provavelmente ela tinha pensado. Nenhuma motivação para a mudança, só mesmo o desejo de espicaçar-lhe. Pura vingança.

E agora ali, outro sábado…

No banco traseiro a menina manuseia com desenvoltura o celular novo. A mãe não desce mais para entregar a filha. Há meses não se falam. E não se veem. A babá foi orientada a não lhe dar muita trela. Conversar apenas o necessário, parece ter sido a recomendação. E a cada encontro, a dimensão do abismo que aumenta.

De repente ela exibe o brinquedo novo.

– Ganhei do tio Paulo…

– …

Embora fosse previsível, não contava que seria tão cedo assim. Silêncio. Nenhum outro ruído, só o marulho das águas. Ele segue desviando-se dos banhistas que cruzam a rua sem pressa. Como sempre, não há nada programado para aquele sábado. Vai sem rumo, sem itinerário certo, como aquela embarcação que singra ao longe. A novidade do dia deixa-o à deriva, como um barco prestes a naufragar.

Resolve mudar o trajeto e entra por uma rua estreita, se distanciando da praia. O trepidar do carro nos paralelepípedos provoca uma reclamação da pequena. Ele volta a lembrar da criança no banco trazeiro. Pelo retrovisor vê o celular de última geração que ela manipula com agilidade. Presente do tio Paulo. O trânsito fica lento devido a uma pequena batida entre dois carros logo à frente. Ela reclama que está com fome e ele diz que assim que o trânsito voltar a fluir irão parar para comer alguma coisa.

Tudo como sempre. A novidade, dessa vez, é o tio Paulo

Ele também sente vontade de comer, mas o estômago engulha. Só há aquela lanchonete ali por perto. Alguns homens bebem cerveja enquanto jogam sinuca. Ela olha o lugar com desdém mas acaba encarando o lanche de sua preferência. Ele paga a conta e retorna com a pequena para o carro.

Naquele sábado, entregou a criança antes do horário estabelecido no acordo. O porteiro interfonou e a babá demorou um pouco para descer. Despediram-se com um breve e chocho tchau. Depois pegou o caminho de volta, como sempre. Dessa vez, porém, trazendo consigo, além do vazio de todos os sábados, a novidade do dia : o tio Paulo.

Os túneis se sucediam, mais escuros do que nunca, intermináveis. A ribanceira, ao lado, lembrava uma grande boca aberta e prestes a engolir com voracidade o motorista incauto que se atrevesse a desafiá-la. Costumava também fazer uma parada rápida, quando do retorno, assim que vencia a serra. Daquela vez, pensou, faria uma única e última parada.

Acionou o botão do rádio.

No último.

E acelerou.

A caminhonete na pista da direita seguia lenta, quase parando. Ele não teve tempo para pensar. Mudou de faixa. E acelerou mais, deixando o caminho livre para o tio Paulo.

Publicado por Carlindo Soares Ribeiro em: Agenda |
0

ELA E O AVÔ

Ela caminha e passa batom ao mesmo tempo e eu nunca vi ninguém caminhar e passar batom ao mesmo tempo, mas ela caminha e passa batom ao mesmo tempo, enquanto o velhinho a segue meio de longe, até que ela para e o velhinho para também.

Ela fala com os olhos que é para o velhinho ficar sentado no banco da praça, debaixo de uma árvore grande, descansando, e o velhinho fica sentado no banco da praça, debaixo de uma árvore grande, descansando, mas os olhos do velhinho vão atrás dela, seguindo as ancas dela, e só a perdem de vista quando ela entra no bar.

No bar ela entra no banheiro masculino e eu nunca vi uma mulher entrar no banheiro masculino, mas ela entra no banheiro masculino e aguça a curiosidade de quem está no bar, principalmente depois que sai repuxando o vestido, retocando a maquiagem, e pede um rabo de galo e uma cerveja.

– Vai comer alguma coisa?

– Três pastéis.

– Do quê?

– De qualquer coisa…

– Não temos pastel de qualquer coisa.

– Vê de carne, de queijo, sei lá, de qualquer coisa mesmo, entende?

– Entendo…

Abre a bolsa, tira um celular, mexe no celular fingindo que não percebe ele olhando as suas pernas cheias de pelo e eu nunca vi uma mulher com as pernas tão cheias de pelo e ela tem as pernas cheias de pelo e sem celulite também.

Chegam os pastéis.

– E o velhinho?

– É meu avô. Depois eu vou levá-lo ao médico.

– É do bairro?

– Acabei de chegar da Finlândia.

– Nossa! De que cidade?

– Da Finlândia mesmo.

– Eu sei, mas de que cidade da Finlândia?

– De qualquer uma…

– Como assim?

– Tá bom, vai. De Kerava.

– Tem essa cidade na Finlândia?

– Talvez sim.

Ele senta na mesa ao lado e ela o acha atraente, mas ele não demonstra nenhum interesse por ela, talvez porque tenha reparado que as pernas dela são peludas e ela tenha entrado no banheiro dos homens e porque também ela tomou um rabo de galo e uma cerveja e comeu três pastéis sem qualquer etiqueta.

– Tem horas? ela pergunta só pra puxar conversa.

– Três – e ele estica o braço como se ela fosse conseguir enxergar o ponteiro do relógio.

– Meu motorista particular deve estar chegando.

– Você tem um motorista particular? ele pergunta sem interesse pela resposta.

– Na verdade é o motorista do meu pai.

– Sei.

– Meu pai é empresário, sabe?

– De que segmento empresarial?

– De qualquer um.

– Como assim?

– Ele tem vários negócios.

– Compreendo.

O pedido dele sai.

Ela se levanta, estica o vestido tentando encobrir as coxas peludas e ele percebe que as pernas dela também tem algumas marcas roxas e que ela não domina muito bem o salto alto e que o peito dela é siliconado.

Ela não avista o velhinho na praça e chama com os olhos. E o velhinho surge de repente atrás dela e eles voltam a caminhar, ela na frente, passando batom enquanto caminha, o velhinho seguindo o rebolado de suas ancas, como um cachorrinho atrás do dono.

Seguem um bom trecho da avenida, depois ela entra num beco suspeito, então o velhinho, que é avô dela também, se aproxima e ela pega na mão dele. Caminham até a porta de um hotelzinho suspeito e ela entra no hotel suspeito com o avô e eu nunca tinha visto uma mulher entrar com o avô num hotel suspeito, às três horas da tarde, mas ela entra no hotel suspeito com seu avô, às três horas da tarde.

Publicado por Carlindo Soares Ribeiro em: Agenda |
0

UM SIMPLES OLHAR MUDA TUDO

CAPITULO 1: UM POUCO SOBRE MIM

meu nome é Elise Jonich e essa é minha história.

Adolescente lutando contra o câncer, cabelos ruivos  e compridos, uso roupas maiores para de vez em quando puxar as mangas. Na minha opnião isso da um… “estilo”. Mas quem liga não é mesmo? Minha mãe? o nome dela é Cristine, um adulto bem sucedido com muitos sonhos que um dia irá realizar. Meu pai saiu de casa assim que soube do segundo filho… EUZINHA. Tenho um irmão chamado isaac, não tem nada a ver comigo. Tem 24 anos e trabalha numa organizadora de eventos. E eu.. sou estilista ou pelo menos sonho que um dia vou ser. Passo meu tempo livre desenhando e costurando roupas. Minha mãe me ajuda a vendê-las no metrô. Moro em jacksonville, uma cidadezinha no texas eu  acho. Depois que fui avisada de minha doença, nunca mais quis ir á escola. Mas amanhã eu vou… minha melhor amiga mudou de cidade, foi para o Canadá um lugar de lá, eu acho que era Toronto.

espero q vcs tenham gostado até o próximo capitulo

Publicado por LUISA DOS SANTOS FERNANDES em: Agenda |
0

O DEMÔNIO DA CACHOEIRAO DEMÔNIO DA CACHOEIRA Japão. Era Edo, 1605. OS CASCOS DOS CAVALOS afundavam na areia molhada pelo orvalho da manhã. As árvores floridas exalavam aromas primaveris. O Sol mostrava o seu rosto carmesim por trás das montanhas, com um brilho tímido, mas caloroso. O vento assobiava uma canção e os pássaros acompanhavam a melodia. Os dois ginetes cavalgavam num tropel preguiçoso. Sugizo Uehara ia à frente de Makoto Ohkata. O rosto de Makoto aparentava um tanto de desânimo e outro de desapontamento. Das tarefas de um samurai, o que ele mais detestava era o treinamento, seu sempai e também sensei, Sugizo, ficava horrorizado com tanto desrespeito aos ensinamentos do bushido. O código de honra dos samurais estava edificado em sete pilares, são eles: Honra, Lealdade, Coragem, Justiça, Benevolência, Educação, e Sinceridade. O samurai com o seu treinamento, não busca apenas fortalecer-se para batalhas, mas buscar com isso a evolução, negar o treino é se negar a evoluir, desrespeitando não um pilar, mas todos eles. Embora os samurais fossem disciplinados de maneira rigorosa, alguns como Makoto não compreendiam o papel do guerreiro, este não consistia apenas em matar ou morrer, mas sim trazer outra impressão do mundo. Muitos além da arte do kenjutsu se dedica-vam a filosofia, as artes, e a ciência. Talvez o jovem ainda carregasse os traumas da Batalha de Sekigahara. Foi nessa batalha que Makoto ficou órfão. Sugizo fizera uma promessa ao seu pai, Jinkoto Ohkata, melhor amigo e companheiro de batalhas, ele faria de Makoto um gran-de samurai. Tarefa que infelizmente o jovem dificultava. Quando o mesmo foi chamado por Sugizo a uma viagem, suas birras de adolescentes começaram. Certa vez questionou se aquele garoto realmente era filho de um samurai, nunca poderá provar o seu valor numa verdadeira batalha. Desde 1603, reinava a paz no Japão. Em Sekigahara ele não tinha nem ao menos doze anos, a idade mínima para parti-cipar das guerras. Mesmo a contragosto, seguiu rumo às estradas do Norte junto a seu sensei. Agora essa mesma estrada se bifurcava. E Sugizo esboçou um sorriso. O discípulo passou a bufar mais intensamente. — Você faz mais barulho que os cavalos — falou Sugizo irritado. — Desculpe! — Ele fez uma pausa forçada. — Sinceramente diga-me Sugizo-sempai, o que fazemos aqui nesse fim de mundo, Edo é tão ruim assim para o senhor? Havia um ótimo kyogen para eu ir hoje à noite com uma bela moça… — Você acha que a vida se resume as recompensas não é? — O cavalo de Makoto estacou. — Mas primeiro vem às responsabilidades, você é samurai! — A entonação da palavra foi alta e grave. — E você faz isso parecer bem ruim. A palavra samurai não é pra ser usada levianamente para se exibir para mulheres. Não sabe o significado e esque-ceu seus ancestrais, se o seu pai o visse teria vergonha. — Não pedi para ser um samurai, não me venha com essa de destino. — Pela primeira vez ele gritava com o mestre. — Eu sei o significado, o samurai é uma títere numa apre-sentação de ningyô joruri. Os senhores feudais são os hábeis titereiros. Dessa vez o cavalo de seu mestre parou. O giro foi suave, mas assombrosamente agressivo. Um arrepio subiu as costas de Makoto como uma aranha. Nem o vento, nem os pássaros, tudo fez silêncio quando a palma de Sugizo estalou no rosto de seu aluno. Sua face estava neutra. Quando ele pôs as mãos nas rédeas, a bochecha do garoto se inundou de lágrimas. — Você não é o meu pai! — Metade do rosto dele estava rubro do tapa. — É verdade Makoto-kun, não sou o seu pai, mas sou seu sempai e sensei, e mereço o mesmo respeito. — O jovem abaixou a cabeça ao ouvir isso. — Fiz uma promessa ao seu pai, e não importa o quão mimado você seja. Vou cumpri-lá. Tão importante quanto res-peitar o bushido para mim, é respeitar uma promessa. Sugizo pôs marcha ao seu cavalo. Não chamou o aluno que remoia os pensamentos. Por um momento, de certo inesperado, uma palavra ecoou espantando alguns pássaros na copa de uma árvore frondosa. — Desculpe sensei! — Nesse passo só chegaremos lá perto do almoço — sorriu Sugizo. Para Makoto as desculpas tinham sido aceitas. Bateu nos flancos do seu cavalo e em-parelhou com o do samurai. Finalmente adentraram na estrada à esquerda. Agora o ter-reno mudara, lama e pedregulhos deixavam o terreno mais rústico. Cavalgaram por mais um tempo até chegarem a um portal de entrada que exibia “Vila da Prata” a poucos metros de distância. Makoto esperava encontrar qualquer coisa menos uma vila de mineradores naquele “fim de mundo”, como se referia a lugares que não tivessem bairros planejados, ruas com dezesseis metros de largura, barraquinhas de comida, teatros e locadoras de livros. Sentia saudade de Edo como nunca antes havia sentido. — Era aqui nessa vila que eu e seu pai treinávamos debaixo de uma cachoeira — a nostalgia inundou sua voz. Makoto não se empolgou com a animação na voz de Sugizo. Não queria nem saber como eles encontraram esse lugar. O que interessava a seu mestre na verdade, não estava nas montanhas de prata, hoje aposentadas de suas funções, mas numa cachoeira com boa queda d’água. Um samurai treinava e se aperfeiçoava durante toda sua vida. Sugizo tinha agora 26 anos e já enfrentara muitas batalhas para garantir o xogunato Tokugawa, Seu pai serviu a Michiru Gotoku, e este sempre estivera do lado de Leyasu Tokugawa. Seu pai Sugawara, dizia que só um homem como Leyasu podia trazer paz ao Japão, e afastar a maldita influência estrangeira. Seu pai não viveu para ver isso, nem Sugizo e Makoto acompanhariam os quase 260 anos de ordem civil e unidade nipônica de acordo seus valores e cultura. Mas com os progressos alcançados em apenas dois anos! Já podiam se sentir satisfeito. A prata agora ficou no passado. A vida numa cidade é muito tempolábil. Na Era Sen-goku, um general chamado Oda Nobunaga aspirava ao xogunato, equipou o seu exército com muitos arcabuzes com a extração da Vila da Prata. Como o local era pouco acessível na época e ficava a alguns quilômetros de Iga e Koga, terras dominadas por ninjas, o xogum Yoshiteru Ashikaga não conheceu o local. Um dos generais de Nobunaga, Leyasu, teve acesso a um documento após a morte de Nobunaga. As minas já haviam deixado de produzir, mas a pequena vila continuou a existir, pois além da mineração existia plantação de arroz, havia áreas alagadas favorá-veis ao plantio. O lugar mais provável para o estabelecimento do acordo tácito entre ele e o famoso ninja Hattori Hanzo. A vila foi mantida sob proteção de Tokugawa. Afinal, numa guerra, víveres são tão importantes quanto às armas. O nome da vila não mudou. Apenas samurais destacados para proteger o local a conheciam. Os comerciantes levavam suas sacas de arroz e tomavam um desvio que dava em To-kaido, a estrada mais importante da época. A mesma estrada pela qual samurai e discípu-lo vieram. Sugizo e Jinkoto foram destacados uma vez, muito a contragosto permanecerem na vila por três meses. Mas com o treinamento na cachoeira, tinha no fim das contas, valido à pena. A estrada se abaulava, rodeando um enorme campo de arroz. Um número muito gran-de de pessoas trabalhava incessantemente. Dispostos do lado direito dela e no fundo, via-se a criação de alguns animais. A esquerda, em primeiro plano ficava a vila propria-mente dita. Saindo de trás dela havia uma trilha que serpenteava pelas montanhas. O que mais impressionava Makoto não eram os campos de arroz, mas a expressão dos agricultores quando os viam passar em seu trote lento. Por um momento achou que seu rosto ainda continuava vermelho. Muitos paravam o que estavam fazendo e olhavam de esguelha, outro, já ancião, trazia na face um sorriso de esperança, e logo se viu puxado por uma jovem, numa atitude de “não olhe pra eles”. — Estão com medo de nós, Sugizo-sempai — falou baixinho. — Já percebi. Continuaram assim até o meio da vila. As construções eram simples. Todas elas esta-vam fechadas. Havia uma fogueira de forja e bois atrelados a carroças de capim. — O que esta acontecendo aqui? — Fique em guarda Makoto-kun, pode ser uma emboscada. Ambos desceram dos cavalos. Bateram nos flancos das montarias que tomaram posi-ção a alguns metros a frente, caso fosse necessário fugir, bastava um sinal e eles viriam. — Por que uma vila como esta temeria samurais? A não ser que eles não esperassem samurais. Não estamos mais em guerra! O desembainhar das katanas fizeram um som de raspagem metálica. A base dos sol-dados tinha dois andares, largura e comprimento ímpar, comparado com as outras cons-truções. Sugizo por larga experiência sabia que pessoas se escondiam ali. Fosse amigo ou inimigo, ele sairia do edifício de dois andares. Se fossem atacar como esperava que acontecesse, não estavam organizados. Cabeças espreitavam vez ou outra pelas janelas. Pedidos de silêncio e discussões eram ouvidos. As portas se abriram e os samurais brandiram suas espadas esperando o inimigo. Ma-koto se decepcionou, e Sugizo ficou aliviado. Um homem portava uma marreta, e outro uma foice. Um ferreiro e um agricultor. Dezenas de crianças e jovens ficaram atrás com olhares curiosos. — Vá com calma Yune-san — disse o homem alto com a marreta nas mãos. — Katayama-san, ronins não usam cavalos! — disse o outro guardando a foice. Sugizo verificou que tanto Yune e Katayama pareciam bons homens. Não representa-vam perigo. Na verdade, eles é que sentiam medo. Ambos tinham bom porte físico, e se não usassem vestimentas tão simples e puídas, poderiam ser até samurais, no mínimo ronins. A vila sabendo da chegada de forasteiros pediu aos dois que cuidassem das cri-anças. O que eles não previram foi à agitação dos pequenos. — Pedimos desculpas, achávamos que eram malfeitores — disseram ambos, fazendo uma exagerada saudação. — Não há o que se desculpar. — E Sugizo fez o mesmo, num movimento mais leve. Makoto não entendeu nada. Fez a saudação pela força dos braços de Sugizo. Depois todos se ergueram. — Por que esperavam malfeitores e não samurais? Há bandidos nessa região? Por favor, estou curioso agora. Os dois homens se olharam por um tempo. Depois chamaram um garoto com o nariz escorrendo e de peito nu, cochicharam no seu ouvido. Ele saiu em disparada rumo ao campo de arroz. As crianças começaram a sair. Olhavam os dois forasteiros que porta-vam armas. Sugizo embainhou a sua e lançou um olhar a Makoto para que este fizesse o mesmo. Ele ainda lançou um olhar de dúvida, depois vendo a expressão inflexível de seu sempai, simplesmente depositou sua katana na bainha e esperou algo acontecer. Olhou para os céus cheio de nuvens brancas, logo quando o menino voltasse, seriam formalmente apresentados e recepcionados. Comeria um gohan com peixe assado. Os samurais tiveram que esperar pacientemente a chegada dos moradores. Em sua maioria de idosos e mulheres. O ancião da vila liderava a marcha. Sugizo o reconheceu, logo quando seu chapéu de palha foi levantado, o homem que sorrira para eles enquanto passavam pela estrada. — Os deuses escutaram nossas orações. — O povo atrás dele empunhava suas ferra-mentas de trabalho com ar de grave autodefesa. — Samurais adentram a Vila da Prata. — Nesse momento todos pararam e fizeram uma saudação em tom respeitoso. Ergue-ram-se. — Até que enfim Edo mandou samurais para nos ajudar. — Ajudar como? — Makoto fez-se de surpreso, Sugizo achou a pergunta ingênua. — Falaremos disso. Mas antes, vamos almoçar, devem estar cansados de sua viagem. Comerão na nossa casa. É humilde, mas serão bem recebidos pela minha esposa e a mi-nha filha. A mulher saiu de trás do ancião. A mesma jovem que fez com que ele não olhasse para eles. Era bonita, a pele suada, os cabelos embora crespos, tinham certo brilho. O jovem samurai achou-a meiga. Quando a jovem olhou para Makoto, ela disparou um sorriso tímido, mas faltavam os dois dentes da frente. O jovem conteve seu espanto por educação, mas se ela sorrisse assim de novo, não aguentaria o riso. — Katayama-san, Yune-san, vocês estão dispensados, nós agradecemos. — Não a o que agradecer — disse Yune humildemente. — Fizemos o que qualquer um faria — completou Katayama. O ancião então falou a comunidade. Sua voz rouca se fez ouvir de modo respeitoso. Algumas pessoas cumprimentaram mais de perto os samurais. Depois Sugizo e Makoto se encaminharam para a residência do ancião. A vila foi construída de modo muito sim-ples. Uma longa rua, outra rua encruzilhada ficava bem no meio da vila. Dando-lhe uma configuração cruciforme. A porta da frente se abriu. No meio da casa, uma senhora tão idosa quanto o homem que os convidou, abanava o fogo onde um peixe crepitava. O cheiro de arroz cozido se elevou no ar. Retiraram os calçados e entraram. A mulher ao ver as espadas ficou um tanto receosa. Mas por um instante ponderou que se o marido e sua filha acompanhavam os dois homens, é por que não representavam risco. Então ela fez uma reverência e continuou os seus afazeres. A filha trouxe uma manta e tigelas rústicas de argila com hashis. Não sem antes varrer o cômodo. Makoto ficou im-pressionado como pessoas tão humildes eram tão corteses. Veio-lhe um sentimento amargo a boca. Como foi criado com todos os mimos, nunca se importou com nada nem ninguém, a não ser consigo mesmo, sentiu o que podemos chamar de vergonha. — Por favor, comam da nossa comida, comam até ficar satisfeitos. Grande parte do peixe e do arroz foi dada aos samurais. Makoto olhou sua tigela e comparou sua porção exagerada com a dos anfitriões, havia muito pouco nas suas tige-las. Makoto lançou um olhar para seu sempai, como se dissesse “Não posso comer, estou tirando da boca deles, eles não tem muito!”, ao que o olhar de Sugizo respondia “Iremos comer por esse motivo, eles nos alimentam com o pouco que possuem”. O jovem samurai não pôde aguentar as lágrimas que pingaram no arroz. — Esta chorando! O desagradamos em algo jovem samurai? — perguntou à anciã com doçura maternal na voz. — Não senhora. É que vocês lembraram a minha família — ele enxugou as lágrimas com as costas das mãos. Todos acreditaram, exceto Sugizo que conhecia bem seu discípulo. Pela primeira vez o rapaz despertava para a realidade nua e crua da vida. O que ele esperava de verdade é que após o treinamento na vila, Makoto-san ascen-desse seu espírito samurai. Mesmo que não viesse a lutar, mas que entendesse as respon-sabilidades de um homem. Durante todo o almoço não houve nenhuma palavra. Quando as tigelas se esvaziaram, as duas mulheres se ocuparam em lavar os utensílios. E na sala só ficaram os três homens. O ancião se apresentou como Gotei. Seu rosto estava ressecado de Sol, a pele flácida e a barriga saliente mostravam como os anos tinham sido pouco generosos com o lavrador. Sua esposa trouxe um pouco de saquê. Uma pequena garrafa, usada apenas em ocasiões muito especiais como a que a família usufruía no momento, afinal a Vila da Prata não era uma rota comercial. Mas antes que Gotei iniciasse ambos se apresentaram. — Gostaria de nos apresentar formalmente. Meu nome é Sugizo Uehara, filho de Su-gawara Uehara. E este é Makoto Ohkata, filho se Jinkoto Ohkata. Sou seu sensei, e seu pai e eu éramos grandes amigos. Um grande samurai, valoroso na batalha de Sekigahara. Jinkoto e eu estivemos aqui quando Leyasu Tokugawa tomava posição na guerra e trei-namos debaixo da cachoeira. — Oh! Agora que disse Sugizo-san, lembro de uma época em que dois jovens samu-rais ficaram várias semanas treinando pros lados da cachoeira. Mas nos últimos quatro meses, ninguém vai lá sem permissão… Gotei tinha a voz rouca. Mas seu discurso para alguém analfabeto foi trazido de ma-neira clara e objetiva. — Não sei dizer como foi terrível esses quatro meses. Nem mesmo as guerras tiraram nossa paz, mas agora, não posso mais dizer que aqui é um bom lugar para se viver. “Exatamente há quatro meses, um forasteiro vestindo numa capa atravessou nosso campo de arroz sem afundar na lama. Parecia flutuar. Ele apareceu do nada, sem que ninguém o notasse! Então ele disse numa voz que parecia um trovão: ‘Cidadãos da Vila da Prata. Meus maiores e mais sinceros cumprimentos. Venho com uma maravilhosa mensagem, quero instruir-lhes um novo culto ao deus da cachoeira. Na verdade, eis que sou vosso sacerdote. Vinde a mim. Esse é o único e verdadeiro Deus. O DEUS ARAS-HIRA! ’ Todos olharam com medo e admiração. “Alguns duvidaram, estávamos lá a quase uma centena de anos e nunca se viu nada divino na vila. Um homem questionou de modo brincalhão porque subiu as montanhas e não viu deus algum, nem mesmo na cachoeira, que muitos jovens usavam para se banhar. Não posso dizer como o sacerdote foi rápido, mais que a flecha de um arco. Uma lâmina decepou a cabeça do homem que caiu a metros de distância do corpo. “Ficamos horrorizados. E ninguém teve mais reação pra nada. O guerreiro caminhou sobre as águas do rio senhores! Então se virou, sua voz trovejou de novo: ‘Vocês honra-rão tributos ao vosso Deus. Trarão arroz, peixe, roupas, e tudo mais que ele desejar. Não cometam o ato de questionar-me, nem de desobedecer-me, farão o que eu mandar. Aquele que não cumprir os desígnios de Arashira sofrerá as consequências. Estarão proi-bidos de saírem da vila. Trabalharão dia e noite para a honra e glória de Arashira’. Com um movimento de seu punho ele fez emergir uma grande parede de água, e depois ele sumiu. “Contamos o caso aos soldados, mas eles riram de nós. Ao mostrarmos o corpo eles resolveram ir. Cerca de doze homens com katanas e armaduras foram à cachoeira. Só um voltou muito ferido e louco, só dizia uma palavra…” Gotei fez uma longa pausa, como se o que fosse dizer o sufocasse. Talvez a memória do fato ainda estivesse tão viva que se tornou um pesadelo real. Lançou um olhar de agonia a Sugizo que fez um gesto de compreensão, mas o ancião se forçou a dizer. — Demônio… Samurai e discípulo se entreolharam com uma curiosidade tamanha que não passou despercebida pelo ancião da Vila da Prata. — Fizemos tudo que ele nos pediu. — Dessa vez lágrimas brotaram do rosto do ho-mem. — Muitos homens não quiseram obedecer e fugiram, outros lutaram. Mas todos foram mortos. — Só este homem apareceu, ele disse o nome? — Não, há pelo menos mais dois, um velho e uma mulher. Uma vez por semana um deles desce a vila e faz uma pregação. Posso dizer isso porque as vozes são diferentes. Mas todos falam do mesmo jeito. Parecem mesmo ser sacerdotes. Mas o que eles cultu-am não passa de um demônio, sim, um demônio da cachoeira. — Mas o que desrespeito ao rosto? — perguntou Makoto. — Makoto-san, eu peço desculpas, mas eles usam um longo capuz. — E quem leva as oferendas? — As mulheres agora, ou um dos jovens, três vezes ao dia. — Não acredito que sejam sacerdotes de nenhum novo culto — disse Sugizo reflexi-vo —, parece mais um grupo de ninjas desertores, ou ronins. Ainda assim a algo que não faz sentido. — Mas e quanto seus poderes Sugizo-san, eles são magos poderosos. — Gotei dizia isso com tom respeitoso. — São apenas técnicas de ilusionismo. Estou inclinado a acreditar que são ninjas de-sertores. O ancião pareceu assustado com a ideia de ter sido ninjas a invadirem a sua vila. — Irei lutar por vocês — disse Sugizo se levantando. — Sozinho Sugizo-san, nós não sabemos lutar, mas se sua coragem é tão grande a ponto de desafiá-los, então… — Sem querer ofendê-lo Gotei-san, mas não será necessário. — Mas e eu Sugizo-san, sou samurai também e… — Sim, e como nós estamos apenas em dupla, subirei até a cachoeira e você junto com Yune-san e Katayama-san defenderá a vila. É bom no arco e flecha. Tome posição no edifício da tropa samurai. — Mas… — Pelo menos uma vez na vida não discuta minhas ordens. Um silêncio se abateu de forma sombria. Parecia ao samurai que seria seu último cru-zar de espadas. Esse pensamento deu-lhe um calafrio. Saíram à rua, os samurais perceberam que as pessoas não tinham ido pra suas respecti-vas casas. Estavam todos debaixo do Sol, perguntando-se como apenas dois samurais poderiam ajudar a Vila da Prata a se ver livre de três malfeitores como aqueles? Mas seu gesto mostrava uma esperança válida. Então Gotei os reuniu e disse qual o plano de Su-gizo. Fariam do mesmo modo como tinham feito de manhã. A diferença é que haveria um arqueiro e dois guerreiros em campo aberto, mas sua função principal seria proteger as crianças. Não ficariam todos reunidos no mesmo lugar, Yune e Katayama seriam usados como isca. Caso fosse necessário as mulheres lutariam. Só sairiam das casas quando ele retornasse ou fossem atacados. Todos concordaram com os termos. Antes que Sugizo partisse, virou-se para Makoto e disse: — A força do inimigo é desconhecida, mas espero voltar para ensiná-lo o caminho da espada. Ainda treinaremos na cachoeira. Mesmo que quisesse falar, Makoto não conseguiria com a voz embargada e fez uma exagerada saudação, que foi imitada por todos os habitantes de Vila da Prata. O samurai montou em seu cavalo e seguiu rumo à clareira que levava até o tal demônio. Por todo caminho sentiu uma sensação de nostalgia, há alguns anos atrás ele e Jinkoto subiam esse mesmo lugar correndo em uma pequena competição. Ele ganhou por ser mais rápido, motivo pelo qual voltou da guerra e seu amigo não. A clareira tinha uma boa trilha para cavalgar, embora ficasse um tanto íngreme com o pas-sar do tempo. O terreno só ficava acidentado bem perto das quedas d’águas. Poderia ter vindo correndo, não chegava a ser tão longe quanto se supunha. Mas queria poupar energia para seus adversários. Atrelou o cavalo a um tronco já morto, mas rígido. Viu pegadas, algum jovem ou mu-lher devia ter trazido o almoço dos tais sacerdotes. O que ninguém notara era que ali não havia nenhum lugar para um trio tão “chamati-vo” se esconder. Mas ele sim, sabia onde os tais sacerdotes se encontravam. Talvez um segredo que nem mesmo os rizicultores soubessem. Conhecera aquilo de modo acidental, quando treinava debaixo da cachoeira. Jinkoto o empurrou e ele caiu dentro de uma ca-verna depois da queda d’água. Ficaram ali por muito tempo, graças a isso, suas visões se aguçaram muito. Ele se encaminhou até o centro da água, pois havia várias pedras que serviam de base. Desembainhou sua espada, segurou-a firmemente com as duas mãos. Fechou os olhos e se concentrou. Seu rosto estava sereno. A água em sua volta começou a formar pequenas ondas. Gotas se elevavam e pairavam no ar. Seu quimono começou a agitar. A fita que prendia seu longo cabelo se soltou. Com um brado estridente ele desferiu um golpe vertical com sua espada. A cachoeira se dividiu em duas, desde a sua base, até o topo. Seus cabelos ainda se agitavam quando adentrou na escuridão da caverna. Após passar, a cachoeira tornou-se una novamente. Sugizo caminhou na escuridão. Enquanto adentrava, as sombras o envolviam ainda mais. Parou no cento da gruta, um verdadeiro útero rochoso. Havia estalagmites, e estalacti-tes que poderiam ser usadas contra ele, caso fosse emboscado. Seu único lume era a es-pada. Estava desprotegido sem armadura e capacete. Então só podia incitar o inimigo a aparecer. — Sacerdotes! — A voz foi ecoando até o fundo da gruta. — Eu sou Sugizo Uehara, filho de… — Tai coisa irrelevante guerreiro, és um samurai, nota-se bem — disse uma voz femi-nina —, mas não há samurai ou ronin, nem mesmo o próprio Hattori Hanzo, a quem chamam de imortal, poderá impedir meu desígnio. — Como podem usar as pessoas dessa vila, não permitirei que isso aconteça. — Nobre samurai — era a voz trovejante que Gotei-san falou. — Arashira é Deus. Rale sua testa contra o chão e o adore. Morrerá pelas minhas mãos. — Nem mesmo a guarda dessa Vila pode me deter, porque tu sozinho conseguiras? — falou uma voz cacarejante de um idoso. — Não me curvo perante um deus criminoso. O samurai se pôs em guarda. Os três sorriram. Sugizo também esboçou um sorriso. O movimento foi tão rápido que apenas um Zimmm da lâmina foi ouvido. A lâmina inimiga passou a poucos centímetros da cabeça de Sugizo. O vulto desapareceu no con-tra-ataque do samurai. Os ouvidos aguçados de Sugizo não captavam o movimento do sacerdote. Ele parecia flutuar. A luta se tornou um jogo perigoso, só conseguiria desviar quando o golpe estivesse próximo. Novamente Zimmm, dessa vez Sugizo não teve esca-patória e o golpe acertou-o. Um filete de sangue começou a escorrer no lado direito do seu rosto. Parte do cabelo sofreu um corte, deixando uma visível assimetria. O atacante começou a sorrir. Dessa vez não foi acompanhado pelas outras. — Bravo samurai. Sugizo-san, quase cortou a minha cabeça. Nunca houve ninguém que conseguisse chegar tão perto de me ferir, mas sua velocidade supera minha técnica de teletransporte. — Teletransporte. — ele não falou com espanto, mas como se saboreasse a palavra. — Pare com seus joguinhos e me enfrente, só eu e você. — Hahahahahahaha! — Essa não era nenhuma das outras vozes, o tom era ácido, quase insano. — Como descobriu, como? — Pra quem está em trio, você fala em primeira pessoa o tempo todo. Usa o capuz para ocultar sua face, assim ninguém duvidaria que fosse uma única pessoa. O ventrilo-quismo disfarçava a sua voz, assim ela sairia em diferentes lugares. Quanto aos diferen-tes timbres, é a mesma técnica gutural dos monges tibetanos. Uma nova risada explodiu. Então pequenas tochas começaram a ascender de uma maneira que os olhos de Sugizo não puderam acompanhar. Logo todo o ambiente estava iluminado. Um jovem vestido como um ninja apareceu na sua frente. Usava quimono sem manga, aberto até a barriga. Tinha uma manopla de metal em forma de dragão no braço direito. Da boca do dragão saia uma lança de trinta centímetros. De repente sua derme começou a emitir um brilho opaco e rubro, ficando toda vermelha. O nariz se alongou, seus cabelos pratearam. Suas mãos tomaram formas de garras. — Um tengu! Deixe-me ver, você é o próprio Arashira não é? — Sugizo não pôde conter o espanto, olhos amarelos com tons esverdeados o encaravam com fascínio e ci-nismo. — Que foi, parece que nunca viu um tengu na vida! Meu plano era criar uma seita e assim ascender ao poder. Devido minha forma de pensar eu fui expulso do poleiro onde eu vivi com tengus idiotas. Demônios como eu não querem mais viver escondidos. Vo-cês são os inferiores. Mas você — ele apontou para Sugizo com as garras afiadas. — seu samurai enxerido, colocou tudo a perder. Isso não é bom para os negócios. Sua risada estrondosa foi ouvida de novo, mas alta até que a água caindo. O samurai tentou controlar seu espanto. Ele não era um onmyou, só conhecia demônios e criaturas mágicas das lendas. Mas homem ou tengu, cairia pela sua katana. — Estou impressionado Sugizo, você tem as sete luzes do pai? — Quer saber como me desviei dos seus ataques? Foi com minha técnica do Vento Divino, com ela eu posso controlar e manter correntes de ar envoltas de mim, eu criei uma redoma de ar e fui desviando nem que seja centímetros a sua lâmina. — Sinto lhe dizer, mas sua técnica não vai funcionar por muito tempo. Aqui as corren-tes de ar são menores, e o fogo consome o ar. — Então terei que terminar isso com um golpe. Ambos saltaram para trás. Tomaram posições. O chão começou a tremer, as pedras começaram a se desprender da terra e do teto da gruta. Flutuavam numa dança antigra-vitacional. Sugizo fechou os olhos e concentrou toda a energia. Ele trouxe todo o ar en-volto na sua katana. O tric-trac do rachar de pedra fazia parecer que a energia dos guer-reiros era palpável. — Vou usar minha técnica mais poderosa! — disse Sugizo excitado. — Farei jus a isso — retrucou Arashira. Suas veias saltavam do pescoço, as faces contraíam-se em fúria. Precipitaram-se um contra o outro. — Redemoinho das Mil Lâminas — gritou o samurai. — Investida do Dragão — bradou o tengu. Num movimento horizontal da espada, o vento formou um furacão, pegando Arashi-ra de frente. O tengu ficou nas correntes circulares de vento sendo dilacerado por elas. Como se diversas espadas o cortassem. O vento parecia ter vida própria. O tengu ainda caminhou para frente do samurai. Sugizo saiu da posição de ataque e embainhou a sua katana. Arashira ainda sim, tentava com dificuldade dar alguns passos, mas parou de repente. — Maldito… seja… Sugizo Uehara. Sua pele começou a escorrer linhas de sangue roxo em toda a extensão do tengu. En-tão se pôs todo o corpo a se disjungir em pequenos cubos de carne sanguinolenta. Sugizo saiu da cachoeira. Deixou-se molhar dessa vez. Caminhou sobre as pedras base do meio da cachoeira. Seu quimono estava todo molhado. A cor branca estava salpicada com pingos de sangue. Foi direto ao seu cavalo, teria muitas histórias para contar aos moradores da Vila da Prata e a Makoto-kun.

 

OS CASCOS DOS CAVALOS afundavam na areia molhada pelo orvalho da manhã. As árvores floridas exalavam aromas primaveris. O Sol mostrava o seu rosto carmesim por trás das montanhas, com um brilho tímido, mas caloroso. O vento assobiava uma canção e os pássaros acompanhavam a melodia. Os dois ginetes cavalgavam num tropel preguiçoso. Sugizo Uehara ia à frente de Makoto Ohkata.

O rosto de Makoto aparentava um tanto de desânimo e outro de desapontamento. Das tarefas de um samurai, o que ele mais detestava era o treinamento, seu sempai e também sensei, Sugizo, ficava horrorizado com tanto desrespeito aos ensinamentos do bushido. O código de honra dos samurais estava edificado em sete pilares, são eles: Honra, Lealdade, Coragem, Justiça, Benevolência, Educação, e Sinceridade.

O samurai com o seu treinamento, não busca apenas fortalecer-se para batalhas, mas buscar com isso a evolução, negar o treino é se negar a evoluir, desrespeitando não um pilar, mas todos eles.

Embora os samurais fossem disciplinados de maneira rigorosa, alguns como Makoto não compreendiam o papel do guerreiro, este não consistia apenas em matar ou morrer, mas sim trazer outra impressão do mundo. Muitos além da arte do kenjutsu se dedicavam a filosofia, as artes, e a ciência.

Talvez o jovem ainda carregasse os traumas da Batalha de Sekigahara.

Foi nessa batalha que Makoto ficou órfão. Sugizo fizera uma promessa ao seu pai, Jinkoto Ohkata, melhor amigo e companheiro de batalhas, ele faria de Makoto um grande samurai. Tarefa que infelizmente o jovem dificultava.

Quando o mesmo foi chamado por Sugizo a uma viagem, suas birras de adolescentes começaram. Certa vez questionou se aquele garoto realmente era filho de um samurai, nunca poderá provar o seu valor numa verdadeira batalha. Desde 1603, reinava a paz no Japão. Em Sekigahara ele não tinha nem ao menos doze anos, a idade mínima para participar das guerras.

Mesmo a contragosto, seguiu rumo às estradas do Norte junto a seu sensei.

Agora essa mesma estrada se bifurcava. E Sugizo esboçou um sorriso. O discípulo passou a bufar mais intensamente.

— Você faz mais barulho que os cavalos — falou Sugizo irritado.

— Desculpe! — Ele fez uma pausa forçada. — Sinceramente diga-me Sugizo-sempai, o que fazemos aqui nesse fim de mundo, Edo é tão ruim assim para o senhor? Havia um ótimo kyogen para eu ir hoje à noite com uma bela moça…

— Você acha que a vida se resume as recompensas não é? — O cavalo de Makoto estacou. — Mas primeiro vem às responsabilidades, você é samurai! — A entonação da palavra foi alta e grave. — E você faz isso parecer bem ruim. A palavra samurai não é pra ser usada levianamente para se exibir para mulheres. Não sabe o significado e esqueceu seus ancestrais, se o seu pai o visse teria vergonha.

— Não pedi para ser um samurai, não me venha com essa de destino. — Pela primeira vez ele gritava com o mestre. — Eu sei o significado, o samurai é uma títere numa apresentação de ningyô joruri. Os senhores feudais são os hábeis titereiros.

Dessa vez o cavalo de seu mestre parou. O giro foi suave, mas assombrosamente agressivo. Um arrepio subiu as costas de Makoto como uma aranha. Nem o vento, nem os pássaros, tudo fez silêncio quando a palma de Sugizo estalou no rosto de seu aluno. Sua face estava neutra. Quando ele pôs as mãos nas rédeas, a bochecha do garoto se inundou de lágrimas.

— Você não é o meu pai! — Metade do rosto dele estava rubro do tapa.

— É verdade Makoto-kun, não sou o seu pai, mas sou seu sempai e sensei, e mereço o mesmo respeito. — O jovem abaixou a cabeça ao ouvir isso. — Fiz uma promessa ao seu pai, e não importa o quão mimado você seja. Vou cumpri-lá. Tão importante quanto respeitar o bushido para mim, é respeitar uma promessa.

Sugizo pôs marcha ao seu cavalo. Não chamou o aluno que remoia os pensamentos. Por um momento, de certo inesperado, uma palavra ecoou espantando alguns pássaros na copa de uma árvore frondosa.

— Desculpe sensei!

— Nesse passo só chegaremos lá perto do almoço — sorriu Sugizo.

Para Makoto as desculpas tinham sido aceitas. Bateu nos flancos do seu cavalo e emparelhou com o do samurai. Finalmente adentraram na estrada à esquerda. Agora o terreno mudara, lama e pedregulhos deixavam o terreno mais rústico.

Cavalgaram por mais um tempo até chegarem a um portal de entrada que exibia “Vila da Prata” a poucos metros de distância.

Makoto esperava encontrar qualquer coisa menos uma vila de mineradores naquele “fim de mundo”, como se referia a lugares que não tivessem bairros planejados, ruas com dezesseis metros de largura, barraquinhas de comida, teatros e locadoras de livros.

Sentia saudade de Edo como nunca antes havia sentido.

— Era aqui nessa vila que eu e seu pai treinávamos debaixo de uma cachoeira — a nostalgia inundou sua voz.

Makoto não se empolgou com a animação na voz de Sugizo. Não queria nem saber como eles encontraram esse lugar. O que interessava a seu mestre na verdade, não estava nas montanhas de prata, hoje aposentadas de suas funções, mas numa cachoeira com boa queda d’água. Um samurai treinava e se aperfeiçoava durante toda sua vida.

Sugizo tinha agora 26 anos e já enfrentara muitas batalhas para garantir o xogunato Tokugawa, Seu pai serviu a Michiru Gotoku, e este sempre estivera do lado de Leyasu Tokugawa. Seu pai Sugawara, dizia que só um homem como Leyasu podia trazer paz ao Japão, e afastar a maldita influência estrangeira. Seu pai não viveu para ver isso, nem Sugizo e Makoto acompanhariam os quase 260 anos de ordem civil e unidade nipônica de acordo seus valores e cultura. Mas com os progressos alcançados em apenas dois anos! Já podiam se sentir satisfeito.

A prata agora ficou no passado. A vida numa cidade é muito tempolábil. Na Era Sengoku, um general chamado Oda Nobunaga aspirava ao xogunato, equipou o seu exército com muitos arcabuzes com a extração da Vila da Prata. Como o local era pouco acessível na época e ficava a alguns quilômetros de Iga e Koga, terras dominadas por ninjas, o xogum Yoshiteru Ashikaga não conheceu o local.

Um dos generais de Nobunaga, Leyasu, teve acesso a um documento após a morte de Nobunaga. As minas já haviam deixado de produzir, mas a pequena vila continuou a existir, pois além da mineração existia plantação de arroz, havia áreas alagadas favoráveis ao plantio. O lugar mais provável para o estabelecimento do acordo tácito entre ele e o famoso ninja Hattori Hanzo. A vila foi mantida sob proteção de Tokugawa. Afinal, numa guerra, víveres são tão importantes quanto às armas. O nome da vila não mudou. Apenas samurais destacados para proteger o local a conheciam.

Os comerciantes levavam suas sacas de arroz e tomavam um desvio que dava em Tokaido, a estrada mais importante da época. A mesma estrada pela qual samurai e discípulo vieram.

Sugizo e Jinkoto foram destacados uma vez, muito a contragosto permanecerem na vila por três meses. Mas com o treinamento na cachoeira, tinha no fim das contas, valido à pena.

A estrada se abaulava, rodeando um enorme campo de arroz. Um número muito grande de pessoas trabalhava incessantemente. Dispostos do lado direito dela e no fundo, via-se a criação de alguns animais. A esquerda, em primeiro plano ficava a vila propriamente dita. Saindo de trás dela havia uma trilha que serpenteava pelas montanhas.

O que mais impressionava Makoto não eram os campos de arroz, mas a expressão dos agricultores quando os viam passar em seu trote lento. Por um momento achou que seu rosto ainda continuava vermelho. Muitos paravam o que estavam fazendo e olhavam de esguelha, outro, já ancião, trazia na face um sorriso de esperança, e logo se viu puxado por uma jovem, numa atitude de “não olhe pra eles”.

— Estão com medo de nós, Sugizo-sempai — falou baixinho.

— Já percebi.

Continuaram assim até o meio da vila. As construções eram simples. Todas elas estavam fechadas. Havia uma fogueira de forja e bois atrelados a carroças de capim.

— O que esta acontecendo aqui?

— Fique em guarda Makoto-kun, pode ser uma emboscada.

Ambos desceram dos cavalos. Bateram nos flancos das montarias que tomaram posição a alguns metros a frente, caso fosse necessário fugir, bastava um sinal e eles viriam.

— Por que uma vila como esta temeria samurais? A não ser que eles não esperassem samurais. Não estamos mais em guerra!

O desembainhar das katanas fizeram um som de raspagem metálica. A base dos soldados tinha dois andares, largura e comprimento ímpar, comparado com as outras construções. Sugizo por larga experiência sabia que pessoas se escondiam ali. Fosse amigo ou inimigo, ele sairia do edifício de dois andares. Se fossem atacar como esperava que acontecesse, não estavam organizados. Cabeças espreitavam vez ou outra pelas janelas. Pedidos de silêncio e discussões eram ouvidos.

As portas se abriram e os samurais brandiram suas espadas esperando o inimigo. Makoto se decepcionou, e Sugizo ficou aliviado. Um homem portava uma marreta, e outro uma foice. Um ferreiro e um agricultor. Dezenas de crianças e jovens ficaram atrás com olhares curiosos.

— Vá com calma Yune-san — disse o homem alto com a marreta nas mãos.

Katayama-san, ronins não usam cavalos! — disse  o outro guardando a foice.

Sugizo verificou que tanto Yune e Katayama pareciam bons homens. Não representavam perigo. Na verdade, eles é que sentiam medo. Ambos tinham bom porte físico, e se não usassem vestimentas tão simples e puídas, poderiam ser até samurais, no mínimo ronins. A vila sabendo da chegada de forasteiros pediu aos dois que cuidassem das crianças. O que eles não previram foi à agitação dos pequenos.

— Pedimos desculpas, achávamos que eram malfeitores — disseram ambos, fazendo uma exagerada saudação.

— Não há o que se desculpar. — E Sugizo fez o mesmo, num movimento mais leve. Makoto não entendeu nada. Fez a saudação pela força dos braços de Sugizo. Depois todos se ergueram. — Por que esperavam malfeitores e não samurais? Há bandidos nessa região? Por favor, estou curioso agora.

Os dois homens se olharam por um tempo. Depois chamaram um garoto com o nariz escorrendo e de peito nu, cochicharam no seu ouvido. Ele saiu em disparada rumo ao campo de arroz. As crianças começaram a sair. Olhavam os dois forasteiros que portavam armas. Sugizo embainhou a sua e lançou um olhar a Makoto para que este fizesse o mesmo. Ele ainda lançou um olhar de dúvida, depois vendo a expressão inflexível de seu sempai, simplesmente depositou sua katana na bainha e esperou algo acontecer.

Olhou para os céus cheio de nuvens brancas, logo quando o menino voltasse, seriam formalmente apresentados e recepcionados. Comeria um gohan com peixe assado. Os samurais tiveram que esperar pacientemente a chegada dos moradores. Em sua maioria de idosos e mulheres.

O ancião da vila liderava a marcha. Sugizo o reconheceu, logo quando seu chapéu de palha foi levantado, o homem que sorrira para eles enquanto passavam pela estrada.

— Os deuses escutaram nossas orações. — O povo atrás dele empunhava suas ferramentas de trabalho com ar de grave autodefesa. — Samurais adentram a Vila da Prata. — Nesse momento todos pararam e fizeram uma saudação em tom respeitoso. Ergueram-se. — Até que enfim Edo mandou samurais para nos ajudar.

— Ajudar como? — Makoto fez-se de surpreso, Sugizo achou a pergunta ingênua.

— Falaremos disso. Mas antes, vamos almoçar, devem estar cansados de sua viagem. Comerão na nossa casa. É humilde, mas serão bem recebidos pela minha esposa e a minha filha.

A mulher saiu de trás do ancião. A mesma jovem que fez com que ele não olhasse para eles. Era bonita, a pele suada, os cabelos embora crespos, tinham certo brilho. O jovem samurai achou-a meiga.

Quando a jovem olhou para Makoto, ela disparou um sorriso tímido, mas faltavam os dois dentes da frente. O jovem conteve seu espanto por educação, mas se ela sorrisse assim de novo, não aguentaria o riso.

— Katayama-san, Yune-san, vocês estão dispensados, nós agradecemos.

— Não a o que agradecer — disse Yune humildemente.

— Fizemos o que qualquer um faria — completou Katayama.

O ancião então falou a comunidade. Sua voz rouca se fez ouvir de modo respeitoso. Algumas pessoas cumprimentaram mais de perto os samurais. Depois Sugizo e Makoto se encaminharam para a residência do ancião. A vila foi construída de modo muito simples. Uma longa rua, outra rua encruzilhada ficava bem no meio da vila. Dando-lhe uma configuração cruciforme.

A porta da frente se abriu. No meio da casa, uma senhora tão idosa quanto o homem que os convidou, abanava o fogo onde um peixe crepitava. O cheiro de arroz cozido se elevou no ar. Retiraram os calçados e entraram. A mulher ao ver as espadas ficou um tanto receosa. Mas por um instante ponderou que se o marido e sua filha acompanhavam os dois homens, é por que não representavam risco.

Então ela fez uma reverência e continuou os seus afazeres. A filha trouxe uma manta e tigelas rústicas de argila com hashis. Não sem antes varrer o cômodo. Makoto ficou impressionado como pessoas tão humildes eram tão corteses. Veio-lhe um sentimento amargo a boca. Como foi criado com todos os mimos, nunca se importou com nada nem ninguém, a não ser consigo mesmo, sentiu o que podemos chamar de vergonha.

— Por favor, comam da nossa comida, comam até ficar satisfeitos.

Grande parte do peixe e do arroz foi dada aos samurais. Makoto olhou sua tigela e comparou sua porção exagerada com a dos anfitriões, havia muito pouco nas suas tigelas. Makoto lançou um olhar para seu sempai, como se dissesse “Não posso comer, estou tirando da boca deles, eles não tem muito!”, ao que o olhar de Sugizo respondia “Iremos comer por esse motivo, eles nos alimentam com o pouco que possuem”. O jovem samurai não pôde aguentar as lágrimas que pingaram no arroz.

— Esta chorando! O desagradamos em algo jovem samurai? — perguntou à anciã com doçura maternal na voz.

— Não senhora. É que vocês lembraram a minha família — ele enxugou as lágrimas com as costas das mãos.

Todos acreditaram, exceto Sugizo que conhecia bem seu discípulo. Pela primeira vez o rapaz despertava para a realidade nua e crua da vida.

O que ele esperava de verdade é que após o treinamento na vila, Makoto-san ascendesse seu espírito samurai. Mesmo que não viesse a lutar, mas que entendesse as responsabilidades de um homem. Durante todo o almoço não houve nenhuma palavra. Quando as tigelas se esvaziaram, as duas mulheres se ocuparam em lavar os utensílios. E na sala só ficaram os três homens. O ancião se apresentou como Gotei.

Seu rosto estava ressecado de Sol, a pele flácida e a barriga saliente mostravam como os anos tinham sido pouco generosos com o lavrador. Sua esposa trouxe um pouco de saquê. Uma pequena garrafa, usada apenas em ocasiões muito especiais como a que a família usufruía no momento, afinal a Vila da Prata não era uma rota comercial. Mas antes que Gotei iniciasse ambos se apresentaram.

— Gostaria de nos apresentar formalmente. Meu nome é Sugizo Uehara, filho de Sugawara Uehara. E este é Makoto Ohkata, filho se Jinkoto Ohkata. Sou seu sensei, e seu pai e eu éramos grandes amigos. Um grande samurai, valoroso na batalha de Sekigahara. Jinkoto e eu estivemos aqui quando Leyasu Tokugawa tomava posição na guerra e treinamos debaixo da cachoeira.

— Oh! Agora que disse Sugizo-san, lembro de uma época em que dois jovens samurais ficaram várias semanas treinando pros lados da cachoeira. Mas nos últimos quatro meses, ninguém vai lá sem permissão…

Gotei tinha a voz rouca. Mas seu discurso para alguém analfabeto foi trazido de maneira clara e objetiva.

— Não sei dizer como foi terrível esses quatro meses. Nem mesmo as guerras tiraram nossa paz, mas agora, não posso mais dizer que aqui é um bom lugar para se viver.

“Exatamente há quatro meses, um forasteiro vestindo numa capa atravessou nosso campo de arroz sem afundar na lama. Parecia flutuar. Ele apareceu do nada, sem que ninguém o notasse! Então ele disse numa voz que parecia um trovão: ‘Cidadãos da Vila da Prata. Meus maiores e mais sinceros cumprimentos. Venho com uma maravilhosa mensagem, quero instruir-lhes um novo culto ao deus da cachoeira. Na verdade, eis que sou vosso sacerdote. Vinde a mim. Esse é o único e verdadeiro Deus. O DEUS ARASHIRA! ’ Todos olharam com medo e admiração.

“Alguns duvidaram, estávamos lá a quase uma centena de anos e nunca se viu nada divino na vila. Um homem questionou de modo brincalhão porque subiu as montanhas e não viu deus algum, nem mesmo na cachoeira, que muitos jovens usavam para se banhar. Não posso dizer como o sacerdote foi rápido, mais que a flecha de um arco. Uma lâmina decepou a cabeça do homem que caiu a metros de distância do corpo.

“Ficamos horrorizados. E ninguém teve mais reação pra nada. O guerreiro caminhou sobre as águas do rio senhores! Então se virou, sua voz trovejou de novo: ‘Vocês honrarão tributos ao vosso Deus. Trarão arroz, peixe, roupas, e tudo mais que ele desejar. Não cometam o ato de questionar-me, nem de desobedecer-me, farão o que eu mandar. Aquele que não cumprir os desígnios de Arashira sofrerá as consequências. Estarão proibidos de saírem da vila. Trabalharão dia e noite para a honra e glória de Arashira’. Com um movimento de seu punho ele fez emergir uma grande parede de água, e depois ele sumiu.

“Contamos o caso aos soldados, mas eles riram de nós. Ao mostrarmos o corpo eles resolveram ir. Cerca de doze homens com katanas e armaduras foram à cachoeira. Só um voltou muito ferido e louco, só dizia uma palavra…”

Gotei fez uma longa pausa, como se o que fosse dizer o sufocasse. Talvez a memória do fato ainda estivesse tão viva que se tornou um pesadelo real. Lançou um olhar de agonia a Sugizo que fez um gesto de compreensão, mas o ancião se forçou a dizer.

— Demônio…

Samurai e discípulo se entreolharam com uma curiosidade tamanha que não passou despercebida pelo ancião da Vila da Prata.

— Fizemos tudo que ele nos pediu. — Dessa vez lágrimas brotaram do rosto do homem. — Muitos homens não quiseram obedecer e fugiram, outros lutaram. Mas todos foram mortos.

— Só este homem apareceu, ele disse o nome?

— Não, há pelo menos mais dois, um velho e uma mulher. Uma vez por semana um deles desce a vila e faz uma pregação. Posso dizer isso porque as vozes são diferentes. Mas todos falam do mesmo jeito. Parecem mesmo ser sacerdotes. Mas o que eles cultuam não passa de um demônio, sim, um demônio da cachoeira.

— Mas o que desrespeito ao rosto? — perguntou Makoto.

— Makoto-san, eu peço desculpas, mas eles usam um longo capuz.

— E quem leva as oferendas?

— As mulheres agora, ou um dos jovens, três vezes ao dia.

— Não acredito que sejam sacerdotes de nenhum novo culto — disse Sugizo reflexivo —, parece mais um grupo de ninjas desertores, ou ronins. Ainda assim a algo que não faz sentido.

— Mas e quanto seus poderes Sugizo-san, eles são magos poderosos. — Gotei dizia isso com tom respeitoso.

— São apenas técnicas de ilusionismo. Estou inclinado a acreditar que são ninjas desertores.

O ancião pareceu assustado com a ideia de ter sido ninjas a invadirem a sua vila.

— Irei lutar por vocês — disse Sugizo se levantando.

— Sozinho Sugizo-san, nós não sabemos lutar, mas se sua coragem é tão grande a ponto de desafiá-los, então…

— Sem querer ofendê-lo Gotei-san, mas não será necessário.

— Mas e eu Sugizo-san, sou samurai também e…

— Sim, e como nós estamos apenas em dupla, subirei até a cachoeira e você junto com Yune-san e Katayama-san defenderá a vila. É bom no arco e flecha. Tome posição no edifício da tropa samurai.

— Mas…

— Pelo menos uma vez na vida não discuta minhas ordens.

Um silêncio se abateu de forma sombria. Parecia ao samurai que seria seu último cruzar de espadas. Esse pensamento deu-lhe um calafrio.

Saíram à rua, os samurais perceberam que as pessoas não tinham ido pra suas respectivas casas. Estavam todos debaixo do Sol, perguntando-se como apenas dois samurais poderiam ajudar a Vila da Prata a se ver livre de três malfeitores como aqueles? Mas seu gesto mostrava uma esperança válida. Então Gotei os reuniu e disse qual o plano de Sugizo. Fariam do mesmo modo como tinham feito de manhã.

A diferença é que haveria um arqueiro e dois guerreiros em campo aberto, mas sua função principal seria proteger as crianças. Não ficariam todos reunidos no mesmo lugar, Yune e Katayama seriam usados como isca. Caso fosse necessário as mulheres lutariam. Só sairiam das casas quando ele retornasse ou fossem atacados. Todos concordaram com os termos. Antes que Sugizo partisse, virou-se para Makoto e disse:

— A força do inimigo é desconhecida, mas espero voltar para ensiná-lo o caminho da espada. Ainda treinaremos na cachoeira.

Mesmo que quisesse falar, Makoto não conseguiria com a voz embargada e fez uma exagerada saudação, que foi imitada por todos os habitantes de Vila da Prata. O samurai montou em seu cavalo e seguiu rumo à clareira que levava até o tal demônio. Por todo caminho sentiu uma sensação de nostalgia, há alguns anos atrás ele e Jinkoto subiam esse mesmo lugar correndo em uma pequena competição.

Ele ganhou por ser mais rápido, motivo pelo qual voltou da guerra e seu amigo não. A clareira tinha uma boa trilha para cavalgar, embora ficasse um tanto íngreme com o passar do tempo. O terreno só ficava acidentado bem perto das quedas d’águas. Poderia ter vindo correndo, não chegava a ser tão longe quanto se supunha. Mas queria poupar energia para seus adversários.

Atrelou o cavalo a um tronco já morto, mas rígido. Viu pegadas, algum jovem ou mulher devia ter trazido o almoço dos tais sacerdotes.

O que ninguém notara era que ali não havia nenhum lugar para um trio tão “chamativo” se esconder. Mas ele sim, sabia onde os tais sacerdotes se encontravam. Talvez um segredo que nem mesmo os rizicultores soubessem. Conhecera aquilo de modo acidental, quando treinava debaixo da cachoeira. Jinkoto o empurrou e ele caiu dentro de uma caverna depois da queda d’água. Ficaram ali por muito tempo, graças a isso, suas visões se aguçaram muito.

Ele se encaminhou até o centro da água, pois havia várias pedras que serviam de base. Desembainhou sua espada, segurou-a firmemente com as duas mãos. Fechou os olhos e se concentrou. Seu rosto estava sereno. A água em sua volta começou a formar pequenas ondas. Gotas se elevavam e pairavam no ar. Seu quimono começou a agitar. A fita que prendia seu longo cabelo se soltou.

Com um brado estridente ele desferiu um golpe vertical com sua espada. A cachoeira se dividiu em duas, desde a sua base, até o topo. Seus cabelos ainda se agitavam quando adentrou na escuridão da caverna. Após passar, a cachoeira tornou-se una novamente. Sugizo caminhou na escuridão. Enquanto adentrava, as sombras o envolviam ainda mais.

Parou no cento da gruta, um verdadeiro útero rochoso. Havia estalagmites, e estalactites que poderiam ser usadas contra ele, caso fosse emboscado. Seu único lume era a espada. Estava desprotegido sem armadura e capacete. Então só podia incitar o inimigo a aparecer.

— Sacerdotes! — A voz foi ecoando até o fundo da gruta. — Eu sou Sugizo Uehara, filho de…

— Tai coisa irrelevante guerreiro, és um samurai, nota-se bem — disse uma voz feminina —, mas não há samurai ou ronin, nem mesmo o próprio Hattori Hanzo, a quem chamam de imortal, poderá impedir meu desígnio.

— Como podem usar as pessoas dessa vila, não permitirei que isso aconteça.

— Nobre samurai — era a voz trovejante que Gotei-san falou. — Arashira é Deus. Rale sua testa contra o chão e o adore. Morrerá pelas minhas mãos.

— Nem mesmo a guarda dessa Vila pode me deter, porque tu sozinho conseguiras? — falou uma voz cacarejante de um idoso.

— Não me curvo perante um deus criminoso.

O samurai se pôs em guarda. Os três sorriram. Sugizo também esboçou um sorriso.

O movimento foi tão rápido que apenas um Zimmm da lâmina foi ouvido. A lâmina inimiga passou a poucos centímetros da cabeça de Sugizo. O vulto desapareceu no contra-ataque do samurai. Os ouvidos aguçados de Sugizo não captavam o movimento do sacerdote. Ele parecia flutuar. A luta se tornou um jogo perigoso, só conseguiria desviar quando o golpe estivesse próximo. Novamente Zimmm, dessa vez Sugizo não teve escapatória e o golpe acertou-o.

Um filete de sangue começou a escorrer no lado direito do seu rosto. Parte do cabelo sofreu um corte, deixando uma visível assimetria. O atacante começou a sorrir. Dessa vez não foi acompanhado pelas outras.

— Bravo samurai. Sugizo-san, quase cortou a minha cabeça. Nunca houve ninguém que conseguisse chegar tão perto de me ferir, mas sua velocidade supera minha técnica de teletransporte.

— Teletransporte. — ele não falou com espanto, mas como se saboreasse a palavra. — Pare com seus joguinhos e me enfrente, só eu e você.

— Hahahahahahaha! — Essa não era nenhuma das outras vozes, o tom era ácido, quase insano. — Como descobriu, como?

— Pra quem está em trio, você fala em primeira pessoa o tempo todo. Usa o capuz para ocultar sua face, assim ninguém duvidaria que fosse uma única pessoa. O ventriloquismo disfarçava a sua voz, assim ela sairia em diferentes lugares. Quanto aos diferentes timbres, é a mesma técnica gutural dos monges tibetanos.

Uma nova risada explodiu. Então pequenas tochas começaram a ascender de uma maneira que os olhos de Sugizo não puderam acompanhar.

Logo todo o ambiente estava iluminado. Um jovem vestido como um ninja apareceu na sua frente. Usava quimono sem manga, aberto até a barriga. Tinha uma manopla de metal em forma de dragão no braço direito. Da boca do dragão saia uma lança de trinta centímetros. De repente sua derme começou a emitir um brilho opaco e rubro, ficando toda vermelha. O nariz se alongou, seus cabelos pratearam. Suas mãos tomaram formas de garras.

— Um tengu! Deixe-me ver, você é o próprio Arashira não é? — Sugizo não pôde conter o espanto, olhos amarelos com tons esverdeados o encaravam com fascínio e cinismo.

— Que foi, parece que nunca viu um tengu na vida! Meu plano era criar uma seita e assim ascender ao poder. Devido minha forma de pensar eu fui expulso do poleiro onde eu vivi com tengus idiotas. Demônios como eu não querem mais viver escondidos. Vocês são os inferiores. Mas você — ele apontou para Sugizo com as garras afiadas. — seu samurai enxerido, colocou tudo a perder. Isso não é bom para os negócios.

Sua risada estrondosa foi ouvida de novo, mas alta até que a água caindo. O samurai tentou controlar seu espanto. Ele não era um onmyou, só conhecia demônios e criaturas mágicas das lendas. Mas homem ou tengu, cairia pela sua katana.

— Estou impressionado Sugizo, você tem as sete luzes do pai?

— Quer saber como me desviei dos seus ataques? Foi com minha técnica do Vento Divino, com ela eu posso controlar e manter correntes de ar envoltas de mim, eu criei uma redoma de ar e fui desviando nem que seja centímetros a sua lâmina.

— Sinto lhe dizer, mas sua técnica não vai funcionar por muito tempo. Aqui as correntes de ar são menores, e o fogo consome o ar.

— Então terei que terminar isso com um golpe.

Ambos saltaram para trás. Tomaram posições. O chão começou a tremer, as pedras começaram a se desprender da terra e do teto da gruta. Flutuavam numa dança antigravitacional. Sugizo fechou os olhos e concentrou toda a energia. Ele trouxe todo o ar envolto na sua katana. O tric-trac do rachar de pedra fazia parecer que a energia dos guerreiros era palpável.

— Vou usar minha técnica mais poderosa! — disse Sugizo excitado.

— Farei jus a isso — retrucou Arashira.

Suas veias saltavam do pescoço, as faces contraíam-se em fúria. Precipitaram-se um contra o outro.

Redemoinho das Mil Lâminas — gritou o samurai.

Investida do Dragão — bradou o tengu.

Num movimento horizontal da espada, o vento formou um furacão, pegando Arashira de frente. O tengu ficou nas correntes circulares de vento sendo dilacerado por elas. Como se diversas espadas o cortassem. O vento parecia ter vida própria. O tengu ainda caminhou para frente do samurai. Sugizo saiu da posição de ataque e embainhou a sua katana. Arashira ainda sim, tentava com dificuldade dar alguns passos, mas parou de repente.

— Maldito… seja… Sugizo Uehara.

Sua pele começou a escorrer linhas de sangue roxo em toda a extensão do tengu. Então se pôs todo o corpo a se disjungir em pequenos cubos de carne sanguinolenta.

Sugizo saiu da cachoeira. Deixou-se molhar dessa vez. Caminhou sobre as pedras base do meio da cachoeira. Seu quimono estava todo molhado. A cor branca estava salpicada com pingos de sangue. Foi direto ao seu cavalo, teria muitas histórias para contar aos moradores da Vila da Prata e a Makoto-kun.

Publicado por Caliel Alves em: Agenda |
0

Simpatia que realmente funciona Simpatia para a pessoa pensar em você – Leia sozinho. Não acreditava que ia dar certo, mas…Vamos brincar de magia?? Funciona mesmo!! Entrei neste site e fiz esta prece. Fiz para ver se ia dar certo e deu, assim que acabei meu amor ligou. A pessoa que eu copiei não acreditava. VEREMOS. Para você mesmo, diga o nome do único rapaz ou moça com quem você gostaria de estar (três vezes)…Pense em algo que queira realizar na próxima semana e repita para você mesmo (seis vezes). Se você tem um desejo, repita-o para você mesmo (nove vezes)….Nossa Senhora do Desterro, desenterre (h.f) de onde estiver ou com quem estiver e faça ELE me telefonar ainda hoje, apaixonadO e arrependidO, desenterre tudo que está impedindo que (h.f) venha para mim (c.s), afaste todos amigos e amigas , que elE não tenha pensamentos para outras coisas e amigos e amigas e sim para mim, pense em mim, me telefone e me ame. Confio no seu poder e sei que serei atendida. Amém. Nossa Senhora do Desterro, dese! nte!!!rre (h.f) de onde estiver ou com quem estiver e faça ele me telefonar ainda hoje, apaixonadO e arrependidO, desenterre tudo que está impedindo que (h.f) venha para mim (c.s), afaste todos amigos, que ele não tenha pensamentos para outras coisas e amigos e amigas e sim para mim, pense em mim, me telefone e me ame. Confio no seu poder e sei que serei atendida. Amarra mulher, amarra mulher, amarra mulher. (h.f) te prendo e te amarro tua alma, teu espírito e teu corpo, as forças te trarão chorando aos meus pés, tu não hás de comer, tu não hás de falar com outra mulher enquanto não me procurar para pedir o meu amor, o meu perdão e a nossa reconciliação. Te prendo (h.f) com toda força, amarrado a mim, dominado por mim, nenhuma outra mulher te interessará, tu terás pensamento só em mim, meu amor por ti será tudo. Socorro Salve Rainha do Cruzeiro, traga (h.f) de volta imediatamente, que (h.f) mande mensagem, me ligue, me procure , me ame loucamente, não tenha von! tade de faz!e!r!mais nada enquanto não ligar para mim, me proc! urar e q ueir!a !m!e amar,ficar, sair, namorar,ser mEU COMPANHEIRO, transar e estar comigo sempre, o tempo todo, que perca o juízo quando estiver comigo que (h.f) sinta saudades, vontade de mim o tempo todo, de manhã, de tarde, a noite, de madrugada, que não pare de pensar em mim nenhum momento….que eu fique na cabeça dela 24 horas por dia, e sinta muita vontade de estar comigo, como eu estou sentindo delE neste momento. Prometo publicar esta oração pois sei minha Salve Rainha que sua bondade é grande. Amém. Que Assim seja! Assim será! Assim está feito!

Simpatia que realmente funciona

Simpatia para a pessoa pensar em você – Leia sozinho. Não acreditava que ia dar certo, mas…Vamos brincar de magia?? Funciona mesmo!! Entrei neste site e fiz esta prece. Fiz para ver se ia dar certo e deu, assim que acabei meu amor ligou. A pessoa que eu copiei não acreditava. VEREMOS. Para você mesmo, diga o nome do único rapaz ou moça com quem você gostaria de estar (três vezes)…Pense em algo que queira realizar na próxima semana e repita para você mesmo (seis vezes). Se você tem um desejo, repita-o para você mesmo (nove vezes)….Nossa Senhora do Desterro, desenterre (h.f) de onde estiver ou com quem estiver e faça ELE me telefonar ainda hoje, apaixonadO e arrependidO, desenterre tudo que está impedindo que (h.f) venha para mim (c.s), afaste todos amigos e amigas , que elE não tenha pensamentos para outras coisas e amigos e amigas e sim para mim, pense em mim, me telefone e me ame. Confio no seu poder e sei que serei atendida. Amém. Nossa Senhora do Desterro, dese!
nte!!!rre (h.f) de onde estiver ou com quem estiver e faça ele me telefonar ainda hoje, apaixonadO e arrependidO, desenterre tudo que está impedindo que (h.f) venha para mim (c.s), afaste todos amigos, que ele não tenha pensamentos para outras coisas e amigos e amigas e sim para mim, pense em mim, me telefone e me ame. Confio no seu poder e sei que serei atendida. Amarra mulher, amarra mulher, amarra mulher. (h.f) te prendo e te amarro tua alma, teu espírito e teu corpo, as forças te trarão chorando aos meus pés, tu não hás de comer, tu não hás de falar com outra mulher enquanto não me procurar para pedir o meu amor, o meu perdão e a nossa reconciliação. Te prendo (h.f) com toda força, amarrado a mim, dominado por mim, nenhuma outra mulher te interessará, tu terás pensamento só em mim, meu amor por ti será tudo. Socorro Salve Rainha do Cruzeiro, traga (h.f) de volta imediatamente, que (h.f) mande mensagem, me ligue, me procure , me ame loucamente, não tenha von!
tade de faz!e!r!mais nada enquanto não ligar para mim, me proc!
urar e q
ueir!a !m!e amar,ficar, sair, namorar,ser mEU COMPANHEIRO, transar e estar comigo sempre, o tempo todo, que perca o juízo quando estiver comigo que (h.f) sinta saudades, vontade de mim o tempo todo, de manhã, de tarde, a noite, de madrugada, que não pare de pensar em mim nenhum momento….que eu fique na cabeça dela 24 horas por dia, e sinta muita vontade de estar comigo, como eu estou sentindo delE neste momento. Prometo publicar esta oração pois sei minha Salve Rainha que sua bondade é grande. Amém. Que Assim seja! Assim será! Assim está feito!

(more…)

Publicado por MaluFerreira em: Agenda |

Powered by WordPress. © 2009-2014 J. G. Valério