Escritor: Sombra Posthuman
Estou no meu quarto, deitado na cama. O relógio não para de fazer aquele barulho irritante: tic…tac…tic…tac… O tempo não para…Ele está sempre com pressa! Isso me dá uma agonia… Olho pela janela, o mundo está acabando. Bolas de fogo caem do céu, bestas carnívoras dilaceram as pessoas… Dentre as vítimas reconheço meu pai, minha mãe e minhas irmãs. E o relógio continua… tic… tac… tic… tac… Um terremoto. O chão se abre e a parede racha ao meio. O relógio cai na fresta aberta pelo chão. Ufa! Que bom! Livrei-me do relógio. Por pouco não cai também a TV. Isso não seria legal. Mas onde está o controle? Não me lembro de onde deixei… Ah,… não faz mal. Eu fico olhando para o teto, ele me dá uma paz… Meus braços e pernas caem no chão. Eu tenho preguiça de pegá-los. Quem precisa deles? Os ratos aparecem e começam a comê-los. Eles os estão usando melhor que eu. Silêncio… paz… O que mais eu poderia querer? No lugar dos meus membros, crescem raízes… E vão penetrando no colchão. Vão cravando fundo na cama. Eu estou plantado. Eis que corvos entram pela janela e começam a comer minhas vísceras. Saiam! Saiam daí! Eles bicam meus órgãos ferozmente. Malditos corvos! Eles bicam, e bicam… o que eu posso fazer? Mas felizmente, o colchão começa a se tornar lama e eu vou afundando. Os corvos vão embora. Que bom! Eu estou imerso em lama até o pescoço. O teto, paz, silêncio… Volta a angústia,… onde estão todos?… Parece que o mundo acabou e só sobrei eu. Se ao menos eu tivesse o controle da TV… Deus me abandonou. E deixou um rastro de luz. A porta está aberta,… mas está tão longe,… tão longe,… tão… longe… Meu cérebro começa a virar gelatina… Legal…