Desafogamentos

Durante todos esses anos estive te procurando. Em cada canto, por todos os lugares. Não te encontrei. Ninguém me disse onde podia receber notícias de você. E eu vim sozinha pra cá atrás de você. E foi então que finalmente te encontrei, no lugar que eu acreditava que não estaria. No único lugar que parecia não caber. Você desde sempre estava ali, dentro de mim. E então construí isso aqui pra você. Tudo que escrevo tem um pouquinho de você. Tem sua pinta atrás da orelha esquerda, tem seus truques de cartas, tem suas mágicas de toalhas, tem sua letra redonda e torta, tem seus cabelos enrolados, tem suas mãos macias, tem seu olhinho bobo, seus lábios grossos, tem seu abraço-ninho que parece acolher o mundo. Você só parece não fazer questão disso. Mas não importa. Porque não escrevo só para você. Escrevo para mim. E um dia todos estarão mortos. Não vai sobrar ninguém ao menos pra dizer que um dia o Homo Sapiens existiu. Ninguém vai se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de mim, ou de você. Mas esquece, deixe o fim do mundo e o esquecimento humano para Deus. Enquanto isso… continue lindo que eu estarei aqui te amando e escrevendo.































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