Burqa
Autora: Yolanda de Toledo
Essa criatura imaculada
Laçada pelas regras
Resto do meu barro
Bafejado por esperma
Pernas de tecido
Cintura inexistente
Tensão sob um disfarce
Fatigado pelo tempo
Autora: Yolanda de Toledo
Essa criatura imaculada
Laçada pelas regras
Resto do meu barro
Bafejado por esperma
Pernas de tecido
Cintura inexistente
Tensão sob um disfarce
Fatigado pelo tempo
Autor: Carlos Geovanni Chrestani
O coração
Causa confusão
Tendo uma única função:
A pulsação
Culpado pelo amor,
Incriminado pela paixão,
A ele resta a dor,
O sofrer da desilusão
Autora: Yolanda de Toledo
Baú de rachaduras
Rachaduras do mundo
Mundo de birutas
Birutas e corruptos
Corruptos para tudo
Tudo a busca de assuntos
Assuntos dos ursos
Ursos que soluçam
Autor: Carlos Geovanni Chrestani
Passou o tempo em que o tempo não passa. Quanto tempo o tempo tem?
Tem todo o tempo! O tempo só não tem tempo
Para parar. Só tem tempo quem parou
No tempo. Para o tempo,
Tudo a seu tempo.
O tempo
Não
Conta
Tempo.
Há tempos
Não há contratempo
No tempo. O tempo não
Perde tempo. O tempo corre através
Dos tempos. Pois no tempo, tudo e nada tempo tem ao mesmo tempo.
Autor: Andrey Ximenez
Brilho do Sol que,
caminhando pela estrada da lâmina reluzente,
move-se vagarosamente
frente as janelas do soldado…
Caminho sinuoso,
torto,
perto de um penhasco.
A caminhada de um homem.
Passo-a-passo.
Autor: Tarcísio Bispo de Araújo
Dos restritos, desabrocha as lápides,
inscritas nas memórias do viajante,
do peregrino, a mercê das verdades;
Arquitetadas pela pueril imaginação,
tão póstuma quanto à alma errante,
a vagar pelos receios da frustração.
É difícil enxergar quando é preciso ser cego -
Tocar o véu das ilusões se torna impossível.
Então, o sentir perde o sentido, veda o ego,
e, confuso, as mãos, loucas, agarram o invisível…
Autor: E.U Atmard
Afogado
Em mágoa e Solidão
Em dor
Em ódio e perdição
Perdido como uma pena caída de um anjo
Destruído
Quebrado
Saber que não voltarás
A eterna bruma, o nevoeiro
E vejo a barca a voltar
Vazia
Autor: Anderson P. da Silva
Vai sonhador
Ao lugar onde os leões choram
E os poderosos deixam escapar um grito.
Nunca vi ninguém tão imponente
Como o encantador sobre o seu cavalo.
A musculatura de aço e lógica
Golpeando o solo virtual
Temos uma guerra não contra carne
Mas contra os espíritos corrompidos dessa dimensão
Contra forças espirituais corruptas
E contras pragas invisíveis deste submundo.
Autor: Andrei Valentim
Minha querida,
Por que estás tão pálida
Cheirando como as rosas
E tão obstinadamente cálida??
Posso ver-te sedenta
Pendida as asas de pétalas
Lacrimosas vestes de seda
Que de carmim queres pintá-las?
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