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conto da noiteO Conto da Noite
Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

>> Confira outros textos de Evandro Furtado

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* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui...
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O gordo contra o mundo

Imagem | Antimidia

Imagem | Antimidia

– O Senhor está bem?

– Sim, e o Senhor?

– Também. Pensou em uma resposta para minha pergunta? No porque nós dois estamos aqui?

– Pensei, mas não sei direito por onde começo.

– Pode ser da onde você quiser.

– Pode ser de quando eu queria fazer alguma coisa?

– Que coisa?

– Eu ainda não sabia o que era, mas eu queria fazer alguma coisa que mudasse tudo.

– Como assim mudasse tudo?

– Que as coisas fossem melhor, sabe?

– Queria que você falasse mais dessas coisas.

– Então, eu queria mudar elas, e ia começar pelo preconceito contra os gordos. Você sabia que eles são a maioria da população do Brasil e representam quase um terço da população mundial?

– Sabia, mas porque você pensou nos gordos e não nos negros, por exemplo. O racismo não te incomoda?

– Claro, claro que o racismo me incomoda. Eu pensei sobre isso, em começar a mudar as coisas por aí, mas eu não poderia virar negro depois que eu nasci branco. Enfim, este é um grande problema, mas eu estaria preso a certas limitações. O gordo também tem uma coisa de diferente, eu pensei. Tem gordos de todos os tipo, ricos e pobres, brancos e negros, católicos e ateus, e todos eles sofrem com o mesmo preconceito, ser gordo.

– Sim, entendo, e você sofria esse preconceito?

– Não, eu só escutava falar, lia notícia. Mas era porque eu era magro, e eu precisava ser gordo para saber o que era isso. Por isso comecei a comer tudo que eu podia até ficar assim, gordo.

– Então o Senhor ficou gordo para poder sofrer preconceito?

– Isso. Me sentia muito mais livre para falar sobre todas as injustiças e julgamentos que os gordos sofrem. Os olhares nos ônibus, a discriminação na hora de conseguir um emprego, o bullyng. Para protestar mandei fazer uma camiseta escrito bem grande: “Sou gordo porque eu quero e posso.” Olha o meu tamanho, e olha que eu era maior, era um outdoor ambulante.

– E o que aconteceu?

– O que acontece com todo gordo. As pessoas se afastam, eu virei motivo de piada. Então eu fui procurar apoio naqueles grupos onde os gordos vão para tentar emagrecer.

– Você queria emagrecer?

– Não. Todo o preconceito começa com essas pessoas. Essa conversa de que o gordo é bonito por dentro, que ser gordo é uma doença, que gordo é preguiçoso, eu descobri que tudo isso é a raiz do problema. A cultura, a velha e culpada cultura. Mas voltando. Esses programas nunca funcionam, só servem para as pessoas ficarem deprimidas, se isolarem. Então eu comecei a falar com essas pessoas. Explicar que ser gordo não é feio, nem crime, nem doença, não significa nada.

– E assim você ia mudar as coisas?

– Isso.

– E as coisas mudaram?

– Não muito, mas cheguei a algumas conclusões.

– Porque você acha isso?

– As pessoas me olhavam com cada vez mais desprezo. Mas eu percebi que as pessoas que me olhavam assim eram as magras. Quanto mais eu engordava menos atenção me davam. Preferiam ir de pé no ônibus do que ir sentada do meu lado. Não era assim que eu ia mudar as coisas. As pessoas gordas se aproximavam, vinha conversar, conseguiam enxergar as coisas diferentes. A ideia é que as pessoas sejam iguais, mesmo se parecem diferentes.

– E como você se sentia?

– Eu me sentia bem em ser gordo e poder falar sobre tudo isso. O que eu sentia na pele era o preconceito dos magros. Cheguei até a ser entrevistado por uns jornais. Tenho tudo guardado. Mas aquele sentimento de mudar as coisas continuava martelando a minha cabeça. Sabe, eu nasci para mudar as coisas. Acho que sou meio que predestinado.

– Como assim?

– Por exemplo, a família do meu pai e da minha mãe se odiavam. O meu avô, por parte de pai, era prefeito, e meu avô, por parte de mãe, presidente da câmara de vereadores. Eles viviam brigando. Mas aí eu nasci e mudei as coisas, porque as duas famílias ficaram amigas e a câmara dos vereadores e a prefeitura começaram a trabalhar juntos e tudo melhorou na cidade.

– E o Senhor acha que foi o Senhor o responsável por essa mudança?

– E não?! As famílias se odiavam mesmo. Tem até história de morte. O Senhor pode ter certeza que não estou aqui por acaso. Estou aqui para mudar as coisas. Só contei essa história para o Senhor entender que sempre foi assim, de mudar as coisas.

– Mas o Senhor estava dizendo que não ia muito bem com relação ao preconceito dos gordos, a relação com os magros era difícil.

– Isso, mas era difícil por causa deles. Com o tempo fui percebendo que as pessoas estavam hipnotizadas pelas ideias dos magros, e foi quando desenvolvi minha teoria de que se todos fossem gordos não haveria preconceito. E, convenhamos, é bem mais fácil, e legal, os magros virarem gordos que os gordos virarem magros.

– Mas o Senhor não acha que querer que todos os magros virem gordos é igual querer que todos os gordos virem magros?

– Sim, mas é diferente, porque os gordos não tem preconceito contra os magros, mas os magros tem preconceito contra os gordos. Mas eu entendo as reclamações de que minha teoria foi bastante radical. Eu também entendo que mudar as coisas é difícil, leva tempo, só de estarmos falando sobre isso já foi uma pequena vitória. Falar do preconceito contra os gordos já é um começo. Já dei o primeiro passo. Mas eu nasci para fazer coisas maiores, mudar tudo.

– Como assim?

– Percebi que para mudar as coisas, e muitas coisas tem que ser mudadas, então tenho que dar vários primeiros passos, entende?

– O Senhor quer dizer um passo de cada vez?

– Não, quer dizer que eu tenho que ser tudo que gera algum tipo de preconceito. Assim eu vou poder sentir tudo, e falar sobre tudo, e mudar todas as coisas. Agora eu vou ser pobre.

– Entendo. Falaremos sobre isso na próxima sessão, os enfermeiros irão acompanhar o Senhor até seus aposentos.

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All Star #44

Imagem | Antimidia

Imagem | Antimidia

Já faz um tempo que descobri que estudar não é fundamental para terminar o colégio. Só precisa estar lá no dia-a-dia e fazer uma prova que quase sempre é coletiva. A escola não quer reprovar ninguém e os pais dos alunos não querem os filhos reprovados. Isso basta. Então, como diz o Gabriel Pensador, gosto de pensar que estou usando este tempo para aprender a viver. Não é fácil com um monte de gente dizendo que tudo é importante todo tempo, mas é agradável quando a Júlia vem conversar sobre qualquer coisa. “Você tem um cigarro pra mim fumar no intervalo?” “Mas você não fuma…” “Estou começando. Ontem fumei um com a Alina e o Enrolado. Hoje queria fumar com você no intervalo.” “Você que sabe, mas acho que isso não é legal.” “Por favor, não venha você, que fuma quase um maço por dia, dizer que fumar faz mal e blá blá blá…” “Nunca disse que me orgulho.” Ela me olhou com aquele sorriso de ironia, um pouco envergonhada. As borboletas estralaram por todo o meu estômago e gritaram em coro: “ela quer ficar sozinha com você idiota!” Um contido eu murmurou: “vamos no fundo da garagem dos ônibus então?” “Legal, vou falar com a Alina e o Enrolado também.” E as borboletas voltaram a ser lagartas parasitas que roubavam toda minha coragem de dizer para ela tudo que eu queria.

Fumar escondido no corredor entre os dois ônibus que ficavam na garagem era como sentir a liberdade inflando os pulmões. “Ontem, escutando National anthem conclui que Radiohead é pura arte.” Na verdade tinha passado a tarde de ontem inteira escutando este som. “Arte do suicídio?” A Julia tinha me dito uma vez que tinha medo de escutar Radiohead sozinha. “Arte é uma coisa que te diverte, tira você do ar, Radiohead deprime.” “Quem te disse isso cara?” “Que Radiohead deprime?” “Não, que arte é diversão.” “Não é?” “Não. Arte é uma coisa que causa estranheza e não tem finalidade por si só.” “Então você é arte!” Me sinto duas vezes mais idiota quando o enrolado faz eu parecer um idiota na frente da Julia. Já faz um tempo que descobri que um dia, que não vai demorar muito, tudo que acontecer aqui não vai significar absolutamente nada. Mas enquanto essa hora não chega qualquer coisa parece com hambúrguer para o apocalipse. Como sempre acontece trinta segundos antes do sinal do tacar o Sergião estava de olha na gente lá no fundo para ver se ninguém ia pular o portão para fugir daquele hospício. “Vamos fumar um lá na beira da pista para ver o pôr-do-sol no fim da tarde?” Jamais diria não para a Julia. “Nós temos que terminar o trabalho de inglês depois da aula hoje.” Quando a Alina tirou ela e o Enrolado do rolê as borboletas voltaram a estralar no estômago. “Eu topo.” “Legal, vou ver se o Jhony quer ir com a gente, tudo bem?” E as borboletas voltaram a ser lagartas parasitas que roubavam toda a minha coragem de dizer para ela tudo que eu queria.

Passei a tarde inteira pensando em um jeito de escapar do destino implacável de amar alguém. Escutei In my darkest hour do Megadeth, depois o acústico inteirinho do Alice in Chains, Lithium do Nirvana, e nada. Os contos do Bukowisky me diziam que as coisas ainda podiam piorar. Nem Holden Caulfield podia me salvar, e Beleza Americana confirmava um fim trágico para a vida se eu continuasse no caminho que os professores, meus pais, avôs, o mundo, traçava para mim. O melhor mesmo seria se jogar no abismo de uma faculdade pública qualquer longe daqui. Nos últimos tempos perdi umas horas pesquisando a relação candidato vaga em universidades do norte e nordeste. Da para passar em filosofia, sociologia ou um curso ia qualquer em um monte delas. Já faz um tempo que descobri que ainda não tenho a menor ideia do que quero ser na vida. Enquanto eu não souber o que vai ser o melhor a fazer é ganhar tempo. Uma temporada longe da Julia podia ser bom para ela sentir minha falta. Isso fazia as borboletas do estômago estralarem como nunca. Eu voltando para casa, formado numa faculdade pública, e a Julia morrendo de saudades, também formada, e a já casada com um cara qualquer que ela conheceu na faculdade. Era o mais provável. E as borboletas voltaram a ser lagartas parasitas que roubavam toda a minha coragem de dizer para ela tudo que eu queria.

A Julia passou em casa, com o Jhony, e o trio princesa, príncipe e o bobo saíram para passear. O jeito que um falava com o outro, e a empolgação deles em falar um com o outro, gritava que eu estava sobrando lá. Só quando já estávamos perto do limite da cidade, e acendi o baseado, minha presença foi notada com um comentário do Jhony. “Hummm….senti aquele cheirinho da erva vinda do norte.” Os dois riram como se o Ari Toledo tivesse contado uma piada. Não fiz questão de disfarçar um sorriso forçado, e a Júlia tentou criar alguma ligação entre nós três. “O Jhony tava me falando outro dia que começou a ler O senhor do anéis…..você já leu, né Neb?” “Não, eu acho o Tolkien muito descritivo, prefiro ficção científica.” Passei o baseado para ela e nem olhei para ele, que tentava invocar uma amizade que nunca existiu. “Eu gosto bastante de umas coisas mais mitológicas.” “O Neb me emprestou uma vez A revolução dos bichos e eu gostei muito. Mas não consigo ler O senhor dos anéis.” Os dois não concordavam em alguma coisa, foi o suficiente para as borboletas no estômago estralarem como a esperança que surge sem explicação todo começo de primavera. “Mas os filmes são sensacionais. Eu tenho os três.” “Nossa, eu nunca vi.” “A gente podia combinar de fazer uma maratona e assistir os três qualquer dia em casa.” Os dois se olharam e a Júlia deu pra ele um sorriso que ela nunca me deu. E as borboletas voltaram a ser lagartas parasitas que roubavam toda minha coragem de dizer para ela tudo que eu queria.

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Chumbo e Bala


Por: gu1le

Olá para todos! Boa tarde, boa noite, bom dia! O tempo tá bom, os ventos macios, o céu tá varrido, eu tô quentinha e, o rio ainda corre para o mar. Então, olá! Tudo de bom para os senhores e para as senhoras. Meu alô mando também, pros menino e pras menina menor. Enfim, pra todos que estão lendo minha história. Agora permitam-me apresentar-me.

Eu sou a bala na cabeça de Burt. É isto mesmo, eu sou a bala na cabeça de Burt. Imagino que você deve estar decepcionado pois, se eu sou a bala na cabeça de Burt; então Burt deve estar morto certo? É, pois é aí que você se engana! Pensa de novo.

Hellouuu? Eu disse que era a bala que atravessou a cabeça dele?
Não.

Eu disse que era a bala que explodiu a cabeça dele?
Também não.

E eu disse, que era a bala que ao atravessar a cabeça dele a explodiu em pedaços como uma abóbora podre e, foi cravar-se num muro rajado de sangue?
Na-nani-na-não. Também não, também não.

Eu lhe disse que tipo de bala era? Ene-á-ó-til, não.

E se eu fosse uma bala de Extasy? O que claro, não é o caso pois, eu sou uma legítima bala de chumbo. Estou te explicando estas coisas, para que você abra a mente para esta história, a minha história de como fui parar na cabeça de Burt.

Ele modificou minha trajectória neste mundo. Me deu um lugar pra morar. Ele é importante pra mim, sabe? E eu? Eu mudei a vida dele. Mudei a forma dele ver o mundo. Mudei o mundo pra ele. De dentro para fora, do jeito certo que tem que ser feito.

Eu e meu mano, estamos correndo juntos já faz um tempinho uns anos, quatro ou cinco anos. Eu me hospedo numa parte do cérebro que, para minha sorte é muito pouco usada por Burt, por isto, aqui tenho bastante espaço. Estou bem não se preocupe comigo que, estou bem. Até agora. Preciso apenas redecorar o ambiente aí estarei em casa. Qualquer coisa eu te mando um SMS e e-mail com as fotos em jpg do meu cafofo. Burt é alto, moreno claro, não tem barriga, é um feixe de músculos careca. Tem pouco cabelo, então raspa a cabeça. Um bom lugar pra se morar.

Mas voltando a vaca fria, tem umas paradas me incomodando mas, num é béeem comigo.

Veja:

Quem tem problemas grandes mesmo é Burt. E estou sabendo, que tem uma porrada de outras balas querendo entrar na cabeça de Burt. Não só na cabeça. Nas perna, nos pulmões, no estômago, coração, nos intestinos deste meu mano que, me deu um lugar tão aconchegante pra ficar. Eu tenho muitos amigos aquí. Não vou sair. Não pago aluguel, por que eu invadí, mas protegerei ele até o fim e, se algum dia alguém tiver de mata-lo; este alguém será eu.

Existem recordações que não se apagam. A gente revive ela, várias e várias vezes como agora. Enquanto eu conto para vocês, eu estou lá. Entende?

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Estamos, fugindo em desabalada carreira. Tá escuro. Aqui é um vasto matagal que rodeia um lixão que nunca viu dias melhores. Estou dando uma dor de cabeça média que mantém meu amigão ligado. Estou também pressionando de tabela, uma parte do cérebro de Burt que o enche de endorfinas e, o alucina ligeiramente dilatando suas pupilas, coisa fundamental neste momento pois, a escuridão é grande ao nosso redor mas, ele graças a minha pressão enxerga como se fosse dia. Estamos deixando nossos perseguidores a pé comendo poeira, mas não estamos rendendo muito em relação a caminhonete e os cachorros Pit-Bull.

Sebo nas canelas cara! Corre, corre, corre mais mano! Mais! Corre mais porrta! Vai seu porrta! Miserável! Corre se não eu mesmo te mato seu fila da pula! Vái morfético infiliz!

Encho ele de adrenalina movendo-me um décimo de milímetro.

Há uma erosão bem á frente uns duzentos metros. Eu sei que você pode ver. Tá escuro, mas você pode ver. Seis metros de largura mais ou menos. Você vai saltar sobre ela Burt. Ora, cale esta boca Burt! Você vai saltar sobre ela sim! Não me diga que não consegue se não, eu paraliso seu lado direito agora junto com o fígado. É Burt seus olhos vão saltar pra fora. É cara, será pior do que a morte. Pior do que aqueles caras vão fazer com a gente. Não me venha com esta conversa de medinho de fresco não. Mais uma vez tâmo quase fud graças à suas bestagens. Vai Burt! Não cara! Não é pra parar na beira do abismo e aí saltar. Olha, vai correndo, isto corre mais, salta com uma perna só no ultimo momento para cima, isto. Pra cima, não para frente, isto. Agora continua correndo que nem um retardado, enquanto estamos no ar. Isto mesmo, por que também caminhamos pelo ar (resistência mínima) e aí, quando você tocar solo, ou você perde o equilíbrio e cai rolando de lado ou, continuamos correndo.

O macio pasto barba-de-bode do outro lado, recebe os pés da gente. E conseguimos. Sartamo fora. Saímo di banda. Iúrrrú! By-by otários. Vemos as luzes de uma auto-estrada. Não devemos nos expor. Vamos à ela. Vamos caminhando ao lado dela, abaixo dela de preferência. Vamos pela vegetação que esconde os campos dos motoristas. Acharemos muitas coisas por lá eu sei.

Apesar de eu estar vestida de Burt, sinto-me miserável ao ver ele em farrapos. Vamos Burt, procure. A estrada sempre deixa presentes para os andarilhos que sabem enxergar. Uma mala com roupas ou, um tênis semi-novo…

Um único pé de salto alto agulha metálico, nos coloca novamente em confusão. Foi momento meu de distração e, meu brow depois de catar o salto, ver que não cabia no pé dele atira-o sobre os ombros. O salto, cai na auto-estrada acima da gente uns dois metros. Caminhamos uns cinco metros, aí ouvimos o som de pneu explodindo, freiada, colisão, metal rompendo-se. Ô manoooooo? Poooooo**a Burt?!

What a Fuck?

Seu desmiolado!

De novo?

Já tava difícil. Agora, lascou de vez.

Ouvimos o ronco alucinado de um motor em giro total sem atrito e, primeiro um carro esportivo preto passa voando sobre nossas cabeças. Na seqüência uma caminhonete amarela cruza o ar, meio de lado. Ouvimos gritos. O carro bate de bico no chão espirrando grandes torrões de terra, grama e um passageiro. Ainda capota duas vezes e depois, fica com as rodas pra cima girando. Os faróis, iluminando a madrugada fria. A caminhonete. se choca lateralmente em gabiões, Brang! Prang! Scrrraaaatch! E fica parecendo uma panqueca, ou um omelete o que preferir, seus faróis também iluminando o sereno gelado da madrugada. O esportivo preto, ilumina a auto-estrada e parte da caminhonete. Já a amarelinha, ilumina um rio que passava ao fundo de uma ravina rasa de granito.

Fumaça de gasolina, cheiro de relva molhada e sereno da madrugada. Existe algo melhor que um aroma destes? E fumaça de gasolina, sereno da madrugada, mato molhado, piriguetes perfumadas em roupinhas apertadas, som auto-motivo, droga e escocês black label? Pois é meu amigo. Eu e burt temos agora tudo isto bem na nossa frente. Esmagado, partido, rachado e acho que vai explodir mas, por enquanto bem na nossa frente. Vamos a coleta. Não tem jeito a gente tem que viver né?

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Olá para todos! Sem mais delongas vou também apresentar-me. Eu sou, o Chumbo da bala da cabeça de Burt. Sou por assim dizer, a alma da bala que está na cabeça de Burt. E lhes garanto uma coisa; não acreditem neles. Estes dois, são uns imprestáveis. Só vivem criando confusão e nos colocando a todos em encrencas. Um dia destes vocês vão saber a minha versão da história e, saberão a verdade. Agora eu tenho que ir, vou lavar uns pratos na cozinha que está uma bagunça. Não esqueçam-se de mim amigos. Eu sou o Chumbo da bala na cabeça de Burt.

————————————————————————————————

Ah… percebo! Vocês conheceram o Chumbo não é? Enquanto eu fui ali no banheiro, ele veio aqui tomou conta do corpo de Burt e meteu o pau na gente né? Pois bem. Eu não vou nem apagar. Nem apagar. Pois, o chumbo é um mentiroso de primeira. Só porque eu sou a forma, e ele é o conteúdo; não tem que ficar se achando melhor que ninguém não. Nós somos todos iguais e tâmo tudo na mesma médra. O que mata Burt eu acho, é o Chumbo. Pronto falei. O Chumbo é parte de mim, mas eu tinha que falar. E pior, o Chumbo ama Burt mais que eu. Ô vida complicada né?

Mudando de pau pra cacete, voltemos a vaca fria.

Grande foi nossa surpresa, ao percebermos que a caminhonete arrebentada era a mesma que nos perseguia pelo lixão. Imensa foi nossa alegria, por constatarmos que dois dos nossos perseguidores estavam vivos. Não por muito tempo. Eu e Burt iremos à forra!

Antes de irmos à forra primeiro, sexo, drogas e forró universitário. Vejamos este esportivo preto.

Nos agachamos e observamos o motorista era um jovem bombado. Já de cara, notamos que o sofisticado esportivo não tinha air-bags. O volante estava afundado na cara dele e, todo o painel sofisticadíssimo do carro, estava coberto de carne e sangue assim como o teto do carro. A passageira do banco da frente, que não usava cinto de segurança foi cuspida-ejetada no primeiro baque, e de onde estávamos, dava pra ver que agora namorava uma árvore cascuda ou então; estava tentando entrar dentro dela na marra. O carinha no banco de trás no lado do motorista, foi empalado no abdômen pela barra de direção, junto com o motorista morto; gemia baixinho sangrando pela boca. No teto, grandes bolas de sangue e vísceras estavam a ser formar. A garota ao lado dele chorava, mas não parecia ter sofrido nada de grave; apenas cortes superficiais. É, ela estava de cinto de segurança. Quando ela moveu uma perna debaixo do banco, apareceu uma garrafa de escocês lacrada junto com um saco branco e copos plásticos. O saco a gente jogou fora. O escocês, a gente derramou em um dos copos e bebeu umas belas goladas apenas para espantar o frio. Retiramos a menina pelo outro lado do carro, e a estendemos no chão de barriga para cima, só isto. Fomos para a traseira do carro e demos um chutão no porta-malas que se abriu derramando barraca de camping, mala com roupas masculinas, femininas, comida e garrafa d’água. Tiramos a sorte grande (temporariamente), graças ao azar de Burt. Aposto que tudo isto será péssimo para o Karma dele mas, temos que seguir em frente.

Agora Burt, arranca a roupa. É agora. É bicho, agora tipo neste momento. Ah, esquece o frio. Não! Não Burt, não pode mexer na mala de roupa agora véi! Vai na comida. Come pelado. Depois lava as mão. Aí então, é que você vai na mala de roupa e procura roupas e as veste. Temos que vazar logo daqui, mas vamos sair daqui limpinhos. Comer o quê Burt? Ah, coma o que quiser desde que não tenha uma caveira com dois ossos cruzados. O quê? Ah tá, bacon cru pode. Ovo cru quebrado? Pode. Queijo e presunto, claro que pode. Pão pode. Olha, você está me irritano carinha… Carne crua? Crua mesmo? Você gosta desta merdra assim? Hmmm… então pode. Acabou? Ok! Bebe água. Bochecha. Lava as mão. Ah esqueci, volta no carro e procura todo dinheiro que puder encontrar. Encontrou? Põe uma pedra em cima e vai caçar o que vestir mano. O quê? O bombado era policial? Melhor ainda. Pega os documentos dele também.

As roupas encontradas na mala do bombado, serviram bem em Burt apesar de, um pouquinho curtas. Mas é assim que eu gosto de ver meu brow. Casaco de couro, camisa pólo, calça jeans rústica e tênis importado. Adeus frio da madrugada. Mais golinho de escocês e, vamos ver a tal caminhonete amarela.

Nas proximidades da caminhonete amarela, encontramos um Taurus carregado e pegamos ele. Perto do riacho, vimos dois homens fortes meio grogues a se levantar. Deviam estar na carroceria, então caindo em campo aberto livre de obstáculos não feriram-se muito.
Burt ergueu a arma e apontou para o que estava mais longe, soltou a respiração bem devagar a seguir efetuou um disparo, atingindo o homem nos peito lançando-o aos berros dentro do rio que espero que o leve para o rio que desemboca no inferno. Fiquei feliz por um instante. Mais uma bala achou um lar. O outro, tentou correr em linha diagonal na direção a auto-estrada. Burt correu atrás, ligeiro como um lobo negro. Disparou um tiro e o homem caiu de joelhos. Disparou mais um e o homem arqueou as costas. Disparou o terceiro tiro e, a cabeça do homem explodiu. Tomamos mais um golinho de escocês por que estava muito frio demais, sabe como é né?

Dentro da caminhonete esmagada tudo era paz e quietude. Coletamos munição e algum dinheiro. Estes capangas aí, não irão escravizar despossuídos naquele lixão. É pagarem que a gente volta. Querendo, cinco famílias pobres podem juntar cinco mil reais em vinte dias. É só pagar que a gente volta.

Quando chegamos na auto-estrada vemos um caminhão atravessado na pista ligeiramente avariado. Está começando a congestionar a estrada. Burt dirige-se a ele e conversa com o motorista. Mostra a arma e lhe dá uma nota de 100. O faz beber o resto do escocês (quase cheia) depois mete um murro na têmpora dele. Arrasta discretamente o motorista desmaiado pro meio acostamento, rola ele suavemente dois metros lá pra baixo, melhor assim, vai ficar bem, vai ficar limpo. Remove o caminhão. Retira a carteira do bombado do bolso, dá uma carteirada de primeira; apresentando-a aos motoristas enquanto escolhe um carro para nossa fuga. Iremos de carona buscar reforços. Kkkkkkk. Foi tudo muito ligeiro. Polícia e bombeiros ainda demorarão uns vinte minutos. Até lá, eu e ele estaremos longe.

E é por causa deste tipo de vida que nós levamos, que eu sou a bala na cabeça de Burt.

Fim

————————————————————————————————————————————————
Ps1
Oi, eu sou Burt. Coitado do Chumbo, não sabe que é fruto da minha imaginação.
Ps2
Oi, eu sou Chumbo. Coitada da bala; ela não sabe que é fruto da minha imaginação.
Ps3
Oi, eu sou gu1le. Coitado do Burt, ele não sabe que é fruto da minha imaginação.
Ps4
Oi, eu sou a Mente. Coitado do gu1le, ele não sabe que é fruto da minha imaginação
Ps4
Oi, é a bala novamente. Estes todos acima estão delirando.
Todo mundo sabe que, quem manda nesta bagaça é a bala! Vai encarar?

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Inverno Amarelo

2016

Inverno Amarelo

Não.

Não!

Não fala.

Divide a luz da escuridão.

Divide a vida da morte.

Se não escolheres…

Escolherão para ti.

Saibas que nunca mais poderás ultrapassar para outro lado algum.

Caso queira reze pelos mortos.

Reze por mim e por todos nós.

Homens matam homens, tudo que rasteja, anda, nada ou voa neste mundo.

Porém, os homens são fracos.

Os homens são frágeis.

Os homens tem vidas curtas.

Qualquer espinho, pedra, vírus, verme, micróbio, bactéria pode matar o homem.

Dizem que, certa vez um surto de gripe, matou 3% da humanidade.

Imagina as pragas nunca registradas.

Aquelas que existem não identificadas.

Nas que transformam-se em horas de inócuas a perigo biológico mortal e vice-versa.

Entenda.

O ecossistema deste mundo é fraco.

Há quem diga que é lento.

Há quem diga, que a natureza deseja apenas, brincar de matar.

O ecossistema não consegue suprir adequadamente as próprias formas de vida que existem nele, ou talvez, por ele foram criadas.

A atmosfera do mundo é fraca, nunca conseguiu proteger bem o planeta.

Nunca conseguiu proteger o planeta contra radiação, talvez isto seja apropriado.

Nunca conseguiu proteger o planeta contra asteroides, talvez isto seja construtivo.

O homem fraco, feito para morrer, sofrer multiplicou-se absurdamente.

Isto, numa pedra que nunca foi capaz de fornecer alimento grátis, talvez, nem para um bilhão.

Que opção o homem tem senão inventar um mundo dentro do mundo onde ele pode sonhar ser forte.

Onde ele pode obrigar o mundo que o criou lhe dar sustento.

Talvez, isto seja positivo.

O homem deve destruir 90% de toda sua raça para que tudo fique em harmonia.

Talvez, isto seja loucura.

Nós somos culpados pelas coisas serem como são.

Talvez, não seja bem assim.

O homem deve vender a carne de outros homens enlatada em mercados pelo mundo, mesmo sabendo que existe a possibilidade de ficarmos doentes ao cometermos autofagia.

Talvez, isto esteja acontecendo agora.

Os homens devem comer o mundo.

Homem e Natureza adoram matar.

O mundo de pedra não fala coisas compreensíveis a nós.

O céu indiferente, talvez nos observe.

Muitos agradecem o mundo.

Muitos agradecem o sol.

Muitos louvam a lua.

Muitos idolatram os oceanos.

Para estes, cada um é uma coisa, mas talvez façam parte de uma única sopa.

Talvez, isto seja extrema arrogância, pretensão e ignorância.

Em filmes futuristas, a terra vira um lixão por ser um lugar terrível e cruel que desperta o pior que há em nós.

O planeta desenvolveu a raça humana com todos os seus defeitos e não é capaz de sustentá-la pelo tempo que ela existir.

No fim das contas, talvez seja isto que os ecologistas não revelam.

Talvez.

Se a natureza, o mundo e a vida não cometem erros; não temos culpa por existir, por sermos como somos em um mundo fraco, com sistemas frágeis, criaturas efêmeras que ouvem mal, enxergam mal, pensam pouco, não sabem falar, não sabem de onde vem as palavras.

Tolo demais para ter medo de tudo que não consegue captar nem alcançar.

Sorria, amanhã será o mesmo dia.

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A conta

Imagem | Antimidia

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Eu estou morrendo. Sei que todo mundo está, mas eu tenho enfisema pulmonar. Não consigo mais fumar e minha vida é um inferno por causa disso. Tenho que passar o dia na cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo. Nunca me importei muito com como seriam esses tempos, mas sabia que eles iam chegar. Você desenvolve uma certa consciência depois de passar 30 anos fumando dois maços de cigarro por dia. Sabia o que ia acontecer. Assim como quando aceitei ser governador, sabia no que estava me envolvendo. Quando disputei minha primeira eleição para vereador era porque eu queria me envolver. Não é só fazer política ou filantropia, é um estilo de vida. Tem haver com manter tudo como esta: bom para todo mundo. Nem de longe imaginei que as coisas poderiam se desenvolver desta forma. O que você tem que entender é que sempre fiz o que achei que era certo para manter o nosso estilo de vida. Eu tenho esposa, filhos, netas. Sempre achei que quando este dia chegasse seria o fim de um outro começo. Sei que isso não me absolve dos meus pecados, mas eu estou morrendo de enfisema pulmonar. E todo mundo que esta morrendo merece alguma compaixão. Porque todo mundo fez alguma coisa de bom para alguém um dia no vida, e quando se esta numa cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo, é isso que tem que ser lembrado.

Quando vi a Fernanda pela primeira vez ela estava começando o estágio na Assembleia Legislativa. Era uma jovem estudante de direito, linda. Os longos, e encaracolados, cabelos morenos, o olhar penetrante, as coxas grossas. O conjunto da obra era hipnotizador. Ninguém conseguia resistir aos seus encantos. Admito que quando convidei ela para assumir um cargo em meu gabinete eu já tinha tudo planejado. Sempre fui daqueles que não faz nada sem ter pensado em tudo. Ela não era a primeira, nem eu. Todo mundo faz assim. Acontece. Eu tenho esposa, filhos, netas. Quando ela aceitou o cargo ela sabia o que estava fazendo. Porque o cargo também incluía um apartamento no centro, com cartão de crédito e carro na garagem. Então, se você aceita tudo isso, você sabe que seu trabalho não será exatamente no escritório. E durante dois anos tudo foi uma maravilha. Nós nos víamos de duas a três vezes por semana. A vida pública exige que algumas coisas sejam realmente privadas. Eu não ia no apartamento dela para não ser visto. Nunca éramos vistos juntos. Se você usa uma aliança no dedo anelar esquerdo, e ocupa um cargo público, você não quer que as pessoas te vejam fazendo o que elas fazem. Elas votam em você exatamente porque elas acham que você não faz como elas fazem. Elas votam em você para poderem continuar fazendo o que elas acham que só elas fazem. Se todo mundo soubesse o que todo mundo fez e faz, o que seria desse mundo? E agora, que estou numa cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo, agora isso vai ser importante?

O que você tem que entender é que jamais imaginei que aquilo ia terminar como terminou. Eu tenho esposa, filhos, netas. Não teria feito o que fiz se não julgasse que havia extrema necessidade. Era muita coisa que estava em jogo. Todos os meus grandes feitos não podem ser ignorados por um incidente. Eu também construí escolas, creches, hospitais. Toda uma história não pode ser questionada por causa de uma estagiária num momento de devaneio. Não é porque estou numa cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo, que estou contando tudo isso. É porque a imprensa vai fazer um escarcéu, vai supervalorizar tudo. Eu tenho esposa, filhos, netas. Não vão respeitar elas e elas não merecem isso. Não estou aqui pedindo absolvição, é só que vejam que fiz o que fiz porque precisava manter outras coisas, que eram boas para todos. Pode não ter sido a melhor escolha, mas era a única que eu tinha. Quando ela apareceu grávida, na casa da minha família, vociferando que eu era um monstro, ela mesmo não deu valor a tudo isso. Em tudo que eu representava, em tudo que eu era. Ela não me deu opções. A questão não é quem é a vítima, é como se reage as coisas. Ninguém é santo. O mundo é muito maior que uma pessoa só, e exitem os seus problemas e os do mundo, e perto dos do mundo, o seu sempre vai ser pequeno. Uma coisa que pode parecer pequena para você, pode ser grande para o mundo. Não era só a minha honra que ia ser atingida, era a honra de todo mundo.

Quero deixar claro que antes de matar ela asfixiada, e incinerar o corpo numa pilha de pneus, tentei todos os outros meios ao meu alcance para evitar que as coisas terminassem dessa forma lastimável. Não foi fácil fazer o que fiz. Eu não queria. Eu chorei, pedi, implorei. Mas ela tinha vídeos, fotos, conversas. Eu poderia ter dado tudo que ela jamais imaginou ter. Hoje ela poderia estar vivendo bem em qualquer lugar que quisesse. Tentei garantir, com todas as palavras possíveis, que ela e a criança jamais passariam nenhum tipo de necessidade. Muito ao contrário, viveriam sem nunca terem que se preocupar com dinheiro. Teriam até direito a herança. Eu reconheceria o filho quando deixasse a vida pública. Mas ela queria causar um escândalo. Queria usar uma criança para acabar com tudo. O que ela queria era ver tudo que eu tinha construído destruído. Eu fiz o que qualquer um no meu lugar faria. Eu tive que matar ela asfixiada, e incinerar o corpo numa pilha de pneus, para garantir que tudo continuasse como estava, porque estava bom para todo mundo. Eu tenho esposa, filhos, netas, e estou numa cama, ligado à respiradores e monitores, morrendo.

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