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conto da noiteO Conto da Noite
Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Elucidações elucidativas sobre os elucidados [conto]

Imagem | Antimidia

A menor possibilidade das coisas darem certo ainda não é o suficiente para deslindar a necessidade de as coisas darem certo. Se as coisas não derem certo para Renata isso poderia significar que não vão dar certo para ninguém. Não porque as coisas dela sintetizam todo os sentimento do universo ou sua solução culminaria na confirmação ou negação da hipótese de Riemann. Ninguém nunca conseguiu solucionar esta fabulosa combinação de números e letras romanas e gregas, cheio de linhas e sinais gráficos, muito bem matutada por Bernhard Riemann, um alemão que morreu na Itália e viveu no período da nababesca era Vitoriana. Renata certamente não seria quem desvendaria este pomposo enigma, visto que ela era uma notória lunática, e não dominava as artes numeroletradas. Ela nunca poupou nenhum tipo de tempo, passado, presente ou futuro, para fazer as coisas darem certo, mas isso não garante nada, se é que alguma coisa pode ser garantida nesta época de carros que não voam e exceções generalizadas. Falo isso por causa das coisas que Renata falava para a lua antes de dormir. Não que ela falava com a lua como um galo que fala para o mundo que o sol chegou ao mesmo tempo que avisa as estrelas para se esconderem, era mais parecido com um canário que canta todo dia de manhã na esperança de encontrar outros canários que também queiram cantar.

Para as coisas darem certo para Renata ela precisava que uma série de acontecimentos aleatórios se alinhassem numa sequência imponderável. É uma coisa parecida com o efeito borboleta, mas sem tantas cores e com um degradê mais opaco. É esta variação de cor limitada pelo espectro retro dimensional que determinará a completa ocasionalidade dos eventos. Sendo assim, o fundamentalismo paraláxico da situação determina que as coisas darem certo para Renata é elemento decretório para que as coisas também deem certo para todos os seres vivos, pensantes e não pensantes, ou mortos (aí tanto faz como e porque). Se Deus existe, só ele sabe se as coisas vão dar certo para Renata, mas se ele não existir, aí ninguém sabe. Neste caso, de ninguém saber, quem descobrir pode estar em grande risco de ser considerado sabedor demais. Assim como Galileu ou Tesla. Para eles as coisas não deram certo, o que impactou o mundo inteiro, que teve que viver mais tempo que o necessário achando que a terra era quadrada e sem iluminação para cidadãos noctâmbulos. Não se pode dizer aqui que Renata não era cumpridora de seus deveres e merecedora de todas as graças de Nossa Senhora da Bicicletinha (o que não significa que eram de graça, Renata deprecava fervorosamente na igreja ou fora dela, além de sempre contribuir na cestinha), porque ela era.

Traçando um paralelo entre a curva ascendente da transversalidade do cosmo, e os instintos reprimidos de um boi que pasta durante semanas antes de virar hambúrguer, um alucinado poderia concluir que os coisas dariam certo para Renata se ela fosse para a Conchinchina. Supondo, para todos os efeitos laterais e colaterais, que a Conchinchina fizesse fronteira com o Amapá, e alguns metros separassem a prosperidade da completa precariedade do ser (alguma coisa, humano ou animal), e que as coisas dessem certo com Renata lá, o sistema de irrigação dos circuitos que ligam os fatos entrariam em processo de estiagem aqui. Em todo caso, parece lógico afirmar que as inexoráveis relações de espaço-tempo seriam afetadas de formas reparáveis somente com a invenção de novas máquinas ou uso de tecnologia cinematográfica. Ambas as soluções estão além dos pressupostos básicos democráticos estabelecidos pelo senso comum.

É de suma importância lembrar dos estudos conduzidos pela própria Renata sobre a influência da lua nos sorteios dos números do bingo na igreja. Como lunática formada e diplomada numa das grandes universidades da vida, Renata tem todos as credenciais necessárias para dizer o que quiser ou entrar em qualquer lugar, desde que a vontade e os lugares existam. Dito isso, suas pesquisas provam categoricamente que pedras lunares que cantam aqui não cantam lá, e vice-versa. Então não adianta teimar que água mole não fura pedra dura. No sapato ou no caminho, no bingo ou na lua, a pedra é sempre algo que vai bater. Que seja pós-verdade, pós-mentira ou pós-feijoada, as coisas tem que dar certo para Renata nem que seja por sorteio, fórmula mais conhecida por selecionar a meritocracia.

No fim os macacos nunca morderam o Robin, e o Batman jamais conseguiria morder uma bala como John Wayne. Quando uma borboleta bate as asas ela espalha por toda atmosfera uma grande quantidade de pó de pirlimpimpim, e este pode ser o segredo do milagre. Tudo corrobora para que não acontecimentos continuem a não acontecer. Existem mais de 80 grupos étnicos no Sudão do Sul, e todas essas formidáveis culturas fazem um esforço descomunal, há séculos, para se manterem culturando, independente da vontade do sapo de se alimentar unicamente de mosquitos. O que se pode dizer, ainda que se incorra no terrível erro de se estar errado, considerando aqui que a dicotomia certo e errado corresponde às duas únicas possibilidades irracionalmente viáveis de definição a cerca da moral, é que não se pode fazer uma omelete sem se quebrar os ovos. Não sendo a omelete uma substância essencial para a preservação da espécie, fauna e flora, ao contrário do ovo, ao qual a vida está uniformemente envolta, se conclui que para as coisas darem certo para Renata basta não fazer omelete.

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Tiros, carros e explosões [conto]

Imagem | Antimidia

Imagem | Antimidia

Os cornos vinham fugindo dos filhos das putas. Os cornos sobem na calçada da Avenida Paulista, atropelam uns quatro, dezenas de pessoas se esquivam, a lata de lixo voa para a rua e dois carros batem provocando duas mortes. “Ajuda, ajuda, ajuda……..os caras tão atrás da gente pela Paulista……” Os filhos das putas fungando no cangote, tipo corda e caçamba, terminam de matar dois dos atropelados pelos cornos, e jogam um ciclista no chão. “Precisamos de reforços……..estamos na cola deles……..” Os dois voltam abruptamente para a via, os filhos das putas empurram um carro que bate no outro que roda e sai capotando pela saída da Rebouças, levando consigo os que estão atrás. E pelo rádio chegam as novas informações. “Reforços a caminho…….não deixa eles escaparem da vista…….” Mais dois carros se juntam ao bando dos filhos da puta na altura do Hospital das Clínicas, e os cornos respondem com balas, que não respeitam os desejos dos atiradores e acertam paredes, carros e a cabeça de uma mulher que tentava se proteger. “Sai daí, sai daí………..” Então os filhos das putas começam a atirar também, mas usam as mesmas balas mal educadas que atingem vidraças e crianças que faziam aula de inglês. Um rastro de destruição ficava por onde os mestres do desastre passavam.

Dentro do carro dos cornos o clima estava tenso. “Caí para a Marginal……..a Marginal……….vamos sair desse caos do centro, porra…….” “É loucura……..vão pegar a gente na ponte…..” “Então tira eles da nossa cola, porra…….” Do lado dos filhos das putas as coisas não estavam muito diferentes. “Sai da linha de tiro deles, caralho………” “Para de se esconder e atira de volta…….que merda…….” Um contador desavisado que vinha voltando do trabalho para o casa teve o carro arremessado numa banca de jornal na altura da Avenida Brasil. E a devastação vinha avançando junto com o barulho de tiro e batidas. Os filhos da puta já estavam em seis carros quando duas motos saindo de um cruzamento soltaram pregos entrelaçados para rasgar pneus pela Rebouças. Dois filhos das putas ficam para trás causando um engavetamento, outros dois continuam na caçada. Os motoqueiros começaram a atirar com metralhadoras, aquelas pequenas. Um dos filhos da puta derrubou um motoqueiro, o outro continuava bailando entre os carros no trânsito e atirando a esmo. Os cornos do carro conseguiram abrir um semáforo de distância.

Nesse ponto os helicópteros dos jornais já estavam lá em cima e as cenas do caos passavam ao vivo no noticiário. “Vocês estão na televisão……” O rádio anunciou para cornos e filhas das putas. Os caçados desviaram no túnel e cruzaram a Faria Lima a milhão, acertando um carro na traseira, que rodou e ficou parado no meio do cruzamento. O motoqueiro não conseguiu desviar e levantou vôo se estatelando na ciclovia. Mais um carro chegou para reforçar os filhos das putas. “Vamos sair na Marginal sentido terminal João Dias…….vamos para Marginal……” “Já tem dois bondes pra escoltar vocês na Marginal…..” Os cornos entraram pela ponte Eusébio Matoso e caíram na Marginal. Logo a escolta apareceu, vindo da alça de acesso da Avenida Francisco Morato, lançando para o Rio Pinheiros um dos filhos das putas. Eram três cornos com metade do corpo para fora da janela despejando balas em cima dos filhos das putas. Agora eles não tentavam revidar, só desviar dos tiros. De alguma forma todas as balas provocavam estragos. Pelo menos cinco motoristas desesperados jogaram o carro para fora da pista na direção do rio. Ao menos três afundaram. As vítimas de balas perdidas já somavam duas casas decimais. E a loucura continuava sem dar o menor sinal de que algo poderia evitar a carnificina.

A notícia se espalhou rápido, as pessoas estavam paradas em cima da ponte Cidade Jardim para ver o comboio da morte passar. Foi um espetáculo e tanto quando um dos cornos bateu no para-choques e empurrou um dos filhos da putas para baixo de um caminhão, que tombou na pista causando um engavetamento monstro, com explosões de carros e pessoas voando. Passando pelo Parque Burle Marx a artilharia pesada dos cornos teve que recarregar. Agora eles eram em maioria, três para dois, mas os filhos das putas não davam sinal de que iam desistir.  Eram praticamente só os que estavam brincando de bang bang na pista. Os filhos das putas aproveitaram para se aproximar. Começaram a cutucar a bunda de um dos cornos, que rodou e ficou para trás. Então foi a vez deles começarem a atirar freneticamente. “Não traz eles pra cá, não traz eles pra cá………” Alguém começou a gritar desesperadamente no rádio dos cornos. Na ponte do Shopping Morumbi mais cinco filhos das putas se juntaram ao bando. “Apenas siga eles……..eles não tem para onde ir……..” A ordem vinha do rádio dos filhos das putas. Os cornos entraram em desespero um pouco mais a frente. “Vamos emboscar eles……….precisamos de ajuda, porra……” “Despistem eles, despistem eles, porra…….”

Se sentindo abandonados, os cornos começaram a entrar em desespero. O bonde que tinha sobrado voltou a carga total para cima dos filhos das putas, que mantinham uma distância relativamente segura, obedecendo as ordens. Os cornos emparelharam: “Não podemos voltar……..porra…..” “Vamos fuder com essa porra toda……” Os dois deram um cavalinho de pau e foram na direção dos filhos das putas como carros desgovernados que só vão parar quando encontrarem uma parede. Os filhos das putas pararam como se fossem uma parede. Os cretinos pisaram fundo. Não os dois. Um deles segurou um pouco o pé. O primeiro explodiu numa porrada violenta nos filhos das putas. O segundo alinhou atrás do show pirotécnico e passou a barreira. Os filhos das putas não sabiam o que fazer e viram os cretinos sumirem pela marginal. Os helicópteros seguiram eles até a ponte Morumbi e a estação de trem. Os cornos abandonaram o carro, entraram na estação e sumiram no meio da multidão.

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O gordo contra o mundo

Imagem | Antimidia

Imagem | Antimidia

– O Senhor está bem?

– Sim, e o Senhor?

– Também. Pensou em uma resposta para minha pergunta? No porque nós dois estamos aqui?

– Pensei, mas não sei direito por onde começo.

– Pode ser da onde você quiser.

– Pode ser de quando eu queria fazer alguma coisa?

– Que coisa?

– Eu ainda não sabia o que era, mas eu queria fazer alguma coisa que mudasse tudo.

– Como assim mudasse tudo?

– Que as coisas fossem melhor, sabe?

– Queria que você falasse mais dessas coisas.

– Então, eu queria mudar elas, e ia começar pelo preconceito contra os gordos. Você sabia que eles são a maioria da população do Brasil e representam quase um terço da população mundial?

– Sabia, mas porque você pensou nos gordos e não nos negros, por exemplo. O racismo não te incomoda?

– Claro, claro que o racismo me incomoda. Eu pensei sobre isso, em começar a mudar as coisas por aí, mas eu não poderia virar negro depois que eu nasci branco. Enfim, este é um grande problema, mas eu estaria preso a certas limitações. O gordo também tem uma coisa de diferente, eu pensei. Tem gordos de todos os tipo, ricos e pobres, brancos e negros, católicos e ateus, e todos eles sofrem com o mesmo preconceito, ser gordo.

– Sim, entendo, e você sofria esse preconceito?

– Não, eu só escutava falar, lia notícia. Mas era porque eu era magro, e eu precisava ser gordo para saber o que era isso. Por isso comecei a comer tudo que eu podia até ficar assim, gordo.

– Então o Senhor ficou gordo para poder sofrer preconceito?

– Isso. Me sentia muito mais livre para falar sobre todas as injustiças e julgamentos que os gordos sofrem. Os olhares nos ônibus, a discriminação na hora de conseguir um emprego, o bullyng. Para protestar mandei fazer uma camiseta escrito bem grande: “Sou gordo porque eu quero e posso.” Olha o meu tamanho, e olha que eu era maior, era um outdoor ambulante.

– E o que aconteceu?

– O que acontece com todo gordo. As pessoas se afastam, eu virei motivo de piada. Então eu fui procurar apoio naqueles grupos onde os gordos vão para tentar emagrecer.

– Você queria emagrecer?

– Não. Todo o preconceito começa com essas pessoas. Essa conversa de que o gordo é bonito por dentro, que ser gordo é uma doença, que gordo é preguiçoso, eu descobri que tudo isso é a raiz do problema. A cultura, a velha e culpada cultura. Mas voltando. Esses programas nunca funcionam, só servem para as pessoas ficarem deprimidas, se isolarem. Então eu comecei a falar com essas pessoas. Explicar que ser gordo não é feio, nem crime, nem doença, não significa nada.

– E assim você ia mudar as coisas?

– Isso.

– E as coisas mudaram?

– Não muito, mas cheguei a algumas conclusões.

– Porque você acha isso?

– As pessoas me olhavam com cada vez mais desprezo. Mas eu percebi que as pessoas que me olhavam assim eram as magras. Quanto mais eu engordava menos atenção me davam. Preferiam ir de pé no ônibus do que ir sentada do meu lado. Não era assim que eu ia mudar as coisas. As pessoas gordas se aproximavam, vinha conversar, conseguiam enxergar as coisas diferentes. A ideia é que as pessoas sejam iguais, mesmo se parecem diferentes.

– E como você se sentia?

– Eu me sentia bem em ser gordo e poder falar sobre tudo isso. O que eu sentia na pele era o preconceito dos magros. Cheguei até a ser entrevistado por uns jornais. Tenho tudo guardado. Mas aquele sentimento de mudar as coisas continuava martelando a minha cabeça. Sabe, eu nasci para mudar as coisas. Acho que sou meio que predestinado.

– Como assim?

– Por exemplo, a família do meu pai e da minha mãe se odiavam. O meu avô, por parte de pai, era prefeito, e meu avô, por parte de mãe, presidente da câmara de vereadores. Eles viviam brigando. Mas aí eu nasci e mudei as coisas, porque as duas famílias ficaram amigas e a câmara dos vereadores e a prefeitura começaram a trabalhar juntos e tudo melhorou na cidade.

– E o Senhor acha que foi o Senhor o responsável por essa mudança?

– E não?! As famílias se odiavam mesmo. Tem até história de morte. O Senhor pode ter certeza que não estou aqui por acaso. Estou aqui para mudar as coisas. Só contei essa história para o Senhor entender que sempre foi assim, de mudar as coisas.

– Mas o Senhor estava dizendo que não ia muito bem com relação ao preconceito dos gordos, a relação com os magros era difícil.

– Isso, mas era difícil por causa deles. Com o tempo fui percebendo que as pessoas estavam hipnotizadas pelas ideias dos magros, e foi quando desenvolvi minha teoria de que se todos fossem gordos não haveria preconceito. E, convenhamos, é bem mais fácil, e legal, os magros virarem gordos que os gordos virarem magros.

– Mas o Senhor não acha que querer que todos os magros virem gordos é igual querer que todos os gordos virem magros?

– Sim, mas é diferente, porque os gordos não tem preconceito contra os magros, mas os magros tem preconceito contra os gordos. Mas eu entendo as reclamações de que minha teoria foi bastante radical. Eu também entendo que mudar as coisas é difícil, leva tempo, só de estarmos falando sobre isso já foi uma pequena vitória. Falar do preconceito contra os gordos já é um começo. Já dei o primeiro passo. Mas eu nasci para fazer coisas maiores, mudar tudo.

– Como assim?

– Percebi que para mudar as coisas, e muitas coisas tem que ser mudadas, então tenho que dar vários primeiros passos, entende?

– O Senhor quer dizer um passo de cada vez?

– Não, quer dizer que eu tenho que ser tudo que gera algum tipo de preconceito. Assim eu vou poder sentir tudo, e falar sobre tudo, e mudar todas as coisas. Agora eu vou ser pobre.

– Entendo. Falaremos sobre isso na próxima sessão, os enfermeiros irão acompanhar o Senhor até seus aposentos.

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All Star #44

Imagem | Antimidia

Imagem | Antimidia

Já faz um tempo que descobri que estudar não é fundamental para terminar o colégio. Só precisa estar lá no dia-a-dia e fazer uma prova que quase sempre é coletiva. A escola não quer reprovar ninguém e os pais dos alunos não querem os filhos reprovados. Isso basta. Então, como diz o Gabriel Pensador, gosto de pensar que estou usando este tempo para aprender a viver. Não é fácil com um monte de gente dizendo que tudo é importante todo tempo, mas é agradável quando a Júlia vem conversar sobre qualquer coisa. “Você tem um cigarro pra mim fumar no intervalo?” “Mas você não fuma…” “Estou começando. Ontem fumei um com a Alina e o Enrolado. Hoje queria fumar com você no intervalo.” “Você que sabe, mas acho que isso não é legal.” “Por favor, não venha você, que fuma quase um maço por dia, dizer que fumar faz mal e blá blá blá…” “Nunca disse que me orgulho.” Ela me olhou com aquele sorriso de ironia, um pouco envergonhada. As borboletas estralaram por todo o meu estômago e gritaram em coro: “ela quer ficar sozinha com você idiota!” Um contido eu murmurou: “vamos no fundo da garagem dos ônibus então?” “Legal, vou falar com a Alina e o Enrolado também.” E as borboletas voltaram a ser lagartas parasitas que roubavam toda minha coragem de dizer para ela tudo que eu queria.

Fumar escondido no corredor entre os dois ônibus que ficavam na garagem era como sentir a liberdade inflando os pulmões. “Ontem, escutando National anthem conclui que Radiohead é pura arte.” Na verdade tinha passado a tarde de ontem inteira escutando este som. “Arte do suicídio?” A Julia tinha me dito uma vez que tinha medo de escutar Radiohead sozinha. “Arte é uma coisa que te diverte, tira você do ar, Radiohead deprime.” “Quem te disse isso cara?” “Que Radiohead deprime?” “Não, que arte é diversão.” “Não é?” “Não. Arte é uma coisa que causa estranheza e não tem finalidade por si só.” “Então você é arte!” Me sinto duas vezes mais idiota quando o enrolado faz eu parecer um idiota na frente da Julia. Já faz um tempo que descobri que um dia, que não vai demorar muito, tudo que acontecer aqui não vai significar absolutamente nada. Mas enquanto essa hora não chega qualquer coisa parece com hambúrguer para o apocalipse. Como sempre acontece trinta segundos antes do sinal do tacar o Sergião estava de olha na gente lá no fundo para ver se ninguém ia pular o portão para fugir daquele hospício. “Vamos fumar um lá na beira da pista para ver o pôr-do-sol no fim da tarde?” Jamais diria não para a Julia. “Nós temos que terminar o trabalho de inglês depois da aula hoje.” Quando a Alina tirou ela e o Enrolado do rolê as borboletas voltaram a estralar no estômago. “Eu topo.” “Legal, vou ver se o Jhony quer ir com a gente, tudo bem?” E as borboletas voltaram a ser lagartas parasitas que roubavam toda a minha coragem de dizer para ela tudo que eu queria.

Passei a tarde inteira pensando em um jeito de escapar do destino implacável de amar alguém. Escutei In my darkest hour do Megadeth, depois o acústico inteirinho do Alice in Chains, Lithium do Nirvana, e nada. Os contos do Bukowisky me diziam que as coisas ainda podiam piorar. Nem Holden Caulfield podia me salvar, e Beleza Americana confirmava um fim trágico para a vida se eu continuasse no caminho que os professores, meus pais, avôs, o mundo, traçava para mim. O melhor mesmo seria se jogar no abismo de uma faculdade pública qualquer longe daqui. Nos últimos tempos perdi umas horas pesquisando a relação candidato vaga em universidades do norte e nordeste. Da para passar em filosofia, sociologia ou um curso ia qualquer em um monte delas. Já faz um tempo que descobri que ainda não tenho a menor ideia do que quero ser na vida. Enquanto eu não souber o que vai ser o melhor a fazer é ganhar tempo. Uma temporada longe da Julia podia ser bom para ela sentir minha falta. Isso fazia as borboletas do estômago estralarem como nunca. Eu voltando para casa, formado numa faculdade pública, e a Julia morrendo de saudades, também formada, e a já casada com um cara qualquer que ela conheceu na faculdade. Era o mais provável. E as borboletas voltaram a ser lagartas parasitas que roubavam toda a minha coragem de dizer para ela tudo que eu queria.

A Julia passou em casa, com o Jhony, e o trio princesa, príncipe e o bobo saíram para passear. O jeito que um falava com o outro, e a empolgação deles em falar um com o outro, gritava que eu estava sobrando lá. Só quando já estávamos perto do limite da cidade, e acendi o baseado, minha presença foi notada com um comentário do Jhony. “Hummm….senti aquele cheirinho da erva vinda do norte.” Os dois riram como se o Ari Toledo tivesse contado uma piada. Não fiz questão de disfarçar um sorriso forçado, e a Júlia tentou criar alguma ligação entre nós três. “O Jhony tava me falando outro dia que começou a ler O senhor do anéis…..você já leu, né Neb?” “Não, eu acho o Tolkien muito descritivo, prefiro ficção científica.” Passei o baseado para ela e nem olhei para ele, que tentava invocar uma amizade que nunca existiu. “Eu gosto bastante de umas coisas mais mitológicas.” “O Neb me emprestou uma vez A revolução dos bichos e eu gostei muito. Mas não consigo ler O senhor dos anéis.” Os dois não concordavam em alguma coisa, foi o suficiente para as borboletas no estômago estralarem como a esperança que surge sem explicação todo começo de primavera. “Mas os filmes são sensacionais. Eu tenho os três.” “Nossa, eu nunca vi.” “A gente podia combinar de fazer uma maratona e assistir os três qualquer dia em casa.” Os dois se olharam e a Júlia deu pra ele um sorriso que ela nunca me deu. E as borboletas voltaram a ser lagartas parasitas que roubavam toda minha coragem de dizer para ela tudo que eu queria.

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Chumbo e Bala


Por: gu1le

Olá para todos! Boa tarde, boa noite, bom dia! O tempo tá bom, os ventos macios, o céu tá varrido, eu tô quentinha e, o rio ainda corre para o mar. Então, olá! Tudo de bom para os senhores e para as senhoras. Meu alô mando também, pros menino e pras menina menor. Enfim, pra todos que estão lendo minha história. Agora permitam-me apresentar-me.

Eu sou a bala na cabeça de Burt. É isto mesmo, eu sou a bala na cabeça de Burt. Imagino que você deve estar decepcionado pois, se eu sou a bala na cabeça de Burt; então Burt deve estar morto certo? É, pois é aí que você se engana! Pensa de novo.

Hellouuu? Eu disse que era a bala que atravessou a cabeça dele?
Não.

Eu disse que era a bala que explodiu a cabeça dele?
Também não.

E eu disse, que era a bala que ao atravessar a cabeça dele a explodiu em pedaços como uma abóbora podre e, foi cravar-se num muro rajado de sangue?
Na-nani-na-não. Também não, também não.

Eu lhe disse que tipo de bala era? Ene-á-ó-til, não.

E se eu fosse uma bala de Extasy? O que claro, não é o caso pois, eu sou uma legítima bala de chumbo. Estou te explicando estas coisas, para que você abra a mente para esta história, a minha história de como fui parar na cabeça de Burt.

Ele modificou minha trajectória neste mundo. Me deu um lugar pra morar. Ele é importante pra mim, sabe? E eu? Eu mudei a vida dele. Mudei a forma dele ver o mundo. Mudei o mundo pra ele. De dentro para fora, do jeito certo que tem que ser feito.

Eu e meu mano, estamos correndo juntos já faz um tempinho uns anos, quatro ou cinco anos. Eu me hospedo numa parte do cérebro que, para minha sorte é muito pouco usada por Burt, por isto, aqui tenho bastante espaço. Estou bem não se preocupe comigo que, estou bem. Até agora. Preciso apenas redecorar o ambiente aí estarei em casa. Qualquer coisa eu te mando um SMS e e-mail com as fotos em jpg do meu cafofo. Burt é alto, moreno claro, não tem barriga, é um feixe de músculos careca. Tem pouco cabelo, então raspa a cabeça. Um bom lugar pra se morar.

Mas voltando a vaca fria, tem umas paradas me incomodando mas, num é béeem comigo.

Veja:

Quem tem problemas grandes mesmo é Burt. E estou sabendo, que tem uma porrada de outras balas querendo entrar na cabeça de Burt. Não só na cabeça. Nas perna, nos pulmões, no estômago, coração, nos intestinos deste meu mano que, me deu um lugar tão aconchegante pra ficar. Eu tenho muitos amigos aquí. Não vou sair. Não pago aluguel, por que eu invadí, mas protegerei ele até o fim e, se algum dia alguém tiver de mata-lo; este alguém será eu.

Existem recordações que não se apagam. A gente revive ela, várias e várias vezes como agora. Enquanto eu conto para vocês, eu estou lá. Entende?

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Estamos, fugindo em desabalada carreira. Tá escuro. Aqui é um vasto matagal que rodeia um lixão que nunca viu dias melhores. Estou dando uma dor de cabeça média que mantém meu amigão ligado. Estou também pressionando de tabela, uma parte do cérebro de Burt que o enche de endorfinas e, o alucina ligeiramente dilatando suas pupilas, coisa fundamental neste momento pois, a escuridão é grande ao nosso redor mas, ele graças a minha pressão enxerga como se fosse dia. Estamos deixando nossos perseguidores a pé comendo poeira, mas não estamos rendendo muito em relação a caminhonete e os cachorros Pit-Bull.

Sebo nas canelas cara! Corre, corre, corre mais mano! Mais! Corre mais porrta! Vai seu porrta! Miserável! Corre se não eu mesmo te mato seu fila da pula! Vái morfético infiliz!

Encho ele de adrenalina movendo-me um décimo de milímetro.

Há uma erosão bem á frente uns duzentos metros. Eu sei que você pode ver. Tá escuro, mas você pode ver. Seis metros de largura mais ou menos. Você vai saltar sobre ela Burt. Ora, cale esta boca Burt! Você vai saltar sobre ela sim! Não me diga que não consegue se não, eu paraliso seu lado direito agora junto com o fígado. É Burt seus olhos vão saltar pra fora. É cara, será pior do que a morte. Pior do que aqueles caras vão fazer com a gente. Não me venha com esta conversa de medinho de fresco não. Mais uma vez tâmo quase fud graças à suas bestagens. Vai Burt! Não cara! Não é pra parar na beira do abismo e aí saltar. Olha, vai correndo, isto corre mais, salta com uma perna só no ultimo momento para cima, isto. Pra cima, não para frente, isto. Agora continua correndo que nem um retardado, enquanto estamos no ar. Isto mesmo, por que também caminhamos pelo ar (resistência mínima) e aí, quando você tocar solo, ou você perde o equilíbrio e cai rolando de lado ou, continuamos correndo.

O macio pasto barba-de-bode do outro lado, recebe os pés da gente. E conseguimos. Sartamo fora. Saímo di banda. Iúrrrú! By-by otários. Vemos as luzes de uma auto-estrada. Não devemos nos expor. Vamos à ela. Vamos caminhando ao lado dela, abaixo dela de preferência. Vamos pela vegetação que esconde os campos dos motoristas. Acharemos muitas coisas por lá eu sei.

Apesar de eu estar vestida de Burt, sinto-me miserável ao ver ele em farrapos. Vamos Burt, procure. A estrada sempre deixa presentes para os andarilhos que sabem enxergar. Uma mala com roupas ou, um tênis semi-novo…

Um único pé de salto alto agulha metálico, nos coloca novamente em confusão. Foi momento meu de distração e, meu brow depois de catar o salto, ver que não cabia no pé dele atira-o sobre os ombros. O salto, cai na auto-estrada acima da gente uns dois metros. Caminhamos uns cinco metros, aí ouvimos o som de pneu explodindo, freiada, colisão, metal rompendo-se. Ô manoooooo? Poooooo**a Burt?!

What a Fuck?

Seu desmiolado!

De novo?

Já tava difícil. Agora, lascou de vez.

Ouvimos o ronco alucinado de um motor em giro total sem atrito e, primeiro um carro esportivo preto passa voando sobre nossas cabeças. Na seqüência uma caminhonete amarela cruza o ar, meio de lado. Ouvimos gritos. O carro bate de bico no chão espirrando grandes torrões de terra, grama e um passageiro. Ainda capota duas vezes e depois, fica com as rodas pra cima girando. Os faróis, iluminando a madrugada fria. A caminhonete. se choca lateralmente em gabiões, Brang! Prang! Scrrraaaatch! E fica parecendo uma panqueca, ou um omelete o que preferir, seus faróis também iluminando o sereno gelado da madrugada. O esportivo preto, ilumina a auto-estrada e parte da caminhonete. Já a amarelinha, ilumina um rio que passava ao fundo de uma ravina rasa de granito.

Fumaça de gasolina, cheiro de relva molhada e sereno da madrugada. Existe algo melhor que um aroma destes? E fumaça de gasolina, sereno da madrugada, mato molhado, piriguetes perfumadas em roupinhas apertadas, som auto-motivo, droga e escocês black label? Pois é meu amigo. Eu e burt temos agora tudo isto bem na nossa frente. Esmagado, partido, rachado e acho que vai explodir mas, por enquanto bem na nossa frente. Vamos a coleta. Não tem jeito a gente tem que viver né?

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Olá para todos! Sem mais delongas vou também apresentar-me. Eu sou, o Chumbo da bala da cabeça de Burt. Sou por assim dizer, a alma da bala que está na cabeça de Burt. E lhes garanto uma coisa; não acreditem neles. Estes dois, são uns imprestáveis. Só vivem criando confusão e nos colocando a todos em encrencas. Um dia destes vocês vão saber a minha versão da história e, saberão a verdade. Agora eu tenho que ir, vou lavar uns pratos na cozinha que está uma bagunça. Não esqueçam-se de mim amigos. Eu sou o Chumbo da bala na cabeça de Burt.

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Ah… percebo! Vocês conheceram o Chumbo não é? Enquanto eu fui ali no banheiro, ele veio aqui tomou conta do corpo de Burt e meteu o pau na gente né? Pois bem. Eu não vou nem apagar. Nem apagar. Pois, o chumbo é um mentiroso de primeira. Só porque eu sou a forma, e ele é o conteúdo; não tem que ficar se achando melhor que ninguém não. Nós somos todos iguais e tâmo tudo na mesma médra. O que mata Burt eu acho, é o Chumbo. Pronto falei. O Chumbo é parte de mim, mas eu tinha que falar. E pior, o Chumbo ama Burt mais que eu. Ô vida complicada né?

Mudando de pau pra cacete, voltemos a vaca fria.

Grande foi nossa surpresa, ao percebermos que a caminhonete arrebentada era a mesma que nos perseguia pelo lixão. Imensa foi nossa alegria, por constatarmos que dois dos nossos perseguidores estavam vivos. Não por muito tempo. Eu e Burt iremos à forra!

Antes de irmos à forra primeiro, sexo, drogas e forró universitário. Vejamos este esportivo preto.

Nos agachamos e observamos o motorista era um jovem bombado. Já de cara, notamos que o sofisticado esportivo não tinha air-bags. O volante estava afundado na cara dele e, todo o painel sofisticadíssimo do carro, estava coberto de carne e sangue assim como o teto do carro. A passageira do banco da frente, que não usava cinto de segurança foi cuspida-ejetada no primeiro baque, e de onde estávamos, dava pra ver que agora namorava uma árvore cascuda ou então; estava tentando entrar dentro dela na marra. O carinha no banco de trás no lado do motorista, foi empalado no abdômen pela barra de direção, junto com o motorista morto; gemia baixinho sangrando pela boca. No teto, grandes bolas de sangue e vísceras estavam a ser formar. A garota ao lado dele chorava, mas não parecia ter sofrido nada de grave; apenas cortes superficiais. É, ela estava de cinto de segurança. Quando ela moveu uma perna debaixo do banco, apareceu uma garrafa de escocês lacrada junto com um saco branco e copos plásticos. O saco a gente jogou fora. O escocês, a gente derramou em um dos copos e bebeu umas belas goladas apenas para espantar o frio. Retiramos a menina pelo outro lado do carro, e a estendemos no chão de barriga para cima, só isto. Fomos para a traseira do carro e demos um chutão no porta-malas que se abriu derramando barraca de camping, mala com roupas masculinas, femininas, comida e garrafa d’água. Tiramos a sorte grande (temporariamente), graças ao azar de Burt. Aposto que tudo isto será péssimo para o Karma dele mas, temos que seguir em frente.

Agora Burt, arranca a roupa. É agora. É bicho, agora tipo neste momento. Ah, esquece o frio. Não! Não Burt, não pode mexer na mala de roupa agora véi! Vai na comida. Come pelado. Depois lava as mão. Aí então, é que você vai na mala de roupa e procura roupas e as veste. Temos que vazar logo daqui, mas vamos sair daqui limpinhos. Comer o quê Burt? Ah, coma o que quiser desde que não tenha uma caveira com dois ossos cruzados. O quê? Ah tá, bacon cru pode. Ovo cru quebrado? Pode. Queijo e presunto, claro que pode. Pão pode. Olha, você está me irritano carinha… Carne crua? Crua mesmo? Você gosta desta merdra assim? Hmmm… então pode. Acabou? Ok! Bebe água. Bochecha. Lava as mão. Ah esqueci, volta no carro e procura todo dinheiro que puder encontrar. Encontrou? Põe uma pedra em cima e vai caçar o que vestir mano. O quê? O bombado era policial? Melhor ainda. Pega os documentos dele também.

As roupas encontradas na mala do bombado, serviram bem em Burt apesar de, um pouquinho curtas. Mas é assim que eu gosto de ver meu brow. Casaco de couro, camisa pólo, calça jeans rústica e tênis importado. Adeus frio da madrugada. Mais golinho de escocês e, vamos ver a tal caminhonete amarela.

Nas proximidades da caminhonete amarela, encontramos um Taurus carregado e pegamos ele. Perto do riacho, vimos dois homens fortes meio grogues a se levantar. Deviam estar na carroceria, então caindo em campo aberto livre de obstáculos não feriram-se muito.
Burt ergueu a arma e apontou para o que estava mais longe, soltou a respiração bem devagar a seguir efetuou um disparo, atingindo o homem nos peito lançando-o aos berros dentro do rio que espero que o leve para o rio que desemboca no inferno. Fiquei feliz por um instante. Mais uma bala achou um lar. O outro, tentou correr em linha diagonal na direção a auto-estrada. Burt correu atrás, ligeiro como um lobo negro. Disparou um tiro e o homem caiu de joelhos. Disparou mais um e o homem arqueou as costas. Disparou o terceiro tiro e, a cabeça do homem explodiu. Tomamos mais um golinho de escocês por que estava muito frio demais, sabe como é né?

Dentro da caminhonete esmagada tudo era paz e quietude. Coletamos munição e algum dinheiro. Estes capangas aí, não irão escravizar despossuídos naquele lixão. É pagarem que a gente volta. Querendo, cinco famílias pobres podem juntar cinco mil reais em vinte dias. É só pagar que a gente volta.

Quando chegamos na auto-estrada vemos um caminhão atravessado na pista ligeiramente avariado. Está começando a congestionar a estrada. Burt dirige-se a ele e conversa com o motorista. Mostra a arma e lhe dá uma nota de 100. O faz beber o resto do escocês (quase cheia) depois mete um murro na têmpora dele. Arrasta discretamente o motorista desmaiado pro meio acostamento, rola ele suavemente dois metros lá pra baixo, melhor assim, vai ficar bem, vai ficar limpo. Remove o caminhão. Retira a carteira do bombado do bolso, dá uma carteirada de primeira; apresentando-a aos motoristas enquanto escolhe um carro para nossa fuga. Iremos de carona buscar reforços. Kkkkkkk. Foi tudo muito ligeiro. Polícia e bombeiros ainda demorarão uns vinte minutos. Até lá, eu e ele estaremos longe.

E é por causa deste tipo de vida que nós levamos, que eu sou a bala na cabeça de Burt.

Fim

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Ps1
Oi, eu sou Burt. Coitado do Chumbo, não sabe que é fruto da minha imaginação.
Ps2
Oi, eu sou Chumbo. Coitada da bala; ela não sabe que é fruto da minha imaginação.
Ps3
Oi, eu sou gu1le. Coitado do Burt, ele não sabe que é fruto da minha imaginação.
Ps4
Oi, eu sou a Mente. Coitado do gu1le, ele não sabe que é fruto da minha imaginação
Ps4
Oi, é a bala novamente. Estes todos acima estão delirando.
Todo mundo sabe que, quem manda nesta bagaça é a bala! Vai encarar?

Publicado por semanickzaine em: Agenda | Tags: , , , ,

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