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conto da noiteO Conto da Noite
Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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A esquina e o fim

Imagem | AntimidiaBlog

Imagem | AntimidiaBlog

[blitz]

– Boa noite. Documentos do Senhor e do veículo, por favor.

– Sim Senhor, aqui estão.

– Da onde o Senhor está vindo e para onde vai?

– Estou voltando do trabalho para casa.

– O Senhor pode descer do veículo, por favor.

– Claro, algum problema policial?

– Estamos verificando. São só procedimentos de rotina. O Senhor está de posse de algo ilegal?

– Não Senhor.

– Então, por favor, retire tudo dos bolso e coloque em cima do capô.

– O que está acontecendo aqui? Sou suspeito do que?

– Não sabemos ainda Senhor, estamos averiguando, são só procedimentos de rotina. Coloque as mãos na cabeça e abra as pernas por favor?

– Porque estou sendo revistado? Eu tenho direito de saber porque estou sendo revistado.

– Atitude suspeita, Senhor.

– E qual foi a minha atitude suspeita? Eu estava no limite da via, usava cinto de segurança, estava com as duas mãos ao volante, o que eu estava fazendo de suspeito?

– Sua atitude era suspeita, Senhor. O que há no porta-malas do veículo?

– Não sei, umas caixas, panos, estepe, coisas assim.

– O Senhor não sabe o que carrega no porta-malas, Senhor? O Senhor pode abrir para mim, por favor?

– Posso, o que o Senhor está procurando?

– Ainda não sei, Senhor. O que há naquela maleta.

– Somente alguns papéis.

– O Senhor pode, por favor, abrir para mim ver?

– Claro. Está vendo, papéis.

– Sobre o que são esses papéis?

– Planilhas, contas. Sou comerciante, são algumas coisas da empresa.

– Examine estes documentos Segundo Sargento. Agora nós podemos ver o interior do veículo?

– Como assim examine estes documentos? O Senhor não pode mexer nas minhas coisas assim.

– Estou analisando os documentos que o Senhor me mostrou e que foram encontrados numa pasta no porta-malas do seu veículo. Aconselho que o Senhor se acalme e me mostre o interior do veículo.

– Como assim se acalmar? O que está acontecendo aqui?

– Se o Senhor tem algo à esconder aconselho que me conte agora, pois nós vamos achar.

– Do que o Senhor está falando? Quer saber, a atitude do Senhor é que é suspeita. Que procedimentos de rotina são esses? Mas eu não tenho nada para esconder. O que o Senhor quer ver?

– Abra o veículo, por favor?

– Estes CDs no porta trecos são do Senhor?

– É isso, sou culpado por comprar produtos piratas? Pode me prender.

– Acalme-se Senhor.

– As MP3 do pen drive também são piratas. Eu me entrego.

– Irei confiscar esses itens. O Senhor pode abrir o porta-luvas, por favor.

(click)

– O que são esses papéis?

– A nota fiscal do carro, umas contas, não sei.

– Posso ver essa nota fiscal?

– Por que? Eu posso perguntar por que?

– A sua atitude suspeita, e irônica, diz, segundo o manual, que o Senhor está tentando ocultar algum crime. Já sabemos que o Senhor não respeita as leis de direitos autorais, agora estamos procurando quais outras lei o Senhor não respeita.

– Eu não tive nenhuma atitude suspeita não. Isso é abuso de autoridade. O Senhor já me revistou, revistou meu carro, e não achou nenhuma evidência de nada suspeito. O Senhor está procurando pelo em ovo, isso que o Senhor está fazendo. Eu tenho meus direitos, e não tenho que te entregar a nota fiscal do meu carro.

– Por favor Senhor, me respeite. Estou fazendo meu trabalho, que é combater o crime. Sua atitude é sim suspeita, e eu posso prendê-lo por desacato.

– Olha, eu sou um cidadão de bem. Eu respeito a polícia, acho que o trabalho da polícia é desvalorizado. Mas eu não sou bandido.

– Então me mostre isso, Senhor. Me entregue esta nota fiscal e me deixe fazer meu trabalho que a verdade aparecerá.

– Tudo bem, desculpe. Estou um pouco nervoso, é a primeira vez que passo por isso.

– A loja do Senhor deve estar indo muito bem, este carro é bem caro. Com o que o Senhor trabalha?

– Acabou, me desculpe. O Senhor é da Receita Federal? Eu não fiz nada de errado, nem tive nenhuma atitude suspeita. Ou o Senhor me leva preso e me deixa chamar meu advogado, ou me deixa ir embora.

[delegacia]

– Eu só falo quando o meu advogado chegar.

– O Senhor que sabe, mas pode estar acabando com as suas chances de um acordo.

– Um acordo sobre o que? Sou acusado do que? O Senhor não tem nada!

– Bom, já sabemos que o Senhor não respeita as leis de direito autoral. Podemos provar isso. Também sabemos pelos papéis da sua pasta, e a nota fiscal do seu veículo, que a sua renda é incompatível com seu estilo de vida.

– Não falo mais nada enquanto o meu advogado não chegar.

– Viu, isso é uma atitude de quem quer esconder alguma coisa. Nós já sabemos que o Senhor comete algum crime. A sua renda é incompatível. Não preciso de uma evidência, isso é uma prova.

– Prova do que?

– De que o Senhor cometeu algum crime para comprar um carro que uma pessoa na sua posição não poderia comprar.

– Isso é uma suposição, até o Senhor provar o contrário eu sou inocente. Eu comprei o carro com um dinheiro que eu tinha guardado há muito tempo. Trabalho desde os 12 anos e agora não posso ter um carro?

– Quanto tempo?

– Desde os 12 anos.

– Não tem nada haver com sonegação de impostos? Venda sem nota fiscal? Compra de produtos sem origem declarada? Essas coisas.

– Eu não sei do que o Senhor está falando. Se o Senhor não sabe do que me acusar, como eu vou me defender?

– O Senhor tem filhos?

– Tenho, três.

– Eles estudam em escolas particulares?

– Eu sei o que o Senhor está querendo dizer. Já disse que não respondo nada até meu advogado chegar.

– O Senhor já disse isso três vezes, eu só estou querendo ajudar o Senhor a dizer a verdade.

[conversa com o advogado]

– Como assim eles podem me manter preso por até três meses?

– Além de você ter violado as leis de direito autoral, existe um indício de que você cometeu algum crime para ter dinheiro e comprar o carro, por enquanto é só isso. Sei que eles solicitaram junto à Receita Federal sua declaração de imposto de renda, da sua empresa e da sua esposa. Se há algo de errado eu preciso saber agora.

– Como assim? Eles não podem fazer isso. Era só uma blitz, o documento está em dia, minha carta também. Eu só quero ir para casa.

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Como mandar dois quarteirões para o espaço

Imagem | Antimidia

Imagem | Antimidia

O cara achava que era o Rambo, com faixinha na cabeça, uma metralhadora e um monte de músculos. Ele parecia não entender que o Rambo era o Stallone interpretando um soldado revoltado, e ele era só um traficante cretino, cercado por nóias imbecis, e tudo que ele sabia sobre coragem era apertar o gatilho. Depois de um tempo comecei a acreditar que estes caras imitam os filmes, que criam esteriótipos que facilitam o trabalho da polícia. E no clima de uma cena de Snatch, o pinto murcho e as bolas furadas saíram de um carro pequeno e batido sem ter a menor ideia do que estava acontecendo. Três velhos gordos, com ternos coloridos, saídos dos fundos da casa do Scorsese, saíram de um sedã que estava alguns metros a frente. Outros dois estavam numa mini van branca parada numa viela um pouco atrás do Cadillac FIAT. Ninguém ali parecia entender muito de negociações escusas em becos esquecidos a meia luz. “Quem é o motorista?” Perguntou um dos italianos, com uma mão penteando o bigode e um trinta e oito tipo Charles Bronson esmagado entre sua barriga e a calça sem botão. O Rambo levantou a mão como um aluno de sétima série respondendo a chamada. “O freio não esta muito bom, precisa de umas duas bombadas antes da Van começar a parar.” O furgãozinho fodido se aproximou e parou do lado deles. “O que vocês tem que fazer é entregar a Van, pega as maletas, e volta, certo?” Todo mundo balançou a cabeça para frente e para trás.

Uma bola furada e o pinto murcho subiram na Van, enquanto o outro voltou para a lata velha e foi seguindo eles. Nossos super-heróis do crime organizado andaram alguns quarteirões no sentido do ponto de encontro dois quando o líder da companhia presepada parou. A bola furada do banco do passageiro desceu e veio na direção da outra, que não entendia nada do que estava acontecendo e não tirava a mão de sua arma. “A gente estava pensando, e é melhor você ir na Van. Eu dirijo melhor que você para a fuga.” “Que? Você esta com medo e quer ficar no carro…..já esta tudo acertado, eu venci o par ou ímpar.” “Você também já atirou. A gente precisa de alguém experiente na linha de frente.” “Atirei porra nenhuma. Já disse que não fui em que acertou aquele policial no assalto do motel. Eu sai correndo pelo mato.” Os dois ficaram ali debatendo enquanto o mundo girava, e uma moto virou a esquina a toda velocidade. Os atiradores frustrados apertam suas armas entre os dedos enquanto o motoqueiro passou sem ter ideia do quão esteve tão próximo de duas amebas. “Puta que parei! Isso não vai ficar assim! Vou querer um pouco da sua parte!” O motorista sai esbravejando para virar passageiro.

Ainda assim os três patetas tinham algum tempo, e antes de chegar ao destino da mercadoria houve uma parada para ir ao banheiro num posto de gasolina. “Ei, é droga mesmo que a gente esta carregando? As caixas são grandes, e não parecem pesadas.” “Eles falaram que era. Agora que você quer conferir?” “Não vou mexer em nada, não. Vamos acabar logo com isso. Quero a grana.” O carro parou na esquina da entrada do beco, enquanto a Van entrou, e precisou de doze manobras para conseguir fazer a volta e estacionar de frente para saída. “Vai ficar mais fácil para eles saírem depois.” Alegou o pinto murcho, enquanto a bola furada reclamava do barulho que o motor daquela joça fazia. Enquanto o pinto murcho apertava sua faixinha na cabeça, e incorporava toda a inteligência de castor do Rambo, um carro preto brilhando entrou no beco. As mulas olharam uma para a outra e desceram da Van. Quatro engravatados vestidos como o Will Smith em MIB saíram das quatro portas que se abriram sincronizadamente. Os dois do banco detrás carregavam as maletas. Os outros dois começaram a avançar na direção dos dois ladrões de motéis. “Calma aí parceiro. Quero falar com os dois das maletas, fica paradinho aí.” “Precisamos conferir a mercadoria.” “Tudo bem. Um de vocês dois vai lá com meu amigo ver. O outro continua longe.” Um dos MIB começou a andar na direção do pinto murcho, que olhou para o Rambo como quem berrava: “não quero abrir aquelas caixas!” O Rambo fez cara de bom senso, e um sinal com a arma, para que ele fosse.

Quando a porta do forgão se abriu o pinto murcho liberou a passagem para o MIB entrar como se dissesse: “não quero saber o que tem aí.” O MIB entrou, abriu a tampa das caixas sem nenhum esforço, checou tudo, e saiu. Depois indicou com a cabeça para os outros que estava tudo como o planejado. Os MIBs das maletas se adiantaram e as entregaram para a dupla dinâmica, e elas sim estavam pesadas. A bola furada não estava preparado para aquilo e deixou a sua cair no chão. O barulho seco e duro chamou a atenção de todos, que prontamente mostraram suas caras de “meu Deus fodeu!”. Com as duas mãos para cima, e se preparando para ser fuzilado, ele se desculpou e com as mesmas duas mãos, e muito esforço, pegou a maleta. “Cuidado com o freio desta Van, precisa dar umas bombadas antes de parar”, ele ainda falou. Van e carrão preto saíram como se não tivesse trânsito. Rambo e o fracote entraram na lata velha desconfiados do peso da maletas. “Devíamos ter conferido o que tinha dentro delas como os caras. Você é muito burro! Não é dinheiro que tem aqui!” “Porque você não falou isso na hora, gênio?” “Porque não era você que estava no comando, chefe?” “Ei! Vocês dois! Vejam o que tem nas maletas.” A bola furada que tinha ficado no carro resolveu que queria provar o seu valor. O trinco era simples, e eles deitaram as duas maletas no banco de trás e abriram elas simultaneamente. Tinha alguns fios, ligados a outros fios e uns blocos que pareciam massinha. Os três se olharam e o pinto murcho sentenciou. “Vamos nos livrar disso e pegar nosso dinheiro.”

No ponto de encontro um, os carcamanos do Scorsese já estavam esperando eles quando a lata velha apontou na viela. Os quatro rechonchudos italianos, e seus trinta e oitos de Charles Bronson, desceram do Cadillac FIAT rindo. “Ma que….não falei que eles eram bons. Dá o dinheiro deles que eles merecem Vini”. Do outro lado o pinto murcho, inflamado pela faixinha do Rambo, se postou a frente das bolas furadas, que seguravam cada uma uma mala. “Eu achei que estávamos aqui tratando de negócios, drogas, e não bombas. Para carregar bombas eu cobro mais.” Os bigodudos italianos não estavam mais rindo. “Te contratei para entregar uma Van e me trazer duas maletas. O resto não é problema seu. Vamos acabar com isso e comemorar o sucesso do nosso negócio com fettuccine e vinho.” Então o Rambo soltou um peido que inchou sua calça de couro. Os carcamanos dos Scorsese se assustaram e começaram a atirar a esmo. O Rambo foi o primeiro a cair cagado e cheio de bala. Se o Stallone visse teria vergonha de si mesmo. O pinto murcho que, supostamente, sabia atirar, se jogou no chão e começou a chorar. Algum dos carcamanos gritou “cessar fogo, porra!” Mas ninguém escutou. O pinto murcho cagão ergueu a maleta na altura do peito para se proteger. Uma bala perdida acertou a maleta e dois quarteirões inteiros foram varridos do mapa.

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Crime em andamento – Jim Knipfel

Imagem | Russell Christian

Imagem | Russell Christian

Tradução | Eder Capobianco Antimidia

Minha cabeça estava em outro lugar. Não deveria estar. Eu deveria ter prestado atenção ao que estava acontecendo ao meu redor, mas em vez disso estava pensando sobre A Genealogia da Moral de Nietzche, por algum motivo esquecido por Deus, bem como o velho Robert Klein¹ e o stand-up que vi na TV em 1976 (“Me dê o frango, porcolino!”). Os dois, até onde eu sabia, não estavam ligados de forma alguma. Em suma, minha mente estava em toda parte, menos onde deveria estar.

Eu não estava usando a bengala também, o que só multiplicou a estupidez. Ainda estava escuro. O sol não tinha nascido totalmente, e estava chovendo. Eu estava indo para oeste na 23rs St., e deveria ter pegado a maldita bengala, mas estava ocupado demais pensando sobre Robert Klein ter se inspirado nos filmes da Disney para me preocupar com isso. Eu só seguia em frente, de cabeça baixa, meu casaco aberto para a garoa, imaginando se meus pés sabiam bem o suficiente para onde tinham que me levar. Minha camisa estava com pizzas de suor.

Escutei algumas pessoas gritando mais a frente. Pensei pouco sobre isso, supondo que eram apenas as vozes dos lixeiros. Havia um caminhão de lixo arrastando a sujeira sentido oeste na calçada paralela a minha, e acabei de ligando as duas coisas. Lixeiros estavam sempre gritando uns com os outros.

Duas silhuetas estavam se movendo em minha direção pela escuridão, vindas do fim de uma longa fila de andaimes. Eu estava concentrando-me nas formas, tentando descobrir a melhor maneira de evitá-los, quando ouvi passos molhados se aproximando por trás de mim. Então do nada havia um homem do meu lado, com um guarda-chuva na mão. Meu passo vacilou por um instante.

“Oh”, ele disse. “Me desculpe”. Então ele se virou e correu de volta para o lugar de onde tinha vindo.

Eu não tinha idéia do porque ele poderia se desculpar. Ele não tinha me empurrado ou trombado em mim ou pego qualquer coisa. Quem sabe? Ele quase não desviou minha atenção do que acontecia. Eu olhava para o par de silhuetas na minha frente, então dei um passo para o lado e deixei eles passarem.

Com certeza tinha muita gente trafegando pela rua para 6:15 da manhã. E em ação, também, para um deprimente dia perdido. As pessoas estavam indo e vindo por todas as direções. Eu continuei fazendo meu caminho, passando pelos ambulantes, a banca de jornal e a estação do metrô, pensando sobre isso e aquilo, ainda muito deprimido comigo mesmo e deixando a mente a deriva.

“Basta dar o dinheiro a ele!”, um homem atrás de mim gritou. “O dinheiro! Apenas dê a porra do dinheiro para ele!” Escutei o som das pessoas correndo.

Olhar para trás para ver o que estava acontecendo a poucos metros de mim teria sido inútil. Rapidamente virei a esquina para a 7th Ave., abaixei a cabeça e continuei andando. Estava tudo certo agora.

Acho que só passei por um crime em andamento, pensei.

Era perfeitamente possível que não fosse um crime também – talvez tivesse sido uma simples transação de negócios, ou algum lixeiro resolvendo uma aposta no jogo dos Mets, mas preferia pensar que era algum tipo de crime, e que tiros irromperam o ar no momento que eu estava fora do alcance da voz.

Então comecei a me perguntar quantas vezes tropecei num crime em progresso sem perceber. Não me surpreenderia se tivesse acontecido várias vezes.

Algumas semanas atrás estava falando para um amigo meu sobre umas coisas que ele tinha escrito. Envolvia uma criança que começava a ficar obsessiva por crimes muito cedo. Não é que ela própria se torna uma criminosa, mas o crime e os criminosos começam a orbitar em torno dela, se aproximando e se tornando mais íntimo a cada ano que passa.

Foi uma idéia, como expliquei para ele, que bateu realmente perto do meu quintal. Eu estava obcecado com o crime como uma criança (ainda sou, eu acho). Mas como cresci, crimes reais e tangíveis começaram a cruzar minha vida de maneira estranha frequentemente.

Cresci a 40 milhas de onde Ed Gein² morou. Ensinava alemão para um nerd quando estava na escola, sem saber que ele só queria aprender alemão para impressionar seus companheiros da Irmandade Ariana. Um amigo que eu tinha desde o jardim de infância explodiu o próprio irmão. Outro amigo começou a conversar com a televisão e antes do que você imagina matou seis pessoas a tiros em um escritório no centro. Descobri que minha mãe cruzou com Charley Starkweather³ pela vida. Um cara chamado Jessie Lee Wise4 queria que eu o ajudasse a fazer sua carreira musical decolar, mas o fato de que ele estava no corredor da morte no Missouri tornou isso um pouco complicado. Conversei com ele 20 minutos antes que a agulha picasse ele. Ele pediu camarão no jantar.

Posso falar disso sem parar. Não era pela minha própria vida cheia de pequenos crimes, e todos os criminosos de uma forma ou de outra, na sua maioria de baixa renda, que eu havia me tornado insensível ao crime.

Eu não digo nada disso com orgulho – mas é assim que as coisas aconteceram. Eu sempre achei que o crime poderia ser interessante. Como se diz mesmo? Uma outra forma de trabalho duro5?

Enfim, bem, é por isso que não fiquei surpreso com tudo que estava acontecendo, de fato, quando passei por um crime em andamento na 23rd St. naquela manhã. Andei em canteiros de obras, desviei de balas – até do fogo – sem estar ciente disso. Afinal de contas, na maioria das vezes, os crimes são muito mais silenciosos do que as pessoas imaginam. Participar de um crime não teria sido nada demais. De menos, até. Apenas algo mais para acrescentar à lista.

1 – Robert Klein: Comediante, cantor e ator estadunidense famoso na televisão durante a década de 1970. (http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Klein). Um homônimo dele se envolveu em um processo contra a Walt Disney Company depois de ser demitido por justa causa por assédio sexual (http://www.hollywoodreporter.com/thr-esq/disneys-archivist-sues-company-firing-424852).

2 – Ed Gein: Ladrão de lápide de Wisconsin condenado pelo homicídio de duas pessoas, e suspeito no desaparecimento de outras cinco (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ed_Gein).

3 – Charley Starkweather: Foi um serial killer adolescente estadunidense que matou onze pessoas nos estados de Nebraska e Wyoming num período de dois meses, entre Dezembro de 1957 e Janeiro de 1958 (http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Starkweather).

4 – Jessie Lee Wise: Assassino condenado a pena capital por matar Geraldine Rose McDonald depois de um assalto, em 1988, no Missouri. (http://murderpedia.org/male.W/w1/wise-jessie-lee.htm).

5 – Referência ao filme O Segredo da Jóia (The Asphalt Jungle, 1950). Num determinado momento do filme, durante um dialogo, um ladrão justifica seus atos criminosos como uma forma de trabalho alternativo (http://en.wikiquote.org/wiki/The_Asphalt_Jungle).

Texto Original | http://www.missioncreep.com/slackjaw/2006/crime.htm

Sobre Jim Knipfel | http://en.wikipedia.org/wiki/Jim_Knipfel

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Mais de 400 HQs originais são roubadas na Bélgica

Willy Vandersteen

Dois bandidos roubaram uma coleção de histórias em quadrinhos e desenhos originais na região de Haacht, na Bélgica, informou nesta quarta-feira (29) o jornal “Gazet van Antwerpen”.

Os autores, que ainda não foram identificados, realizaram o crime na última segunda-feira (27) e levaram mais de 400 gibis originais.

As autoridades ainda não divulgaram o valor exato da coleção, mas a imprensa belga fala em milhões de euros.

Algumas das obras eram das décadas de 1940, 1950 e 1960. Uma das perdas mais destacadas foi a de Willy Vandersteen, pai de personagens como “Suske e Wiske” e “Bob e Bobette”, que foram traduzidos para mais de 20 idiomas. [via Folha]

Saiba mais sobre o roubo clicando no link do Folha.

 

Publicado por Bruno Vox em: Notícias | Tags: , , , , , , , , ,

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