Escritor: Vitor Vitali

Brasília, Sexta-feira, 31 de Julho de 2009 pelo falso calendário, Quarto Minguante.
Acordei mais cedo naquela manhã com o telefone que tocava. Não era uma ligação que eu esperava, ou uma ligação que eu gostaria de receber, mas a voz rouca era a de um homem que um dia eu já chamei de amigo e pedia minha ajuda.
O homem que um dia já havia caminhado comigo pelas ruas de onde havíamos “crescido” tinha certo gosto por coisas que cresciam. Plantas, animais e filhos. Não me recordo em que momento a pessoa que podia ter sido um celebre agrônomo ou um grande fazendeiro havia se tornado apenas um plantador de milho no interior. Bem, talvez eu me lembre e talvez tenha haver com aquela garota enforcada, ou apenas comigo e minha escolha de carreira, se é posso dizer que foi uma escolha. Creio que tenha sido algo como falta dela, de fato. Nós nunca tivemos os mesmos gostos, mas criança é assim mesmo, ignoram a lama que cobre o espirito e é conhecida como ego apenas para se divertir, como se só o mais puro da pessoa importasse. Esse tipo de pureza hoje me parece estranha, mas que inferno, está calor de mais para pensar direito.
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