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conto da noiteO Conto da Noite
Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Carne III – De Carne e Osso – Final

Autor: Sombra Posthuman

Igor Cotrim - Cabuçu

Para ler antes:

Esqueletos no Armário

Ossos do Ofício 1 e 2

De Carne e Osso 1, 2 e 3

Putrefaction

A scent that cursed be, under cold dark dust

From the darkness

Rises a succubus

From the earthen rust

(Ghost – Ghuleh / Zombie Queen)

Vladmir tira sua camisa e improvisa um curativo. Em seguida, põe fogo na mala e corre para chamar uma ambulância. A ambulância leva Márcio, e Vladmir observa enquanto a mala é completamente destruída pelo fogo. Dentro do fogo, um brilho estranho chama sua atenção, e ele joga um balde d’água na mala, para impedir que o fogo se alastre pela mata. Ao investigar o brilho, ele encontra uma pedra tão negra quanto a escuridão dentro da mala, mas sólida como uma safira e com uma forma bastante irregular. Vladmir decide levar a pedra para casa e mantê-la segura até que Márcio se recupere. Enquanto isso, Iara tem finalmente seu merecido enterro.

Nos dias que se seguem, Vladmir observa com frequência a pedra negra e parece nutrir um imenso fascínio pelo objeto. A pedra vai aos poucos seduzindo Vladmir, que se torna cada vez mais dependente da sensação de poder que ela proporciona. Das profundezas da escuridão, olhos completamente amarelos o observam em um rosto bestial, de cor vermelha.

Natasha vai ao hospital visitar Márcio, que parece estar se recuperando bem.

– Nem sei como te agradecer pelo que fez por nós.

– Eu fico muito feliz por ter vindo me visitar.

– Eu lamento muito pelo que aconteceu com você. Espero que se recupere logo.

– Como estão seu pai e sua mãe?

– Eles estão desolados. Eu tenho feito o possível para ser forte e consolá-los. Todos gostávamos muito da Iara.

Márcio segura a mão de Natasha.

– Eu tenho certeza de que estão em ótimas mãos. Felizmente eles ainda têm uma filha maravilhosa e saudável. Cuide-se bem, Natasha. Você é uma boa filha e ainda vai dar muito orgulho aos seus pais.

Quando Natasha volta para casa, seu pai havia saído em uma viagem, sem dar nenhuma explicação para sua mãe.

Na noite seguinte, nuvens densas encobrem o céu de Turmalina, o vilarejo dorme mergulhado em um profundo silêncio. Guará, Jacaré e Cabuçu vão até a casa de Ashuhr.

– Lembrem-se de que o Ashur tem um boneco de vodu do Cabuçu, Por isso, ele não pode saber que nós estamos juntos, senão vai usar o boneco. Eu sou o único armado, eu vou até o sótão atrás dele. Vocês ficam no segundo andar apenas me dando cobertura, caso algo dê errado. Mas não se preocupem, eu vi tudo nos meus sonhos, o velho está sozinho e desarmado no sótão, todas as armadilhas da casa foram desarmadas e o corpo da filha daquela senhora está no quarto dos fundos, à direita. Vai dar tudo certo.

Eles entram pela mesma janela que o bando de Mosca entrou da outra vez, a janela não foi consertada. Cuidadosamente dirigem-se até a escada com Guará na frente e encontram o cão de duas cabeças, que ainda está vivo, apesar de ter sido baleado tantas vezes. No entanto, ele parece bem fraco, debilitado e apenas chora ao ver os invasores. Jacaré faz um carinho em uma de suas cabeças e eles seguem pelas escadas escuras.

– Ouviu esse barulho? Veio lá de baixo. – diz o índio.

– Deve ter sido o cachorro. – responde Guará, seguindo em frente e chegando ao segundo andar. E, virando para Jacaré: – Faz um degrau pra eu poder subir e puxar o alçapão.

Jacaré o ajuda e ele abre a passagem para o porão, liberando uma escada. Um barulho vem da porta dos fundos à direita, Guará e Jacaré se entreolham, mas Guará resolve subir logo, antes que Ashur perceba sua presença. Quando chega lá em cima, Jacaré e Cabuçu ouvem o barulho novamente na porta.

Guará vê o velho sentado diante de uma escrivaninha, com o ombro enfaixado, devido ao tiro disparado pelo Mosca. A escrivaninha está iluminada por uma chama cuja luz é direcionada para cima por algum recipiente. Ashur não parece perceber a presença do invasor. Guará se aproxima e vê um mural diante do feiticeiro com inúmeras fotos de uma jovem, em seguida, vê mais fotos da mesma jovem espalhadas sobre a escrivaninha.

– Leve tudo o que quiser. Eu não me importo mais. – diz Ashur sem nem mesmo olhar para o invasor em seu sótão.

– Quem é a mulher? – pergunta Guará, apontando a Diaba para o velho.

Ashur ergue o rosto para ver o homem e Guará pode perceber que ele estava chorando. A chama que os ilumina vem de uma lixeira, no chão.

– O nome dela era Lilian. Ela era toda a essência da bondade que o ser humano deixara para trás há muito tempo. Era a única pessoa nesse vilarejo e nesta cidade que me via além da minha aparência, das minhas vestes e dos meus costumes. Mudou toda a minha forma de enxergar a vida. Eu, no ápice da minha megalomania, a desejei como jamais quisera algo antes. – confessa o velho enquanto admira uma das fotos da mulher.

Em seguida, joga a foto na lixeira, sobre o fogo, e continua:

– Mas ela me desprezou, e eu não pude aceitar aquilo. Tudo o que eu queria era que ela correspondesse meu amor. – diz enquanto pega outra foto de Lilian. – Então eu a matei.

Ashur joga a foto na lixeira como fez com a outra.

– Por que voltou aqui?

– Eu vim matar você e vingar as pessoas que você matou.

– Vá em frente.

Ashur olha fixamente para Guará, sem demonstrar medo. Guará, no entanto, hesita. Enquanto isso, no andar de baixo, a porta dos fundos não para de fazer barulho.

– Foi aí que Tomas disse estava o corpo da garota. O que mais tem aí dentro? Fique atrás de mim, Cabuçu, eu vou verificar.

Quando abre a porta, dá de frente com o cadáver da garota que havia sido sacrificada em um ritual por Ashur, seu corpo se encontra em estado avançado de decomposição, mas ela está de pé diante dele e avança em sua direção. É uma visão aterradora, um corpo pálido com o olhar vazio, sem vida, e os movimentos desajeitados realizados por músculos enrijecidos e guiados por um só impulso: fome. Imediatamente o cheiro de carne podre se espalha no ambiente. Ela o agarra, mas Jacaré consegue chutá-la para dentro do quarto de novo. Cabuçu solta um grito, ao ser puxado por Chumbo Certo, que agora é um zumbi, e rola pela escada. Jacaré pega a bengala de Cabuçu, que ele largou ao tentar se segurar no corrimão, e ataca o zumbi. Em seguida, pula o morto-vivo e vai levantar Cabuçu. Juntos, eles correm para o andar de baixo e são perseguidos pelos dois zumbis, mas quando chegam à sala, se deparam com um cenário mortal. Há mais três mortos-vivos esperando por eles: Ratinho, Fura Bucho e Língua Solta.

– Cabuçu, fique atrás de mim.

No sótão, Guará corre para ajudar os amigos, que parecem estar em perigo, mas se detém por um instante ao ouvir a voz de Ashur.

– Um conselho, meu caro: Acordos com demônios são um vício, uma vez que se começa, não se pode mais parar.

Em seguida, ele pula para o andar de baixo e corre pelas escadas. Ao ver o cadáver da garota, Guará descarrega a Diaba na cabeça da zumbi. No entanto, mesmo sem rosto, ela continua indo em sua direção e agarra seu braço. Guará puxa sua peixeira e decepa o antebraço da moça. Depois, faz o mesmo com o outro braço e desce correndo as escadas.

Enquanto isso, longe dali, Vladmir corta a garganta de uma jovem loira e a segura pelos cabelos, enquanto seu sangue banha a joia misteriosa dentro de outra maleta, o ritual é feito novamente. Quando finalmente a joia parece se fundir à maleta, ele larga o corpo da moça, que cai para traz desacordado, e cuidadosamente remove seus seios com o bisturi.

Ao chegar à sala, Guará encontra Jacaré e Cabuçu cercados por cadáveres se debatendo no chão. São Chumbo Certo, Língua Solta, Ratinho e Fura Bucho.

– Está tudo sob controle. – diz Jacaré – Você encontrou o feiticeiro?

– Sim, vamos embora, antes que esses zumbis levantem novamente.

Guará abre a janela e pula para fora. Jacaré pega Cabuçu pelo braço, para ajuda-lo a sair da casa, mas o índio, sem dar um passo em frente, pergunta:

– Ocê matou ele?

Guará não responde. Jacaré rompe o silêncio:

-Venha, vamos embora. Este não é lugar para conversar.

– Eu não vou embora daqui enquanto não tiver certeza de que o feiticeiro tá morto!

Lentamente, os quatro cadáveres começam a se levantar de novo.

– Eles estão se levantando, precisamos sair daqui, rápido!

O índio finalmente aceita a ajuda, e eles deixam a casa.

De volta a Vladmir, ele está em pé, de frente para a maleta aberta, catatônico. A moça está morta no chão, sem os dois seios. De dentro da maleta emerge Ukobach, no corpo de Adriano. Ele fecha a maleta e se vira para Vladmir.

– Muito obrigado, você fez um ótimo trabalho. Agora só falta o nariz. Mas pode deixar que eu cuido disso pessoalmente.

Ele vai embora com a maleta e deixa Vladmir sozinho com o cadáver no quarto. Vladmir observa o quarto confuso, como se tivesse a mente completamente vazia, e, aos poucos, seu olhar vai se tornando perturbado e assustado.

Na manhã seguinte, Guará explica aos amigos o que houve naquela madrugada, enquanto fuma seu cigarro de palha.

– Eu sinto muito, mas não consegui matar o velho. Ele estava ali, desolado, indefeso. Senti pena dele, como nunca havia sentido por ninguém. A vida é engraçada, não é! Nos prega muitas peças.

– Eu não devia ter deixado ocê resolver isso. Essa era minha obrigação, eu devia ter matado o feiticeiro pessoalmente! – responde Cabuçu inconformado.

– Eu até te deixaria fazer isso, se a casa não estivesse cheia de mortos-vivos. Sinceramente, não acho que ele reagiria. Eu peço desculpas, meu amigo, sei que falhei contigo, não cumpri minha promessa. Mas, se isso te serve de consolo, eu te garanto que aquele homem não será mais capaz de fazer mal a uma mosca.

– Você agiu bem, Tomas. – diz Jacaré – não há honra nenhuma em matar um oponente desarmado.

– Mas, Jacaré, me diz uma coisa: como vocês se defenderam daqueles zumbis?

– Eu também tenho meus segredos. – responde Jacaré com um sorriso misterioso.

Depois de alguns instantes em silêncio, Jacaré se levanta.

– E o que vamos dizer àquela senhora que queria o corpo da filha?

– Boa pergunta. Não podemos entregar a ela aquele corpo assassino. – responde Guará.

– Acho melhor dizermos a ela que o corpo já estava em um estado muito decomposto e que achamos melhor não leva-lo.

– Mas ela vai querer enterrar a filha!

– Podemos dizer que a enterramos. Vamos fazer uma cova nova no cemitério e colocar uma cruz lá.

– É, pode ser… Então vamos lá cavar a cova.

Os dois pegam uma pá e vão até o cemitério.

Cabuçu faz um chá e se lembra de sua mãe, e de tudo o que ela lhe ensinou: sobre alimentação, sobre suas origens, sobre o mundo espiritual, sobre ser forte e nunca confiar em ninguém. Enquanto se recorda com carinho da sua falecida mãe, ele ouve um barulho vindo de fora.

– Quem está aí?

Ninguém responde e ele ouve o som de passos se aproximando. O índio fica imóvel, se concentrando no som. Algo bate com força na janela e ela se abre. Ouve-se um gemido. E alguma coisa pesada cai para dentro. Cabuçu ouve mais gemidos, enquanto pega uma panela e começa a balança-la, tentando se proteger. Ele sabe o que é aquilo, é mais um daqueles zumbis de Ashur. E desta vez, ninguém pode salvá-lo. Ele vai recuando, enquanto balança a panela. A panela atinge o zumbi nos braços e na cabeça várias vezes, mas não parece surtir nenhum efeito, e Cabuçu vai ficando encurralado. Sem ter para onde fugir, Cabuçu é puxado pelas mãos cadavéricas do morto-vivo e empurra a panela sobre seu rosto. O zumbi vai inclinando a cabeça, com sua boca aberta, enquanto saliva escorre de seus dentes sujos, e vai aos poucos desviando da panela e aproximando a mandíbula do ombro do índio. Cabuçu sabe que seus amigos ainda estão longe dali e nem mesmo ouvirão seus gritos.

Ele ouve, de repente, outro som vindo da janela e, em seguida, o zumbi é afastado dele. Alguém parece tê-lo puxado. Tudo o que ele consegue fazer é respirar fundo, apavorado, e agradecer aos ancestrais por ainda estar vivo. Então, ele ouve uma voz desconhecida:

– Consegui prender a coisa, mas ela é forte! Ocê tem aí algum facão, algo grande de cortar?

Cabuçu pega a maior faca que encontra na cozinha e entrega ao desconhecido. A coisa está se debatendo, e Cabuçu pode ouvir os golpes de faca contra ela. Os golpes cessam, mas os gemidos e outros sons de luta continuam.

– Consegui cortar a cabeça dela, mas não adiantou nada. A gente temo que dar um jeito de prender essa coisa, com uma corda ou sei lá…

– Eu não sei, não tenho nada aqui que você possa usar.

– Então é melhor trancar essa muier em um quarto por enquanto.

Cabuçu ouve um barulho de algo caindo, depois de algo sendo arrastado. Em seguida, uma porta se fechando e alguém se debatendo atrás dela.

– Pronto, hehe. A muié até que é boa, se estivesse viva…

Algumas horas depois, Guará e Jacaré chegam a casa e encontram algumas coisas quebradas na cozinha. Quando chegam à sala, Guará saca sua arma e a aponta para o homem que está sentado, que levanta imediatamente e ergue as mãos para cima.

– Ou, ou, ou, ou! Se aquiete, fio! Eu venho em paz.

Quem responde é Calango, um dos ex-companheiros dos dois.

– O que tu fazes aqui? E o que é esse barulho no quarto?

– Eu descobri que ocês tava aqui e vim me ajuntar a ocês. Não consegui encontrar mais ninguém do bando. No quarto tem uma morto-vivo que encontrei aqui. Foi o jeito que encontrei de segurar a mulher.

– Estão todos mortos. Pensávamos que tu também estavas.

– Eu quase morri memo com uma das armadilhas daquele velho, mas quando acordei, tava tudo em silêncio e eu dei no pé.

– Pois não te queremos aqui. Dê o fora! – diz Guará sem abaixar a arma.

– Ele salvou a minha vida. – interrompe Cabuçu.

– Como podemos confiar nele? Ele era nosso inimigo!

– Inimigo, inimigo eu nunca fui. – interrompe Calango – Eu era cumpade docês! Mas ocês foram expulsos do bando… Oia, se não acredita em mim, pode ficar com a minha arma.

Calango entrega a arma para Guará, que a entrega para Jacaré e espera que ele diga algo. Jacaré olha para Calango e pergunta:

– O que você quer aqui?

– Gente, ocês são minha famía. Eu não tenho pronde ir.

– Por que você não vai trabalhar pro coronel? Não foi por causa dele que vocês tentaram matar a gente?

– Eu não sou maluco de vortar lá sozinho, e sem ter expulsado os sem terra das terras dele.

– Nós não temos utilidade nenhuma pra você aqui, mas a casa é do Cabuçu, cabe a ele decidir.

Todos olham para Cabuçu, esperando sua decisão.

– Ocê pode ficar. Desde que não arrume problema.

– Que ótimo. E o que nós vai fazer com essa muié lá no quarto?

– Se essas coisas chegaram até aqui, temos problemas muito sérios. – diz Jacaré com uma expressão de muita preocupação.

Dois dias depois, Uma jovem loira aparentando uns 18 anos está costurando uma calça jeans. Ela ouve alguém batendo na porta e vai atender. Ao abrir, ela se depara com Lilith segurando uma mala:

– Oi, ocê é a Dalila?

-Sou, e você quem é?

– Prazer, eu sou Luana. – responde estendendo a mão para Dalila.

Ela a aperta e observa a mulher à sua porta. Lilith está com os cabelos mais curtos e loiros.

– Eu pensei que você fosse mais nova.

De volta a Turmalina, Ukobach está diante de Ashhur no porão.

– Você fez uma tremenda bagunça enquanto eu estava fora!

– Você demorou demais! Espero que tenha valido a espera.

– Eu tenho certeza que sim. Onde está o coração?

Ashur vai até o laboratório e traz um coração congelado.

– Ótimo! Deixe-o descongelar. Agora prepare-se para contemplar a maior de todas as suas criações. Um pedaço retirado de Adão lhe dará vida. Eu lhe apresento… Eva!

Ele retira o pano de cima da mesa, mostrando um corpo nu composto por vários pedaços de mulheres costurados. Ashur observa aquilo com um misto de curiosidade e desprezo.

– Isso é uma colcha de retalhos!

– Não se preocupe, meu caro. Esta é só a matéria prima. Quando o ritual estiver pronto, você terá nas suas mãos a maior criação do homem, tudo o que você sempre sonhou, um cuspe na cara de Deus.

Durante algumas horas os dois preparam todo o altar para o ritual, enquanto o coração descongela e aquele arremedo de gente permanece imóvel sobre a mesa, frio. Ashur introduz cuidadosamente o coração e costura o peito. Ukobach tira da mala sete esferas flutuantes de luz azul e as atravessa pela costura para dentro do peito do golem de carne. Então, Ashur conecta eletrodos em várias partes do corpo da criatura e liga a corrente. O conjunto de partes de corpos começa a tremer numa sema macabra, enquanto a eletricidade percorre seu corpo. Enquanto isso, Ashur caminha ao redor da mesa pronunciando versos em uma língua estranha e arremessando sobre ela um pó cinza muito fino que paira no ar como fumaça.

Finalmente ouve-se um suspiro dos lábios da criatura contorcida e um vento gelado percorre o altar, apagando todas as velas. O porão fica completamente escuro e silencioso. Ukobach retira todos os eletrodos do golem, enquanto Ashur acende uma vela e a aproxima da mesa. Lentamente a mulher ergue o tronco, ficando na posição sentada, como sonâmbula. Todas as marcas de costura desapareceram e sua pele recuperou o rubor da vida. E como é linda. Então, enquanto os dois observam extasiados, Eva abre os olhos.

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Carne II – Ossos do Ofício – Final

Escritor: Sombra Posthuman

Ukobach

Ukobach

 

Esta publicação é continuação de Carne I – Esqueletos no Armário e Carne II – Ossos do Ofício – Parte 1 e é recomendada para maiores de 18 anos.

Blood on her skin
Dripping with sin
Do it again
Living Dead Girl
Blood on her skin
Dripping with sin
Do it again
Living Dead Girl

Bem longe dali, Elisa algema os pulsos de Leandro à cabeceira e os pés aos pés da cama.

(more…)

Publicado por Sombra Posthuman em: Agenda | Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
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Carne II – Ossos do Ofício – Parte 1

Imagem de Albert Wesker retirada da página http://www.gaiaonline.com/profiles/chairman-a-wesker/31614599/

Imagem de Albert Wesker retirada da página http://www.gaiaonline.com/profiles/chairman-a-wesker/31614599/

 

Escritor: Sombra Posthuman

Recomendado para maiores de 18 anos.

 

Para ler antes, ou não:

Carne I – Esqueletos no Armário

 

I… I have this need

I need to see you bleed

I need to taste your brain

Oh God, it drives me insane

Come… come over here, my dear

There’s nothing for you to fear

I need a little piece of your head

So you too can be among the living dead…

 

O ritmo da música eletrônica enche o quarto, dividindo o pouco espaço do aposento com sangue e membros decepados. Elisa move seu corpo seguindo o ritmo, enquanto devora um braço que já pertenceu a um homem. O sangue respinga em sua lingerie branca, já cheia de manchas rubras. Ela se delicia com o momento, como se estivesse fazendo sexo. É uma sena grotesca, mas lambuzada de luxúria, porque para Elisa, isso é um orgasmo.

É o quarto de Mauro, que se transformou em uma câmara de horrores.

– Eu tô gostano desta cidade. – Ela diz com o sorriso de uma criança.

O telefone toca, Elisa larga o membro masculino que lhe dá tanto prazer, chupa os dedos e corre para a sala de calcinha e sutiã e suja como uma criança levada. Ela atende o telefone.

– Alou?…

– Olá, meu anjo, vai fazer alguma coisa hoje?

– Nadinha…

– Então eu vou passar pra te pegar mais tarde.

– Tá bom, vou ficar esperano.

– Vou te levar pra um lugar bem legal!

– Ah, é? Estou curiosa…

– É surpresa. Então até mais, gata.

– Até mais…

É noite,… um homem de batina, coturno e um chapéu preto anda pela cidade com ar de quem não sabe bem para onde está indo. Ele usa um grande crucifixo de prata e óculos escuros, e carrega uma maleta preta. Através dos óculos, olha para a TV em uma vitrine, onde está passando “O Corvo”.

– Victms… aren’t we all? – diz Brandon Lee.

– Cidade grande,…vai ser difícil te achar de novo, Lilith.

Ele continua andando, mas um cego, de rosto deformado, bloqueia sua passagem. Ele o empurra sem hesitar na direção da rua.

– Sai da frente, cego inútil!

O homem cai na rua, enquanto um carro vem rápido em sua direção, buzinando desesperadamente. O cego não tem tempo de reagir e permanece caído na escuridão, apenas ouvindo o som da morte se aproximando. Felizmente, o motorista consegue desviar. O homem da batina, no entanto, continua em seu caminho, sem nem mesmo olhar para trás. Ele se aproxima de uma igreja evangélica e ouve muita gritaria lá dentro.

– O fim está chegando, irmãos! Os sinais estão todos aí! É o fim dos tempos!

– Por mil diabos, assim nem consigo ouvir meus pensamentos!

Para diante da igreja e abaixa os óculos. Sua íris é vermelha como fogo e sua pupila é uma fenda vertical, como de gato. Ele olha para dentro da igreja e, sem razão aparente, o altar é coberto de chamas, juntamente com as roupas do pastor.

– Esses crentes são tão irritantes…

Um carro passa pela rua e as pessoas dentro dele nem se dão conta do que está acontecendo. É Leandro quem está dirigindo o carro, e Elisa está na carona.

– Que lugar é esse pra onde ocê vai me levar?

– Calma, meu anjo, isso é só mais tarde. Agora nós vamos beber e dançar um pouco.

Ele para o carro em frente a um lugar sujo e com pouca iluminação, que parece um galpão, com homens mal encarados fumando na frente. Eles entram e são recebidos por uma garota loira que aparenta ter uns 14 anos, com um short minúsculo e um decote bem ousado.

– Oi, Painho! Vai me pagar um drink?

– Não, hoje não, Gabi. Eu tenho companhia.

– Ok. – E sai sem dar a mínima.

– Painho? – repete Elisa com tom de deboche.

Eles se sentam a uma mesa no canto, e logo um homem barbudo com mais ou menos quarenta anos e cheio de ouro chega para cumprimentar Leandro. Neste momento, passa pela mesa uma mulher linda, usando um chapéu de caubói. Um pouco parecida com Elisa. Algo naquela mulher chama a atenção de Elisa de tal modo, que ela não consegue desgrudar o olhar da misteriosa mulher. A morena de chapéu deixa o estabelecimento e, enfim, Elisa sai do transe.

– Elisa, falei com você, meu anjo.

– Ah, sim, descurpe.

– Este aqui é o Pirata, meu parceiro de negócios.

– Muito prazer.

– O prazer é meu. É uma moça muito bonita!

– Muito agradecida.

– Tem notícias do Mauro? – Pergunta para Leandro.

– Não, desapareceu sem deixar rastro. Só deixou isso aqui pra mim. – Olha para Elisa sorrindo e ela sorri de volta sem prestar muita atenção no que ele está dizendo.

– E você acha pouco? Hehehehe

Uma garçonete traz algo para beber e Elisa bebe enquanto pensa na mulher que viu há pouco. Os homens estão conversando, mas ela permanece distante.

Alguns instantes depois, Leandro chama Elisa para dançar. Eles se levantam e começam a dançar ao som de The 69 Eyes – Dead Girls Are Easy.

Enquanto isso, em outra parte da cidade, o homem de batina toca a campainha em uma casa. O cachorro do vizinho não para de latir, o homem o encara por cima dos óculos escuros e o cachorro foge amedrontado. Um cabeludo tatuado abre a porta.

– Um padre? O que você quer aqui?

– Diego Silveira?

– Sou eu, e você quem é?

– Meu nome é Ukobach.

– Eu não acredito em Deus, tá legal?! – e começa a fechar a porta, mas Ukobach a segura.

– Eu quero saber onde está a mulher do baixo.

– Mulher do baixo, não sei do que cê ta falando, véi. Agora dá licença, que eu tô com o fogo ligado. – E força a porta para fechá-la, mas Ukobach chuta a porta com seu pesado coturno, abrindo-a mais e empurrando o homem para trás.

– Tá maluco?

Ukobach pega o homem pelos cabelos e o arrasta até a cozinha.

– Por que não disse logo? Não queremos desperdiçar gás! Eu sou um ótimo cozinheiro, sabia?

Diego grita e se debate, alcançando uma panela e bate na perna de Ukobach, que parece não sentir nada. Há uma chapa de metal fritando lingüiças e cebola em cima do fogão.

– O jantar está servido! – Ukobach empurra o rosto de Diego contra a chapa e ele solta um grito horrível de dor.

– Vou perguntar de novo, onde está a garota?

– Ah, eu não sei, véi, eu juro!

– Resposta errada. – E empurra novamente seu rosto contra a chapa. Depois o joga no chão. – A gente pode ficar aqui a noite toda! Vai ser muito divertido.

– Duas ruas pra trás, prédio verde, primeiro andar. Procura pela Dália, ela sabe da garota.

– Mas que covarde,… entregando uma mulher tão cedo! Eu disse que isso poderia durar a noite toda. Sabe, o padre dono desta batina resistiu mais.

Ele pega uma faca de cortar carne e corta o indicador da mão direita de Diego, que grita novamente.

– Ninguém gosta de dedo-duro!

Ukobach pega o dedo decepado do chão e guarda em sua maleta. Enquanto isso, Diego pega a faca e crava na perna do homem de batina, gritando “Desgraçado!”. Ukobach se vira e quebra o braço de Diego, fratura exposta. Volta à maleta, pega um gancho e vira novamente para Diego:

– Espero que não esteja mentindo.

– Aaaaaah, meu braço!

– Você não faria isso, faria? – Abaixa os óculos, fitando-o de perto com seus olhos demoníacos.

– Ah, meu deus!

– É, acho que não… Então me diga, já que você gosta de falar, qual é o nome da mulher do baixo?

– Eu te digo, mas, pelo amor de deus, me deixa em paz!

– Feito.

– O nome dela é Luana.

– Luana,… então esse é o nome que você está usando… Agora vamos brincar de açougueiro.

– Não! Você disse que ia me deixar em paz!

– Pelo amor de deus eu menti. – e crava o gancho no ventre de Diego.

De volta à boate, Elisa diz para Leandro que quer ir embora.

– Eu quero ver a surpresa que ocê tem pra mim.

– Está bem, então vamos.

Eles voltam para a mesa e Gabi está sentada no colo do Pirata com o seio esquerdo para fora da blusa em sua mão.

– Até mais, gente, a gente já tá indo. – diz Leandro.

– Mas já, tão cedo? Toma mais uma bebida! – responde o Pirata.

– Não, a gente vai continuar a festa em outro lugar. Nos vemos semana que vem.

Eles pegam o carro e Leandro pergunta:

– Quer parar em algum lugar pra comer alguma coisa?

-Não, eu quero ver logo esse lugar que ocê falou.

– Tem certeza? Não está com fome?

– Dá pra aguentar até mais tarde.

– Tá legal.

Eles se afastam da cidade e vão pro meio do nada. Mas, no meio do nada, se encontra uma luxuosa mansão.

– E aí, o que achou?

– Nossa! O que é isso?

– É o esconderijo que o Pirata me arranjou. Os negócios vão indo muito bem.

– Que legal, é demais de grande! Eu quero ver a casa por dentro!

Eles entram e Elisa corre a casa toda. Para de frente para a lareira e diz:

– Aqui é pra jogar os osso das pessoa, né?

– Elisa, você anda vendo filmes de terror demais!

Ela sai correndo, pois outra coisa chamou-lhe a atenção, enquanto Leandro observa a lareira, pensando seriamente numa nova possibilidade. Ouve um som metálico, se vira e vê Elisa segurando uma katana desembainhada, apontada para ele.

– Olha só o que eu achei!

– Muito cuidado com isso, está afiadíssima. E você não vai querer machucar este lindo corpinho, vai? – Coloca a espada de lado e acaricia seu rosto. – Vou te mostrar o nosso quarto.

Um homem de pseudo-moicano anda pela calçada de uma rua deserta com uma camisa camuflada, onde está escrito: “EXÉRCITO DE CRISTO”. Ele caminha, cantando um funk, quando vê folhas de jornal no chão e se inclina para olhar. É uma reportagem sobre o incêndio na igreja.

– Cacete!

Enquanto ele observa, inclinado, um morcego que estava pendurado em uma marquise atrás dele toma forma humana e o agarra por trás. Ele tenta reagir, mas relaxa quando recebe uma mordida no pescoço. O predador é a mulher de chapéu que Elisa viu na boate, mas ela está nua. A presa entra em um estado de êxtase e fica completamente mole, indefesa, enquanto a vampira o puxa para a sombra e suga todo o seu sangue pela jugular. Quando ela parece finalmente saciada, solta o corpo do homem, mas se surpreende ao ouvir uma voz.

– Olá, Lilith. – Um homem, aparentando uns trinta anos, cabelos negros em asa delta, roupas pretas e um crucifixo de madeira pendurado no pescoço, sai de trás de uma banca de jornal. – Venho observando você há um tempo. – Ela fica alerta como um animal ameaçado. – Vampiros realmente existem! – Ela começa a andar em sua direção, olhando em seus olhos. O homem saca uma pistola: – Não se aproxime. – Ela sorri. – Eu vim buscar você, Cabuçu deseja vê-la.

– Cabuçu? Ele está aqui?

– Chegou ontem e quer falar com você, por favor, venha comigo.

Luana se move como um raio e tira a arma da mão do homem, mas ao tentar estrangulá-lo, tem sua mão queimada misteriosamente. Ela geme de dor e salta para trás, segurando a mão, suas presas aparecem e seus olhos ficam vermelhos. Ela fita o homem, com raiva, mas ele não parece amedrontado.

– Eu não quis te ferir. Nem sei o que aconteceu. Tome, vista meu casaco. – Ele joga o casaco para ela.

– Você vai na frente, eu te sigo à distância.

Eles caminham por algum tempo, até que chegam a uma casa humilde. Ele entra e deixa a porta aberta, Luana entra em seguida. Sentado diante de uma mesa com vários livros está o velho deformado que foi empurrado por Ukobach. É um velho índio que usa óculos escuros.

– Senhor Cabuçu, trouxe a vampira, como me pediu.

– Lilian, ocê tá aí?

– O que houve com os seu rosto, Cabuçu?

– Ashur mandou um demônio atrás de mim, ele se chama Anamane. Mas não era meu destino morrer naquele dia. Perdi minha mãe e a visão, e fiquei com o rosto deformado.

– Eu sinto muito. O demônio também veio atrás de mim e eu também perdi uma pessoa querida.

– Você deve ter sofrido muito… Ashur deixou este mundo, e eu me preparei por todos esses anos para me vingar do demônio que levouseu irmão e a minha mãe.

– Você devia fazer como eu, Cabuçu, esquecer de tudo, deixar o passado para trás.

– Às vezes o passado te apunhala pelas costas, Lilian. O demônio está aqui em BH, veio atrás d’ocê novamente. Os espíritos ancestrais me disseram que vários destinos vão se reencontrar nesta cidade e que vida e morte estão nessa encruzilhada.

– Se ele veio me destruir, deixe que venha. Minha existência não possui nenhum propósito. Só o que faço é matar pessoas inocentes quando a fome se torna insuportável.

– O demônio não deve alcançar seu objetivo! Seja ele qual for!

– Eu lamento, Cabuçu, sou grata por você ter me ajudado a fugir de Turmalina, mas não vou ajudar na sua vingança. – Ela se vira e sai.

– Espera! Ele está indo atrás de você! É um demônio!

– Deixe, Ângelo! Ela não vai ajudar. Pelo menos não agora, os espíritos disseram que a mulher de Turmalina iria se unir a nós contra o demônio.

– Talvez ela mude de idéia.

Ukobach está diante de um prédio pequeno e simples, sem porteiro, quatro andares. Enquanto anda em direção à porta do prédio, as plantas do jardim murcham com a sua presença. Ele abre sua maleta e de dentro dela sai uma corrente enferrujada com elos de ganchos, como um enforcador de cachorros. A corrente se ergue no ar como uma serpente e tem várias agulhas na ponta. Essas agulhas entram na fechadura da porta e a abrem. Ele segue pelo corredor e faz o mesmo na porta do apartamento. Anda silenciosamente pela sala escura e é violentamente atingido na cabeça, caindo no chão imediatamente. Ele olha para os óculos quebrados no canto da sala e tenta se levantar, mas é atingido novamente pelo pedaço de madeira segurado por Dalila, uma jovem de moicano, cheia de tatuagens e piercings, usando um baby doll.

De repente, a madeira em sua mão começa a pegar fogo espontaneamente. Ela joga a madeira no chão, assustada. Ukobach se levanta.

– Você é Dalila?

– E você é o Demônio?

– Um deles. Mas não é você que eu quero. Vim lhe perguntar: onde está Luana? – Pega a maleta do chão calmamente.

– Que tipo de demônio é você, que não consegue achar uma garota?

Ele abre a maleta e dela saem quatro correntes, que seguram seus membros e a erguem no ar.

– Eu faço as perguntas aqui.

– Você tá perdendo seu tempo, cara!

– Eu tenho todo o tempo do mundo.

As correntes começam a se enroscar por suas pernas, até suas virilhas e a apertar. Dalila começa a gemer de dor.

– É bem mais divertido quando vocês não cooperam.

Correntes finas com pequenos ganchos se enroscam pelo seu tronco, rasgando sua blusa e sua pele.

– Dá pra perceber que você gosta de furar a própria pele. Acho que você vai adorar a nossa brincadeira!

– O prazer é todo seu!

As correntes finas envolvem e apertam seus seios e novas correntes prendem ganchos em todos os seus piercings: no nariz, nas orelhas, na boca, na língua, nas sobrancelhas, nas bochechas, nos mamilos, no umbigo e na vagina. E começam a puxar bem devagar. Ela geme novamente.

– Vou perguntar novamente: Onde está Luana?

Ela tenta dizer algo, mas as correntes na boca não permitem. Ukobach tira as correntes do lábio inferior e da língua.

– No seu rabo, filho da puta!

As correntes voltam, mas Dalila fecha a boca, impedindo que uma delas pegue o piercing da língua. Elas começam a esticar a pele da garota nos locais dos piercings e ela grita mais alto. Aos poucos, os piercings vão sendo arrancados um a um e Dalila grita de dor. Ukobach observa as gotas de sangue que pingam no chão até que todos os piercings são arrancados. Uma corrente se enrosca na boca de Dalila, impedindo que continue gritando.

– Parece que você perdeu todos os seus piercings. Vamos providenciar novos.

Várias correntes finas com pequenos ganchos na ponta saem de dentro da maleta e cravam em várias partes do corpo de Dalila. As correntes começam a puxar.

– É surpreendente a elasticidade da pele humana, não é?

As correntes vão esticando a pele aos poucos e a tortura continua por um bom tempo, até que a pele começa a arrebentar. E as correntes vão caindo uma a uma. Dalila geme de dor, não pode mais gritar.

– Eu poderia ficar a noite toda nisso, mas tenho outras coisas pra fazer, então vou te dar logo o que você tanto quer!

Ukobach sorri, enquanto uma corrente grossa sai de dentro da maleta. Sua ponta é formada por vários discos empilhados, como uma broca, com pequenos pregos apontados para fora, como uma clava. Cada disco gira em um movimento de rotação oposto ao anterior. A ferramenta faz um barulho infernal. Dalila arregala os olhos.

– Não seja tímida! Eu sei que você está ansiosa pra ter este instrumento dentro de si!

A broca se aproxima de Dalila e ela começa a se debater. Ela entra em seu short pela virilha e penetra entre suas pernas. Continua subindo até o útero, derramando uma grande quantidade de sangue no chão. Depois de algum tempo, a broca sai.

– Dalila, foi um grande prazer brincar com você. Eu me diverti tanto, que resolvi fazer um trato. Pare de resistir e junte-se a mim, eu pouparei sua vida e lhe concederei poderes incríveis. Nada poderá se colocar em nosso caminho. O que me diz?

A corrente que tapava a boca de Dalila é retirada. Seu rosto está machucado por causa dos ganchos de enforcador. Ela cospe sangue e fala com muita dificuldade:

– Vai pro inferno, seu corno! – Ukobach fica desapontado.

– Você primeiro.

A corrente volta para seu lugar e as pequenas poças de sangue do chão começam a se transformar em formigas africanas.

– Essas formigas entrarão pelos seus orifícios e lhe comerão lentamente por dentro. Aproveite cada segundo! Nada pessoal, são ossos do ofício.

As formigas sobem pelas correntes e pelas pernas de Dalila, até entrarem no seu short. Ela geme e se debate desesperada.

– Espero que não se importe se eu me ausentar, já vi esse espetáculo milhares de vezes.

Ele passa pelo corredor do apartamento e vai até o quarto de Dalila. Lá, ele encontra um flyer do show do dia seguinte.

– Já este espetáculo, eu não vou querer perder!

Publicado por Sombra Posthuman em: Agenda | Tags: , , , , , , , , , , , ,

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