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conto da noiteO Conto da Noite
Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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As quatro tribos – Parte 1

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Faltava pouco para o fim da tarde. O riacho derramava sua água sobre os pés de Ihhuá. Imóvel, o caçador da tribo Uerr´g mantinha os olhos fixos na água corrente e sua lança erguida em posição de ataque. Embora não fosse possível identificar qualquer movimento além de uma suave respiração, cada músculo de seu corpo estava preparado para atacar assim que necessário.

Alguns metros a frente, Peuhh´i, seu irmão mais novo, acabara de açoitar a água com uma longa vara, espantando os peixes em sua direção. Ihhuá  esperou alguns segundos, sabia que a parceria com o irmão não falhava e, ao contrário dos outros caçadores, mesmo naqueles dias de escassez poderia voltar para a tribo com uma boa quantidade de pescado. Ihhuá sentiu a aproximação dos peixes wunaji, seu nado produzia um som característico e não demorou até avistar o cardume se aproximando. Iludidos pela segurança que envolvia o astuto índio, os peixes dançavam por entre seus pés. Quando por fim já havia analisado o maior peixe e se preparava para acertá-lo com a lança, ouviu então um gorjeio agudo que reconheceu de pronto como vindo de um bando de pássaros jouw´j. Ihhuá olhou para o céu e vislumbrou a rara passagem com estranheza, afinal não havia muitas luas os pássaros haviam atravessado o território Uerr´g e muitas outras restavam até sua migração, além do mais, aquela não era a direção correta.

– Ihhuá! – Sussurrava Peuhh´i.

– Mas o quê? – Voltou os olhos para o garoto inquieto.

– Ihhuá! Os Peixes! – Insistiu Peuhh´i, dessa vez quase gritando.

Com o susto Ihhuá movimentou a água o suficiente para espantar os peixes, não o suficiente, porém, para que perdesse todos de vista. Com um lançamento rápido e certeiro, atingiu sua presa.

– O que foi grande irmão? – Disse Peuhh´i ao se aproximar. – Por um momento achei que você iria tentar acertar aqueles pássaros idiotas com a sua lança! – Prosseguiu risonho.

Ihhuá fitou o irmão e disse:

– Esses pássaros. – Fez uma pausa – São jouw´j do sul, ainda não deveriam estar migrando… Deixa pra lá, não deve ser nada. Olha só, acertei um dos grandes. – completou exibindo o peixe em sua lança.

– “Wuaa” grande irmão! “Wuaa!” você sempre acerta! – festejou o entusiasmado indiozinho.

– Sim eu sempre acerto! – respondeu Ihhuá puxando Peuhh´i pela nuca e batendo levemente a testa, como gostavam de fazer.

– Agora temos de ir, o sol de Dreorï já está baixo. Quando chegarmos…

A conversa foi interrompida por um grito estridente, quase um uivo.

– O canto do feiticeiro! – exclamou Peuhh´i – O que será Ihhuá?

– Esse canto é um chamamento… Ou um canto de guerra, não sei. – Ihhuá parecia preocupado. – Vamos, pegue a cesta de peixes e vá na frente, eu recolho os instrumentos e lhe alcanço na tribo.

Peuhh´i se apressou em obedecer. Ihhuá ajoelhou, esfregou um pouco de pó e folhas contra as mãos e as lançou contra o vento. Era a forma de agradecer ao grande espírito da terra pela caça. Levantou, foi até a beira do rio, colocou sobre os ombros o casaco feito do couro de algum animal, amarrou os instrumentos de caça em um bornal que prendeu na cintura, dispôs o arco em suas costas e, por fim, colocou o penacho discreto de caçador. Já tomava o rumo da tribo, quando parou e vislumbrou mais um pássaro jouw´j voando no céu. Sentia que algo estava acontecendo, porém, afastou esse pensamento e seguiu floresta adentro, pois a gigante lua Janfah começava a caminhar no céu.

Ao chegar na aldeia Peuhh´i encontrou um cenário um tanto atípico; uma multidão de Uerrg´s curiosos reunidos no centro da aldeia e muitos ainda chegando. O pequeno índio avistou então o velho feiticeiro Nih´Po posto no “altar” – que não passava de uma pequena elevação na terra.  – No centro havia uma fogueira onde o ancião jogava seu “pó mágico”, fazendo  levantar o fogo numa fúria de fumaça e fagulhas espetacular, ao mesmo tempo que cantava um canto uivado ancestral para chamar seus filhos e filhas.

Os índios Uerr´g  chegavam de toda parte. Curioso Peuhh´i olhou para um lado e para o outro confuso, fez menção de que iria perguntar para alguém o que estaria acontecendo mas lembrou dos peixes na cesta. Achou melhor levá-los para a tenda do Feiticeiro como de costume, porém, quando virou em direção a tenda, teve o caminho obstruído por Gogg e Hogal, os filhos do Chefe Puw´Ynn:

– Onde você vai com esses peixes, pequeno bastardo? – Disse Gogg cruzando os braços e com um olhar mal intencionado.

– É alimento para tribo. Vou levá-los a casa do velho Nih´Po. – disse Peuhh´i de cabeça baixa, já se retirando.

– Tão Pouco? –  retrucou malicioso. – Mas até mesmo isso é muito para um caçador medíocre, filho de um traidor. Na verdade eu acho que você roubou isso da tribo. Você e seu irmão são carne ruim dos Dreorï. Você não acha Hogal?

Hogal fitou Gogg com o canto dos olhos, e lançou um olhar indiferente para o garoto. Parecia não ter nada contra ele, porém, muito embora fosse mais forte, parecia temer muito o irmão para dizer qualquer coisa.

– Vamos garoto, entregue logo a cesta antes que acabe como aquele covarde do seu pai. – Gogg agora segurava o garoto pelo ombro.

Os olhos de Peuhh´i se inflamaram. Olhando a cesta, observou um pequeno peixe danificado demais pela lança de Ihhuá. Provavelmente não seria aproveitado para o consumo. Agarrou a calda com força e disse:

– Meu pai não era covarde! Era mais valente que vocês dois que ficam sentados aqui o dia inteiro em cima dessas bundas sujas, esperando o grande Chefe morrer. – Fez uma pausa – E se querem tanto esses peixes, então podem ficar!

Peuhh´i investiu contra o rosto de Gogg com a carcaça do animal. 

– Ahhh, Meus olhos! Eu arranco a sua cabeça! Maldito seja! Segure-o Hogal! – Exclamou Gogg.

Hogal olhava para seu irmão e para o garoto, atônito, não conseguia se mover. 

– Vamos anda logo! Qual é o seu problema? Está com medo desse inseto? Seu “quotrög das montanhas”. – Disse limpando o rosto.

Peuhh´i era valente, nem se quer tentou correr diante de tal situação, pelo contrário, fez posição de ataque, porém, Hogal deveria ter o dobro de seu tamanho e o imobilizou sem a menor dificuldade.

– Agora, seu caçador insolente, vou te ensinar a ter respeito por um guerreiro Uerr´g. – Gogg ameaçou enquanto tirava o cajado que carregava na cintura.

Gogg ergueu o cajado com fúria. Peuhh´i fechou os olhos enquanto esperava o golpe certeiro. Porém o golpe não veio.  Gogg foi derrubado repentinamente. Era Ihhuá que pulara em seu pescoço como uma fera da floresta. Os dois rolaram por metros, até que pararam. Gogg segurando a mão do cajado de Ihhuá contra o chão, desferiu um soco contra sua face e mais um, porém, quando se preparava para o terceiro golpe, Ihhuá o golpeou com as pernas, projetando Gogg para frente e levantando-se num mesmo movimento. Os dois ficaram frente a frente observando o movimento um do outro. Gogg se precipitou com o cajado em direção a Ihhuá que com um esquiva rápida desviou e desarmou o oponente. Ihhuá saltou com o cajado derrubando Gogg. Forçou o cajado contra o pescoço do índio e disse:

– Da próxima vez que tocar um único dedo no pequeno Peuhh´i, eu te mato! Tá ouvindo? Eu te mato! Arranco essa sua trança feia e faço um cobertor para o meu saco. Vão conhecê-lo como “Gogg, aquele do cabelo do saco de Ihhuá”. – Bufou contra o rosto do apavorado Gogg.

– Faça alguma coisa Hogal! – Olhou para o irmão que estava imóvel. – Anda logo seu animal.

Mas Hogal não se mexeu. Gogg sentiu o cajado de Ihhuá afrouxar-se no seu pescoço. Olhou para o outro lado e viu a Figura do Chefe Puw´Ynn olhando severamente para ele.

– Levantem-se. – Disse o Chefe. -Os dois levantaram-se!

Fez uma pausa.

-Vocês dois são uma vergonha para a tribo. – Disse severamente. – Quantas vezes vou ter que castigá-los? Porquê não se portam como homens e sim como meninos?

– Mas Grande Pai, esses caçadores…

– Cale-se! – interrompeu o Chefe bruscamente. – Venha comigo. Isso não ficará impune! Ouviu bem Gogg? E quanto a você Ihhuá, depois venha me procurar, quero lhe falar… Por enquanto temos assuntos mais importantes à tratar. 

– Sim Grande Chefe. – Assentiu enquanto olhava duramente para Gogg. 

– Bela caça pequeno Peuhh´i. – O grande Chefe passou a mão pelo ombro do jovem índio, que sorriu. – Você sim será um grande homem para nossa tribo, talvez até um guerreiro.

O Chefe e seus dois filhos se retiraram. Ihhuá, lançou um olhar preocupado para Peuhh´i.

– Você sabe que eu não vou estar sempre aqui para te proteger. Não quero que se meta em mais confusão.

– Mas eles disseram que eu roubei os peixes e… E eles iam pegar nossos peixes Ihhuá e chamaram nosso pai de covarde e… E, além do mais, eu ia dar um jeito naqueles dois antes de você chegar! – Eufórico, o pequeno índio dava socos no ar.

– É claro que ia! – Riu-se Ihhuá.

Ihhuá ajoelhou-se de forma que pudesse olhar diretamente nos olhos de seu irmão. Com as duas mãos em seus ombros.

– Peuhh´i, escute bem: Nosso pai não era covarde. Ele fez tudo o que era necessário, foi um honrado filho da tribo. – Olhou um pouco mais profundamente para Peuhh´i. – Não se importe com o que os outros possam dizer, você será um guerreiro tão grande quanto ele e nosso nome será lembrado por gerações em todas tribos das terras Laowhutt. Você acredita nisso?

– Sim. – Disse o garoto meio sem jeito, olhando para o chão.

– Então prometa que fará o necessário quando a tribo precisar de você, independente do que possa acontecer!

– Eu prometo. 

Ihhuá bateu a testa contra a do irmão e lhe abraçou com ternura.

– E a propósito, o que está acontecendo aqui? – Indagou Ihhuá.

– Eu não sei. Mas descobriremos em breve.

O garoto apontou para o Chefe Puw´Ynn, que se juntava ao feiticeiro no altar.

Publicado por Rafael_B em: Agenda | Tags: , , , , ,
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Zona de Conflito

Smoke rises from buildings in Gaza City following Israeli airstrikes

 

O bom de ser criança é a ingenuidade. Dar importância ao que realmente traz felicidade e deixar de lado qualquer tipo de perturbação. Desconhecer as maldades do mundo. Mas nem todas as crianças possuem o privilégio da inocência. Para quem convive com a guerra, isto parece um sonho distante.

O garotinho corria sobre escombros. Tinha sangue espalhado pelo corpo, mas o sangue não era seu. Era de amigos que brincavam com ele ainda há pouco e que foram atingidos por destroços causados por uma das bombas lançadas por um inimigo que ele não conhecia. Aparentava ter por volta de treze anos e jamais chegara perto da fronteira de onde vinham os ataques. A primeira bomba caiu em uma região muito próxima a sua casa e a segunda acertou um prédio ao lado do terreno baldio onde o menino estava. Quando um míssil atingiu um ônibus no outro lado da rua ele já estava em disparada. As sirenes alertaram sobre os ataques mas não houve tempo de se refugiarem em um abrigo antibombas.

Não sabia se era o único sobrevivente do grupo que estava no terreno, porém fora o único a levantar após o ataque. O medo fez ele correr instintivamente para casa, onde estava sua mãe. O barulho das explosões ainda ecoava em sua mente, tudo que ouvia agora era um zumbido incômodo em ambos os ouvidos.
As pernas estavam embaralhadas, mas ele não deixava de correr. Não olhava para trás, numa tentativa nula de fingir que não vira alguns amigos morrendo diante de si. Chorava como a criança que era. Não enxergava mais os prédios destruídos por bombardeios anteriores nem as pessoas apavoradas procurando refúgio com medo de mais bombas. Só queria chegar em casa e abraçar a mãe. Quando finalmente chegou, viu o que não queria ver. O lugar que sempre chamara de lar não mais existia. Tudo estava destruído. O primeiro míssil acertara sua residência.

Alguém tentou segurá-lo para que ele não entrasse no meio dos destroços, mas ele conseguiu desvencilhar-se. Agora ele já havia substituído a corrida por um caminhar lento devido ao receio do que encontraria a seguir. Seus olhos cheios de lágrimas dificultavam sua missão particular. Precisava descobrir se sua mãe estava em meio a antiga morada. Não queria encontrá-la ali. Desejava profundamente que ela tivesse saído para fazer algo na rua no momento do ataque. Sonhava acordado, e em seus devaneios a mãe o chamava e dizia para ele sair dali que era perigoso. Ela o puxava pela mão até um local seguro. Mas a vida real nunca lhe permitira tais sonhos. Quando voltou à realidade viu sua mãe caída entre muitas pedras.

Foi puxado com mais força. Ele não sabia quem era e nem fez força para se manter onde estava. Não tinha mais forças para reagir. Apesar da pouca idade e da confusão em sua cabeça, teve a certeza que seu futuro seria ainda mais incerto a partir de agora. Primeiro seu pai e seus tios, alguns anos antes, e agora sua mãe. Toda sua família morta por causa da guerra. Uma guerra que ele pensava não ter idade para compreender, e que o obrigava a crescer antes do tempo.

Publicado por Clairton em: Agenda | Tags: , , ,
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Operação Lança de Netuno – Afeganistão

taliban

Fevereiro de 2010,  Marja,  Afeganistão

Nossa missão era emboscar quatro carros que seguiam por uma estrada paralela. Segundo as informações que tínhamos recebido, o comboio era composto por dois jipes e dois sedãs pretos e carregava oficiais do Talibã. Deveríamos executar os inimigos tomando o cuidado de capturar um para ser interrogado.

(more…)

Publicado por J.Nóbrega em: Contos | Tags: , , , , , ,
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O Cerco de Brasília

Gênero: Ficção

 

 

“O comando de todos os estados brasileiros será, doravante, exercido por nossos representantes.” – General Smith.

 

Esgotam-se as últimas horas de Abril de 2029. Do Planalto de Brasília, a noite está tenebrosa e sombria. As estratégias de campo de batalha são ótimas para os aliados. As tropas formadas e posicionadas ao derredor de Brasília cairão antes do meio-dia. O dia será de vitória e a América do Sul estará entregue as forças do hemisfério norte.

 

O que parecia improvável havia ocorrido. O Brasil foi tomado por exércitos estrangeiros. Jatos, drones e fortalezas aéreas sobrevoavam a cidade. Casas caindo e prédios desabando mediante pesado bombardeio.  Baterias anti-aéreas tornam-se obsoletas diante da invencível máquina de guerra estadunidense.

 

“A corrupção é apenas um dos pretextos para essa invasão. Todos sabemos que o império anglo-saxônico deseja encravar as garras nos bens da Pátria.” – General Silva Caldas.

 

As cinco da manhã de onze de Abril, ouve-se o barulho das tropas marchando… Dos tanques andando e de robôs inundando as ruas de Brasília. Pelas rodovias da cidade, batalhões e mais batalhões, formados por soldados britânicos, canadenses, franceses, transposto a DF-290, com do sétimo pelotão de marines americanos. As poucas divisões de soldados brasileiros estão reduzidas a um total de vinte mil combatentes contra cento e oitenta mil dos aliados.

 

O congresso se recusa a capitular, e o ditador ordena:

 

“Nem um centímetro de rua deve ser cedido; nenhum soldado dessa Pátria deve recuar. Levem a batalha para dentro das casas, armem os cidadãos, e lutem até a ultima gota de sangue.”

 

Naquele momento de caos que tomara os quatro cantos da cidade, a imprensa internacional transmitia ao vivo o desfecho da invasão:

 

“Brasil, Argentina e Venezuela caem perante as forças da OTAN. Com a queda de Brasília, está proclamado a libertação da América do Sul; do tiranismo que a assolava por muito tempo.”

 

Em Angra dos Reis, tropas de reconhecimento australianas descobrem sete ogivas atômicas escondidas a cem metros abaixo do subsolo. Tão logo quanto se espera, a imprensa justifica a invasão:

 

“Contra fatos não há argumentos: O Brasil pretendia lançar tais ogivas através de foguetes da base de Alcântara contra alvos estadunidenses, mas graças aos bombardeios sobre Alcântara, tal ataque não foi executado.”

 

A guerra contra a América do Sul está ganha, todavia, Brasília ainda resiste com o remanescente de suas tropas. A cada passo dado pelos invasores, soldados e patriotas caem aos bandos pelas ruas e avenidas.

 

Com a cidade sendo tomada, a carnificina se estende de casa a casa; mulheres estupradas, homens fuzilados e sangue escorrendo pelas esquinas e bueiros. General Smith lança força total, a fim de chegar ao Congresso Nacional, marchando com grande confiança no comando de quatro exércitos que juntos totalizavam trinta e seis divisões.

 

Às 5:45, o sol nascia, e o chão tremia aos arredores do congresso.  Os diversos bombardeiros fazem as estruturas do Congresso estremecer como vidro; um pânico aflora e o terror toma conta dos parlamentares. Em poucos minutos, diante do estrondo dos bombardeios, todos tomam conhecimento de que a igreja Dom Bosco foi destruída por um míssil disparado de um drone. Centenas de soldados e civis feridos morrem na explosão, e outra centena nos escombros.

 

Do cabinete da presidência, o ditador Paulo Patriota observa o caos das explosões e bombardeios sobre os quatro cantos da capital.

 

 – Aconteça o que acontecer – Diz para os oficiais do exército – Lutarei pela Pátria e morrerei pela espada.

 – Entendo seu patriotismo, mas, dois terços da cidade estão em ruínas, e a população dizimada – Replicou Silva Caldas, soando frio.

 – Quantos soldados ainda temos, general?

 – A divisão que resistia no Parque Nacional foi aniquilada. A de Planaltina está cercada. E, a do general Leite, que resistia em São Sebastião, capitulou à uma hora – Explicou Silva Caldas, com o ânimo cheio de desânimo enquanto apontava as coordenadas no mapa com um pointer.

Todavia, tomado por grande ira, o ditador retruca:

 – Não quero saber quais divisões estão aniquiladas, nem quais capitularam. Apenas quero saber o número de soldados, general!

O general olha para os olhos do ditador, e responde:

 – Dos quarenta mil soldados, vinte mil tombaram sacrificando suas vidas.

Patriota encontra-se impaciente por dentro, seu espírito está tão agitado quanto o mar num dia de fúria. Para piorar os ânimos, o exército só tinha munição para resistir por mais algumas horas.  E, quanto à gasolina, o sangue rosa da guerra, as forças armadas já não têm, tendo que batalhar de a pé contra as máquinas de guerra da OTAN.

 

Então, Patriota toma uma decisão diante daquela situação crítica:

 

 – Ordene para as tropas recuarem até os arredores do Congresso Nacional.

Todavia Silva Caldas intervém, trêmulo de pânico com tamanha loucura:

 – Me perdoe, Excelentíssimo, mas acho uma atitude como essa muito imprudente.

 – O que sugere então, general?

 – O Senhor pode tirar minha vida se quiser – Diz Silva Caldas ao ver Patriota retirando a pistola do coldre – Mas essa mortandade deve parar, por essa razão sugiro uma capitulação incondicional.

 

As palavras do general batem como estrondo de trovão aos ouvidos de Patriota, contudo… Ele coloca a mão direita sobre o ombro de Silva Caldas, e, ao invés de disparar contra a cabeça de um dos seus melhores homens, o ditador deixa a pistola em cima da mesa. Com seus olhos azuis penetrantes como o de uma águia, Patriota diz ao general:

 

 – A política imperialista do Norte visa o extermínio da maioria dos brasileiros, a fim de não encontrar resistência na tomada de nossos recursos naturais.

 –Tal atitude é insana! Perdoe-me, Excelentíssimo, mas por que Washington quer nos varrer do mapa?

 – Essa é a nova política de conquista dos EUA e dos seus aliados… Exterminar para conquistar – Diz Patriota, suspirando fundo angustiado – Depois de conquistado, o Brasil será renomeado e recolonizado com imigrantes de origem européia, e com o próprio restante dos índios brasileiros.

 

Diante de tal informação, Silva Caldas não mais questiona; apenas se dirige ao alto comando, e então repassa as ordens para as tropas remanescentes.  Em meio a uma chuva de bombas, as tropas recuam até os arredores do Congresso. Soldados e civis tombam pelas encruzilhadas, no esforço continuo de formarem a ultima resistência.

 

Tamanho esforço e sacrifício patriótico ficará conhecido como: “Os três mil de Brasília”. Pois dos vinte mil soldados restantes, somente dois mil e quatrocentos, com mais cinco centenas de civis, encontravam-se postos em locais estratégicos ao derredor do Congresso, prontos para a última batalha de suas vidas. Os outros dezessete mil, estavam posicionados em outras regiões da cidade. 

 

            No entanto, às sete horas daquela manhã, general Smith ordena um cessar fogo, a fim de posicionar tropas e tanques da Asa Norte a Asa Sul de Brasília. Algumas de suas divisões seguiam para a Avenida das Nações, outras para o Parque da Cidade, a fim de fecharem o cerco contra as principais áreas do governo.

            Enquanto Smith planeja a última cartada, um dos seus homens, um coronel de alta patente, o questiona:

            – Por que não destruímos o Congresso Nacional com um míssil?

            – As ordens são para capturar o ditador e seus parlamentares, vivos, para serem julgados no Tribunal de Haia – Responde Smith enquanto observa o movimento dos soldados inimigos de binóculo.

            – Perdemos milhares de soldados nessa guerra contra as ditaduras da América do Sul, e somente nesse cerco, mais de vinte mil soldados americanos e aliados tombaram – Lamenta o coronel, limpando a farda empoeirada.

            Com ares de arrogância, cheios de jactância, Smith responde com um olhar frio e vazio:

            – A América jamais morrerá no fogo. A Nova Ordem Mundial não será exercida pelo BRIC. O Brasil está fora do cenário, à Índia é a próxima. Infelizmente, o Japão, Taiwan e toda a Indonésia foram conquistados pela China.

            – Desejo a vitória da América e seus aliados na guerra, mas para mantermos todas as frentes imbatíveis, precisaremos de muito combustível e suplemento em nosso poderio – Diz o coronel enquanto segura um mapa com um novo Brasil redesenhado.

 

           – Por essa razão, estamos empregando uma guerra de extermínio, pois precisamos das riquezas da América do Sul – Replica o general, e com a frieza de uma pedra de gelo, finaliza – É mais fácil empregar uma guerra de extermínio do que manter uma guerra contra guerrilhas de resistência.

           

            A esse ponto, a moral das tropas brasileiras se desagrega. As reservas são extremamente débeis, e a diferença entre os dois lados é de um combatente para nove.

           

“Brasília está assolada, completamente inundada por tropas estrangeiras.” – Silva Caldas.

 

            Por volta das nove, o congresso recebe um ultimato mediante um emissário inglês. O alto comando encaminha até Patriota, que abatido lê a mensagem em amargo espírito:

 

            “Deveras o esforço patriótico é admirável e fidedigno de entrar para a história. Todavia, tal sacrifício é debalde, visto ser eminente à derrota. Porventura estão aguardando o auxilio da Rússia? Acaso a China intervirá para vos salvar? Washington exige de todas as tropas uma capitulação incondicional. Entreguem suas armas e rendam-se.”

 

            Essas palavras são duras e estremecem os ossos de Patriota. Um clima de medo e desespero apodera-se dos oficiais e parlamentares, e tão logo, a discussão toma conta no Senado.  Em meio a toda a propaganda psicológica, com aviões e drones lançando panfletos do alto do céu, com intuito de fazer as tropas se voltarem contra Patriota; o mensageiro aguarda a resposta do ditador, para então retornar a Smith.

           

            Diante da anarquia já estabelecida, alguns oficiais culpam o ditador pela invasão estrangeira:

 

            “O comunismo é o culpado dessa invasão. E, para salvarmos a Pátria, Patriota deve ser entregue ao inimigo.”

 

            Assim o espírito de medo cobre os parlamentares com a mortalha da covardia. Porém, com o ânimo forte, e com grande revolta, Patriota saca a pistola e dispara dois tiros nas testas de dois oficiais, espalhando os miolos pelo chão e manchando algumas cadeiras. Com outro disparo no peito, ele derruba um parlamentar que estava sentado numa mesa, contaminando o ambiente com palavras antipatrióticas.

 

            De imediato, um silêncio profundo toma conta do cenário, em meio à poça de sangue daqueles bastardos hipócritas. Então, Patriota caminha a passos firmes, aproximando-se do mensageiro inglês, o qual encara os parlamentares com olhar de menosprezo. O ditador entreolha nos olhos daquele emissário, e, apontando a pistola para o alto, discursa em voz alta com muita eloqüência no senado federal:

                       

             “Aos brasileiros, lutaremos pela Pátria e morreremos pela terra. Pois como brasileiros, jamais ficaremos deitados em berço eterno. Mas, ergueremos da justiça com clava forte e vingaremos o sangue de nossos compatriotas. Agora, levantemos com grande força e marchemos com grande honra. Clame nosso sangue aos céus por justiça, e resplandeça a luz da vingança sobre nossos inimigos. Pois dos filhos desse solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil.”  

 

            Os funcionários, parlamentares e oficiais se unem diante de majestoso discurso, enquanto o emissário se retira do congresso para retornar ao comando de Smith, levando as novas ao general inimigo. Ao todo, são cem homens no congresso, que em ato heróico escolhem morrer pela Pátria. E, tomados pelas chamas patrióticas, pegam em armas para defender as entradas do Congresso.

 

            Sob as ordens de Silva Caldas, quatro combatentes seguem com rifles para o mirante das torres gêmeas do Palácio do Congresso. O general se arma com metralhadora de longo alcance, seguindo para a entrada do Congresso. Contudo, nota-se a falta de um homem, o próprio ditador, que se encontra de pé, no plenário.

 

            Silva Caldas se recusa a combater sem a presença de seu líder, indignado, vai em busca do ditador com a arma em punho. Porém, lá se encontra Patriota, parado em pé, sem sair do plenário, com o que parece ser um detonador em mãos. O general fica defronte ao plenário, e assim lamenta:

            – Esperava que Vossa Excelência fosse o primeiro a pegar em armas para combater na linha de frente.

            Soando frio e tremendo a mão direita, Patriota replica:

            – Não se revolte, nobre general.  Tenho em mãos o detonador de uma ogiva nuclear, trazida de Angla Três.

            O general fica pasmo e pálido com tamanha informação, e, gélido de medo, questiona:

            – Pensei que as sete ogivas de Angla Três fossem as únicas das forças armadas, mas pelo visto estou enganado. Entretanto… Por que essa informação não chegou até mim?

            – Deveras precisei manter isso em sigilo, e em segredo de estado. Poucos sabem da existência da oitava – Responde o general, em meio às cadeiras vazias do Senado.

            Silva Caldas está consternado. Diversas questões surgem em sua mente conturbada. Como é um dos homens de confiança do ditador, resolve fazer a última pergunta, porém, nesse instante, uma forte explosão próxima ao Palácio do Congresso, faz estremecer as estruturas. Smith havia retomado a ofensiva.

            Então, Patriota ordena:

            – Vá general! Seus homens precisam do seu comando.

            – Mas, e quanto ao senhor?

            – Ficarei e me sacrificarei pela Pátria – Finalizou Patriota, antes de seguir para um gabinete no 11º andar do Anexo 1.

 

            No fronte inimigo, general Smith encontra-se com ares de jactância, vangloriando-se entre oficiais de alto escalão:

 

            “Meu futuro é promissor. Com a captura de Patriota, serei condecorado e transferido para o comando das linhas de frente contra a expansão chinesa nos países árabes.”

 

            Com a expiração do tempo dado para a capitulação incondicional, o general ordena avança total às dez e meia da manhã. Tropas, soldados, tanques e robôs avançam em ritmo acelerado. Diante da mídia internacional, o enorme poder armamentista da OTAN serve como propaganda de intimidação contra a China e a Rússia.

 

            “Nada pode deter o avanço da invencível máquina de guerra euro-americana.”

 

            11 de Abril, data profundamente triste para os combatentes brasileiros. Os heróis da Pátria disparam contra os invasores que marcham como enxames vindos de todas as direções. Porém, Brasília resiste ainda. A luta continua no estádio Mané Garrincha, até este ser alvo de mísseis que colocam toda a estrutura abaixo.

           

            Do leste, as tropas invasoras prosseguem com recursos extraordinários. Em avanço total, os atacantes tomam o Parque Olhos de Águia, Ponte do Bragueto e todo o Eixo Rodoviário Norte. A batalha se intensifica próxima a Universidade de Brasília, onde ambos os lados se sacrificam em uma luta porta a porta, e sala por sala. Às onze horas da manhã, depois de uma intensa troca de tiros, a Universidade é tomada pelas tropas inimigas.

 

            Mesmo com pouquíssima munição e algumas migalhas de pão, os combatentes resistem com grande agonia. Em poucos minutos, o surpreendente avanço inimigo arrebata de súbito o Colégio Militar de Brasília, o Palácio do Jaburu, junto com o da Alvorada, avançando até a praça dos três poderes.    

 

            Às onze e cinqüenta, os exércitos estrangeiros já haviam cercado o Congresso Nacional. No meio daquele caos infernal, em meio a uma nuvem de poeira, os combatentes da Pátria lutam com grande heroísmo. Mesmo sendo três mil homens de resto, eles já haviam derrubado muitos por terra. Não fosse a ânsia de Smith em capturar Patriota para entrar para a história, e o fato de subestimar o espírito patriótico dos brasileiros, talvez tivesse evitado a baixa de onze mil soldados.       

 

            – Terei o privilégio de capturar o ditador pessoalmente. Avente, soldados! Vamos entrar para a história – Diz Smith, ansioso para capturar seu prêmio de guerra, nem que tivesse que sacrificar mais homens em seu erro tático. 

 

            Do alto das nuvens, os drones disparam rajadas contra os combatentes brasileiros acuados lá embaixo.  Mas os mártires demonstram uma grande resistência, tombando muitos estrangeiros por terra. No meio de tanta mortandade, do mirante das torres gêmeas, os quatro combatentes, fuzileiros exímios, derrubam vários invasores, estouram um tanque e até mesmo abatem um helicóptero. Contudo, eles estão na mira de vários tanques e atiradores de elite, mas é com as rajadas de metralhadora de um drone, que os quatro são alvejados.

 

            Os soldados brasileiros disparam o restante dos morteiros, descarregam seus fuzis contra o inimigo, e alguns seguem com suas baionetas banhadas em sangue para confrontar mais invasores de frente.  No entanto, um drone, de vôo similar ao de uma vespa, contorna o campo de batalha em zigue-zague, alvejando muitos soldados e alguns dragões da bandeira.

 

            Mas foi com um disparo certeiro que Silva Caldas derrubou a aeronave robótica. E, aos berros e brados de fúria, o bravo general exclama:

 

             – Malditos drones estadunidenses! Brasília não cairá facilmente, e nossas chamas nunca serão apagadas.

 

            Diante do enxame de soldados fortemente armados, prestes a tomar o Congresso, o general agarra-se com toda fé na sua pistola, e então, ele diz em voz alta alguns trechos do hino nacional, em meio ao delírio da batalha:

 

             Mas, se ergues da justiça a clava forte,

            Verás que um filho teu não foge à luta,

            Nem, teme quem te adora, a própria morte…

 

            Silva Caldas se ajoelha, abre os braços em forma de cruz, e exclama as últimas palavras antes segundos antes de ser alvejado com um tiro de fuzil no peito:

 

             – Avante Brasil!

 

            Essas foram suas palavras, quando o disparo entrou pelo peito, estraçalhando a coluna vertebral e estourando suas costas; seus órgãos, tripas e sangue jaziam espalhados na entrada do Congresso.

            Dos três mil de Brasília, quase todos já estão mortos, sendo Silva Caldas um dos últimos. Deveras o Congresso está cercado, restando poucos homens no seu interior, que ainda lutam de corredor a corredor contra os invasores.

 

            – Se Patriota não tiver se suicidado como um covarde – Diz Smith com o fuzil em mãos enquanto andava pelos corredores do Congresso – Terei o prazer de capturá-lo em pessoa – Finaliza com ares de vanglória.

 

            Naquele momento de grande aflição, o ditador encontrava-se escondido no banheiro do gabinete onde estava. Sua pressão estava alta, e, ele soava muito, como um animal acuado, próximo da morte.

              Aos poucos os soldados chegam aos gabinetes do Anexo 1, Smith está a frente do comando. Alguns combatentes brasileiros encontram-se nos corredores, mas são rapidamente alvejados pela forte artilharia do inimigo. Assim eles chegam ao gabinete onde Patriota se encontra com uns dez homens armados até os dentes.

 Um forte tiroteio se inicia e dura alguns minutos. No final, todo o restante da guarda pessoal de Patriota jazia morta no chão, em meio às poças de sangue.

 

            O general prossegue de maneira cautelosa, tal como a de um gato prestes a atacar o pássaro. Ele entra com alguns soldados armados no gabinete, deixando marcas de sangue sobre o chão. Ele segue até o banheiro. Um dos seus soldados empurra a porta para averiguar se ainda há algum soldado vivo, mas para sua surpresa, se depara com o ditador, segurando o detonador nas mãos.

            Smith impede que um dos seus homens dispare contra a cabeça do ditador, e, assume o comando, tomando a frente para negociar a vida de Patriota. Com o olhar gélido de frieza, o general diz:

 

            – Ponha o detonador no chão, o suicídio é a mortalha dos fracos.

 

            Mas Patriota encara o inimigo nos olhos e com o espírito patriótico responde:

 

            – O sacrifício é a dádiva dos fortes. Pra ficar a Pátria livre, morrerei pelo Brasil.

 

            E, ao meio-dia de 11 de Abril de 2029, um clarão prodigioso brota do coração da matéria, expandindo-se e tragando todo o Congresso a sua volta. Muitas e muitas vezes mais forte do que a luz do sol do meio-dia. Uma gigantesca bola de fogo, como se o sol tivesse descido a Terra. Uma onda amarelo vivo esverdeado ascendendo-se no horizonte. Um forte clarão ofuscante como o de milhares de relâmpagos… Um imenso cogumelo incandescente eleva-se e expande-se no céu de Brasília… Uma explosão única carregada com todo o poder do universo… Milhares e milhares de mortos consumidos pelas chamas do inferno…

 

 

Assim termina a história de Brasília.

 

 

Publicado por Claudeir da Silva Martins em: Agenda | Tags: , , , , ,
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Operação Lança de Netuno – Nas montanhas de Tora Bora [FINAL]

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05 de janeiro de 2013 em algum lugar nas montanhas de Tora Bora, Afeganistão

Eu fui um marine, não qualquer marine, fui o melhor. Mas, de que me adiantou? Para que serve o quadro de medalhas que ficou em minha casa? A missão em Abbottabad seria a missão da minha vida, matei o homem mais procurado do mundo, ganhei honras, dinheiro e meu tempo de serviço acabou. Sendo o melhor agente de uma equipe que sequer existe oficialmente, fora da Marinha eu sou simplesmente: ninguém. Não constitui família,não comprei nada, não aprendi nenhuma profissão. Sou um assassino. É só o que sei.

O que fui fazer novamente no Afeganistão?

Procurar respostas.

Quatro meses depois da missão em que cravei uma bala na testa do maior inimigo dos EUA fui atacado. Alguém invadiu minha casa e só sobrevivi graças ao meu cachorro que gemeu alto ao ser morto. Um homem entrou em meu quarto e rasguei seu pescoço com uma faca. A polícia o identificou como um assaltante. Um ladrão sem sorte que tentou roubar um fuzileiro. Teria sido uma história normal se no mesmo dia, vinte dos meus companheiros de SEAL não tivessem morrido. O helicóptero em que estavam caiu sob circunstâncias desconhecidas.

Depois disso passei a ficar paranoico. Já quase acreditava que as causas eram algum problema psíquico que sempre aflige os soldados que vão à guerra, quando sofri um novo ataque. Na rua, dois homens em uma moto tentaram me matar, levei um tiro no ombro e abati os dois. “Bala perdida”, a polícia tentou fazer crer que fui confundido. Não obstante, isso ocorreu no mesmo dia em que Job Price, comandante da minha última missão, foi encontrado morto, segundo as autoridades foi suicídio.

Talvez eu realmente estivesse louco, mesmo assim não arriscaria, se o que houve foi queima de arquivo, eu descobriria quem foi e o motivo.

Passei tanto tempo no Afeganistão que tinha me acostumado ao local, além de ser descendente de árabes falo bem o idioma, portanto, sem minhas roupas de soldado, com a barba grande, caminhava pelo território tranquilamente. Eu seria um bom espião.

A verdade é que eu não tinha mais para onde ir. Repudiei minha família em nome do meu país, o mesmo que passou a caçar-me como um animal. Nem amigos eu tinha mais.

Fred e Jhon morreram na “misteriosa” queda do helicóptero e Smith foi assassinado em uma “briga de bar”. Ainda acreditam que é loucura?

Acho que vim em busca de redenção. Passei a caminhar pelo país com a foto que arranquei do bolso do meu primo, gostaria de ver sua filha, talvez pedi perdão. Como havia um mapa na parte de trás segui as coordenadas que me levaram as montanhas de Tora Bora, era estranho ficar naquele local, o mesmo lugar onde falhamos ao tentarmos capturar Osama Bin Laden no início da guerra.

Sob as coordenadas precisas do mapa havia uma mesquita, que mesmo estando em uma localidade erma era bastante movimentada. Pessoas entravam e saiam o dia inteiro, desde os habitantes humildes da região aos importantes líderes tribais e membros do Talibã e da Al-Qaeda. Meu objetivo e esperança era localizar a família do meu primo, no entanto fiquei com a impressão de ter encontrado alguma coisa importante.

No dia seguinte levantei e fui para as orações de sexta-feira no templo. Depois que as orações acabaram notei uma menina de cerca de cinco anos correndo por um corredor lateral por onde uma multidão entrava lentamente. Eu reconheceria aqueles grandes olhos em qualquer lugar. A filha do meu primo.

Fui com a multidão, o corredor seguia até um local que percebi ser um mausoléu, provavelmente alguma figura tribal importante fora enterrado ali. A menina estava próxima do que acho que seria um túmulo, parei para conversar:

— Olá! — Falei em Dari. Ela olhou e disse com uma voz inocente:

— Ele era meu tio. — Apontou para o túmulo. Uma mulher veio gritando com ela e a puxou pelo braço falando que iria arrancar sua língua, pois só assim ela pararia de falar demais. Eu nem liguei para as ameaças contra quem foi a única família com quem conversei nos últimos três anos. Estava paralisado olhando o pomposo sepulcro e a admiração das pessoas do local. Grafado no túmulo em pachto, darí e árabe estavam as inscrições: Mujahid Shaykh , O Emir (1957-2001).

Minha mente virou um turbilhão de pensamentos e lembranças. A imagem do homem que seria Bin Laden caindo após eu atirar em sua testa, o fato de estarmos com óculos de visão noturna o que não permitia uma identificação precisa. A velocidade com que arrastaram o corpo e sumiram com ele, falando depois que foi lançado ao mar, os anos que passamos sem qualquer notícia do líder máximo da Al-Qaeda e a batalha de Tora Bora.

Agora tudo fazia sentido. Ficou claro por que meus companheiros estavam sendo mortos.

Mujahid Shaykh, era outro nome usado por Osama Bin Laden. O Emir, assim também ele era chamado. 2001 foi a data da batalha de Tora Bora onde tentamos matá-lo e onde supostamente ele tinha escapado.

Era tudo uma farsa. Uma mentira usada por anos para justificar ações militares e descartada com a lendária operação Lança de Netuno.

O mundo é uma grande e orquestrada farsa e eu sou apenas um fantoche segurado por fios imaginários e simplesmente descartável! Foi o que percebi.

— Peter! — Alguém me chamou enquanto eu saía desconcertado da mesquita. Ao olhar para trás senti uma pancada na nuca que tonteou-me de imediato e um saco de pano foi colocado sobre minha cabeça. Fui arrastado antes de desmaiar.

Passei dias sem comer, com o rosto tampado, recebendo apenas água e de vez em quando apanhando. Até que finalmente arrancaram o pano da minha cara, fiquei completamente sem reação. Eu estava em uma cela pequena, algemado, mas não era isso que me assustava. Há minha frente estava meu antigo companheiro de pelotão Jhon, que segundo sabíamos tinha morrido na queda do helicóptero. Sorrindo ele disse:

— Muhammad Tarek Bin Laden, seja bem-vindo à Guantánamo, meu amigo. Eis seu novo lar.

Publicado por J.Nóbrega em: Agenda | Tags: , , , , ,

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