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conto da noiteO Conto da Noite
Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Título em desenvolvimento (obra de fantasia épica) -em atualização-

Caro leitor ,antes de ler peço gentilmente que perdoe erros de diagramação ou estruturação, sou um escritor amador que começou a escrever recentemente por incentivo de parentes e amigos ,peço que façam criticas construtivas e me ajudem a entender desse fantástico mundo da literatura que me cativara muito.
Aqui vou postar meu primeiro livro que está em desenvolvimento, ainda não fiz um titulo apropriado ,estou esperando o desenvolver da história para da-lo um que corresponda corretamente o seu conteúdo ,tentarei atualiza-lo sempre que possível, conto com vocês meus novos amigos internautas 😀

PRÓLOGO

Há vinte anos, quando estudava em uma pequena escola de ensino fundamental , conheci um jovem muito intrigante, veja bem o garoto era excluído das outras crianças por não se dar muito bem com outras pessoas. O menino aparentava ser um pouco tímido, curioso e muito confuso, não entendia o porquê das outras crianças não brincarem com ele, de modo que ele começou a tentar se enturmar com os outros garotos e por mais que tentasse a professora sempre o colocava de lado, pois não queria que ele se misturasse com os demais. Em uma dessas tentativas de se comunicar com alguém que não fosse a mesma, ele falou comigo, tenho noção que também não sou uma das melhores pessoas do mundo , sou muito teimoso e indiferente quanto a maioria das pessoas e não desejo me envolver com muitas pessoas. Sempre mantive meu leque de relações limitado a minha família e meu irmão, que era dois anos mais velho que eu. Por fim o garoto que muito era isolado dos outros meninos, se aproximou e com um olhar de medo e ao mesmo tempo de felicidade (disse felicidade, no caso seu leve sorriso e semblante que trazia uma certa paz e tranquilidade, denotava um certo sentimento de felicidade) , -Oi… , disse ele com uma voz bem fraca mas ao mesmo tempo tranquila. Ficamos algum tempo se olhando , estava encarando-o , pensando se ele ia falar mais alguma coisa, com uma cara de incerteza e duvida, enquanto ele me encarava com uma cara de esperança, quase que abrindo um sorriso, a professora apareceu e retirou ele do ressinto, achei estranho pois estávamos no intervalo , por tanto , ela não poderia ter interrompido, mas do mesmo jeito ela o fez e o garoto ficou com uma cara de decepção porem com um ar cômico como se tivesse graça no ato da professora, e assim ele foi meio que quase rindo, por que quase conseguira conversar com alguém.
Fui para minha casa aquele dia pensando no quão engraçado era aquela pequena figura do qual conheci na escola. Enfim quando estava voltando para meu doce lar, eis que vejo o tal menino em um carro muito elegante e grande, todo preto, como se fosse a noite, me espanto com o tamanho sentimento de solidão que aquela cor mostrava, porém continuei andando no sentido da praça que ficava ao lado da escola. Fiquei observando o carro e o garoto, até eles irem embora, achei muito estranho, pois no para-choque do veículo havia desenhado um “S” dentro de um “V” , como se fosse uma sigla de uma família , desenhei ele no meu caderno , queria saber o que ele significava por que agora , de fato, estava interessado a saber mais sobre aquele garoto. Chegando em casa, como mais um dia normal, fui ao meu quarto , subi as escadas correndo, virei a esquerda , a segunda porta , entrei e joguei-me na cama, abrindo um sorriso de satisfação e ali fiquei por um bom tempo pensando na vida, tenho muitas coisas a pensar, não por necessidade , mas sim por que gosto , tinha minhas dúvidas quanto a minha família, dito que ela sempre foi muito unida, mas desde que meu avô materno morreu, as coisas ficaram meio diferentes, digo, meus pais estavam muito apreensivos e cautelosos com as decisões que influenciariam na casa e na família , enquanto minha mãe trabalhava muito , cuidando do seu trabalho doméstico e dos filhos, meu pai estava preocupado com a segurança e deve com a casa, como pagar as contas e ao mesmo tempo dar atenção a mim e ao meu irmão, até aí era o que eu sabia, tinha muito mais , porém não me contavam, não havia necessidade de dividir problemas que eles diziam de assunto de “adulto” com uma criança de apenas 10 anos.
Quando me preparava para levantar, meu irmão , em uma fração de segundos seguiu do chão , seguido de um pulo, se jogou em cima de mim, fazendo cócegas e gritando ,
-te peguei!!! -disse meu irmão
-okay , okay , você me pegou, hahaha , -disse a ele
-vamos garoto, se troca, o jantar já está pronto
-okay…
Até onde pensava era só mais um dia normal, será que eu perdi algo? Ou me esqueci, já não sei mais, as memorias que tenho sobre esse dia estão confusas. Já faz algum tempo que não consigo lembrar de certas coisas da minha vida, deve-se ao fato de ter sofrido algumas alterações em meu corpo e reações a algumas substancias…bom essa parte deixarei para depois.
Algo que tive certeza sobre esse dia, de fato, não foi um dia normal.
Hoje tenho 30 anos, e vou me apresentar corretamente agora, já que não deixei muito claro alguns pontos, meu nome é David Alvarez, tenho uma estatura média, 1,80 metros de altura ( acho importante dizer isso) , cabelos castanhos liso, olhos verdes e cor de pele pardo. Sou um mercenário junto com meu melhor amigo Daniel Von Sigvid, vivemos de pequenos contratos de seguranças particulares e as vezes aparece um trabalho mais intenso, ao decorrer da minha vida passei por várias situações que nunca imaginei que teria passado, contarei detalhadamente a minha visão sobre esses fatos ocorridos , certo que, estou no momento a beira da morte, uma ponte, dois lados, prontos para se atacar, a ponte de cimento maciço apresentava múltiplas rachaduras, além de grandes nevoeiros , não muito densos, de pólvora , o ar estava pesado, dois grandes rastros de nevoa luminosos estavam apontando em direções contrarias, o que representava a cor azul apontava para o sul, iluminando um grupo de cinco jovens guerreiros que diziam estar lutando por algo que acreditam , seus ideais eram muito fortes e pareciam não se abalar com o adversário, o que representava a cor vermelha apontava ao norte , iluminando os combatentes e soldados da divisão Leste-Patria , montados em seus cavalos ornamentados com grandes e maciços equipamentos dignos de uma cavalaria profissional, soldados com suas lanças e espadas tão afiadas e leves que só se ouvia o balançar quando se chocava com algum objeto, todos os guerreiros portavam em suas armaduras o símbolo da justiça e ordem , da divisão, equipamentos adequados ao seu estilo de combate, cada um com feito sob medida para cada integrante daquela equipe de soldados.
Lá estava eu , desprovido de qualquer meio de defesa, abraçado a um medalhão que ganhará de uma pessoa muito especial, tudo que tinha passado e como tinha chegado ali era unicamente culpa desse único individuo , o motivo de toda essa batalha, seu nome era Ward.
“A verdade sobre a ignorância que escolhemos não saber, se faz real novamente. ”

MEMÓRIAS
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Certo de que não tenho muitas lembranças do meu passado, até confundo várias delas , por causa do fato de eu ter passado uma experiência , um tanto que desagradável , portei por cerca de dois meses um amuleto que emitia um poder estranho e ele causou sérios problemas e me concedeu alguns atributos. Algumas memórias que tenho sobre meu passado estão constantemente em mudança, mudando coisas básicas , distorcendo o que realmente era, por exemplo, uma vez, minha casa, eu lembrava dela como uma casa de tijolos, com alguns vitrais e um grande jardim , porém, ela estava debaixo d’agua, e quando me esforçava para tentar lembrar de mais algo, ela mudava, para uma casa na arvore ou nas montanhas , sempre tinha alterações, nunca repetia o mesmo tipo de estrutura, desde o mais rustico até o mais singelo e simples, nunca consegui entender esses fatos. Estranhamente o amuleto também me deu algumas habilidades que há certo tempo faziam o ser humano questionar seu lugar e sua função, por que com o poder vem a “justiça” daqueles que se intitulam os patronos e únicos soberanos sobre tudo que existia. Eu possuo o poder de conjurar e invocar certo tipos de magias, invocar alguns guerreiros ou até mesmo conjurar feitiços de criação de itens, como equipamentos, armamentos ou até mesmo veículos , mas isso já exige muito de mim, já que não nasci com esse dom, ele me foi transmitido, não que desejava esse poder, mas ajuda bastante com meus afazeres. Entretanto, receio que minhas lembranças continuem sendo distorcidas, cada vez que uso alguma habilidade, sinto que cada vez mais vou transformando meu passado em algo que não aconteceu causando um caos em minha cabeça.
O fato de não poder me lembrar corretamente o que aconteceu comigo no passado me assusta e me assombra, a única pessoa que sabe o que aconteceu corretamente foi meu caro amigo Daniel. Ele me contou o que sabia, certa vez, há 10 anos, ele me encontrou em escombros de uma estação de treinamento de cadetes da Facção Vexer , uma das melhores três melhores organizações contra o governo da Leste-Patria. No momento que ele me encontrou eu estava inconsciente em estado de coma sob alguns escombros no que parecia ser a ala de testes de equipamentos, só sobrevivera pois estava dentro de uma das armaduras da classe “Wallholder” são armaduras extremamente reforçadas que chegam a limitar o movimento do usuário, o equipamento se destaca por aparentar como um rinoceronte por ser bem robusto e denso além de ser possuir um único chifre de fibra de Litian , que é um material capaz de resistir a grandes impactos , em seu máximo, uma bala de 170 milímetros de espessura. Por esse motivo não sofri nenhum dano critico, apresentava apenas alguns hematomas e contusões ao longo do tórax e na região da cabeça, nada muito grave, porém o suficiente para induzir a um coma. Não conseguira entender o que aconteceu com a estação, o local estava totalmente destruído e era de se impressionar, já que a instalação era do tamanho de um campo de futebol, o que nos atingiu tinha que ser poderoso, fui o único sobrevivente, só restara cadáveres dos soldados, todos com grandes buracos no meio peito, em volta do buraco, ainda era possível se enxergar as brasas como se algo muito quente e rápido tivesse o acertado. O grande campo de treinamento estava todo coberto por uma fuligem preta com várias crateras do tamanho de carros no chão e nas construções, todos os outros edifícios como os dormitórios, praças de alimentação e garagem estavam completamente em ruínas , com destroços queimados e esburacados, todo o assentamento se encontrava em plena destruição, deixando com uma sensação de dor e desespero, o céu estava preto deixando o rastro de destruição mais visível aos demais, o ar que circulava o ambiente era pesado e difícil de respirar, um grande símbolo de esperança para aqueles que lutam pelo que acreditam e contra aqueles que controlam os ideais e ícones dos padrões atuais, mantendo todos sobre uma única ordem , uma única força e uma única pátria opressora, P.A.T.R.I.A. (Peaceful Accord Tenas Ran Inther Aegis) essas são as divisões do país.
Quando Daniel me tirou da armadura e me levou para a aeronave (bem estilizada, com formato de um drone de quatro hélices e dois propulsores na parte traseira, com detalhes dourados nas arestas e traçados do veículo que era composto pela cor cinza, aparentava ser de uso das forças de elite da Leste-Patria, tirando o nome “ALL IN , FOR THE HOUSE” ,esteticamente era bem chamativo, pois contava com uma tinta especial que absorvia a luz e gerava eletricidade , com detalhes em dourado nas extremidades de cada letra com um plano de fundo azul). Me colocara na enfermaria, deitado na maca, inserindo soro enriquecido com vitaminas especiais que aceleravam a regeneração celular, assim que decolara, se deparou com uma cena que tirou seu sono por muitas noites, uma pintura feita com sangue que envolvia todo o complexo, como se fosse um tipo de ritual com a cabeça de um Kraken onde seus tentáculos formavam uma espiral que envolvia as principais torres da estação em suas pontas. Se assustara porque nunca tinha visto algo parecido ou de ter lido em algum livro sobre tal ato, assim se distanciou com a aeronave e voltou para sua base.
A base ficava perto da antiga cidade de Domes, que se tornou um vilarejo, cerca de uns 30 quilômetros de distância do centro, em uma zona ampla e repleta de arvores com uma cachoeira que desaguava na represa San Dearly , era bem escondida e quase impossível de se detectar, já que os radares e sensores não captavam a atividade térmica ou ondas de rádio de lá, tudo graças a mãe natureza. Chegando na base, ajeitou a enfermaria para que eu pudesse me recuperar e em três semanas eu tinha acordado, muito cansado e abalado psicologicamente, sem muita noção do tempo e bem confuso com tudo aquilo, quando ele chegara do vilarejo onde foi para comprar suprimentos , ele me encontrou e me contou onde tinha me encontrado, e que infelizmente fui o único sobrevivente , já que a armadura me salvara. Tentei me acostumar com a ideia de que tudo tinha acabado, e fui aos poucos recuperando os sentidos, e questionei muito o que havia acontecido, pois n lembrara de nada, normal devido ao fato de ter sofrido muitas contusões na cabeça, ao caso tenho serio problemas com isso, acho que deveria usar um capacete, algo do tipo, talvez.
Demorei para aceitar minha situação porém não tinha mais nada que pudesse fazer, estava em um lugar desconhecido até aquele momento , não tinha como contatar meus amigos, pois estavam todos mortos. Só lembrava que fui parar naquele campo de treinamento por que ofereceram um emprego , um salario e um motivo nobre para se orgulhar de fazer parte. Não me levem a mal , eu era um zé ninguém, um fudido, estava perdido, de novo que novidade…Acabei me alistando por que não tinha outra opção de redenção, seja lá o que tivesse acontecido comigo ou que tenha feito, já que não consigo lembrar com clareza e sanidade sobre os primórdios de minha vida , apenas sabia que tinha que fazer algo para me redimir.
Daniel me propôs uma oportunidade de sobreviver neste país com o ideal de justiça e ordem equivocados, eu poderia sair pela porta e viver minha vida como quisesse ou me juntar a ele e virar um mercenário realizando pequenos contratos e vivendo como um “aventureiro”. Optei por seguir com ele o caminho, já que não tinha a menor condição de viver sozinho, sou um medroso quando estou sozinho, não tenho forças ou muito menos vontade de realizar algo, além do mais, tinha que retribuir o favor de ter sido salvo por ele, ao menos sempre gostei de uma boa aventura, como meu amigo diz até hoje.
“O que você busca parado em frente a essa caixa? Conquiste o mundo que você apenas imaginou”

INTHER, A PENUMBRA DO VALE DA TEMPESTADE

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Após a minha reabilitação, graças algumas sessões de fisioterapia e junto com uma dieta de nutrientes dos quais estavam escassos no meu corpo. Agora tenho um quarto que fica perto da sala de comando, nosso quartel general era dentro de uma caverna abaixo da floresta, era um tanto que úmida, mas tinha um clima bem agradável, não muito quente e nem muito frio, era totalmente aberta por dentro, sem muitas portas ou trancas, de qualquer lugar conseguia-se acessar o hangar com facilidade, já que ficava embaixo de toda a estrutura.
Naquele dia fui recolher alguns suprimentos essenciais pois teríamos nossa primeira missão juntos, fui até o vilarejo da antiga cidade de Domes, fui com a Zt-720 , que é uma moto de uso militar, porém estava bem diferente de sua forma original, já que Daniel modificara ela, possuía dois faróis afrente do guidão, totalmente cinza com detalhes em dourado, com um porta armas muito eficaz, onde escondia duas pistolas calibre 12 na sua proteções do tanque de gasolina, blindada e não muito veloz por causa do seu peso.
Durante o caminho encontrei um dispositivo de armazenamento de dados, ou como vocês chamam, pen-drive, preso a chave do veículo, coloquei ele no capacete para ver o que tinha dele, um único arquivo “Registro: Domes”, era um arquivo de áudio, quando reproduzi o áudio, era Daniel falando sobre a cidade, de acordo com o registro, Domes foi construída para ser um polo comercial, com várias empresas de todos os ramos do comercio, desde armas, munições, equipamentos até roupas e alimentos. Vários anos se passaram e a cidade começou a ser atacada por diversos grupos de bandidos nômades por ter sido construída ao pé de uma montanha , não se tinha muito por onde fugir, foi saqueada e destruída enumeras vezes ao decorrer de 50 anos, até não aguentar e sucumbir, sendo abandonada pelo governo e esquecida pelas pessoas, nos últimos 10 anos, um grupo de comerciantes encontrou o lugar abandona e construiu um pequeno vilarejo comercial ocupando um terço da área da cidade, porém agora possui paz e tranquilidade para quem deseja reabastecer seus suprimentos para seguir viajem para outros lugares do país, voltou a ser um polo comercial , porém de viajantes.
Segui meu caminho direto pela estrada de terra, uma trajetória longa e retilínea que me ajudou a esquecer um pouco dos meus problemas, já que agora tenho companhia novamente, tenho alguém para me ajudar, fica bem mais fácil, aceitar e fazer da minha vida proveitosa, ainda não tinha certeza das intenções quanto a Daniel, mas ele se mostrou ao decorrer desse tempo uma pessoa confiável com boas intenções.
Ao chegar no vilarejo, olho em minha lista e vejo o que preciso comprar
-30 Pentes de pistolas 10 milímetros
-300 Gramas de amônia
– 2 Litros de cloreto de sódio
-4 Latas de sevens (bebida favorita de Daniel)
-10 Metros de corda feitas com fios de fibra de Litian
-dois Escudos de campo magnético (para repelir balas)
-8 Quilos de sabão em pó (por que as roupas não se lavam só com água)
Assim que entrei no vilarejo procurando pelos itens da lista me deparei com uma grande via de lojas, como camelos e algumas tão grandes que possuíam sacadas, era um ambiente bem árido, para uma região que a 10 quilômetros a norte se encontrava grandes florestas. O ar seco entrava no corpo e causava uma sensação de fome e cansaço, as colunas que cercavam a praça principal estava destruídas, algumas sobreviveram e estava parcialmente ereta, um estilo muito simples e humilde do ambiente mostrando todo o lado rústico e real do comércio bem movimentado do local, grandes edifícios empresariais corroídos pelo tempo e destruído pelos saqueadores, eram iluminados com algumas lâmpadas em torno de sua estrutura afim de caracterizar antiga cidade como um vilarejo. Possuía grandes corredores longos e largos com diversas lojas distintas, todas sobre aquele ambiente empoeirado e árido. Quando terminei de comprar os itens da minha lista, fui em direção da saída, que era a mesma da entrada, porém fui por um caminho diferente. Nesse caminho encontrei um quadro de notícias de uma banca e nele estava alguns avisos de variação climática das regiões sul e oeste, e uma destacada das demais, que me chamou muito a atenção, que era tinha haver com a minha primeira missão “Amélia, a filha do Lord Inther é encontrada morta as vésperas de seu casamento”. Fiquei surpreso em ler a notícia por que nossa próxima missão era fazer parte do grupo de seguranças do casamento da filha do Lorde Inther, e acho que agora não teremos mais o contrato. Enquanto voltava para a base, fiquei me indagando sobre o que faria agora, já que falhamos na nossa primeira missão que nem tinha começado, sei que aquela era uma boa chance de fazer mais trabalhos, o contratante disse que haveria mais serviços, caso tivéssemos sucesso em nossa função.
Chegando na base, coloquei sobre a mesa três sacolas com os itens que Daniel me pedira para comprar e o questionei sobre a missão
-Ei, Daniel, eu li que a filha do Lorde está morta…e ago…, falei bem preocupado com o contrato e com uma certa tristeza pela perda do Lorde, mas antes mesmo de eu ter terminado de falar ele corta com uma notícia.
-Não, não, fique tranquilo, não perderemos nosso contrato, acabei de falar com o Senhor Schultz e ele me confirmou que vamos receber adiantado e que temos um novo trabalho. Vamos proteger uma pousada, cujo o dono é próprio Sr.Schultz, já que os outros foram descartados por terem falhado no teste de confiança. Então arrume suas malas e seus equipamentos, pois vamos para Inther , o vale da tempestade, partiremos amanhã de manhã, o caminho é longo e cansativo, iremos com a Big-H0US3. Já que explodi o sistema de propulsão da ALL IN.
-Okay , aceitei de forma que fiquei bem confortável. Afinal proteger uma pousada não é muito difícil.
Nas próximas horas organizei minhas malas e equipamentos e os coloquei sobre a mesa da sala principal, após isso fui para meu quarto e me deitei , para descansar, já que o dia seguinte ia ser bem longo. E como foi longo…
No dia seguinte, levantei bem cedo e fui para sala e acabei encontrando Daniel ,muito ocioso por causa da viajem.
-Vamos David, temos um longo caminho adiante, disse ele com um tom de ansiedade e empolgação.
-Estou pronto, podemos ir!!!, fiz um gesto de positivo com a mão direita.
-Beleza, me ajude a colocar os tanques de gasolina no carro e poderemos ir, disse Daniel.
Assim que terminamos de guardar toda a bagagem que levaríamos para a missão, saímos da base em direção leste por uma estrada de terra, durante alguns quilômetros até chegarmos estrada LT-120 e seguimos ela por boa parte do caminho. Ao decorrer da viagem, comecei a reparar por cada lugar que passamos, afinal a LT-120 era uma estrada de umas duas vias bem largas e asfaltadas que cruzava a divisão leste com o ponto final no vale de Inther, enquanto admirava a paisagem das tundras e grandes cordilheiras das quais adentrávamos por tuneis, Daniel e eu conversamos sobre a missão e sobre outros assuntos.
-Já que é nossa primeira missão juntos, tenho que te contar algumas coisas importantes antes de chegarmos na pousada. No incio quando te encontrei eu pensei que você era um soldado vagabundo qualquer e iria te deixar para morrer lá, não sou um cara altruísta e definitivamente não gosto de dividir alguma missão com alguém, muito menos com uma pessoa que não confio e não conheço muito bem. Porém você me chamou muita atenção, essa marca da sigla “SV” que você tem na sua nuca é da família Voen Sarte ,é a família que comanda a facção mais poderosa contra o governo da Leste-Patria, a Days of Sun , sem dúvida é única facção que tem alguma chance de derrubar o Lorde de Inther. Sei que é ela por que já trabalhei como protetor da caçula da família, não sei ao certo como e nem o motivo de você ter essa marca, mas com certeza não poderia ter te abandonado ali, sendo de alguma importância a essa família.
-Daniel, se eu estivesse em seu lugar não teria salvo minha vida. Não lembro como consegui essa marca, até onde me lembro ela sempre esteve ali, não o culpo por pensar assim, mas agradeço por ter salvo minha vida, e agora para te retribuir trabalharei para você e seguirei esse caminho com você, se assim me permitir. Disse um com um pouco de receio pensando que ele me largaria à deriva na estrada.
-Não sei bem ao certo, mas você me parece ser uma pessoa confiável, digo isso, pois sei que não pareço ser um, desconfio de muitas pessoas e outras prefiro não me envolver muito, porém quando tenho uma missão a cumprir ,preciso agir de forma que não comprometa o andamento do contrato. Então essa missão é um teste para ver se nos daremos bem como uma dupla, espero que você consiga me acompanhar, afinal se há uma possibilidade de você ser um Voen Sarte já pode ser útil em varias situações. Só peço que deixe essa marca disfarçada, por que o lugar que vamos é o coração e cérebro da Leste-Patria, e não seria bom para o governo de ter um integrante da principal família que é contra o governo perambulando por suas terras como cidadão normal.
-Okay, darei um jeito de disfarçar essa marca, tentarei ser útil a você já que você me salvou e cuidou de minha saúde, não o desapontarei. Afirmei com um toque de leve em seu ombro como se fossemos amigos a um bom tempo.
-Sem contato físico. Disse Daniel com o tom severo.
-Entendido capitão!!!, disse com colocando a mão sobre o supercílio fazendo um gesto de obediência.
-Também não precisa ser assim. Daniel falava como se quisesse rir , mas não conseguia

Daniel era um jovem de 26 anos alto e moreno, tinha a cabeça raspada com uma barba que deixara por fazer, olhos azuis e com um porte físico de um verdadeiro super soldado. Sempre vestia uma calça militar cinza com vários coldres de arma e uma jaqueta cinza bordada com linhas douradas , tinha um aparelho multifuncional eletrônico que ele adaptara para seu uso expedicional durante as missões, portando diversas funções e usos.
Ao chegarmos no portão da pousada, nos identificamos pelo interfone, adentrando na propriedade que ficava as margens de um rio e uma montanha, vemos o grande e extenso jardim com sua praça central bem ornamentada como um grande campo aberto com colunas gregas formando um arco bem alinhadas e decoradas com a vegetação, um grande chafariz que se destacava muito por parecer com um arcanjo, com grandes azas feitas de mármore branco e estilizadas com runas em sua base e cada pena detalhada como se fosse real, era tão viva e tão maravilhosa que fazia você se sentir como se estivesse sendo levado ao céus, logo atrás coberto por uma névoa bem fraca mas ainda visível, estava a grande pousada do Sr.Schutlz, totalmente decorada com a vegetação que crescera e subia pelas longas e bem rusticas paredes deixando a mansão mais linda e diferenciada das outras que já tinha visto. Assim que paramos o carro em frente à praça , as portas se abriram e apareceu um senhor com uma certa idade, um 50 a 60 anos, de cabelos grisalhos escorridos até o ombro , com um traje formal preto e bem destacado por sua cor, com uma singela bengala preta com a ponta branca , seus olhos eram cinzas, sua pele branca como a neve porem um pouco enrugada devido o tempo, ele estende os braços e fala em voz alta demonstrando felicidade.
-Bem-vindos jovens guerreiros, a pousada Versa Lange, eu sou o Hendrick Schultz Andreas, muito prazer em conhece-los pessoalmente!!!

(o capitulo dois está incompleto ainda, mas estou trabalhando nisso o mais rapido possivel, estava mesmo muito ansioso em postar aqui que acabei esquecendo disso ) 😀

Publicado por LMatheus em: Agenda | Tags: , , , ,
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Eternidade

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I – Cerimônia

Ainda não sei como vim parar aqui. Me encontro andando em uma fila desconhecida, no interior de um anfiteatro, cheio de cristais, vidro e mármore branco por todo o chão. A abóbada, desenhada criteriosamente na porta à qual me dirijo, remete às cerimônias de iniciação. Com coragem e um pouco de receio, resolvo perguntar ao homem que se encontra em minha frente.

– Estamos indo aonde?
– Está de brincadeira, né?

Permaneço calado. Minha consciência é minha única aliada neste instante. Ouvir minha própria voz me conforta enquanto saímos para o pátio externo.

Um dos voluntários pega uma arma transparente e imediatamente coloca em minhas mãos. Por que motivo? Quando começa a correr abaixado, resolvo segui-lo. O silêncio permanece, não quero interferir. Faz-me um sinal e percorro a ponte, abaixado, até o outro posto igualmente de vidro e mármore branco. Então, ouço um tiro. Uma sombra desaba lá embaixo. Não consigo me conter. Pergunto; incrédulo.

– Você… Atirou… Em seu próprio companheiro?
– É claro. Ele foi purificado. O que houve com você?

Percorremos mais alguns metros. Um projétil ricocheteia nas barras da ponte. Estamos claramente em vantagem, apesar de não saber quem é o inimigo. Ele atirara no próprio colega!

Quando quase sou acertado, começo a levar a sério aquela “brincadeira”. Procuro entender como funciona aquele mecanismo, incrivelmente semelhante a uma arma comum dos tempos antigos. Mas não posso fazer isso. Nem sei o que está acontecendo. Observo mais alguns companheiros da fila fazendo o mesmo.

Uma sirene toca. Está na hora de voltar. Aqueles quinze minutos duraram uma eternidade. Que cerimônia de purificação era aquela, onde os companheiros, colegas e até amigos ficavam felizes em retirar a vida uns dos outros? Devia estar sonhando. E aquele era um pesadelo dos bons.

– Vamos! Está na hora do Engenheiro palestrar.

Evito as perguntas e me controlo, até entender o que está acontecendo. O título “Engenheiro”, da forma pronunciada, denota uma carga de grande responsabilidade. Pode ser que ele traga algumas respostas. Tento iniciar um diálogo, de forma tímida.

– Palestra sobre o que?
– Ah, o de sempre. E alguns novos projetos.

Esclarecedor. Voltamos pela mesma sala, só que desta vez saímos dentro do salão principal, imponente com sua curvatura além do limite da percepção humana, onde uma suntuosa tribuna o aguarda. Ele sobe. Antes que pudesse me sentar naquelas cadeiras macias, noto seu interesse por mim. Seu olhar denota curiosidade e não desconfiança. Após deslizar a mão direita sobre algumas telas, introduz o assunto.

– Como todos sabem, desde que o homem deixou para trás sua terra natal, temos procurado evoluir nossa sociedade como um todo.

Terra natal? Para trás? Ouço o restante.

– E conseguimos. Apesar disso, a cultura avançada trouxe, como consequência, a estagnação. Continuamos a nascer com desejos incontroláveis, o que levou os Engenheiros a projetarem a Cerimônia de Purificação. Muitos de vocês ouvem essas palavras pela primeira vez, enquanto seus colegas, não purificados, as ouvem há muito tempo. O que presenciaram foi apenas uma amostra do que está por vir.

A humanidade nasce com necessidade de guerra… Era isso mesmo que estava ouvindo? Deixo de ouvir algumas partes enquanto raciocino.

-… Agora vão! Vivam suas vidas! E ao final do mês estejam preparados para a Cerimônia!

Ignoro o restante do discurso. Junto as peças. Consigo entender tudo, rapidamente – um mistério. Uma sociedade altamente avançada que, cansada da iluminação contemplativa, exploração e avanço tecnológico, resolve criar um esporte mortal que faz o homem sentir-se vivo e o purifica, entregando-o de volta ao solo. Irônico. Insano.

Vejo-o cochichar com um ajudante. Volto para meu dormitório. As instalações são praticamente perfeitas. Toco nos controles flutuantes e procuro testar algumas opções. Literatura é o que não falta. No entanto, parece existir um buraco de tempo entre cada classificação. Busco pelo livro mais antigo do mundo – a real necessidade inerente ao ser humano. Pelo menos em minha concepção.

Não encontro. Em seu lugar, apenas uma mensagem nada amigável: “A sociedade antiga quase nos levou à extinção. Devido a um incontável número de fatores, foram constituídos novos pilares. O conhecimento antigo foi transformado. Deseja realizar nova busca?”.

Quem era eu para julgar um conceito desconhecido? Mas aquele livro sempre sobrevivera a tudo, de uma forma ou de outra. Como o haviam exterminado? A menos que ele estivesse fora dos registros conhecidos, e as cópias físicas escondidas em algum lugar. A porta emitiu um som. Pelas suas roupas e manto, era um dos Engenheiros.

– Algum problema, candidato?
– Sim. Não encontro literatura antiga.
– De que época?

Acho perturbador não lembrar-me de onde vim.

– Antiga.
– Muitas informações se perderam com o tempo e outras foram transformadas – como o surgimento da Estrela Lilás, que nos fornece energia em abundância.

Poderia ser um buraco negro? Improvável. A menos que realmente possuíssem a tecnologia para extrair energia de tamanho fenômeno cósmico. Resolvo arriscar.

– Quero pesquisar artes e literatura dos anos recentes.
– Ah, de 999 a 990 AM.
– É… Isso…

AM? Pelo visto, AC e DC já deixaram de ser usados há muito tempo. Poderia estar além disso? M não me dizia nada. Mil, milhões, miríade, milenar… O que realmente importava era que, de alguma forma, estava no “lugar” errado.

O Engenheiro digitou rapidamente seu código nas telas quase invisíveis e, alguns segundos depois, a parede cuspiu um pequeno rolo do tamanho de minha mão.

– Aqui está. Esperamos que aprecie e compreenda melhor o que estamos fazendo.

Saiu. Passei a noite lendo e relendo aquelas informações. Quase não dormi.

De manhã resolvi dar uma volta por aquela cidade desconhecida. Enormes estátuas nas laterais das ruas homenageavam os fundadores e a própria criação. As fontes jorravam água em intervalos regulares, criando uma estranha sinfonia ao circundarem o palácio externo. Os jardins suspensos completavam o cenário de Éden recuperado. Sem dúvida, uma sociedade que priorizava as artes e outras formas intelectuais de expressá-la. Um anacronismo incomum, se comparado ao seu esporte.

Foi então que avistei, após encerrar minhas divagações, um pequeno prédio afastado, isento de ornamentação helenística. Bem comum, apesar de o material lembrar ouro bruto, quase cinza.

Andei tranquilamente até lá. Percebi que todos utilizavam as mesmas roupas brancas. Havia algumas variações aqui e ali, mas em suma, todos vestiam a mesma coisa. Inclusive eu. Distraído, dei de cara com o campo de força que envolvia aquela estrutura. Indagando um dos transeuntes, recebi apenas a resposta “há lugares que não podemos ir”. Simples assim.

Um dos excêntricos dirigíveis de telas anunciou o horário de almoço. Não pareciam dar atenção ao tempo e realmente não tinha avistado nenhum relógio.

Entrei em um dos prédios de alimentação. Para minha surpresa, as mesas estavam fartas. Podia aproveitar o que quisesse, sem pagar nada por isso. As frutas e cereais eram incrivelmente saborosos.

Um ótimo lugar para se viver, não fosse aquele fato. Aproveitei o restante do dia para apreciar mais algumas esculturas e aprender um pouco mais daquela cultura insólita.

A noite chegou rapidamente. A Estrela Lilás emitia uma luz sombria sobre todo aquele jardim.

Estudando os manuscritos holográficos, descubro que estou em 1000 AM (Ano Milenar) e que aquela é uma cultura composta por várias ordens distintas, tais como Arquitetos, Engenheiros, Artistas e Geneticistas. Novamente, não encontro nenhum registro relacionado ao livro que procuro, tampouco aos prédios isolados.

Não tenho outro objetivo em mente, a não ser descobrir como vim parar aqui e por que fui enviado. Tinha um longo mês pela frente.

II – Livro

O dia da cerimônia finalmente havia chegado, e com ele, uma sensação ruim – matar ou ser morto. No mês que se passou, consegui me acostumar ao ritmo daquela vida pacata, de criação e contemplação. Estava começando a gostar. Isso era ruim. Ou talvez não.

Os Engenheiros fizeram um breve anúncio e liberaram as arenas, distribuídas por quase toda a cidadela. Naquele dia, o ser humano deixava sua natureza selvagem aflorar, como uma válvula de escape, sem limites morais, mas com consequências desastrosas. No entanto, se quisesse pôr meu plano em prática, tinha de assumir alguns riscos.

Atravessei o corredor, peguei um dos instrumentos da Morte e corri. Atravessei a primeira ponte sob fogo amigo. Um deles pegou de raspão em meu ombro. O uniforme deu conta de curar o ferimento. Aquilo era novidade. A ideia geral daquela cerimônia não era simplesmente machucar e sim, tirar o fôlego da vida.

Mais duas pontes e chegaria ao meu objetivo. Mirei no meu colega de aposento. Minhas mãos tremiam. O pequeno radar automático fez seu trabalho. Bastava apenas apertar o gatilho. Tudo cuidadosamente planejado. As pessoas se preocupavam mais em manter seu estilo de vida do que preservar a espécie. Aquele jogo cheirava a controle populacional, disfarçado de culto.

Lembrei-me de meu uniforme e foi o que fiz dali em diante. Não acertei nenhuma parte vital de meus oponentes, para que pudessem se recuperar assim que os deixasse para trás. Seus movimentos eram quase pré-determinados. Esquivei-me de várias emissões de plasma, mas a essa altura, meu corpo estava cheio de cicatrizes. Tive muita sorte, ou então alguém estava me ajudando…

A última ponte encontrava-se a vários metros do solo e passava por cima dos prédios protegidos. Estava prestes a cometer uma loucura – algo que nenhuma daquelas pessoas condicionadas sequer cogitaria.

Pulei.

Felizmente meus instintos estavam corretos. O traje realmente conteve a queda, mas ao escorregar por aquela estrutura cravejada de micrometeoritos, saí com vários arranhões (mais alguns não fariam diferença).

A porta, fraca pela ação do tempo, abriu com apenas um chute. Lá em cima, ignoraram completamente minha ausência, afinal, para eles, já devia estar morto. Para minha surpresa o prédio estava completamente vazio. Somente uma poltrona corroída destoava do ambiente.

Aproximei-me e a virei. Um esqueleto humano abraçava um livro, como se o último desejo fosse morrer protegendo aquela relíquia; com fé em alguma promessa futura. Isso me fez ser mais cuidadoso ao retirar os manuscritos de suas mãos. Poderia ser o que estava procurando?

Consegui o proteger de tal forma que, mesmo tocando-o, não se desfez levado pelas areias do tempo. Foi nesse instante que ouvi o som de utensílios sendo derrubados no outro cômodo. Engatilhei a arma. Misteriosamente o radar não funcionou.

Um senhor de idade, vestido com mantos pobres, quase sem cores, exclamou.

– Eu sabia que um dia alguém viria aqui!

Permaneci sem dizer uma palavra.

– Não precisa ter receio. Se você está aqui, é porque não é tão cego ou desmiolado como nossos irmãos. Além disso, você é prova de que nosso plano deu certo.

Desliguei o aparelho.

– Quem é você?
– Um dos Arquitetos.
– Que plano?
– Vou direto ao ponto, pois tenho pouco tempo. Lembra-se de como chegou até aqui?

Pela minha expressão, não esperou a resposta.

– Você parece ser mais esperto que os outros.
– Outros?
– Você é um clone.
– Como?
– A grande maioria é. No entanto, alguns foram programados com memórias mais antigas, talvez por descuido ou por obra dos primeiros Arquitetos.

Algo me dizia que toda insanidade possuía traços de verdade.

– Por que meu interesse por esse livro?
– Fomos designados a protegê-lo, até o fim dos tempos. Se você já se questionou o que ocorre ao nosso redor, sabe que nos falta um guia.
– Mas sua sociedade não é perfeita?

Insisti no pronome, apesar de fazer parte dela.

– Sociedades perfeitas têm problemas perfeitos. E nosso principal problema está lá.

Apontou para a Estrela Lilás. Continuou.

– Ela nos influencia. De alguma forma. A sociedade mudou, e, apesar de estarmos no estágio final, a imperfeição ainda nos rodeia. E nos caça, como um leão que ruge. No início, de forma sutil. Agora, com cerimônias como essa.

Não pude evitar a próxima pergunta.

– E… A humanidade original?
– Ainda está lá em cima, diminuindo a cada cerimônia. Somos mais ágeis, apesar de possuirmos pouco tempo de vida.

Entendi o motivo que me fazia desviar facilmente dos projéteis, em meio ao tiroteio. Resolvi entrar no mesmo espírito de seus devaneios, sem digerir por completo a história de clones.

– Esse livro pode realmente mudar a sociedade?
– Sim. Já o fez. Várias vezes.
– Para o bem ou para o mal?
– Depende de quem o empunha. Sua mensagem é pura e verdadeira. Mas o ser humano costuma distorcer suas leis e princípios e adaptá-los ao seu gosto.
– Não foi por isso que o eliminaram dos registros?
– Reconheço que suas informações poderosas já alteraram a história várias vezes. Mas creio, com todo o sopro de vida que me resta, que já estamos nas últimas páginas.

Não parecia restar muito tempo mesmo. Ainda cético, indaguei.

– Há provas?
– A “Estrela”, solta por mil anos… Nossa estrela. Leia você mesmo se não acredita. O que vem depois… Bem, parte disso já vivenciamos. No entanto, nunca estaremos preparados enquanto dermos vazão aos nossos instintos mais selvagens, sob más influências.

Um disparo ricocheteou no campo de força. Quase havia esquecido que lá em cima estava acontecendo uma guerra disfarçada.

– O que eu devo fazer, então?
– Substituir o guardião da relíquia. Minha hora está chegando.
– Como farei isso?
– Desde o instante em que você entrou aqui, seu destino estava selado. Ninguém pode entrar (pelo menos, nenhum dos “normais”). Mas também ninguém pode sair.
– O que?
– É exatamente isto o que você ouviu. Estou outorgando-lhe meus poderes de Arquiteto. Jamais saia de perto desse livro!
– Então… Minha vida se resume a isso?
– Você não ouviu o que eu disse antes? Vai acontecer algo, neste período, nesta época. Esteja atento e saberá como agir! Agora, me deixe descansar, por favor.

Sumiu assim como havia surgido. E lá estava eu, um clone de vida curta, segurando o livro que poderia mudar o curso da sociedade, sem saber o que fazer a seguir. Os dias que se seguiram foram intensos, cheios de expectativa e emoções desconhecidas aflorando. Por quê? Ora, uma estrela dourada surgiu nos céus, eclipsando nossa maior fonte de energia.

III – Eternidade

A cerimônia de purificação terminara com sonoras melodias de harpas. A população diminuiu em mil pessoas e o mais surpreendente é que estavam felizes com isso. Uns mais que outros, agora que entendia plenamente o que estava envolvido.

Irônico. Nós éramos a maior conquista da humanidade, no entanto, segregados inconscientemente. E eu ainda devia proteger seu bem mais precioso – ignorado, rotulado como informação destruída ou transformada.

No mês que se seguiu, enquanto nossa fonte de energia desvanecia, sem saber ao certo como os cidadãos estavam reagindo a isso, resolvi ler aquelas informações repudiadas pela última geração.

Descobri, dolorosamente, que não existia um futuro para nós. Assim, compreendi o motivo da revolução disfarçada e o destino ao qual submeteram aqueles escritos.

No entanto, não restava muito que fazer. A estrela dourada já assumia órbita e estava prestes a engolir nosso mundo. Eu poderia destruir ali mesmo aquela última peça da cultura humana. Mas não o fiz. Apenas aguardei, com certo descaso, o fim que se aproximava.

A estranha luz da nova estrela, composta de energia cósmica, desceu. Atingiu a superfície como uma lente de aumento, ocupando todos os prédios, palácios, casas suntuosas e esculturas. Seguiu-se um incomparável silêncio, reconfortante. Os campos de força caíram. O armamento foi dissolvido, quase sendo moldados em instrumentos agrícolas. Algo além da compreensão.

Fechei os olhos. Desisti. E me entreguei.

Banhei-me em seu prisma. Pensei que seria desintegrado, mas não ocorreu nada além do restabelecimento de meu organismo. Sentia-me bem, saudável, sem sequelas, sem cicatrizes.

O livro caiu. Aberto nas últimas páginas vi, com meus próprios olhos, que o Arquiteto tinha razão. E tive o privilégio de existir na época certa, no período designado. Aquele foi o primeiro sorriso natural que exibi, desde minha criação, ao visualizar a verdade plena sem a influência externa da outra “estrela”.

Páginas em branco.

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Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? | Conheça o livro que deu origem a Blade Runner

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Meses antes da sua morte, Philip K. Dick aguardava ansiosamente a chegada de Blade Runner – O Caçador de Androides aos cinemas. “Ouvi dizer que o filme terá uma estreia de gala como antigamente. Isso quer dizer que vou precisar comprar – ou alugar – um smoking, não é algo que eu queira fazer. Não é meu estilo. Fico mais feliz de camiseta”, declarou o escritor à The Twilight Zone Magazine ao final da sua última entrevista.

A relação de K. Dick com a adaptação de Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, porém, nem sempre fora tão otimista. Em 1970, passados dois anos da publicação do livro, o produtor Herb Jaffe comprou os direitos para o cinema e foi ameaçado pelo escritor ao mostrar o roteiro criado por seu filho Robert: “Devo bater em você aqui no aeroporto ou no meu apartamento?”. Anos depois, em 1977, o produtor Michael Deeley se interessou pela versão de Hampton Fancher para o livro, dando início a odisseia que resultou no filme lançado por Ridley Scott em 25 de junho de 1982.

… continue lendo no Omelete! 🙂

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Paulo Coelho: “Não dou autógrafo”

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Aos 66 anos, o escritor Paulo Coelho se prepara para lançar seu 28º livro. “Adultério” será publicado inicialmente no Brasil, com uma tiragem de 100 mil exemplares. Até o final do ano, será lançado em mais de 34 países.

A história é um triângulo amoroso formado por Linda, uma jornalista que vive aparentemente um conto de fadas, seu marido rico e um antigo namorado dos tempos de escola, político em ascensão, também casado.

Coelho conta que a ideia de escrever sobre adultério surgiu após consultar seus seguidores na internet. São 19 milhões no Facebook e 9 milhões no Twitter.

“Oitenta por cento das pessoas consultadas falavam em depressão induzida por uma infidelidade conjugal. Comecei a entrar em fóruns de maneira anônima para entender por que reagiam dessa maneira”, diz. “Terminei em duas ou três pessoas que me serviram de base para a composição dos personagens.”

Ocupante da cadeira de número 21 da Academia Brasileira de Letras, Paulo Coelho tem 165 milhões de livros vendidos no mundo, traduzidos em 80 idiomas.

Para esta entrevista, o escritor recebeu 22 perguntas por e-mail. Decidiu selecioná-las e gravou as respostas em um podcast. Leia os principais trechos.

… confiram a entrevista no Livros só mudam Pessoas! 🙂

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Novo romance de Patrick Rothfuss em novembro de 2014 no exterior

Patrick Rothfuss

É isso mesmo leitores, depois de várias especulações em torno do lançamento do terceiro volume da série A Crônica do Matador do Rei de Patrick Rothfuss, dessa vez tem algo realmente concreto sobre um novo livro ambientado no mundo dos Quadro Cantos…

Ok, vamos abaixar um pouco essa empolgação, ainda não se trata de The Doors of Stone, o terceiro dia narrado pelo nosso querido personagem Kvothe, e sim um livro centrada na misteriosa personagem Auri.

… continue lendo no Sobre Livros.

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